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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Só as "Cruzadas"




Por Zezinho de Caetés

Os temas políticos nacionais estão realmente escassos para comentários extensos. Mesmo o pedido de adiamento do prazo de entrega da defesa da ex-presidenta, pelo JECa, não se configura um fato de importância, porque até as emas do Palácio da Alvorada já sabem que não verão a Dilma lá, nunca mais. A não ser como convidada para vender artigos de 1,99.

O assunto ainda é o terrorismo, que levou o Zé Carlos a tratá-lo em sua coluna semanal de uma forma como deveríamos encarar a luta dos petistas para se apegarem aos cargos comissionados, ou seja, com humor.

E, hoje, sem muito tempo, para dedicar a este nariz de cera, apresento um artigo do Hubert Alquéres (“Terror não tem glamour” – Blog do Noblat) sobre o terror e as esquerdas brasileiras, que parecem se alegrar com o que acontece no mundo com os homens bombas, já que se calam diante dos eventos cruéis.

Eu digo, que o episódio da degola do padre francês, foi um motivo menor do que o que tiveram o Papa e os nobres na idade média para convocar As Cruzadas, contra os mouros. Da forma como estão se comportando, quem sabe o Papa Francisco não as convocará de novo.

Fiquem com o Hubert, que eu vou preparar meu estandarte em caso de convocação, durante as Olimpíadas, que é outro assunto a ser tratado, quando tiver mais tempo.

“Passado o primeiro choque da tragédia do atentado no balneário de Nice, na França, o mundo continua atônito.

Hoje sabe-se que a qualquer momento pode surgir um lobo solitário capaz de dar a própria vida para massacrar dezenas de inocentes. Todo o planeta ainda tenta entender o que aconteceu em Nice, Orlando, Paris e em tantos outros locais onde um conjunto de pessoas ou apenas um único indivíduo promoveram tragédias sob a inspiração de organizações como o Estado Islâmico, a Al-Qaeda ou outros grupos terroristas que atuam no Oriente Médio. E o mundo procura encontrar formas para enfrentar o enorme desafio de evitar estes acontecimentos.

No Brasil é de se espantar a enorme dificuldade de parte da nossa intelectualidade e da maioria dos partidos ditos de “esquerda” de assumir uma postura de condenação veemente aos atos que culminaram na morte de tantas pessoas.

Ao contrário, no lugar de condenar chegam a ridicularizar quem se preocupa com a possibilidade deste tipo de evento ocorrer por aqui. Veja o caso da decisão do governo brasileiro de cumprir 12 mandados de prisão temporária de  defensores do Estado Islâmico e que se tornou motivo de desconfiança, chacota e crítica por parte de quem considera ilegítimo ou falso tudo o que venha do governo interino.

Até membros da comunidade acadêmica fazem enorme esforço para justificar teoricamente os acontecimentos promovidos por fanáticos violentos que lutam contra a democracia e a liberdade no mundo.

Alguns glamorizam a barbárie. Interpretam a ação de terroristas como uma heróica ação anticapitalista. Não é à toa que petistas de diversos escalões se colocaram contra a Lei Antiterrorismo; estavam interessados em proteger companheiros mais radicais, como os sem-terra.

Dentro desta ótica, os grupos extremistas teriam um conteúdo revolucionário e contestador ao pregar a luta contra diversos valores da sociedade brasileira.

Não há muito ineditismo nesta interpretação. Estes mesmos pensadores de esquerda já interpretaram a violência e o banditismo como um produto direto da pobreza.  O que é um absurdo. A esmagadora maioria dos pobres não é composta de bandidos, assim como a maioria da juventude da periferia quer distância de selvageria.

A essência de atos terroristas também não pode ser interpretada e amparada por explicações psicológicas ou sociais. Aliás, os terroristas são normalmente de classe média, o que contraria qualquer explicação social desse tipo.

A “ideologia do ressentimento”, inerente aos segmentos que adotam a barbárie como forma de luta, tampouco leva à transformação da sociedade. Não constrói nada. Ao contrário, destrói.

A bandeira do anticapitalismo, por si só, não quer dizer grande coisa. E na história foi argamassa de regimes racistas e genocidas. Nunca é demais lembrar que o nazismo se definia como “anticapitalista”...

Estas violências são absolutamente incompatíveis com o Estado de Direito Democrático.

Do início do século vinte até os dias de hoje, tivemos diversos embates: a revolução russa, o surgimento do fascismo e do nazismo, o stalinismo, duas guerras mundiais, Hiroshima, a guerra fria... Os únicos valores que sobreviveram a tantos confrontos, e se fortaleceram, foram a democracia e a liberdade.

São eles que estão sendo novamente atacados em todo o planeta, de forma sistemática, daí seu caráter deletério.

Aqui os defensores do Estado Islâmico foram amadores e primários segundo demonstram as mensagens trocadas entre eles e monitoradas pela Agência Brasileira de Inteligência. Nossos vândalos não parecem ter grande sofisticação intelectual. Não têm nem mesmo objetivos estratégicos claros. Eles pareciam querer promover apenas uma bravata. Nada disso é menos grave ou menos preocupante. Trata-se de uma espécie de banditismo.


Algo que deveria ser condenado claramente pela intelectualidade, movimentos sociais e forças políticas.”

terça-feira, 26 de julho de 2016

Que sejamos livres, até para votar: O voto facultativo




Por Zezinho de Caetés

Hoje, além de acordar tarde, estou um pouco rabugento por não ter encontrado nenhum texto que possa transcrever, lá em embaixo, para não perder o hábito. Fiquei mais alegre quando encontrei um, do último sábado, do Gaudêncio Torquato, cujo título é: “Hora do voto facultativo”, publicado no Blog do Noblat.

Eu nunca mais havia pensado sobre o tema, e ele me levou a pensar. Ora, se defendemos uma Democracia, que nos proporcione liberdade individual, o máximo que se possa, porque temos que ser obrigados a votar? Eu sei que hoje a multa por não voltar é tão pequena que nos leva até a dizer que não somos obrigados. Mas, como “dura Lex, sed Lex”, ou pelo menos deveria ser, em toda a eleição, mesmo que não queiramos, temos o dever cívico de cumprir as leis, e comparecer à “cabine indevassável”.

Entretanto, venhamos e convenhamos, como é discutido abaixo, por que somos obrigados a votar? Somente para aprender, como se aprendêssemos a votar votando, quando, às vezes é ao contrário, pois desaprendemos a votar? Vide o caso da ex-presidenta renitenta. Se não se fosse obrigado a votar, ela teria, junto com o Temer, 54 milhões de votos? Teria nada! Nem os bolsistas familiares gastariam R$ 3,00 do ônibus para nela votar, pois, a grande maioria não sabia o que está fazendo, ou acreditaram na mentira da “madame”.

Podem dizer que sou um “elitista” do voto, e que estou imitando Pelé que disse ser o povo brasileiro muito bugre para votar. Eu penso não está sendo elitista porque grande parte dos votos no Lula e na Dilma veio dos detentores da riqueza da nação, em troca de sítios e apartamentos e financiamentos de campanha. Eles também não sabem votar.

E aí, algum outro cético pode perguntar: “Então, para você, só vota certo quem vota contra o PT?”. E eu fico me esforçando, me contendo mesmo para não dizer que sim. Mas, refreio-me e digo a ele que alguém pode votar no PT, e saber votar, porém só aquele que sabe que assim fazendo nunca mais este partido voltará ao poder.

É claro que com o voto facultativo, menos gente, votaria em Lula novamente, mas, não é só por isso que o defendo, e sim, porque são aqueles que saem de casa de forma consciente para exercer o seu direito e não fustigado pela lei, para cumprir um dever.

Deixo-os agora com o Torquato, com quem concordo que chegou a hora do voto facultativo, já que teremos que fazer um reforma política que nos dê representatividade maior para influir nos nossos destinos, não em termos de quantidade, mas, de qualidade.

“O voto é um dever cívico ou um direito subjetivo? A instigante questão diz muito a respeito da qualidade de um sistema democrá­tico. No nosso caso, a resposta é dada pela Constituição, que torna o voto compulsório, exceção feita aos jovens entre 16 e 18 anos, eleitores com mais de 70 anos e analfabetos. Quem deixar de votar e não apresentar justificativa plausível estará sujeito a sanções.

Que implicações haveria para a democracia brasileira caso o voto fosse facultativo? O primeiro efeito seria a quebra de cerca de 30% na participação da população nas eleições, conforme projeções feitas por estudiosos do sistema elei­toral. Algo em torno de 102 milhões de eleitores, considerando um eleitorado de 146.470.880.

Esse volume menor não significaria, porém, enfraquecimento da nossa democracia representativa, como alguns querem comprovar sob o argumento de que o País ainda não alcançou grau elevado de institucionalização política. Tal abordagem não resiste a uma análise mais acurada.

Para início de conversa, há um dado irrefutável que precisa ser levado em consideração: com o somatório de abstenções, votos nulos e em branco, ocorre uma quebra de 25% no resultado geral, conforme tem ocorrido em eleições. No pleito de 2012, este número foi de 26% no segundo turno. E dos cerca de 31,7 milhões de eleitores aptos a votar nas 50 cidades que tiveram disputa de segundo turno, 19% não compareceram às urnas. Em São Paulo, capital, 19,99% não foram votar.

Minoria ativa ou maioria passiva?

Em suma, o voto, apesar de obrigatório, queima considerável parcela da votação, sendo razoável projetar para este ano mais de 37 milhões de votos que não entrarão na planilha da apuração. Já o voto facultativo, significando a liberdade de escolha, o direito de ir e vir, de participar ou não do processo eleitoral, abriga a decisão da consciência, calibrada pelo amadurecimento.

Se milhões de eleitores pudessem abster-se  de votar, por livre e espontânea vontade, outros milhões compareceriam às urnas com discernimento para sufragar nomes e partidos previamente selecionados. O processo registraria índices bem menores de votos nulos e em branco, eis que a comunidade política, ativa e participativa, afluiria em peso aos locais de votação.

É falaciosa a tese de que a obrigatoriedade do voto fortalece a instituição política. Se assim fosse, os EUA ou os Países europeus, considerados territórios que cultivam com vigor as sementes da democracia, adotariam o voto compulsório.
O fato de se ter, em algumas eleições americanas, participação de menos de 50% do eleitorado não significa que a democracia ali seja mais frágil que a de nações onde a votação alcança dados expressivos.

Como observa Paulo Henrique Soares, em seu estudo sobre a diferença entre os sistemas de voto, na Grã-Bretanha, que adota o sufrágio facultativo, a participação eleitoral pode chegar a 70% nos pleitos para a Câmara dos Comuns, enquanto na França a votação para renovação da Assembleia Nacional alcança cerca de 80% dos eleitores. Portanto, não é o voto por obrigação que melhorará os padrões políticos.

A elevação moral e espiritual de um povo decorre dos níveis de desenvolvimento econômico do País e seus reflexos na estrutura educacional.

Na lista do voto obrigatório estão os territórios da América do Sul, com exceção do Paraguai, enquanto a lista do voto facultativo é integrada por Países do Primeiro Mundo, os de língua inglesa e quase todos os da América Central.

A facultatividade do voto, ao contrário do que se pode imaginar, animaria a comunidade política, engajando os grupos mais participativos e vivificando a democracia nos termos apregoados por John Stuart Mill, numa passagem de Considerações sobre o Governo Representativo, quando divide os cidadãos em ativos e passivos. Diz ele: “Os governantes preferem os segundos – pois é mais fácil dominar súditos dóceis ou indiferentes –, mas a democracia necessita dos primeiros. Se devessem prevalecer os cidadãos passivos, os governantes acabariam por transformar seus súditos num bando de ovelhas dedicadas tão somente a pastar capim uma ao lado da outra.”

Valorizar o voto dos mais interessados e envolvidos na política, pela via do voto consciente, pode evitar que conjuntos amorfos participem do processo sem convicção. Alguns poderão apontar nisso posição elitista. Ao que se contrapõe com a indagação: o que é melhor para a democracia, uma minoria ativa ou a maioria passiva? A liberdade para votar ou não causaria um choque de mobilização, levando lideranças e partidos a conduzir um processo de motivação das bases.

Momento adequado

O voto obrigatório remonta à Grécia dos grandes filósofos, tempos em que o legislador ateniense Sólon fez a lei obrigando os cidadãos a escolher um dos partidos. Era a forma de conter a radicalização de facções que quebravam a unidade em torno da polis. Ao lado da proibição de abstenção, nascia também ali o conceito de distribuição de renda.

Já entre nós, a obrigatoriedade do voto foi imposta nos tempos do Brasil rural. O voto compulsório se alojou no Código Eleitoral de 1932, tornando-se norma constitucional em 1934. O eleitorado abarcava apenas 10% da população adulta. Temia-se que a pequena participação popular tornasse o processo ilegítimo. Hoje a paisagem brasileira é essencialmente urbana e os desafios são bem maiores.

Resumo da história: o governo promete votar até o fim do ano dois instrumentos da reforma política - a implantação da cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais. Sem dúvida, trata-se de duas disposições que enxugarão a planilha partidária, hoje composta por 33 partidos. A sugestão é que o voto facultativo também seja inserido na reforma política. O momento é mais que adequado.


O voto não é um dever, mas um direito. E o cidadão deve ter liberdade de usar esse direito, se for o caso, com o não-voto. Ou com melhor disposição cívica de comparecer às urnas.”

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A semana - Terrorismo, "Whatsapp" e a poesia do Temer




Por Zé Carlos

Sem seguir uma ordem cronológica rígida, eu diria que esta semana que passou foi protagonizada pelo terrorismo. Aliás, isto já havia acontecido na semana que passou, e sempre esperamos que não aconteça na semana seguinte. Já posso começar por Munique, onde um atirador, que era terrorista no início e depois passou a não o ser, matou não sei quantas pessoas. Vi a cena nas TVs e mídias, e, ao mesmo tempo que lembrei das olimpíadas de 1982, se não me engano, quando, lá mesmo em Munique, mataram, em nome de uma fé, alguns que professavam outra fé. É triste, mas, é a meta principal desta coluna, transformar as maiores tristezas em alegrias. E já prometo aqui, se esta meta não for atingida, faço, como nossa musa, a Dilma, eu a dobro.

No ataque de Munique vi que o atirador escolheu a frente de uma lanchonete MacDonalds como sua trincheira. Será que ele não gostou do preço do Big Mac, ou, sua mãe não comprou um dos bonequinhos daqueles que fazem do local, para os meus netos, um dos melhores restaurantes do mundo? A polícia ainda está procurando as causas. Quem sabe se esta coluna fosse escrita em alemão, e ela a lesse, não seria por aí?

Eu teria um gosto terrível, se a partir deste parágrafo, pudesse deixar o terrorismo de lado. Não é possível. Pois, como todos vimos, ele chegou ao Brasil, e junto com as Olimpíadas. E como eu sempre digo, este fato seria trágico se os brasileiros não o transformassem cômico, com nossa capacidade de fazer humor, o que nos torna uma raça superior. Eis o que aconteceu.

Estou em minha casa, ou como se dizia, no recôndito do meu lar, tentando acompanhar as notícias para servir aos meus 16 leitores (soube que apareceu mais um para sorrir), e, eis que senão quando, aparece uma figura na TV dizendo que fora desbaratada uma célula terrorista que estaria pronta para atacar, durante a efeméride olímpica. Pela figura, e pelo que dizia, eu não poderia pensar outra coisa, com a idade que tenho. Logo me veio a cabeça: “o Kojac voltou!”. Aquilo só poderia ser uma propaganda da volta do seriado que assistia nos anos 70, e que meu deu tanta alegria e emoção. Nela o senhor dizia que ainda não sabia quem eram as 10 pessoas envolvidas e que não poderia dar detalhes devido às investigações. Só sabia que era um grupo amador e que um tinha jurado fidelidade ao Estado Islâmico pelo o Whatsapp (volta daqui a pouco ao este tema que também “bombou” na semana) e que queria comprar um rifle AK-47. Ora, se o grupo era amador, e não tinha nem um rifle, e talvez nem mesmo uma espingarda soca-soca, eu só poderia pensar que era o Kojac que voltaria num seriado de humor. Ri mais quando descobri que não era o Telly Savalas (nota aos jovens: este era o ator que fazia o Kojac no seriado original) quem estava falando, mas, o nosso Ministro da Justiça, cuja semelhança com o protagonista da série é espantosa.

E para quase terminar o assunto do terror, levando a mensagem de que “faça humor não faça terror”, vi depois, que um dos terroristas procurados se entregou à polícia de forma ordeira e pacífica. Ou seja, era um verdadeiro terrorista brasileiro. Fique-se sério com uma coisa dessas! Penso que nem o sério Sérgio Moro aguentou e disparou uma gargalhada, aliás, que era o que queria fazer quando interrogava o João Santana e a mulher, mas, deixa isto para depois.

Disse terminar, acima, porque, no Brasil, o terrorismo, parece e é o meu desejo, virou humorismo explícito. É que apareceu, ontem, um "terrorista" baiano, que queria explodir uma universidade. Logo na Bahia, terra de Nosso Senhor e do Jorge Amado. Descobriu-se depois que as bombas que estavam presas aos seu corpo para perpetrar o atentado, era gengibre enroladinhas. Ou seja, tivemos até o "terrorista acarajé". Chamem o Kojac, urgente. Precisamos rir juntos.

E, parece até, que é quando o Congresso está em recesso branco que mais o humor abunda neste Brasil, o que é algo inesperados. E já que falei em juiz, não poderia deixar de abordar o tema da semana que foi a proibição do Whatsapp, de que até o Zezinho de Caetés falou esta semana aqui no Blog (aqui). Alguns perguntarão o que isto tem a ver com política? Ora, meus senhores, este aplicativo hoje é usado até para matar mosquito. Existem hoje duas classes sociais no Brasil, a dos que o usam e a dos que não o usam, que está em extinção. E vem um magistrado ou uma magistrada, e nas caladas dos autos jurídicos, proíbe o Brasil de se comunicar, proibindo o Whatsapp no Brasil. Aqueles que não sabiam outras línguas, como por exemplo o Telegram, simplesmente ficaram cegos, surdos e mudos. Quando pensamos que uma das funções principais do aplicativo hoje é propagar as mentiras dos políticos, está aí a relação com a política. E com o humor, nem se fala, pois quem é hoje, sem o “zap-zap”, que pode rir sozinho feito uma besta, ao ler uma piada mandada por grupo?

E falando de mentiras, não poderia de aqui tocar num encontro que tive com o Filósofo de Bom Conselho, sim, aquele cara que lá vive apenas pela emoção de pisar em seu solo, sagrado para ele, que não entende quase nada de política, mas filosofa que é uma beleza. Ele esteve em Caruaru e tocamos num ponto essencial para o político, e que já causou a subida e a queda de tantos, durante a história. E eu de cara perguntei: “Político mente?”. Quando pensei que ele iria me espinafrar pela quase criancice da pergunta, ele, como qualquer filósofo, começou a filosofar:

“Caro amigo, todo político mente, assim como qualquer pessoa o faz. É um fator intrínseco ao ser humano desde os primórdios. Veja que, quando nascemos, a primeira coisa que ouvimos é uma mentira: “Olha que bonitinho!” Quando sabemos que um joelho não é bonito, e é a cara de todos os nascituros. E continuando na História. Vejam que todo o cristianismo floresceu a partir das mentiras de São Pedro. Já pensou se ele dissesse ao centurião romano que estava com, e era amigo de Jesus, naquela fatídica noite da prisão do Mestre? Teria sido morto, e o cristianismo até poderia ter existido, mas, sem Papas; e não estou dizendo aqui se seria melhor ou pior o mundo se isto tivesse acontecido. E sendo mais moderno já pensou se o Bill Clinton não tivesse dito: “Eu não fiz sexo com aquela mulher”, talvez o Trump já teria sido presidente no lugar de Obama.

Então, todos mentimos, uns mais outros menos. E por isso que, ao vagar pela Serra de Santa Terezinha, e pensar nos políticos de minha terra, eu resolvi criar um artefato para responder melhor perguntas como as suas. Criei o “mentirômetro”. É um equipamento que quando aplicado em alguém nos mostra o grau de mentiras ou de mentiroso daquele indivíduo. Este dispositivo foi testado e retestado por um longo tempo, e, devido sua eficiência e acurácia, já foi transformado em aplicativo para celulares, e cujo sucesso, em Brasília, já está me rendendo um dinheirinho. É uma ideia muito simples. Quando aplicado, ele nos diz numa escala de 0 a 100, qual o grau da mentira que está sendo dita pelo usuário, ou seja, 0 é a verdade absoluta e 100 é a mentira absoluta.

Quando era um equipamento simples e provinciano, testei em vários políticos da terra de Papacaça, para comprovar cientificamente que todos os políticos mentem, e não deu outra. Todos os graus variaram entre 20 e 50, com uma exceção para o Coronel que cravou 82, e para Padre, que cravou 12. Hoje, já com seu avanço tecnológico, e quando aplicada lá em Brasília, já encontrou-se políticos até com 98 como o Paulo Maluf. Nos últimos dias houve um problema com o aplicativo quando se tentou aplicá-lo ao Eduardo Cunha. Dizem que o celular esquentou tanto que não deu para ver a medida, e quando aplicado em Dilma, o celular simplesmente explodiu.”

Depois desta conversa, meus caros leitores, ou pelo menos os que usam celulares, baixem o aplicativo do Filósofo de Bom Conselho (a quem agradeço pelas informações), porém, tenham cuidado quando o aplicarem a alguns políticos. E já que falamos da nossa musa, a Dilma, o que ela aprontou, de humor, durante a semana? Vocês podem até não acreditar mas foi o uso de uma piada antes dita pelo Lula, que o levou a não sair do rol dos melhores humoristas que com conosco colabora: “Eu não sabia!”, que fez o brilho dela. Tudo se passou quando a dupla de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, declararam ao sisudo juiz Moro que receberam uma “fábula” de dinheiro para vender o produto Dilma nas eleições de 2014, uma grande parte, foi através do “Caixa 2”. Ora, todos ficaram calados porque isto era mais velho do que o Sarney. No entanto, quando a nossa musa declarou no ser twitter: “Não me preocupa porque eu não autorizei o pagamento de caixa dois para ninguém. Pelo contrário, na minha campanha eu procurei sempre pagar o valor que eu achava que devia a ele. Se houve pagamento de caixa dois não foi com o meu conhecimento”. Ou seja, ela “não sabia!”, a risadaria foi geral. E aí ela mostra o porquê eu estou doidinho para que venha o impeachment, e só assim ela possa ser contratada por esta coluna em tempo integral. A coluna será humor garantido ou o seu tempo de volta.

Por ter falado em Lula, que andou um pouco sumido dos palcos durante a semana, li que o MPF de Brasília o denunciou, de novo, por tentar obstruir a Justiça tentando comprar o silêncio do Nestor Cerveró, junto com o Delcídio. Eu até agora não sei por que ainda se tenta denunciar o Lula, este pobre retirante nordestino, que nunca teve nada na vida, e se disserem que ele teve, ele nega. É uma crueldade. Um homem que viveu sua vida toda de favores, em sítios, apartamento à beira mar, e fazendo pequenos shows de humor por este Brasil afora, não pode ser denunciado assim todos os dias, quando se sabe, que já tem a sua grande defesa: “Eu não sabia!”. Aliás, já se cogita, assim que a Dilma for para Porto Alegre, e se o Lula ainda estiver solto, um show conjunto da dupla cujo título seria: “Se era caixa 2, eu não sabia!”. Como o João Santana está preso, quem vai fazer a propaganda o do show será o Duda Mendonça. Tem tudo para estourar nas paradas.

E, mudando de assunto, mas não de humor, li que o “grande lance” agora é o Poeta Temer. Sim, o Michel Temer escreveu um livro de poesias chamado de “Intimidade Anônima”. Numa de suas poesias, a mais citada na mídia, “Vermelho”, ele diz:

“De vermelho / Flamejante / Labaredas de fogo / Olhos brilhantes / Que sorriem / Com lábios rubros / Incêndios / Tomam conta de mim / Minha mente / Minha alma / Tudo meu / Em brasas / Meu corpo / Incendiado / Consumido / Dissolvido / Finalmente / Restam cinzas / Que espalho na cama / Para dormir”.

Eu gosto de poesia e meus leitores também. Tem até um que é um poeta muito bom, apesar de não ler meus longos textos, indo apenas até o meio, e eu me emociono ao lê-lo. Quanto ao Temer, não sendo justo, como sempre tento ser, pois este é só um exemplo, eu diria que gosto mais dele batendo na mesa, do que como poeta. Este negócio de “Vermelho” deve ter sido inspirado em sua convivência com Dilma. Bem, cada um, em poesia, é que deve saber onde amarra seu jegue, mas, gostei mais de sua outra poesia: “Radicalismo”, cujo texto é o seguinte:

“Não, nunca mais”

Eu achei muito melhor esta última pois tenho certeza que partiu de uma premonição, ou de um sonho, onde ele encontraria a Dilma e a recitava para ela. Parece que o sonho está se realizando, tanto pela economia de palavras, como para eu concluir que será com mais sucesso dele se ficar só neste livro e se dedicar a fazer mais economia no governo, porque, senão, ela volta.

E a grande dúvida, nesta semana e talvez na outra, é se a Dilma, nossa musa, irá ou não à abertura dos jogos olímpicos. Todos os ex-presidentes, segundo a mídia, desistiram de ir, dizendo que não querem levar vaia. Todavia, se usarmos o “mentirômetro” do Filósofo de Bom Conselho, diante desta declaração, ele irá a pelo menos 99,99999.... Se eles dissessem que não iriam lá porque não queriam ficar junto da nossa musa, aí sim, o útil aparelhinho marcaria 0,00000001. Porém, está quase certo que quem levará a vaia sozinho será o Temer. Veremos qual será a melhor solução em breve. Eu ainda estou propenso a concordar com o nosso colaborador, o Zezinho de Caetés, quando diz que carioca, que vaia até minuto de silêncio, não vaia mulher bonita. Leve a Marcela, Temer!


E assim termino esta aterrorizante semana, esperando que a próxima seja só de humor e alegria, que é o que o Brasil está precisando. 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Às ruas no dia 31. "Chega de tanta merda!"




Por Zezinho de Caetés

Hoje, ao ler a mídia, deparei-me com a conversa do João Santana e da Mônica Moura, sim, aquele casal que vendeu “gata por lebre” na eleição de 2014, convencendo a 54 milhões de brasileiros de que a Dilma, cada vez mais ex-presidenta, de que ela era a melhor para presidir o Brasil, com o juiz Sérgio Moro.

Foi caixa 2 mesmo, excelência”, foi o mínimo que se ouviu sobre o financiamento da campanha para convencer o distinto público da lorota desvairada. Continuei minha leitura, e encontrei um texto do Ricardo Noblat que me chamou atenção pelo título: “Deu merda de novo!”. Ora, pensei ter ele escrito sobre o financiamento de campanha. Ledo engano.

No Brasil está aparecendo tanta merda junta, que perdemos até o pudor ao chamar cocô, de merda. E isto é bom. O Brasil, para não ir totalmente para merda, tem que descobrir quanta merda o PT fez para ele pegar este rumo.

O texto do Noblat, transcrito abaixo, fala de outra merda, esta feita pelo Temer, que, como se sabe, está indo muito bem, mas, de vez em quando, dar cagadas que podem lhe ser fatais e ao Brasil. No caso, foi o boato da nomeação para o Ministério do  Turismo, de uma indicado de Renan Calheiros. E a pergunta,  que o articulista faz indiretamente, é se o Renan pode indicar alguém que não dê em merda, para o Temer, e também lembra de outras cagadas recentes.

Ao lê-lo, minha pergunta foi outra: “Será que o Brasil vai sair da merda?”. E eu mesmo respondo que só existe uma possibilidade para isto acontecer. Que o povo brasileiro descubra que ao se manifestar nas ruas, de forma pacífica e ordeira, contra o fedor que ainda paira, deixado pelo conjunto da obra [com trocadilho] de Dilma, a resposta pode ser positiva.

Temos, no dia 31 de julho, mais uma oportunidade de nos manifestarmos, contra a corrupção, pelo Fora Dilma e PT nunca mais. Se fracassarmos, ficando em nossas residências esperando que o fedor acabe sozinho, morreremos asfixiados por ele.

Fiquem com o Noblat, que eu vou me preparar pintando um cartaz, bem grande para, com todo meu otimismo, ir para a grande manifestação: “Chega de tanta merda!

“No seu terceiro mês de existência, o governo do presidente Interino Michel Temer já adquiriu duas fortes marcas, uma boa e outra ruim. A boa: eventuais crises políticas entram no Palácio do Planalto com determinado tamanho e saem dali bem menor.

A marca ruim: é o governo, e mais ninguém, que cria situações capazes de desgastá-lo.  Foi assim quando Temer se viu forçado a demitir ministros encrencados com a Justiça. Ele conhecia o prontuário de cada um deles, mas mesmo assim os nomeou.

Haverá novo desgaste se ele nomear Ministro do Turismo – ou se não nomear – o deputado federal Marx Beltrão (PMDB-AL), indicado para o cargo pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Beltrão é réu no Supremo Tribunal Federal por crime de falsidade ideológica.

Pouco importa que mais tarde possa ser absolvido. Não é possível que o serviço de inteligência do governo não tenha informado a Temer que Beltrão é réu na mais alta corte de Justiça do país. Então por que Temer deixou vazar a informação de que o nomearia ministro?

Para fritá-lo? Se foi para isso, Temer ficará mal com Renan caso desista da nomeação. Se deixou vazar porque seu propósito é de fato nomeá-lo, ficará mal com grande parcela dos brasileiros revoltada contra políticos com má fama, políticos simplesmente suspeitos, e políticos em geral.

O mais espantoso é que essa não será a primeira vez, nem a segunda, nem a terceira que Temer se permitirá o desgaste de convocar para servi-lo quem não deveria ser convocado. Se o fez para agradar Renan, o desgaste será só seu. Renan já não se desgasta mais com essas coisas.

Não haverá ninguém ao lado de Temer para em situações como essa adverti-lo sem meias palavras: “Presidente, vai dar merda!” Se Lula teve, não levou em conta as advertências. Dilma não teve. Ninguém teve coragem para exercer tal papel. Ela não escutava ninguém.


Sabe-se que Temer, por elegância e boa educação, não tolera bocas sujas ao seu redor. “Merda”, para ele, ainda soa como um palavrão. Então que alguém pelo menos lhe diga quando necessário: “Presidente, vai dar errado”. Temer tem fama de saber escutar.”

quinta-feira, 21 de julho de 2016

O Whatsapp, a Lava Jato e o impeachment




Por Zezinho de Caetés

Os políticos estão em recesso, catando voto para eles ou para os seus candidatos, que em outubro invadirão à área para se locupletar dos governos municipais. São milhares de vereadores e prefeitos, Brasil afora, tentando “ajudar” suas cidades, de uma forma ou de outra.

Eu estou por fora desta política, em meu município, e só espero que vença o melhor, seja lá o que isto queira dizer. Caetés, apesar de mim e do Lula, merece isto. E minha preocupação, como todos sabem é com a política nacional, que está parada ou na Lava Jato, ou no Eduardo Cunha ou no impeachment da Dilma.

E qual seria minha grande preocupação no momento? Pasmem, ela se refere a quando ficaremos seguros de que o Whatsapp não será mais proibido no país. Aconteceu mais uma vez o descalabro, esta semana. Uma juíza do Rio de Janeiro, querendo se locupletar das mensagens deste aplicativo para resolver os problemas da Justiça. E nós, pobres usuários, que nos habituamos até a tomar café, almoçar e jantar, trocando mensagens, ficamos mais uma vez, como se diz “na mão”.

E eu fiquei só observando o tempo que foi gasto neste país em discussões sobre se a juíza estaria certa ou errada, até quando o STF, através do Ministro Lewandowski, a proibiu de proibir as comunicações. Ele disse que a ação feria o direito de comunicação e expressão, o que acho correto, mas, que não nos deixa tranquilos quanto ao abuso de quem usa o Whatsapp para cometer crimes.

E a grande discussão nestes dias é: Como resolver esta questão? Ou seja, como conciliar o potencial ofensivo do aplicativo com seu potencial positivo para os que o utilizam? Ora, caros leitores! Este dilema é mais velho do que o Brasil, ou mesmo do que o mundo. Afinal de contas, quando Deus o criou, achou que tudo que havia criado era bom. E deu no que deu. Apareceu a serpente. Lula pensou que estava fazendo o bem quando disse que no Congresso havia 300 picaretas, e hoje, sabendo que tem mais do que isto, não fala mais nada.

O certo é que não podemos proibir as coisas que trazem nelas embutidos tanto o bem quanto o mal, a não ser com um processo decisório perfeito, o que não cabe aos seres humanos. No fundo, todas as ações humanas são assim. Se não tivéssemos libertado o átomo não teríamos a bomba atômica, porém, não teríamos também todos o benefícios possíveis da energia nuclear.

Cabe aos homens, com suas próprias análises e escolhas, e aí voltamos à política, de como impedir o mal e usufruir do bem de todas as coisas. Em outras palavras, minorar as desigualdades sociais é muito louvável e bom, mas, eleger o Lula e a Dilma com a ideia de que eles sabem o que vem a ser isto, é trágico, como vemos hoje da situação brasileira.

Tudo depende de nós, e é esta dependência que nos leva a escolher os melhores regimes políticos ou de escolhas dentro da sociedade, que, a meu ver, não apareceu outro melhor do que aquele com tem como base a Democracia, Estado de Direito e Liberdade Econômica, com um mínimo de Estado, necessário apenas para mostrar o grau de nossa imperfeição.

Meu Deus, quis fugir da política e o que consegui foi apenas digitar no Whatsapp e mandar para a AGD este texto, indicando o texto da Helena Chagas, que achei interessante para refletir sobre estas questões (“A hora da régua da Lava Jato” – Blog do Noblat).

Fiquem com ela que agora vou ver o que os meus grupos do Whatsapp estão dizendo, sobre a operação Lava Jato.

“Até agora, quebraram a cara todos os que apostaram num hipotético acordão para enterrar a Lava Jato. O que não quer dizer que a operação não esteja chegando perto do fim, pelo menos na modalidade Curitiba, e que não esteja se aproximando o momento de passar a régua e definir quem sai e quem fica na chapa quente - o que deve se dar em Brasília, no âmbito do STF. Ninguém espera que seja assada uma pizza no plenário do Supremo, que tem dado fortes sinais de seriedade na investigação. Mas não se imagina também que, a esta altura, depois de tantas cabeças importantes roladas e um monumental avanço no combate à corrupção, o furacão continue soprando tão forte. Já derrubou a presidente da República - que não está diretamente envolvida -, o presidente da Câmara, este sim atolado até o pescoço, e muitos estão a caminho do cadafalso. A idéia do final apocalíptico para a Lava Jato, com aquele cenário da destruição total de tudo e de todos - centenas de parlamentares citados, de praticamente todos os partidos - vai, porém, ficando mais remota.

Quem acompanha as investigações garante que ainda vem muita coisa por aí, e muita coisa dramática, sobretudo a partir das delações da Odebrecht e da OAS. Depois delas, vai ficar mais fácil contar nos dedos quem não recebeu dinheiro  do que quem recebeu.

Paradoxalmente, contudo, essas delações serão o divisor de águas, marcando a etapa final da Lava Jato, a partir da qual será possível desenhar o fim. Dois outros fatos corroboram esse raciocínio: 1. A queda de Eduardo Cunha, que mais dia, menos dia, será cassado e, possivelmente, preso, jogando um peixe grande, enorme, na rede; 2. O discurso recente do juiz Sérgio Moro, cobrando duramente do Executivo e do Legislativo providências para combater a corrupção, num tom de quem diz que já fez a sua parte e que a bola agora está com eles.

Moro está quase completando a missão porque a grande maioria das centenas de políticos envolvidos, ou a envolver, tem foro privilegiado e será processada em Brasília, para onde a Lava Jato vem escorrendo. Pode caber a Curitiba julgar, sentenciar e mandar soltar os executivos das grandes empreiteiras que fizerem a delação, mas os processos contra os políticos citados vão subir para a instância superior. Tanta gente que o STF vai ter que montar uma tabelinha com os nomes de quem fez o quê e estabelecer os critérios e parâmetros para sua punição. É isso que, na aparente tranquilidade do recesso, meio mundo político já está discutindo em Brasília.

Ninguém sabe ainda a opinião do seriíssimo Teori Zavascki, que vai conduzir o processo. Mas caciques de partidos importantes estão convencidos da possibilidade de o STF conseguir separar o joio do trigo - acreditando, é claro, que não sairá só joio nessa colheita. Para isso, terá que separar os acusados em pelo menos três grupos: 1. Quem recebeu propina de desvios de dinheiro público e tem claro envolvimento com os esquemas de corrupção, como contas no exterior, patrimônio milionário, etc ; 2. Quem recebeu doação de empresas envolvidas em corrupção no caixa 2, mas não estaria envolvido na corrupção; 3. Quem recebeu doações legais dessas empresas.

São situações bastante diferentes, e entre elas haverá inúmeras gradações, mais ou menos comprometedoras, que vão depender de provas e outros desdobramentos. Pode não ser fácil, mas é possível delimitar casos de corrupção pesada de delitos eleitorais, nos quais todos querem se enquadrar. A movimentação dos caciques é no sentido de que essa seja a porta da salvação - ou de uma pena suave - para muita gente.

Só o tempo dirá se e para quem vai dar certo. Até mesmo a assessoria do presidente interino, Michel Temer, indagada pelo jornal O Globo, na semana passada, a respeito de encontro com o executivo Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, intermediado por Eduardo Cunha, confirmou a reunião, informando que o que foi tratado: uma doação oficial da empreiteira ao PMDB. Até prova em contrário, não é crime.

É por aí que vai entrar a régua da Lava Jato, que, além de separar as cabeças que serão cortadas das que não serão, vai também administrar aquele ativo chamado tempo e mudar o ambiente. Os ritos do STF são mais demorados (o Mensalão levou anos para ser julgado), as tramitações menos trepidantes, as surpresas menos excitantes. Baixa-se o pano do espetáculo emocionante das operações e prisões quase diárias de Curitiba e entra-se num roteiro menos movimentado e intenso, ainda que cumprindo a obrigação legal de apurar, julgar e condenar quem merecer. Pelo menos esses são os planos.


Há sempre o risco de a régua deixar de fora muita gente que deveria estar dentro, ou o contrário. Injustiças podem ser cometidas nessas horas, e a opinião pública pode continuar vigilante. Acima de tudo, porém, o ambiente político está mudando. Nos bastidores dessa nova ópera, além dos movimentos dos políticos para salvar a própria pele, há argumentos que podem sensibilizar o establishment e as autoridades do Judiciário e do Ministério Público: o país tem que voltar a andar e a economia não suporta mais um ano perdido entre sobressaltos das investigações da Lava Jato e de seus imponderáveis filhotes.”