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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Depois do carnaval Temer poderá ficar com as cinzas...




Por Zezinho de Caetés

Estamos nos despedindo de vocês até depois do carnaval. Não escreveremois muito para nos poupar para as ladeiras de Olinda. Pensamos até não escrever hoje. Mas, depois que lemos o texto do Ricardo Noblat, em seu Blog, que nos chamou logo a atenção pelo título: “O governo Temer subiu no telhado”, resolvemos fazer este curto nariz de cera.

Quem nos acompanha sabe que rezamos o tempo todo para que o Temer termine seu mandato tampão, conseguido por obra e graça das mazelas perpetradas pela incompetenta Dilma, e não por golpe como alardeado pelos petistas de plantão. Seria o melhor para que tudo ficasse mais calmo e pudéssemos votar em 2018 e fazer uma renovação do Congresso de 99,9%, mais ou menos.

Entretanto, o que se avoluma de suspeita sobre o PMDB como companheiro de lambanças mil, perpetradas pelo PT, já estão se avolumando tanto que já pensamos na escolha de um presidente pelo Congresso. Sim, poderemos ter eleições indiretas, e perguntamos, o que será de nós, além do Temer?

Mas, agora os deixamos com o Noblat pois não podemos escrever mais, pensando na Pitombeira e no Elefante de Olinda. Um bom carnaval para todos.

Para o presidente Michel Temer, a quarta-feira de cinzas chegou antes do carnaval. A Igreja Católica trata a quarta-feira de cinzas como um dia para lembrar a fragilidade da vida humana, sujeita à morte.

Temer está em ótima forma física. Quanto à saúde do seu governo, ela passou a inspirar sérios cuidados desde que o advogado José Yunes depôs à Procuradoria-Geral da República no último dia 14, em Brasília.

Amigo de Temer há mais de 40 anos, assessor especial dele na presidência da República, Yunes pediu demissão do cargo em dezembro passado depois de ter seu nome citado na delação de executivos da Odebrecht.

Foi a propósito disso que ele se ofereceu espontaneamente para depor. O que contou, gravado em vídeo, compromete Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil, e deixa Temer muito mal.

Segundo Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente da Odebrecht, em 2014, depois de um pedido pessoal de Temer a Marcelo Odebrecht, a empresa repassou R$ 10 milhões a pessoas da confiança do então vice-­presidente.

O repasse foi em dinheiro vivo. Do total, de acordo com a delação, R$ 6 milhões irrigaram a campanha de Paulo Skaf, na época candidato do PMDB ao governo de São Paulo.

O pagamento do restante foi realizado “via Eliseu Padilha”, e um dos endereços de entrega do dinheiro teria sido o do escritório de advocacia de  Yunes, no centro da capital paulista.

A revista VEJA revelou o caso em agosto do ano passado. Temer e Padilha disseram que houve um pedido de doação legal, realizada nos termos da lei eleitoral. Melo Filho manteve a versão de que foi repasse de propina.

Esta semana, em entrevista que a VEJA divulgou ontem à noite no seu site, Yunes reforçou a versão de Melo Filho. “Fui mula involuntária”, declarou, apresentando-se como um inocente útil nas mãos de Padilha.

De acordo com Yunes, Padilha entrou em contato para solicitar-lhe um favor em setembro de 2014, mês em que, segundo o delator da Odebrecht, parte da fatura dos 10 milhões de reais foi quitada. Fala, Yunes:

- Padilha me ligou falando: ‘Yunes, olha, eu poderia pedir para que uma pessoa deixasse um documento em seu escritório? Depois, outra pessoa vai pegar’. Eu disse que podia, porque tenho uma relação de partido e convivência política com ele.”

Horas depois, Yunes estava em seu escritório de advocacia em São Paulo quando, segundo ele, a secretária informou que “um tal de Lúcio” estava ali para deixar um documento.

- A pessoa se identificou como Lúcio Funaro. Era um sujeito falante e tal. Ele me disse: ‘Estamos trabalhando com os deputados. Estamos financiando 140 deputados’. Fiquei até assustado. Aí ele continuou: ‘Porque vamos fazer o Eduardo presidente da Casa’. Em seguida, perguntei a ele: ‘Que Eduardo?’. Ele me respondeu: ‘Eduardo Cunha’.

Só então caiu a ficha para Yunes. Funaro era ligado ao Eduardo Cunha. “Eu não sabia. Fui pesquisar no Google quem era Lúcio Funaro e vi a ficha dele”, relembra Yunes.

Preso pela Lava-Jato, Lúcio Bolonha Funaro, doleiro, fazia negócios para Cunha, hoje preso em Curitiba. A conversa entre Funaro e Yunes foi breve. Eis o relato de Yunes.

- Ele deixou o documento e foi embora. Não era um pacote grande. Mas não me lembro. Foi tudo tão rápido. Parecia um documento com um pouco mais de espessura. Mas não dava para saber o que tinha ali dentro. Depois disso, fui almoçar. Aí, veio a outra pessoa e levou o documento que estava com a minha secretária.

De acordo com a delação de Claudio Melo, um dos pagamentos destinados a Padilha “ocorreu entre 10 de agosto e o fim de setembro de 2014 na rua Capitão Francisco Padilha, 90, Jardim Europa”.

O endereço é a sede do escritório de advocacia José Yunes e Associados. A sala de Yunes fica localizada no 2º andar.  O que mais Yunes revelou à VEJA:

- A delação do Claudio Melo fala que recebi R$ 4 milhões. Cá entre nós, R$ 4 milhões não caberiam num pacote, né? O que o Lúcio deixou foi um pacotinho. Não era um pacote grande. Foi tudo tão rápido. Parecia um documento com um pouco mais de espessura.

Na conversa entre Yunes e a VEJA, deu-se o seguinte diálogo:

- O ministro Eliseu Padilha diz que a história narrada pelo delator da Odebrecht jamais existiu. O que o senhor tem a dizer?

- Cada um com os seus valores (…). Tenho um apreço até pelo Padilha, porque ele ajuda muito o presidente. Mas não teria problema nenhum ele reconhecer que ligou para mim para entregar um documento, o que é verdade. Vamos ver o que ele vai falar. Estou louco para saber o que ele vai falar. Ele é uma boa figura. Mas, nesse caso, fiquei meio frustrado. Não sei. É tão simplório. É estranho, não é?

À VEJA, Padilha afirmou que não conhece Funaro. E que nada pediu a ele.

Em novembro, já preso, Cunha listou 41 perguntas a serem feitas a Temer, arrolado como sua testemunha de defesa. Entre as questões, estas: “Qual a relação de Vossa Excelência com o senhor José Yunes? O senhor José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?”.

Temer ainda não respondeu às perguntas.

Ontem à noite, procurado pelo repórter Guilherme Amado, do blog do jornalista Lauro Jardim, de O GLOBO, Yunes acrescentou que Temer sabia que Padilha o havia usado como “uma mula”.

- Contei tudo ao presidente em 2014. O meu amigo (Temer) sabe que é verdade isso. Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre (risos).

Yunes reuniu-se com Temer ontem à tarde no Palácio do Planalto. Não se sabe sobre o que conversaram. Mas àquela altura, Yunes já sabia que a VEJA publicaria sua entrevista na edição que, hoje, estará nas bancas.

O estrago que a entrevista causará na imagem do governo será muito grande. Por mais que Temer tenha dito que só afastará do cargo o ministro que tenha sido denunciado pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, a situação de Padilha se tornará insustentável.

Se ele não agir com rapidez livrando-se desde logo de Padilha, sua própria situação deverá ser duramente afetada.


Afinal, segundo Yunes, Temer foi informado por ele há mais de dois anos sobre como tudo se passou, não procurou Padilha para tratar do assunto e o nomeou ministro depois que assumiu a vaga da ex-presidente Dilma Rousseff.”

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Estamos pagando a conta de luz da Janete




Por Zezinho de Caetés

Alguém ainda lembra a queda na conta da energia elétrica em 2012, decretada pela ex-presidenta incompetenta Dilma Roussef? Ah, nós lembramos. Fomos à feira e compramos uma torradeira elétrica. Pois, sabem que estamos com vontade de vende-la agora?

Pois é, estamos pagando a conta da energia que a Dilma não pagou. Como já se sabe a incompententa não quer mais nem ser chamada pelo nome de batismo. Agora, ela é a Janete, faxineira dela própria. É compreensível que assim seja, pois se ela estivesse vivendo em um país onde tivesse um ditador de plantão ela já estaria presa, por crime contra a economia popular.

Transcrevo abaixo o texto da Míriam Leitão que entra nos detalhes da burrada feita por Janete em 2012, mexendo nos preços da energia de forma artificial e sem nexo. O texto é do O Globo e ela, a Míriam, o chama de “Choque persistente”, para mostrar que ainda não estamos livres, e pagando pelos erros da Janete.

Nós, como já dissemos várias vezes, fizemos um curso de Economia tempos atrás, e nem nos lembramos muito de tudo que aprendemos. Mas, lembramos sua principal lição: Não há almoço grátis, nem mesmo de capim, para dar a quem cometeu aquela burrada. E a estamos pagando até agora.

Mas, se só fosse isto, talvez estivéssemos melhor de vida. No entanto, a ideia persistente, de Lula e do PT, no passado, no presente e no futuro, para ficarem com o poder foram além de darem energia barata. Eles querem dar o paraíso aos pobres, que continuariam pobres, mas, ricos.

Esta é a eterna contradição das esquerdas. Tudo bem que se tentasse nivelar por baixo como fizeram todos os socialismos reais e que todos ficassem no mesmo patamar de riqueza ou pobreza. No entanto, isto sempre ocorreu com o surgimento de uma casta de dirigentes de vida nababesca, como Fidel, aquele ditador coreano que não sei escrever o nome, e outros.

Mesmo na China que hoje é um dos maiores países capitalistas do mundo, ainda mantém uma classe dirigente que finge comandar o país e se diz socialista em respeito a Mao-Tse-Tung, e o grosso da população que vive no capitalismo e gasta o fruto do seu trabalho como turistas nos países capitalistas.

No entanto, o tema hoje é a nossa conta de energia que vai encarecer mais ainda. Tem alguém aí querendo comprar uma torradeira elétrica?  Fiquem com a Míriam.

“A conta da eletricidade criada pela política da ex-presidente Dilma conseguiu a façanha de ser um passivo que precisa ser pago várias vezes. A mesma conta persegue o consumidor ano após ano. O erro daquela redução artificial das tarifas decretada em 2012 provocou o tarifaço, despesas para o Tesouro, crise econômica e reaparece como passivo das empresas de transmissão de energia.

O custo agora será de R$ 62 bilhões, mas em 2015 o país já pagou a mesma conta da desastrada intervenção nos preços de energia feita pela ex-presidente através do enorme reajuste das tarifas que ficou na média em 51%, mas chegou, em algumas cidades, aos níveis de 70%.

A conta de energia elétrica dos consumidores residenciais, hoje, é 33% mais cara do que antes de a presidente Dilma intervir no setor em 2012. Isso, levando-se em consideração a queda de 10% no ano passado, fruto da recessão econômica, que fez despencar o consumo, permitindo a revisão das bandeiras.

A MP 579 ficará para a história como o exemplo perfeito do que não fazer. O primeiro erro foi misturar política com decisões econômicas e baixar preços para usar como moeda eleitoral. Dilma gravou o comunicado ao país sobre a queda dos preços tendo ao seu lado o marqueteiro João Santana. Não era ano eleitoral, mas o plano era preparar uma peça publicitária.

Outro erro foi tomar a decisão de reduzir as tarifas sem olhar a situação do setor, e as previsões hidrológicas. O país estava entrando num período de estiagem, os preços dispararam, as empresas estavam expostas ao mercado livre, e literalmente quebraram. Para reequilibrar financeiramente as distribuidoras, o governo liberou socorro do Tesouro e depois determinou que elas se endividassem no mercado bancário tendo como garantia o compromisso da agência reguladora de que o custo daquela dívida seria repassado às contas. E foi o que aconteceu em 2015, quando o preço disparou. A crise havia chegado em um ponto tal que, se as tarifas não fossem corrigidas, as empresas de distribuição iriam à bancarrota.

Depois foi a vez de as geradoras quererem também se ressarcir dos prejuízos da 579 e agora chegou a hora de pagar as perdas das empresas de transmissão. Esses R$ 62 bilhões que serão, de novo, tirados dos consumidores são, portanto, a terceira vez que esse fantasma reaparece no orçamento do brasileiro. Desse total, R$ 35 bilhões são o custo de ter adiado a solução. As indenizações às empresas deveriam ter começado em 2013, mas foram postergadas pela ex-presidente. A cobrança desse valor na conta de luz será dividida em oito anos. Em 2017 serão R$ 10,8 bilhões, mas outras parcelas desse valor serão cobradas nos anos seguintes. Isso quer dizer que um erro cometido em 2012 permanecerá pesando sobre o país até 2025.

A conta foi paga também indiretamente e de várias outras formas. A inflação subiu e espalhou custos para toda a economia. A disparada dos preços acabou fazendo parte da tempestade perfeita que jogou o PIB brasileiro no buraco do qual ainda não saiu. Os juros tiveram que ser elevados, aumentando o custo da dívida pública. O setor deixou de investir por longo tempo porque muitas empresas estavam com graves desequilíbrios financeiros.

Segundo o diretor-técnico da consultoria PSR, Bernardo Bezerra, há risco de aparecerem mais dois esqueletos. As geradoras dizem que querem receber por ativos não depreciados, e as distribuidoras apresentaram mais uma conta. Dizem que o consumo caiu, por causa da crise e dos erros da MP 579, e isso as deixou sobrecontratadas, o que no jargão elétrico quer dizer que fizeram contratos para entregar mais energia do que foi consumida. O país corre outro risco que é essa MP virar agora a desculpa para todo o tipo de desequilíbrio. Até aqui, a conta das empresas era real. O perigo é virar desculpa.


Tentando fazer um contrafactual: o que teria acontecido no país se em vez de João Santana ao seu lado, com a sua suposta esperteza — a mesma que o levou à prisão — ela tivesse um bom especialista em energia? Ele poderia ter dito que ela não fizesse o que fez. Se assim fosse, provavelmente, muito da atual crise teria sido evitado.”

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A sabatina do Alexandre de Moraes e a suruba do Jucá...




Por Zezinho de Caetés

E o fato político de ontem foi a sabatina do Alexandre de Moraes, sim, aquele que já assumiu tantos cargos na Segurança Pública e no Judiciário que, se um dia receber ordem de prisão, recusará as algemas, citando mil e um artigos do código penal, para comover o policial.

Nós, como já dissemos mil e uma vezes, não entendemos quase nada de juridiquês. Mas, sempre fomos curiosos no assunto. E quando vimos o Carequinha da Justiça não se enrolar e nem piscar nas respostas às perguntas. Ficamos maravilhados.

Somente hoje, quando vamos ler a mídia é que podemos notar que os analistas dizem: “Os senadores fingiam que perguntavam e o sabatinado fingia que respondia”, com o faz o Ricardo Noblat em texto transcrito lá embaixo, no qual o título já diz tudo: “Alexandre de Moraes vai para o abraço”. O senador Jucá diria que vai para a suruba, como explicamos lá embaixo também.

Enquanto nós, a maioria ignorante come pelas beiradas, os ecos da justiça. Foram mais de 10 horas de sabatina, e não vi nem uma vez o sabatinado nem levantar para fazer xixi. Talvez ele tenha ido na hora em que eu tentava comer. Já os senadores, quando a câmera passava os olhos pelo plenário eu só via a Gleisi Hoffman. Será que ela nem xixi faz? Desculpem aqueles que são tão machistas que pensam que mulheres não tem essas necessidades.

É muita dureza ser sabatinado do Senado. Se não fosse pela certeza que todos têm dos resultados, talvez não aguentassem. Dizem que nos Estados Unidos, de onde tentamos, e com razão, copiar tudo, menos a Constituição, há sabatinas que duram meses. Mas, lá, há casos onde o sabatinado pede para fazer xixi e sai sem atingir o posto pretendido. Aqui não. Sabatinou, aprovou! Mesmo sem fazer xixi.

Foram, segundo as folhas, 19 votos a favor e 7 contra, e a Gleisi Hoffman não votou, porque se considerou impedida. Nem fui procurar saber porque ela se considerou impedida. Fico supondo que ela estava com a bexiga muito cheia. E hoje, está marcada uma sessão do Senado às 11 horas, para sacramentar o nome do Alexandre de Moraes. Alguém duvida do resultado?

Tenho certeza que o senador Romero Jucá, sim aquele que até hoje tenta explicar o que é “sangria”, quando ele se referiu à Lava Jato, não tem a menor dúvida. Ele deve pensar que o nome do sabatinado será aprovado porque numa “suruba” tudo é possível, literalmente.

Pois é, meus senhores e minhas senhoras, ao abordar a questão do “foro privilegiado” que é aquela instituição brasileira que permite que “alguns homens seja mais iguais do que os outros”, como os porcos da revolução dos bichos do George Orwell, o senador Jucá, íntimo da Lava Jato, comparou este instituto a uma suruba. Nós já sabíamos o significado desta palavra do Houaiss que diz:

Suruba: 1) muito bom, excelente, capaz (um trabalhador); 2) namoro escandaloso; 3) porrete grande, cacete; 4) sexo grupal; surubada.

Fizeram um alarde danado com o senador, dizendo que ele havia sido um chulo, quando na realidade ele foi apenas um suruba que achou que o suruba da Lava Jato vinha em sua direção. Ou seja, pelo Houaiss, o Jucá foi um excelente trabalhador que está com medo do porrete da Lava Jato.

Agora, para aqueles que tem a cabeça suja e que veem o mal em tudo, o que o senador disse era que o “foro privilegiado” é uma verdadeira suruba, nisto concordamos com ele, até quando ele diz que os julgadores devem cair for dela também, se querem ser coerentes.

Mas, hoje tem a votação no Senado, onde não esperem que se vá bater no Alexandre de Moraes com suruba nenhuma. Aquilo lá é um antro de surubas, segundo o Houaiss. Agora fiquem com o Noblat para pequenos detalhes.

“A Companhia do Teatro Insano da Praça dos Três Poderes dará, hoje, por finda a curta temporada da peça “Tome lá o meu voto, mas jamais se esqueça de mim”.

O ex-ministro da Justiça Alexandre de Moraes, indicado para suceder Teori Zavaski no Supremo Tribunal Federal, foi personagem importante da peça, mas não foi o principal.

O protagonismo coube ao Senado – ontem, à Comissão de Constituição e Justiça integrada por 27 senadores, 13 deles investigados pela Lava Jato; hoje, ao plenário com um total de 81 senadores.

Coube à Comissão sabatinar Alexandre – e o fez por mais de 10 horas. Caberá ao plenário aprovar a indicação em definitivo. É o que fará para que o novo ministro tome posse na primeira semana de março próximo.

O variado repertório da Companhia do Teatro Insano (etc. e tal...) inclui comédias de grande sucesso e tragédias que não deixam saudade. A peça que sairá, hoje, de cartaz não foi uma coisa nem outra.

O enredo foi o mesmo das outras vezes em que esteve em jogo a aprovação de um nome para a mais alta corte de Justiça do país: os senadores fingiram que perguntavam; o indicado fingiu que respondia.

Pergunta alguma, resposta alguma mudou na Comissão voto algum. Como os eventuais debates que serão travados no plenário não mudarão coisa alguma.

Alexandre driblou as poucas perguntas que poderiam lhe criar algum tipo de embaraço, e os autores das perguntas se deram por satisfeitos. A oposição fez de conta que se opôs. O governo limitou-se a apoiar.

Bem treinado, seguro da aprovação ao seu nome depois de ter visitado previamente os 81 senadores à caça de votos, Alexandre tergiversou à vontade, repetiu platitudes e não se comprometeu com nada.

Em troca, e como de costume em situações semelhantes, os senadores esperam apenas contar com a simpatia do novo ministro sempre que enfrentarem dificuldades no âmbito da Justiça.


O Senado que aprova é o mesmo que acolhe ou rejeita pedidos de impeachment contra ministros de tribunais superiores. Nenhum deles, até hoje, perdeu a toga por conta de algum pedido.”