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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Aniversário de 102 anos


Dona Yale 90 anos


Por Zé Carlos

É sempre bom ir a Bom Conselho. Nem sempre podemos fazer o que é bom na vida, todo o tempo. Existem sempre os seus perrengues. Mas, se não fosse assim o que seria dos economistas?

Fazia já um tempo que não visitava minha cidade neste período festivo de último dia do ano. Meus outros afazeres prioritários me impediam de fazê-lo. Este ano forcei a mudança de prioridade por um motivo que muitos não aprovariam. Troquei meus netos por minha sogra.

Pela fama que têm as sogras, alguns pensarão ser isto uma loucura e até uma maldade com os netos. Porém, tentarei argumentar que estes estão enganados. E não é porque eu tentarei mudar o Dia das Sogras do dia 13 de agosto para o dia 8 de dezembro, dia de N. S. da Conceição. É apenas porque tive uma sogra especial. Aliás, tive sogros especiais. E aqui não vai nenhuma tentativa de eliminar os defeitos deles, porque quem faz isto é filho e não genro.

Apenas devo reconhecer que mesmo se eles não tivessem nenhuma qualidade outra, só aquela de criarem a mulher que me aguenta já durante tantos anos, já seria uma qualidade para ser louvada.

É muito fácil falar das virtudes de mulheres da época de nossas mães e que ainda foram da geração onde havia uma divisão muito rígida do trabalho entre homem e mulher. Pois havia uma vantagem que hoje já não temos. As mulheres já nasciam e viviam sabendo exatamente o que iriam fazer para o resto de suas vidas. Na maioria das vezes, serem companheiras de pessoas turronas e mandonas e mães de filhos nem sempre gratos.

Muito mais fácil ainda é quando uma delas, como é o caso de minha sogra chega aos 90 anos, com todas as etapas cumpridas, com lucidez e ainda muita vontade de viver, ao ponto de já prever a próxima festa no seu centésimo aniversário. Estaremos todos lá, se Deus quiser, em 2021.

Mesmo que tenha sido difícil encontrar velas suficientes para colocar no bolo, os filhos, genros, netos e bisnetos se juntaram e conseguiram fazer uma grande festa, e já estamos estocando as velas para o aniversário de 100 anos.

O melhor é que a festa foi feita na mesma casa onde eu frequentei por muito tempo e vivemos, eu, os filhos e os outros genros, bons momentos com Dona Yale. Algumas vezes com raiva dela (quem nunca teve raiva da sogra um dia, não a conheceu) mas, na maioria das vezes com admiração pelo seu trabalho e dedicação e por algumas de sua inesquecíveis ações.

- Antônio, o almoço tá na mesa!

- Antônio olha o teu cachete!

- É mesmo, Marli!

- Mábio já chegou?

E tantas outras frases e atitudes que lembro dela. Exemplo, arrumar a geladeira sentada numa cadeira com a porta aberta. Quase por horas. Só depois descobri que era uma forma de fugir do calor de Bom Conselho em determinadas épocas. Quem sabe não está aí o segredo de viver tanto?!

E foi uma festa muito bonita, e tenho certeza, se não houvessem apelado para o artíficio de usar números em cima do bolo indicando seus 90 anos, e colocássemos lá todas as velinhas, ela teria força para soprar e apagar todas. Mesmo não conseguindo, teria chamado sua neta Larissa para ajudá-la e treinar para continuação da festa.

Pois a festa não terminou com Dona Yale. Houve ainda a festa de aniversário de Larissa, completando seus 12 anos. Nascer no dia primeiro do ano é um privilégio, nascer no dia primeiro de um século é uma bênção, e nascer no dia primeiro de um milênio é demais.

Espero repetir a mesma festa no dia primeiro de janeiro de 2022, e até inverterei outra vez minhas prioridades, ao invés de ficar em Caruaru com os netos, estarei em Bom Conselho comemorando 122 anos de Dona Yale e de Larissa.

Larissa 12 anos

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