Em manutenção!!!

sábado, 29 de setembro de 2012

O NELSON QUE EU GOSTO É "SAFADO" MESMO...





Por Carlos Sena (*)

Se Nelson fosse vivo era IN. Um dia ele foi OUT. Se Nelson vivo fosse era Excêntrico, depois de passar a vida toda (quando não era famoso) sendo mal educado, pornográfico, debochado. Falo de Nelson o “RODRIGUES” – aquele que escreveu “BONITNHA, MAS ORDINÁRIA”, “O BEIJO NO ASFALTO”, “SETE GATINHOS”, “NOIVAS DE COPACABANA”, etc. Os falsos moralistas, hoje, já o absolveram. Certamente perceberam que quando se fala da natureza humana não se podem ter papas na língua; quando se fala da alma humana, menos papa ainda tem que ter a língua. Na verdade “papas na língua” é coisa de hipocrisia de uma sociedade que se finge de moderna ma, a rigor, não se livrou do ranço preconceituoso que a sexualidade mal resolvida proporciona. Podemos dizer que Nelson foi um homem do seu tempo com todas as formalidades, mas que fez da informalidade dos sentimentos o seu maior trunfo para desnudar as convenções sociais, o falso moralismo e outros ismos de tudo quanto eles podem significar de castrador da felicidade humana. Ele foi ao intimo das pessoas ricas sendo pobre, ao intimo dos intelectuais se passando por rude, ao intimo da sexualidade sendo apenas conhecedor do sexo ortodoxo, papai com mamãe como tudo leva a crer. Mas, porque conhecia a lógica ortodoxa do sexo, rompeu com ela e adentrou em seus mistérios. Mistérios que se dissolvem entre ricos e pobres, entre altos e baixos, entre negros e brancos, entre zona sul e zona note, movidos pelas pessoas quando se apaixonam. Ou mesmo sem ser apaixonadas, mas buscando desafios do seu interior amargurado por falta de pegadas na cama diante das pegadas que a vida faz, nem sempre emocionalmente corretas. Corretas? – Eis a questão! Nelson rompeu com o politicamente correto. Preferiu, talvez o “RETO” sem “CO”- responsabilidades. A irresponsabilidade dos amantes talvez fosse pra ele o elo de permanência do afeto. Ao que tudo indica, era temente a Deus e ao amor. A Deus por natureza, ao amor por avareza. O amor parece mesmo ser avaro em sua dimensão de posse e por isto é possível que se nutra em seu domínio visceral, escatológico.

Cem anos de Nelson na terra é um milênio de avanço na sexualidade marginal, se assim se queira ver o lado bom do rompimento dos paradigmas por ele lançados. Nelson, em cada texto, em cada romance, colocava na “mesa” a vida como ela “NÃO ERA”. Dito diferente, Nelson colocava na mesa a vida nua... Como que querendo dizer que, de posse da vida nua cada um cozinhasse ao seu modo e ao seu tempo e tempero. Depois dele a vida intima passou a ter outro viés. Algo tipo: “dentro de quatro paredes vale tudo” (?)! Talvez por isto ele tenha dito algo mais ou menos assim: “se a gente visse tudo que se passa COM O OUTRO no quarto quando está fazendo sexo, não tivesse coragem de falar com mais ninguém” (grifo meu)... Portanto, mesmo não sendo ele Psicólogo nem Psicanalista (não sei se foi) muito contribuiu para o avanço dessas áreas no sentido prático da vida.

Particularmente, “PERDOA-ME POR ME TRAIRES” é uma das suas obras que mais gosto. Depois, O BEIJO NO ASFALTO e AS NOIVAS DE COPACABANA...

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 22/08/2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Qual será a colocação do Brasil na Copa do Mundo?





Por Zezinho de Caetés

Estou tão ligado no julgamento do mensalão que os bons textos que deveria comentar aqui e transcrevê-los, como o faço quase sempre, vão se acumulando no disco do computador. Hoje, abaixo, transcrevo um texto que saiu publicado no Globo no dia 06/09/2012, escrito pelo Carlos Alberto Sardenberg, e que merece toda a atenção.

Sua análise e conclusão são brilhantes. Apenas penso que comparar a falta de convicção do governo atual e do anterior, com aquele do Fernando Henrique Cardoso, não é, no mínimo adequado. Havia no final do governo FHC uma tentativa de se diminuir o papel do Estado, que poderia até ser visto como uma contradição com os princípios da Social Democracia da época anterior a de Thatcher no Reino Unido, mas era absolutamente coerente com a versão mais moderna deste sistema político e econômico.

O que o meu conterrâneo Lula fez em seguida, é verdade, foi manter o que vinha sendo feito, graças ao Palloci, que conseguiu sustentar os petistas mensaleiros longe por um tempo. Mas, já para se manter no poder, na era quase Dilma, tudo passou a girar em função do estado para fins eleitorais e de apoio político, culminando com os acontecimentos de 2005 (leia-se mensalão  ou uma tentativa frustrado de termos um partido único de fato) e posterior queda do próprio Palloci.

Mesmo, com a manutenção das políticas econômicas do FHC, no governo petista tudo passou a funcionar dentro de sua lógica: aparelhar para governar, dentro da administração pública. E esta simplesmente inchou, ao ponto de chegarmos a ser o último lugar em eficiência pública com atesta o texto abaixo. E a derrocada continuará se a Copa do Mundo não nos salvar.

Seguindo o desejo de se manter no poder começa-se a se ensaiar, nesta fase do governo Lula, gerido por Dilma na presidência, um processo de privatização que o governo diz que será diferente, para ver se vende o peixe, e se comprometer com a responsabilidade de trocar apenas a vara de pescar. E vamos ver se pelo menos teremos todos os estádios para a Copa do Mundo. E eu até espero que o Brasil ganhe a copa, mas, tenho minhas dúvidas, se o PT aparelhar até a comissão técnica, aceitando o Romário nos seus quadros e o nomeando treinador.

Mas, fiquem com Sardenberg, e prestem atenção em nossos números. Por enquanto, não ganhamos nada.

“Diz o Fórum Econômico Mundial que o Brasil é o 48º país mais competitivo do globo. É bom ou ruim? Depende. Considerando que subiu cinco posições em relação ao ranking do ano passado, está bom. Entramos no “top 50″ pela primeira vez, uma posição avançada em um grupo de 144 competidores. O Brasil está à frente de Rússia, Índia e México, por exemplo.

Considerando, porém, os que estão à frente, não está bom. Perdemos para China, o que é normal, mas também para Turquia, Polônia e Chile, entre outros emergentes importantes.

O quesito tamanho conta a favor do Brasil. Quanto maior a economia, maiores as possibilidades de negócios. Mas entre os grandões, aqueles países que produzem mais de US$ 2 trilhões ao ano, o Brasil vai para o fim da fila.

Resumindo, essa 48ª posição não dá direito à Libertadores, mas também está longe da zona de rebaixamento. Um tanto acima da média, disputando a Sul-Americana, posição que certamente não é suficiente para uma nação que pretende ser rica um dia.

Onde se pode melhorar? Em tudo que tem a ver com o governo. Isso mesmo. O ranking do Fórum Econômico Mundial, cujo parceiro local é o Movimento Brasil Competitivo, considera vários itens, da macroeconomia à micro e ao ambiente de negócios. Em tudo que o setor público é preponderante, a classificação fica abaixo da média. Ao contrário, o que depende da iniciativa privada vai acima.

Por exemplo: no quesito “comunidade de negócios sofisticada”, a posição brasileira é 33ª.

Já no que se refere à regulação do governo, o Brasil vai para o último lugar; impostos e sistema tributário, também o pior do mundo; desperdício de gastos (públicos), 135ª; qualidade da educação (116ª); eficiência do governo (111ª).

Isso confirma a dominância da agenda atual: como derrubar o custo Brasil? A resposta, resumida, está na cara: reduzir o tamanho relativo do governo, aumentar a sua eficiência e desobstruir o ambiente de negócios de modo a abrir espaço para a iniciativa privada.

A boa notícia é que, pouco a pouco, se forma um consenso em torno desse caminho. Lideranças políticas e econômicas têm chegado a essa posição por razões diferentes. Ou por necessidade e por convicção.

No segundo grupo, estão todos aqueles que desde anos vêm sustentando essa doutrina. Já na vertente da necessidade, está o pessoal que gosta de uma economia controlada pelo Estado, mas verifica, no exercício do governo, como a administração é incompetente.

Estamos falando, claro, de parte do governo Dilma. Trata-se de uma ala que privatizou aeroportos não porque acredita na lógica do mercado, mas simplesmente porque percebeu que o governo não conseguiria entregar as obras a tempo.

Tudo bem, pode-se dizer. Se fizerem a coisa certa, de que importa a motivação? Hegel, se não estou me atrapalhando com as longínquas lições da faculdade de filosofia, dizia que a Humanidade só resolve os problemas quando eles se impõem, que os líderes surgem nos momentos necessários.

De certo modo, isso aconteceu com Fernando Henrique Cardoso. Ele vinha da social-democracia, do estado do bem-estar social, da esquerda à europeia, e acabou, por necessidade, avançando na agenda da reforma do Estado, das privatizações e das bases ortodoxas da macroeconomia. Como aliás fizeram muitos outros líderes de sua época (Bill Clinton, Tony Blair e Gerhard Schroeder).

E como Lula, certamente. Por necessidade, ele manteve a base econômica de FHC e até avançou, no primeiro mandato, na agenda de microrreformas que melhoraram o ambiente de negócios.

Assim, Dilma Rousseff. Quem imaginaria que ela poderia comandar um amplo programa de privatizações e de redução de impostos?

O problema é que essa turma que vai pela necessidade tende a abandonar o caminho ao menor sinal de dificuldades políticas na implementação ou, inversamente, de alívio na situação.

É diferente uma privatização tocada por uma Margaret Thatcher, digamos, e pela nossa turma aqui. Convicção faz diferença. Diz-se, por exemplo, que não haverá mais privatizações de aeroportos.

Veremos. A necessidade é forte, o momento exige, mas falta saber se as lideranças são também aquelas exigidas pela situação. Um mau sinal: na pesquisa da competitividade, há um item “confiança nos políticos”. Brasil, 121º lugar.”

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

HISTÓRIAS DE GENTE DADA





 Por Carlos Sena (*)

 Na minha terra tinha muitas histórias hilárias. Histórias de mulheres “gaieiras” e de homens cornos. Histórias de meninos que comiam meninos e meninas que não comiam ninguém. Histórias de homens que comiam todas as meninas, mas davam a todos os meninos e de meninos que fingiam que comiam todas, mas davam aos meninos por prazer. Histórias que ninguém provava que aconteceram, mas era como se assim tivessem existido. Histórias de toda cidade, principalmente do interior. Foi nessa riqueza de conjugação do verbo dar que eu me criei. Nem sabia que aquilo tudo tinha outras conotações, mas sabia que alguém dava e que alguém comia. O quê? O outro. O outro menino ou a outra menina e vice versa. Lembro que tinha um rapaz que dava sem pestanejar e sem muita insistência. Um belo dia ele disse a um dos seus “clientes”: não dou mais! E não deu. Todos ficaram boquiabertos com a decisão. Muitos comentavam que era uma questão de dias, pois não existe ex viado, ex-fresco, como se dizia por lá. Na minha terra não existia essa história de gay. O que rolava por lá era as denominações de “falso a bandeira”, “fresco”, “frango”. Principalmente frango. Lembro-me de um dia que uma senhora de mais ou menos oitenta anos ficou esperando, ansiosa, o filho chegar do trabalho. Mal ele adentra em casa e ela pergunta aos prantos: “meu filho, acabei de saber que você é frango. A vizinha me disse isto”... Ele respondeu na inhanha: “mãe a senhora é galinha”? Claro que não, respondeu. Então como é que sou frango? É mesmo não é filho? E tudo ficou por ali mais ou menos esclarecido. O mais ou menos é porque, de fato, dizem que o rapaz era “falso à bandeira”. Voltando ao frango que decidiu não dar mais, eis o que aconteceu de verdade: ele ficou rapaz feito, arrumou uma mulher, noivou e casou. Hoje está cheio de filhos e netos. Dizem que depois de sua decisão teria dito: “Se um dia dei por uma bolacha, hoje não dou por uma padaria”... E assim aconteceu. Prova de que sexualidade é complicada e nunca deixará de ser, senão não seria sexualidade.

No campo das gaias, minha terra não ficou por menos, nem por mais. Também não ficou por mais nem por menos nas questões das mulheres sérias e dos homens trabalhadores. Empate e pronto. Minha terra é feliz pela capacidade dos homens e das mulheres serem felizes dos seus jeitos próprios. Em cada esquina um canto. Em cada canto uma esquina a ser lembrada. Em cada lembrança uma comemoração e em cada comemoração um silêncio de cumplicidade...

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 22/08/2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

SORRISO MAROTO




                                        
Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

“Tanto riso, ó tanta alegria / mais de mil palhaços na cidade” quem não conhece esta musica carnavalesca? Pois é! As cidades brasileiras estão cheias de palhaços sorrindo para o povo. É tempo de eleição. Os cartazes proliferam na cidade ocupando todo espaço possível, com os sorrisos marotos para enganar o eleitor. Quantas propostas indecentes. Quantas promessas que não serão cumpridas. Quantos abraços e afagos são efetuados pelos candidatos em caminhadas por vielas, becos e morros enlameados ou o esgoto escorrendo aquela água pútrida que em outros tempos tampam os narizes?  É muitas promessas que não serão cumpridas nos quarenta e oito meses de governo. Porque não dizer a verdade aos eleitores? “Nada prometo apenas trabalho e se puder realizar o desejo do povo”. Os logradouros públicos estão emporcalhados com as figuras mais expressivas do engodo que vão dar no povo.

 Neste tempo cartazes espalhados pelas ruas anuncia o desejo e as promessas do candidato para as pessoas: “Amo Olinda é meu lar”, “Agora vai, se votar em mim”, “Agora juntos vamos à luta” “O progresso vai chegar”, “Meu povo confie em mim vou trabalhar prá vocês”, “Sempre com você”, “Honestidade é comigo”, “Olinda, um filho teu não foge a luta” “Conto com o seu voto para Olinda mudar”, “Vote em mim que vocês vão verão o progresso”, “Vou lutar pela saúde”, “Vou criar hospitais e creche para as famílias carentes”, “Vou acabar com o trafico do Crak”, “Confie em mim, vote em mim”, “Olinda dos meus amores É propaganda” e tantas outras mentiras são vistas. enganosa que enche as comunidades de ânsia e de esperança. Quantos acreditam naquilo que falam os políticos atualmente? A maioria. Eles sabem falar, gesticular, chorar, correr perante a população. No guia eleitoral que invadem as nossas casas em horas impróprias, é a maior chatice com tantos agrados, que somente acontecem nesta época de eleição. Quantas pessoas assistem a este programa? Acredito que oitenta por cento do eleitor desligam o televisor e o radio quando começa a xaropada de risos e afagos em pessoas que nunca viram, em velhos mal cheirosos, crianças escorrendo catarro, mulheres e homens fedendo de suor não escolhem a quem abraçar, abraça todos que vem pela frente. Nesta época todas as pessoas são importantes por causa do voto. Seja preto, branco, mulato, mameluco, ruivo ou índio todos são iguais. Você eleitor sabe em quem votou a quatro anos passados? E depois? Será que a promessas feitas em campanha foram realizadas ou foi apenas mais uma um conto do vigário? Vem à ressaca. Aquartela-se em seus gabinetes a ar refrigerado rindo dos tolos. Já é tempo de nós eleitores escolher o bom candidato, a FICHA LIMPA que não tenha nenhuma pendência com a Justiça Eleitoral. Vamos procurar aquele que realmente vá trabalhar pelo povo  da sua cidade e que mereça o SEU VOTO. Não é preciso ir longe, é apenas VOTAR COM CONSCIÊNCIA de que está dando a oportunidade para que eles realizem algo em benefício do povo, pois promessa é promessa. Promessa é divida. Vamos cobrar! Acredito piamente que neste montão de candidatos existam homens ou mulheres cheias de boa intenção, pois, não se podem radicalizar todos como maus gestores. Vamos às urnas! Vamos votar e, votar bem.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A AGD na América - Saindo pela primeira vez



Pittsburgh - Redação da AGD


Por Zé Carlos

Não vou precisar a cronologia exata do que escrevo aqui a não ser que seja essencial para o entendimento do que escrevo. São tantas as coisas que tenho abordar que o tempo não é importante na maioria das vezes. No presente caso, sei que foi a primeira saída mais longe do hotel tendo que enfrentar o transporte coletivo como qualquer pessoa que é desprovid de transporte individual, a não ser seus próprios pés.

Caindo um pouco no conto da abundância das coisas materiais neste país, e seguindo alguns que diziam, não leva isto e não leva aquilo porque lá você compra tudo, eu cheguei aqui na falta de muitos produtos básicos para sobrevivência e também sedento para compra de alguns deles que mesmo não sendo essenciais, nos enchem os olhos, como produtos eletrônicos e outros.



A primeira decepção foram os preços. Se alguém fizer a conversão do dólar para o real, não compra nada aqui, a não ser nas famosas “sales”, que são as promoções normais do comércio em qualquer sistema capitalista. Então resolvemos (eu e a Marli, a quem agora acompanho em seus estudos) partir somente para elas. E nesta primeira vez invadimos as “sales”. Então eu me provi de todo um guarda roupa, que pensei pudesse dizer que seria americano. Não era. Posso dizer que agora estou globalizado. Camisa da Indonésia, sapatos da China, camisa da Malásia, cuecas do Vietnam, e evitando os produtos brasileiros só para quando chegar no Brasil dizer que viajei. Parecia até que estava no Hiper Bom Preço de Casa Forte. Tão longe e tão perto.

O que admirei nesta saída e sei que vou encontrar muito ainda foi a praticidade dos americanos. Podemos até não gostar do que eles fazem mas quando o fazem eles fazem bem feito. Não é à toa  que nós os copiamos tanto, e se queremos trilhar o mesmo caminho do consumismo desenfreado que aqui campeia, imitá-los sai mais barato do que tentar criar coisas novas. Caso queiramos mudar de rumo, então a conversa é outra.



Quando, tateando pela cidade, pegamos o ônibus, eu nem sabia se entrávamos pela porta da frente ou pela porta dos fundos. Não havendo ninguém no ponto para imitar entramos pela porta da frente onde minha mente procurava um cobrador. Impossível achar. Só o motorista e uma maquininha que engole dinheiro de papel e moeda. Este “rosnou” alguma coisa impedindo-nos de pagar a passagem. Pensamos até que fosse pela nossa idade e nos alegramos por eles seguirem nosso Estatuto do Idoso. Ledo engano. O motivo da não cobrança foi outro e não nossa idade. Estou ainda a refletir a causa. Talvez tenha sido porque ele teve pena de nossa “deficiência linguística”, como nós tivemos da dele, pois não entendemos nada do que ele disse.

No shopping, que não era algo fechado como os nossos aí no Brasil e talvez outros que aqui existam, corremos várias lojas grandes e separadas, e neste ínterim eu sentei numa cadeira que há em frente de quase todas elas, com um único objetivo: servir aos fumantes, e fiquei observando a vida americana, pela primeira vez. Portanto, se mudar de opinião a respeito é porque minha amostra é ainda pequena para tirar conclusões, mas, sem elas, nem meus netos me lerão no futuro.



Vi que há uma epidemia de obesidade aqui na América, e acho importante tratar disto aqui, pois se não nos cuidarmos, em breve no Brasil teremos o mesmo problema. Constatei ainda que a raça negra (que aqui é bastante distinta dos brancos, ou seja não aqui não há pardos) é a mais atingida por esta epidemia. Pela minha amostragem até agora, no olhômetro, há dois negros gordos para cada branco com a mesma doença.

Quando entrei nos meu restaurantes favoritos em minha viagens, a Macdonald, Subway, e outros que também frequento em Caruaru, é que vi a causa fundamental da epidemia. Nunca vi se comer tanto quanto neste país. Eu vi uma jovem negra de, talvez, menos de vinte anos, atracada com um sanduiche tão grande que, se eu tivesse o domínio da língua eu teria me oferecido para ajudá-la a segurar para ela ingeri-lo com mais facilidade.



E já que estamos falando de coisas grandes, aqui isto se reproduz em relação aos carros. Foi difícil até agora ver um carro de tamanha médio. Tudo aqui é tendendo para limosines mais do que para nossos antigos fuscas, embora tenha visto uns poucos destes fuscas modernos, parece, feitos no México. Além disso, de serem grandes, a variedade de marcas é uma coisa impressionante. Meu neto Davi, que já sabe todas as marcas existentes no Brasil, aqui teria um séria dificuldade. O que é difícil de encontrar é uma marca que não seja estrangeira. Nisto eles empatam com Brasil, e os asiáticos, pelo menos neste shopping venciam de 10 x 3.

Já que estamos falando de carros e mobilidade, além de nossas deficiências linguísticas, falemos de outra, que é a deficiência física. O que notei em todo shopping foi o absoluto respeito pelos cadeirantes. Não há calçadas sem rampas e nem pessoas empurrando cadeiras de roda. Igual a opulência nos carros, os cadeirantes, e são muitos, tem sua mobilidade garantida por cadeiras movidas a eletricidade, e quem tem uma tecnologia que me impressionou. No restaurante em que estava vi um senhora se movimentar num cadeira de rodas, com a habilidade que o Airton Sena dirigia um Fórmula 1. E pelo seu semblante altivo penso até que ficaria magoada com qualquer oferta de ajuda.

Eu ainda não vi ônibus que levem cadeirantes, mas vi os ônibus se baixarem para receber pessoas mais idosas, como se estivessem saudando reis, tudo comandado pelos motoristas. Graças a Deus eles não se baixaram para nós, o que prova que temos a aparência de novos. Minha mulher se alegrou com isto. E quanto a isto, já li que em algumas cidades do Brasil já há este tipo de tecnologia, mas, tenho certeza estamos longe de sua generalização, e nem será necessário antes de termos alguns avanços em nosso sistema de saúde (e que depende de nossa economia, inclusive do nosso PIB).

Para concluir este relato da primeira saída, a triste constatação que fiz em relação aos automóveis é que no Brasil os pedestres têm medo dos carros e aqui os carros tem medo de pedestres. Há faixas que devem ser obedecidas pelos pedestres na via aberta, mas dentro do shopping a preferência é todo deles. Para mim que ando pelas ruas do Recife, com medo dos carros, foi um prazer descer da calçada e ver aqueles carrões enormes parados todos com medos de mim. Eu quase dizia, “show”, para ver se eles voavam como os pombos que o Davi tange lá na Jaqueira.

P. S.: Resolvemos colocar algumas fotos da bonita cidade de Pittsburgh no estado Pennsilvania, onde estamos com a AGD escrevendo estas mal traçadas linhas.

domingo, 23 de setembro de 2012

A semana - As eleições, o Brasil e a América





Por Zé Carlos

Hoje acordei pensando nesta vaga que sempre deixamos aos domingos em nosso blog o que fazemos sempre pela a baixa audiência dele neste dia seria dia de descanso. Nesta terra em que estou agora, chamada não sei por que ainda de “terra de tio Sam”, eles trabalham até no domingo, e, seguindo o exemplo,  tentarei escrever aqui sobre a semana que passou no Brasil.

E o filme de hoje contempla os Estados Unidos em duas oportunidades. Uma entrevista do Barack Obama, ao que os roteiristas da UOL chamam de Jô Soares daqui. É difícil imaginar a mesma cena no Brasil, e não me lembro se já houve um presidente da república entrevistado no Jô, sendo perguntado sobre seu peso. E com a presidente atual, nem pensar.

A outra coisa relacionada com os dois países é a abordagem final sobre as eleições onde o filme usa o Simpson, tradicional personagem de desenho americano, para nos fazer rir dos processos eleitorais aqui e lá.

Uma das coisas que tenho visto aqui, nos Estados Unidos, em termos de eleições é que, se você não ligar a televisão e não ler jornais, nem parece que este país está no meio de uma muito acirrada disputa para presidência. Nas ruas, salvo em algumas residências, e de forma discreta, não vi nenhuma alusão ao processo eleitoral. Nem cartazes, nem faixas e nem cavaletes, os quais o filme também mostra sendo depredados no Brasil por indivíduos que não sabemos se estão praticando vandalismo ou reagindo ao vandalismo da propaganda como  as que vi em Recife.

No entanto o maior motivo de riso foi protagonizado por uma dupla de políticos, ambos já bem velhinhos: O Fernando Henrique e o José Serra. Tanto os elogios do primeiro ao segundo quanto a história da vaca, são de morrer de rir, ou de chorar, se preferirem. Conhecer uma vaca somente aos 17 anos tendo nascido numa cidade grande é tão inusitado quanto o que aconteceu comigo que na mesma idade não conhecia um aparelho telefônico. Mas, é a verdade. E hoje, talvez por isso, ainda tenha medo dos celulares.

Finalmente, para morrer de rir mesmo, só ouvindo o Levy Fidelis falando mais uma vez do aerotrem. Não tem jeito mesmo. Ainda vai aparecer um candidato em Bom Conselho propondo um aerotrem para subir a Serra de Santa Terezinha. Talvez não fosse uma má ideia, depois que desmataram o morro.

Fiquem com resumo do roteiro da UOL e depois com o filme da semana e tenham um bom domingo.

“No Escuta Essa! desta semana acompanhamos Homer Simpson na cabine de votação para eleger o próximo prefeito de São Paulo. Será que ele saiu de Springfield? José Serra mostra que gosta de crianças e faz uma revelação incrível envolvendo vacas. Levy Fidelix fala sobre (advinha) aerotrem. Obama (esse aí está concorrendo em outra eleição) participa do programa do Jô americano. E jovens revoltados se inspiram no programa Jackass e saem por aí destruíndo cavaletes.”

sábado, 22 de setembro de 2012

A GENTE SABE, MAS NÃO DEVIA.




Por Carlos Sena (*)

Tem coisas que a gente sabe, mas não devia:

A gente sabe que a maioria dos políticos se elege pra se dar bem. Gastam milhões para serem eleitos, mas depois querem de volta com os lucros correspondentes. A gente sabe e vota, mas não devia.

A gente sabe que eles não gostam de crianças, mas nas eleições o que eles mais fazem é posar na televisão com crianças, principalmente pobres, de favelas. Mas a gente não devia permitir que nossos filhos se prestassem a isto.

A gente sabe que quase todos são santos do pau oco, mas que quando se elegem não fazem nada por nós, os pecadores do pau maciço... A gente sabe, mas vota, mas não devia.

A gente sabe que os grupos empresariais bancam determinados candidatos que, quando eleitos por nós vão pra lá defender os interesses das empresas que financiaram suas campanhas. A gente sabe,  mas não devia votar neles, nem consumir os produtos dessas empresas.

A gente sabe que tem candidato do partido verde que amarela. Mas continuamos votando neles e acreditando que SEJAM são mesmo vermelhos, mas não devíamos.

A gente sabe que tem candidato que se diz estrela, mas quando eleitos não passam de cometa: cometem roubo, cometem mensalão, cometem improbidades mil. A gente sabe mas não devia saber.

A gente sabe que tem candidato ave: tucano, (mais CANO no povo do que benefício no TU), por exemplo. Mas quando eleitos, diante de uma calamidade, de uma enchente, de uma tragédia, só sabem dizer AVE, Ave Maria! E nada mais. A gente sabe, mas não devia.

A gente sabe que tem candidato que fora da eleição detesta puta, viado, sapatão, negro e pobre. De lambujem ainda odeiam macumbeiros, xangozeiros, farofeiros, negros, etc., mas pra ganhar votos viram zen, viram, tiram até as calças pra dar aos pobres (se as calças não forem deles), mas depois de eleitos, tudo isto vira epidemia que eles correm pra não se contaminar. A gente sabe, mas não devia.

A gente sabe que tem gente pra tudo, e tem político que mesmo não sendo gente a isto se presta. A gente sabe, mas não devia.

A gente sabe que não precisava da lei da ficha limpa porque essa função poderia ser nossa e, dessa forma, a faxina moral a gente mesmo fazia. A gente sabe, mas vota nos corrutos, mas não devia.

A gente sabe tudo, mas não devia. Não devia, porque deveríamos deixar de bancar o avestruz que, vencido pelo caçador no  seu encalço, enfia a cabeça dentro da terra e deixa o cu pra cima como que tendo certeza que vai tomar na tarraqueta, certamente.  E toma e gosta. Gosta? Há quem goste mas muitos não!

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 17/08/2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Balinho Continua





Por Zé Carlos

Dias atrás recebi uma mensagem da Léa, irmã do Balinho, dizendo que ele estava em Recife. E naquele período, eu também estava lá. Ela até me mandou seu telefone, a meu pedido, pois queria falar com ele. Ela me enviou, mas, as circunstâncias da vida não me deixaram falar com um dos melhores amigos que eu tive na minha adolescência. Não fiquei triste, pois sempre havia outra oportunidade de vê-lo e relembrar nossos bons momentos em nossa terra.

As brincadeiras no recreio do Ginásio São Geraldo, as brigas em que fatalmente, mesmo pacatos, nos envolviam, as trocas de ideias entre pessoas interessadas que éramos sobre os destinos desde a palmatória de Seu Waldemar, aos destinos da Pátria, as conversas sobre a vida alheia para o mal ou para o bem, as trocas de livros que aliviavam suas faltas nas bibliotecas e tantas outras coisas, seriam tratados neste possível encontro.

Eu lembraria de um livro que ele me emprestou que não me lembro mais o autor mas cujo título era:  João Simões Continua. Era a história romanceada narrada por um morto que se via de repente fora do corpo e contava todo seu velório e enterro ao qual frequentava como se vivo estivesse, pelo menos como minha velha memória recorda. E é lembrando disto que, aqui, tão longe de Bom Conselho, recebo a notícia do falecimento de Balinho, que meus olhos marejam e o coração aperta.

No entanto, tenho certeza que ele, de onde estiver estará escrevendo sua história e nos vendo, apenas mudando o nome do livro que ele um dia me emprestou para: Balinho Continua. Nele certamente, ele relembrará porque ficou inimigo infantil do Zezinho Ponta Baixa, outro grande amigo. Lembrará porque ficava enfezado quando passavam a mão na sua cabeça para dizer que sua brilhantina era banha de porco. E do seu desengonçamento com uma bola de futebol.

Foi uma pena eu não ter reencontrado o Balinho. Mas, pensando bem, refreio minha culpa e me torno egoísta, ao saber que ele já estava doente e talvez tenha sido melhor eu guardar só em minha lembrança a sua figura magra, esguia e sadia que eu um dia conheci. E, também, em seu romance da vida que ele está escrevendo e nos vendo a todos, espero que não se importe com nosso último desencontro, pois para onde ele está, eu levarei qualquer dia destes um livro para que ele leia e o discutamos.

Enxugo as lágrimas, faço um sorriso e tento mostrar ao Balinho que sou feliz porque sei que o Balinho Continua, certamente, olhando para mim, também sorrindo e dizendo: “Claro, amigo, não faltará oportunidade para nosso encontro”. Que seja com a presença de Deus, caro amigo!

A análise da enquete e uma nova enquete





Por Zé Carlos

Recebi uma série de recados, no mural e por e-mails, para analisar o resultado de nossa última enquete. Antes de fazê-lo peço perdão pelo atraso e tento justificá-lo, mesmo que saiba que, no fundo no fundo, são apenas desculpas esfarrapadas. Mas...

Neste processo de mudança da redação do nosso blog para os Estados Unidos tivemos que adiar ou mesmo pular algumas de nossas atividades, mesmo que nosso objetivo fosse mantê-las dentro da rotina padrão. E o fizemos quase de uma forma que, se não tivéssemos dito nada, todos os nossos leitores pensariam ainda que estávamos teclando lá da Madalena, como eu gostaria que fosse. No entanto, algumas atividades, e a análise da enquete foi uma delas, não puderam manter-se na rotina.

Mas, vamos aos resultados da enquete que perguntava: “Se as eleições fossem hoje, em quem você votaria para prefeito de Bom Conselho?” E eis o resultado:

Capitão Boanerges  132 (25%)
Danillo Godoy  218 (42%)
Judith Alapenha  116 (22%)
Washington Azevedo  42 (8%)
Branco  3 (0%)
Nulo  4 (0%)

Isto num total recorde de 515 votantes. Antes, diga-se que o “hoje” corresponde ao período que vai do fim de agosto até o dia 08 de setembro de 2012. Então, naquela época, podemos dizer, dentro das margens de erro da pesquisa, que são infinitas nestas enquetes, o Danillo Godoy seria o futuro prefeito.

O que mais nos chamou atenção em relação a enquetes anteriores foi o acréscimo de votos brancos e nulos que apareceram, como se revelassem alguma descrença do eleitorado quanto ao processo eleitoral. Pelo que podemos sentir, dentro da distância que nos separa de nossa boa terra, isto é proveniente de uma séria de fatos e boatos que se espalharam pela cidade, e que neste caso e neste período devem ter beneficiado o candidato Danillo Godoy.

Já vão quase 15 dias do término de nossa enquete e não sabemos se houve uma mudança significativa do quadro nos últimos tempos. Neste processo eleitoral cada dia é uma eternidade e tudo muda quase de repente. E cada hora que se aproxima do pleito a cada declaração, a cada opinião, a cada gesto, o eleitorado muda de opinião. Então qualquer análise mais aprofundada sobre o que passou não passa de uma satisfação aos nossos leitores.

Para nos redimir da terrível culpa, estamos lançando uma nova enquete, com a mesma pergunta (e correndo o risco até de não ser útil pois lemos em nosso mural que um candidato poderá renunciar como ocorreu em Garanhuns) e dando 8 dias para verificar, o que nossos leitores agora estão pensando. Então, comecem a votar novamente e digam em quem votarão neste momento.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

AOS PODEROSOS DE PLANTÃO... Porque a vida dá o troco.





Por Carlos Sena (*)

Passeando pelo calçadão da praia da Boa Viagem, em Recife, sempre encontro amigos, conhecidos, colegas de trabalho. Gosto mais de me encontrar com quem não conheço, pois de quem já conhecemos sabemos muito do que é preciso saber. Não conhecendo a grande maioria que no calçadão desfila, contenta-me interagir com aqueles tipos exóticos que nos brindam com suas estereotipadas figuras. Encontro também de pessoas que eu sei quem elas são, mas elas não sabem quem eu sou. É o caso, por exemplo, de um ancião que vinha em nossa direção num desses dias de calçada contemplativa. Aos passos lentos, dorso meio curvado pelas vigas pesadas do tempo, olhar cansado, cabelos ralos e grisalhos, mas, ninguém ao seu lado. Sentado na mureta do calçadão, comecei a puxar pela memória acerca daquele senhor que eu tinha certeza que conhecia. Rapidamente a “ficha caiu” e eu identifiquei de quem, efetivamente se tratava. No passado, aquele senhor que eu sei, inclusive seu nome, ocupou cargos importantes. Foi Secretário de Estado, Diretor famoso de empresas públicas importantes, salvo engano chegou a ser deputado, vivia nos noticiários, dentre outras coisas. Como pode, pensei! Mas, era ele sim. Calçadão afora sem ninguém do seu lado lá ia ele arrastando os pés. Logo ele que, quando nos cargos  andava cercado de seguranças, puxa-sacos e assemelhados. Sua fama era de grosseiro e os poderosos tinham dele sempre as maiores gentilezas. As pessoas mais simples que com ele trabalharam tremiam ao vê-lo passar. Sua fama não era de mau gestor, mas de péssimo trato com as pessoas, com aqueles que não pertenciam ao seu grupo do “toma lá dá cá”... Ele já distante e eu tão perto de realidade dura da vida, refleti: será que ele imaginava, quando poderoso e jovem que o poder era eterno e que nunca envelheceria? Hoje sem mais o poder e sem nenhuma juventude teria ele aprendido a lição? Será que administra bem a vida limitada pela idade avançada e ausência dos bajuladoras e sem as visitas dos amigos de oportunidades de outrora? Espero que esteja bem consigo mesmo e que a lição tenha sido assimilada ; espero que saiba administrar a solidão que disputava com ele espaços, na calçada, com sua sombra magra como que indo para casa Agara (lembrei-me de Augusto dos Anjos). Confesso que fiquei meio deprimido com a inusitada cena – um verdadeiro massacre do tempo sobre uma pessoa outrora poderosa, glamurosa! Julgar? Nunca. Não me compete. Mas será que ele tem consciência do aprendizado que a vida lhe deu por um preço tão alto? Será que ele, agora, do outro lado convivendo com os simples e com os mortais, acredita na LEI DO RETORNO?

Independente, daria tudo para que os poderosos de hoje – aquele que se acham donos do bem e do mal porque estão em cargos importantes, presenciassem aquela cena em pleno calçadão de Boa Viagem. Queriam que eles vissem o que eu vi: um homem pouquinho, quando foi muito. Uns passos lentos, quando foram serelepes, acelerados. Um rosto sulcado, decaído, quando foram firmes e sedosos; um olhar opaco, quando foram lúcidos e brilhantes. Na sua intimidade aquele velho, certamente não está completamente só. Deve ter filhos e esposa não sei se ainda tem...

O calçadão tem dessas coisas. É uma vitrine em que os amigos nos alegram com as conversas  atualizadas; onde a gente se diz onde está morando e o que está fazendo e se alegra com tudo feito crianças no velhos tempos. Os desconhecidos nos ensinam mais. Eles ficam diante de nós, embora distantes, mas, sem que se percebam sendo olhados. A gente chega perto deles e começa a conversar e a conversa flui completamente livre de preconceitos. Eles não sabem se somos ricos ou pobres, mas gostam de se sentirem felizes aos nossos olhos. Quando não dá pra conversar a gente olha, vê os detalhes, analisa passos, formas deles se distrair debaixo do sol escaldante tão cheio de liberdade.
Assim é a vida. Nesta hora muitos poderosos devem estar nos gabinetes com ar condicionado "SE ACHANDO": donos do bem e do mal; donos do conhecimento; donos do poder; donos.  Tiram e botam pessoas sem o menor escrúpulo, inclusive mantendo pessoas de passado duvidoso nas equipes. Demitem e admitem de acordo com suas vaidades e com suas redes de relacionamentos em forma de corriola. Não atendem telefones de quem é simples, embora, por conta do politicamente correto, disfarcem popularidade e riso fácil. Não recebem quem não agendou. Fecham-se com os seus pares, mas... Um belo dia, o tempo passa, o cargo acaba e a vida passa e lá poderão estar eles fazendo companhia àquele que eu vi passar na minha frente no calçadão: sem poder, sem amigos, sem juventude, sem puxa sacos, sem babões... Talvez implorando um olhar, por piedade, de algum passante que também não olha, que também não chega... Com um agravante que é ter familiares passando por agruras iguais a que eles um dia patrocinaram com outrem quando poderosos foram...

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 21/08/2012

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A divindade de Lula





Por Zezinho de Caetés

Recém-nomeada ministra da Cultura, Marta Suplicy prometeu nesta quarta-feira 12 se engajar cada vez mais na campanha de Fernando Haddad, a fim de levar o PT para o segundo turno em São Paulo, deu na mídia. Indo além de seus calcanhares ricos ele comparou Lula, meu conterrâneo a Deus, dizendo que com a sua ajuda e a de Dilma, o ministro do ENEM vai tomar o lugar com que ela sempre sonhou.

Não dá para se espantar com a desfaçatez da “perua”, quando se trata do Partido dos Trabalhadores que só trabalha para enriquecer através do poder. Num texto primoroso transcrito abaixo o Sandro Vaia (14/09/2012, Blog do Noblat) mostrando-a por inteiro. O que espanta é que muitos ainda acreditam nas surpresas deste tipo de gente diante de certos fatos.

Imaginem vocês hoje o Lula lendo os jornais e vendo um um punhado de gente sendo condenado por ter participado do mensalão: “Oh! Pois não é que existiu mesmo! Eu nunca soube de nada!”  E assim caminha a humanidade política de nossa terra. O que é bom todos sabem e o que é ruim ninguém sabe. No entanto, a Marta colocou o dedo na ferido (sem saber que estava metendo, naturalmente) ao dizer que Lula é um deus. Ora, se ele é um deus, pode-se dizer que ele sabe de tudo, e assim sendo, ele seria o chefe do mensalão, ou, como já disseram, seria um idiota completo e não um deus, por não saber das coisas.

Eu prefiro acreditar que ele nem é um deus e sabia de tudo que se passava naquela época, pois se é verdade que a esperteza exagerada come o esperto, o meu conterrâneo, faz tempo, já esta falando da barriga da bicha.

Fiquei com o Sandro Vaia e eu volto a assistir meu Guia Eleitoral, só para ver o Humberto, cada dia mais, com a cara de perdedor.

““Muitos já disseram que o Google é Deus, o que talvez não seja verdade. Mas isto nós sabemos: o Google é benévolo e às vezes furioso. Em verdade, o Google dá e o Google tira”.

Não se pode garantir que o jornalista norte-americano Bob Garfield, colunista há 25 anos do Advertising Age e autor do sucesso “Cenário do Caos” (Cultrix/Meio & Mensagem), livro que analisa de maneira implacável e divertida o colapso da mídia de massa, conheça o ex-presidente Lula.

Se conhecesse, com certeza teria pensado duas vezes antes de comparar o Google a Deus, pois a ex-senadora e atual ministra Marta Suplicy conhece muito melhor do que ele a verdadeira natureza da entidade divina.

Na sua primeira performance como ministra da Cultura, a ex-senadora envergonhou a Vivien Leigh de “Um Bonde Chamado Desejo” fingindo supresa com a nomeação.

Articulou um “oh!” com a canastrice de uma velha atriz de teatro de revistas. Nem Virginia Lane, coitada, soaria tão falsa.

Marta, até o fã-clube de Supla sabe, queria mesmo era ser de novo prefeita de São Paulo. Não esperava que esse seu desejo de certa forma tão natural e banal fosse bater de frente com os desígnios divinos.

Havia outro nome no bolso do divinal colete. O ex-ministro da Educação Fernando Haddad foi ungido com os santos óleos do “novo”, destinado a contrapor-se ao “velho”, e eis que a velha soldada do partido foi colocada a escanteio com alguns requintes sutis de humilhação.

A dama combatente não se fez de rogada. Armou seu beicinho e ameaçou nao participar da campanha. Disse que iria - se fosse- quando lhe desse na telha, e ameaçou não estender a sua mão ao candidato para guiá-lo pela buraqueira da periferia de São Paulo, que ela conhece como a palma da mão e onde tem sólidos e tradicionais redutos de votos.

Falou-se em negociações compensatórias, já que ficar tocando a campainha do Senado para cortar a palavra de seus pares não pareceu a ela uma recompensa muito atraente. Até a embaixada em Washington chegou a ser citada.

Dois dias depois de aparecer na campanha da TV proclamando as virtudes do rapaz que lhe tomou o lugar, já tendo desmanchado o amuo e recomposto o sorriso, Marta pôde pronunciar o seu “oh !” de falso espanto ao ser anunciada como a sucessora da massacrada irmã de Chico Buarque, que passou toda a sua gestão agachando-se para não ser atingida pelas balas amigas.

Tão feliz estava Marta com seu novo ministério, que não hesitou em agradecer ao seu benfeitor, a quem, numa hipérbole, elevou à categoria de Deus.

Bob Garfield, que não sabe nada da política brasileira, vai ter que estudar muito para aprender que o Google precisa se esforçar muito para comparar-se em poder ao verdadeiro Deus, aquele que dá e tira.”

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A semana - Religião, política e super-heróis


Batman e AGD juntos - Pittsburgh



Por Zé Carlos

Devido a meus afazeres, além de administrar a AGD no exterior, tenho que ficar ligado no Brasil, e ver o que está acontecendo por lá. Afinal de contas, o nosso foco ainda é a nossa pátria, e nisto incluo a primeira, Bom Conselho, a segundo, Recife e a terceira Brasil. E continuarei vendo e comentando os vídeos da UOL que nos trazem um resumo humorado da semana.

Nesta época de eleição não poderia ser diferente. Os candidatos são o foco principal do filme que já começa tratando de um problema delicado, mas, sempre presente: a relação da religião com a política. Desde que o Jesus disse: “Daí a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”, que os políticos não pararam mais de pedir a Deus o que eles achavam ser de César e o os religiosos a pedir aos políticos o que eles achavam que era de Deus. E todas as religiões, sem exceção se envolvem na política, o que já é considerado normal, com exceção de certos exageros que convém evitar.

O que mais me fez rir no filme foram os vereadores que assumem identidades de super-heróis como a Mulher Maravilha, Robin (amigo de Batmam), Super-homem e outros, pois estou, neste momento na terra de quase todos os super-heróis que povoaram a imaginação de minha infância no cinema e nas revistas em quadrinhos. E, melhor ainda, o mesmo edifício que escolhemos para sediar a AGD aqui nos Estados Unidos, é o mesmo que aparece no filme de Batman (Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge), com o sinal do morcego, pois foi filmado aqui em Pittsburgh (Pennsilvania) onde agora estamos. Fico devendo fotos do local em mais um serviço da AGD.

O mais inusitado foi aquela cena de uma mulher, se dizendo marido de Dilma, tentando invadir o palácio do Planalto. Não deram nem tempo da mulher se explicar e contar sua história. Talvez, não fosse de interesse para imprensa como o é, e, penso, ainda não deu nem tempo de entrar no filme, as declarações do Marcos Valério a respeito da participação do Lula no mensalão. Abordo isto aqui apenas pela coincidência de, numa outra reportagem importante da revista Veja, eu estar também fora do país (só que no velho mundo). Aquela, que mostrava as declarações do Pedro Collor marcou o Brasil, como esta, se for verdade deverá também marcar sua história.

Mas, já estou ficando sério para um filme que todos deveriam ver com o maior senso de humor possível. Fiquei com o resumo do roteiro da UOL e em seguida vejam o filme da semana.

“O Escuta Essa! desta semana está de olho na relação entre os candidatos e a religião. Algumas igrejas viraram cabos eleitorais, enquanto candidatos pedem benção para todos os santos. Para quem quer um candidato mais laico, o programa desta semana traz uma coleção de "super-heróis" que querem uma vaga nas Câmaras Municipais. Tem Mulher-Maravilha, Super-Homem, Robin e até Rambo. Já para a presidente Dilma, partido só se for referência a coração. Nesta semana, uma mulher com aparência masculina quis invadir o Planalto se dizendo marido da presidente e declarando seu amor.”

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A AGD na América - Os mugidos da chegada



Fila no Aeroporto dos Guararapes - Operação Padrão?


Por Zé Carlos

Depois de um período de nervoso atroz, conseguiram me deixar no Aeroporto Internacional dos Guararapes, para voar com destino à América. Como “quem é cocho parte cedo”, chegamos lá com quase 4 horas de antecedência. Duas de praxe e mais duas com medo da Operação Padrão da Polícia Federal. Diga-se de passagem, que greve de funcionário público, embora prevista em nossa Constituição, nunca foi regulamentada, o que deve ser feito com urgência.

As greves na iniciativa privada tem seus ritos e ritmos próprios, mas, aquelas dos serviços públicos sofrem pela falta de regras, totalmente. Basta um dirigente sindical pintar uma faixa e colocar num local visível: Estamos em Greve, e nós os consumidores contribuintes, temos que nos sujeitar aos seus ditames. Mesmo nos serviços não considerados essenciais, como aqueles em que trabalhei e “grevei” várias vezes (área de educação superior pública) já há um bom prejuízo para aqueles neles envolvidos. Imaginem então os serviços essenciais! Eu fico imaginando um monte de cadáveres insepultos numa greve de coveiros, o lixo cobrindo as ruas pelas greves dos garis ou mesmo as pessoas morrendo nos hospitais por uma greve na área da saúde.

O que me ameaçava atingir na partida era a greve da Polícia Federal. Fomos informados que o voo atrasaria 1 hora, então, todos dissemos: “A operação padrão nos pegou”. A operação padrão é algo legal, pois apenas eles estão se esmerando em fazer os serviços no limite da eficiência, mas, para mim torna-se, certas vezes, absolutamente antiéticas, pela imprecisão com que se define eficiência. Muitas vezes isto significando provocar o caos nos serviços com o qual perdemos todos.

Então se formou uma grande fila onde todos reclamavam e todos tinham razão. Lembro de uma cearense dizendo ao guarda: “Meu filho, chame o pessoal aí para atender a gente! Com sua pouse você deveria ter alguma autoridade aqui!” O cara simplesmente ria enquanto nós quase chorávamos. Ora, se há atraso aqui e lá na América não tem atraso, vamos perder nossas conexões e dormir pelos aeroportos da vida. Este, penso eu era o pensamento comum.

Pessoalmente, meu desejo era aproveitar este tumulto e ir embora, quando avisaram que o avião chegou e o atraso foi porque estavam fazendo uma manutenção da pista do aeroporto em Salvador, de onde vinha o avião, e não a operação padrão. Graças a Deus! Mas, o atraso de uma hora já estava configurado. Eu pensei, não tem problema pois o piloto deve por o pé fundo no acelerador e tirar o atraso, porém, nem sei, e nem quero saber se isso é possível. Voamos e fomos a 34 mil pés. Não sei se eram de moleques, mas, subimos à beça. E o atraso foi tirado, chegando a Miami no horário. E aí começou tudo de novo.

Estava chovendo por lá e os aviões de lá também estavam atrasados e ficamos quase uma hora para desembarcar. O que fizemos dentro de um outro curral, muito maior, do que aquele do consulado, que é da imigração americana. E lá, é onde eles colocam os vaqueiros mais cruéis para tanger o gado que chega de todas as partes do mundo. Aquele mar de gente inerte a levarem gritos de uma mulher de cabelos grisalhos, agora em inglês e com ar de riso, como quem diz: “Eita povo besta. Parecem almas penadas.” E não adiantava reclamar pois eles, mesmo sendo hispânicos em sua maioria tem que se portar como americanos, e estes só falam inglês. Outras línguas só são entendidas pelos colonizados ou quando é para tirar proveito deles.

E aí caímos numa fila, e dela para um guichê, onde um rapaz de seus 30 anos com um crachá onde expunha seu nome: Torres. Eu pensei, este, deve até entender-nos melhor pois pode ser até parente do grande técnico de futebol de Bom Conselho, o saudoso Jorge Torres. Não era. Tratou-nos como se fosse lixo dizendo com aquele olhar autoritário: Go back! Go back! quando eu cometia a ousadia de me aproximar um pouco mais. Olhou os documentos, olhou para nós, mandou colocar todos os dedos numa luz verde (confesso, que mesmo sem violência eu gostaria de colocar o dedo em algum lugar, lá nele) e decretou: Podem entrar. Ufa! Se eu fosse um deslumbrado, teria feito como o Papa João Paulo II, me ajoelhado e beijado o chão daquela grande terra; não sendo um deslumbrado, depois daquela recepção, eu tive vontade foi de cuspir. Não sei por quê!

E lá vamos pegar as malas. E numa viagem, quando roubam de nós nossos pertences,  despachando-as, nosso sonho é encontrá-los intactos na outra ponta. E como a esperança é a última que morre fomos atrás delas e a encontramos. Depois de andar algum tanto, as entregamos outra vez para ir noutro avião. E fomos em frente para encontrá-lo. O Aeroporto de Miami talvez seja maior do que o Açude da Nação, antes de estourar. Tem até trem dentro dele, e lá fomos nós.

Depois de uma longa espera, fomos avisados, e fingimos que entendemos, que iríamos embarcar. E lá fomos nós para o nosso destino final: Pittsburgh no estado da Pensilvânia. A viagem, apesar do atraso decorreu bem, exceto pela misto de decepção e alegria que senti ao entrar no avião, neste último trecho da viagem. Decepção pela qualidade da aeronave, que não sei se por causa da idade dela me pareceu horrorosa, e alegria por saber que ela foi fabricada pela EMBRAER ai no Brasil, e se eles a importaram é porque tem seu valor.

E, depois de uma jornada a pé, já no outro dia no aeroporto de Pittsburgh, de um desencontro com alguém que deveria estar nos esperando, chegamos ao Hotel, onde de hoje escrevo. Confesso que me sinto muito melhor quando chego ao Hotel Raizes, e olho para a serra careca de Santa Terezinha. E a viagem continua....

sábado, 15 de setembro de 2012

SAUDADE, POR QUE NÃO?





Por Carlos Sena (*)

Seria bom que a SAUDADE fosse instalada em nós de acordo com nossas vontades. E que elas por si só disputassem com o nosso passado os melhores momentos para em nós se eternizar. Porque o tempo passa, a gente fica menos jovem e muita coisa boa vai aos poucos ficando no “limbo” das nossas recordações. Muitas vezes a gente precisa parar, encontrar amigos de infância e “recordar” – como que reviver algumas passagens lindas que em nós se perderam no emaranhado de outras emoções vida afora. Um dia, no rol dessas recordações, eu me lembro da primeira piada. Se eu fosse repeti-la hoje ninguém acharia graça. Mas eu me lembro e, ilustrativamente, a repito: um coleguinha de grupo escolar chegou pra mim e disse “você sabe por que a mata é virgem”? – Não. – Porque o vento é fresco, respondeu. Outra piadinha insossa, mas na época importante: “por que O PADRE SENTE FRIO”? – Porque está NU COM VENTO (no convento)! Como se percebe, uma simples piada poderá ser inesquecível em nossa vida dependendo do seu contexto, principalmente quando nos remete à infância. Mas há outras SAUDADES que se nutrem de lembranças. Como se vê, Saudade e Lembrança são duas irmãs gêmeas. A lembrança, certamente é quem nute nossas saudades e por isto, muitas vezes, o cotidiano moderno da cidade grande nos afasta um pouco delas e tira a SAUDADE de cena, em alguns momentos que elas não precisavam se ausentar. No rol dessas saudades aquelas que quase nunca ninguém se esquece: a primeira paixão pela professora, o primeiro beijo, o primeiro encontro, a primeira comunhão. A primeira masturbação a gente nunca esquece – eis também uma SAUDADE que se evidencia quando se chega aos outonos existenciais – algo como “o primeiro sutiã a gente nunca esquece”. No rol dessas saudades, uma que nos marcou imensamente: a primeira calça comprida! Ah como nos sentimos “jegues” dentro daquele monte de pano se comparado com as nossas calças curtas... Hoje eu me recordo com SAUDADES dos “castelos de areia” que construímos... Igual às calças curtas, como eles foram curtinhos! A realidade da vida supera tudo, toma conta de tudo e a gente se joga pro mundo feito fera, como dizia Augusto dos Anjos: “entre feras, sentimos a necessidade imperiosa de também ser feras” (grifo meu)...

Aos poucos, a gente vai se dobrando às saudades que se mantêm em nós por conta própria e querendo que algumas outras não se afastem de nós pela impropriedade da conta. A conta corrente da vida cobra juros de mora: mora pra ficar conosco; mora pra não se esconder de nós; mora feito a brasa de Roberto – você é uma brasa, mora? Então, de SAUDADE em saudade a gente tenta recuperar o tempo perdido – ou não? Corrijo-me: o tempo não se perde porque ele não se acha. O tempo é a universidade do sentir que por ser volátil não se dobra aos nossos rigores racionais. Assim, meio com SAUDADES, requeiro a Deus que pela impossibilidade de determinar que nossas SAUDADES não se escondam de nós, firmo-me saudosamente me lembrando do cheiro do café fresco, cedinho da manhã, ao pé do fogão da casa da minha mãe quando criança um dia fui...

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 17/08/2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A herança maldita e a herança bendita





Por Zezinho de Caetés

Semana passada houve uma troca de gentilezas entre a presidenta e um ex-presidente. Sem dizer nada, todos pensarão, ora, isto é a rotina diária entre Dilma e Lula. Que novidade tem? Só fica estranho quando se menciona que o ex-presidente é o Fernando Henrique Cardoso. Todos já sabiam do seu prestígio crescente com a presidenta desde que eles quase se amaram em eventos anteriores, que culminou com uma nota dela parabenizando-o pelo seu aniversário.

No entanto, nesta semana, o FHC escreveu um texto em que, incautamente, diz a verdade sobre a herança que Lula deixou para ela e para o Brasil, e que eu transcrevo abaixo. Eu concordo que o FHC gosta de pavonear, de se exibir, principalmente agora em idade provecta. Mas, não se pode desconhecer de que os rumos corretos que beneficiaram este país neste início de milênio foram dados no seu governo. O Lula não fez nada, a não ser manter aquilo que ele tinha feito, e o que fez de novo vai levar este país a um desastre no longo prazo. O melhor feito por ele foi a tomada elétrica exclusiva, de três pinos, exclusiva do Brasil, que levará os turistas ao caos na Copa de 2014. Ou seja, a única indústria que cresce no Brasil é de fabricantes de adaptadores de tomada.

Por isso, e talvez por não ter estudado como deveria, o Lula nunca o perdoa. E, depois de ler, com grande esforço o texto abaixo, o meu conterrâneo apedeuta deve ter ligado para o poste presidencial e deve ter dito:

- Olha, se você não der uma resposta a este texto, eu apago sua luz!

E a presidenta, pasmem, abandonando a liturgia do cargo, escreve uma nota oficial de contestação ao FHC. Ele deve ter dado uma gaitada daquelas, pela importância que o poste lhe deu, só com medo de apagar a luz. A Dilma não surpreende mais nem em seu despreparo para o cargo nem pelo seu servilismo ao Lula, ao exercê-lo. Sendo ameaçado de ficar no escuro, a nota do poste, quer mostrar por A mais B que o Lula deixou uma herança tão boa para ela, que em seu primeiro ano de governo ela teve que demitir 7 ministros por corrupção e quejandos. Que a herança que ela teve foi bendita e não maldita com diz o agora “maldito” FHC.

E o Lula não ficou satisfeito. Deve ter ligado para ela outra vez e dito:

- Foi pouco. Você deve aproveitar o discurso de 7 de setembro para mostrar quão grande eu deixei este Brasil para você.

Não deu outra. Na última sexta-feira tive que ouvir uma xaropada de mais de 10 minutos, cujo teor só acredita mesmo quem não vive no Brasil, ou aqueles que estão no programa Bolsa Família. Parecia um sonho bom, onde o Brasil surfava pelas ondas do desenvolvimento rumo à supremacia mundial. Nem os candidatos a prefeito do Recife chegaram a este ponto de tantas promessas. Parecia que a Dilma era candidata a prefeita, num município onde só tem doidos. E assim caminham os governos petistas.

Porém, o que vemos agora é que a herança mais maldita que o Lula deixou para o poste, não foi a tomada de 3 pinos genuinamente brasileira, e sim o mensalão. Os réus estão sendo condenados na fila. Chega dá pena. Queira Deus, o STF esteja guardando o porrete maior para o chefe da quadrilha.

Leiam agora o texto do Fernando Henrique, que mesmo se afogando na vaidade, e tentando ser gentil com um poste cuja luz vem do Lula, escreve bem e com precisão sobre nosso momento atual.

“A presidenta Dilma Rousseff recebeu uma herança pesada de seu antecessor. Obviamente, ninguém é responsável pela maré negativa da economia internacional, nem ela nem o antecessor. Mas há muito mais do que só o infortúnio dos ciclos do capitalismo.

Comecemos pelo mais óbvio: a crise moral. Nem bem completado um ano de governo, e lá se foram oito ministros, sete dos quais por suspeitas de corrupção. Pode-se alegar que quem nomeia ministros deve saber o que faz. Sem dúvidas, mas há circunstâncias. No entanto, como o antecessor jogou papel eleitoral decisivo, seria difícil recusar de plano seus afilhados. Suspeitas, antes de se materializarem em indícios, são frágeis diante da obsessão por formar maiorias hegemônicas, enfermidade petista incurável.

Mas não foi só isso: o mensalão é outra dor de cabeça. De tal desvio de conduta, a presidenta passou longe e continua se distanciando. Mas seu partido não tem jeito. Invoca a prática de um delito para encobertar outro: o dinheiro desviado seria “apenas” para o caixa dois eleitoral, como disse Lula em tenebrosa entrevista dada em Paris, versão recém-reiterada ao “New York Times”. Pouco a pouco, vai-se formando o consenso jurídico, de resto já formado na sociedade, de que desviar dinheiro é crime, tanto para caixa dois como para comprar apoio político no Congresso. Houve mesmo busca de hegemonia a peso de ouro alheio.

Mas não foi só isso que Lula deixou como herança à sucessora. Nos anos de bonança, em vez de aproveitar as taxas razoáveis de crescimento para tentar aumentar a poupança pública e investir no que é necessário para dar continuidade ao crescimento produtivo, preferiu governar ao sabor da popularidade. Aumentou os salários e expandiu o crédito, medidas que, se acompanhadas de outras, seriam positivas.

Deixou de lado as reformas politicamente custosas: não enfrentou as questões regulatórias para acelerar as parcerias público-privadas e retomar as concessões de certos serviços públicos. A despeito da abundância de recursos fiscais, deixou de racionalizar as práticas tributárias, num momento em que a eliminação de impostos poderia se fazer sem consequências negativas: a oposição conseguiu suprimir a CPMF, cortando R$ 50 bilhões de impostos, e a derrama continuou impávida.

É longa a lista do que faltou fazer quando seria mais fácil. Na questão previdenciária, o único “avanço” não se concretizou: a criação de uma previdência complementar para os funcionários públicos que viessem a ingressar depois da reforma. A medida foi aprovada, mas sua consecução dependia de lei subsequente, para regulamentar os fundos suplementares, que nunca foi aprovada.

As centenas de milhares de recém-ingressados no serviço público na era lulista continuaram a beneficiar-se da regra anterior. Foi preciso que novo passo fosse dado pelo governo atual para reduzir, no futuro, o déficit da Previdência.

Que dizer, então, de modificações para flexibilizar a legislação trabalhista e incentivar o emprego formal? A proposta enviada pelo meu governo, com esse objetivo, embora assegurando todos os direitos trabalhistas previstos na Constituição, foi retirada do Senado pelo governo Lula em 2003. Agora é o próprio Sindicato Metalúrgico de São Bernardo do Campo que pede a mesma coisa...

Mas o “hegemonismo” e a popularidade à custa do futuro forçaram outro caminho: o dos “projetos de impacto” como certos períodos do autoritarismo militar tanto prezaram. Projetos que não saem do papel ou, quando saem, custam caríssimo ao Tesouro e têm utilidade relativa.

O exemplo clássico foi a formação a fórceps de estaleiros nacionais para produzir navios-tanque para a Petrobras (pagos, naturalmente, pelos contribuintes, seja através do BNDES, seja pelos altos preços desembolsados pela Petrobrás). Depois do lançamento ao mar do primeiro navio, com fanfarras e discursos presidenciais, passaram-se meses para descobrir-se que o custo não fez jus a tanta louvação.

Que dizer dos atrasos da transposição do São Francisco ou da Transnordestina, ou ainda da fábrica de diesel à base de mamona? Tudo relegado aos restos a pagar do esquecimento.

O que mais pesa como herança é a desorientação da política energética. Calemos sobre as usinas movidas “a fio d água”, cuja eletricidade para viabilizar o empreendimento terá de ser vendida como se a produção fosse firme o ano inteiro e não sazonal. Foi preciso substituir o companheiro que dirigia a Petrobras para que o país descobrisse o que o mercado já sabia, havendo reduzido quase pela metade o valor da empresa.

O custo da refinaria de Pernambuco será dez vezes maior do que o previsto; há mais três refinarias prometidas que deverão ser postergadas ad infinitum. O preço da gasolina, controlado pelo governo, não é compatível com os esforços de capitalização da Petrobras. Como consequência de seu barateamento forçado — que ajuda a política de expansão ilimitada de carros com a coorte de congestionamentos e poluição —, a produção de etanol se desorganizou a tal ponto que estamos importando etanol de milho dos Estados Unidos!

Com isso tudo e apesar de estarmos gastando mais divisas do que antes com a importação de óleo, o presidente Lula não se pejou em ser fotografado com as mãos lambuzadas de petróleo para proclamar a autossuficiência de produção, no exato momento em que a produtividade da extração se reduzia.

No rosário de desatinos, os poços secos, ocorrência normal nesse tipo de exploração, deixaram de ser lançados como prejuízo, para que o país continuasse embevecido com as riquezas do pré-sal, que só se materializarão quando a tecnologia permitir que o óleo seja extraído a preços competitivos, que poderão se tornar difíceis com as novas tecnologias de extração de gás e óleo dos americanos.

É pesada como chumbo a herança desse estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais sensíveis para o futuro da nação.”

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

CPI PRÁ QUE?





Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

Os políticos quando querem aparecer na mídia escrita e falada criam tal Comissão Parlamentar de Inquérito, a famosa CPI na Camara para investigar uma causa ou crime de corrupção que já está à vista de todo Pais pelas informações contundentes investigadas e provadas pela Policia Federal, Militar ou Civil, e divulgada através dos meios de comunicação com detalhes irrefutáveis que penaliza o infrator. Em nosso querido Brasil, terra amada e idolatrada, este tipo de trabalho feito pelo Poder Legislativo Federal, Estadual e Municipal é corriqueiro e é perda de tempo. Quantas CPIs já se formaram para apurar irregularidades já com dados reais que acabam sendo arquivadas ou engavetadas e os infratores libertos ou mesmo inocentados? Quantas? Quantas? E quantas vezes? Mensalão, precatórios, sanguessugas, apropriação indevida do dinheiro público, dos apadrinhamentos e todos saem inocentes, mas limpos e mais valorizados porque os seus pares, aqueles que estão ali para apurar, arranja provas que termina de réu a inocente. Que Pais é este? Porque instalar uma CPI, se a conclusão, quando há não existem réus? Agora neste momento, estamos assistindo uma CPI criada para investigar a driaburas do cidadão Cachoeira, bicheiro de poder incalculável, dos milhões de dólares, que as provas adquiridas e apresentadas pela Policia Federal são contundes com os crimes, que banca “inocente” que foram investigadas por anos a fio, através da “escuta telefônica” com a permissão da Justiça, dados armazenados em computadores e mesmo com a apreensão de material criminoso, nada disso tem valor.   Investigar o que mais? Nada! Todo crime estão as claras, apenas cumprir a lei, penalizar o infrator que seja rico ou pobre, bem como seus asseclas. Mas as CPIs duram meses e anos, fazendo que a população esqueça principalmente se a imprensa se cala. Ninguém aguenta mais este “disse me disse”. A cada instante se descobre alguma factura e se põe a investigar o assunto, com delongas e muitas vezes meses transcorrem sem nenhum resultado. Convocam-se várias pessoas para depor. Cada um diz o que quer sempre se inocentando perante os parlamentares ali exposto a opinião pública. Outros têm o direito de não responder, ficam calado, devido um artigo na Constituição Federal que permite o réu ficar em “silêncio” perante as autoridades inquisidora. Os advogados defendem os seus parceiros com unhas e dentes, mostrando que o réu é um “santinho” que nada fez ou faz. E assim as coisas vão ficando do jeito que “eles” querem. O Mensalão se arrasta a cada dia. Nenhuma prova contra os corruptos, até mesmo a Alta Corte do Pais estão divergindo das opiniões que todo brasileiro vê. O abuso no Poder é corriqueiro e sempre estão estampadas nos jornais e noticias da televisão que dão a veracidade dos fatos apurados pela Policia Federal. E ai? Será que Policia esta inventando estórias para comprometer estes pobres coitados? A Policia tem agido com rigor mas, não pode julgar, apenas apresenta provas contundentes que incrimina os autores. Do jeito que a coisa anda dentro de pouco tempo a população não vai mais acreditar nas investigações e nem nos políticos. Já esta em tempo de decidir, se réus apresentados é culpada ou não, se culpados punir, se inocentes mandem para seus lares e arquive os processos para futuras gerações, se quiserem se aprofundar nesta parafernália de CPIs. Dá uma boa tese de dourado para aqueles que dedicarem a esclarecer os fatos acontecidos nos últimos anos em nosso querido Brasil, Pátria amada e idolatrada por todos nós brasileiros.