Em manutenção!!!

quinta-feira, 31 de março de 2016

31 de março: Com quantas mortadelas se faz uma Democracia?




Por Zezinho de Caetés

Hoje, acordei um pouco perturbado e pensei nos meus tempos de caserna (calma gente, não sou um militar, mas, servi ao Exército) quando neste dia, 31 de março, de vários anos, esta hora eu já estava com a arma no ombro marchando em comemoração à chamada revolução, golpe, quartelada, ou qualquer outro nome, que começou em 1964 (uns dizem que foi no primeiro de abril, mas, deixa prá lá...)

Sei que não é um dia mais para festividades, no entanto, sei também que, ainda hoje, estamos colhendo suas consequências, ao vivo, como com o Sarney e o Lula, ou ao morto como com tantos outros. Voltei a dormir, e quando acordei, voltei à realidade, não sei se mais ou menos cruel.

Tanto que, está marcada para Brasília nesta data comemorativa uma manifestação dos “mortadelas boys”, para tentar evitar que a presidenta incompetenta seja impichada. Eu, no meu atroz otimismo voltei a divagar: “Que bela data para se comemorar a queda do governo petista!”. Ou seja, meu devaneio me fez esquecer que não há mais governo em Brasília.

O que há na realidade é o Supermercado Planalto, com filial no Alvorada, comprando votos de deputados para que o estabelecimento comercial, já tão de prateleiras vazias, não mude de administração. E dizem que estão aparecendo muitos fornecedores, inclusive do PMDB que disse ter saído do governo recentemente.

Pelo o texto do Ricardo Noblat, que transcrevo abaixo, um voto está valendo quase R$ 1 milhão, e se fingir-se de doente, para não comparecer, está valendo mais de R$ 400 mil. Pensam que está caro? Que nada! Embora não esteja na tabela de preços dizem que foi pago um ministério “de porteira fechada” ao PTN, que é um partido, mas, não sei o que significa, para que seus deputados votem contra o impeachment da Dilma, que se considera inocenta. E o comércio continua de vento em popa.

E, como vocês lerão no texto, pelo o resultado da pesquisa do IBOPE, recém divulgada, sabe-se que 70% dos brasileiros e brasileiras não aprovam mais o governo,  chegando este percentual a 87% nas classes mais esclarecidas. Fica a pergunta: Como ainda temos deputados para ir ao Supermercado Planalto negociar votos?

Como dizia uma música do, se não me engano, Jararaca e Ratinho, “tá tudo errado, cumpade! Tá tudo errado!...” . Ainda leio que, o Renan agora só é visto andando em Brasília, em cima do muro, descendo e subindo de acordo com as conveniências, para se manter por cima.

São tantas as desilusões que voltei a dormir. Foi pior. Tive um pesadelo que me levava, outra vez, a comemorar o 31 de março, em “ombro armas”. E eu olhava para o palanque e não distinguia quem estava no comando do desfile, se um homem ou uma mulher. Penso que era uma mulher porque estava de vermelho. Acordei suando e assustado...

Agora fiquem com o Noblat, que eu vou me recuperar do pesadelo, vendo quantas mortadelas vale a Democracia.

“Está em curso um golpe às escondidas para impedir a realização de um desejo da esmagadora maioria dos brasileiros – o de ver o governo da presidente Dilma pelas costas.

Sabe quanto custará o golpe na boca do caixa? O que está sendo oferecido a deputados para que votem contra o impeachment ou se abstenham de votar.

Os que votarem contra receberão R$ 1 milhão para a construção de obras em seus redutos eleitorais. Os que faltarem à votação, R$ 400 mil. Fora  cargos. Isso era o que o governo oferecia até ontem à noite.

Mas o mercado de votos para derrotar o impeachment está com viés de alta. E é por isso que dirigentes de partidos e deputados individualmente preferem esperar para decidir na próxima semana.

Até lá, o preço do apoio ao governo ficará mais caro. O dinheiro sairá via liberação de emendas apresentadas pelos parlamentares ao Orçamento da União. O governo só libera tal dinheiro quando carece de apoio.

Nunca careceu tanto como hoje, quando se vê ameaçado de não chegar ao fim do mandato de Dilma. Dito de outra maneira: quando vê o fim do mandato se aproximar velozmente.

O governo precisa de 172 votos ou de 172 abstenções para sobreviver ao impeachment. Dilma foi dormir, ontem, imaginando contar com 130 fechados. A oposição foi dormir contando com 306.

Para aprovar o impeachment, a oposição precisa que 372 deputados, dos 513, comparecam ao plenário da Câmara no dia marcado e votem “sim”. Não vale abster-se. A meta dela é chegar lá com 380 votos.

A meta do governo é chegar no dia da votação com 290 a 300 votos ou abstenções. Nos 130 que diz já ter, estão apenas sete votos do PMDB, dono de uma bancada de 59 deputados federais.

A mais recente pesquisa nacional do IBOPE, divulgada ontem, mostrou que 69% dos brasileiros consideram o governo de Dilma péssimo ou ruim. Ótimo e bom, só 10%.

Não confiam em Dilma: 80%. E 82% desaprovam sua maneira de governar. Para 80%, o segundo governo Dilma está sendo pior do que o primeiro, e 68% acham que o restante dele será ruim ou péssimo.

Entre as pessoas que têm até a quarta série do ensino fundamental, 70% desaprovam e 24% aprovam a maneira de governar de Dilma. Entre os que têm educação superior, 87% desaprovam e 9% aprovam.

Entre dezembro último e a este mês, a desaprovação ao governo saltou de 17% para 60% entre as pessoas que ganham até um salário mínimo, justamente as mais pobres e beneficiadas pelos programais sociais do PT.

Políticos mais críticos apelidaram o Congresso de “Clube da Falsa Felicidade” Na maior parte do tempo, deputados e senadores se comportam como se Brasília fosse um local muito distante do Brasil.

Qualquer pesquisa que ouça apenas deputados e senadores registrará avaliações bastante diferentes daquelas registradas por pesquisas que ouvem os brasileiros comuns pelo país a fora.

É quase unânime no Congresso a opinião de que o governo é ruim, e Dilma pior do que ele. No entanto... Os políticos têm seus próprios interesses que nem sempre coincidem com os dos seus eleitores.

No momento, eles querem extrair de um governo débil tudo o que ele ainda tenha para dar. No dia da votação do impeachment, a depender das circunstâncias, poderão votar contra o impeachment, abster-se ou votar a favor.


Por circunstâncias, entenda-se: o clima do país nas ruas; as pressões via redes sociais; o que receberam ou não do governo para ajuda-lo; e o que esperam receber de um eventual governo Temer.”

quarta-feira, 30 de março de 2016

Será que vem o Temer? Espero o Plano Cururu




Por Zezinho de Caetés

Bem, até que enfim deu o “Dia D” e não o “Dia B” (para entender melhor a distinção o leitor deve ter lido o que escrevi ontem, aqui mesmo), pelo menos é o que pareceu, na reunião do PMDB, para sair do governo. Digo “é o que pareceu”, porque deste partido nunca se sabe se ele está andando para frente ou para trás, pois tudo depende do número de cargos que a ele se oferece.

No entanto, sendo otimista, como eu sou, não mais com base nos fatos da política brasileira, mas como uma questão de princípios, fiquei alegre com a debandada e até com a festa onde se encontravam de Jarbas Vasconcelos até Romero Jucá, passando por outros de menor expressão, porque o Temer, não foi à festa, para, segundo ele, preservar a “liturgia do cargo”, citando Sarney. Aliás, o Renan também não foi, embora eu não saiba se pelo mesmo motivo, ou com medo de ser vaiado.

Até o final da reunião, ou seja nos seus três minutos de duração, minha ansiedade aumentou, pois não sabia o que o Romero Jucá, que a presidiu iria dizer. Ele poderia, pela tradição partidária, naquele momento solene, ainda dizer: “Viva Dilma, e Fora Temer”. Não aconteceu e eu respirei aliviado.

E põe alívio nisto, porque passei a tarde toda à espera deste desfecho, e, enquanto isto assistia à TV Senado, vendo de um lado o Senador Cássio Cunha Lima e a Senadora Ana Amélia tentarem mostrar que o impeachment não é golpe, com argumentos bem sólidos, enquanto o Senador Lindenberg Farias (o Lindinho da tabela da Odebrecht) e a Senadora Vanessa Graidiotin, tentavam, penso, pelas caras dos presentes, em vão, mostrar o contrário.

Ou seja, no senado, já se estava tão certo de que o PMDB iria mesmo desembarcar do governo que já se discutia o ponto futuro: “De quanto será o placar do impeachment”. E eu com dúvidas ainda.

Mas, enfim, vamos supor que o PMDB vai mesmo sair do governo (estou batendo na madeira) e a pergunta que não quer calar é: “E depois?”. Resposta dos otimistas, como eu: “Virá o impeachment!”. E depois? Virá o Temer. E aí é onde está o busílis.

Da maneira como o PT deixou nossa economia, da qual ouvi ontem o Ministro da Fazenda, tentar dourar a pílula na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, e lembrando do Delcídio que a presidia e agora é a Gleise Hoffman, é quase impossível que, pelo menos nos dois anos que lhes restam de governo, ele consiga reverter o quadro negro em que nos encontramos.

E eu estou seguindo os meus princípios de otimismo, porque me lembro do Itamar Franco. Será que o Temer tem na cartola um novo Plano Real? Pelo que sinto, a situação econômica e social é pior do que naquela época, e o FHC, não tem mais idade para ser Ministro da Fazenda. Pelo menos agora não seria mais Plano Real, pois foi o “real” que o PT desvalorizou. Quem sabe o Plano Cururu?

Sei lá! Talvez, se mudássemos nossa moeda para o Cururu, nos custaria menos desfazer as lambanças que o PT fez em nossa economia, que são, em parte, mostradas pelo José Casado, no texto transcrito abaixo (O Globo – 29/03/2016) que ele intitula de “Perdidos na escuridão”, o que é uma descrição exata do que hoje é o governo da presidenta incompetenta ineficienta Dilma, agora coadjuvado pelo meu conterrâneo, o Lula, que agora é o “Ministro Porcina”, que é aquele que foi sem nunca ter sido.

Aliás, dizem que ele agora desistiu de ser ministro “de araque”, pois está se dando muito bem como presidente informal, lá num hotel de Brasília, distribuindo os cargos que eram do PMDB para outros partidos, nesse nosso regime de “presidencialismo de coalizão” que deveria se chamar de “presidencialismo de corrupção”.

Será que mudará com o Temer? Sei não, mas, meu otimismo ainda não é tanto. Esperemos o Plano Cururu!

Agora fiquem com o Casado e vejam com quantos impeachments se faz uma democracia, que eu vou ver quantos cururus eu tenho para comprar o pão nosso de cada dia.

“─ Como é a cegueira?

— Uma das primeiras cores que se perde é o negro — respondeu o escritor de 86 anos, há quatro décadas sem visão. — Perde-se a escuridão e o vermelho também… Naquela direção, onde está a janela, há uma luz. Vejo movimento mas não coisas. Não vejo rostos e letras.

A névoa densa na política deste outono deixou governo e Congresso em estado de anopsia similar ao descrito por Jorge Luis Borges na sua última entrevista, em 1985, ao repórter Roberto D’Ávila. A bruma encobre a transformação do país numa fábrica de desilusões.

Foram 13.100 novas demissões a cada dia útil dos últimos 12 meses no mercado formal de trabalho. Antes do carnaval, pesquisadores do IBGE contaram nove milhões de pessoas à procura de ocupação em 3.500 cidades. A perspectiva é de que esse contingente aumente para 13 milhões no segundo semestre.

Encerra-se o capítulo da “inclusão social”, celebrado na marquetagem eleitoral da última década, com uma combinação nefasta de mais desemprego e declínio na renda familiar dos mais pobres (7,4%). A reversão do bem-estar social, pelo aumento na desigualdade, acaba de ser confirmada por pesquisadores como Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas.

Há um fenômeno novo, detectou a Associação das Empresas de Transportes Urbanos: as pessoas reduziram seu movimento nas maiores cidades. Ônibus levam menos um milhão de passageiros por dia, em comparação a 12 meses atrás. Na periferia, segundo a entidade, cresceu a preferência pela viagem de bicicleta ou a pé.

Na região mais industrializada registrou-se o fechamento de 20 fábricas a cada dia útil, informa a Junta Comercial do Estado de São Paulo. Perderam-se 4.451 indústrias paulistas, 24% mais que nos 12 meses anteriores. Agora, avança-se no quarto ano seguido de recessão, com inflação alta e recorde mundial de juros.

Governo e Congresso se mantêm numa cegueira deliberada. A oposição em transe dedica-se à demolição de pontes para o futuro com “bombas” legislativas, como a de R$ 330 bilhões da semana passada, que turvou uma das raras iniciativas construtivas dos últimos tempos — o acordo feito pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para aprovação da Lei das Estatais.

O governo perde-se em desvarios. Dilma Rousseff fez do Planalto um escritório de advocacia 24 horas. Faz comícios e, quando não insinua seu desejo de prisão para o juiz que autorizou o grampo do telefone de uma pessoa investigada, Lula, recita imaginário “golpismo” num pedido de impeachment, previsto na Constituição que o PT se recusou a subscrever.

Esconde que o seu partido, sob comando de Lula, apoiou nada menos que 50 petições similares contra três presidentes entre 1990 e 2002. Foram 29 contra Fernando Collor, quatro contra Itamar Franco e 17 contra Fernando Henrique Cardoso. Lula superou 34 pedidos de impeachment. Dilma somava 49 até ontem à noite — no último é acusada de usar seu poder constitucional para proteger um investigado, dando-lhe “auxílio direto” para escapar “do juiz natural das investigações”.


A luz sobre negociatas como modo de governo, nos inquéritos sobre corrupção, cegou os que fazem política. Tateiam paredes do labirinto da crise que construíram, e não enxergam a saída.”

terça-feira, 29 de março de 2016

O desembarque do PMDB: O "Dia D" ou o "Dia B"?


Normandia - Dia D


Por Zezinho de Caetés

Eu começo a teclar quase sem assunto. Deu-me vontade de escrever sobre os atentados em Bruxelas ou sobre a visita do Obama a Cuba, entretanto, perguntei a mim mesmo: Quem iria ler-me?

Justifico a pergunta: Se hoje, no Brasil, está marcado um “Dia D” para o PMDB, quem irá ler sobre outro assunto? Depois de 50 anos de existência, este partido, pela primeira vez (não sei se estou certo historicamente, mas, psicologicamente, sei que estou) resolveu cair fora das tetas governamentais.

Vocês já imaginaram um Brasil sem nenhum peemedebista pendurado em nenhum cargo do governo? Pois é o que estão anunciando.

Alguém perguntará, com lógica, por que eu disse que estava com falta de assunto? Ora, senhores, quem acompanha este partido sabe muito bem que, até 15 horas de hoje, para a qual está anunciado o grande desembarque do governo, o Temer poderá se compor com o Lula e com a Dilma e mandar suas tropas recuarem. O “Dia D” se transformaria no “Dia B”, dos bobos, que seríamos todos nós.

É com este espírito que digo que deveria evitar o assunto, pois, neste país, no qual o meu conterrâneo Lula ainda não elucidou quem é dono de sua vida, pois ele nada possui, tudo poderá acontecer num só dia, como aconteceu na Normandia com o verdadeiro Dia D.

Lá, na França, morreram milhares de homens, aqui se houver o “Dia D” do PMDB, é provável que o Temer, assuma o poder sem nenhuma morte, a não ser de alguns mosquitos Aedes Aegypti, que são os protagonistas maiores de nossa miséria política, econômica e social, nos últimos tempos.

Então, para não dar a notícia errada, temos que falar do “se” o PMDB não der para trás até de tarde, já poderemos dizer com quase certeza que, em breve, termos o “Dia PT”, que será aquele onde o PT desembarcará do Brasil, e de preferência que vá para Venezuela, pois o Maduro precisa muito mais dele, para não ter o seu dia, do que nós.

Transcrevo abaixo, para não perder o hábito um texto do Ricardo Noblat, hoje em seu blog, com o título de “Temer adverte: Não há porquê o PMDB festejar a saída do governo”, mostrando que até o Temer, teme não está ainda muito a vontade com os resultados do desembarque, e nos mete medo, pelo menos até quando for realizada a reunião do seu partido. Se não fosse assim, ele estaria mais alegre, e nós também.

Fiquem com o Noblat, que eu vou ficar ligado nas notícias para ver se realmente haverá desembarque ou o Temer, Renan e Sarney mandarão as tropas voltarem, pela dificuldade que terão de deixar o governo. Aliás o Sarney deve fazer uns 80 anos que não vai para oposição de verdade. E, vejam bem, isto será até o impeachment da Dilma, mesmo assim...

“No calendário montado pelo PMDB para finalmente chegar ao poder  dispensando intermediários, há três datas decisivas: a do desembarque do partido do governo; a da votação pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados de relatório favorável ao impeachment da presidente Dilma; e finalmente a da aprovação do impeachment pelo plenário da Câmara.

Se as três datas forem ultrapassadas com êxito, duas outras não deverão reservar surpresas. A saber: o recebimento pelo Senado do pedido de impeachment encaminhado pela Câmara; e a aprovação final pelo Senado do pedido de impeachment. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, já informou a Dilma que seus colegas não terão condições de rejeitar o pedido depois que a Câmara o aprovar.

A primeira das três datas decisivas é hoje. Logo mais, a partir das 15h, na sala da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o Diretório Nacional do PMDB decidirá por aclamação romper com o governo. A partir daí, ministros do partido e ocupantes de cargos públicos indicados pelo partido deverão abandonar o governo de imediato. Dos sete ministros até ontem do PMDB, um, o do Turismo, já saiu.

Alguns ministros foram dormir, ontem, com a disposição de resistir nos cargos, embora sujeitos à expulsão do partido. Um deles, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), das Minas e Energia, tomou o café da manhã com o vice Michel Temer no Palácio do Jaburu e tentou convencê-lo a adiar a reunião. Ou a permitir que ficassem no governo aqueles que desejassem ficar. Temer respondeu que já não seria mais possível.

Foi a mesma resposta que Temer havia dado a Lula que, no último domingo, conversou com ele por meia hora na sala VIP da presidência da República no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Dali, Temer voou para Brasília, onde foi recepcionado na Base Aérea pelos sete ministros do PMDB com o pedido de que adiasse a reunião do diretório. Foi Lula, depois da conversa com Temer, que articulou a recepção.

Ainda na Base Aérea, Temer admitiu adiar a reunião. Horas depois, no Jaburu, recuou e manteve a reunião marcada para hoje. Fez mais ontem à tarde: despachou Moreira Franco, um dos seus assessores, ao encontro do ex-senador José Sarney (PMDB-MA), recém-eleito presidente de honra do PMDB. E recebeu a visita de Renan no Jaburu. Moreira ainda estava com Sarney na casa dele quando Renan telefonou para Sarney.

Renan contou a Sarney que tivera uma conversa “muito boa” com Temer. E que concordara afinal com o desembarque do PMDB do governo. Não havia mais o que fazer àquela altura. Dos 119 membros do diretório, segundo Temer, 114 votariam pelo desembarque. Depois de decisão nesse sentido tomada pelo PMDB do Rio de Janeiro, igual decisão foi anunciada pelo PMDB de Minas Gerais.

Renan, Sarney e Temer combinaram não comparecer à reunião do diretório, que será conduzida pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), vice-presidente do partido.  E Temer avisou a deputados e senadores que não receberá ninguém no Jaburu depois que a reunião acabar. “Nada haverá para ser comemorado”, disse ele a um amigo. De resto, Temer não quer passar a impressão de que conspira para derrubar Dilma.


Tudo indica que a Comissão Especial do impeachment votará seu relatório entre os dias 11 e 17 de abril. E que até o fim do mês, o plenário da Câmara terá aprovado ou rejeitado o impeachment. Não tem se passado ultimamente um só dia sem que se reduzam as chances de rejeição do impeachment.”

segunda-feira, 28 de março de 2016

A semana - "Não vai ter golpe" e "A culpa é do Moro". Dilma e Lula nas paradas...




Por Zé Carlos

Se na semana retrasada o quente da coluna foram os grampos de Lula, Dilma e companhia, num intuito claro de atingir os nossos maiores colaboradores, fervendo, nesta que passou, foram os “ecos” dos grampos. Nunca na história deste país (frase que se tornou uma marca registrada do nosso colaborador Lula, para despertar as plateias pelo o riso) se viu celeumas tão grande quanto aquelas ligadas às gravações do grande show de humor dado por vários personagens do mundo político, que abordamos, parcialmente na semana passada, envolvendo os grampos. As reações foram tantas, que o Ministro Teori Zavascky, com medo de que o Brasil entrasse em transe hilariante, colocou os áudios em sigilo.

Triste engano do Ministro Teori, por não levar em conta as redes sociais que substituem muito bem os mexericos e o “boca a boca” na política do tempo do Coronel Zé Abílio. Naquela época se o Padre Alfredo dizia, durante a missa, que ele cometera algum pecado mortal, esta informação não saia de dentro da igreja, porque todos tinham medo do Coronel. Ou seja, não havia o Facebook, os Blogs como este que vocês leem, o Whatsapp, e até mesmo o quase já arcaico, e-mail. E na maioria das vezes o assunto morria ali mesmo, e, depois da missa, o Coronel continuava cometendo seus pecados mortais, alguns, mortais mesmos.

Hoje não! Pode perguntar a alguém o que a Dilma disse para o Lula no último grampo, que o menos informado leitor e eleitor saberá responder, que ele quis dar uma de esperto e pediu a Dilma que lhe mandasse um “termo de posse”, para ele esfregar na cara de algum policial federal que aparecesse para prendê-lo. E ela, no afã de participar desta coluna semanal de humor, ao invés de só mandar o papel, telefonou dizendo que estava quase morrendo (desculpem, lembrei da música), digo, telefonou para dizer que só o usasse em caso de necessidade, o que todo mundo entendeu, é claro, embora interpretando “necessidade” como aquela em que se usa papel higiênico, ao seu término. Povo cruel, pois quando ela mostrou a folha de papel, lá naquele show de humor no Planalto, todo mundo viu que, se a necessidade fosse esta, ele não poderia sentar, pela textura rústica do papel.

Mas, o Ministro Teori, levando em conta todas as possíveis consequências de papéis como estes, colocou em sigilo todos os grampos, embora, em termos políticos, com toda inutilidade que uma ação como esta trás, agravando a situação daqueles a quem a medida tenta proteger. E nesta semana que passou, o Lula que era o  “senhor dos anéis” tornou-se o “senhor dos grampos”, num piscar de olhos. E até tem quem queira, depois dos grampos, tirar alguns títulos de Doutor Honoris Causa dele. Como dizem que são muitos, talvez não lhes façam diferença, e os que sobrarem ainda poderão provar que ele tem mais títulos do que o FHC.

Porém, mesmo com a decisão do Ministro de devolver os grampos para o STF, o que o Gilmar Mendes, sim aquele outro ministro do STF que tentou enviar o Lula para as mãos do Moro, tinha mandado voltar para “República de Curitiba”, que nada mais é do que uma cognominação da atuação da Lava Jato, ou seja, aquela operação policial, que promete não deixar uma só sujeirinha na política brasileira, não foi anulada a decisão de que o Lula não fosse ungido como ministro, como ele queria tanto, junto com a Dilma. E Lula, agora está, como se dizia lá em Bom Conselho, por aqueles que adotavam  linguajar semelhante ao dele, igual a “merda n’água”, nem sobe e nem desce, mas, esperando descer com o jato da operação.

E como, nem só de pão vive o homem, o Lula vive também de humor e, quando, ele reúne uma plateia com bandeiras com estrelas vermelhas e camisas idem, ele sempre foi impagável. Com um medo danado, que ele esconde, como ficou claro nas declarações grampeadas, de ser preso num camburão normal, isto é, sem climatização como foi o último em que o Sérgio Moro o colocou, na quarta-feira passada ele chegou ao clímax de sua veia humorística, quando ele disse que é a Operação Lava Jato a responsável pelo desemprego e pelo pânico criado na sociedade brasileira. Quando, mesmo os seus maiores seguidores e admiradores já bolavam pelo chão de tanto rir, ele garantiu que se o Congresso Nacional desse a ele seis meses, ou tivesse paciência de seis meses, ele, transformaria este país no trenzinho da alegria. Nem é preciso dizer que foi preciso chamar o SAMU para levar uma porção de gente ao hospital, por embolia hilariante. E continuou, sem remorso:

“Essa operação de combate à corrupção é uma necessidade para esse país. Mas eu acho que vocês deveriam procurar a força-tarefa, o juiz, para saber o que eles estão discutindo sobre quanto essa operação já deu de prejuízo para este país. Será que não dá para combater a corrupção sem fechar as empresas? Já ouvi falar R$ 200 bilhões, R$ 250 bilhões de prejuízo. Quando isso terminar, você pode ter muita gente presa, mas pode ter muita gente desempregada nesse país. Vocês têm que procurar a força-tarefa e perguntar se eles têm consciência do que está acontecendo nesse país”.

Aí não sobrou ninguém nem para contar a história, a não ser um grupo que não prestou muita atenção no discurso de Lula, o pândego, pois estavam dizendo: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo.”

No entanto, se pensam que foi o Lula que reinou, em termos humorísticos nesta passada semana, se enganaram. A Dilma foi tão exitosa, na tarefa de fazer rir, que passou a ter seus shows feitos até para plateias internacionais. Tão pensando que é brincadeira? O show dela, chamado “Não vai ter golpe!”, foi oferecido a jornalistas internacionais, depois que ela soube que a revista The Economist, a andou acusando de que ela, no mínimo, é incompetente, o que não seria motivo para seu impedimento, mas, que tentar ajudar o Lula a não ser preso, obstruindo a Justiça, seria imperdoável e decidiu dizer o que muitos brasileiros já sabem, embora em português: “is time to go”. E, neste afã de colocar seu humor no cenário internacional disse textualmente:

“Não cabem meias palavras: o que está em curso é um golpe contra a democracia. Jamais renunciarei.”

Não houve gargalhadas porque nem todos os jornalistas estrangeiros conhecem bem a história do Brasil, para saber que quando começa esta história de não renunciar de jeito nenhum, é apenas uma forma de fazer humor, quando se lembram do Collor, que dizia a mesma coisa e terminou renunciando, mesmo que, um Fiat Elba, valha muito menos do que o que o Delcídio, sim aquele, cuja missão hoje é receber todos os prêmios para delatores premiados, nesta verdadeira Olímpiada delatória, disse que a Dilma fez. Dizem, que, depois desta declaração, quando o Sérgio Moro abre sua porta para trabalhar, já há uma fila enorme de gente querendo delatar.

Nesta semana que passou, esta fila cresceu em quantidade e qualidade, porque falaram que a Odebrecht, sim, aquela empreiteira que construiu quase todas as obras deste país, incluindo algumas num apartamento tríplex do Guarujá e num sítio lá em Atibaia, que dizem ser do Lula, e ele ainda nega, e nega tanto que já foi até inspiração para um samba que deve servir para o enredo de alguma escola de samba no próximo ano (vejam o samba no final desta coluna), resolveu fazer delações em série, desde o seu presidente o Marcelo Odebrecht, até o mais simples contínuo, que deve dizer que tomou muita cachaça 51 com o Lula, nas épocas em que ele ainda sorvia este tipo de bebida.

E foi um horror quando “vazaram” uma lista, (sem cheiro, é claro, porque o novo Ministro da Justiça, comentado os grampos lulistas, disse que demitiria todo mundo se pelo menos “sentisse o cheiro de vazamento”), na qual mais de 200 políticos aparecem como sendo beneficiários de um “dinheirinho da Odebrecht”. Dizem que são tantos e tão importantes na lista, que políticos que nela não entraram, estão possessos pela desconsideração e querem entrar nela de qualquer jeito. Por exemplo, lá não consta o nome do vice-presidente Michel Temer, e que agora está com medo de que não queiram mais o impeachment de Dilma sozinha porque ele já entrará na presidência desacreditado, pois não entrou na lista.

No entanto a lista em si não é o mais adequado para esta coluna de humor, apesar da surpresa de alguns nomes, de Pernambuco, que foram honrados pela sua inclusão, como Raul Jungman, Elias Gomes, Armando Monteiro, Bruno Araújo, Daniel Coelho, Humberto Costa, Pedro Eugênio, Mendonça Filho e até mesmo o Pastor Paulo Garcia, que, se recebeu alguma coisinha da empresa, deve ter sido para fins religiosos. O adequado para o humor mesmo são os apelidos de alguns que, segundo o vazamento, foram aplicados a alguns dos políticos. Só os apelidos em si já são motivo de riso, mas, o melhor mesmo é imaginar porque cada um ganhou o seu. Vejam a lista:

Romero Jucá – Cacique
Manuela D’Ávila – Avião
Edivaldo Brito – Candomblé
Daniel Almeida – Comuna
Paulo Magalhães – Goleiro
Raul Jungman – Bruto
Jarbas Vasconcelos Filho – Viagra
Renan – Atleta
José Sarney – Escritor
Eduardo Paes – Nervosinho
Sérgio Cabral – Proximus
Eduardo Cunha – Carangueijo
Jorge Picciani – Grego

Vejam que time! Tem até goleiro, e com certeza melhor do que aquele que levou 2 gols da seleção uruguaia em plena Sexta-feira da Paixão, me fazendo jurar que jamais voltarei à Arena Pernambuco, a não ser que seja incluído na lista da Odebrecht, pelo menos para financiar minha ida de helicóptero. Mas, isto é apenas um sonho, pois fazer parte de um time como aquele mostrado nesta lista só para quem tem um futebol melhor do que o de Neymar, e isto eu deixo para os netos. E ainda mais, soube que a Arena foi construída pela Odebrecht e não quero ter meu apelido na sua lista nem trabalhar no seu Departamento de Operações Estruturadas. Pasmem, que este era o nome, segundo as informações do vazamento, que a empresa dava ao seu setor que tratava exclusivamente de “propinas”. A pergunta que não quer calar é se no governo federal haveria também um setor específico para atender a este setor da empresa. Pelo andar da carruagem ele deve ficar na Casa Civil, pois nenhum ministério teve tantos ministros presos como ele, a começar pelo Zé Dirceu, que não quer arriscar que entre mosquito em sua boca.

Todavia, voltando à nossa lista, restaria inquirir, por exemplo, por que Romero Jucá é Cacique? Não é tão claro quanto chamar a Manuela D’ávila de Avião, mesmo não a conhecendo, e sim porque é a única mulher da lista e o machismo ainda abunda neste país. E por que o Raul Jungman é o Bruto? Também não é tão evidente quanto colocar o codinome de Sarney de Escritor ou o Eduardo Paes de Nervosinho, que o diga o povo de Maricá, ou quanto colocar o Eduardo Cunha de Carangueijo. Será porque quando ele apareceu tudo andou para trás, como o crustáceo que serve de tira gosto? O que entendi perfeitamente foi o do Renan, Atleta, porque nunca vi alguém conseguir levantar tantos processos e ficar segurando-os por tanto tempo, só um verdadeiro atleta, que está pronto para competir em qualquer olimpíada nesta modalidade. Bem, mas o que não dar para entender mesmo é porque chamaram o Jarbas Vasconcelos Filho de Viagra. Minha mente vagueou por muitas interpretações, mas, deixa prá lá...

Enfim, a semana termina com a decisão do juiz Moro de soltar os funcionários da Odebrecht que estavam preso na última fase da Operação Lava Jato (que nem me lembro o número de tantas que já foram). Eu não soube ainda as explicações dele para a soltura. Talvez tenha sido porque eles é que deram os apelidos da planilha e não deram nenhum ao Moro. Eu, também, jamais daria apelido ao juiz Moro, mas, pelo grau de aceitação que o vi ter por parte da população brasileira, ele bem que poderia ser chamado de “o namoradinho do Brasil”, com todo o respeito a ele e a Regina Duarte, recebedora de epíteto semelhante.

Fiquem agora com o bom samba, “Não é nada meu”, que ainda não é de enredo de Escola de Samba, mas, revela muito bem o enredo do nosso colaborador, o Lula, que cada vez se enrola mais, porém sem perder a ternura e o humor, jamais.


sexta-feira, 25 de março de 2016

Vida, Paixão e Morte... (*)




Por Lucinha Peixoto (**)

Estou em casa cozinhando. Entre um “trim” e outro do marca tempo de cozinha, resolvi escrever. Sentei, fiquei como o Gildo uma certa vez, olhando para o tempo. Fui no site de Bom Conselho, no Mural, li quem eu sempre leio, procurando inspiração. Escrevi umas baboseiras nele e voltei. “Trimmmm”, era o tempo do feijão de coco. Mexi. Voltei. Tudo cheira a Semana Santa. Pensei, vou escrever sobre o São João. Mas, quem iria ler? Resolvi não inovar muito. E lá vem a Vida Paixão e Morte de Jesus Cristo, outra vez.

Hoje começo pelo fim. À noite irei assistir à Paixão de Cristo do Recife. Já fui, alguns anos atrás. É um bonito espetáculo, e para nós católicos, a questão de texto, interpretação dos atores não vem muito ao caso. Eu choro nos espetáculos da paixão desde que via, no Cine Rex aquelas Vidas de Cristo, mexicanas, cujos diálogos seriam, mais ou menos assim (não sei espanhol):

- Como te hamas?

- Yo me hamo Pedro.

- Te hamavas, ahora serás pescadores de los hombres!

E por ai vai, passando pelo circo do Zé Bezerra, no qual vi Jesus ser retirado da cruz umas três vezes, e ainda chorava.

A Paixão do Recife, mesmo quando assisti pela primeira vez, já achei o José Pimentel um pouco velho para o papel. Jesus então fica, com todo respeito e pedindo o perdão ao verdadeiro, no linguajar do meu filho mais novo: “caidaço”. Hoje à noite ele ainda está lá no batente. Não sei se é por isso que o patrocínio ao espetáculo vem caindo. Vamos ver se ele ainda consegue carregar a cruz, e me emocionar. Se eu chorar, pode continuar, Pimentel.

Mas o patrocínio flui mesmo é para a Paixão em Nova Jerusalém. Todo ano é um Cristo novo e é um ator global. Engraçado que são bons atores. Fui dois anos e chorei nos dois. Porque é que a Rede Globo tem os melhores atores? Todos sabem, sou fã de novelas (aguardem a crônica sobre O Caminho das Índias, perdão meu Deus) e as desta emissora se sobressaem porque, acho eu, os atores são melhores. No entanto, pelo menos deveriam deixar um mesmo Jesus por alguns aninhos. Quando disseram que o ator deste ano era um Murilo, eu pensei, não, o Dódi, não.

Sem querer fazer propaganda, a CIT não firmou ainda nenhum contrato com a Globo, digo que a coisa lá em Nova Jerusalém é bonita. Um pouco cansativa, sim, mas, a beleza supera o cansaço. Embora quase ficamos sem tempo de chorar.

“Trimmm”, é o bacalhau de forno que ficou pronto. Receita de minha mãe, desde quando em Bom Conselho, bacalhau era comida de pobre. Meu pai contava, vinha numas barricas, baixas e redondas, não sei de onde, e era barato. Quando víamos uma mulher baixa e gordo, a comparávamos a uma barrica de bacalhau. Vou tirar do forno mas, volto..

Aproveitei e também tirei o peixe do fogo. Igual ao bacalhau hoje, o preço está pela hora da morte. Eu não sei como os pobres deste país poderão cumprir os preceitos de nossa Santa Madre Igreja, de não comer carne nestes dias santos. Comendo ovo, talvez. Porém, são estas coisas que eu digo, se não puder comer peixe, tenho certeza que Jesus, em sua infinita misericórdia, perdoará aquele que não o fizer. Jejuar, como faziam meus avós, pode ser até um bom motivo para minha filha perder peso, mas para uma pessoa pobre pode ser até prejudicial a saúde. São preceitos que a própria Igreja vai aceitando, ou pelo menos, os homens de boa vontade que a compõem.

Começamos pelo fim, agora voltemos ao início. Em minha época de adolescente em Bom Conselho, os rituais religiosos da Semana Santa eram feitos com muito esmero, devoção e carinho pela fé. O lava pés na Quinta-feira Santa, a procissão de Sexta-feira, Sábado de Aleluia, que terminava com a ressurreição de Jesus, eram memoráveis. Na quinta eram os meninos que se vestiam de apóstolo e iam para o lava-pés (homens da CIT e de Bom Conselho, escrevam sobre isto), havia ainda os Ben-hur, na sexta-feira éramos nós, mulheres, de Pecados. Maria Madalena, lembro um ano que foi Marilene de Dona Luisinha e Santa Verônica, posto cativo de Nevinha de Chico Cardoso, tudo isto me vem à mente, será que ela ainda funciona? Fui Pecado. Sim havia os 7 Pecados Capitais (agora lembrei do texto de Gildo, editado por Cleómenes). Fui, poucos anos, Luxúria, era cor-de-rosa, tomaram meu lugar. Dona Maria Francisca me disse que só tinha lugar para Avareza, cor amarela. Meu pai falou que não tinha dinheiro para comprar o tecido outra vez. Deixei os pecados. Só tinha dinheiro para ver a procissão passar e ver Dona Lourdes Cardoso, puxando o canto:

- Perdão meu Jesus, perdão Deus de Amor, perdão Deus clemente, perdoai Senhor!

Finalmente, ficava, com as amigas, rodando na Praça Pedro II, no sábado de aleluia, rezando para que a achassem, de sorte que o mundo não tivesse fim. Nunca permanecia até muito tarde. Meu pai era um zeloso senhor que, como quase todos na época, achava que chegar tarde em casa, tirava a honra das filhas. Ainda lembrava disso quando as minhas chegavam aqui em Recife, de madrugada. Nem dizia nada.

Quase hora do almoço. Todos a postos. Uma feliz Páscoa para todos.

--------
(*) Publicado no Blog da CIT em 11.04.2009. Só não é muito atual pelas citações das novelas globais, cujas estórias já me esqueci. Agora já estou na Avenida Brasil. Mas, ainda continuo fazendo minhas comidas típicas, embora lá em Gravatá. Este ano não irei ver o José Pimentel, mas dizem que ele está lá firme. E haja tintas para os cabelos. Continuo desejando uma feliz Páscoa para todos.
-------------

(**) Esta postagem já deve ter sido publicada aqui na AGD. Mas, vale a pena repeti-la por quatro razões maiores: Primeira, nunca é demais homenagens a nossa amiga Lucinha, exilada voluntária, em algum lugar deste país, e segunda porque é uma publicação para bom-conselhenses que ainda lembram de quanto era importante a sexta-feira santa em nossa terra, e terceira, porque nossos colaboradores nem eu enfrentaram a tarefa espinhosa de escrever num dia tão santo, talvez pelas mazelas que estão imperando em nosso país. Finalmente em quarta por a postagem não está tão defasada assim, pois o Zé Pimentel ainda é o Jesus. (Zé Carlos – Administrador da AGD).

quinta-feira, 24 de março de 2016

Lula: "O culpado é o Sérgio Moro"




Por Zezinho de Caetés

Hoje, fazendo jejum, para manter nossas tradições, ou seja, com fome, não me alongarei bastante para fazer este nariz de cera ao texto, abaixo transcrito, do Josias de Souza, em seu Blog, e que me chamou atenção pelo título: “Era o que faltava: Lula agora atribui o desemprego a Moro, juiz do petrolão”.

Eu parei nele porque me senti triste e sem acreditar que o meu conterrâneo dissesse tal disparate, até que vi o vídeo do qual deixo o link lá embaixo. O “cara” eu sabia, já vinha batendo o pino, desde que entrou no camburão climatizado da Polícia Federal, sob vara, para depor.

Ali eu não perdi todas as esperanças dele, mesmo estando morto politicamente, voltasse para nossa terra, de onde não devia ter saído, e assumir sua cadeira na Academia Caeteense de Letras, menos pelos seus escritos, do que pelos seus 642 títulos de Doutor Honoris Causa, que deve ser um recorde mundial, na modalidade.

No entanto, vejo que sua bilontragem não terminou ainda. Chegou às raias do absurdo. O que entendi que ele quis dizer é que se tornou tão íntimo de Maluf que já defende o roubo dos governantes, desde que eles deem empregos e bolsas aos pobres. Pobre Brasil!

Embora que, quem pensa que isto não fosse possível vindo do dirigente máximo do PT, não sabe de nada de como esta partido agia e age. Agora, graças ao Sérgio Moro, sabemos que a defesa dos pobres, e a defesa das bolsas não passava da defesa do bolso de cada um dos seus componentes, com honrosas e cada vez mais escassas exceções. Triste Brasil!

Agora, deixo-os com Josias de Souza, e vou curtir minha fome, de comida e de vergonha para este país.

“Preso há nove meses em Curitiba, condenado a 19 anos de cadeia e prestes a amargar novas sentenças, Marcelo Odebrecht revelou o desejo de alistar-se na infantaria dos delatores da Lava Jato. A força-tarefa do petrolão trata a novidade como rendição, não delação. Para obter benefícios judiciais, o príncipe regente da Odebrecht terá de dedurar até a sombra. A exposição das relações promíscuas da maior empreiteira do país com Lula é ponto de honra para os procuradores. Querem detalhes sobre as palestras, o tráfico de influência internacional, os repasse$ ao Instituto Lula, a reforma do sítio de Atibaia, tudo e mais um pouco.

O hálito quente dos executivos da Odebrecht na nuca de Lula aqueceu-lhe a placa do processador. Durante discurso para uma plateia de sindicalistas na noite desta quarta-feira, em São Paulo, o sábio da tribo do PT ofendeu o bom-senso. Responsabilizou o doutor Sérgio Moro pelo desemprego. Fez isso horas depois de o IBGE informar que a taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país cresceu de 7,6% em janeiro para 8,2% em fevereiro. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o flagelo é bem maior: 20,8%. Em cada cinco jovens, um encontra-se no olho da rua.

“A Operação Lava Jato é uma necessidade para esse país”, disse Lula, antes de revelar suas reais intenções: “Agora, eu queria que vocês procurassem a força-tarefa, procurassem o juiz Moro pra saber se eles estão discutindo quanto essa operação já deu de prejuízo à economia brasileira.”

Lula pediu aos sindicalistas que perguntem ao juiz da Lava Jato “se não é possível fazer o combate à corrupção sem fechar as empresas, sem causar desemprego.” Escorou sua pregação num organismo que costumava satanizar: “Segundo o FMI, 2,5% da queda do PIB se deve ao pânico criado na sociedade brasileira.” Numa evidência de que sua placa ferveu, Lula declarou: “Quando tudo isso terminar, você pode ter muita gente presa, mas você pode ter também milhões de desempregados nesse país.”

O mensalão e o petrolão nasceram na administração Lula. Se o morubixaba do PT não tivesse repartido as diretorias da Petrobras entre seus cleptoaliados, não haveria Lava Jato. Mas ainda assim existiria a ruína econômica, porque essa parte do desastre nacional está associada a outra criação de Lula: o mito da gerentona. Superando as previsões mais pessimistas, Dilma revelou-se um fiasco gerencial sem precedentes. No momento, arrasta pelos corredores do poder as correntes da impopularidade. É reprovada por 69% dos brasileiros, informa o Datafolha.

O ruim pode ficar muito pior. Lula revela-se decidido a “ajudar” sua criatura. “Nem que seja a última coisa que eu faça na vida, vou ajudar a Dilma a governar esse País com a decência que o povo merece.'' Barrado por uma liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF, o salvador ainda não conseguiu assumir nem a Casa Civil. Mas acha que está exercendo seu terceiro mandato.

Lula deu a entender que algo lhe subira à cabeça na sexta-feira da semana passada, quando discursou no coração de São Paulo, na manifestação que o sindicalismo e os movimentos sociais convocaram para apoiá-lo e para se contrapor ao impeachment. “A impressão que tive na Avenida Paulista foi que vocês estavam me dando posse.''

Há 14 dias, numa palestra para empresários paranaenses, Sérgio Moro soou como se antevisse as críticas de Lula. Declarou-se “consternado com esse quadro econômico de recessão e de desemprego.” Mas disse não não dar crédito à tese segundo a qual “a culpa é da Lava Jato.” Mencionou os “movimentos favoráveis no mercado”, com oscilações positivas nos índices da Bolsa de Valores, quando há diligências policiais. “Para mim é um indicativo de que a Lava Jato não é exatamente um problema.” Reiterou: “Trabalhar contra um quadro de corrupção sistêmcia é algo que só nos traz ganhos. Não tenho nenhuma dúvida quanto a isso.”

Moro afirmou que só há dois caminhos à disposição. E a “sociedade democrática brasileira” terá de optar por um deles. “Podemos fazer como se fez muito: varrer esses problemas para debaixo do tapete, esquecer que eles existem” ou “enfrentar os problemas com seriedade e da forma que eles devem ser enfrentados.” Para o magistrado, “a primeria alternativa não é aceitável.”

No Brasil, sempre que uma investigação ameaça a aliança que une as oligarquias econômica e política, fabricam-se crises e teses para avacalhar os inquéritos. Lula faz pose de alternativa. Mas frequenta a cena política como principal operador da turma do tapete. Age para esconder a sujeira. Vale a pena ouvi-lo de novo: “Quando tudo isso terminar, você pode ter muita gente presa, mas você pode ter também milhões de desempregados nesse país.” Lula está mais próximo da cadeia do que do emprego de presidente que gostaria de reconquistar em 2018.”

-------------

Lula na bilontragem

------------

quarta-feira, 23 de março de 2016

"Não vai ter golpe!", disse a presidenta birrenta




Por Zezinho de Caetés

Em primeiro lugar dou os parabéns a nós mesmos pelo nosso “meio milhão” de acessos. Se a Dilma, nossa presidenta, incompetenta, ineficienta e birrenta, tivesse o apoio dos brasileiros neste número para ficar no poder, ela estaria em excelente condição.

Pelo andar da carruagem, que só tem um cavalo porque os outros foram visitar o colega Renan, o impeachment não demora muito. Eu nunca vi, nem na história deste país, nem na dos outros, um desgaste tão grande de governo e de um partido como o que estou vendo com a Dilma Não Vai Ter Golpe Roussef e com o PT. Se isto for coisa das “elites” como eles dizem, então o governo foi um sucesso retumbante porque conseguiu colocar mais de 70% nas “elites” que estão pedindo o afastamento presidenta.

Transcrevo abaixo um texto do Hubert Alquéres chamado “Matar ou morrer”, que é um nome de um filme de cowboy famoso e antigo, que o compara com a comédia paródia do mesmo “Matar ou correr”, chanchada nacional, muito mais adequada para representar a situação do governo hoje.

Ontem, a presidenta disse que não “correria” jamais e partiu para a matança: “Não vai ter golpe!”. E todas as pessoas sensatas deste Brasil, grupo onde não entram petistas renitentes, concordam com isto, sabendo que quando a situação se agravar, não tenham dúvidas, vai ser uma correria geral.

Fiquem com o texto do Hubert que eu vou comprar o bacalhau, que dizem, está pela hora da morte. Vou comprar umas 100 gramas com minha aposentadoria. Vai dar, porque o período é para jejuar mesmo.

“Absolutamente ilhado e sentindo cada vez mais a falta de oxigênio, o governo Dilma Rousseff decidiu ir à guerra. Ou como disse um assessor presidencial: “agora é matar ou morrer”. Dada a ordem, o Palácio do Planalto passou a viver o seu faroeste, muito embora a turma que lá habite esteja mais para Frank Miller (Ian MacDonald) do que para o xerife Will Kane (Gary Cooper), personagens do genial filme de Fred Zinnemann.

No clímax imaginado por seus atabalhoados estrategistas a presidente partiria para o confronto final, duelando ao mesmo tempo com a Polícia Federal e o Congresso Nacional. Para não falar no Poder Judiciário e nos 65% dos brasileiros favoráveis ao seu impeachment, esse mar imenso de “golpistas”.

O que temos assistido, contudo, tem sido um anticlímax, mais parecido com a chanchada “Matar ou correr”, contracenada pela impagável dupla de comediantes Oscarito & Grande Otelo.  O golpe de mestre, a nomeação de Lula para ministro-chefe da Casa Civil, revelou-se um tiro n’água.

Imobilizado em seu raio de ação, o caudilho se vê envolvido em um emaranhado de pareceres da Justiça desfavoráveis à sua posse. O último, da ministra Rosa Weber, negou-lhe o habeas-corpus impetrado no STF.

Mesmo se vier a ocupar o cargo (ainda cabe recurso da decisão da ministra Weber), seu poder de fogo e sua capacidade de aglutinar a base aliada serão praticamente nulos. O PMDB lhe dá as costas, Michel Temer o ignora soberanamente, a ponto de sequer querer ter uma conversa com o velho morubixaba.

Tão ou mais desastradas foram as bravatas do novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, para cima da Polícia Federal, com vistas a intimidar a instituição nas suas ações investigativas da Lava-Jato. Como se isso fosse pouco, tornou-se público o plano do Planalto de trocar a direção da PF.

É a aplicação de Maquiavel ao contrário. O governo anuncia o mal a conta-gotas, mas não o concretiza.  Arca com o desgaste e aprofunda mais ainda seu isolamento.

Óbvio, não há a menor condição de abafar a Lava-Jato, de interferir diretamente nas investigações da PF, sob pena de enfrentar a “sublevação” da corporação, um clamor das ruas ainda mais forte e a indignação da opinião pública internacional.

A equipe jurídica do governo segue a mesma linha ao preparar recursos ao Supremo contra o pedido de impeachment, caso seja aprovado. Ao antecipar-se ao resultado, dá uma enorme contribuição ao clima de barata-voa na sua base parlamentar.

Há 15 dias o governo pensava ter 250 parlamentares contra o impeachment. Hoje acredita ter 172. Quantos serão na próxima semana?

Fácil entender tamanha movimentação. A expectativa do poder atrai mais do que o próprio poder. Faz sentido, portanto, a frase de um parlamentar da base governista: “eles que fiquem com o Titanic”.

Dilma sente a terra fugir-lhes aos pés, dá demonstrações de destempero, como no seu discurso no encontro com “juristas”.

Neste mar revolto importa aos democratas não aceitar o clima de bang-bang. O confronto, a radicalização, a pregação do ódio, não são a praia dos brasileiros.

O Brasil fará a travessia para um porto seguro se houver a combinação da legitimidade das ruas com a legalidade do Congresso, com o estrito respeito ao rito processual do impeachment definido pela a Suprema Corte; a guardiã da Constituição e do Estado de Direito Democrático.

A ordem, a paz, a tranquilidade, a observância da separação e harmonia entre os poderes da República são as bandeiras.


Sem essa de matar ou morrer.”

terça-feira, 22 de março de 2016

"MEIO MILHÃO" de acessos, obrigado...


Meio Milhão


Por Zé Carlos

Ontem, logo depois de publicar um texto que procura cobrir os acontecimentos da semana, casualmente, fui ver as estatísticas deste Blog. Olhei lá e me surpreendi: Tínhamos alcançado a marca de 500.000 visualizações, ou seja, “meio milhão”. Historio.

O blog, logo epitetado pelo Roberto Lira de AGD, nasceu em 2010, logo com uma dúvida existencial: Qual seria o seu nome? E a dúvida foi resolvida pelo desejo de fazer a A GAZETA, jornal de papel, do nosso querido (no bom sentido, já que hoje quem usa estes termos na malícia são a Dilma e o Lula) Luis Clério, ter um ramo digital, o que ele ainda hoje não tem, mas certamente terá. Depois de pedido de autorização para usar a marca, e discutir com todos o que, com ele, queríamos fazer, batemos o martelo e o batizamos de A GAZETA DIGITAL.

E, temos certeza, não fomos original. Começamos em novembro daquele ano, com uma poesia, porque ainda não tínhamos decidido exatamente por onde caminhar. Só tínhamos uma meta correta, e que já a dobramos, triplicamos, etc. etc.: Informar, o máximo que podíamos, aos nossos conterrâneos, de Bom Conselho de Papacaça. Eis nossa primeira postagem:

Amor é fogo que arde sem se ver
Por Luís de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Somente no mês de dezembro deixamos a poesia de lado (não completamente, pois não somos poetas, mas gostamos muito de poesia) para explicar nossas pretensões, com o seguinte texto:

“O Início

Por Zé Carlos

Quando sentei para escrever, não sabia ainda se começaria este artigo citando a Bíblia ou um provérbio chinês. Pensei muito, o tempo esgotou e escolhi o provérbio que diz: “Mesmo para fazer uma grande caminhada, é preciso dá o primeiro passo”. Para não sofrer logo alguma represália por ter preterido o Livro Sagrado eu digo o que iria escrever se o começasse citando: “No princípio era o verbo. O verbo se fez carne e habitou entre nós”. Isto eu me lembro “de ouvido”, da minha infância, das leituras religiosas, portanto não sabia qual o evangelista que o disse. Como estou junto a uma religiosa plena, só foi perguntar a Lucinha Peixoto, pelo telefone. Ela então mandou brasa dizendo que o evangelista é João e que a citação é do Capítulo 1, e disse que eu poderia ter expressado o que tinha a dizer com a citação se dissesse assim:


“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
 Ele estava no princípio com Deus.
 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.”
Não quis mais ouvir a pregação, dei uma enrolada no telefone e continuo a escrever, mostrando que, o que vem a seguir tem a ver com as duas frases acima, embora, mais com o provérbio chinês.

Tanto tempo faz que não escrevia que já são horas sentado aqui procurando as palavras certas. Nos últimos 30 minutos descobri que as palavras certas são aquelas que escrevemos. O que lamento é que ainda neste nosso país ainda existam milhões de pessoas que não sabem escrever nem as palavras certas e nem erradas. Ora, se tive o privilégio de está do outro lado da ponte, porque tanta dúvida em usá-las. Elas são o nosso poder para ajudar àqueles que nos acenam lá na outra margem.

Hoje é o segundo dia de nosso blogjornal, A Gazeta Digital. Não foi uma iniciativa minha. Foi um chamado. Anos passados, criei uma empresa virtual, com sede em Caldeirões, e um bando de pessoas, que hoje todos já conhecem, me ajudou a colocar um monte de vídeos na internet. O tempo passou e vi que os meus neurônios, que são uma porção, mas, estão todos de cabelos brancos, não poderiam enfrentar a computação gráfica, isto é coisa para neurônios juvenis. Resolvi dar um tempo e me dedicar aos afazeres domésticos de um aposentado de milícia. Já estava querendo voltar ao batente, quando alguns amigos da CIT me procuraram e me fizeram a proposta, que até agora não parece ter sido indecente: criar um blog de notícias para Bom Conselho. Aceitei e aqui estamos, depois de reuniões, com mais brigas do que reuniões do PMDB com o PT.

Não poderei explicar aqui, hoje neste início, tudo a que nos propomos, e, os meus e minhas colegas de trabalho, mesmo sem o dono do Banco Panamericano, faremos isto ao longo do tempo, e os nossos leitores observarão o que pretendemos. Seguiremos um lema, que parece que foi o Che Guevara, não o Altamir Pinheiro do Blog Chumbo Grosso de Garanhuns, mas, o verdadeiro, deveria ter dito: “Poderemos até dar porradas, mas sem perder a ternura jamais”, e nem o senso de humor. Aquele velho objetivo da CIT, de “provocar risos e emoções”, pode até ter sido encampado pelo nosso blogjornal, eu só diria que pesaremos mais um pouco nas emoções, e que muitas não nos causarão risos porque são fincadas na realidade das notícias de nossa terra e de outras bandas.

Só como exemplo, hoje apenas dei uma olhada nas manchetes do jornal que assino e vi lá na primeira página: “Marinha quer vender mangue em Boa Viagem”. Eu pensei logo, prá que diabo alguém quer comprar o mangue? Pasmem, querem torná-lo um espaço imobiliário. Na certa serão construídos mais alguns espigões no local. Espero que os outros órgãos públicos e a população intercedam por nós. Logo a Marinha, que dizem ter brilhado para expulsar os bandidos do Rio de Janeiro!? Até hoje pagamos à Marinha para usar uma extensa faixa de nossa terra, e agora ela quer vender. Será que o capitalismo nosso de cada dia já chegou a este ponto? Privatizar, eu concordo, mas a Marinha é demais.”

E ao dar nosso primeiro passo, não tínhamos esperança de chegar tão longe. Digo que, em termos de audiência já estivemos melhor, quando tínhamos nosso Mural com livre expressão, que nos foi tirada pelo processo movido contra nós pelo vereador de Bom Conselho, o senhor Genival Cavalcante Tavares. Tivemos que restringir o Mural e sua espontaneidade foi quebrada diminuindo os acessos.

Confessamos que pensamos em parar, mas, achamos que Bom Conselho não poderia ser privado de informações somente porque alguém se insurge sobre o que se publica sobre ele. Nos adaptamos, continuamos e vejam, chegamos ao “meio milhão” de acessos. Esperamos que o vereador que nos processou tenha este ano “meio milhão” de votos”, apesar de não votarmos nele.

E, como diz o provérbio chinês, que citamos em nosso Início, já estamos com muitos passos dados, mas não cansados. E para mostrar isto terminamos com poesia do nosso do primeiro passo, mostrando que o escritor, tal qual o poeta, é também um fingidor, só que muitas vezes ele não reclama nem das dores que sente.

Autopsicografia
Por Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.


Muito obrigado pelos acessos, que se devem, em sua maior, aos escritos de nossos colaboradores a quem também agradecemos.

segunda-feira, 21 de março de 2016

A semana - A grande obra do Sérgio Moro: "Lula Peão x Lula Barão"




Por Zé Carlos

São tantas as emoções na política nacional que fica até difícil escrever sobre a semana que passou. E garanto a vocês, o humor abundou. Quase tenho certeza de que os meus parcos leitores não sobrevirão a tanta hilariância. Então neste início de Semana Santa só me resta começar lembrando de um hino que era cantado em Bom Conselho, durante este período de recatamento, se acontecer alguma morte hilariante com o que vai a seguir: “Perdão meu Jesus, perdão Deus de amor, perdão Deus clemente, perdoai senhor!”.

Tudo começou com o Mercadante tentando dar explicações sobre sua conversa com o Delcídio do Amaral. Eu não sabia mas o cara, em termos de humor, é dos bons. Imaginem que ele, diante da pressão de sua chefe a Dilma, nossa musa, disse que só implorou para que o Delcídio não abrisse a boca com uma delação premiada, porque teve pena de seus filhos, ou seja, se ele falasse não era só ele que iria entrar pelo cano. Além de hilariante, foi profético, como se viu quando levantaram o sigilo da “boca de caçapa” do senador, que agora vai estrelar a novela das 9 da TV Globo que se chama: “Velho Chico”, com a clara intenção de mostrar que o pau que dá em Chico deve dar em Lula também, como se viu ao longa da semana.

Eu poderia até dizer que houve tal monopolização do humor por parte do nosso colaborador, o Lula, que não sobrou para ninguém. O homem é um pândego e superou até a Dilma, que foi só sua coadjuvante nesta peça da qual abaixo apresento um trecho, que pode até ser chamado até de “humor negro”, mas, já disse aqui que não tenho preconceitos de cor quando a assunto é o riso, e além do mais, tenho certeza que o é “humor vermelho”.

A peça de que lhes falo tem como autor o juíz Sérgio Moro, que conseguiu burlar a censura e a tornou pública, em plena campanha do governo para que ela não viesse a público. Primeiro tive a intenção de publicar todo o script  que me foi gentilmente enviado pelo o amigo Zezinho de Caetés, dizendo-se horrorizado ainda de como o seu conterrâneo, o Lula, fala palavrões, porém, confesso não tive “saco” para ler tudo que compõe a peça de humor, e publicarei apenas os trechos nos quais os atores que a representaram são os nossos já antigos coloboradores, o Lula e a Dilma. (Vejam lá no final os áudios dos trechos aqui comentados).

Vejam este ato, que envolve 3 bons atores: LILS (Lula), DILMA(ela próprio) e JAQUES WAGNER (ele próprio) e dois figurantes o MNI (Mulher não identificada), e MORAES (um atendente de telefone). O que vem entre [] são simples comentários meus para que meus parcos leitores riam, entendam mais, e riam mais também:

MNI (ao fundo): Ela quer falar com LULA e tá na sede;
MORAES: Alô
MNI: MORAES?
MORAES: pois não
MNI: Você ta com PRESIDENTE?
MORAES: Tô
MNI: Vou te passar pra PRESIDENTE DILMA. Só um minutinho
MORAES: A PRESIDENTE já vai falar?
MNI: Vai
MORAES: Então espera ai, deixa eu passar pra ele, só um minutinho por favor... só um minutinho
MNI: ta bom
LILS: Alô, alô?
MNI: PRESIDENTE, so um minutinho, por favor, um beijo pro senhor viu!?

[MNI (Mulher não identificada, que apesar de mandar um beijo para o ex-presidente, sabe-se que não é a Marisa nem a Rosemary Noronha)]

LILS: outro
LILS: Alô...alô (ao fundo LILS diz: Não tem ninguém não, MORAES!)

[a peça não foi filmada, então não se sabe se a cara do Lula, pela demora de Dilma era de raiva, já que ele sabe qual a hierarquia que existe entre eles: Lula, pelo que ele disse nos últimos dias se considera acima de Deus e dos profetas, então concluam, por vocês mesmos.]

DILMA: Alô, alô. Oi LULA!
LILS: Tudo bem?
DILMA: Não, não tô achando tudo bem não.
LILS: Faz parte...
DILMA: Ah, faz parte? Então ta bom. E como é que você tá?
LILS: Eu tô bem...
DILMA: tá?
LILS: eu tô bem, eu falei com a MARISA agora, eles já foram embora de casa, já foram embora da casa do FABIO, já foram embora da casa do SANDRO, eu só não conseguir falar com MARCOS. As perguntas, se os canalhas tivessem mandado um ofício, teria ido prestar depoimento, como eu já fui 3 vezes a Brasília prestar depoimento. Eu acho que o MORO quis fazer um espetáculo, antes da decisão daquele negócio que tá no SUPREMO pra decidir, a gente não sabe se é contra ou a favor, mas ele precisava fazer um espetáculo de pirotecnia. As perguntas foram as mesmas que eu já respondi ao MINISTERIO PUBLICO e a dois Delegados da POLICIA FEDERAL. Dos meus filhos, eles levaram os mesmos documentos que já tinha levado quando tinham levado na “invasão” na casa do meu filho. Ah, o único lugar que houve um pouco…foram na casa do PAULO OKAMOTTO, foram na casa da CLARA ANT, sabe? A CLARA tava dormindo sozinha quando entrou 5 homens lá dentro, ela pensou que era presente de Deus, era a POLICIA FEDERAL, sabe? então...(risos)
DILMA: (risos) Ela pensou que era um presente de Deus? (risos)

[Este é um gancho da peça para plateia sorrir, como eu sei que os meus leitores sorrirão, menos uma, feminista doente, que não deve gostar de ouvir que mulher só sorrir quando tem homem no pedaço. E a Dilma ainda rir!]

LILS: Então é isso DILMA, eu acho que foi um espetáculo de pirotecnia. A tese deles é de que tudo que ta acontecendo foi uma quadrilha montada em 2003 e que portanto, sabe, ela perdura até hoje, sabe? E dentro do PALÁCIO, é a tese deles, é a tese deles. Então eles não precisam de explicação, como a teoria do domínio do fato não precisava de explicação, o crime estava dado, agora é o seguinte a IMPRENSA diz que é criminoso e ELES colocam em prática. Eu, estou dizendo aqui pro PT, DILMA que não tem mais trégua, não tem que ficar acreditando na luta jurídica, nós temos que APROVEITAR A NOSSA MILITÂNCIA E IR PRA RUA. Eu sinceramente, que tô querendo me aposentar, eu vou antecipar minha campanha pra 2018, eu vou acertar de viajar esse país a partir da semana que vem, sabe?! E quero ver o que vai acontecer. É, lamentavelmente, vai ser isso, querida. Eu não vou ficar em casa parado.
DILMA: O senhor não acha estranho a aquela história de quinta-feira? A ISTO É antecipar...
LILS: Eu acho estranho a liberação...a liberação do DELCÍDIO, a declaração do DELCIDIO, a ISTO É antecipar, eu acho ô DILMA.

[Sim, o Delcídio é aquele Senador que resolver entregar o ouro, depois de guardar algumas sacas para ele. Mas, parece que ele disse a verdade, segundo a peça, pois os acontecimentos começam a ficarem interessantes depois de sua delação, tanto a primeira como a segunda, embora isto ainda não tenha entrado no script porque esta segunda delação, só saiu numa revista de final de semana. No entanto é bom ver um resumo do que ela diz, para que meus leitores riam mais ainda:

DELCÍDIO: “O Lula comandava tudo e a Dilma sabia de tudo!”

Comandava e sabia do que, oh, delator ingrato? Do Mensalão, do Petrolão e de tudo mais relacionado com os malfeitos da política neste país, desde 2003]

DILMA: E logo no seguinte, na sexta-feira, o senhor ser chamado.
LILS: É um espetáculo de pirotecnia sem precedentes, querida. Eles estão convencidos de que com a imprensa chefiando qualquer processo investigatório eles conseguem refundar a República.
DILMA: É isso aí!!
LILS: Nós temos uma SUPREMA CORTE totalmente acovardada, nós temos uma SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA totalmente acovardado, um PARLAMENTO totalmente acovardado, somente nos últimos tempos é que o PT e o PC do B é que acordaram e começaram a brigar. Nós temos um PRESIDENTE DA CÂMARA fodido, um PRESIDENTE do SENADO fodido, não sei quanto parlamentares ameaçados, e fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e que vai todo mundo se salvar. Eu, sinceramente, tô assustado com a “REPÚBLICA DE CURITIBA”. Porque a partir de um juiz de 1ª Instância, tudo pode acontecer nesse país.

[Dizem que o Ministro do STF, Celso de Melo, foi assistir à estreia desta montagem e declarou, a respeito desta frase do personagem LILS, e não sei se ele saiu do teatro depois dela. Eu imagino que sim, porque ele pegou pesado, com a parte que lhe coube neste latifúndio de chulice:

"Esse insulto ao Poder Judiciário, além de absolutamente inaceitável e passível da mais veemente repulsa por parte desta Corte Suprema, traduz, no presente contexto da profunda crise moral que envolve os altos escalões da República, reação torpe e indigna, típica de mentes autocráticas e arrogantes que não conseguem esconder, até mesmo em razão do primarismo de seu gesto leviano e irresponsável, o temor pela prevalência do império da lei e o receio pela atuação firme, justa, impessoal e isenta de Juízes livres e independentes"

Os grandes admiradores do Lula, pela sua verve humorística, como eu, só podem dizer que, apesar de preciso, o Ministro, não tem muito senso de humor para aguentar a situação nacional. Se alguém o conhecer peça para que ele leia esta humilde coluna semanal.]

DILMA: Então era tudo igual o que sempre foi, é?
LILS: Era, a mesma coisa.... Hoje eles fizeram uma coisa coletiva. Foram na casa do PAULO OKAMOTTO em Atibaia, eu nem conversei com PAULO ainda, foram na casa da CLARA. Eu tô pensando em pegar todo o acervo, eu vou tomar a decisão, e levar, jogar na frente do MINISTÉRIO PÚBLICO. Eles que enfiem no cu e tomem conta disso.
DILMA: O acervo, de que?
LILS: Dilma, é um monte de container de tranqueira que eu ganhei quando eu tava na Presidência.

[Neste ponto, temos a impressão de que o Lula quer que alguém cometa suicídio enfiando todo o acervo dele (ele disse que tinha até um trono africano) no fiofó (termo mais adequado para falar do ânus dos outros). Ainda bem que ninguém, pelo menos que eu saiba, aceitou a sugestão]

DILMA: Ah, dá pra eles! Eu vou fazer a mesma coisa com os meus viu?!
LILS: Então é o seguinte, "ô, ô", uma hora gostaria de conversar pessoalmente porque eu acho que nós precisamos mudar alguma coisa nesse País.
DILMA: Você pode? Quando é que você vai?
LILS: Ontem eu disse o seguinte, a única pessoa... Como é que pode um delegado da Polícia Federal dá uma declaração contra a mudança de Ministro?
DILMA: Eu nunca vi isso, eu também nunca vi isso!
LILS: Como é que pode? Ou seja, eu disse pra eles a única pessoa que está precisando de autonomia nesse país é a DILMA, que foi a única eleita, e que não consegue governar por causa do Congresso, não consegue governar por causa do Tribunal de Contas, não consegue governar por causa do Ministério Público, porra! Somente quem está precisando de autonomia é a Presidência da República, o resto tudo tem.

[Eu admiro a sinceridade do Lula em concordar com a maioria dos brasileiros de que a Dilma parou de governar faz tempo, já pedalar....]

DILMA: E quando é que a gente pode conversar?
LILS: Querida, eu tô, eu tô, o nosso companheiro tinha visto a possibilidade de você convocar um conversa... quando você quiser, meu amor, só não pode ser amanhã, porque amanhã tá muito em cima.
DILMA: Tá bom.
LILS: Mas quando você quiser, eu me disponho
DILMA: Segunda! Segunda! Segunda! Tá?
LILS: Tá, depois eu acerto com o "galego", pra mim pode ser.
DILMA: Ele quer falar contigo. Pera lá
LILS: Tá bom.
JAQUES WAGNER: Diga excelência!
LILS: Tudo bem, querido?
JAQUES WAGNER: Suportou a “encheção” de saco?
LILS: Não houve tortura, vocês é que sofreram mais do que eu, porra!
JAQUES WAGNER: Não, tô mundo sofre...
LILS: Foi a mesma pergunta de sempre Wagner, a mesma coisa de sempre
JAQUES WAGNER: foi só pra fazer a cena.
LILS: Eu acho que eles quiseram antecipar o pedido nosso que tá na SUPREMA CORTE, que tá na mão da ROSA WEBER.
JAQUES WAGNER: Entendi
LILS: Sabe, eles tão tentando antecipar, como eles ficaram com medo de a ROSA fosse dá, eles tão tentando antecipar tudo isso... Porque ela poderia tirar isso da “LAVA JATO”. O MORO fez um espetáculo pra comprometer a SUPREMA CORTE.

[Sim, a ROSA WEBER, de quem o Lula fala para o “galego” JAQUES WAGNER, é Ministra do STF e parece que tinha um processo envolvendo onde ele devia ser julgado. ]

JAQUES WAGNER: Eu acho que não é só isso não, eles tão querendo criar clima, agora só falam de renúncia, clima pro dia 13. Eu disse ontem, quando saiu a matéria da ISTO É, eu disse: "amanhã, eles vão fazer alguma putaria com LULA".
LILS: Aham.
JAQUES WAGNER: E terça-feira o “filho da puta” da OAB vai botar aqui, dizendo que o Conselho da OAB acha que nesse caso... É uma palhaçada, porque o DELCIDIO, porra! Que eu não imaginei que era tão canalha! Ele fala de PASADENA, por exemplo, essa porra já foi arquivada pela PGR, fala que você mandou isso, mandou aquilo... porra, tem prova? Vai tomar no cu, eu não sabia que ele era tão escroto! Mas vamos lá...
LILS: Mas viu querido, “ELA” tá falando dessa reunião, ô WAGNER eu queria que você visse agora, falar com “ELA”, já que “ELA” tá aí, falar o negócio da ROSA WEBER, que tá na mão dela pra decidir. Se homem não tem saco, quem sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram.
JAQUES WAGNER: Tá bom, falou! Combinado, valeu querido, um abraço. Um abraço na MARISA e nos meninos...

[Sim, MARISA é a mulher do Lula e num dos atos da peça ela mostra que aprendeu muito bem com o Lula como se deve falar dos “coxinhas”, que são aqueles que não vivem de alguma “bolsa” e que não sei porque eles os odeiam. Todos sabem que o caminho mais curto entre a colher de pau e uma panela hoje é Dilma ou o Lula aparecer na TV. Num desses dias, ouvindo as panelas a Marisa declarou, segundo a peça queria que as pessoas enfiassem as panelas no cu”, num ato não aqui apresentado, em mais uma tentativa de induzir pessoas ao suicídio.]

LILS: Tá bom, tchau, querido.
JAQUES WAGNER: Tchau.

Se ainda há alguém vivo e de saco vazio, menos as leitoras que como a ministra, não tem saco, para continuar, vamos a outro trecho da peça, que é a provocadora de toda a celeuma sobre se o Lula deve ser ministro ou não da Casa Civil, já que na Casa Militar ele não pode por não ter servido nem no Tiro de Guerra. É um final apoteótico!

DILMA: Alô.
LILS: Alô.
DILMA: LULA, deixa eu te falar uma coisa.
LILS: Fala querida. "Ahn"
DILMA: Seguinte, eu tô mandando o "BESSIAS" junto com o PAPEL pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o TERMO DE POSSE, tá?!
LILS: "Uhum". Tá bom, tá bom.
DILMA: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
LILS: Tá bom, eu tô aqui, eu fico aguardando.
DILMA: Tá?!
LILS: Tá bom.
DILMA: Tchau
LILS: Tchau, querida.

Com esta cena insólita fecha-se o pano do palco e a plateia fica atônita e sem saber o que fazer pela absoluta ignorância do seja o tal TERMO DE POSSE. É aí que uma voz vinda do fundo do palco com a voz da DILMA e diz que o referido PAPEL, para ser usado em caso de necessidade era apenas um rolo de papel higiênico, que ela trouxe da Venezuela, como presente do Maduro, e que pela sua escassez deveria ser usado com moderação e termina dizendo:

"Vivemos momento ímpar, momento em que o combate à corrupção tem sido realizado sem imposição de qualquer obstáculo por parte do governo federal, mas temos de reafirmar a centralidade dos direitos individuais, da normalidade institucional e da soberania da Constituição. Somente haverá Justiça com respeito rigoroso a princípios orientadores de sua execução – em especial a presunção de inocência e o amplo direito de defesa de qualquer cidadão"

Então com a plateia ainda bestificada, entra LILS com a voz de Lula e diz:

“Creio nas instituições democráticas, na relação independente e harmônica entre os Poderes da República, conforme estabelecido na Constituição Federal.

Dos membros do Poder Judiciário espero, como todos os brasileiros, isenção e firmeza para distribuir a Justiça, garantir o cumprimento da lei  e o respeito inarredável ao estado de direito.

Creio também nos critérios de impessoalidade, imparcialidade e equilíbrio que norteiam os magistrados incumbidos desta nobre missão.”

Então não há jeito, a plateia cai numa gargalhada geral, porque já sabia que o PAPEL era um salvo conduto para que o Lula, se viesse a ser importunado por alguém interessado em lavar com Lava Jato, mostrar e dizer que na REPÚBLICA DE CURITIBA, nunca mais.

Bem, eu já ia esquecendo o nome da peça, ainda em cartaz, até o final da Semana Santa: “Lula o Peão x Lula o Barão”. O autor diz que este título foi baseado numa frase de Lula ditas anos  atrás: “Pobre quando rouba, vai para cadeia. Rico quando rouba vira Ministro”. Foi tão grande o sucesso de público até agora que o Sérgio Moro já fala em fazer uma versão 2, abordando a saga do Lula para ser Ministro de Dilma.

No momento em que escrevo ele já foi e não foi ministro umas 5 vezes, mas, agora não é. O suspense para depois da quaresma é se ele será ou não será. Não percam!

-------------
Áudios dos atos selecionados acima:

Lula, Dilma e Jaques Wagner


Lula e Dilma


Dona Marisa e os "coxinhas"