Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

100 anos de Seu Carlos, sem tristeza!


Seu Carlos (sentado) e irmãos: Geraldo, Joaquim, José e Vital.


Por Zé Carlos

No dia 09 de fevereiro de 1916, se tudo foi declarado corretamente ao cartório e à Igreja, nascia em Bom Conselho, um menino chamado Carlos. Portanto, se vivo fosse, ele estaria hoje completando 100 anos de idade. No entanto, ele morreu com 63 anos, e deixou muitas saudades.

Como qualquer menino daquela época, filho de classe média, ele foi à escola e começou a aprender a ler e a escrever. Não sei se conseguiu fazer estas duas coisas com desenvoltura nas crianças normais, porque o Carlos, aos 9 anos ficou cego.

Até hoje, ninguém sabe, ao certo, o que o cegou. São versões que não importam mais. Na época, a realidade era apenas que seus pais estavam, com uma criança em casa, cujo único defeito era não poder usar seus olhos para ver a realidade da vida.

Indo ao futuro, talvez hoje isto não acontecesse, e saindo de Bom Conselho naquela época, talvez, seus olhos não tivessem se apagado para vida. Lamentar? Pode até ser. Tenho certeza de que seus pais e irmãos lamentaram muito na época. Porém, tenho certeza hoje, de que, quem menos lamentou foi o Carlos. Isto digo porque convivi com ele durante muito tempo.

Na década de 20 em Bom Conselho, penso que seus pais não tiveram muito tempo para nem para lamentar. A vida se sobrepunha a qualquer vontade de chorar, desesperar ou reclamar. Ela continuava. Era uma criança, com 10 anos de idade, cega, e que precisava continuar vivendo.

A força da religião deve ter sido muito importante para seus pais, ao tentarem continuar dando o que podiam àquela criança. Eram 5 irmãos e todos deveriam sobreviver de alguma forma. A Carlos, foi traçado o seu destino, pela sua mãe: “Ele fica aqui em casa me ajudando!”. Certamente, deve ter acrescentado: “Deus quis assim, e assim deve ser.

E assim foi determinado e assim foi feito. Carlos seria um empregado doméstico dos seus pais. E deve ter desempenhado a função com distinção e louvor, pelo que conheci dele. Embora, não estivesse satisfeito com o que para ele determinaram. Isto foi comprovado aos 17 anos, quando seu pai, dono de uma padaria, resolveu levar o menino para fazer um trabalho em seu negócio, que achava ele, não exigia muito da visão. O menino obediente foi, com todo prazer, usar os braços ao invés dos olhos.

Quando ele voltou para casa, disse ter ouvido sua mãe falar alto: “Carlos, os pratos não foram lavados ainda. Vá lavá-los!”. Ao que o menino, já um rapazinho, respondeu: “Mãe, eu não vou mais lavar pratos, eu vou trabalhar na padaria, com Pai!” Naquela, época não havia ainda o tratamento de Papai, ou Painho, Mamãe ou Mainha, muito mais moderno. Mas, isto não importa, e sim, segundo ele, a raiva e desgosto de sua mãe, depois de se convencer que Carlos não estava brincando e que realmente iria trabalhar na padaria. Com os preconceitos que envolvia a classe média daquela época, e hoje também, sua mãe disse: “Não tive um filho para ser cassaco de padaria!”.

No entanto, a vontade dele e do pai superaram os preconceitos maternos, que são perdoáveis, porque mãe é mãe, e ele foi servir a outro senhor que era o seu pai. Inicialmente, tudo era uma brincadeira de ajuda de filho, mas, Carlos, queria viver sua vida, como todos os outros seus colegas de padaria. Exigiu receber uma paga como os outros, e passou a gerir o seu futuro.

Eu, tempos depois, pensei e pensei sobre o significado do trabalho para as pessoas e tentei relacionar estes pensamentos com a batalha do Carlos pela sobrevivência. E, talvez com um pouco de exagero posso dizer que, o trabalho trouxe seus olhos de volta, ou talvez, de uma forma mais realista, ele descobriu que não precisava mais deles para viver e ser feliz.

E assim continuou Carlos como um exímio cassaco de padaria, até descobrirem que eram poucas as tarefas que ele não poderia exercer em seu novo ofício. Em algumas até se revelava que, o que é um defeito para uma atividade pode ser uma virtude para outra. E assim foi ele ganhando a confiança do pai, e até a da mãe, que se acalmou quando o viu alegre e lampeiro, ao chegar do duro trabalho.

Dentro em pouco ele dominava todas as tarefas e começou a sonhar mais alto ainda. Com a convivência com seus colegas de trabalho, nem sempre dotados do mais alto senso de pudor, ele descobriu que o mundo era muito cheio de perigos e emboscadas, e de brincadeiras, não em relação à falta dos seus olhos, mas, em relação à sua sexualidade.

Não deu outra. Já em plena luta pela vida, ganhando seu dinheirinho suado, querendo ter uma vida plena, resolveu se casar. Se, nesta época de donzelices perenes até o casamento, já era difícil para pessoas normais, como o Carlos iria encarar esta importante missão em sua vida. Mas, como sói acontecer, quando a vontade se apresenta, os meios parecem aparecer de alguma maneira. E em seu caso, foi mais fácil.

Sua mãe, vendo o que o angustiava, encontrou uma solução, que se mostrou a mais importante da vida dele e de todos que o conheceram. Chamou Carlos e deve ter dito mais ou menos o seguinte: “Carlos, eu sei que você está tentando se casar, eu acho até bom que seja assim. Você já tem mais de 30 e precisa agir rápido. Por que você não casa com a Flora?”

Flora era a filha da lavadeira da mãe de Carlos e ia, de quando em vez, entregar a roupa, limpa, macia e cheirosa na casa dela. Eu não posso dizer, e nem ele nunca me disse se ele já tinha alguma paquera com Flora. Eu penso que sim, no entanto, isto não importa, e sim que Flora foi realmente a flor que Carlos precisava para seguir lutando pela vida.

Casaram em 1947, sob as bênçãos do Padre Alfredo que era seu padrinho, e começaram a ter filhos em 1948. Eu não lembro bem, mas, dizem que quando o primeiro filho nasceu era um domingo de carnaval, e na hora exata “As Moreninhas” iam passando e cantando: “Minha boca fez assim, que coisa louca....”. Coincidentemente, hoje, ao completar 100 anos de seu nascimento é uma terça-feira de carnaval.

E os fihos foram aparecendo às pencas, como era comum entre aqueles que seguiam fielmente a religião obedecendo a Deus quando disse: “Crescei e multiplicai-vos!” . Mas com as mesmas consequências comuns em não se evitar filhos, naquela época: A mortalidade infantil. Flora engravidou 9 vezes, mas, só vingaram 4, sendo 3 abortos e 2 anjinhos. Tenho certeza, todos tiveram a mesma importância em suas vidas.

No entanto, pode-se dizer que os que vingaram foram suficientes para que o Carlos lutar ainda mais e transformar-se no melhor pai do mundo. Eu posso garantir que sua vida girava em torno de sua família, sua religião e seu trabalho, sem querer dizer que foi um “puritano” em passagem por aqui. Era apenas um ser humano normal, com um objetivo e mente e uma vontade enorme em atingi-lo.

E, não caberia aqui fazer um detalhamento de sua vida, pois não caberia nesta simples homenagem a Seu Carlos, como era conhecido em Bom Conselho. Quem sabe, um dia eu escreverei sobre tudo de bom que ele me ensinou?

Desculpem, mas vi agora que não disse que Carlos e Flora eram meus pais e também de Maria de Lourdes, Luiz Cláudio, Maria do Socorro, avós de Carlos Frederico, Flávia, Thiago, Carla, Nayara, Carlos Vítor, Adriana, Aline e bisavós de Iasmim, Ana Sophia, Maria Aline, Davi e Miguel. Hoje, a família habita todo o Brasil, de Rondônia até São Paulo, passando por Caruaru e Recife.

Todos, inclusive os que já estão no céu, junto a eles, sentem orgulho do velho e amado Carlos, o parabenizam e se alegram pelos seus 100 de vida, como um exemplo a ser seguido.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Recordar é Viver - O PT está morrendo, e o Partido Novo está nascendo. Viva o Novo.... (18/09/2015)


Logo do Partido Novo


Por Zezinho de Caetés

Eu digo sempre que, a maior sorte que tive em minha longa vida, foi, mesmo, naquela época, adorando o Lula, nunca ter entrado no PT. A minha segunda melhor sorte, foi não ter entrado até agora em partido nenhum, pois nunca achei um em que coubessem minhas ideias, nem de longe.

Ontem soube que está nascendo um partido chamado o Partido Novo. Então fui ver o que ele se propõe a fazer por este nosso Brasil tão vilipendiado por partidos que só quase existem para enricar seus dirigentes. E fiquei surpreso e pensando: Quem sabe não está na hora de ingressar num partido político para saber como a política funciona por dentro?

Então eu fui à luta e já encontrei grandes diferenças dos outros partidos em algumas ideias básicas de seus dirigentes, que realmente podem fazer a diferença. Vejam algumas delas:

“LIMITAÇÃO AO “CARREIRISMO POLÍTICO”:
É vetado ao filiado eleito para cargo no Poder Legislativo que se candidate a mais de uma reeleição consecutiva para o mesmo cargo;

GESTÃO INDEPENDENTE:
A gestão partidária não pode ser feita por candidato ou por ocupante de cargo eletivo;

NÃO HÁ COBRANÇA DE PERCENTUAL DO SALÁRIO DO MANDATÁRIO:
A contribuição partidária mínima é igual para filiados e candidatos eleitos.

INDEPENDÊNCIA DOS SUPLENTES E VICES:
Ambos são escolhidos em convenção, de modo independente da candidatura ao cargo principal;

VINCULAÇÃO DO CANDIDATO ÀS SUAS PROPOSTAS:
Definição prévia do Compromisso de Gestão e do Compromisso de Atuação Legislativa, prevendo metas a serem cumpridas;

SUPORTE AO CANDIDATO:
Criação de um orgão de apoio e controle, que desenvolverá técnicas, métodos e padrões de atuação que resultem na maior eficiência das atividades do candidato.”

Bem, eu não tenho muita experiência para julgar se estes pontos poderão ser implementados e ainda atingir, o que todo partido político deseja, que é o poder. Mas que são interessantes, isto são.

Todavia, o que mais me atrai no Partido Novo é o seu ideário político, ou ideologia, se quiserem, que se enquadra dentro de minhas convicções, atualmente. São as seguintes as principais diretrizes de atuação, segundo seu site:

- Liberdades individuais com responsabilidade
- Indivíduo como único gerador de riquezas
- Todos são iguais perante a Lei
- Livre mercado
- Indivíduo com agente de mudanças
- Visão de longo prazo.

Fatalmente, sem me deter em detalhes ainda, o item que promete defender o livre mercado já me atrai, entre todos, pois é o cerne do liberalismo que possue partidos no mundo civilizado, e não existe no Brasil. O DEM hoje, é o que mais se caracteriza por estes ideais, mas, infelizmente, nasceu com a boca torta e sofreu muito com a ditadura militar, e ficou no centro.

O que existe hoje no país, em termos partidários, vão do centro para a esquerda, até se encontrarem com a extrema direita. O que o Partido Novo promete é apresentar-se como um representante de um vasto seguimento da sociedade brasileira que é liberal e conservadora, levando nosso país do centro para a direita, onde ele nunca esteve, nos libertando da escravidão do Estado, pelo menos nos moldes que temos.

Eu, fatalmente, voltarei ao tema do Partido Novo. Hoje eu sentei aqui para falar sobre a morte anunciada de um partido muito conhecido que é o PT. Mas, isto eu deixo para que o Ricardo Noblat o faça, em texto que transcrevo abaixo (“Do jeito que está, o PT não sobreviverá a Lula e a Dilma” - Blog do Noblat – 17/09/2015).

Deixo-os com o Noblat e na fé e esperança que o Partido Novo não seja uma reencarnação do PT. Deus nos livre! Seu número é o 30.

“Não é só o governo que definha sem saber como enfrentar as crises que afligem o país e sem autoridade política para impor eventuais soluções.

O PT definha tanto ou mais. E isso é mais grave para o partido do que o simples esgotamento do governo que ajudou a eleger, e onde detém uma dezena de ministérios.

Governos passam. Em um país com larga experiência democrática, os partidos ficam. Ou se transformam.

O PT foi um sucesso antes de acelerar ladeira abaixo. Nenhum partido entre nós governou mais de 12 anos seguidos como ele.

Começou a cair quando preferiu negar o inegável – que escolhera a corrupção como meio para governar.

Até hoje, Lula, o criador do PT e seu principal líder, se recusa a admitir que o mensalão existiu.

Pediu desculpas por ele na televisão. Afirmou que fora traído pelos que o inventaram. Nunca deu o nome dos traidores.

A queda acelerada do PT coincidiu com o ano da reeleição de Dilma.

A descoberta da roubalheira na Petrobras mostrou que o PT jamais abriu mão da corrupção como meio de governar.

Para escapar da suspeita de que roubara ou deixara que roubassem, Dilma jogou no colo de Lula a compra explosiva da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Foi o recomeço do pesadelo do PT que parece ainda longe do fim.

Dilma traiu um projeto de poder compartilhado por ela e que a beneficiou pessoalmente.

Nada tem de pura como faz questão de parecer. Apenas largou de mão os companheiros quando a lama ameaçou afoga-la.

O que será do PT depois que Dilma e Lula submergirem?


Existirá Justiça capaz de punir dois ex-presidentes e poupar um partido que foi comprovadamente financiado por dinheiro sujo?”

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

É POSSÍVEL GOVERNAR SEM ROUBAR? A HONESTIDADE TEM CURA?




Por Altamir Pinheiro



A ninguém é dado o direito de ter bandido de estimação adotado, ainda que vontade não falte a muitos. Pois bem!!! Já votamos antes em Partidos Políticos, em Líderes Políticos e Populistas, mas sempre com a esperança que a HONESTIDADE ainda daria as cartas. Estamos chegando ao ponto de termos nas próximas eleições presidenciais ausência total de nomes e Partidos para darmos nosso aval. Se nada mudar até lá, em 2018, o melhor é não sair de casa no dia das eleições e deixar de ir às zonas eleitorais e ser cúmplice. No campo da ladroagem generalizada algo me diz que o PSDB também está a caminho de seu auto assassinato. Santa mãe de Deus, este país tá um horror, um pesadelo sem fim...


A honestidade pode ser uma característica de uma pessoa ou instituição que  signifique falar a verdade, não omitir, não dissimular. O partido político que é honesto repudia a malandragem a esperteza de querer levar vantagem em tudo. No meu entender, o PSDB não pensa assim!!! Eu gostaria muito de saber o que cogita os caciques do PSDB, que POUSAM de oposição viril  e, em vista da maledicência que o país  atravessa que nos informassem o  significado  dessa instituição chamada PSDB: ela prega a verdade? Ela repudia a malandragem? E a esperteza de querer levar vantagem em tudo, o que é  que esse maior partido de oposição acha desses procedimentos?


O Partido que tiver coragem de admitir que houve ou está havendo corrupção sob seus mandatos e apontar uma mudança, será visto de outra forma. O que mais ofende o cidadão decente deste país é a arrogância dos criminosos diante dos fatos. Como faz, também, boa parte dos opositores ao atual partido que comanda a nação. O PSDB não admite que é um partido corrupto...  Como escreveu recentemente o jornalista Josias de Souza: “Se o assalto à Petrobras espanta pelo volume, o roubo da merenda escolar em São Paulo,  assusta pela DESFAÇATEZ da corrupção miúda...”.

No Brasil,  temos uma direita que está se tornando EXTREMA em excesso, e está ganhando espaço nas redes sociais numa velocidade impressionante. Leia-se: Jair Bolsonaro, Ronaldo Caiado e adjacências... Isso é péssimo!!!  Isso não é e nunca será interessante!!! Está havendo  uma guerra entre os dois lados, e o povão não se apercebe disso (principalmente aquelas pessoas de menores poder aquisitivo no campo da instrução ou intelectualidade). Nosso país está dividido. Nunca nos odiamos tanto. É um fato. Nas redes sociais, nos ônibus, nos botecos, restaurantes, na Padaria Suiça, no Chocolate, na buchada do gago, nos bailes da vida,  onde quer que tenha alguém conversando sobre algum assunto que faça alguma referência à política, o ódio vem logo à tona. E a discussão é sempre fulanizada: a direitona escrota e a esquerda acuada...

Quais os conceitos de dignidade que interessariam a essas instituições partidárias se tivessem o mínimo de decência?!?!?! Para eles o que quer dizer: honradez, decoro, probidade, compostura,  pudor, lisura, honra e o principal: VERGONHA NA CARA!!! Bem, quanto à vergonha, só ainda não perderam de vez, porque quando se perde alguma coisa, só se perde aquilo que se tem. Ou, traduzindo para o nosso português rasteiro: ninguém perde o que não tem!!!  Agora, uma coisa fica em estado de alerta e muitos hão de concordar:  Quando os que COMANDAM perdem a vergonha, os COMANDADOS perdem o respeito...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Recordar é Viver - Estelionato eleitoral e Impeachment (05/11/2014)




Por Zezinho de Caetés

Hoje eu não deveria escrever mais nada além de anunciar a transcrição, lá embaixo, de um texto do Ruy Fabiano que saiu no dia de Todos os Santos no Blog do Noblat. Seu título, para mim, não reflete o seu conteúdo: “O confronto já começou”. Eu lhe daria o nome que vou dar este escrito conjunto que apresento: “Estelionato eleitoral e Impeachment”.

É claro que o Brasil vive uma guerra política e quase uma guerra social, declarada pelo PT e mais especificamente pela gerenta presidenta reeleita e pelo seu chefe, o meu conterrâneo Lula. O PT sempre se beneficiou da história do “nós contra eles” para assumir e ficar no poder. Mesmo quando isto não parecia possível, com a aparição e morte do Eduardo Campos, e com a entrada de Marina, o partido conseguiu contornar o jogo, eliminando com baixarias a Marina e logo depois o Aécio. Mas, chega a um ponto em que nem nossa oposição, nos últimos anos, precária e carente de homens de coragem, parece ter mudado com a quase vitória de Aécio.

Quem sabe, esta quase vitória não tenha sido a vitória do povo brasileiro? Isto depende muito da oposição no congresso e nas ruas, com manifestações (já iniciadas) livres, ordeiras mas representativas do estado de nojo que estamos do governo petista que já promete se prolongar por mais longos 12 anos. Principalmente, o povo que já começou a luta sincera, justa e necessária pelo impeachment da presidenta, que se reelegeu no meio de um mar de lama, de uma forma muito pior do que o seu correligionário Collor. Afinal de contas, o que é um Fiat Elba em comparação com 10 bilhões de reais surrupiados impiedosamente da Petrobrás? Perto de Paulo Roberto Costa o PC Farias é um santo.

Mas, já que o PT inventou a coisa do “nós contra eles”, nós na condição de “eles”, muito mais informados e certos da sua culpabilidade pela maior fase de corrupção de nossa história, desde que Caramuru enganou os índios com um bacamarte, por que não aproveitá-la para sermos, com muita razão, uma oposição que realmente se oponha à desfaçatez que impera?

Então, resta-nos, para que o Brasil não se acabe, tentar retornar à moralidade, ou, o jeito é locupletarmos-nos todos. Agora fiquem com excelente texto do Ruy Fabiano e meditem, repetindo o mantra do momento: Impeachment, Impeachment, Impeachment.... Dizem que mesmo não trazendo tranquilidade garantida, pelo menos ficaremos com a consciência tranquila.

“Eleição ganha à base de golpes baixos gera o inevitável: ressentimentos, suspeitas, divisionismo. Em tal ambiente, o termo união nacional soa falso, improvável, quase engraçado.

Basta ver que, nos três dias dia seguintes à vitória, as piores expectativas se confirmaram: José Dirceu foi para casa, o decreto bolivariano 8.243 foi derrubado pelos deputados, dois ministros – Edson Lobão (Minas e Energia) e Neri Geller (Agricultura) - foram convocados a depor na Câmara e a taxa de juros subiu.

De lado a lado, nenhum sinal amistoso. O mercado reagiu também como se esperava: bolsa em queda, dólar em alta. O aumento da taxa de juros, que a presidente atribuía como gesto imediato do oponente – sugerindo que não o faria -, confirmou a acusação de estelionato eleitoral: o abismo entre intenção e gesto.

União nacional é momento raro em qualquer democracia. Dá-se quando há riscos comuns ao país. Uma guerra, por exemplo; ou uma catástrofe natural. Em ambiente de normalidade, o que se espera é o governo governando e a oposição exercendo seu ofício de fiscalizar e criticar. Por que então Dilma a propôs?

Trata-se do reconhecimento de que a indecorosa conduta de seu partido na campanha dividiu o país ao meio. O discurso do “nós versus eles” prejudica a governabilidade, sobretudo quando o “eles” constitui a parcela mais bem informada da população.

A maioria – em especial quando escassa – garante a eleição, mas não as condições de governar. Não fosse assim, Collor não teria sofrido o impeachment. Elegeu-o o voto dos “descamisados” – termo que ele empregou na campanha, arrebatando os hoje clientes do Bolsa Família -, mas a classe média o rejeitou.

O PT e as oposições de então foram para as ruas e tornaram seu governo impraticável. Collor chegou a oferecer ao PSDB todos os seus ministérios. Não dispunha de quadros para governar. E o PSDB só não aceitou graças à determinação de Mário Covas, que era então sua maior e inconteste liderança.

Bastou que se insistisse na investigação de atos de corrupção na campanha, centrada na figura do tesoureiro Paulo César Faria – alvo de uma CPI – para que o presidente fosse deposto. E o que o depôs foi uma ninharia, se comparado ao que hoje está em jogo.

Collor caiu porque foi possível provar sua conexão com PC Farias, a partir de um cheque de compra de um Fiat Elba para sua mulher. Nesta Era PT, um personagem de quinto escalão, o militante Sílvio Pereira, ganhou um Land Rover para facilitar negócios escusos com a Petrobras.

A diferença é bem mais que o up grade do Fiat Elba para o Land Rover, mas o simbolismo é válido. O que já se comprovou na Operação Lava Jato, em relação aos desvios, soma mais de R$ 10 bilhões – algo como uma década de Bolsa-Família.

E sabe-se que há bem mais. A caixa-preta do PT, por enquanto, envolve apenas a Petrobras. Há ainda os fundos de pensão e estatais do porte da Eletrobrás, ainda não abordados pela polícia.

Isso sem falar em casos menores – mas não menos graves do ponto de vista moral -, como as maracutaias perpetradas pela amigona de Lula à frente do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosimeire Noronha.

Não falta munição à oposição para infernizar a vida da presidente reeleita. A própria reeleição é objeto de dúvidas. Além do uso ilegal dos correios nas eleições de Minas – suficiente, em tempos normais, para impugnar sua candidatura -, há ainda o questionamento das urnas eletrônicas, com denúncias que se avolumam e que provocaram o ingresso do PSDB na Justiça.

Tudo isso ocorre em meio a um quadro econômico delicado, em que o governo não dispõe ainda de um nome apresentável ao Ministério da Fazenda. E não é um governo que estreia, mas que continua – e que, no curso da campanha, já havia demitido a equipe econômica atual, prometendo mudanças contra si próprio.

O atual Congresso, que, em tese, lhe é ainda favorável, já antecipa as hostilidades, que devem ser bem maiores no que o sucederá. O PMDB, fiel de balança – única fidelidade que exibe -, já não é parceiro confiável. Foi o responsável pela derrota do decreto bolivariano 8.243 e pela convocação (diferente de convite, note-se) dos dois ministros para depor na próxima semana.

Dilma tirou férias na Bahia, mas o Congresso mostra grande disposição de trabalho. O próximo ano promete embates fortes. O senador Aloysio Ferreira (PSDB-SP), vice de Aécio, já avisou que não haverá lua de mel, os tais cem dias de trégua que por tradição se concedem aos governos que se empossam.


A guerra já está em curso e o lançamento prematuro da candidatura de Lula para 2018 é, para dizer o mínimo, profecia temerária. Política, ramo da literatura fantástica, nutre-se do imponderável. E costuma ser o túmulo dos profetas.”

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Recordar é Viver - O Paraíso, as calcinhas de Eva e os economistas (14/01/2015)




Por Zezinho de Caetés

Transcrevo um texto, logo abaixo, que me lembrou muito de minhas aulas de Economia, quando tentei complementar minha formação, mexendo em algo de que falavam mais neste país do que da minha formação anterior em línguas neolatinas. O português é uma delas, mas, é tão desprezado, o coitadinho.

Eu pensei, ao entrar no curso, que estudando economia eu iria aprender como ganhar dinheiro ou, pelo menos, lidar com ele. Vi-me como um investidor nas bolsas de valores gritando com a animação que via por lá. Hoje, é claro, não desejaria ser comprador de ações da Petrobrás, por motivos óbvios. Embora quando o valore delas chegar a zero, e forem doadas, eu pego algumas para colocar no meu colchão que está duro “prá chuchu”.

Depois, aprendi que a Economia é a mais indigesta ciência que existe porque ela trata do que é “escasso”. Lembrei do Paraíso bíblico de que fala o texto abaixo (Publicado no Opinião e Notícias de 12/01/2015, com o título de “Adão, Eva e o primeiro economista”, por Paulo Gurgel Valente), no qual não havia falta de nada. Se Adão queria comida, a comida aparecia. Se Eva queria um vestido novo, o vestido aparecia, e assim sucessivamente. É óbvio que eles não precisariam de alguém que entendesse de “escassez”. Mas, existiam as escolhas livres e com custo zero. Se Eva gostasse de biquines fio dental e não de algo mais composto, só tinha mesmo que dar satisfação a Adão e a mais ninguém. Eles simplesmente apareciam, depois da escolha feita. Afinal de contas o lugar era um Paraíso.

Quando Deus criou o mundo disse às suas primeiras criaturas, Adão e Eva, que eles tinham direito a tudo, tudo mesmo, com exceção de comer um determinado fruto, para o qual Moisés, quando escreveu o Gênese, disse que era uma Maçã. Este seria o fruto proibido. E por que ele era proibido, se eles podiam comê-lo quando quisessem? Por um motivo muito simples. Deus criou um custo para que eles comessem a Maçã. Então eles não poderiam  mais a escolher livremente para lanchar. E este custo, como se viu, era enorme. Custaria o Paraíso inteiro. Foi aí que surgiu o primeiro economista, que em forma de serpente, aconselhava tanto Adão quanto Eva e seus filhos, que também viviam de tripa forra.

Certo dia, indagado por Adão, por que o fruto proibido não poderia ser comido, o economista lhe disse:

- Olha Adão, não há nada proibido aqui, desde que você pague o que custa.

Adão disse:

- Como assim?

E aí o economista, que mesmo naquela época, tal qual o Mantega, hoje, já era matreiro e queria era não perder o emprego, respondeu:

- Adão, deixa de ser besta, o que vale um paraíso sem amor?! A maçã é tão gostosa, tão gostosa, que vale qualquer custo. Vai lá rapaz, tira uma e come!

O Adão caiu na conversa da serpente, digo do economista, e comeu do fruto proibido. E, pior, chamou a Eva e disse, eu não disse Eva que não havia nada demais?! E Eva também gostou daquilo. No mesmo momento, mesmo antes de descansar da atividade em comer o fruto, a Eva alegre que só pinto em cocô, que nem existia naquela época, porque no Paraíso não tinha cocô, disse logo que queria uma calcinha nova. E foi aí onde ela sentiu o custo da farra.

Foi Deus que apareceu e disse:

- Eva, uma calcinha custa R$ 30,00. Você tem?

E foi além dizendo:

- Agora vocês não terão mais o paraíso e terão que ganhar o pão com o suor dos seus rostos. Vocês foram na onda do economista, digo, da serpente, e quebraram a cara.

E o restante da história todos sabemos. A escassez começou a ser uma realidade e todos tinham que trabalhar para sobreviver ou mesmo comprar calcinhas. E é neste mundo de escassez onde atuam as serpentes, digo, economistas, que se multiplicaram como coelhos, e hoje habitam toda a face da terra. E os homens e mulheres não podem passar sem eles. Os governantes, então....

Voltando ao nosso presente, o Lula encontrou o Brasil em ordem, ao ponto de querer transformá-lo num paraíso. Durante os primeiros anos de governo, ao manter a serpente Palloci, sua meta era que todos os pobres comessem pelo menos três vezes por dia. E quase conseguiu, embora tenha esquecido de que tínhamos sido expulsos do paraíso muito tempo atrás e que havia “escassez”. Mas, ele queria ganhar as eleições a todo custo e tentou burlar a grande regra de que todos temos que ganhar o pão com o suor do nosso rosto. Foi aí que começou o problema.

E hoje, tendo como resultado inflação e baixo crescimento, que nada mais é do que o salário do Adão não dando mais para comprar calcinhas para Eva e mesmo nem cuecas para ele, só restou à sua sucessora, que dizia estar ainda no paraíso para ganhar as eleições, tendo-as ganho, voltar à realidade. Sobrou agora para a serpente, digo economista, Levy, o Risonho, tentar restaurar o paraíso perdido pela desobediência de Lula e Dilma às leis de Deus, digo, Mercado.

Depois disto, continuem lendo mais uma lenda sobre os primeiros economistas, esperando não ter usado o nome de Deus em vão.

“Alguns filósofos estabeleceram um princípio simples para entender a diferença entre o Bem e o Mal. “Fazer o bem” poderia ser definido pelos atos do indivíduo em ocupar-se com o outro, seu semelhante, e a coletividade, em sentido amplo. Já o Mal seria caracterizado por voltar-se exclusivamente a si próprio, desprezando o desejo do outro.

Desta forma, poderíamos apressadamente discriminar como diagrama paralelo as duas grandes divisões de pensamento político e econômico, aquela ligada ao Socialismo, que implicaria em fazer o Bem aos outros pela distribuição uniforme de riquezas, mas geralmente associado a um regime totalitário, sem liberdades individuais, e a Democracia combinada com a livre iniciativa pessoal e empresarial e de pensamento (ou regime capitalista, designação que já denota um juízo de valor). A definição quanto ao direito de propriedade dos bens de produção (terra, tecnologia, trabalho e capital) seria coletiva, no primeiro caso ou individual, na segunda opção.

O que têm a ver esses conceitos com a conjuntura política e econômica do Brasil? No momento em que o economista que assume o Ministério da Fazenda vem sendo parcialmente rejeitado pela opinião pública por ser ortodoxo, retorna-se à pergunta se a Aritmética pode ou não ter uma conotação ideológica. Os temas atuais são tão dramáticos, pela enorme desordem econômica e alvoroço pela corrupção sistêmica nas empresas estatais, que nos remetem a algumas imagens bíblicas.

Digamos que, logo depois de instalar Adão e Eva no Paraíso, Deus teria criado o Primeiro Economista. Este olhou em torno e viu que estava tudo por fazer, de modo que abrindo uma planilha Excel no seu notebook, começou a simular um sistema econômico que ordenasse a presente e futura administração dos bens e serviços públicos. Assim, tentou equacionar o que seriam as receitas e despesas da administração pública, e como observou que as necessidades de investimento e custeio eram maiores do que as receitas resolveu endividar-se, pensando que no futuro um acréscimo de receitas poderia pagar este endividamento.

Fazendo um fast forward para os princípios do sistema bancário inglês, os banqueiros denominam os financiamentos como adiantamentos (advances); “Mas adiantamentos de quê?” perguntaria o leitor que ainda está acordado. Seriam adiantamentos de receitas futuras, não há outra forma de imaginar a solução para o pagamento de um empréstimo.

Voltando ao tema bíblico, imaginem o que seria se este Economista chegasse ao cenário de Sodoma e Gomorra, terras arrasadas por incêndios, destruição, peste e outros tantos dramas, tal como se observa nos escombros que o governo passado (?) nos deixou. Este Economista, ao contrário da organização do Paraíso, teria que lidar com todos estes desequilíbrios que recebeu como herança, como déficit público, endividamento crescente, déficit na balança comercial, inflação elevada, taxas de câmbio desalinhadas e grande corrupção que está ligada aos problemas descritos, e não organizar do início uma economia ideal a partir do Paraíso.

Entender a tarefa do atual Ministro da Fazenda como ideológica é ignorar que: (1) não é possível gerar um déficit fiscal (receitas menores que despesas) crescente e com isso aumentar indefinidamente o endividamento; (2) a inflação precisa ser controlada, pois ninguém poupa e investe na incerteza e investimento é imprescindível para gerar renda e emprego; (3) o excesso de importações sobre as exportações pode estrangular nosso saldo de divisas e comprometer os pagamentos ao exterior que são necessários.

“Por que não?”, poderia perguntar um economista ingênuo, lembrando das lições da UNICAMP que o melhor é “ir para cima e depois as coisas se acertam sozinhas, o crescimento cuida de tudo”. Ocorre que todo devedor, por definição, precisa de um credor, como o governo endividado na moeda nacional ou em divisas, de modo que os dois não conseguem conviver se o credor duvidar da capacidade ou intenção de pagamento do devedor. Isso tudo infelizmente não é teoria, porém a mais comum experiência de tantos países que ficaram insolventes, como no presente a Argentina, Venezuela e Grécia e, no passado, tantos outros que não caberia citar no limite do presente artigo, inclusive nosso próprio país.


O Ministro da Fazenda, tal como o manobrista de carro, orienta nossa Motorista Maior com a expressão “vai bater” (omitindo a longa explicação de que “vai bater se a Motorista continuar sem mudança de curso”). Imaginar, portanto, que o novo Ministro da Fazenda teria alguma alternativa que não fosse respeitar a Aritmética é pensar que seja possível esperar por um novo milagre da multiplicação dos pães e peixes.”