Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

quinta-feira, 28 de maio de 2015

DONA SEVERINA




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho


Mulher sertaneja. Forte e calejada. Mulher para o que der e vier. Nascida e criada no sertão brabo e de sol escaldante, aonde a chuva escassa às vezes vem molhar a terra estorricada por breve tempo. As noites quentes e de céu estrelado com a luz da lua cheia clareando o terreiro. Sentada em um tronco de uma arvore rezando o terço pedindo proteção, o que fazia diariamente.  Meditando dizia sempre – tenho saúde, o resto que importa, sou feliz! Cuida de dois alqueires de terra deixado pelo seu marido Juquinha, morrido de uma congestão depois de um jantar descansando no alpendre em uma noite de luar, quente sem um pouquinho de vento para aliviar o calor, lembrava. A poeira vermelha assola o seu pequeno mocambo. Dois jumentos fuçam a terra a procura de alguma folha verde, e os bodes, ressente a falta de agua, berram. Mora numa casebre de taipa, de dois cômodos, sala com uma mesa e dois bancos e um quarto com uma cama, na parede o crucifixo com fitinhas amarela e azul. Atrás do mocambo, um fogão pregado na parede. Na sala o retrato do Padre Cicero, seu santo e protetor dos pobres e desvalidos e os retratos de Jesus e do outro lado de Nossa Senhora.  São Francisco de Assis faz parte da sua devoção, lá está a sua pequena imagem na cômoda. O candeeiro, dois, um na sala e outro no quarto. Todo o dia sai com a enxada nas mãos indo para o terreno fofar e esperar que São Pedro abra as torneiras do céu para aliviar o sofrimento do sertanejo. Sua pele é seca pelo sol que leva diariamente. Calos nas mãos. Enrola um pano vermelho na cabeça e pega uma lata e vai apanhar agua em açude aos seiscentos metros, do mocambo, quase seco. Agua salobra somente servia para cozinhar alguns caroços de feijão e quando a sede apertava alguns goles da agua, mas nunca lhe ofendeu o intestino. Mora com ela a sua Bastiana, menina, dos seus dezoitos anos, morena, dotada de um corpo invejável, olhos e cabelos pretos compridos que ajuda a mãe na labuta do dia a dia, indo buscar agua no barreiro. Apareceu doente. Dor de cabeça, enjoo, febre, preguiça e o corpo mole só pedindo cama. Pálida e sem cor. Dona Biu seu apelido ficou preocupada com aquele repentino mal. Pensou naqueles males da mulher quando está de bucho ou naqueles dias, mas mudou de ideia pedindo perdão a Deus pelo mau pensamento, fazendo o sinal da cruz. Vadinho, seu namorado era um rapaz digno não ia fazer uma besteira dessas. Seis léguas separavam o sitio da pequena cidade Sertãozinho. De manhã pegou um bigu no carro de boi de Seu Mané, e levou ao medico Doutor Zeferino. Era medico de todo o mal. Examinou e disse é apenas um mal estar, breve passara. Tome este remédio, dando-lhe a receita escrita com letras tronchas. Levou na farmácia e voltou para casa.  Era devota fervorosa do Padim Ciço e por certo ele ajudaria. Rezando pelo caminho de volta no mesmo carro de boi, com o terço nas mãos prometeu que ia até Juazeiro do Padim Ciço pagar uma promessa se a Bastiana ficasse curada. Os dias se passaram e menina moça se curou. Voltou ao normal, buscando agua no barreiro e fazendo os serviços da casa. Dona Severina, esbouço um sorriso olhando para o céu agradecendo a Deus e ao Padre Cicero Romão, meu Padim e protetor. No mês de maio mês de Maria, na sua casa havia a reza do terço e o canto da ladainha chorosa diariamente, A bandeira branca hasteada na frente do mocambo, em um pau cumprido deixado pelo seu marido, tremulava. Todos que passavam pela estrada sabiam que ali havia reza e devoção pela Nossa Senhora do Rosário. . Vinham mulheres, suas vizinhas, acompanhados de seus maridos e filhos rezarem o terço por volta das seis horas da tarde. Promessa é promessa, dizia. Começou a se preparar para viagem a Juazeiro do Padre Cicero Romão. Passou todo ano ajuntando um dinheirinho que recebia deixado pelo seu marido no Banco do Brasil. Guardava num cofrezinho e escondia debaixo da cama. Ali estava sua economia. Depois de um ano, começou a se preparar, colhendo informação aqui e ali como chegaria ao seu destino, que era rezar de joelhos o terço como prometera olhando para imagem do Padre Cicero, agradecendo a cura da sua filha de uma doença que parecia ser grave. Seu Miguel, sempre fazia romaria, todos os anos. Pagou a sua passagem e de sua filha e no dia acertado se montou no pau de arara coberto por uma lona azul e seguiu o seu destino que era pagar a sua promessa. Com Deus não se brinca! Prometeu tem que cumprir, custe o que custar. A estrada era cumprida, o calor e a poeira vermelha castigavam todos ali. Agua trazida em uma quartinha pequena acabou. Quanto mais rodava o caminhão na sua lentidão pela estrada esburacada o sofrimento aumentava, mas no seu intimo o sacrifício valia a pena, com o seu terço na mão rezando as Aves Maria. Um dia e meio chegaram ao seu destino. Quanta alegria quando disseram “estamos na terra do Padre Cicero Romão”, vivas! Viva! Viva! Todos gritavam quando estavam entrando na cidade. Desceram da carroceria, muitos entrevados, outros cansados. Suados sacudindo as saias às mulheres e os homens tirando o chapéu de couro e limpando o suor com um lenço desbotado. Dona Biu seguiu de imediato para a capelinha. Ajoelhou-se na porta e seguiu a até a imagem de joelho, que lhe doía a cada passo, mas promessa é promessa. Acampou embaixo de uma arvore e estendeu as pernas doloridas e ainda dormentes. Bastiana foi numa bodega comprar alguma coisa para comer, chegando com dois sanduiches e uma garrafa de suco de uva. Olhando para o céu azul sem uma nuvem agradeceu a Deus e um viva bem grande em louvor ao Padre Ciço. De volta trouxe uma imagem do seu Santo, Padre Cicero Romão.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Podemos ser otimistas?




Por Zezinho de Caetés

Eu, como aqueles que me leem sabem, sou um otimista profissional. Mas, nesta profissão atualmente, eu estou desempregado e tive que me reciclar para ser pessimista, mesmo sem vocação. O Brasil está numa situação tão ruim, que o meu conterrâneo, o Lula, se tivesse o ginasial completo, deixaria até de ser ex-presidente, e se empregaria como ajudante de caminhão.

E o pior não é só a situação real. Lembram dos meteorologistas, que hoje estão esquecidos porque há moças bonitas para dizer o que eles pensam, na TV? Eles, quando dizem a temperatura, falam também de uma sensação térmica, que não é real, mas é causada por outros fatores que, para os seres humanos, parece mais quente ou mais fria. A pior situação foi a sensação térmica que nos passaram o PT e seu governos e dirigentes desastrados, nos últimos 12 anos, numa atitude completa de enganação.

Vocês viram, por acaso, sair da boca de Mantega alguma previsão má? Lembram da marolinha de Lula e do SUS dando lição ao Obama? Lembram da campanha da Dilma? Se não, leia o texto do Hubert Alquéres (“Universo Pollyana” – 27/05/2015 – Blog do Noblat), aí embaixo, onde ele conta, em maiores detalhes porque hoje nossa sensação térmica em relação a quase tudo neste país, está diferente do real, embora no sentido contrário do que eles diziam.

Parece até castigo de Deus para punir tantas mentiras que foram ditas nos últimos 12 anos. E, nós, pobres, ricos, remediados e até faquires (o prego para fazer a cama está muito caro) estão mal, muito mal, e a tendência é piorar. O estrago foi feio e só o povo brasileiro, este iludido, não viu, e votou outra vez na Dilma.

Eu não digo que estivéssemos em melhor situação com outro presidente, porque foi grande a destruição do país, mas, pelo menos teríamos mais esperança. A que hoje temos se baseia apenas na saída de Dilma (impeachment, renúncia, afastamento, desde que seja legal, não importa), para que se comece o quanto antes a reconstrução.

Hoje estou pessimista, embora não tenha vocação para isto. Leiam abaixo o texto do Hubert e vejam se não é para ficar.

“Pollyana, aquela garota pobre imortalizada por Eleonor Porter num dos maiores clássicos da literatura infantojuvenil, vivia em universo próprio. Desejava receber uma boneca de presente, mas ganhou um par de muletas. Para não vê-la triste, seu pai lhe aconselhou a ficar satisfeita pelo fato de não precisar de muletas.

Desde então a menina passou a praticar e ensinar às pessoas o jogo do contente, que consiste em sempre imaginar um lado bom nas coisas.

Habitam esse universo muitos membros dos últimos três governos petistas. Não estamos aqui nos referindo apenas ao chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que foi apelidado de “ministro Pollyana” por seus companheiros de governo. Mas aí se incluem nomes como o do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e sua mania compulsiva de desempenhar o papel de Alice no País das Maravilhas inventando PIBs inexistentes e negando todas as crises.

O jogo do contente também tem sido um esporte praticado à exaustão por governistas de calibre mais grosso, a começar pelo ex-presidente Lula, autor de uma frase que nem mesmo Pollyana seria capaz de criar: “Lá (nos EUA), ela (a crise econômica) é um tsunami; aqui, se chegar, vai ser uma marolinha que não dá nem para esquiar”. Soma-se ao time a presidente Dilma Rousseff, que vendeu ilusões na campanha eleitoral e agora entrega uma mercadoria trágica, e o próprio “realista” Joaquim Levy, cuja previsão sobre a superação da atual crise, já em 2016, é um ato de fé.

A crise econômica é muito mais grave do que eles falam e nada justifica o otimismo que vendem. Está mais próxima da verdade a avaliação do economista João Manoel Cardoso de Mello, segundo a qual a queda do PIB deve ficar entre 1,5% e 3% e o desemprego entre 10% e 12%.

Não há jogo do contente capaz de esconder a tragédia que está se formando. A face mais visível para os brasileiros é a inflação, que faz cair ainda mais a renda familiar, e o patamar do desemprego. Entre jovens de 18 a 24 anos, ele já bateu a casa de 17% no primeiro trimestre do ano. Esse é o lado mais perverso: jovens abandonam a escola para tentar entrar no mercado de trabalho e não conseguem.

Governante nenhum deveria imitar Pollyana. Todos sabem que a vida das pessoas não muda por meio da venda de otimismo e alegria que não tem relação alguma com o cotidiano. Se ingressam no universo da heroína de Porter é por pura incompetência ou por desfaçatez, com o propósito nítido de esconder do povo a dura e crua realidade.

Só assim pode ser entendida a manobra arquitetada por Lula e Dilma ao tentar criar uma agenda positiva em junho, com o anúncio de programas que certamente não sairão do papel.

Vem aí, portanto, versões recauchutadas do Minha Casa Minha Vida, PAC, Pronatec, Luz para Todos e assim sucessivamente. O governo vai bater o bumbo, fazer oba-oba e tentar criar um clima favorável por meio de bilionárias campanhas publicitárias.

Enquanto isso a incompetência petista está por todo lado, como na falta, em 17 estados do Brasil, da vacina BCG que protege as crianças recém-nascidas contra a tuberculose. Imunização fundamental que tem que ser aplicada nas primeiras horas de vida.

O alto preço da prática ilusionista já começou a chegar para os petistas. E a um custo trágico para a sociedade brasileira.


A obra Pollyana, ficção que atravessa o tempo, é recomendada mesmo para os jovens de hoje, mas sua imitação grotesca por parte de Lula e Dilma é uma interminável história de horror.”

terça-feira, 26 de maio de 2015

RAIMUNDINHO




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho


Menino nascido no morro de Casa Amarela. Pai alcoólatra e mãe de profissão duvidosa ele vivia perambulando pelas ruas do morro, descendo escadaria ou por rua enlameada e escorregadia. Vivia pedindo alguma coisa para os vizinhos ou na mercearia e nos bares para se alimentar. O pai vivia mais numa barraca se embriagando enquanto a sua mãe saia do barraco pela manhã e voltava à tarde, com algumas migalhas encontradas pela rua. Não estudava, não sabia ler e nem contar ao quatorze anos de idade. O convite de um colega do morro resolveu dar uma volta no centro do Recife. Desceu as escadarias indo apanhar um ônibus na Avenida Norte, saiu pendurado com o colega. Quase caiu, pois nunca tinha feito esta extravagancia. Chegou à Avenida Guararapes, ficou deslumbrado com os prédios e as pessoas passando de um lado para outro. O rio chamou sua atenção olhando do parapeito da Ponte Princesa Izabel, os barcos deslizando pelas aguas turvas. Ao meio dia nada de comer, pois não tinha dinheiro. O colega já feito na rua chamou-o para ir até a Praça do Sebo. Lá tinha variados bares e por certo algum tira gosto o sobrava e ele já acostumado, pois uma garçonete lhe dava o resto em uma lata de doce. A noite não foi para casa. Ir para a casa ver o pai bêbado deitado no sofá esfolado e sua mãe sentada em um tamborete velho pego no lixão com um cigarro no bico, não gostava. Vou começar me acostumar por aqui. A noite junto com outros meninos se agasalhou na calçada dos Correios e Telégrafos. O tempo foi passando e o silencio da noite era somente quebrado por alguns carros que circulava. Os moradores da rua iam se aglomerando, cada um com pedaço de papelão e cobertores rasgado e fedidos. Passou mais ou menos seis meses sem dar a cara em casa. Um dia voltou e encontrou a mesma miséria, pai bêbado e a mãe em lugar ignorada. Voltou para o Recife. Aqui é meu lugar. Os colegas o chamavam para pequenos roubos, fumar maconha e tomar drogas, nunca quis, queria sim ter uma vida melhor e nunca como à dos seus pais. Em uma batida policial foi agarrado com outros meninos recebeu uma advertência. Saiu da Avenida Guararapes, atravessou a ponte de ferro e seguiu pela Rua Imperatriz até a Praça Maciel Pinheiro. Comprou uma caixa de engraxate e começou a engraxar nas imediações da Rua do Hospício, Aragão e Imperatriz. Seu ponto era a Praça, sentado esperando algum freguês. Com o dinheiro que ia ganhando com o trabalho, arranjou um cantinho para dormir por trás do Hotel Avenida, pela caridade do Seu Osvaldo. Todo o dia ali estava ele com a sua caixa de engraxate. Certa tarde, em um sábado, ali sentado um carro grã-fino estacionou. Uma bela senhora, rica e cheia de joias, desceu com a bolsa aberta. Não sentiu que uma carteira tinha caído no meio fio. Ele viu. Não pensou duas vezes, chamou à senhora. Ela olhou com desprezo e medo daquele menino. Ia correr mais ele chamou duas vezes – Moça aqui esta sua carteira ela caiu quando a senhora desceu do carro. A mulher olhou e pegou a carteira com todos os documentos e dinheiro. Abriu a carteira deu-lhe uma nota e enquanto caminhava para assistir a missa na Matriz da Boa Vista. Olhou e sorriu para ele. No termino da missa caminhou de volta para apanhar o carro que já se encontrava parado e ele sentado no seu banco. Ela chegou para ele, e disse quer limpar o terreno da minha casa? Vou senhora! Onde é? Lá em Boa Viagem. Tome o dinheiro e segunda feira vá à Rua Domingos Ferreira. Deu-lhe o endereço. Ele ficou alegre com o convite. Já estava estudando no colégio Municipal à noite e já sabia ler escrever um pouco. Chegou por volta das oito horas com a caixa de engraxate nas costas. Desceu do ônibus e encontrou logo a casa. Muito grande. Terreiro cheio de flores e arvores. O mato tomava conta de quase toda área. As folhas voavam de um lado para outro. Bateu e um senhor veio lhe atender. Não sabia o nome da senhora, mas o atendente já sabia do acontecido. Mandou entrar e perguntou se já tinha tomado café. Claro que não, respondeu. Venha tome café aqui. A mesa cheia de bolos, queijo, frutas, sucos e leite coisa que ele nunca viu e não sabia por onde começar com aquela mesa farta enquanto ele no dia a dia tomava um cafezinho dado pelo garçom Elias na Rua do Hospício, resto de fregueses que deixavam em seus pratos. A senhora rica Dona Estelita entrou e disse – tome a vassoura esta pá e o enxadão a vá para o terreiro limpar. Terás todo o dia para realizar este serviço. Limpou tudo deixando um brinco, sem nenhum a folha, graveto no chão colocando tudo em um saco dado pelo empregado mais velho. À tarde a senhora pagou-lhe e contratou para toda semana ir fazer a limpeza. O trabalho de Raimundinho agradou a bela e generosa senhora. Viu naquele rapazinho que ele tinha bons costumes. Certo dia ele já com algum dinheiro foi ate o morro visitar a família, pois fazia tempo que isto não acontecia. Tudo do mesmo jeito, apenas a mãe perguntou por onde ele andava. Contou a sua estória e deu-lhe um trocado para comprar algum mantimento.  Pouco a pouco Dona Estelita vendo aquele rapaz trabalhando com honestidade, provou se isto era verdade. Mandou que ele limpasse a sala, deixando algumas notas em cima da mesa. Limpou tudo e deixou tudo do mesmo jeito que estava. A senhora viu aquilo e disse – vou ajudar este rapaz. Chamou-o e perguntou onde se encontrava a sua família. Ele contou tudo sem esconder um pormenor. A Dona Estelita disse – vamos até a sua casa. Chamou o chofer e acompanhado foi ate o morro em Casa Amarela. Chegando lá a mulher ficou impressionada com a pobreza. Fez uma compra e deixou para eles se virarem na semana. O pai sóbrio agradeceu e mãe deu graças a Deus pela caridade. Raimundinho voltou a estudar e fez o vestibular para advogado, no intuito de defender os pobres e necessitados da comunidade. Formou-se graças a Dona Estelita que tinha lhe ajudado e seus pais se regeneraram dos males que vinha acontecendo, transferindo-se para uma casa na Madalena. A mãe começou a trabalhar como faxineira e o pai na limpeza do gramado e jardins da casa. Tudo terminou bem graças ao esforço e a honestidade do Raimundinho, que não se deixou levar para o campo da crueldade. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A semana - Dilma, a Pátria de Chuteiras "made in China", greves, facas e o morto vivo...




Por Zé Carlos

Esta semana começou com ameaças de greves dos professores universitários. Eu coloco o assunto aqui porque participei, direta ou indiretamente, de várias delas quando ainda estava na ativa. Nunca fui, em geral, contra as greves, mas, das que participei, vi que é um transtorno para todos os envolvidos. Mesmo não sendo contra elas, confesso que fui contra algumas. O nosso meio universitário, que, quase por definição, deveria ser o mais politizado, muitas vezes chega às raias do paroxismo (sempre quis escrever esta palavra, e nunca tinha tido oportunidade) ao colocar o momento político acima dos objetivos maiores de sua profissão. Mas, e onde está a graça disso, perguntarão meus 9 leitores, já preocupados que eu tenha desistido do humor, ou seja, tornando-me não sério. Riam do assunto por duas constatações: Primeira, até agora, não vi nenhuma greve de professores do ensino médio, em governos do PT. Segunda, eu, como aposentado da categoria dos professores universitários, teria mais influência na decisão de entrar em greve do que os professores da ativa, que normalmente, não aparecem nas reuniões do sindicato. Se não riram, é porque não estão nem aí para greves. O que pode até ser justificável.

Aí vocês dirão, começou com riso mais terminou de forma séria, ou não? E há semana neste país que termine sem riso, enquanto tivermos a Dilma como nossa protagonista? Eu já disse e repito, o país só se tornará um “país sério”, isto é, com o humor necessário à vida, quando a presidente vier trabalhar conosco em tempo integral e dedicação exclusiva. Já no fim de semana foi publicada uma entrevista, que ela deu a um revista mexicana, sobre assuntos mil, onde a presidente mostrou o tamanho de sua cultura em assuntos mexicanos. Deve ter provocado riso em toda a América Latina, ou seja, está se internacionalizando. Vejam, como exemplo, este trecho (aqueles nossos leitores que têm controle sobre o riso podem ver a entrevista completa aqui):

“...Presidenta: Por que eu e perguntei isso? Sabe por quê? Teve um teatrólogo brasileiro, que você deve conhecer, Nelson Rodrigues, que, além, disso, foi um colunista de futebol.
Jornalista: Sim, claro.
Presidenta: Que quando se referia à Seleção Brasileira, dizia que a Seleção Brasileira era a pátria de chuteiras, a pátria verde e amarela de chuteiras, Lá, a Seleção Mexicana é a pátria azul, branca e verde...
Jornalista: Não, a camisa é verde, a camisa da Seleção. Sim, é verde.
Presidenta: É verde? Então, é a pátria verde e chuteiras. A nossa também às vezes é verde, hein?....”

Vejam outro trecho, ou melhor, vejam quando terminarem de rir do anterior, no qual ela não decorou as cores da bandeira nem da seleção mexicanas:

“...Jornalista: Agora deixa eu fazer uma pergunta, uma pergunta…
Dilma: Agora, a Petrobras é tão importante para o Brasil como a Seleção.
Jornalista: Claro.
Dilma: Então, eu sempre disse o seguinte: “Se a Seleção Brasileira é a pátria de chuteiras, a Petrobras é a pátria com as mãos sujas de óleo.”
Jornalista: Ah, isso é muito bom, presidente, é uma frase muito boa!
Dilma: E vocês têm também a pátria suja de óleo lá, a mão suja de óleo.....”

Observem a capacidade desta senhora para fazer humor. Alguém pode imaginar ela ficar na presidência enquanto esta coluna a espera ansiosamente, talvez para aumentar sua audiência de 9 para 15 ou 20 leitores? Tenho que aderir: “Fora, Dilma! Vem para a coluna você também! Vem!”. Eu iria colocar que ela disse também que o impeachment é uma “luta política”, como se isso fosse uma novidade. Mas não faço, porque ainda quero meus leitores vivos. É muita capacidade humorística para ficar na presidência. Para o bem da coluna que venha o impeachment.

Se há ainda algum leitor lendo-me depois de tudo isto, o que seria um milagre, vamos voltar à nossa semana normal. Vocês já sabiam que, hoje, já difícil encontrar um produto no país que não tenha a frase: “Made in China”. Pois, diante da crise pela qual passamos, os chineses resolveram pela invasão ampla, geral e irrestrita. Vieram colocar preço no Brasil. A presidente Dilma, recebeu com pompas e circunstâncias os dirigentes daquele país e houve uma ampla negociação. Dilma pediu um preço, que com a inflação, era um pechincha, e o motivo do riso é que os chineses recusaram. Resolveram colocar um dinheirinho aqui no país para construir um novo “trem bala” que vai atravessar o Brasil, de ponta a ponta. Ou seja, aos poucos vão transformar o país num produto “Made in China”.

E isto não levará muito tempo se a crise econômica não for debelada pelo Levy, o Tristonho. Ele mandou cortar 80 bilhões de reais do orçamento, e a Dilma só cortou 69 bilhões. Ele exigiu explicações e apenas foi dito que este era um número cabalístico. Eu não sei o porquê. Alguém sabe? Só sei que, por causa desta divergência, o Levy, o Enfadonho, bateu o pé e disse que não iria ao anúncio dos cortes orçamentários. O negócio está muito sério. O chineses têm mesmo é que se aproveitar.

Diante do quadro político e econômico no qual até vaca não reconhece bezerro, a presidente se reuniu com o nosso outro grande colaborador, o Lula, lá na Granja do Torto, onde hoje trabalha um dos nossos primeiros-ministros, para uma conversa de criador para criatura. Não sei, infelizmente, os detalhes do que foi lá tratado. Só sei que o que se falou deve ser de humor de alto quilate. Imaginem, se Lula e Dilma, isolados já fazem humor, imaginem os dois juntos, e mais o Mercadante e o Temer. Penso que o assunto não foi divulgado para não matar alguém de rir. Imaginem que o Lula voltou para São Paulo, mas não compareceu à reunião do Diretório do PT que discutiu a convenção nacional do partido, no mês que vem. Outros podem não saber o motivo, mas, para quem lê esta coluna semanal isto não é nada estranho. Ele simplesmente evitou que os militantes do PT (que hoje já se contam nos dedos de Lula) caíssem também na gargalhada.

E o acontecimento mais importante da semana foi a aprovação do Luiz Fachin para o STF. E o vídeo do UOL, que apresentamos lá embaixo, apresenta em grande estilo. Como já disse, eu não entendo muito destas coisas de juristas, a não ser saber que adoram fazer juras de amor. Tentei, juro, entender a sabatina e não entendi e continuo estranhando porque tanta confusão na indicação da presidente. Queriam o que? Que ela indicasse outra vez o Joaquim Barbosa?

Tem alguém vivo ainda? Então morte a estes infiéis! Vocês imaginam qual foi o assunto mais importante discutido na CPI da Petrobrás esta semana? Segurem-se nas poltronas. Descobriram que o José Janene, sim, aquele envolvido até os cabelos no escândalo do mensalão, que havia morrido, realmente, não morreu. Pelo menos, os presentes na sessão desta quarta-feira, 20,  foram surpreendidos pela declaração do presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-RJ), de que ele iria pedir a exumação do corpo do deputado que teria forjado a própria morte para escapar de condenações do processo do mensalão. E pasmem, Hugo Motta disse que a informação lhe foi passada pela própria viúva do ex-deputado José Janene, que morreu em 2010 vítima de um infarto quando era réu do processo do mensalão acusado de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Daqui para frente, teremos, ao invés de uma CPI morta, uma CPI do morto. Isto é o Brasil, abençoado por Deus, bonito por natureza e que só nos faz rir.

E se pensam que a semana terminou e estão livres de uma morte hilariante, vejam esta. Num país onde se matam algumas dezenas de pessoas por dia, um meliante menor de idade, matou, com uma faca, um médico lá no Rio de Janeiro. Acontecimento tão chocante quanto a morte de qualquer pessoa e de qualquer forma como deveria ser. Mas, não demorou muito para ser transformado em motivo de riso quando soube que a Câmara de Deputados, aproveitando a comoção nacional, desengavetou um projeto de lei que criminaliza o porte de armas brancas nas ruas. Vejam bem, meus resistentes leitores, se isto tem cabimento? Ou seja, se alguém, depois desta lei andar com um canivete ou uma espada poderá pagar uma multa e ficar preso de três meses a um ano. O projeto diz que não atingirá àqueles que portem armas por motivo de trabalho, talvez para manter os desfiles militares. Agora quando o cara quiser assaltar e matar com uma faca, e não quiser ser punido, deve andar, pelo menos com uma carrocinha de frutas, como se as estivesse vendendo, como faziam os vendedores de abacaxi lá em Bom Conselho. Eu não tive informação se cortador de unhas será permitido.

E é assim que vivemos, de riso em riso. Eita país bom danado. E tenho que terminar senão os meus leitores remanescentes, não aguentariam. Vejam a seguir o resumo do roteiro do filme do UOL, e o vejam abaixo, se ainda tiverem vivos. Boa semana seguinte.

“Dilma Rousseff (PT) conseguiu aprovar esta semana no Senado o seu indicado ao STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin. A cena política brasileira também foi marcada pelo anúncio feito pelo governo federal do corte no Orçamento. E a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras teve mais um capítulo digno de novela: a morte do ex-deputado José Janene foi posta em dúvida pelos parlamentares.”



sexta-feira, 22 de maio de 2015

A rabeira na Educação e o "fator Lula"




Por Zezinho de Caetés

Deixo-lhes um texto do Hubert Alquéres (Blog do Noblat – 20/05/2015) com o título “Pátria Educadora na lanterna”, onde ele coloca o ponto a que chegamos nos testes de avaliação internacional no ensino básico, perto do fundo do poço. E se só fosse no ensino básico seria muito bom, digo eu. Hoje a educação em nosso país é praticamente ideológica de esquerda em todos os níveis, que olha o mundo ainda como sendo o palco de uma grande revolução. E nossos alunos saem das escolas analfabetos, mas, correndo atrás do Estado para obter facilidades.

Para ser justo, isto não vem dos governos do PT. Isto vem de muito antes, e mesmo que alguns ministros da educação tenham tentado melhorar o quadro, foi um contínuo, desde que os revolucionários se desiludiram com a luta armada e viram que a única saída era fazer uma revolução gramsciana com o controle da mente.

Desde quando eu estudei, no curso de Letras, já havia professores que só usavam tinta vermelha para não ferir os princípios revolucionários, sempre associados a esta cor. Daí para chegar à era do “nós pega os peixe!”, foi um passo. E ficamos na rabeira do mundo, e mesmo na América Latina, onde, pelo nosso tamanho e riquezas naturais deveríamos estar na frente. Mas, cadê o povo educado e produtivo?

Não era para se esperar outra coisa nestes últimos tempos, quando um analfabeto, o meu conterrâneo o Lula chegou a presidência, com complexo de inferioridade, e só ligou para a Universidade para onde ele queria ter ido e não foi porque era um preguiçoso na leitura, como ele mesmo faz questão de frisar. E nossos jovens, seguindo o exemplo, deduziram erroneamente que só o analfabetismo poderia levar à presidência. Este foi o “fator Lula”, que só prejudicou o país, muito mais do que a roubalheira na Petrobrás.

E agora, vamos ao texto do Hubert que apenas mostra as consequências disto. Até quando?

“O Brasil segue colecionando vexames nos rankings mundiais da educação. Não andamos de lado, andamos para trás.

A cada rodada do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – Pisa, exame realizado de três em três anos e de responsabilidade da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, ficamos patinando nas últimas posições, quase no final da fila.

Isso aconteceu em 2012, quando o país caiu posições na área de ciências. Naquele ano estávamos em 55º no ranking de leitura, 58º no de matemática e 59º no de ciências, entre 65 países avaliados. Isso voltou a ocorrer no PISA de 2015, que será divulgado nesta semana e traz o Brasil classificado na humilhante 60ª posição em matemática e ciências, entre 76 países avaliados. Dentre os latino-americanos, o Chile é o primeiro da lista, em 48º lugar. Costa Rica, México e Uruguai também estão na frente do Brasil, em 53º, 54º e 55º respectivamente.

E quando se pensa que chegamos ao fundo do poço, vem um vexame maior ainda: o Brasil está na rabeira do ranking do Fórum Econômico Mundial quando se leva em conta o desempenho dos jovens menores de 15 anos. Aí ficamos em 91º lugar!

No ranking geral do Fórum, o país fica atrás da Bolívia e do Paraguai!

Por quê?

Não há muito mistério. Pagamos caríssimo por ser retardatários. O ensino fundamental só foi universalizado na virada deste século, mais precisamente na gestão de Paulo Renato Souza no Ministério da Educação. E até aí não existia qualquer sistema nacional de avaliação do ensino.

Os passos seguintes seriam investir na formação inicial e contínua dos professores, implantar de vez a meritocracia e derrotar o corporativismo - essa força conservadora sempre resistente às mudanças. Além de enfrentar os problemas do fracasso e da evasão escolar no ensino básico.

Não foi o que aconteceu nos doze anos dos governos petistas. Os presidentes Lula e Dilma Rousseff deixaram essa agenda de lado e o país assistiu a uma sucessão de ministros da área (já estamos no oitavo), com prioridades distintas. E com políticas erráticas.

Mais grave: o Ministério da Educação abriu mão formular e articular políticas públicas capazes de mudar a face do ensino básico, de superar suas mazelas, de ingressar no século 21.

Na educação colhe-se o que se planta. Cingapura, Coréia e Hong Kong priorizaram o ensino básico, fizeram sua revolução educacional ainda no século passado. Hoje ocupam os primeiros lugares não só nos exames internacionais, mas na competitividade mundial. São melhores em tudo ou quase tudo.


Enquanto isso, o Brasil come poeira lá atrás.”