Por Zezinho de Caetés
E aqui estou eu começando a minha semana no blog. E recebi
novamente um texto do Ricardo Bordin, que ao invés de mostrar a briga entre o
Crivella e o Freixo no Rio (aqui),
mostra outra briga e muito mais influente no mundo: aquela que se trava entre
Donald Trump e Hillary Clinton nas eleições americanas que ocorrem hoje.
Quando vocês estiverem lendo estas linhas, o que ele falou
já é está mais perto de ser passado, embora não o que ele previu. Eu não
concordo em gênero, número e grau com o Ricardo mas, ele merece ser lido com
cuidado, pois grande parte do que ele diz pode se tornar verdade. E sua
comparação entre a Hillary e a Dilma, os Democratas e o PT, nestas últimas
eleições é primorosa se mantivermos a devida proporção da influência mundial
americana.
Mas, leiam o Ricardo, e volta lá embaixo como soe acontecer
neste início de semana:
“Vinte e seis de
outubro de 2014, vinte horas; um país inteiro parado aguardava o resultado da
eleição presidencial, a mais disputada da democracia brasileira até então;
informações vazadas do TSE davam conta de que Aécio Neves havia disparado na
frente da contagem e, em seguida, tão logo se encerrara a apuração do Sul e do
Sudeste, Dilma teria saltado em seu encalço; e dito e feito: tenho gravado na
retina até hoje a reação da jornalista da Globonews diante dos primeiros
números, um misto de alegria e alívio evidente e indisfarçável.
O PT, por muito pouco,
havia garantido sua manutenção no cargo máximo da República por dezesseis anos
consecutivos (no mínimo), e a perspectiva de que Lula voltaria em 2018 para
mais dois mandatos era aterrorizadora e irremediável. Nesse meio tempo,
seríamos reduzidos a uma Venezuela sem Miss Universo – já estava sendo
preparado o terreno para a “regulação da mídia” e para a implantação dos
“conselhos populares” em órgãos da administração pública, e tudo levava a crer
que mais três ministros do STF seriam nomeados por Dilma (antes da aprovação da
PEC da bengala).
Tudo isso correu pelas
sinapses dos brasileiros lúcidos em uma fração de segundos. Só um milagre nos
salvaria dali para frente – e ele veio, sob a alcunha de Lava-jato. Sim, esta
operação não apenas inaugurou uma nova era de combate à impunidade, como
contribuiu decisivamente, junto com a chegada do bust da economia (após alguns
anos do boom de juro farto e barato iludindo a massa), para criar o ambiente
propício para o Impeachment. Pois não é que, pouco mais de dois anos após este
episódio lúgubre da política nacional, cujos desdobramentos se arrastam até
hoje, é possível que os americanos vivenciem acontecimentos muito semelhantes
nas eleições deste oito de novembro? Quem viver verá. Se a América (como a
conhecemos) logrará sobreviver a esses eventos, aí são outros quinhentos
(dólares).
(Possível) vitória apertada de uma mulher de esquerda inspirada em
revolucionários: a dona Wanda, em
sua juventude, lutava pela implantação de uma ditadura do proletariado no
Brasil, influenciada pelo incendiário livro “A Revolução da Revolução”, do
marxista francês Régis Debray, que difundia o “foquismo” – a teoria da
guerrilha de pequenos grupos, os focos, para expropriar e violentar a
burguesia. Participou, dentre outras peripécias, de três assaltos a bancos.
Hillary Clinton, a seu turno, teve como guru ideológico o satanista Saul
Alinsky, de cujo entendimento destoava apenas por acreditar que poderia mudar o
sistema por dentro (quase como uma discussão entre Bolcheviques e
Mencheviques). Ambas, em sua campanhas eleitorais, rejeitaram seu passado
subversivo, preferindo posar de paladinas da democracia. No caso Brazuca, a
realidade se impôs, eventualmente, sobre Dilma, mas sua companheira
“estadunidense” ainda conta com a distorção dos fatos em seu favor, e faz uso
da cartada sexista sem nenhuma reserva. “Está na hora de uma mulher governar
este país”, diziam por aqui; e agora repetem por lá.
A capa da Veja versus a “surpresa de outubro”: A dois dias da eleição presidencial de
2014, esgotava-se rapidamente nas bancas a revista que ostentava na capa uma
novidade nem tão surpreendente, e que viria a ser confirmada a posteriori: Lula
e Dilma “sabiam de tudo” (do esquema do Petrolão). O impacto só não foi maior
porque o prazo era exíguo até o compromisso com as urnas, e os rostos
estampados na histórica edição acabaram se dando bem. Já a corrida pela Casa
Branca foi apimentada, nas últimas semanas, pela chamada “october surprise”,
quando o FBI resolveu reabrir a investigação contra Clinton pelo episódio dos
e-mails trocados (e deletados) quando ela era Secretária de Estado. Tal fator,
somado à avalanche de revelações do Wikileaks, deu sobrevida a Donald Trump, e
alavancou seu desempenho nas pesquisas, gerando uma incrível reviravolta – que
está deixando irrequietos muitos Democratas, a tal ponto que a segurança do
empresário foi reforçada pelo serviço secreto. Se esta alteração de cenário
será suficiente para que ele seja anunciado pela Foxnews como novo presidente,
em breve saberemos.
As crises econômicas represadas (até a eleição): Preços de gasolina e eletricidade
congelados pelo governo petista desde que a “marolinha” esnobada por Lula deu
as caras por aqui permitiram a redução artificial da inflação durante um
período considerável, e criaram uma bola de neve financeira que precisaria
deslizar pela encosta (e pelo lombo dos mais pobres) em algum momento – depois
da reeleição de Dilma, melhor dizendo. Naquele ano eleitoral, os gastos com
programas como FIES, Minha Casa Minha Vida, bolsa-família e outros
assistencialismos estatais estouraram, e precisaram ser reduzidos drasticamente
logo após o resultado das urnas. Os juros baixos subsidiados pelos bancos
públicos também prestaram um grande (des)serviço durante o processo decisório
dos eleitores, e logo em seguida foi necessário tesourá-los.
Com o mesmo intuito de
dar uma forcinha para a camarada Hillary, o Federal Reserve vem mantendo a taxa
básica de juros entre 0,25% e 0,50%, e já anunciou que, em sua próxima reunião,
ela deve ser elevada – após oito de novembro, claro. O cada vez mais dispendioso
Obamacare (que parece que vai precisar ser submetido a teste de paternidade em
breve) e o crescente número de americanos recebendo vale-refeição estatal
caracterizam, da mesma forma, uso do Tesouro Nacional e endividamento do Estado
com fins politiqueiros. Após o último voto ser contabilizado, o “dique” que
segura esta aparente calmaria na economia deve ceder, e a avalanche que se
seguirá deve mostrar se os Estados Unidos são, de fato, too big to fail.
Sistema eleitoral em cheque:
Tal qual procederam os Democratas no ano 2000 (muito embora eles pareçam ter
esquecido disso) e os Tucanos em 2014, os Republicanos ameaçam recorrer à
suprema corte e requerer recontagem de votos em caso de derrota, tendo em vista
inúmeras fraudes relatadas desde que a votação começou em alguns estados – tais
quais imigrantes ilegais registrando-se para votar e pacotes com milhares de
votos oriundos do mesmo endereço. Nossas caríssimas urnas venezuelanas não
inspiram muita confiança na população, e o sistema descentralizado americano
não goza de reputação muito melhor, de maneira que a decisão sobre quem leva a
melhor nesta disputa eleitoral pode acabar ficando até mesmo para um tribunal
estadual — um grupo de sete ministros do Tribunal Superior da Flórida, por
exemplo, pode vir a decretar quem será o próximo presidente dos Estados Unidos,
caso o resultado da contagem de votos por lá levante suspeitas e a Suprema
Corte não resolva o impasse.
Impeachment (ou pior)
à vista: Restam poucas dúvidas de que Hillary pode ter a legitimidade de seu
cargo contestada pela bancada Republicana no congresso americano em caso de
vitória, tal qual ocorreu por estas bandas. Se por aqui a petição baseou-se nos
crimes de responsabilidade, lá o cardápio é bem mais variado, e inclui desde
denúncias de corrupção (envolvendo a fundação Clinton) quanto obstrução de
justiça. Menos mal que a tradição americana manda o presidente renunciar em
casos do gênero; se assim se der, não haverá tanta enrolação até a troca no
comando do país. Outra possibilidade de Clinton não cumprir seu mandato faz
menção a sua saúde: há razões para crer que ela não teria condições físicas de
cumprir todos os compromissos inerentes à função – tal qual se questionava, em
2010, se o câncer superado por Dilma não seria um empecilho para sua
candidatura (tendo ficado provado, mais tarde, que a saúde de Vana era o menor
de seus problemas, e o mesmo se aplica, por certo, a Hillary). Restaria saber,
no caso em tela, se Tim Kaine, escalado como vice na chapa Democrata para
captar o voto mais “progressista”, que optou por seu rival nas primárias,
Bernie Sanders, não consistiria em uma ementa ainda pior do que o soneto.
Há pouca escolha entre maçãs podres, mas há: Se Aécio Neves estava longe de ser um santo, era uma alternativa
menos estatizante ao modelo bolivariano implantado pelo PT no Brasil. Todas as
medidas saneadoras aplicadas por Temer desde sua posse poderiam estar em vigor
desde janeiro de 2015, e o gosto do remédio amargo já estaria dando lugar, a
esta altura, aos efeitos benéficos da austeridade fiscal. No mesmo sentido,
Trump entoa, frequentemente, argumentos de validade questionável, mas
representa uma opção bem mais alinhada aos princípios que tanta prosperidade
trouxeram àquela nação. Se o Brasil pretende, desde a saída pela porta dos
fundos de Dilma, alçar voos comerciais bem mais altos que o tacanho Mercosul,
Trump também promete rever acordos internacionais firmados pela Estados Unidos
na época de Bill Clinton. “Se não tem tu, vai tu mesmo”, como diz o provérbio.
Os artistas perdem a vergonha: Se o pessoal receoso de ficar sem a grana fácil da lei Rouanet
empenhou-se para reeleger o PT, atores e músicos americanos também resolveram
encampar a luta contra o “fascista” Trump, gravando um clipe em que pedem votos
para Hillary – o que gerou este vídeo irônico como resposta:
O “Nós contra Eles” insuflado pelo populista-mor: Estou falando de Lula, mas poderia
tranquilamente estar falando de Obama. Fomentar disputas entre brancos e
negros, homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais, pobres e ricos (o
famigerado 1%) é tática comum entre essas duas figuras que pretendem transmitir
uma imagem de pacifistas, mas só o que fazem, na prática, é semear o ódio na
busca pelo poder.
Pergunta do Sogro: seu
Jair me indagou, certa feita, quem foi o presidente americano que mais ajudou a
transformar aquela nação em um terra tão próspera e com índices de
desenvolvimento humano tão altos. A resposta correta é, claro, NENHUM: foi
justamente a pouca intervenção estatal que possibilitou que os próprios
cidadãos criassem tanta pujança nos Estados Unidos. E, neste quesito, nenhum
dos dois candidatos atual se destaca, mas não tenho dúvidas de que o plano de
governo de Hillary representa maiores obstáculos ao empreendedorismo. Aumentar
o salário mínimo na marra, gerar empregos por meio de obras de infraestrutura,
sobretaxar os ricos: o que é isso? Uma CARTA AO POVO AMERICANO às avessas?
Ademais, não podemos
olvidar das relações atualmente pouco amistosas entre USA e a Rússia (fruto da
atuação desastrosa de Obama na Síria). Afirmar que Vladimir Putin apoia Trump
passa a falsa impressão de que eles compartilham dos mesmos ideais, mas, na
verdade, eles nada possuem em comum. O que ocorre é que Hillary adota uma
postura globalista, e, portanto, quer interferir na politica do mundo todo.
Isso ameaça o domínio Russo no oriente. Por outro lado, Trump é nacionalista,
e, portanto, anti-globalista – já avisou que sua única aventura no exterior
será para destruir o ISIS, e se a OTAN pleitear o apoio do Tio Sam em outros
conflitos, vai ter de coçar o bolso. Assim, ele não representa tanto perigo
para a expansão da “Mãe Rússia”. As chances de a América envolver-se em uma
guerra, portanto, é muito maior com Clinton do que com o suposto “bufão”. E,
convenhamos, nada melhor do que uma guerra para autorizar o Estado a gastar
desmesuradamente e para forjar figuras políticas “heroicas” – bem o que a
Esquerda mais gosta de fazer. Dilma até cogitou decretar estado de exceção
antes de ser defenestrada, o quase-ministro Lula queria gastar nossas reservas
em dólar, mas felizmente ficou só no sonho dos companheiros transformar nosso
país em cenário de The Walking Dead.
O filho pródigo: a
parábola do Novo Testamento conta a história do pai que desiste de convencer o
filho de ir embora de casa, e deixa-o partir com sua parte da herança, sabedor
de que este desperdiçaria tudo e retornaria muito mais humilde, como, de fato,
acontece na estória. Talvez os pais fundadores da América, seja lá onde
estiverem, estejam na mesma situação retratada no texto bíblico: o povo
americano parece mesmo disposto a viver uma desventura irresponsável, e, se não
for mesmo possível demovê-lo da ideia com argumentos, só mesmo a experiência
traumática poderá trazê-lo de volta à razão.
O desprezo de Hillary
pela vida dos americanos, demonstrada em sua omissão criminosa no atentado
terrorista em Benghazi, deixa patente que não será sem cicatrizes que a América
irá livrar-se deste processo, mesmo após seu eventual mandato – ela deve vir a
nomear mais três juízes para a suprema corte, a propósito. Esperemos, pois, que
esta sensação de Déjà vu seja, na realidade, uma ilusão de ótica. E a maior
esperança neste sentido reside no chamado “efeito Bolsonaro”, visto que muitos
eleitores de Trump, com receio da patrulha politicamente correta, costumam não
revelar aos pesquisadores que vão votar no Republicano.
Obama recentemente
declarou que “votar em Trump significa desfazer tudo o que ele fez em oito
anos”. Propaganda eleitoral em favor de Trump melhor do que essa ninguém do GOP
conseguiria fazer...”
Ou seja, com diz o título da matéria acima: “Nós já Vimos este Filme em 2014 – e Não Tem
Graça Alguma, América!”, eu só tenho a lamentar pelo nível de candidatos na
eleição americana. Discordo dele quando ainda pensa que o Trump pode ser melhor
do que a Hillary, e até poderia ser se não fosse seu nacionalismo tosco com o
qual pretende fazer o impossível: Isolar a América do mundo para ela ser grande
novamente. Para mim isto é um contracenso por culpa mesmo dos americanos.
Ninguém pode querer dominar o mundo impunemente, com já vimos desde Roma.
Ou seja, penso que os americanos estão no mato sem cachorro,
e a cadela de que podem dispor não é boa de caça. E hoje à noite saberemos
(salvo os atrasos nas apurações num país mais atrasado do que o nosso, pelo
menos nas apurações) para onde tenderá o mundo dos americanos enquanto o resto
do mundo aguarda ansiosamente. Pois uma coisa é o Lula quebrar o Brasil, outra
coisa é “outro Obama” quebrar os Estados Unidos. Embora, pensando
bem, lá também tem impeachment.
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