Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A semana - "Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão..."




Por Zé Carlos

Bem, meus prezados amigos e inimigos (não sei se os tenho) estamos aqui para comentar mais um semana que passou, neste país que antes “era abençoado por Deus e bonito por natureza”, e que com a campanha eleitoral passou a ser “abandonado por Deus e feio por natureza”. A baixaria abunda. No entanto, tal qual nas comédias pastelão, quanto mais há brigas mais divertida ela fica. Para os humoristas e simpatizantes do humor, está sendo um sucesso.

E o horário eleitoral ainda continua a ser o melhor programa de humor do rádio e da televisão brasileiros. Durante esta semana, ri tanto, logo no início, que parei de ver nos outros dias. É literalmente de morrer de rir. E olhem que aqui nós não vemos, infelizmente, o programa do Tiririca, embora não faltem outros comediantes no horário.

E com a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto, a coisa vai ficando cada dia mais feia, no bom sentido, de levar ao riso às bandeiras despregadas. Elas dizem que agora a Dilma cresceu, a Marina parou e o Aécio desceu, enquanto os nanicos continuam nanicos mesmo. Mesmo assim a Marina ainda mete medo no PT ao ponto deste partido partir para a “torta na cara”, e para o “chute na canela” e “puxão de nariz” igual aos velhos filmes do O Gordo e o Magro, Os 3 Patetas ou Os Trapalhões. Mas, a briga é generalizada.

O Aécio está lá embaixo mas diz que um delator pode ajudá-lo a subir. Lembram do Paulo 
Roberto Costa, que está tentando receber o prêmio pela delação de seus colegas? O Aécio quer surfar nas marolas que suas declarações estão fazendo para chegar pelo menos em segundo lugar. A Marina, que estava disparada em segundo lugar agora está “cabeça a cabeça” com a Dilma. E esta, olhando para traz e vendo a Marina fungar em seu cangote, partiu para o golpe baixo. Seguindo a metáfora do turfe, agora ela está usando o chicote para Marina não emparelhar. Marina reage dizendo que não usará o chicote porque tem condições de chegar à frente sem usá-lo. E o páreo continua.


As brigas e os xingamentos entre as duas candidatas são tantos e de tal natureza, que se não rirmos, terminaremos chorando, como dizem que a Marina chorou com o que o Lula disse dela. Se eu estivesse presente, diria logo: “Enxugue as lágrimas, faça um sorriso e mostre a todos que é feliz...”. Talvez a lembrança da canção pudesse ajudá-la. Já a Dilma não chora, a não ser, quando lembra da Cristina Kirchner, e do modelito, um pretinho básico, que ela usava no encontro com o Papa Francisco, muito mais bonito do que o dela. Dizem que ela chorou também quando a Marina a chamou de gorda. Há ofensa maior a uma mulher do que isto? Há, e a Dilma revidou chamando-a de Olívia Palito da Floresta. E a Marina não choraria por isso, a não ser que fosse o Lula que tivesse dito. Dizem que ela apenas deu um breve sorriso e murmurou: “A anta do Planalto atacou de novo”.

Eu só sei que a briga é para ninguém botar defeito. E o Aécio parece que, se mostrando educadíssimo disse: “Primeiro, as damas!”. Elas não tiveram dúvida e desembestaram numa carreira, que pareciam mais duas mulheres tentando pegar o buquê de uma noiva. E a Luciana Genro, que é a favor do casamento de pessoas do mesmo sexo, ficou só olhando e murmurando: “É esta a nova política? Parece até briga de amor!”. E o que nos resta fazer? Ri é claro!

E o filme do UOL, o que nos traz? Como não poderia deixar de ser vem com Sílvio Santos animando a briga das candidatas que não querem nem saber dos bancos, mas, não dispensam o dinheiro deles. Parece até brincadeira, e é mais fácil acreditar no Sílvio, do que em Dilma e Marina neste caso. E vejam o filme da propaganda petista. Ele sugere que a Marina vai “roubar” a comida da mesa dos pobres junto com os banqueiros e Marina rebate que é a Dilma que deu a “bolsa banqueiro”. Como já sei que ambas estão com os banqueiros e não abrem, eu ri mesmo foi com as musiquinhas do filme, me lembrando de minha vida lá em Bom Conselho onde as cantei muito no Clube dos 30. Lá, naquela época nem banco havia. E haja riso.

Mas não pude conter o riso foi quando o filme toca no assunto da Delação Premiada, na qual o assessor da Petrobrás, o Paulo Roberto Costa, ontem o homem mais querido dos políticos e hoje preso e com medo bota a “boca no mundo”. Principalmente, quando ouvi a música, “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão...”. A música agora virou filosofia, pela verdade de suas letras. São tantos os implicados com as falcatruas que não coube num edição só, da revista e a Revista Veja desta semana já trás novos atores da pantomima maquiavélica que ocorreu na Petrobrás nos últimos anos. E, aguentem mais um pouco e sorriam quando souberem quem estava envolvido: O Marcos Valério, hoje o grande defensor e usuário do “governo de coalizão”. Ele é o cara, ou a cara de nossa “nova república”.

Ainda estão vivos? Então continuem vendo o vídeo protagonizado pelo Lula, pela Dilma e pelo Agnelo Queirós. Eu adorei a coreografia. Não sei por que não foi usado na propaganda eleitoral gratuita do PT. Seria um sucesso para a Dilma mostrar a Marina que ela não está gorda e que ainda é capaz de dar “um beijinho no ombro”. E viva a Independência do Brasil!

Bem, fiquem com o resumo do roteiro do filme feito pelos seus produtores, e não deixem de ver o filme até final para conhecer o cachorro do senador Álvaro Dias, e terminar alegre e cantando com o Sílvio Santos: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí....”, e tenham uma boa semana, se puderem.

“O Escuta Essa! deste domingo (14) relembra as alfinetadas da semana entre as candidatas à Presidência Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) em torno das atribuições e poderes do Banco Central propostos pelas duas em suas campanhas eleitorais. O ‘vazamento’ de informações apresentado pela revista Veja do depoimento sigiloso de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, também balançou os ânimos na política. A acusação de que integrantes do governo receberam propina ofuscou as comemorações do feriado de 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil.”


domingo, 14 de setembro de 2014

Marina e a máfia petista




Por Zezinho de Caetés

Espero que o Zé Carlos publique o filme a abaixo com este pequeno texto que foi o que consegui escrever, pois nem sei se serei publicado. Se for, meditem sobre ele e ajam em outubro. Se o PT ficar entraremos num regime de terror.


sábado, 13 de setembro de 2014

Seria Marina um esboço de Lula?




Por Zezinho de Caetés

Nesta sexta-feira modorrenta de Recife, onde, em pleno setembro as chuvas teimam em continuar verão adentro, eu me prostro diante dos blogs e leio um texto do Sandro Vaia, onde ele, a partir do título, “As fábulas de uma eleição”, até divertiria crianças se elas soubessem ler. Mas, elas não sabem, em sua grande maioria, estudam numa escola pública de baixa qualidade, enquanto o Lula criou 6.000 universidades (ou foram creches que a Dilma prometeu?) para gerar analfabetos funcionais.

A associação da briga política entre a Dilma e a Marina com os contos de fada é sensacional e vocês podem ler abaixo. Eu, em minha missão informativa, faço este nariz de cera, tentando apenas mostrar quão é fundo o poço em que 12 anos do PT nos meteu. Pelo menos as fábulas infantis tem sua boa utilidade, mas, as mentiras do PT, só têm desutilidades.

Depois de 12 anos de cevar o sistema bancário, tendo sido o Olavo Setúbal  o grande artífice da candidatura de Lula, sugerindo a ele que escrevesse aquela famosa Carta aos Brasileiros, e deixar por 8 anos o Meirelles mandando e desmandando no Banco Central, agora, o mote de sua criatura, a Dilma, se vendo acossada pela Marina que leva a tiracolo uma filha de banqueiro, diz, em tom de crítica que a Marina “é bancada por banqueiros”. Isto, para o Lula, seria um elogio, apesar do seu discurso contra as elites, da qual ele sempre tirou os banqueiros companheiros.

Enquanto isto, ao invés de Marina dizer que banqueiro também é gente, e que trabalha como qualquer empresário para girar a economia brasileira, diz de volta que quem gosta de banqueiro é a Dilma, como se banqueiro fosse filho de Belzebu.

Isto só passa aos eleitores mais informados a ignorância das duas senhoras quanto ao papel do sistema financeiro e dos bancos numa economia desenvolvida como a brasileira, mesmo que durante os últimos anos se tenha tentado fazer dela um capitalismo de Estado da pior espécie, hoje em estado vegetativo de estagflação. Não vou aqui jogar meus parcos conhecimentos de Economia, obtidos num curso fora de minha formação, para explicar isto. Apenas digo que sem banqueiros, voltaríamos à idade da pedra.

E quanto à independência do Banco Central? Aqui no Brasil vivemos num sistema econômico, onde só se desenvolveu um pouco e com equilíbrio, quando o Banco Central se fingiu de independente, mesmo que legalmente não fosse. Foi com esta independência que logramos alguns anos tendo uma moeda, pelo menos a que pudéssemos chamar de moeda. E a Dilma esqueceu que o único período onde houve um certo progresso com estabilidade de preços no governo do PT, foi no início do governo Lula, porque o Banco Central se comportou como independente, e o Palloci imitou o Malan por uns 6 anos. Depois veio o que está aí, em termos de inflação e baixo crescimento.

Mas, agora, o objetivo do PT é passar mais um tempo no poder, e, para isto, eles não tem medo de criar um bruxa que mente o tempo inteiro. Por outro lado, a outra senhora, a Marina, tenta também, se desvencilhar de resquícios do PT que absorveu durante mais de 20 anos, e não consegue. Para mim, que um dia quase fui petista, e me salvei, graças a Deus, dá para saber o que é isto. Ainda não tenho candidato para o primeiro turno, mas, cada dia afasto mais a possibilidade de votar nas citadas senhoras (e na outra senhora, a Luciana Genro, cruz credo!).

E, hoje mesmo, nesta minha caminhada pelos blogs, encontrei o “aprendiz de “black block”, o Caetano Veloso, dizendo algo que me afastou muito mais da Marina na minha meditação no no quarto escuro ou na “cabine indevassável”. Ele disse: “Marina não é nada de Collor nem nada de Jânio. Marina é o esboço de um novo Lula.” Em sua concepção achou que estava fazendo um elogio à deusa da floresta. Para mim, foi um grande incentivo para não votar nela, pois conheço muito bem em que ela pode se transformar sendo um esboço de Lula. Vade retro!

Fiquem, com o Sandro Vaia e meditem no final de semana, se o Zé Carlos publicar este texto amanhã.

“Fadas, reis, rainhas, príncipes, dragões, vovozinhas, lobos maus, além de monstros de toda espécie habitam as fábulas e seu universo de estereótipos que ajudam as mentes infantis a desenvolver a fantasia, a criatividade, e colaboram na absorção de princípios morais, nas boas regras de comportamento e no discernimento entre o bem e o mal.

As crianças crescem, suas mentes amadurecem, a simbologia das fábulas vai sendo compreendida e adaptada aos eventos reais, a vida se torna mais complexa, os conflitos mais elaborados, e a carruagem da gata borralheira não se transforma mais em abóbora à meia noite.

Tudo tem seu tempo dentro da escala de evolução intelectual e biológica natural, e é por isso que a regressão de mentes adultas ao universo de estereótipos infantis- ou a infantilização- é um sintoma preocupante, principalmente quando se manifesta coletivamente e passa a ser um fator de peso numa campanha eleitoral às vésperas de decidir quais serão os rumos futuros de um país de 200 milhões de habitantes.

Como observa um editorial do Estadão, “seria engraçado se não fosse deplorável” que duas senhoras adultas e sérias, uma delas no exercício da presidência da República, cargo que pretende manter, e outra uma ex-ministra, que pretende ocupar o cargo da outra, trocassem acusações que beiram a puerilidade, sobre as respectivas relações com “os banqueiros”, transformados no Lobo Mau da fábula aquele que ameaça com um sopro botar abaixo a casa dos três porquinhos.

Marina Silva, o Ente etéreo da floresta, ao tentar materializar-se diante do eleitor urbano medianamente consciente das engrenagens que movem a vida real, defendeu a autonomia do Banco Central- o que significa apenas libertar um órgão técnico de Estado do peso da influência da política partidária eleitoral.

A máquina de fabricar mitos recorreu aos estereótipos arraigados no inconsciente coletivo infantilizado de boa parte do eleitorado brasileiro, e reinventou a figura sinistra do banqueiro (o ricaço barrigudo com seu charuto na boca e cartola na cabeça, sobrevivente da caricatura da Belle Époque) e colocou a fada Marina ao seu lado-uma dupla sinistra espoliando o pobre povo brasileiro.

A fada respondeu que nunca o barrigudo engordou tanto como no governo da acusadora.

Pra completar o trabalho de infantilização, uma senhora ambientalista de sobrenome suspeito- Setúbal-que herdou ações de um banco mas provavelmente nem sabe como funciona um, está na campanha de Marina- com as oníricas intenções salvacionistas de uma herdeira, e foi transformada na sanguessuga banqueira que vai chupar o sangue dos pobres.


Aqueles que na falta de argumentos declamam (como dizia Lênin), conseguiram rebaixar o debate político brasileiro à profundidade dos contos da carochinha, como aquele onde o lobo acusa o cordeiro de turvar a água que ele já bebeu.”

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Corrupção: Quem procura acha?




Por Zezinho de Caetés

Ontem eu resolvi, diante dos muitos escândalos que afetam tanto a Dilma quanto a Marina, eu resolvi perder um pouco do meu tempo e assistir à propaganda eleitoral. Meu Deus, quanto sofrimento. Sofrimentos curtos como os trazidos pela propaganda dos partidos nanicos, que estão mais atrasados ideologicamente do que o Capital do Marx, e sofrimentos longos como aqueles provindos do programa da Dilma. São mais de 10 minutos de baboseiras infindáveis tentando sair de fininho dos problemas em que ela meteu o Brasil.

E agora com o estouro dos roubos do dinheiro público através de sua empresa de estimação, a Petrobrás, que é dirigida por ela há mais de 10 anos, o que estão mandando ela ler é simplesmente patético. Diz o texto lido pela gerenta presidenta que “um tema me causa muita revolta e imensa repulsa, é a corrupção”. Continuando, a Dilma diz que tem tolerância zero com a corrupção e que nunca varreu nada para debaixo do tapete, mesmo na época em que foi considerada a faxineira do palácio, cargo do qual desistiu porque a sujeira era tanta que ela não deu conta sozinha. Imagine o que tinha lá de garrafas vazias da Caninha 51!

E por ai vai, agora, como sempre tanto nos governos Lula e o dela, nunca se apurou tanta corrupção. E coloca a base do raciocínio para justificar por que tanta corrupção campeou nos governos da santíssima dualidade (Lula/Dilma), apesar dela ter criado todo um aparato de investigações como nunca se viu na história deste país, e que agia com total liberdade.

Então, segundo ela, quanto mais investigação mais corrupção. E haja corrupção. O Lula já havia usado este argumento antes e leva apenas a uma pergunta, se eles passaram 12 anos no poder e a corrupção só aumentou. Será mesmo porque houve mais investigação ou foi porque aumentou a corrupção? Dilma diz que foi por causa da investigação e eu acho que foi por causa do aumento da corrupção.

Seria passar um atestado de incompetência absoluta aos órgãos investigadores em  encontrar os malfeitos para que, só agora, se soubesse que o Paulo Roberto Costa, o Paulinho, como Lula o chamava, causasse um rombo de 1 bilhão de dólares nos cofres da Petrobrás. Foram 10 longos anos de roubo, e com a liberdade que a Dilma diz que deu aos órgãos responsáveis pela investigação, nada se descobriu até agora. Se for assim, e esta liberdade realmente existiu, o que a Dilma está dizendo é que a Polícia, o Ministério Público e outros órgãos, são incompetentes. Para mim, eu apenas acho que não houve tanta liberdade assim.

Ela denominou a roubalheira de “sangria” e disse que agora acabou com todas as sangrias. Será? Se ela for reeleita voltará a ser a mulher honesta como todos até agora a consideram, se não for, esperem que novos malfeitos surgirão. Por isso, vamos fazer o que a Dilma sempre diz fez e dar uma chance aos investigadores que ela criou com tanto amor e carinho: Não votemos nela.

Agora fiquem com o texto do Merval Pereira que faz uma análise da briga entre Dilma e Marina no atual estágio da campanha, que ele intitula “Palpos de aranha” (Blog do Merval – 10/09/2014), mostrando que o segundo turno das eleições serão eletrizantes, mas, pode nem haver pois a aranha Marina poderá ganhar no primeiro turno. Depende do Aécio, que também está em “palpos de aranha”.

“As duas candidatas que disputam a liderança da corrida presidencial estão em palpos de aranha com os problemas internos de suas campanhas. Marina não tem como explicar a contabilidade do PSB anterior à sua assunção como candidata, mas também não pode lavar as mãos como se nada tivesse com isso.

O avião fantasma que não tem dono e a contabilidade paralela da usina Abreu e Lima em Pernambuco, pela qual o falecido ex-governador Eduardo Campos está incluído na lista dos beneficiários do esquema de corrupção da Petrobras, são temas delicados que ela tenta driblar com alguns constrangimentos óbvios.

Também a presidente Dilma é obrigada a dizer que nunca notou nada de anormal nas contas da Petrobras, passando recibo de má gestora, sem poder assumir as ações que tomou para tentar estancar a sangria na estatal. Ela mesma garantiu recentemente que “as sangrias foram contidas”, embora oficialmente não saiba de nada.

A disputa entre o grupo da atual presidente Graça Forster, nomeada por Dilma para justamente tentar controlar o esquema que dominava a Petrobras, e o do ex-presidente José Gabrielli, responsável pela atuação do ex-diretor Paulo Roberto Costa, é conhecida de todos, mas Dilma não pode admitir que seu padrinho Lula, que chamava de Paulinho o ex-diretor hoje preso, dava apoio político ao velho esquema da Petrobras. O próprio Paulinho disse ao juiz Sérgio Moro que teve várias conversas com Lula.

Das duas, porém, Dilma tem culpa formal pela demora das providências, apesar dos constrangimentos partidários que a tolhiam. Ficou com Paulo Roberto Costa como diretor da Petrobras durante um bom tempo, e só protestou contra a compra da refinaria de Pasadena nos EUA depois de anos da negociata feita, tendo inclusive preservado o diretor responsável, Nestor Cerveró. Marina não tem nada a ver com eventuais malfeitos anteriores à sua chegada no PSB.

O segundo turno mais longo dos últimos anos, como definiu o ex-presidente Lula, já está em curso, com a disputa polarizada entre a presidente Dilma e a candidata do PSB Marina Silva, e as novas pesquisas que estão saindo confirmam uma reação da presidente, ao mesmo tempo em que Marina se mantém competitiva, apesar do bombardeio a que está sendo submetida nos últimos dias.

A agressão verbal de que foi vítima ontem, com a presidente Dilma insinuando que Marina é sustentada por banqueiros, numa referência a Neca Setubal, herdeira do Itaú, é exemplo dessa estratégia petista, confirmando que Dilma é capaz de “fazer o diabo” para se reeleger.

Não se sabe a esta altura como o segundo turno se desenrolará, mas Marina mantém uma vantagem numérica que tende a reduzir-se à medida que a saraivada de golpes, alguns abaixo da linha da cintura, se sucede. Tudo indica que será uma disputa muito acirrada, com a presidente Dilma mobilizando toda a máquina partidária, e a máquina do governo também, para combater especificamente Marina, a adversária presumida no segundo turno.

Sua campanha já descartou a possibilidade de Aécio Neves do PSDB recuperar sua posição na corrida presidencial, e tudo que não querem é que ele apóie Marina ainda no primeiro turno. Temem que essa ação possa criar um ambiente favorável ao voto útil em Marina, levando-a a uma vitória já no primeiro turno.

Não parece ser, no entanto, um movimento estratégico inteligente por parte de Aécio, que tem atrás de si um partido que pode ganhar diversos governos estaduais e precisa fazer uma bancada no Congresso que o coloque no jogo partidário. Além do mais, o senador Aécio Neves precisa necessariamente vencer a eleição para o governo de Minas, elegendo seu candidato Pimenta da Veiga e passando à frente de Dilma e Marina na disputa presidencial.

A campanha de Dilma pretende, com o ataque a Marina sendo a sua tônica, debilitar a adversária para que chegue ao segundo turno enfraquecida. Em parte estão tendo sucesso, pois Marina, atacada sem dó nem piedade tanto por Dilma quanto por Aécio Neves, parou de crescer.

Para Marina, o que importa é chegar ao segundo turno, para reagrupar suas forças numa nova campanha que a colocará em igualdade de condições na propaganda eleitoral com Dilma. Se o voto útil ainda lhe der fôlego de sobra para aumentar sua votação no primeiro turno, tirando votos do candidato Aécio Neves, melhor ainda.


O PSDB ainda mantém esperanças de alterar o quadro, que parece cristalizado, com as revelações dos escândalos da Petrobras e a situação da economia, que a cada dia se deteriora mais, a ponto de a agência de classificação Moodys ter sinalizado com a redução da nota brasileira. Não é um tema de apelo popular, mas demonstra que a economia brasileira não vai bem.”

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

OS ANJINHOS




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho


Termo usado no interior do Nordeste, principalmente no interior de Pernambuco, quando uma criança morre nos primeiros anos ou meses. São crianças que morrem prematuramente e que são sepultadas em caixãozinho e são levadas por crianças até o cemitério. No idos anos de 50, do século passado, era comum na cidade de Garanhuns e em minha querida terra Bom Conselho acontecer estes enterros na cidade. A noticia da morte de uma criança era alardeado na cidade e as pessoas vinham até a casa dos pais levarem o seu apoio e lamentar o acontecido. Durante o dia a casa se enchia principalmente de crianças da redondeza para olhar de perto aquela criaturinha deitada sem nenhum movimento. O pequeno ataúde todo forrado de branco, representando a pureza arrodeado com rosas brancas e ou margaridas. A criança de olhos fechadinhos, vestida um timão branco ou azul, cor do manto de Nossa Senhora e mãozinhas postas sobre o peito. Na pequena cabeça é adornada com um diadema com florezinhas brancas.  A mãe lá no fundo do quintal com a cabeça coberta com um lenço azul arrodeadas das comadres que vieram lhe consolar, choramingava, com a perda daquela criaturazinha que saíra do seu ventre, e mais tarde seria o apoio em sua velhice. Os irmãos mais novos corriam de um lado para outro com os outros garotos, sob o olhar reprovado dos mais velhos, como se fossem festa. Iam sorridentes e de vez em quando paravam em frente ao pequeno caixão branco na sala de visita, posto em duas cadeiras. O seu Jose cuidava do enterro para logo mais às quatro horas da tarde. Atendia uma ou outra família que lhe vinha ao seu encontro. Olhava para o relógio de vez em quando já se preparando para a “procissão” que levaria aquela criaturazinha ao “campo santo” São Miguel. A tarde prometia chuva e o frio já era intenso. A garoa começava a aparecer, mas nada impedia que as pessoas acompanhasse o pequeno enterro. Preparavam-se os cânticos que eram cantados durante o cotejo. Organizava logo de imediato quem levaria aquele pequeno caixão branquinho como a neve. Escolhia entre aquelas crianças maiorzinhas e aqueles chamados se orgulhavam de conduzir aquele pequena criatura a sua morada eterna. Às quatro horas da tarde começava os preparativos. A mãe vinha lá de dentro dar adeus àquela criatura que saíra do seu ventre, abaixando a cabeça dando um beijo na testa fria e enxugando as lagrimas com um pano de prato que lhe pendia do ombro; O pai olhava com ternura e saudade daquela pequena criatura, que por certo seria o seu orgulho. As crianças e as pessoas enchiam a sala arrodeando o pequeno caixão. A rua já estava cheia de pessoas. Faziam duas filas indianas e cada pessoa levava nas mãos um raminho de flores, brancas e amarelinhas e começavam a subir a Rua do Corrente esburacada e ladeada pelo mato, pois somente existiam pequenas casinhas. Os cânticos puxados por mulheres com a cabeça coberta pelo véu branco trazia o sentimento de saudade. Ao chegar ao topo da Rua do Corrente, no largo tinha a bodega do Seu Armando. Era o ponto de parada para o descanso. As crianças colocava o pequeno caixão no chão e iam até o balcão onde eram distribuídos confeitos, mariolas e bolacha de milho. Cada criança saia satisfeita e corriam para o seu lugar para acompanhar o restante do caminho. Já anoitecendo desciam a ladeira, com alguns meninos parando para comer a guloseima que iam a suas pequenas mãos. Ao chegar ao cemitério todos iam diretamente à pequena cova aberta perto do muro da entrada. Ali se encontra o coveiro que de uma só vez debruçava com o pequeno caixão nas mãos e ali depositava. Cada um dos presentes apanhava um pouco de terra e jogava no caixão branquinha que a cada momento era coberto pela areia preta. Saiam todos conversando e as crianças corriam para suas casas debaixo de uma garoa e com focos de luz nas pequenas casas.