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quinta-feira, 24 de abril de 2014

O "sincericídio" de Dilma e suas consequências




Por Zezinho de Caetés

Ontem li o texto do Zé Carlos aqui na AGD, comentando um filme que ele diz ser de humor. Penso que seja de humor negro, quase todos que versam sobe o tema da Petrobrás. Ri quando ele comparou a Petrobrás com a lojinha de R$ 1,99 da gerenta presidenta. O pior de tudo, lendo outros blogs, jornais e TVs vejo que a mídia “só pensa naquilo”. E não era prá menos.

Como diz o imortal Merval Pereira no texto abaixo, esta empresa que foi criada para garantir que o petróleo seria nosso, continua no centro do debate político, e é a maior pedra no sapatão da Dilma (sem ofensas preconceituosos, apenas pelo número) para que ela se reeleja. E a bomba vem com efeitos de estilhaçamento sobre o meu conterrâneo, o Lula, de uma forma avassaladora. Afinal, foi em sua gestão que se cometeram os maiores delitos hoje motivos de uma CPI, e que, como sempre, ele mesmo, com uma vergonha danada, dirá que não sabia de nada. Mas, o povo, certamente, está cansado desta desculpa esfarrapada.

Ora já se viu, alguém passar 8 anos para descobrir que uma empresa que comanda perdeu mais de 1 bilhão de dólares, e que hoje não vale nem metade do que valia, dando prejuízos a tantos brasileiros. E não pensem que o prejuízo é só para os mais ricos. O donos do dinheiro do FGTS foram incentivados a serem sócios de uma empresa cuja gerenta já sabia bichada há muito tempo. Isto atinge todos os níveis de renda. A esperança da gerenta presidenta para ganhar as eleições está no fato de que o Bolsa Família ainda não recolhe para FGTS. Se recolhesse e os bolsistas descobrissem que não poderiam nem comprar um smartphone para um filho devido as perdas na Petrobrás, ela já estaria derrotada.

E agora, mais uma vez, os nossos olhares se voltam para STF, mais precisamente, para a ministra Rosa Weber, que julgará se haverá uma CPI magra (só os problemas da Petrobrás) mas sadia ou um CPI gorda (incluindo tudo que se passou no Brasil até hoje) mas doente. Eu só sinto é que o sorteio para relatar este processo não tenha caído em Joaquim Barbosa. Mas, vamos ver como a ministra Rosa julga a matéria, e que não deixe brecha para o presidente do Senado, Renan Calheiros começar mais uma chicana jurídica. Eu tenho meus medos da ministra Rosa Weber, por ela ter decidido que Zé Dirceu não formou uma quadrilha. No entanto, eu espero que agora ela não conclua que na Petrobrás não houve crime nenhum e que suas perdas deveram-se exclusivamente ao Marcos Valério. Este, coitado, é o culpado de tudo que o PT fez até hoje, embora, agora, o culpado seja o Vargas.

Pelo tamanho do imbróglio em que se meteu nossa gerenta presidenta ao declarar que se soubesse das coisas não teria aprovado a transação envolvendo a refinaria de Pasadena, enquanto o ex-presidente, Sérgio Gabrielli, diz que foi ótima, enquanto durou, tenho o prazer de sonhar com sua sorte na corrida presidencial, ficando ou saindo. Para ela agora “se correr o bicho pega e se ficar o  bicho come”. Se correr, dizem, virar o Lula, o homem que nunca soube de nada. Se ficar, sairá no primeiro turno. Penso que só isto, agora, é o que alegra os que usaram seu dinheirinho suado para se tornar sócio da Petrobrás. E aguardem, vem aí o Pré-Sal, que já é visto como o maior blefe do Lula, coadjuvado pela sua melhor gerenta. O PT se despedir do governo federal será uma imensa alegria para mim. E não me perguntem quem virá, pois terei o prazer de repetir que qualquer um que venha faz parte do meu otimismo contumaz.

 Espero, e até rezo para que Lula cometa o seu “sincericídio” e diga que foi ele que roubou a goiaba naquela nossas andanças lá por Caetés. Até hoje, mesmo com o bolso cheirando a goiabada cascão,  ele diz que não sabia, quando não me acusa. Coisa de criança?

E continuem com este tema através do texto Merval, publicado ontem (22/04/2014) no O Globo, e descubram com que o PT sujou as mãos. Não foi só com petróleo, tenho certeza.

“A Petrobras continua no centro do debate político desde que a presidente Dilma Rousseff cometeu o “sincericídio” de admitir que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, foi um mau negócio feito com base em relatório “técnica e juridicamente falho”.

Assumiu assim, às vésperas da campanha eleitoral, uma atitude crítica às administrações anteriores à sua gestão, que tiveram um cunho marcadamente político nos dois mandatos do ex-presidente Lula, primeiro com José Eduardo Dutra e depois com José Sergio Gabrielli.

Como não pode ir adiante nas críticas, a presidente ficou paralisada numa ação política de alto risco, que a expôs ao mau humor de seus adversários internos no PT. “Ela não pode fugir às suas responsabilidades”, retrucou Gabrielli em entrevista, colocando Dilma como coautora da decisão da compra, já que presidia o Conselho da companhia.

Além de afetar sua imagem de boa gestora, a esta altura totalmente desacreditada, a queda de valor da Petrobras no mercado de ações afeta diretamente milhares de eleitores que usaram o Fundo de Garantia para comprar suas ações, e também um símbolo nacional que já serviu de base para campanhas petistas e hoje se tornou uma carga pesada.

Não é um debate promissor para quem começa a ter dificuldades na corrida presidencial, com queda de popularidade e aprovação do governo que a coloca em rota de redução de possibilidades de se reeleger.

O recorte da pesquisa Datafolha que analisa a preferência dos 17% que conhecem igualmente os três candidatos à Presidência da República a coloca em pé de igualdade com os adversários Eduardo Campos e Aécio Neves, o que implica deduzir que quando todos forem igualmente conhecidos, o favoritismo de Dilma se esvairá.

Mais que isso, no hoje provável segundo turno, a presidente perde para os dois nesse grupo, o que reforça a ideia de que qualquer um que vá ao segundo turno receberá o apoio da maioria dos eleitores do outro, uma situação totalmente diferente das eleições anteriores, quando boa parte dos que votaram com a oposição no primeiro turno retornou para Lula no segundo.

E ainda tem a CPI da Petrobras. A ministra Rosa Weber, que pode dar a decisão hoje sobre a sua constitucionalidade, tem diante de si uma questão técnica com alto teor político, fundamental para a garantia de que a democracia brasileira assegura às minorias uma margem de atuação que não pode ser sufocada por maiorias eventuais. A maioria pode tudo numa democracia, menos impedir seu funcionamento.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é um instrumento típico das minorias, e por isso é tratada na Constituição com clareza em vários artigos, de definição muito simples e direta: se tem fato determinado a ser apurado e o número de assinaturas suficiente, deve ser instalada imediatamente.

A manobra do presidente do Senado, Renan Calheiros, aceitando o ineditismo de os governistas acrescentarem fatos novos à CPI pedida pela oposição, com a intenção de inviabilizá-la, não tem guarida na Constituição nem no parecer do ex-ministro do Supremo Paulo Brossard, que Calheiros utilizou indevidamente como base de sua argumentação, fazendo uma estranha exegese do que Brossard pretendeu dizer.

O jurista gaúcho, ex-ministro da Justiça e ex-senador, reagiu em entrevista quando viu seu voto ser distorcido na decisão de Calheiros: “Uma das ideias centrais da CPI é justamente que a investigação deve recair sobre um fato certo. Não pode ser sobre dois, três, quatro temas. De forma alguma!”.

Segundo o relatório do ex-ministro no julgamento do habeas corpus nº 71.039, de 1994, fatos sem conexão com o objeto inicial da CPI, como no caso do suposto cartel de trens em São Paulo, devem ser analisados por novas comissões de inquérito, não podendo ser incluídas na original.


Somente “fatos conexos” que surgirem no transcorrer de investigações podem ser incluídos. O presidente do Senado desmentiu que pretenda recorrer ao plenário do STF, alegando que a definição da CPI seria uma questão do Congresso, caso Rosa Weber dê hoje razão à oposição. Está admitindo, assim, que a disputa é mesmo de natureza constitucional e deve ser definida pela mais alta instância do Judiciário.”
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P.S.: Já hoje, 24/04/2014, lí na mídia que a Ministra Rosa Weber agiu para manter nosso Estado Democrático de Direito. Portanto, não tenho mais medo da Ministra. Caro Zé Carlos, se der tempo coloque este PS no meu último texto. (Zezinho)

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Mulher, Produto de Cama e Mesa (?)




Por Carlos Sena (*)

Não se assuste, mas ainda continua sendo assim com boa parte das mulheres. Mulher Melão. Mulher Melancia. Mulher Jabuticaba. Mulher... Abacaxi, eis outra mulher. Diferente do fruto doce e saboroso do abacaxi, mulher com esse nome denigre a mulher que queremos livre, amando-se e amando, trabalhando, e, como cidadã consciente, escolhendo pelo voto os governantes da nação. Mulher Abacaxi tem dentro de si a casca grossa da futilidade, o caule espinhoso da falta de compostura que lhes conduz a uma moral duvidosa e uma ética fraca que se desonera com a primeira cantada de um homem. No rol dessas imperfeições de caráter ou talvez desse modo duvidoso de ser mulher, estabelecem-se as principais características da atual mulher Abacaxi. Grosso modo, essa pode ser a antítese da mulher que, a duras penas, enfrentou o mundo machista e rompeu com boa parte dos preconceitos lhe impostos. A mulher de quem o mundo se orgulha é aquela que descobriu que sua auto-estima não tem preço; que o mundo não tem mais lugar para discriminação, independente de ser mulher; que não há mais lugar para as mulheres "Amélia". Descobriu, acima de tudo, que o trabalho da mulher é tão digno quanto o do homem e que essa história de bater em mulher acabou. Descobriu, não obstante, que pode amar e ser amada e, se no amor houver separação, sabe continuar a vida e refazê-la, se for o caso, com muita dignidade. Percebe-se, pois, que estamos falando da mulher MULHER. Sem rótulos, nem ilação com a futilidade das mulheres-fruta tão em moda no seio da sociedade que passou boa parte do tempo dançando na "boquinha da garrafa" bem na lógica da mulher de cama e mesa. Mais da cama do que da mesa.

Neste 8 de março há o que comemorar com as mulheres que sabem se amar. Que não apanham de homens sem os denunciar a policia. Que tem estabilidade financeira e que, se for o caso viram "pai e mãe" (pãe) para seus filhos mas, não se submetem a viver com homens que lhes tratam como escravas. Que dão um duro danado para trabalhar, criar os filhos, cuidar da vida conjugal, ou, sendo sozinhas, descobrir-se feliz por nada. Porque a felicidade dos seres humanos não pode ser dependente de outrem, mas da auto-estima de cada pessoa. Mulher ABACAXI? Prefiro as mulheres MULHERES!

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 08/03/2014

terça-feira, 22 de abril de 2014

A semana - Ainda a "quitanda" da PETROBRÁS




Por Zé Carlos

Quando você assistirem ao filme abaixo, onde o UOL resume os acontecimentos da semana, não venham logo com quatro pedras na mão dizendo que estamos repetindo filmes semana após semana. Não. São as próprias semanas, que no Brasil, parecem a mesma. A PETROBRÁS, também agora conhecida como “cleptobrás”, “quitanda do Lula” ou “Dilma R$ 1,99”continua em cartaz firme e forte.

Dizem que o Lula reagiu muito a abrir a “quitanda” mas, a insistência da Dilma, pela sua experiência na lojinha de R$ 1,99, que teve um dia, o fez entrar neste ramo de negócio, desvalorizando o valor da, um dia, maior empresa brasileira de uma forma que daqui a pouco será um artigo à venda da própria “Dilma R$ 1,99”, ou qualquer que seja o nome que a quitanda tenha agora.

O que é muito difícil dizer é que atrás de tanta fumaça de denúncias de roubalheiras, falcatruas, chantagens, etc. na empresa, não haja uma fogueira queimando lenha verde, deixando o ar mais poluído do que noite de São João na Rua da Cadeia em Bom Conselho.

Portanto, não vejam o filme, preconcebendo dar boas risadas. Preparem algumas lágrimas também. Embora eu tenha rido quando a Dilma fala que, em seu governo e no de Lula a Petrobrás só cresceu, os acionistas da empresa deve ter vertido muitas lágrimas. O que concordo é que tudo seja investigado. E nisto não sou original nem estou sozinho. O PT quer tanto investigar que está propondo uma CPI como nunca houve neste Brasil, e que investigará até a viagem de Lula, num pau-de-arara, para São Paulo, para verificar, como fato determinado, se a Dona Lindu pagou propina ao motorista para chegar mais rápido.

Já a oposição pretende se fixar no que realmente importa que é investigar o que fizeram com a nossa quitanda maior. E de preferência, que seja de responsabilidade da Dilma. Aliás, penso até que este assunto ainda será abordado na próxima semana, porque agora o ex-presidente da quitanda, digo, Petrobrás, está em guerra aberta com a presidenta, agora do Brasil, dizendo que se ela não fez nada a responsabilidade é dela. Talvez, pelo rumo que as coisas estão tomando, o filme aborde o  tema: “a briga de cachorros grandes”, os maiores de todos, Lula e Dilma, nesta guerra da sucessão presidencial. Esta eu quero ver: Lulinha Paz e Amor x Mãe do PAC. Dizem que o grande embate agora em Brasília é para saber quem será o juiz desta luta do século. Estão escolhendo entre o Joaquim Barbosa e o Márcio Tomás Bastos. Veremos o resultado depois.

Se cansarem do assunto da quitanda, deixem o filme correr e riam com o Eike Batista no final. Quem sabe talvez ele ainda compre a PETROBRÁS?! Nem pensem, senão choram, que podemos terminar todos como Tiradentes, enforcados com excesso de impostos para financiar a grande farra em que estar se tornando no amado Brasil.

E agora fiquem com o roteiro dos produtores do UOL, que é tão pequenino quanto meus comentários, pelo mesmo motivo, que o brasileiro tanto adora: o feriadão, que fez a semana nascer na terça-feira, e não na segunda, como de hábito.

“A Petrobrás é alvo de CPI, e o magnata Eike Batista continua sua ladeira abaixo. Os poderesos do petróleo estão mal no país atualmente. A presidente da estatal, Graça Foster, teve até que desmentir que a Petrobrás é "uma quitanda". Os presidenciáveis também opinaram sobre a polêmica.”


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Entrevista do Lula com os blogueiros "camaradas"




Por Zezinho de Caetés (*)

Dediquei meu tempo hoje a ouvir com as “oiças” e ler com estes “óios” que a terra há de comer. Não posso dizer que perdi meu tempo com nenhuma das duas atividades. Na primeira, passei duas horas vendo a entrevista do meu conterrâneo Lula aos blogueiros “camaradas”. Não dá para comentar todos os assuntos que foram tratados pelos blogueiros e mesmo seria impossível acompanhar tudo que o Lula disse. Mas eu já sabia, como fala este rapaz. É pena que não tenha havido o contraditório para todas as respostas, embora eu não conheça a maioria dos blogueiros presentes.

No entanto, uma coisa ficou líquida e certa, o Lula evoluiu muito, e não digo desde criança porque seria muito óbvio. Apenas me refiro à forma como ele responde as perguntas, com conhecimento dos assuntos, mesmo que eu não concorde com muitas delas. Por exemplo, quando ele diz que “o povo está mais sabido, e não serve de massa de manobra”, eu, se lá estivesse teria dito: “Menos aqueles que ainda vivem do assistencialismo governamental, que foi cooptado vergonhosamente, ao invés de esclarecido para uma escolha justa, mesmo ganhando a Dilma”.

Digo também que ele talvez não tenha evoluído no seu pensamento mais íntimo desde 1979 quando concedeu uma entrevista à revista Playboy, da qual reproduzo uma parte abaixo:

“(…)Playboy – Há alguma figura de renome que tenha inspirado você? Alguém de agora ou do passado?

Lula [pensa um pouco]- Há algumas figuras que eu admiro muito, sem contar o nosso Tiradentes e outros que fizeram muito pela independência do Brasil (…). Um cara que me emociona muito é o Gandhi (…). Outro que eu admiro muito é o Che Guevara, que se dedicou inteiramente à sua causa. Essa dedicação é que me faz admirar um homem.

Playboy – A ação e a ideologia?

Lula – Não está em jogo a ideologia, o que ele pensava, mas a atitude, a dedicação. Se todo mundo desse um pouco de si como eles, as coisas não andariam como andam no mundo. (…)

Playboy – Alguém mais que você admira?

Lula [pausa, olhando as paredes] - O Mao Tse-Tung também lutou por aquilo que achava certo, lutou para transformar alguma coisa.

Playboy – Diga mais…

Lula – Por exemplo… O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer.

Playboy – Quer dizer que você admira o Adolfo?

Lula – [enfático] Não, não. O que eu admiro é a disposição, a força, a dedicação. É diferente de admirar as idéias dele, a ideologia dele.

Playboy – E entre os vivos?

Lula [pensando] – O Fidel Castro, que também se dedicou a uma causa e lutou contra tudo.

Playboy – Mais.

Lula – Khomeini. Eu não conheço muito a coisa sobre o Irã, mas a força que o Khomeini mostrou, a determinação de acabar com aquele regime do Xá foi um negócio sério.
Playboy – As pessoas que você disse que admira derrubaram ou ajudaram a derrubar governos. Mera coincidência?

Lula [rápido] – Não, não é mera coincidência, não. É que todos eles estavam ao lado dos menos favorecidos.
(…)

Playboy – No novo Irã, já foram mortas centenas de pessoas. Isso não abala a sua admiração pelo Khomeini?

Lula – É um grande erro… (…) Ninguém pode ter a pretensão de governar sem oposição. E ninguém tem o direito de matar ninguém. Nós precisamos aprender a conviver com quem é contra a gente, com quem quer derrubar a gente. (…) É preciso fazer alguma coisa para ganhar mais adeptos, não se preocupar com a minoria descontente, mas se importar com a maioria dos contentes.”

Na mesma entrevista ele ainda fala das mulheres. Leia Lucinha, quando ele reproduz uma fala da Marisa e dá sua opinião sobre isto:

“MARISA - Um tinha boa intenção, outro, intenção ruim. E acabei conquistada pelo que tinha intenção ruim. Mas ele era gamado, viu? Vivia dependurado no telefone [gargalhada de Lula]. Eu só fugia, dizia que estava ocupada, que tinha de trabalhar, mas, no fim, acabava atendendo.

LULA - Charminho dela… O problema de mulher é você conseguir pegar na mão. Pegou na mão…”

Como a entrevista era à revista Playboy, não poderia faltar o sexo. Depois que li o texto do Diretor Presidente de ontem (veja aqui), vou seguir o conselho dele e ver a novela Araguaia. Mas, vejam o que o Lula diz:

“Playboy - Com que idade você teve sua primeira experiência sexual?

Lula - Com 16 anos.

Playboy - Foi com mulher ou com homem?

Lula (surpreso) - Com mulher, claro! Mas, naquele tempo, a sacanagem era muito maior do que hoje. Um moleque, naquele tempo, com 10, 12 anos, já tinha experiência sexual com animais… A gente fazia muito mais sacanagem do que a molecada faz hoje. O mundo era mais livre…”

Aí está o meu amigo de infância em carne, osso e molecagem, da qual privamos juntos por um bom tempo lá na Vargem Comprida. Eu...

O fato dele não citar os meus textos, que sei que ele lê, é apenas um detalhe. Mas, de qualquer forma, quando ele receber mais uns 10 títulos de Doutor Honoris Causa, a Lucinha Peixoto não vai mais poder chamá-lo de apedeuta-mor. Se tiverem minha paciência vejam o vídeo completo. Eu sei, eu sei, não precisam repetir que para ouvir o Lula falar duas horas, é preciso ter sido seu amigo de infância, pois sei que é dose para elefante. Mas esta atividade de blogueiro também exige sacrifícios. Para uma resumo interessante clique aqui .

A minha segunda atividade foi ler mais um artigo da série do professor José Fernandes, “A Revolução de Caetés – 2”. Eu nem sei se serei um contra-revolucionário, pois ainda penso que, mesmo citando o meu nome o Caetés a que ele se refere pode ser a dos antigos habitantes de nossa cidade vizinha, “Olinda, a marim dos Caetés”. Mas isto eu deixo para outro dia, pois o professor merece mais do meu tempo. No entanto, seria impossível citar o Lula acima, e não citar o professor José Fernandes, quando escreve, ao comentar uma promessa dos revoltosos de Canudos: “Quanto ao fornicar, eu penso diferente: a gente não fornica por vício. Fornica porque é bom e faz bem. Um colega costumava dizer, muito seriamente, que uma fornicada perdida hoje, não se recupera nunca mais. Porque a de amanhã já é outra.” Nisto, eu, o professor e o Lula, estamos todos de acordo.


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(*) Diante do feriado e procurando aproveitá-lo nos dias santos usei os textos da amiga Lucinha Peixoto para camuflar minha ausência. Hoje, dia de Tiradentes, fui ao Blog da CIT, sempre uma fonte de inspiração, e, ao colocar o nome do nosso heróis encontrei o texto acima, que fala de Tiradentes apenas de passagem, mas, por tratar-se do meu amigo Zezinho de Caetés falando sobre um famoso conterrâneo seu em 25/11/2010 (pela atualidade, parece que foi ontem). Resolvi publicá-lo aqui para não deixar os leitores do blog na mão (no bom sentido, é claro). Administrador da AGD.

sábado, 19 de abril de 2014

Bofe Nada Escândalo.




Por Carlos Sena (*)

Tinha tanta gente no encerramento do carnaval no Recife antigo que não pude deixar de ficar observando o que me acontecia em volta. Tinha “marmota” pra todo gosto. Tinha trepeça, tinha puta, tinha mulher direita, tinha viado doido, viado comportado. Sapatão? Tinha a dar com o pau. Maconheiro? Não tinha nem graça, mas fumaça tal qual o fumacê do controle da dengue. Mas, o que mais me chamou atenção foi uma puta metida a senhora casada. A cena patética aconteceu nas minhas fuças, pois não havia condição de sair dali por conta do amontoado de tanta gente. Como não tinha outra opção, imaginei: “o ultimo pingo continua sendo o da cueca”. Assim, fiz daquela quenga e daquele macho idiota, uma forma de diversão. No palco Alceu e, em seguida, Elba. Na minha frente aquele casal cheio de “amores” fictícios tal qual marinheiro que o navio apita e ele vai embora. O cara era um sujeito feio, mas bombado. Mostrava sua musculatura por nada. Ela, uma feiosa mais velha do que o “bofe” e com atitudes de rapariga que trai o marido e ainda tem a pachorra de posar de pudica. Mas, o cara, a despeito de ser feio, cafona, meio “barbe” em cima do muro, logo parecia ter sacado a daquela “zinha” que ele estava querendo lhe enganar passando-se por madame.  Em determinado momento daquele chamego meio sem graça (e que chamava a atenção de todos) ela, a “fuinha” (parecia um “soin” (sagui) ) tudo indicava ter entendido  que aquele macho não era de nada e só tinha arranco feito carro velho. Então, imaginei, ela teria começado a “greiar” com a cara do macho babaca que, ao que tudo indicava, adorava mostrar os bíceps, talvez para compensar sua feiura e seu mal caratismo expresso. Nesse ínterim, a orquestra de frevos deu uma paradinha para a entrada de Elba e todos puderam ouvir mais nitidamente as conversas daquele exagerado casal. Não bastassem as cenas de beijo forçado, o rapaz deslizava suas mãos pela bunda da quenga e ela se arretava com ele, mas ficava calada. Ele insistia em pegar novamente sua bunda e, subido, ela diz: “você parece que é viado, pois só quer ficar pegando na minha bunda, porra. Eu sou uma mulher mãe de família. Se eu soubesse que você era tão safado não tinha vindo. E só não me vou embora porque eu estou com minha sobrinha e ela quer ver o show de Elba”. O cara ficou sem graça. Sua garrafa de uísque Cavalo Branco chegara ao fim e ele ia baixando o fogo na mesma medida que a bebida se acabava. Mesmo assim ele tentava beijá-la, mas ela se fazia de difícil e mudava o rosto para o outro lado. Ele fazia outro movimento contrário para beijar, mas ela não deixava. De repente:  “tu nem beijar sabe”. Eu vou te ensinar! Tascou-lhe um beijo meio lambrecado de cuspe e ele ficou todo ancho. Mas, ela logo voltou ao seu estado original de abuso. Nisto, ele dá uma chamada na cintura dela e roça com seu “tacape” bem em frente da sua “bela rosa”... Ela dá-lhe um empurrão e volta a repetir pra ele que “não sou puta, sou uma mãe de família, etc. etc.”.

De repente, a orquestra começa a tocar e Elba entra com todo gás. Nisto, como num passe de mágica, o casal some. Acho que ela se desvencilhou dele e sumiu. Ele, certamente,  deve ter saído derrubando todo mundo pra ver se recuperava sua puta. Essa é a explicação que tive para o sumiço deles, diante daquele espetáculo grotesco que vimos, de graça, em pleno carnaval do Recife. Detalhe: a quenguinha guando se agarrava no pescoço do “bofe nada escândalo” mostrava uma aliança de casada que mais parecia um pneu de carro, de tão grossa. O corno, coitado, certamente estava em sua casa aguardado a mulherzinha que tava dando pra quem quisesse no carnaval. Outra coisa que me encafifou: o uísque do “bofe” era Cavalo Branco, quando uma garrafa de cana ficava mais adequada aquelas cenas grotescas, embora em pleno carnaval.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 07/03/2014