Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Temos que ser complacentes com o fracasso anunciado?




Por Zezinho de Caetés

Em meio ao turbilhão de CPIs que assola nosso país e a briga de gato e rato entre oposição e situação para ver quem investiga mais, o imortal Merval Pereira, escreveu, semana passado em O Globo (10/04/2014), um texto que merece ser lido e comentado. Quando vi o título – “Fracasso anunciado”, vi logo que se referia a alguma coisa relacionada com o PT e este governo que o Eduardo não aguenta mais, e não deu outra. Como o reproduzo abaixo, vou me ater aos meus raciocínios sem entrar em detalhes do texto, mesmo porque ainda não tenha lido o livro citado, embora o farei assim que possível, porque o tema me interessa, e muito.

No fundo, no fundo, o que os autores citados pelo imortal tentam explicar é simples e complicado ao mesmo tempo. Explico para não acharem que eu estou maluco. Eles tentam responder à pergunta: Por que o Brasil cresce menos do que aquilo que pode? Eles, logo no título usam a palavra “Complacência”. Bingo, eis ai toda a resposta para a pergunta que parece difícil. Não se pode governar um país sendo complacente, e mais do que isto, fazer como o PT cuja complacência teve apenas a finalidade de permanecer no poder. O “Lulinha paz e amor” começou tudo. Durante seu governo houve a bonança, pelos bons ventos da economia mundial e sua decisão de seguir a política macroeconômica de FHC,  produzindo alguns avanços na economia brasileira, principalmente, em termos de inclusão social, mesmo sem o alarde que é feito pela Mãe do PAC, de que o Brasil já acabou com a miséria. Durante este período, não foi feito mais nada, a não ser usufruir da situação para eleger-se pela segunda vez e eleger o poste que hoje se encontra com a luz quase apagando no Planalto.

E foi o poste que pegou a herança maldita, e o que é pior, não fez nada para sustar o desastre que todos esperavam que era a volta da inflação e o baixo crescimento econômico, que, se continuar seu governo vai ficar conhecido como o da exclusão social, e ficaremos esperando outro FHC, com coragem para fazer as reformas necessárias e debelar outra vez a inflação, preparando o Brasil para ser novamente o país do futuro.

Vocês lerão abaixo que um dos grandes problemas a enfrentar é a questão da educação, pois chegamos ao fim de 12 anos de PT, na rabeira de todos os exames internacionais, e sendo este setor o grande responsável pela baixa produtividade no período recente. O que este governo fez a mais nos últimos 10 anos, o fez dentro do padrão Dilma de qualidade, que é péssimo. Ficamos na rabeira até na própria América Latina. E, como comentamos antes, até para cuidar de nossa saúde temos que importar médicos cubanos em regime de escravidão. Em suma, não estamos preparados para continuar no século XXI como um país que utiliza todo seu potencial por erros de política econômica, e por uma ideologia caquética de endeusamento do Estado, este monstro que vem crescendo apenas, para melhorar a vida de alguns nas extremidades de renda: os muito ricos, para darem propinas e financiar campanhas, e os mais pobres, para votarem em postes apagados, enquanto a classe média definha para custear tudo isto através dos impostos escorchantes.

Em suma, e vejam os dados do texto abaixo, o que devemos temer não é o país durante a copa, e sim dizer: imagine depois dela. E, que Deus nos livre e guarde, se o PT continuar no poder, para onde iremos? Eu só estou vendo, por hora, um bando de vacas indo para o brejo, se isto acontecer. Embora eu saiba, e todos que entendem um pouco além da propaganda do governo, que qualquer que seja o nosso próximo presidente, a coisa não será fácil. Colocar este país de volta nos trilhos depois do descarrilhamento  provocado pela Mãe do PAC, não vai ser fácil. Aliás, vocês acham que uma pessoa que diz o que ela diz nos vídeo abaixo, pode pelo menos salvar uma vaca de ir para o brejo? Imagine um país!

Fiquem com o filme que encontrei nas minhas andanças pelo blog e depois leiam o imortal, juntem as duas coisas e vejam porque o título do seu texto é “Fracasso anunciado” (o vídeo não faz parte do texto do Merval Pereira).



“Em ano eleitoral, em que a diferença entre a percepção e a realidade se amplia muito devido à disputa política, há pouco espaço para uma análise mais profunda acerca das limitações do modelo econômico vigente, embora elas possam estar apontando para épocas futuras mais sombrias. É por essa razão, e com visão crítica, que os economistas Fabio Giambiagi e Alexandre Schwartsman escreveram o livro “Complacência — Entenda por que o Brasil cresce menos do que pode”, publicado pela editora Campus, lançado esta semana.

Um exemplo para ser pessimista: na última década, a taxa anual média de crescimento da economia brasileira foi de 3,5%. Nesse mesmo período, as taxas médias de Chile, Colômbia e Peru foram de 4,6 %, 4,7 % e 6,4%, respectivamente, enquanto o vizinho Uruguai cresceu 5,1 % ao ano. É bem possível que, ao fim do mandato da presidente Dilma, a taxa média dos quatro anos mal chegue a 2%.

Os economistas mostram que um conjunto de fatores contribuiu para o êxito das políticas oficiais após 2003, sobretudo a relação entre preços das exportações e das importações, baixas taxas de juros internacionais, taxa de câmbio e os excepcionais dados do emprego, fatores que os economistas denominam de “quadrado mágico”.

“Até o começo da atual década, vivemos a ‘fase fácil’ e, para crescer, bastava injetar demanda na economia. Mas era algo que cedo ou tarde iria acabar. O fracasso do modelo adotado, após a fase da bonança mundial, estava anunciado”, diz Giambiagi.

Com o início da “etapa difícil”, quando foi necessário expandir a capacidade de oferta, o governo falhou, na visão dos autores. Dessa forma, a poupança doméstica se manteve baixa, incapaz de financiar o investimento requerido, e tivemos o que chamam de “risível crescimento da produtividade”: apenas 1% ao ano entre 2001 e 2011. Na China, no mesmo período o crescimento da produtividade foi de 9,9% e na Índia, 6,4%.

“O fato é que a maior parte dos países está se preparando com afinco para um mundo de muita competitividade, mas o Brasil está deixando a desejar”, alertam os economistas, para quem as contas da política econômica da última década estão chegando. Para eles, um dos mais urgentes problemas a ser solucionado é a escassez de mão de obra qualificada, através do esforço educacional.

O grupo de pessoas que está no mercado de trabalho, a chamada população economicamente ativa, cresce a taxas cada vez menores. “A pirâmide etária brasileira sofrerá uma alteração dramática nas próximas três décadas e meia”, relata Giambiagi. “Em razão do peso da questão demográfica e dos resultados do país no campo da Educação, a tendência à baixa produtividade se manterá, representando um constrangimento sério para o crescimento econômico futuro do país”.

A Índia e a China massificaram o envio de alunos a universidades internacionais. Na Coreia do Sul, 64 % da geração entre 25 a 34 anos se formou em universidade (dados de 2011), representando um ganho de 51 pontos percentuais em relação à geração mais velha com idade entre 55 a 64 anos — que contabiliza 13% de pessoas com curso superior.

No caso do Brasil, onde apenas 9% da geração com idade entre 55 a 64 anos tem curso superior, a atual proporção de 13 % de pessoas com formação superior na geração de 25 a 34 anos revela um incremento de modestos quatro pontos percentuais, e representa três vezes menos que a taxa do Chile (41%) e quase quatro vezes menos que a taxa da Rússia (56%).

Os autores destacam que a proporção de alunos que conclui o ensino médio é muito baixa em termos comparativos, não só em relação aos países mais avançados, como em relação a outras economias emergentes. Enquanto no Brasil apenas seis de cada dez pessoas na faixa de 25 a 34 anos concluíram o ensino médio, no Chile essa proporção é de nove de cada dez pessoas.


Para retomar o crescimento sustentado com vistas a ganhos de competitividade, eficiência e produtividade, para substituir o “quadrado mágico”, que já não existe, Giambiagi e Schwartsman sugerem o “pentágono virtuoso”, representado pela ênfase em i) competição; ii) poupança; iii) infraestrutura; iv) gasto público eficiente; e v) investimento em Educação. E ressaltam que o roteiro de reformas precisa ser complementado.”

terça-feira, 15 de abril de 2014

Conversa de carnaval em Bom Conselho.




Por Carlos Sena (*)

Conversando com mamãe acerca do carnaval em Bom Conselho consegui dela relatos interessantes. Contou-me, dentre outras coisas, acerca dos blocos: Paga Nada, Vai ou Racha, As Moreninhas, Turma do Funil, O Amigo da Onça, Bola de Ouro. Lembro-me pouco acerca, mas, me contento com uma vaga lembrança do Paga Nada - famosos por ser conduzido por Brás. Outra breve lembrança é das Moreninhas. Elas desfilavam com fantasias tipo Bloco da Saudade aqui no Recife. Contudo, minhas memórias do carnaval mais fortes estão no entrudo. Eu adorava o mela-mela, o molha-molha.

No meio dessas recordações, a Turma do Funil me é bem viva. Aquela multidão toda em volta de um Funil enorme descendo a rua em direção ao CENTRO. Não era o centro da cidade, mas um clube que ficava num primeiro andar onde funcionava, no térreo, a coletoria estadual. Zé Puluca dava show e decretava feriado. Não sei se esse "centro" já era o Clube dos 30, mas acho que sim. Há! Não poderia m esquecer do Amigo da Onça. Segundo mamãe, Ivan Crespo era o grande condutor do bloco. Bloco ou troca? Hoje, do outro lado da Eternidade, nosso Ivan deve estar feliz por demais: viveu tudo que lhe coube e foi feliz. Deixou alguns "amigos da onça", mas deixou amigos de verdade. A vida pra ele nunca foi o "afunilada", mas reta e rica com o fruto do u seu labor...

Mamãe me fez viajar nas suas lembranças  e eu peguei carona nas sua imaginação. Hoje, não sei se na terrinha tem bloco, tem troça ou tem troço. Ouço falar no carnaval do beco e agora no boneco do Zé Puluca. Ouvi outrora falar também no carnaval fora época papacagay - versão local de uma parada gay que, segundo Lucinha Peixoto (que se escafedeu), nunca aconteceu por questões óbvias. Hoje, no burburinho de recordações, fico pensando: o Paga Nada não existiria hoje, pois o capitalismo exagerado não permitiria. O Vai ou Racha talvez, porque para os baderneiros que vivem hoje com a cara coberta matando gente e depredando o patrimônio, "ou vai ou racha". Já o Bola de Ouro, hoje, seria Bola de Ourina, nestes tampos de tanta jóia Ching-ling  e de bijuterias do Paraguai. As Moreninhas, certamente existiriam, diante dos pequenos avanços que alcançamos nas questões de raça. De "Amigo da Onça" a cidade deve ter um bocado. E a turma do funil? Em cada pessoa do bem que afunila em si o amor; em cada toque de sino, que afunila em si a fé do nosso povo. Em cada criança na escola, que afunila o saber das novas gerações.

Agora licença que já me vou. Vou pro Galo da Madrugada. Já fui ao Baile da Saudade e depois quero ir ao Segurucu em Olinda. Fui ver se existiam as Catraias de Boa Viagem, mas essa troça acabou. Assim, melhor sair na SEGURA O TALO, do bairro da Jaqueira. Tomara que tu já queira.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 25/02/2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A semana - A guerra das CPIs e a gota d'água


"Meus caráter continua o mesmo mas os meus cabelos!"


Por Zé Carlos

Tivemos outra semana. E realmente para meditar sobre a política brasileira, não há como uma semana depois da outra e a Petrobrás no meio. Eu, como torcedor do Náutico e diante da sua vitória sobre o Salgueiro (quem diria que depois do hexa eu me alegraria com isto!?) adorei as metáforas futebolísticas do Lula. Aliás, o nosso presidente em exercício pode ser considerado o rei das metáforas.

Quem não lembra daquela: “Governar é como uma maratona. Você não pode começar a 80 por hora, porque o seu fôlego pode acabar na primeira esquina.” Ou, “Vamos trabalhar para ganhar as eleições. Não é uma eleição fácil. É como time de futebol. Quando o time está ganhando de um a zero, de dois a zero, quando o time está ganhando, recua, não quer mais fazer falta, pênalti, fica só rebatendo a bola. E quem está perdendo vem para cima com tudo, e é com gol de mão, de cabeça, de chute, de canela. Não tem jogo ganho ou fácil.” Estas metáforas já renderam livros e vários estudos acadêmicos, pois, inegavelmente, o Lula é um grande comunicador. É uma pena que não tenha ido para SBT, juntar-se ao Sílvio Santos ou ao Gugu, e ter livrado o país de ter o a Dilma no governo tentando imitá-lo e fazendo besteira.

Saibam que a segunda metáfora citada acima foi dita antes das eleições de 2010. E o filme do UOL gira em torno de uma entrevista a uma plateia bem comportada, onde ele quase a repete, dizendo que o PT deve ir para o ataque, e só faltou ser mais explícito quanto aos chutes na canela e aos gols de mão. E vai começar tudo de novo. Para eleger a Dilma outra vez vai ser um vale tudo, ou ele e ela vão fazer o diabo, ou como ele diz agora: “vamos levantar a cabeça e brigar de verdade”. E haja gol de mão e empurrão dentro da área. Tudo isto porque se descobriu que a Petrobrás hoje é a PTobrás e que o partido manda e principalmente desmanda na empresa desde a época de Lula, e, dito pela própria Dilma, a tentaram enganar com um relatório que dizia ser a compra de uma refinaria, o melhor negócio do mundo para nossa maior empresa, que um dia nos fez até sonhar que o petróleo seria nosso. E hoje, vemos no filme o ex-presidente da empresa dizer que o negócio era muito bom. É de morrer de rir, se já não tivesse desmaiado de chorar a semana toda, pelo pouco de vergonha que me restou.

Então, quem enganou quem nesta história toda e que nos fez pagar o pato pelo prejuízo que PTbrás teve? Mais desmaios senhores, mas, cheirem um pouco de cânfora, que não é um subproduto do petróleo, mas, resolve nestas horas. É muito descaramento.

E a briga das CPIs continua como nunca. A oposição quer investigar a Petrobrás e a situação, bancando a grande investigadora, quer investigar tudo. Dizem até que querem investigar os nomes dos índios que comeram o Bispo dom Fernandes Sardinha em 1556, no litoral de Alagoas, e pasmem, foram os índios Caetés. Será por que o Lula é de lá? Meu amigo Zezinho de Caetés com a palavra. O Romero Jucá diz que é apenas uma briga política. Imaginem o nível da política no Brasil. Penso que os autores do filme só colocaram esta declaração para acordar quem estavam vendo o filme, como eu, e que já estavam desmaiados e acordaram com um ataque de riso.

E com diz muito bem o Jackson do Pandeiro, este jogo não pode ser 1 x 1, o governo ganhou a discussão na Comissão de Constituição e Justiça para criar uma comissão ampla, geral e irrestrita. Até que enfim se fará justiça ao bispo devorado pelos índios, indicando os seus comedores. Pelo físico, forte e robusto, quem deve ter cuidado é o Ronaldinho, o fenômeno, além do André Vargas, afinal de contas aquelas barrigas podem não ser só de chopp e pode ser de carne de bispo.  Mas, já estão dizendo que esta CPI, que agora vai incluir os malfeitos do PSDB e do PSB, vai ser uma verdadeira Comissão da Verdade. A oposição está dizendo que não é legal por não ter um fato determinado como exige a Constituição. Ou seja, os malfeitos no Brasil são tão amplos que os resultados da CPI deverão sair no ano 2053, sendo lido durante o programa Big Brother Brasil 53 pelo Pedro Bial Neto.

E, contenham o riso, quem defende esta CPI amplíssima é o Renan. Ele diz que como é que poderia ter uma CPI que incluísse só os malfeitos da Petrobrás e deixar de fora o metrô de S. Paulo ou o porto de SUAPE? E eu pergunto, e por que não incluir o resultado do seu implante de cabelos feito às custas da FAB?  E agora, me lembrei do José Wilker, que morreu há pouco e espero que não tenha sido de desgosto, na novela Renascer dizendo o famoso bordão do Coronel Belarmino: “É justo, muito justo, é justíssimo”. Um coronel é sempre um coronel, e quando o cabelo já está crescendo pode fazer o que quiser. “É felomenal”, como diria no nosso filósofo maior, o Giovanni Improtta.

Eu, parafraseando o Lula, sobre o André Vargas, digo que espero que o PT não tenha nada a ver com tudo isto, porque senão quem paga o pato é o Brasil, que vai se tornar o país da música que toca por último no filme: “De dia falta água e de noite falta luz...” e, não resistindo, completo: “... e na casa que não tem um enganado é milagre de Jesus”.

E, quem diria, só pode ser um azar da oposição, o PSDB escolher uma propaganda que diz que o copo d’água transbordou, quando em São Paulo as donas de casa começam a lavar pratos com areia. Seria como o PT colocar uma propaganda mostrando uma casa com todas a luzes acesas e explodindo por causa do excesso de energia elétrica. Seria cômico se não fosse trágico.

Mas, chega de conversa, vejam o roteiro dos produtores do filme e logo abaixo o vejam e tentem não pensar no aumento do preço da gasolina nem da energia elétrica, que, como chuva de janeiro, tardará, mas não faltará.

“Em longa entrevista concedida a blogueiros nesta semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou o PT e o governo a reagirem diante das denúncias feitas contra a Petrobras. Enquanto Lula sugeria a ofensiva, a base governista conseguia incluir no pedido de criação da CPI da Petrobras a investigação de denúncias contra os governos do PSDB, em São Paulo, e do PSB, em Pernambuco. E os tucanos veicularam nesta semana uma propaganda de TV usando a imagem de um copo transbordando, mas em São Paulo, Estado que administram há quase 20 anos, o governador Geraldo Alckmin admitiu que há risco de racionamento de água nos próximos meses.”


sábado, 12 de abril de 2014

O CACHORRO DE BOTAS - O cachorro do deputado engordou




Por Zé Carlos

Na minha caminhada de hoje não houve muitas novidades. O Nick voltou a calçar suas botas e ficar com aquele ar bonachão de quem reina no pedaço. Seus acólitos cachorros, como sempre, chegaram perto e esperaram o mestre falar. Eu já havia andado e parei também, pensando em ouvir os disparates gerados pelo mau-caráter do Nick. E desta vez, ele se dirigiu primeiro a mim com um ar de sabedoria de profeta do apocalipse:

- Zé Carlos, você viu o que está nas notícias?

- Claro, Nick, eu tento me informar sempre que posso e meus netos deixam.

- Então você deve ter lido sobre o deputado André Vargas, aquele lá do Paraná! Como você sabe, ou deveria saber, eu andei por lá certa época e fiz amizade com o cachorro dele, o Youssef. O cachorro do deputado é de minha raça e tem o meu caráter, ou seja, nenhum. E, talvez por isso mantemos até hoje uma grande amizade.

- Que nome estranho deste cachorro Nick?! Youssef??

Disse eu fingindo uma pequena ignorância para incentivar o Nick a expor suas ideias, que ouço sempre com um pé atrás. E o Nick continuou:

- Ah, o Youssef, grande cachorro. Safado que só ele. Seu dono era um doleiro chamado Alberto Youssef, e daí o seu nome, que foi escolhido na dúvida entre Dólar e Youssef, quando seu dono soube que o Dólar já existia e era do Riquinho, aquele dos quadrinhos. Ele achou que, como sua profissão era fazer os políticos ficarem ricos, isto poderia dar muita na vista. Daí o nome do cachorro do Alberto Youssef. Mas, voltemos ao cachorro do deputado que se chama Ilário, e não me pergunte o porquê. Talvez seja devido ao ar de riso de alguns políticos quando recebem, do seu dono uma propina.

- Propina, Nick!?

- Eu também fiquei chocado com as histórias que vi na TV e li nos jornais sobre o dono do Ilário. Dizem que ele quis dar uma cotovelado no Joaquim Barbosa, e só não o fez porque iria pegar muito mal para o seu partido. Levantou só o punho cerrado imitando os mensaleiros que hoje habitam a Papuda. Se você não sabe, a Papuda é a aquele presídio de Brasília que se especializou em político ladrão, e no qual já foram construídos até canis para cachorros sem caráter como eu e o cachorro do Zé Dirceu.

- E a propina, Nick!?

- Espera que eu chego lá. Li que o Vargas, dono do Ilário, está causando o maior rebu em Brasília, porque ele seria o intermediário entre vários políticos e o dono do Youssef, para alimentar o Caixa 2 de alguns partidos e os Caixas 3, 4, 5 e 6, de alguns deputados, e até senadores.

- Nossa, Nick!

- Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, a Polícia Federal encontrou e-mails de Youssef tratando de doações para políticos com diretores da empreiteira Queiroz Galvão e da empresa Jaraguá Equipamentos. Ambas têm contratos com a Petrobras e atuam na construção da Refinaria Abreu e Lima, que estaria superfaturada por influência de Paulo Roberto Costa, que está preso com o Alberto Youssef, e nem sei se ele tem cachorro para fazer companhia Youssef, amigo do Ilário. Nos e-mails, eles acertam doações no pleito de 2010 e a emissão de recibos pelos beneficiados. O PP declarou ao TSE ter recebido R$ 500 mil da Queiroz Galvão e R$ 2,24 milhões da subsidiária Vital Engenharia. As seções baiana e pernambucana do PP também receberam doações, de R$ 500 mil e R$ 100 mil, respectivamente, e o executivo estaria cobrando os recibos no e-mail para Youssef, certamente por ter sido ele o mediador. Alguns parlamentares do PP, como Roberto Teixeira (PE), Nelson Meurer (PR), Roberto Britto (BA) e Aline Corrêa (SP) — filha de Pedro Corrêa, cujo cachorro, o Correinha, também é meu amigo, condenado no processo do mensalão — teriam recebido doações individuais. Outro condenado na Ação Penal 470, o ex-deputado Pedro Henry (MT), também. A matéria cita ainda a seção do PMDB de Rondônia, chefiada pelo presidente em exercício do partido, senador Valdir Raupp. Se forem confirmadas transferências frequentes e abrangentes de recursos para partidos ou parlamentares, estará configurado um propinoduto ou esquema de financiamento político-eleitoral ilegal, o que sempre dá no mesmo. E é o fio dessa meada que a oposição tentará puxar na CPI, quando for instalada, assim como a CPI dos Correios não se interessou nem um pouco pelo que houve nos Correios sob a influência de Roberto Jefferson, concentrando-se nas relações entre o valerioduto e os aliados do governo. Se o doleiro negocia com empresários doações para políticos, está claro o papel dele de elo num esquema de favorecimentos recíprocos em que os partidos da base usam seus feudos no governo, especialmente na Petrobras, para obter vantagens. Vi ontem o Aécio e seu cachorro, o Popó, indo ao STF, movendo uma ação para deixarem criar um CPI da Petrobrás. Não sei se foi uma boa ele levar o Popó. Dizem que quando ele encontra o cachorro do Lewandowski é briga feia.

- Meu Deus, Nick! E daí?

- Prá você ver como está o clima lá em Brasília. Foi mostrado também que o dono do Ilário, o deputado, era muito amigo e parceiro do dono do Youssef, cachorro do doleiro, e o Ilário está tremendo de medo de ir parar na Papuda, pois ele detesta o cachorro do Genoíno. E o pior de tudo é que estão ligando o Youssef com o que aconteceu na Petrobrás na época do Lula. Dizem que o aparelhamento político da Petrobras teve um momento emblemático em 2005, quando o ex-deputado Severino Cavalcanti reuniu-se com a então ministra Dilma e pediu para seu partido, o PP, “aquela diretoria que fura poço e acha petróleo”. Tudo foi presenciado pela cadela da Dilma, que ouviu a dona dizer ao Severino (dono de um cachorro, grande amigo meu, o Biu) que a Diretoria de Exploração e Produção não poderia sofrer alterações, mas que outro posto na empresa poderia ser estudado para um indicado dele. Severino já presidia a Câmara, não gostou e passou a torpedear o governo, até cair na esteira do escândalo do “mensalinho” do restaurante da Congresso.

- Nick, eu estou pasmo! Como é que tu sabes todas estas coisas? Tu não estás inventando não, não é?

- E eu sou cachorro para andar inventando coisas, Zé Carlos. Eu li num artigo que a cachorra da Teresa Cruvinel, a Cruvinha, me enviou, que sua dona escreveu num jornal de Brasília. A Cruvinha sempre me deu bola, mas eu juro que dos cachorros que ela teve não sou pai de nenhum. Foi ela que me enviou também a foto do Ilário, o cachorro do Vargas, que você poderia usar para ilustrar o que você escrever sobre esta nota conversa. Eu achei um horror. Tanto o Ilário quanto o dono, nos últimos anos pegaram uns quilinhos a mais, não é mesmo? Como dizem que obesidade é coisa de rico, talvez isto seja uma prova de que o Youssef, cumpriu a promessa em diálogo que a imprensa divulgou a partir de escutas da Polícia Federal quando disse: “Você vai ver o quanto isso vai valer. Tua independência financeira. E nossa também eh claro. Kkkkk” . Penso que o Ilário está é com medo de ficar pobre e virar o cachorro magro que era e ir fazer companhia ao Youssef.


O Nick levantou-se, com um ar de cachorro que sabia demais, e eu vim correndo tentar reproduzir suas palavras aqui. Mesmo sabendo que ele pode estar inventando a partir de seu mau-caratismo, eu relevo por que sei que um cachorro, é um cachorro, é um cachorro...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Coca que vira Fanta.




Por Carlos Sena. (*)

Em todo carnaval, no Recife, não me canso de registrar a enorme quantidade de homens que se vestem de mulher. Nada contra e nem poderia. Mas, sempre há um mais! Retruco: por que não se vê uma só mulher vestida de homem? É aí que a porca psicanalítica torce o rabo. O rabo da complexa auto-afirmação machista; o rabo complexa imaginação de ser "mulher" no carnaval quando a mulher, para a grande maioria dos homens continua sendo por eles vitimadas. Ora pelo pelo próprio  machismo, ora pela falta de companheirismo, ou simplesmente, pela equivocada e ultrapassada concepção de mulher como sendo do sexo frágil. Em sendo frágil, podem bater nelas, agredir, matar, etc. Ou não? Outro rabo? Talvez seja o rabo que fica de fora quando o armário fecha. Ora, em estando armário fechado durante um ano inteiro talvez não custe nada para muitos homens que se vestem de mulher no carnaval, estarem ali com as "frangas soltas". As virgens do Bairro Novo, segundo corre a boa miúda, ficaram "rachadas" ao ponto de, atualmente existiram duas VIRGENS. Uma delas é a de Verdade! Tudo isso, certamente, porque havia um patrulhamento no sentido de que viado, frango, bicha, homossexual e assemelhados, não ousasse se "infiltrar por lá. Se verdade ou mentira não sabemos, mas há certa lógica nisso. Porque se há uma Virgem de verdade é porque a outra é de mentira, ou não? Como se vê até dentro das agremiações existe preconceito. Preconceito esquisito, considerando que no carnaval, até as frangas podem ser soltas abertamente e conviver com todos os galos e frangos e galinhas...

Mas. Retomando o "mas", o que me encafifa é o fato de não se ver em nosso carnaval mulheres vestidas de homem. Será que elas são mais assumidas como mulheres do que os homens? Ou será que nossos homens, assoberbados de machismo, não estão apenas deixando passar suas inseguranças afetivas por debaixo das indumentárias femininas? Cada um que pode tirar suas conclusões, mas que há muita Fanta se passando por Coca-Cola no carnaval, isso há. Quem quiser pode fazer a seguinte prova: quando, no carnaval, for passando um homem vestido de mulher, dê uma deidade no seu fiofó. Ele não vai reagir sem violência como talvez algumas mulheres reagissem. O pau canta. Ele recupera o machismo e perde o sentimento lúdico do carnaval. Ou não?

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 23/02/2014