Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O desastre de Dilma: Encontrada a Caixa-Preta




Por Zezinho de Caetés

Eu, esta semana, como sempre o faço, agora que o Zé Carlos está liberando lá meus recados, no Mural de Recados deste blog, escrevi o seguinte:

“O mês de agosto é realmente o mês do desgosto, para os políticos. Ontem, por volta das 8:30, a candidata Dilma foi atropelada por um avião da Globo (GloboCop) de prefixo JN-WB-PP, tendo morte político/cerebral em menos de 15 minutos. Eu presenciei a cena do atropelamento e fiquei chocado, porque além de atropelá-la os pilotos do avião não pararam para prestar socorro à vítima. Pelo contrário, cortaram-lhe as últimas palavras. Eu as entendi por leitura labial: LULA, ASSUMA! E deu o último suspiro. Eu não creio que alguém, em sã consciência ainda acredite em sua ressurreição, a não ser os SEBATIANISTAS nordestinos, que hoje são os bolsistas familiares, que hoje devem sair com bandeiras e estandartes clamando pela volta de Dona Sebastiana. Será que o nosso Dom Sebastião de Caetés assumirá o lugar de sua criatura? Se assumir, tenho certeza, o GloboCop fará mais uma vítima, porque ele adora ficar no meio da pista esperando que os outros sejam atropelados.”

Recebi um e-mail com quase o mesmo teor de um recado do Mural que dizia que não devíamos falar de política sem antes enterrar o Eduardo Campos. Só que o e-mail era mais incisivo e me critica “por está brincando com a vida das pessoas”. Longe de mim tal intento, e várias outras mensagem apenas me elogiam pelo que escrevi sobre o provável encontro de Ariano Suassuna com nosso ex-governador, depois da lastimável tragédia.

O que fiz no recado transcrito aqui escrever sobre a morte política da Dilma, atropelada na entrevista do Jornal Nacional na TV Globo. Alguns podem até achar que ela ressuscitará pela força da fé dos bolsistas familiares e até com a ajuda do meu conterrâneo, o Lula, que eu chamei, em homenagem à cidade onde nascemos, de Dom Sebastião de Caetés. Quem sabe, ele que a criou, não fará o milagre, talvez, com respiração boca a boca?

Mas, eu também digo que presenciei o desastre e, graças a Deus, os aviões modernos sempre têm uma Caixa-Preta, que grava tudo que o avião faz, e que nos mostra realmente o que se passou. Sendo assim eu transcrevo aqui o que foi dito na hora do desastre pelos ocupantes do avião prefixo JN-WB-PP, para que vocês mesmos vejam se a candidata Dilma poderia sobreviver a este desastre político/cerebral. Chamei-o assim porque todos sabem que ela já vinha há algum tempo com problemas neuronais, onde os últimos dois neurônios restantes estavam sempre brigando; e morte política porque não há um candidato que possa resistir ao desastre que vai abaixo apresentado.

Eu pensei em comentar o passo a passo do desastre mas como podem me acusar de não deixar nem o corpo baixar à sepultura, eu o deixarei para fazer depois. Fiquem com o desastre como apresentado pelo Portal G1 da Globo fabricante do indigitado avião. Vocês ficarão sabendo, como eu, porque o prefixo era JN-WB-PP:

“William Bonner: Candidata, boa noite.
Dilma Rousseff: Boa noite, Bonner. Boa noite, Patrícia Poeta. Boa noite, telespectadores.

William Bonner: O tempo total da entrevista é de 15 minutos, como foi o dos demais candidatos. E a gente procura reservar um minuto e meio, um minuto no fim, para que o candidato possa expor aqueles projetos que ele considera prioritários para o governo no caso de ser eleito, ou no caso de ser reeleita, no caso de hoje. O tempo começa a contar a partir de agora. Candidata, no seu governo houve uma série de escândalos de corrupção e de desvios éticos. Houve escândalo de corrupção no Ministério da Agricultura, houve escândalo de corrupção no Ministério das Cidades, no Ministério dos Esportes, houve escândalo de corrupção no Ministério da Saúde, no Ministério dos Transportes, houve escândalo de corrupção no Ministério do Turismo, no Ministério do Trabalho. A Petrobras acabou se tornando objeto de duas CPIs no Congresso. A senhora sempre diz que todos esses escândalos foram revelados pela Polícia Federal e estão sendo investigados pela Polícia Federal, que é um órgão do governo federal. A questão que eu lhe faço é a seguinte: qual é a dificuldade de, desde o início, se cercar de pessoas honestas, que lhe permitam formar uma equipe de governo honesta e que evite esta situação que nós vimos de repetidos casos de corrupção? Não há uma sensação, não pode haver uma sensação no ar de que o PT descuida da questão ética ou da questão da corrupção?

Dilma Rousseff: Bonner, não pode, não. Sabe por quê? Porque nós, justamente, fomos aquele governo que mais estruturou os mecanismos de combate à corrupção, à irregularidade e maus feitos. Por exemplo, a Polícia Federal, no meu governo e no do presidente Lula, ganhou imensa autonomia. Para investigar, para descobrir, para prender. Além disso, nós tivemos uma relação muito respeitosa com o Ministério Público. Nenhum procurador-geral da República foi chamado, no meu governo ou no do presidente Lula, de engavetador-geral da República. Por quê? Porque também escolhemos, com absoluta isenção, os procuradores. Outra coisa: fomos nós que criamos a Controladoria-Geral da União, que se transformou num órgão forte e também que investigou e descobriu muitos casos. Terceiro, aliás, eu já estou no quarto. Nós criamos a Lei de Acesso à Informação. Criamos, no governo, um portal da transparência. Mas eu quero te dizer uma coisa: nem todas as denúncias de escândalo, Bonner, resultaram em, realmente, a constatação que a pessoa tinha de ser punida e seria condenada. Pelo contrário. Muitos daqueles que foram identificados como tendo, pela mídia, como tendo praticado atos indevidos, foram posteriormente inocentados. Eu quero te dizer o seguinte, eu nunca...

William Bonner: Correto. Mas, a candidata, eu deveria só dizer à senhora o seguinte: a senhora listou aqui uma série de medidas que foram providenciadas depois de ocorridos os escândalos.

Dilma Rousseff: Não. Isso tudo foi antes.

William Bonner: Bom, entre as medidas que a senhora providenciou depois dos escândalos esteve o afastamento de alguns ministros. Em quatro casos, a senhora trocou um ministro por alguém que era do mesmo partido dele e do mesmo grupo político dele. E que frequentava o mesmo círculo. Essa situação, a senhora considera que não foi trocar seis por meia dúzia? A senhora considera que foi uma atitude prudente, como presidente, substituir nessas circunstâncias? Foi uma medida eficaz da sua parte, candidata?

Dilma Rousseff: Eu, continuando o que eu estava dizendo, Bonner, nem todos as pessoas denunciadas foram punidas pelo Judiciário e tiveram comprovadamente culpa. Muitas pessoas, inclusive, se afastaram porque é muito difícil resistir à pressão da família ou à apresentação da pessoa como tendo praticado um crime.

William Bonner: Mas a senhora manteve gente do mesmo grupo político nos casos.

Dilma Rousseff: Agora, na segunda, respondendo a segunda pergunta, por exemplo, recentemente eu fui muito criticada por ter substituído o César Borges pelo Paulo Sérgio. Ora, o Paulo Sérgio foi meu ministro e foi ministro do presidente Lula. Quando saiu do governo, ele ficou dentro do governo no cargo importante, que é da Empresa de Planejamento Logístico. O Cesar Borges o substituiu. Posteriormente, eu troquei o César Borges novamente aí pelo Paulo Sérgio. Fiz a troca ao contrário. O César Borges também ficou dentro do governo, na Secretaria de Portos. Os dois são pessoas que eu escolhi, nas quais eu confio, acho que são pessoas bastante...

William Bonner: Mas não foi exigência do partido, candidata?

Dilma Rousseff: Os partidos podem fazer exigências. Agora, eu só aceito quando eu considero que ambos, e é isso que eu queria concluir, ambos são pessoas íntegras, e não só íntegras, são competentes, têm tradição na área. E são pessoas da minha confiança. Então, eu troquei porque eu tinha confiança nessas pessoas.
William Bonner: Então, me deixa agora perguntar à senhora. E em relação a seu partido? O seu partido teve um grupo de elite de pessoas corruptas, comprovadamente corruptas, eu digo isso porque foram julgadas, condenadas e mandadas para a prisão pela mais alta corte do Judiciário brasileiro. Eram corruptos. E o seu partido tratou esses condenados por corrupção como guerreiros, como vítimas, como pessoas que não mereciam esse tratamento, vítimas de injustiça. A pergunta que eu lhe faço: isso não é ser condescendente com a corrupção, candidata?

Dilma Rousseff: Eu vou te falar uma coisa, Bonner, eu sou presidente da República. Eu não faço nenhuma observação sobre julgamentos realizados pelo Supremo Tribunal, por um motivo muito simples: sabe por que, Bonner? Porque a Constituição ela exige que o presidente da República, como exige dos demais chefes de Poder, que nós respeitemos e consideremos a importância da autonomia dos outros órgãos.

William Bonner: Então a senhora condena a postura do PT nesse caso?

Dilma Rousseff: Eu não julgo ações do Supremo. Eu tenho as minhas opiniões pessoais.

William Bonner: Mas e a ação do seu partido, a senhora condena essa ação?

Dilma Rousseff: Enquanto eu for presidente, eu não externo opinião a respeito de julgamento do Supremo. E vou te dizer, Bonner, não é a primeira vez que eu respondo isso. Eu, durante o processo inteiro, não manifestei nenhuma opinião sobre o julgamento. Até porque respeito o julgamento.

William Bonner: Mas candidata, a pergunta que eu lhe fiz foi sobre a postura do seu partido. Qual sua posição a respeito da postura do seu partido?

Dilma Rousseff: Eu não vou tomar nenhuma posição que me coloque em confronto, conflito, ou aceitando ou não. Eu respeito a decisão da Suprema Corte brasileira. Isso não é uma questão subjetiva. Para mim exercer o cargo de presidência, eu tenho de fazer isso.

Patrícia Poeta: Corrupção não é o único problema. O seu governo diz que sempre investiu muito na área de saúde. E essa continua sendo exatamente a maior preocupação dos brasileiros, segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha. Isso depois de 12 anos de governos do PT, ou seja, mais de uma década, candidata. Não foi tempo suficiente para colocar esses problemas nos trilhos, não?

Dilma Rousseff: Olha, Patrícia, nós tivemos, e ainda temos muitos problemas a enfrentar e desafios a enfrentar na Saúde. Eu acredito que nós enfrentamos um dos mais graves desafios que há na Saúde. Porque na Saúde você precisa de ter médicos. Pode ter tudo, se não tiver médicos, não tem atendimento à saúde. Também é possível a gente olhar a população e ver nas pesquisas que ela reclama, sempre reclamou, da falta de médicos. Nós tivemos uma atitude muito corajosa. O Brasil tem uma das menores taxas de médicos por mil habitantes, 1,8. E isso levou a uma carência imensa de médicos da atenção básica – são os postos de saúde. É sabido que 80% dos problemas de saúde da população você consegue resolver na atenção básica. Então qual foi a providência que nós tomamos, com muita resistência, mas muita resistência? Nós, primeiro, chamamos médicos brasileiros para atender.  O número? Precisávamos em torno de 14 mil médicos. O número veio insuficiente, não tinha médicos suficientes formados no Brasil com condições de atender. Depois, chamamos médicos, brasileiros ou não, formados no interior individualmente. Na sequência, também não chegou a um número suficiente. Na sequência, chamamos médicos cubanos, através da OPS, e aí conseguimos chegar a 14.462 médicos, que, pelos dados da OMS, correspondem a uma capacidade de atendimento de 50 milhões de brasileiros.

Patrícia Poeta: Deixa eu fazer só um adendo aqui.

Dilma Rousseff: Cinquenta milhões de brasileiros não tinham atendimento médico, hoje têm. Agora nós estamos em uma segunda etapa.
Patrícia Poeta: Deixa eu só fazer um adendo que eu acho que é importante para os nossos telespectadores.

Dilma Rousseff: Perfeitamente, Patrícia.

Patrícia Poeta: A senhora diria que, então, diante dos nossos telespectadores, que hoje enfrentam filas e filas nos hospitais, muitas vezes são atendidos em macas, que muitas vezes não conseguem fazer um exame de diagnóstico, que a situação da Saúde no nosso país hoje é minimamente razoável, depois de 12 anos?

Dilma Rousseff: Não. Não acho, não acho, até porque, Patrícia, o Brasil precisa também de uma reforma federativa, porque há responsabilidades federais, estaduais e municipais. Nós assumimos, no caso dos Mais Médicos, o atendimento aos postos de saúde como uma responsabilidade basicamente, nós assumimos como federal. Ela é uma responsabilidade compartilhada. Mas assumimos como federal porque temos mais recursos. Agora veja o resto do raciocínio, Patrícia.

William Bonner: Nós vamos falar de economia.

Dilma Rousseff: Não. Vou falar de economia, tenho o maior prazer, Bonner. Veja só qual é a sequência disso. Agora nós consideramos que é muito importante duas coisas: primeira, tratar das especialidades; criar as condições para o Brasil dar atendimento de especialidades, que são aquelas que nós sabemos – o ortopedista, o ginecologista, o cardiologista –,  com exames mais rápidos. Assim como nós enfrentamos...

William Bonner: Candidata, desculpe a senhora disse...

Dilma Rousseff:  E resolvemos o problema dos 14 milhões, aliás dos 50 milhões de brasileiros e dos 14 mil médicos, hoje nós temos já condição de resolver isso, porque diminuímos a pressão, porque todo mundo que não era atendido num posto de saúde ia para uma UPA ou para um hospital.

William Bonner: Nós entendemos. Entendemos. Vamos à economia.

Patrícia Poeta: É que a colocação, candidata, era 12 anos, 12 anos de governos, três mandatos. Mas o Bonner quer falar sobre economia.

William Bonner: Vamos falar de economia porque é um tema importantíssimo.

Dilma Rousseff: Nestes três mandatos, a gente teve, não vamos esquecer, teve o Samu, que atende 149 milhões de brasileiros, e que não existia.

William Bonner: A senhora já respondeu à Patrícia que não, não é minimamente razoável. A senhora disse isso.  Então, vamos em frente.

Dilma Rousseff: Eu acho que nós temos que melhorar a saúde, não tenho dúvida disso. Nenhuma.

William Bonner: Vamos em frente: economia. A inflação, neste momento, a inflação anual está no teto daquela meta estabelecida pelo governo, está em 6,5%. A economia encolheu 1,2% no segundo trimestre desse ano e tem uma projeção de crescimento baixíssima para esse ano, menor do que 1%. O superávit do primeiro semestre desse ano foi o pior dos últimos 14 anos. Quando a senhora é confrontada com estes números ruins, a senhora diz que eles são produto, são resultado de uma crise internacional, aliás, a senhora diz até que eles nem são tão ruins assim, porque a senhora lembra o caso das demissões de milhões na Europa e o fato de o Brasil ter hoje uma situação, praticamente, de pleno emprego. Aí quando os analistas dizem que 2015, ano que vem, vai se um ano difícil, um ano de acertos de casa, que é preciso arrumar a economia brasileira e portanto isso vai impor algum sacrifício, vai ser um ano duro, a senhora diz que isso é pessimismo. E aí eu lhe pergunto: a senhora considera justo ora, olhando para os números da economia, ora culpar o pessimismo, ora culpar a crise internacional pelos problemas? O seu governo não tem nenhum papel, nenhuma responsabilidade nos resultados que estão aí?

Dilma Rousseff: Bonner, primeiro, nós enfrentamos a crise, pela primeira vez no Brasil, não desempregando, não arrochando os salários, não aumentando os tributos, pelo contrário, diminuímos, reduzimos e desoneramos a folha. Reduzimos a incidência de tributos sobre a cesta básica. Nós enfrentamos a crise, também, sem demitir. Qual era o padrão anterior...

William Bonner: Mas o resultado, no momento, é muito ruim, candidata.

Dilma Rousseff: Não, o resultado no momento, veja bem...

William Bonner: Inflação alta, indústrias com estoques elevados, ameaça de desemprego ali na frente.

Dilma Rousseff: Veja bem, Bonner. Eu não sei, eu não sei da onde que estão seus dados, mas nós estamos...

William Bonner: Da indústria, candidata.

Dilma Rousseff: Só um pouquinho. Nós temos duas coisas acontecendo. Nós temos uma melhoria prevista no segundo semestre. Vou te dizer por quê. Primeiro.

William Bonner: Isso não é ser otimista em contrapartida ao pessimismo que a senhora critica?

Dilma Rousseff: Não. Não. Você sabe, Bonner, tem uma coisa em economia que chama os índices antecedentes e os índices que evidenciam como é que é a situação atual.  O que que são os índices antecedentes, por exemplo? A quantidade de papelão que é comprada, a quantidade de energia elétrica consumida, a quantidade de carros que são vendidos. Todos esses índices indicam uma recuperação no segundo semestre, vis-à-vis ao primeiro. Além disso, a inflação, Bonner, cai desde abril, e agora, ela atinge, hoje, se você não olhar pelo retrovisor e olhar pelo que está acontecendo hoje, ela atinge 0%. Zero. O último dado do IPC-S que saiu, se não me engano hoje ou ontem, chegou a 0,08%. O que eu estou dizendo, é o seguinte, o Brasil...

William Bonner: Candidata, nosso tempo...

Patrícia Poeta: O tempo está acabando, candidata.

Dilma Rousseff: Acabou?

William Bonner: É.

Dilma Rousseff: Desculpa.

William Bonner: É que nós temos... Eu quero garantir a senhora o seu tempo de 1 minuto e meio.

Dilma Rousseff: O meu 1 minuto?

William Bonner: Exato.

Patrícia Poeta: Que agora já diminuiu.

William Bonner: Os seus projetos prioritários.

Dilma Rousseff: Eu só estou querendo dizer que, pra mim, nós estamos superando a dificuldade de enfrentar uma crise sem demitir, gerando emprego e renda.
William Bonner: Seus projetos prioritários.

Dilma Rousseff: Olha, Bonner, eu fui eleita para dar continuidade aos avanços do governo Lula. Ao mesmo tempo nós preparamos o Brasil para um novo ciclo de crescimento. O Brasil moderno, mais inclusivo, mais produtivo, mais competitivo. Nós criamos as condições para o país dar um salto, colocando a educação no centro de tudo. E isso significa, Bonner, que nós queremos continuar a ser um país de classe média. Cada vez maior a participação da classe média, mais oportunidades para todos.

William Bonner: O tempo, 15 minutos e meio.

Patrícia Poeta: Para concluir candidata, nosso tempo já esgotou.

Dilma Rousseff: Queria concluir dizendo o seguinte: eu acredito no Brasil. Acho que, mais do que nunca, todos nós precisamos acreditar no Brasil e diminuir o pessimismo. E...
Patrícia Poeta: OK, obrigada candidata.

Dilma Rousseff: E peço o voto dos telespectadores e...

William Bonner: E nós agradecemos a compreensão. A compreensão por ter que interromper.
Dilma Rousseff: Peço o voto para o Brasil continuar avançando. Também compreendo e suspendo a minha fala.

Patrícia Poeta: Nós temos que encerrar.

Dilma Rousseff: Muito obrigado.


William Bonner: Eu que agradeço a sua presença no Jornal Nacional.”

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

HONRAS DE POVO NO CÉU




Por Carlos Sena (*)

Num dia como o de hoje, certamente o céu está em festa. Ariano chegando, trombetas trinando, bumba-meu boi, reisado, pastoril, maracatu e maraca-eu. Eu? Não. Ainda não. Porque tudo tem seu tempo e todos temos o nosso para o encontro com as entidade que acreditamos nos esperem depois da morte. Fico pensando nuns caba que tão vivo e que a gente tem certeza quesatanás está por lá, tridente na mão para cutucar e fazer churrasquinho. Não. Não pensei que falo de Sarney e até poderia ser. Talvez os políticos sejam os menos merecedores dos seus nomes nesta croniqueta. Porque quem os elege somos nós e pelos mais diversos motivos. Dos mais nobres aos mais espúrios. Por isso, eu peço e torço para, diferente de Ariano que está sendo recebido no céu com "honras de povo", esses filhos das putas que se escondem no anonimado se lasquem, sifo. Porque nós precisamos de gente que tenha amor, não ódio. Que não jogue lixo nas ruas. Que não dê propina. Que não fure fila. Que respeite os idosos e os professores. Que...
Assim, talvez a gente pudesse fazer justiça com o Capiroto - mandando pra ele um bando de almas sebosas, mas regando o céu e mandando pra ele mais demoradamente pessoas como Ariano, Dom Hélder, João Paulo II, Madre Tereza, Frei Damião. Padim Ciço? Há controvérsias, mas também sim.

Voltando ao céu em festa, deixo a pergunta: Ariano irá encontrar no céu mais Chicó ou mais João Grilo?

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 31/07/2014

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A morte de Eduardo e os enigmas eleitorais




Por Zezinho de Caetés

Depois de ter ido às exéquias do Eduardo Campos, e voltado quase exclusivamente para esmiuçar o que acontecerá com a próxima eleição, diante do fatídico acontecimento, hoje volto e transcrevo para vocês um artigo do Ruy Fabiano, porque ele trata mais do futuro do que do presente. E talvez por isso ele o intitulou de “Enigmas eleitorais” (Blog do Noblat – 16/08/2014).

Na hora e dia que escrevo eu já tenho outras informações que apenas complementam o texto mas não tiram a validade do que ele diz, a não ser a dúvida que ele tinha de Marina ser a candidata ou não no lugar do neto do Miguel Arraes. E não poderia, como pensei, chamá-lo de herdeiro político do avô, a não ser pelos chapéus de palha que seus filhos usaram durante a cerimônia de seu enterro, a qual estive presente, embora não seguisse o coro de “Eduardo, guerreiro, do povo brasileiro”, porque achei muito petista para meu gosto, e já o ouvi cantado tanto para Zé Dirceu quanto para o Genoino e Delúbio, que não o mereciam.

O Eduardo era um hábil político e vai fazer falta neste país onde os bons políticos como o meu conterrâneo Lula estão desgastados que não sabem mais nem chorar, com convicção, nos enterros. Precisamos renovar nossos quadros e isto não pode ser feito com postes, principalmente, como a Dilma, que só chora na hora do rir e vice-versa. Tirando o exagero de terem aproveitado o seu enterro para um quase “showmício” para lançamento da candidatura de Marina, a sua família parece unida para entregar a ela (Marina) o espólio do Eduardo.

E este espólio incluía certamente alcançar a presidência da república, e eleger o candidato que ele indicou para sucedê-lo no governo do Estado, além da tarefa de eleger também o Senador que substituirá o Jarbas Vasconcelos. É um espolio difícil de roer, engolir e metabolizar de modo certo, embora, eu ache que ele estava na direção correta quanto a sua posição ultimamente de que o PT é o problema deste país. E nisto ele foi coerente e seu objetivo era não eleger mais nenhum petista aqui em Pernambuco e fazer o máximo para evitar que acontecesse no Brasil.

Mesmo, o que eu hoje acho razoável, que por motivos sentimentais, ele quisesse poupar o Lula de sua fúria anti-petista, sua morte pode ter cooperado para que seus desejos políticos sejam alcançados. Pelo menos na última pesquisa eleitoral, já há a possibilidade de que a Marina, com o já certo segundo turno, consiga desbancar a gerenta presidenta do poder. Eu nunca tive simpatia pela Marina devido suas ideias malucas de que é melhor preservar o meio ambiente do que comer, e suas atitudes que não me parecem sinceras pela incoerência no pensar e no agir. Mas, o que gostaria mesmo seria que o PT caísse fora seja lá qual for o candidato, fora é claro aqueles candidatos de partidos que são apenas filiais do PT, como PCO, PSOL, e outros que lançaram candidatos só aparecer. Entre os aceitáveis está o Pastor Everaldo e o Aécio Neves, este mais do que o primeiro pela sua capacidade de compor com os liberais.

Mas, o jogo está apenas começando, enquanto o Eduardo Campos está como sonhei no artigo anterior (aqui) no maior papo com o Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro. Fiquem então com o texto do Ruy Fabiano e meditem sobre o futuro.

“Eduardo Campos e Marina Silva nunca foram vinhos da mesma pipa. Estavam juntos, mas não misturados. Portanto, a substituição do candidato falecido por sua vice, embora obedeça a um ritual quase sumário, não é tão simples assim.

Campos era um político na acepção da palavra: negociador, flexível, disposto a fazer um governo conciliador, com um viés de esquerda, mas sem assustar o setor produtivo e financeiro.

Marina, nem tanto. Pouco afeita a negociações, cultiva certezas e procura impor um tom quase místico a suas convicções. Não receia (nem esconde) a inflexibilidade. Daí sua biografia conflituosa, que a fez sair ressentida do PT e do governo Lula.

A junção de ambos foi obra de Eduardo Campos, que obviamente não previu a circunstância presente. Provocou controvérsias no partido, cujo agora presidente, Roberto Amaral, ex-ministro de Lula, preferia apoiar a candidatura Dilma a lançar candidato próprio. Cabe-lhe agora presidir o imbróglio partidário.

A agenda de Marina Silva é confusa. De um lado, sustenta os mais ortodoxos princípios do ambientalismo; de outro, admite manter fundamentos da economia de mercado. Só não explica como conciliá-los – o que não é impossível, mas requer esclarecimentos, até hoje não fornecidos.

Por isso, é criticada tanto pela esquerda quanto pelos liberais, não inspirando confiança a nenhum dos dois. Sua atuação quando da votação do Código Florestal causou espanto: queria reduzir a área agrícola do país e causar óbices ao agronegócio.

Sua chegada ao PSB foi marcada por um conflito: exigiu a cabeça do deputado e candidato a senador por Goiás, Ronaldo Caiado, liderança do agronegócio, por meio de quem Eduardo Campos buscava uma aproximação com um setor que tem sido vital ao desempenho da economia nacional.

Campos cedeu, não sem prejuízo para alianças que já construíra em alguns estados de economia rural, como Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Bancava Marina por ver nela um braço a inseri-lo nos meios intelectuais urbanos, sobretudo no Sul-Sudeste, em que era pouco conhecido. Tinha por ela um encanto pessoal, não compartilhado por amplos setores de seu partido, que, além das divergências doutrinárias, nela viam (veem) alguém sem compromisso partidário, já que em momento algum escondeu que seu projeto é viabilizar sua própria legenda, a Rede de Sustentabilidade, que não obteve a tempo o indispensável registro na Justiça Eleitoral.

A súbita morte de Campos não altera o quadro interno de conflitos que deixou; deixa-o sem mediador. Ele era o único elo entre Marina e o partido, que agora vive um dilema: o destino oferece-lhe uma candidata competitiva – mais ainda que o falecido titular -, mas não os meios de tê-la sob controle. É um produto de qualidade, mas sem garantia e sem prazo de validade.

Nenhum partido rejeita a perspectiva de poder. Marina pode não ganhar a eleição, mas sem dúvida, confirmada como candidata, há de ter condições especiais de barganha sobre o vencedor – mais talvez que Campos, que, apesar de um currículo mais denso, não alcançou em vida a condição de liderança nacional.

A campanha presidencial fica, nesses termos, praticamente zerada. O jogo recomeça, com novas peças no tabuleiro de xadrez. As pesquisas iniciais – e aguarda-se neste fim de semana a do Datafolha -, por mais rigorosas e criteriosas, hão de refletir um eleitorado ainda confuso, sob o impacto da tragédia que vitimou Campos e da incerteza quanto à sua substituição.


Será preciso mais tempo para a decantação do quadro e a reacomodação das alianças. O país está confuso – e o PT se mobiliza para que prevaleça o ponto de vista de Amaral: abdicar de candidatura própria e apoiar Dilma.”

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O Rabo e a Porca




Por Carlos Sena (*)

Viver é simples até a página dois. Mas, o viver se torna complexo quando não se tem a real dimensão do mundo de fora na interface do mundo de dentro. Nessa conjugação dos dois mundos fico me questionando: quando Dom Hélder escreveu a Sinfonia dos Dois Mundos estaria ele dentro desse mesmo ângulo de visão? Pode ser que sim. Por essa crença é que é que acho difícil essa combinação considerando a realidade prática em que mundo de dentro fica sempre dizendo sim para umas coisas que o mundo de fora fica sempre dizendo não. Conflito estabelecido pela pouca resolução dele. Isso de forma em que se tenha uma vida feliz conjugando esses sentimentos. Seria nesse liame onde a porca torce o rabo? Pode ser. O problema de muitos é não saber onde começa a porca e onde termina o rabo. Pela duvida muitos deixam essa preocupação de lado e vivem o lado mais cômodo dom ser que é o lado de fora. Quando a idade avançada chega, o lado de dentro, não raro só sabe distribuir amarguras.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 31/07/2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A semana - "Não vamos desistir do Brasil"


Cortejo fúnebre de Eduardo Campos - Madalena - Recife.


Por Zé Carlos

Todas as semanas venho aqui escrever para os meus leitores (dizem que já são mais de 5) sobre o que se passou nos últimos sete dias, em termos de política. O que me dava a base para o que escrevia era um filme feito semanalmente pelo UOL, no qual os fatos políticos são tratados com muito humor. Até o momento que escrevo este filme não apareceu na internet. Talvez, pelo mesmo motivo que tive dúvidas em hoje escrever.

Todos os acontecimentos da semana passada foram superados por mortes de pessoas, de uma forma ou outra ligadas à política. E eu, realmente, não sei como conciliar humor com morte. Não é uma tarefa fácil para ninguém. E quando o morto é ligado de forma completa ao assunto que tratamos: a política, tudo se torna mais difícil, mesmo que fosse a morte de Hitler. Se há alguma coisa para rir por dentro é o sentimento de dúvida e até de bagunça em que se transformou nossa vida política, tanto em relação às próximas eleições quanto à vida brasileira nos próximos anos.

Hoje, não há um só candidato ou eleitor que não tido dúvidas como proceder no próximo pleito. Todas as campanhas e todas as mentes se viram envolvidas num verdadeiro pandemônio, cuja marca principal é a incerteza. Os candidatos se perguntam para onde eu vou agora? E os eleitores perguntam, como eles vão proceder agora? Eu me considero na condição de um simples eleitor obrigado a votar em outubro.

E o acontecimento que causou todo este imbróglio político foi a morte de Eduardo Campos. Eu já ia escrevendo “prematura morte”, mas, refreei-me ao perguntar: Existe morte prematura? E sou obrigado a concluir que não. Foi a morte de Tancredo Neves prematura? E a de Ariano Suassuna? No caso de pessoas com liderança política não há morte prematura. O tempo da política é diferente de todos os tempos porque ela nos envolve a todos, inclusive o político aristotélico que sou.

Ontem quando me levantei meia-noite para ver o cortejo fúnebre de Eduardo, que passou pela minha rua, fiquei emocionado e ao mesmo tempo tive vontade de rir, quando via aquela multidão com bandeiras e gritos a quererem dele participar. Parecia realmente que atrás do cortejo só não iria quem já morreu. Ri também ao lembrar da homenagem que fiz aproveitando o texto do amigo Zezinho sobre o encontro no céu entre Ariano e Eduardo (aqui), e da música que coloquei naquele texto, com mais convicção ainda de que o Eduardo Campos foi uma espécie de madeira que o cupim no roeu, talvez porque não teve tempo, mas, isto é outra história. Não porque ele fosse um homem perfeito, e um político todo tempo correto. E sim porque morreu jovem e o Brasil sentiu sua falta.

Li ontem num texto de um jornalista (*) o seguinte: “Sorrir, mesmo em meio à lágrimas, é o remédio mais indicado para recuperar o fôlego, recobrar a consciência e retomar o rumo na direção do último apelo do notável moço pernambucano, na polêmica e histórica entrevista ao Jornal Nacional na véspera de partir: "Não vamos desistir do Brasil."”

E, justificado e confortado por esta frase, eu retomo o riso, não porque a morte do Eduardo o provoque, mas sim, porque ela pode nos levar a que, como era sua vontade, não desistamos do Brasil.

E basta pensar em nossa situação econômica, social e política atual, que nos leva a crer que os brasileiros parecem ter desistido do Brasil. E se pensarmos exclusivamente na política só temos muitas risadas a dar, o que nos levaria a recuperar o fôlego e retomar o rumo em direção a não desistir do Brasil. Se não mudarmos estaremos desistindo e só nos restará rir mais ainda, para não chorar.

Deixo para a próxima semana, a apresentação do filme de humor, e, espero, podendo comentá-lo mais à vontade. "Não vamos desistir do humor".

Vejam abaixo um filme que mostra um pequeno trecho do cortejo fúnebre de Eduardo Campos, feito direto dos estúdios da A Gazeta Digital, que eu juro não teve interferência política para que passasse de frente à sua sede. Agradecemos pela emoção, e espero que nossos poucos leitores também se emocionem.



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(*) Vítor Hugo Soares (Blog do Noblat – 16/08/2014)