Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

terça-feira, 21 de outubro de 2014

DA VIDA E DA MORTE.




Por Carlos Sena (*)

Se me perguntarem pra onde irei depois da morte poderei dizer: "só depois dela  saberei"! Se insistirem, então serei definitivo na resposta: "irei para o lugar que estava antes de nascer"...

De fato, morrer é um assunto tão cheio de filosofia que cada pessoa se ilude pensando que tem vida eterna. Através da filosofia a vida pode até ser eterna,  mas, na prática, ninguém até hoje ficou vivo para experimentar ser semente.

A complexidade filosófica  ajuda e até nos alivia um pouco quando a gente, por exemplo, não perde o gosto pela vida mesmo sabendo que um dia iremos morrer! O outro lado disto se define quando os humanos querem ser melhores uns mais que outros. Muitos vivem tratando os semelhantes com patadas, humilhando e massacrando seus iguais como se diferentes deles fosse! Engano: o tempo passa e com ele passam as coisas do luxo e das vaidades com muito mais vigor e velocidade. Isto tem levado pessoas ao desespero ao descobrirem ser possuidoras, a vida inteira, de valores tão frágeis.

A vida precisa da filosofia, mas esta não precisa da vida. Há uma simbiose consentida em que morto não pensa, tampouco filosofa. Afinal, viver nunca será em vão se a gente tiver a noção exata de que desta vida somos apenas passageiros.

Assim, melhor não querer saber do lugar que eu estive antes de nascer! Mesmo assim, perguntei a mamãe acerca, e ela nem se lembrou, pelo contrário me inquiriu com a mesma pergunta: "como é que você vem de um lugar que não se lembra"? E a senhora lembra de onde veio antes de nascer? Não, mas eu não estou interessada nisso, respondeu. Já que você tem essa preocupação que busque sua resposta!

Minha mãe é assim - meio abusada nas respostas às perguntas que acha bestas. Mas, é tudo porque ela não gosta de falar de morte e, por isto me respondeu abusada. Realmente fica difícil pra ela entender certas coisas, pois seu traço mais marcante de personalidade é a praticidade.

Independente de conceito ou preconceito, a vida é bela! Melhor não perder tempo enquanto ela escorre pelas nossas mãos! Mais que bela a vida é  mágica e nos transforma sem que percebamos sua essência.

Melhor do que dar a César o que e dele
é dar à boca o beijo,
o corpo ao desejo,
a mão ao afago...
Porque depois nem sei se te vejo!

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 12/09/2014

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A semana - Os "Roussefs" dominam a campanha. Mas, quem são os pais do Bolsa Família?




Por Zé Carlos

Esta foi uma semana de debates entre os postulantes a presidente, Aécio Neves e Dilma Roussef. Dois já foram realizados, no momento em que escrevo, outros dois estão marcados, para este domingo (se tiver tempo eu o comentarei ainda neste texto) na Rede Record, e para a próxima sexta-feira, o da Rede Globo. Eu só não sei, se continuar o baixo nível, haverá o da Globo que é o que tem maior audiência e repercussão.

No primeiro debate, o da Band, a Dilma tomou a iniciativa da luta e partiu para cima do Aécio com tudo que tem o baixo nível do esporte político, deixando-o um pouco acuado, mas, eu diria que houve um empate, na contagem final dos pontos. Da cabeça para baixo tudo era canela, como a gente costumava dizer lá em Bom Conselho, nas peladas, quando queríamos apelar para a ignorância. A cabeça do adversário no meio fio, era a meta, e por pouco a Dilma não conseguiu jogar a cabeça de Aécio lá. Graças a Deus ele se recuperou em tempo de neutralizar novos golpes, que ele nem sonhava que a adversária era capaz de dar. Depois o Aécio disse que o treinador da Dilma parecia Goebbels, aquele ministro da propaganda de Hitler que dizia que cheiroso mesmo era judeu na churrasqueira. Eu realmente, me surpreendi com o baixo nível.

No segundo debate, o Aécio entrou no ring tendo estudado o treinador da Dilma e do que ele poderia ser capaz e esperou pela primeira estocada, para usar golpes que ele antes não havia desferido, porque, diz ele, achava que não eram legais na luta.

E o distinto público ficou sem saber em quem apostar para a última partida no dia 26, pois o que estão faltando são propostas concretas sobre o destino do esporte político em nosso país. Depois de tantos escândalos, de tanta corrupção e de tantas mentiras, o que eu farei no domingo na cabine indevassável? Pelo exemplo que temos nos debates, só me resta quebrar a urna.

E os leitores desta coluna semanal, que agora já são 8, com a entrada de dois amigos de longa data, podem pensar que a semana se reduziu aos debates presidenciais. Tomara que fosse. No entanto, nunca, no Brasil, pode-se cantar vitória antes do tempo. Sempre temos um escândalo a mais. E com esta delação premiada dupla, é muito difícil, que, julgando pelo exemplo do mensalão, os escândalos acabem antes de 2064, quando estivermos comemorando 100 anos do movimento militar, revolução, golpe, ou qualquer nome que se possa dar às ações iniciadas no 1º de abril de 1964. E será difícil que paremos de rir, pois chorar seria a única alternativa. Então, riamos!

Dizem que nunca se deve rir da desgraça alheia, e eu concordo com isto, mas, como dizia o filósofo lá de Papacaça que “desgraça pouca é bobagem”, podemos até rir um pouco do estado em que Dilma ficou depois do debate da última quinta-feira. Foi uma contribuição magistral para esta coluna, no que tange ao humor, mantendo-se ela como sua grande colaboradora. Bastava ver sua cara, com aquele penteado chique, quando ela descobriu que estava falando ao vivo e não sendo gravada. Quem viu o filme antes de ser retirado do YouTube, deve ter rolado de tanto rir com a “desgraça bobagem” da candidata. Como se diz nas lutas, ela foi salva pelo o gongo. Já pensou se sua pressão baixasse durante o debate? Seria a glória. Se fosse lá em Bom Conselho, minha Tia Quitéria, de quem me lembro quando vejo a imagem da Graça Foster, diria logo: “Bom para isso é chupar sal grosso!”.  Tudo isto deu margem aos comentários mais maldosos e humorados da semana que passou. E só temos a agradecer a ela pela grande atuação. Vejam uma parte do jocoso episódio aqui, e divirtam-se, porque, como se sabe ela já está passando muito bem.

E dentre este mar de escândalos, até os defuntos estão em polvorosa. Além do Eduardo Campos, do Janene (não lembro agora o primeiro nome), agora o Paulinho, como Lula chamava seu amigo da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, ou o Youssef (também não me lembro o primeiro nome) o doleiro oficial do PT, citaram o Sérgio Guerra em seus depoimentos. Agora, no Brasil, quem fez malfeito, vive, a cada dia, esperando que os delatores citem seus nomes para terem tempo de correr ou chamarem os repórteres para tudo desmentir. Do que ri, ainda no debate da Band é que a Dilma citou o caso do Sérgio Guerra para mostrar que o PSDB também gozava da intimidade dos delatores. Ri porque, se for contar os citados, por partido, o PT é o campeão absoluto neste quesito.

Agora, antes de entrar no filme do UOL, mostrando que mesmo se a Dilma perder as eleições, teremos o Lula para substituí-la nesta coluna, que visa levar seus poucos leitores ao riso, eu cito o caso do Lula criticando o Aécio porque ele bebe. Eu, a princípio, não acreditei, embora já tenha começado a rir. Quando descobri que era verdade, rolei pelo chão e tive vontade de tomar uma caninha para não morrer com o riso incontido. É por estas e outros que dizem que o Brasil é o país da piada pronto. Esta coluna então, tem futuro.

E como não poderia deixar de ser, o filme do UOL, que apresentamos abaixo, se fixou nos dois debates aqui citados. E, ao começarem a vê-lo amarem-se à cadeira para não rolar pelo chão de tanto rir.

O que o domina é velha questão da paternidade do programa Bolsa Família. O Aécio diz que seu DNA mostra que o pai é o Fernando Henrique e a mãe é Ruth Cardoso. A Dilma nega e diz que o pai é Lula e a mãe não se sabe se é a Marisa ou a Rose. Aécio diz que, ainda quando embrião, o programa tinha vários nomes, como células que foram se juntando, e que o Lula fez foi apenas já pegar o feto pronto, mas, o DNA é tucano. E, no filme, é aí que entra o Ratinho para mostrar quem é o pai da criança. É de morrer de rir, porque nunca se viu nada mais parecido do que um programa de auditório do que a briga entre os candidatos pela paternidade do Bolsinha, nome carinhoso que eu dou ao programa.

A meu ver, cada um deve decidir quem é o pai do programa. Eu tenho minha opinião que o pai é o Sarney, que como pai estremoso, dizia que “fazia tudo pelo social”, mesmo tendo sido ferroado por um maribondo de fogo. Agora, a mãe, eu realmente não sei quem é. Apenas sei que a Dilma não é, ela só é Mãe do PAC. Na realidade, só a partir dos governos petistas é que o Brasil começou a rodar a Bolsinha, e por isso eles querem ser os pais.

Quando se esperava que o debate iria formar nossa opinião sobre quem é o melhor candidato para governar este Brasil, que depois que começou a rodar a Bolsinha, ficou quase ingovernável, todos ficamos em suspense até o próximo debate para saber quem é o Igor Roussef. Aliás, a campanha está girando tanto em torno dos Roussefs que parece até que o czarismo será revivido no Brasil, se as neves não caírem antes para acalmar os ânimos.

Fiquem, então, com o resumo do roteiro dos produtores do filme, e vejam, a seguir o Programa do Ratinho, agora estrelado por Dilma e Aécio procurando saber quem é o pai da Bolsinha que o Brasil está rodando. E espero pelo debate de hoje, da Record. Se conseguir vê-lo, colocarei um PS lá embaixo, para resumi-lo. Mas, se não puder, já temos demais do rir por uma semana inteira.

“No primeiro debate do segundo turno na TV entre a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e o senador Aécio Neves, a paternidade ou maternidade do programa do governo federal Bolsa Família foi motivo de discussão entre os presidenciáveis. E a troca de acusações continuou no segundo encontro deles, que estava mais para bate-boca do que para debate presidencial.”




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P.S.: Como prometido, vi o debate de ontem e aqui me manifesto, dentro do espírito desta coluna. Resumo: Esperei, esperei e esperei, mas, não ouvi nenhuma vez a palavra "leviano". Isto quer dizer que os candidatos pegaram de leve por decisão ou por cansaço. Ninguém aguenta mais.

Para não dizer que o debate foi inteiramente inútil para esta coluna, isto é, para o riso, a Dilma saiu-se com uma que é de morrer de rir. "Se a inflação baixar para 3%,  a taxa de desemprego aumenta para 15%". Desculpem se não rirem, pois nenhum dos meus 8 leitores que eu saiba, junto com a Dilma , não estudaram Economia. Eu, quase morri de rir.

Quanto ao resto do debate, foi mais do mesmo. (ZC)

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sábado, 18 de outubro de 2014

CARROCEIRO




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

Conheci Joaquim, o Quincas. Morava em palafitas na favela dos Coelhos. Moreno, forte e com muitas conversa principalmente quando tomava alguns aperitivos. Percorria desde manhã ate ao meado da noite a cata de papelão deixadas nas calçadas pelo comercio. Com chuva ou com sol, lá vinha o Quincas puxando sua carroça pela Rua da Aurora. Os veículos buzinavam pedindo passagem, ele ia sempre em frente. Era xingado. Não respondia. Sorria. Estacionava por detrás do Cinema São Luiz, mais ou menos ao meio dia. Enxugava o rosto molhado de suor ia até o banheiro e se lavava. Chegava junto ao balcão pedia uma pinga e dizia que era para espantar os maus espíritos. Muitas das vezes sentava-se em uma mesa e fazia um lanche. Numa desta ocasião, sentou-se perto da nossa mesa onde jogávamos porrinha. Melo um homem brincalhão, foi quem deu o primeiro passo para acolhê-lo, como companheiro de bar. O Quincas era tricolor. Gostava do Santa Cruz. Era time de pobre e pobre tinha que se unir com pobres para saber levar a vida  na esportiva. Foi à gota d’agua para se aproximar de nós. Puxe a cadeira, disse Melo para o Quincas. Dali por diante duas ou três vezes por semana o carroceiro ali aportava. Bebericava e beliscava o tira gosto ora galinha guisada, ora sarapatel. Queria dar a sua contribuição e não aceitávamos. Saia puxando a sua carroça ainda vazia indo pela a Rua Imperatriz e descendo a noite pela Avenida Conde da Boa Vista, seguindo direto para a sua casa pela Rua Dr. José Mariano. Tinha dois filhos, Josué o mais velho e Monica sua filha a menina dos seus olhos. Os dois estudavam em escola municipal na Boa Vista para ser gente quando crescer e não andar puxando carroça feito “burro” pelas ruas e avenidas, mais o Quincas não se envergonhavam, pois todo trabalho era digno. Era o sustento da família que morava em lugar desumano a beira do rio. Os anos se passaram e a amizade continuava. Em um sábado ele chegou já cansado colocou a sua carroça já cheia de papelão e achegou-se a nós - disse olhem pessoal eu sou um pobre coitado, mas hoje estou bastante alegre e quero convidar a todos vocês para tomar uma cervejinha, ou uma pinga no bar do Ramalho lá nos Coelhos, pois a minha alegria e o meu esforço esta sendo recompensado - o Josué passou no vestibular de Medicina e vai ser Doutor, filho de um carroceiro. É para se festejar ou não é? Todos nós ficamos boquiabertos com aquela noticia. Na hora estavam presentes os amigos do Bar Savoy, O Nilo, apelidado de Major; Maguary, Despachante da Receita Federal; Dr. Coentro, Médico; Melo vendedor; Guilherme, cobrador dos Sócios do Sport Clube do Recife, Jamaci, Receita Federal, Clovis Carvalho, bancário, Maia, comerciário aposentado. Aceitamos o convite, porém com medo, pois a área era perigosa e era noticias de paginas de jornais sobre crimes, assaltos e mortes diariamente. Quincas, porém sentiu a nossa desconfiança prometendo que ninguém jamais importunaria algum de nós, pois conhecia todos os meandros da comunidade há mais de 40 anos. Fomos num dia sábado calorento. Seguíamos no meu fusca KD-1150 e a Brasília de FG-1223 de Jamaci. Estacionamos na Rua Dr. José Mariano, ao lado da CILPE. Fomos recebidos com muita alegria no bar do Ramalho, pelo Josué, agora universitário e dona Filomena.  Havia um clima festivo com Mario Doce de Leite no violão, Cancão no tambor e Preto Velho no triangulo e Josué no cavaquinho. . Marianinha uma mocinha da comunidade encantava com a interpretação das musicas de Dalva de Oliveira, Ângela Maria e Cardoso com a sua voz grossa dava uma de “Nelson Gonçalves”. Foi uma tarde festiva com muita cerveja, rum Montilha e Pitu. Uma rabada foi servida e depois tira gosto com um sarapatel formidável, feito pela dona da casa. Saímos por volta das 20 horas.


Depois de muito tempo encontro o Quincas já cansado de guerra, bem vestido, escorado em uma bengala, penso de um lado a caminhar pela Rua da Aurora em uma tarde agradável e vento brando vindo do Rio Capibaribe, cheio devido à maré alta. Caminhamos para o ponto inicial da nossa amizade, por trás do Cinema São Luís no bar Continental.  Sentamo-nos à mesa e começamos a recordar o tempo passado. Hoje, disse-me ele, estou vivendo nas nuvens. Boa casa me foi dada pelo meu filho logo que se formou em Medicina, no bairro de Casa Amarela e pela Mônica que se formou em Engenharia Civil. Ela trabalha numa construtora e ele tem consultório próprio na Ilha do Leite. Hoje sou barão, mas tenho saudade do meu trabalho digno, suado mais fui recompensado por Deus. Tomamos duas cervejas e nos despedimos. Faz tempo que eu não o vejo.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Os sujos falando do mal lavado




Por Zezinho de Caetés

Eu escrevi aqui na última quarta-feira sobre o meu conterrâneo Lula que estaria fugindo da campanha de Dilma para se poupar do desastre que vem por aí com o seu poste. Pelos programas eleitorais, não há nada até hoje que me diga o contrário. Quando ele aparece, suas imagens referem-se ainda à época de antes do abraço da Petrobrás. E agora que, a cada dia aparecem mais falcatruas feitas por petistas dentro desta empresa, ele não aparecerá tão cedo.

No entanto, ele anda feito louco fazendo comícios por este interior e na maioria das vezes dizendo besteiras, como sempre fez nos últimos 12 anos. E eis que leio na mídia mais uma das suas impropriedades verbais tão conhecidas. Na noite de ontem, num comício nos fundões do Pará, ele arrastou a disputa eleitoral entre Aécio e sua pupila Dilma para o mais baixo nível até agora visto. Ele insinuou que, se eleito o Aécio, ele pode instalar em Brasília uma Presidência movida a álcool.

Isto é o mesmo que, numa luta de Box ou MMA o técnico, de fora do ringue, diga ao distinto público que se seu adversário vencer a luta ele irá sair batendo na plateia para mostrar que é macho. Ora, pode até ter acontecido que no passado o adversário tenha dado umas porradas em alguém, mas, nada indica que ele o fará outra vez.

Trazendo o exemplo para a realidade, o que o Lula quis levantar no comício o fez, no comício, com as seguintes palavras: “Vi esses dias, no debate da TV, um candidato dizendo que seu governo era da decência e da competência. Mas eu pergunto: que decência e competência se, às 3 horas da manhã, ele foi parado em uma rua no Rio de Janeiro e se recusou a soprar um bafômetro para dizer se tinha bebido ou não?''. Ora, eu não sou um adepto do álcool, mas, acho uma extrema baixaria que se traga isto a público num comício, e, por uma pessoa que não tem, neste terreno nenhuma moral para dele falar.

Eu pergunto: Houve neste país alguém mais pinguço do que o Lula? Até o câncer que o acometeu, talvez por isso mesmo, ele era chegado a uma pinga, que se pudesse ter escolhido o número para o PT ele teria escolhido o 51 para louvar a caninha. Então, é o sujo falando do mal lavado, e põe sujeira nisto. Dito por ele mesmo no livro que eu um dia já comentei (“Lula o filho do Brasil” da Denise Paraná): “A verdade é o seguinte: política é como uma boa cachaça. Você toma a primeira dose e não tem mais como parar, só quando termina a garrafa.” Quem fala isto é porque tem conhecimento de causa, e deveria morder a língua antes de falar de alguém porque se recusou a usar o bafômetro. Ele estaria apenas falando dele mesmo.

E, pasmem, ele disse isto, num comício onde estava com o Jader Barbalho a tiracolo, que é conhecido como um dos mais notórios prontuários da política nacional, e não é porque não quis usar o bafômetro. Não ainda satisfeito, o Lula 51 mandou esta: “Como uma pessoa se recusa a fazer um teste do bafômetro e diz que vai governar com decência e competência? Palavras são fáceis de dizer. Difícil é ter caráter. E poucas pessoas têm caráter nesse país como a Dilma Rousseff.” No caso de Aécio, o Josias de Souza, resume o que aconteceu:

“O episódio evocado por Lula ocorreu em 2011. Parado numa blitz da Lei Seca, no Rio, Aécio recusou-se a soprar o bafômetro e exibiu ao agente de trânsito uma carteira de motorista vencida. O documento foi apreendido. Na época, o hoje presidenciável travou com a repórter Adriana Vasconcelos o seguinte diálogo:

O que aconteceu? Estava a três quadras do meu apartamento, voltando de um jantar, quando fui parado numa blitz. Uma operação corretíssima, aliás, de alto nível e que deve ser levada a todo o Brasil. Abordado por um agente, que foi muito educado, fiz o que qualquer cidadão deve fazer. Entreguei meus documentos. O policial então me alertou que minha carteira estava vencida.

Por que não quis fazer o teste do bafômetro? Ao constatar que minha carteira estava vencida, perguntei ao agente como deveria proceder. Ele explicou que eu teria de arrumar um outro condutor para o veículo. Como estávamos perto de um ponto de táxi, imediatamente consegui um motorista para conduzir o meu carro até em casa. Como já estava no banco do passageiro, achei desnecessário fazer o teste do bafômetro.

Se arrependeu de não ter feito o teste, diante da repercussão do episódio? Talvez sim, para evitar a exploração do episódio. Na hora, achei desnecessário. O fato é que, se eu não estivesse com a minha carteira vencida, certamente teria feito o teste para poder seguir dirigindo até em casa. De qualquer forma, espero que tudo isso seja útil para que outros cidadãos como eu fiquem mais atentos e mantenham sua documentação em dia.”

E agora tratemos do sujo, o Lula 51. Quem não se lembra da insinuação, em 2004, do repórter americano Larry Rother, publicada no New York Times, jornal no qual o Lula 51 está publicando depois de ter parado de beber (será que parou mesmo?) por força da doença, de que  ele presidia a República em meio a garrafas e goles?  E naquela época, o que aconteceu? Ele mandou cassar o visto de trabalho do repórter, expulsando o correspondente do território brasileiro, usando seus poderes quase ditatoriais, mantidos pelo Bolsa Família. O Superior Tribunal de Justiça é que salvou o Brasil de mais este escândalo de proporções internacionais.

É este homem, o sujo, que traumatizado com problemas de alcoolismo na família tenta agora, mais uma vez assassinar a reputação de um mal lavado por não ter soprado o bafômetro. Se este fosse o único defeito do Aécio, eu nem teria pensado duas vezes para votar nele desde o primeiro turno.

E eu fiquei imaginando se a Dilma não bebe. Sei que ela nunca foi parada por blitz da polícia porque ela talvez nem carta de motorista tenha, mas, será mesmo que ela é abstêmia o suficiente para ter ela como uma pessoa de caráter para presidir o Brasil? Sei não. Dizem que ela, usando nosso rico dinheirinho em Portugal, numa parada fortuita, feita apenas para degustar um bacalhau num restaurante de bacana, parece que foi além do bacalhau, exagerando nos vinhos portugueses (Vejam a montagem da foto que ilustra este texto, que roda pela internet. Será que é porre ou baixou sua pressão? É difícil esconder sujeira nesta era de internet). Isto não me faria dizer que, sair trocando as pernas de um restaurante, a tornaria indigna de presidir o Brasil. Penso que o poste do Lula 51 não tem condições de ser presidente, porque já demonstrou durante quatro anos que não pode, porque não tem o mínimo de competência para fazê-lo.

Se, pelos resultados das pesquisas, o Lulinha Baixaria já está desesperado a este ponto, eu imagino, durante a próxima semana, quando se confirmar a queda do lulo/petismo do poder. Talvez ele apele para coisas mais graves ainda. Quem sabe ele pedirá a Dilma para levar algum “pó” para o debate da TV Globo? Sei lá. Como dizem que ela, no debate da Band estava usando um ponto eletrônico, é melhor o Aécio pedir uma revista antes dos debates.

O que você leu acima eu escrevi antes do debate do SBT que foi realizado ontem, e onde, pasmem, a Dilma deu uma de Lula e insinuou, citando a Lei Seca, o episódio sobre o que escrevo acima. Então eu estava certo quanto ao “pó” que ela poderá levar no próximo debate. Tem que revistar.

Pelo o horário, eu vi todo o debate, e certas horas tive vontade de desligar porque me deu até pena da gerenta presidenta. Como dizem hoje na mídia, o Aécio fez picadinho de Dilma, e serviu com ovo e farofa, já que carne não mais os brasileiros podem comer por causa da inflação.

Foi uma verdadeira batalha campal, daquelas que já se sabe quem é que vai vencer, mas continua para que o oponente não saia muito humilhado. E no caso a Dilma, além de ter sido derrotada fragorosamente, saiu grogue do ringue, e quase caiu, literalmente. Estava tão confusa que não conseguiu dizer mais mentiras, e passou mal, como mostravam os vídeos no YouTube, que já saíram do ar, a pedido, certamente, do PT, que ontem parece ter tido falência múltipla de órgãos.


O grande problema é se ela vai ter condições de saúde para enfrentar os novos debates. Que tal pedir ao Lula que compareça a eles? Lógico que antes dele falar qualquer coisa tem que fazer o teste do bafômetro. Com o que ele anda dizendo ninguém mais acredita que ele parou de usar a 51.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

FLANELINHAS - Erva Daninha das Cidades.




Por Carlos Sena (*)

Danuza Leão detesta “flanelinhas”. Conta ela, num dos seus livros, que fica saltitante de felicidade quando vai tirar seu carro e o flanelinha chega atrasado. Ela, certamente fica vendo pelo retrovisor aquele intruso acenando com a mão como que querendo que ela volte para lhe “pagar”. Também tenho essa mesma sensação quando olho pro retrovisor e vejo aquele babaca querendo nos fazer de idiotas. Fato é que FLANELINHA surge do chão, como se fosse grama. É um pouco a “erva daninha” que invade as cidades grandes (e até pequenas) com um agravante: erva daninha a gente corta e joga ao fogo, mas eles não e nem desejamos. Os poderes públicos que tudo prometem fazer antes das eleições, sequer tem competência para acabar com eles via construção garagens a preços módicos, via vigilância diuturna, etc. Recife, do São Geraldo, continua um a peste; uma ilha de carros cercada de flanelinhas por todos os lados. Agora ainda mais. Quem duvidar vá ao Recife Antigo. A antiga queixa se multiplicou por dez. Vá a Olinda e lá os flanelinhas imitam os antigos contadores de histórias e, cheios de histórias histriônicas, nos cobram antecipadamente. Comigo foi assim: ele (o flanelinha) chegou cheio de gentilezas e mandou- me ir pra frente, pra traz, pros lados, até deixar mais vagas pra ele encaixar outro carro, como se carro fosse do tamanho de caixa de fósforos. Atendi. Fazer o quê? Quando fecho o carro ele me diz: cinco reais e é adiantado. Informei que eu não era turista e perguntei o porquê do pagamento adiantado. Ele, cinicamente me respondeu: eu preciso passar troco! Eu, então, retornei ao carro e fui “cantar noutra freguesia”. Procurei o “bispo” pra reclamar, mas lembrei de que o bispo não mora mais em Olinda, mas em Recife.  Depois dessa odisseia, esqueci-me de falar do susto que os flanelinhas nos dão. Porque nem sempre eles têm cara de flanelinha, mesmo sabendo que não sei qual é a cara de um flanelinha! É que muitos deles não são mais, digamos assim, mal vestido. O que me abordou estava dentro da moda – camisa com decote “V”, corte de cabelo rastafári, tênis e brinco nas orelhas. Nesse caso, eu penso logo que pode ser um assaltante! Quem já não ouviu falar de histórias de assaltantes se passando por flanelinhas? É por essas e outras que eu e tantos estamos ficando mais em casa. Quando eu quiser me divertir o principal não vai ser mais o tipo de diversão (se teatro, cinema, show, etc.), mas se tem estacionamento pago por perto. Porque pagando, mesmo sendo caro, a gente não passa por esse tipo de situação. Quem sabe um dia, pelo menos no Recife, São Geraldo não resolve o problema dos flanelinhas que, feito praga, invadiram, definitivamente a cidade? 

Obs.: Não me venham dizer que no mundo todo é assim. Nem que isso é por conta do desemprego. O Brasil vive hoje um dos menores índices de desemprego de todos os tempos. Melhor entender que a malandragem é sem limites e que os poderes públicos não estão nem aí pra tudo isso... 

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 04/09/2014