Em manutenção!!!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

No duelo entre Renan e Moro, Moro brilha e Renan vira réu




Por Zezinho de Caetés

Se encontrarem aí por Caetés um rabo de fila de gente engravatada, não tenham medo, conterrâneos, pode ser de executivos da Odebrecht para fazer delação premiada. São 77 sem contar os donos da empresa que já assinaram lá por Curitiba e Brasília. Dizem que o número de políticos que a empresa entregou para ser premiada, chega às centenas.

Não seria para menos o alvoroço que se viu em Brasília esta semana, para que o tal de projeto de lei que trata de abuso de autoridade fosse aprovado. Parece que ele não permite o uso de algemas. Pensando bem, com o número de políticos que a elas tem direito, se deixarem a Lava Jato solta, uma grande parte não será algemada, por falta de algema.

Em relação a isto, eu ontem apreciei, no meu ócio remunerado, um grande momento. Não foi o luta do Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, mas, foi quase. Juntaram numa mesma mesa o Renan Calheiros e o Sérgio Moro, numa “sessão temática” do Senado, para discutir o “abuso de autoridade”.

Talvez, o Renan devesse abrir o debate pedindo perdão pela sua tentativa de abuso de autoridade no dia anterior, quando, numa manobra pérfida quis aprovar a urgência do projeto monstro, ou como disse o Moro, o projeto da meia noite, somente para diminuir o trabalho do senador Requião em enquadrar o Judiciário.

Não. Ele abriu o encontro querendo dourar a pílula e, pasmem, tecendo loas à Lava Jato. O Ministro Gilmar Mendes que estava também presente, talvez, para segurar as pistolas dos principais contendores, em sua fala, deu a entender que era amigo do Moro, mas, jamais daria a ele uma pistola descarregada no duelo.

E o debate se travou mesmo entre Sérgio Moro e aqueles que, como o Lindberg Farias, pensam que ainda podem salvar o Lula através de discursos inflamados. Louve-se, como sempre a coragem do senador em não ter vergonha de ser ridículo. Acusou o Moro de abuso de autoridade no caso da condução coercitiva do Lula, que foi debaixo de vara depor, como sabemos.

O que espero é que o senador ponha a viola no saco com a sagacidade e inteligência e seriedade do Moro, usando este argumento para justificar sua presença no debate, que foi, segundo ele apenas para mostrar a inadequação daquele momento para se pensar em abuso de autoridade, e que com a fala do membro efetivo do “quinteto abilolado” (en passant, não via a Gleisi nem a Vanessa Graidiotin por lá), ele concluía que o projeto de lei nada mais é do que uma tentativa de parar a operação Lava Jato.

E o pronunciamento do Moro foi acachapante para enquadrar os espertos. Ele propôs uma coisa muito simples, que transcrito do juridiquês, que não entendo para o português que domino, diz apenas que: “Se eu mandar prender o Lula e alguém mandar soltar, não me punam por isto porque é uma questão de interpretação legal”. Só faltou acrescentar que, se ele prender o Lula, todo o Brasil o aplaudirá como foi ontem aplaudido no Senado, quase não podendo sair do recinto com o som das palmas, porque, sob qualquer interpretação o Lula é culpado. Enfim, dizimou o “lindinho”.

Faço um parêntese. Ainda não havia tocado neste assunto porque não gosto de envolver os mortos em meus escritos, a não ser os mortos políticos, como a Dilma. Mas, tenho que dizer da minha tristeza com o desastre ocorrido com um time de futebol brasileiro lá na Colômbia. Foi realmente uma coisa muito triste e eu, como torcedor do Náutico, triste há muitos anos, só posso me associar aos familiares em sua dor.

Mas, voltemos ao mundo dos mortos políticos, onde vejo nos jornais hoje um texto da Odebrecht, no qual a empresa, no intuito de mostrar arrependimento pelas propinas distribuídas, que tem como título: “Desculpe, a Odebrecht errou”. Eu fico pensando que isto poderia influenciar o PT a publicar algo com o mesmo título, um pouco mais longo: “Desculpe, o PT errou. Tchau, queridos!”, e deixar o Brasil seguir seu rumo.

Bem, gostaria de comentar mais o longo dia de ontem, no qual, mesmo que o Renan tivesse ganho a luta na sessão temática, foi destroçado pelo trator do STF, ao considera-lo réu. Como dizem lá em minha terra: “Em cima de queda, coice!”, no entanto, deixo vocês com um texto da Maria Helena Rubinato (Blog do Noblat – “Deus se lembrou que é brasileiro”) que aborda muito bem o assunto, e vou arrumar minhas bandeiras, não para com um “Fora Temer”, mas com um “Viva a Lava Jato”, para domingo, dia 4, voltar ás ruas. Já era tempo de ver outra vez bandeiras verde e amarelas.

Fiquem com o texto da Maria Helena.

“Depois de uma tragédia estúpida e cruel como a de anteontem quando perdemos 71 pessoas por falta de combustível, por descuido e imprudência! Depois de tanto chorar ao ler sobre os meninos do Chape e de acompanhar com o coração apertado as lindas homenagens ao querido time de Santa Catarina, Deus favoreceu o Brasil nos enviando esta quinta que se não apaga nossa tristeza, ao menos alivia nossa dor.

E nos devolve a fé no Brasil e na Justiça.

Repararam como este 1º de dezembro foi um lindo dia, um céu com aquele tom de azul que só o Brasil tem? Sentiram, como eu senti, vontade de caminhar ao ar livre e de agradecer a Deus? Ficaram emocionados, como eu fiquei? Respiraram o ar mais puro e o viço das flores e frutos deste generoso e querido solo brasileiro?

Vibraram ao ouvir o senhor Renan Calheiros falar em alto e bom som para o plenário da casa que ainda preside que a operação Lava-Jato é sagrada?

Não foi maravilhoso?

E teve mais, teve a tão aguardada decisão do Supremo Tribunal Federal de receber a denúncia contra Renan Calheiros (PMDB-AL) por peculato. Sabem lá o que é isso? Por peculato.  Lembrou-se do que é peculato? Não? No meio de tantos ilícitos é natural que a gente confunda as coisas. Não se afobe. Copio aqui o que é peculato: é crime específico do servidor público e trata-se de um abuso de confiança pública. A palavra deriva do termo latino peculatus, que no direito romano se caracterizava como o desvio de bem público para proveito particular.

Não fique abalado com essa decisão do STF. Segundo  palavras do político alagoano, ele, o próprio, não se abalou. Não sei, não sabemos, se ele também achou o dia de ontem lindo, mas eu continuo a achar a primeira quinta-feira deste dezembro um esplendor!

Até porque essa não foi a única notícia estupenda de ontem. Finalmente a delação do grupo Odebrecht foi homologada: “O empresário Emílio Odebrecht e seu filho, Marcelo Odebrecht, assinaram acordo de delação premiada e o acordo de leniência da empresa. (...) Maior empreiteira do país, a empresa se comprometeu a pagar US$ 2,5 bilhões - R$ 6,8 bilhões na cotação do dólar de hoje - a título de indenização por ter se envolvido em atos de corrupção. No fim da tarde desta quinta-feira, o grupo divulgou nota na qual admite o erro, pede desculpas e diz que está comprometido a "virar a página". O Globo on line, em 1/12/2016, às 22:23hs.

Parece que estão planejando manifestações para o próximo domingo. Se forem manifestações a favor do Brasil e contra a corrupção e por uma boa reforma política, ótimo. Mas se sob o disfarce de manifestantes, forem para a rua os mesmos vândalos e baderneiros que de 29 a 30 de novembro depredaram, queimaram, picharam, assustaram, destruíram e pior, esfaquearam e apedrejaram policiais, então peço a Deus que dê forças ao presidente Temer para que ele, menos temeroso, ponha na rua a Força Nacional com ordem de não deixar que façam de nossas cidades campos de batalha.


Como diz o presidente FHC, vamos baixar a fervura. Sugiro que aproveitemos melhor esses lindos dias de início de verão curtindo nossas famílias e pedindo a Deus que nunca mais se esqueça que é brasileiro.”

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O desespero de Renan e um pouquinho de Fidel, ainda...




Por Zezinho de Caetés

Lá na minha terra tem um ditado que diz: “Em casa de enforcado não se fala em corda!”. E ontem falaram em “corda” na casa do Renan. Então, não deu outra. Ele se superou.

Depois que da Câmara Federal pariu o monstro do “projeto de intimidação” (segundo os procuradores, que agora estão com medo) durante a madrugada, o Renan, logo à noite quis pegar carona nele, com aquela cara de bom moço, e pediu urgência para discutir o projeto monstrengo.

Nada demais se não fosse sua aleivosia em não dizer aos senadores presentes do que se tratava a urgência. Mas, alguns senadores que não tem medo de “corda” nem estão à beira do enforcamento, descobriram a artimanha. Foi um verdadeiro horror, digno de filmes do Zé do Caixão.

De um lado, o Renan queria continuar com a pantomima da urgência, e do outro, alguns senadores o contestavam, mostrando que se fosse aprovada a urgência não haveria cadafalso para todos. E o presidente do Senado, que já está nela há muito tempo, queria mesmo era se safar, levando a intimidação do judiciário ao ponto máximo.

Como sabemos, a menina de ouro do senador alagoano é um tal de “abuso de autoridade”. Ele quer porque quer enquadrar o Judiciário numa camisa de força que apenas levará um grande benefício àqueles que praticaram malfeitos e foram pegos pela Lava Jato. E, continuou usando de sua prerrogativa de presidente para quase impor a urgência na passagem do “monstro da intimidação”. E teria conseguido se não fosse o senador Cristovão Buarque dizer que ele estava abusando de sua autoridade, ao tentar lutar contra o abuso.

Depois de idas e vindas, “Vossa Excelência é um cachorro” para cá, “Vossa Excelência é a merda dele” para lá, foram votar a urgência. E o Renan se deu mal. Perdeu a votação, com votos a favor da urgência de um monte de gente que está encalacrado na Lava Jato. O pedido de urgência foi derrotado por um placar de 44 x 14. Com a abstenção de Kátia Abreu, que está doida para se ver livre do fantasma de Dilma e ainda não conseguiu.

Dos 14 que votaram a favor, 7 estão na Lava Jato (Valdir Raupp, Benedito de Lira, Ciro Nogueira, Fernando Coelho, Fernando Collor, Humberto Costa, e, imaginem, o Lindberg Farias). Pensamos que os outros não estavam sabendo o que estava acontecendo. Com a votação nominal tudo muda. Os gatos deixam de serem pardos e os ratos se tornam cintilantes.

E então terminamos mais um dia de nossa república, o que devemos dar graças a Deus. Hoje já é outro dia e não posso me estender pois tenho que me preparar para o duelo Renan x Moro no Senado. Ainda não sei quem será o preparador físico deles, mas, que a luta promete, promete!

Aliás, não ouvi ainda o depoimento do meu conterrâneo Lula ao Sérgio Moro, ontem, por vídeo conferência. Mas, já prevejo as bravatas do pobre inocente. “Me engana que eu gosto!”. Certamente ele tentará culpar o Moro por não ter ido acompanhar as cinzas do companheiro Fidel, que estão zanzando pelas estradas cubanas a procura de quem as queiram.

E aproveito mais uma vez as cinzas de ditador para transcrever um texto do Demétrio Magnoli, no qual ele mostra a utopia esquerdista totalitária de um forma que merece ser conhecida. Só para que não deixem de ler, termino com um trechinho do que vem lá embaixo, com o título de “O copo da utopia”.

“As lições sobre o medo estão à mão, em incontáveis relatos. Um exemplo é suficiente. O dissidente soviético Natan Sharansky tinha 5 anos quando morreu Stalin. Seu pai explicou-lhe, então, “que Stalin era uma pessoa horrível, que matou muitas pessoas”, mas pediu-lhe a maior discrição: “Faça o que todo mundo fizer”. Natan obedeceu. “Fui para a escola e chorei junto com todas as crianças e cantei com todas elas as músicas que diziam quão grande foi Stalin”. A dissociação entre o gesto público e o privado, entre o que se diz e o que se pensa, é uma marca inconfundível da vida cotidiana nos regimes totalitários. Sharansky: “Isso é como funciona a mente de um cidadão leal, você faz tudo o que te mandarem fazer. E, ao mesmo tempo, você sabe que tudo é mentira.””

Quase ficamos leais ao PT e ao Lula. A Lava a Jato nos salvou, graças a Deus. Fiquem com o Magnoli:

“Visitei Cuba em 1994, no auge do Período Especial, o termo orwelliano escolhido pelo regime castrista para batizar a crise trágica derivada da implosão da URSS. Casualmente, encontrei-me em Havana com uma ex-aluna, que estava furiosa com um motorista de táxi atrevido o suficiente para queixar-se do governo. A jovem brasileira, encantada com o mito da Revolução Cubana, pensava em denunciar à gerência do hotel (isto é, na prática, ao governo) o taxista que “manchava” a “imagem de Cuba”. Lembrei-me do episódio acompanhando a cobertura da morte de Fidel Castro. Com honrosas exceções, a imprensa prestou lealdade ao ícone revolucionário, virando as costas, em indisfarçável desprezo, aos cubanos comuns.

Os jornais encheram-se de declarações de estadistas, inclusive de nações democráticas, prestando homenagem a uma figura que, “embora controvertida”, teria desafiado o imperialismo, promovido a soberania de Cuba e oferecido justiça social a seu povo. Nas capas e nos textos internos, sobraram palavras épicas, especialmente “História” e “Revolução”, que costumam ganhar o adorno da inicial maiúscula. Na TV, de correspondentes brasileiros, ouvi panegíricos a Fidel que seus próprios aduladores cubanos já têm vergonha de entoar. Tanto quanto os estadistas, os jornalistas beberam avidamente no copo da utopia, enterrando a realidade factual sob pilhas espessas de sentenças ideológicas.

Fidel entrou no barco de Caronte, na derradeira jornada rumo ao submundo, exatos 60 anos depois de embarcar no iate Granma, na madrugada de 26 de novembro de 1956, para a viagem que conduziu seu grupo de revolucionários do México à Sierra Maestra. Durante mais de meio século, os nomes “Cuba” e “Fidel” foram pronunciados juntos, como se a nação fundada por José Martí não pudesse existir sem seu supremo “Comandante”. Mas, confundindo os repórteres, o peso incalculável dessa história não produziu cenas dramáticas, emocionais, nas ruas de Havana.

Queria-se luto fechado, dor lancinante, declarações de amor incontido. No lugar disso, os estrangeiros testemunharam um país anestesiado: ruas mais ou menos vazias, uma normalidade sem buliço ou bebidas alcoólicas, a resistência a conceder entrevistas, parcas declarações estandardizadas. Os repórteres fingiram não ver o medo — e se recusaram a espiar dentro dos lares. Na segurança dos espaços privados, longe dos ouvidos de vizinhos nem sempre confiáveis, pronunciaram-se frases inconvenientes, abriram-se garrafas de rum, alguns até mesmo brindaram. Os jornalistas deveriam saber que Cuba, afinal, não é o equivalente de Fidel.

As lições sobre o medo estão à mão, em incontáveis relatos. Um exemplo é suficiente. O dissidente soviético Natan Sharansky tinha 5 anos quando morreu Stalin. Seu pai explicou-lhe, então, “que Stalin era uma pessoa horrível, que matou muitas pessoas”, mas pediu-lhe a maior discrição: “Faça o que todo mundo fizer”. Natan obedeceu. “Fui para a escola e chorei junto com todas as crianças e cantei com todas elas as músicas que diziam quão grande foi Stalin”. A dissociação entre o gesto público e o privado, entre o que se diz e o que se pensa, é uma marca inconfundível da vida cotidiana nos regimes totalitários. Sharansky: “Isso é como funciona a mente de um cidadão leal, você faz tudo o que te mandarem fazer. E, ao mesmo tempo, você sabe que tudo é mentira.”

Nos dias seguintes à morte de Fidel, o regime castrista prendeu, uma vez mais, o grafiteiro El Sexto, que desenhara numa parede a frase “Já se foi”, e proibiu um encontro do Centro de Estudos Convivência, um grupo apartidário, cuja pauta era discutir perspectivas sobre a educação e a cultura em Cuba. As duas notícias, tão reveladoras, quase não apareceram na imprensa internacional, devotada a entrevistar, interminavelmente, o “cidadão leal” que faz tudo o que os outros fazem. Os jornalistas prestam homenagem à História, traindo seu compromisso profissional de contar histórias.

O britânico “The Guardian”, um jornal de referência, publicou uma reportagem convencional, pontilhada de declarações de praxe de cubanos comuns, geralmente elogiosas ao “Comandante”. Na nota de rodapé, esclarece-se burocraticamente que os nomes dos entrevistados foram ficcionalizados. O “cidadão leal” teme ver seu nome reproduzido em páginas impressas, quando fala de Fidel, mesmo se o elogia — e isso não faz soar um alerta entre os repórteres, redatores ou editores! No caso singular de Cuba, a imprensa normalizou as engrenagens do totalitarismo, tratando-as como um relevo habitual da paisagem.

“A História me absolverá”, vaticinou Fidel em 1953, da cadeira de réu no julgamento em que foi condenado pelo ataque ao quartel Moncada. O jovem Fidel invocava a história para enfatizar a carência de legitimidade dos juízes que serviam à ditadura de Fulgêncio Batista. Mas a curiosa ideia da História como um tribunal de última instância, o equivalente comunista do Juízo Final dos cristãos, cumpre a função de uma assepsia moral. Diante da imponente Senhora Juíza, qual é o valor de nossos princípios políticos ou de nossa bússola ética? Na sua maioria, os analistas da imprensa inclinaram-se, respeitosamente, à exigência castrista do julgamento pela História, um privilégio que, com razão, jamais concederam a tantos outros ditadores.


A Cuba castrista justificou a ditadura em nome da proteção de um sistema econômico socialista. Hoje, o próprio Raúl Castro admite a falência desse sistema e promove reformas de mercado — mas conserva, a todo custo, o poder ditatorial do Partido Comunista. O copo da utopia secou antes da morte de Fidel, quando o regime decidiu substituir o socialismo selvagem por um capitalismo simetricamente selvagem, que não abrange liberdades políticas, autonomia sindical ou direitos trabalhistas. Teimosos, porém, os jornalistas continuam reunidos em torno de um copo vazio.”

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Caixa 2, PEC do Teto, Geddel e ainda Fidel...




Por Zezinho de Caetés

Este final de ano se quisermos estar atualizados com a política no Brasil e no mundo, temos é que falar de Papai Noel. Afinal de contas, dizem, ele é o bom velhinho que traz os presentes. Mas, fiquemos com outro “velhinho”, que não é o Getúlio, mas, o Temer, com todo respeito.

Ele se meteu numa enrascada no final da semana passada por tentar defender o Geddel Vieira Lima, seu secretário e articulador político, num affair deste com o, agora, ex-ministro da Cultura. O que podemos pensar é que o Temer ainda é um político da antiga São Paulo, onde um político declarava a imprensa que “roubava mas fazia” e esta declaração só chegava 6 meses depois, no Nordeste, por exemplo.

Hoje não! Se o Temer der umas palmadinhas no Michelzinho, em poucos segundos, alguém estará dando umas palmadinhas na bunda do filho, em qualquer lugar no Brasil, para imitar o presidente. São as redes sociais e os meios de comunicação que fazem a coisa nova. E por isso, dentro de 5 dias, o Temer foi gravado e Geddel voltou para a Bahia para cuidar do seu empreendimento em Salvador, com o qual o presidente nunca deveria ter se metido. E por aí vão, os meios de comunicação, a derrubar autoridades, com ou sem abuso.

Vejam, meus senhores e minhas senhoras, que hoje estou insone por ter ficado vendo uma sessão da Câmara onde se ameaçava descriminalizar o Caixa 2, que terminou na madragada de hoje. Eu não sou um jurista e dei alguns cochilos durante o evento. No entanto, deu para entender que o Caixa 2 continua do mesmo jeito, mas, foram aprovados tantas outras emendas ao relatório no Onyx Lorenzone, que talvez fosse melhor deixar o Caixa 2 rolar de ladeira abaixo. Afinal de contas, o que seria do Lula sem ele?

Pelo que entendi, o texto aprovado fará tantas ameaças aos membros do Judiciário que agora, certamente, em todos os processos, quem mais corre o risco de serem presos são os juízes ou procuradores. Talvez eu, na minha “leiguice”, esteja fazendo uma tempestade lá em Curitiba, porém, meus instintos dizem, pela baixa de otimismo, que não teremos mais Lava Jato como antigamente se o Senado aprovar o monstro e o Temer não vetar.

Já no Senado, vimos a PEC do Teto passar sobre a Gleisi, Vanessa, Fátima e Lindberg como um trator. Aliás, este quarteto deveria cair em si, e ver que quando eles quiserem defender algo, é mais inteligente serem contra, e assim sendo os outros senadores voltam a favor e ganham o apoio do país inteiro.

Parece até brincadeira que um senador da república, diante do quadro de balbúrdia e anarquia do lado de fora do Congresso, dê razão aos arruaceiros e prometa ir às ruas para protestar nos mesmos moldes. Tenham santa paciência. Ainda bem que ele estava contra a PEC, e ela passou mais uma vez no Senado e dando a impressão clara que o placar será o mesmo no segundo turno de votação.

Eu não queria mais tocar no Fidel. Mas, tenho que fazê-lo, já começando pela reação da Janaína Paschoal, aquela que foi a musa do impeachment da Dilma e que poderá retornar com no pedido de impeachment do Temer se continuar seguindo o Hélio Bicudo (que mostra que ser petista está no DNA), quando diz o seguinte: “Não gosto de desrespeitar os mortos, mas as notas de autoridades sobre Fidel estão me irritando. Parecem falar de um santo. Poupem-nos!”. E é verdade, depois de morto, acabam os pecados. Repito: Poupem-nos! Era apenar um ditador enganador.

Para mostrar alguma justificativa do que digo, escolhi um texto do Hurbert Alqueres, publicado no Blog do Noblat, hoje, onde ele mostra o engodo, em relação à Educação, dos feitos castristas em Cuba, que apenas nos repete um pouco, dizendo que não há avanços educacionais, ou mesmo outros, que justifiquem uma ditadura. Fiquem com ele.

“Que fique claro: ditaduras não se justificam em nome dos avanços sociais e muito menos são pré-condições para tais conquistas. Não há, portanto, nenhum sentido em absolver Fidel Castro e o seu regime sobre o pretexto de a revolução cubana ter promovido a “igualdade”.

Na vizinha Costa Rica, a revolução de 1948 obteve enormes avanços na educação e na saúde e dissolveu seu próprio exército revolucionário. A Costa Rica, coração civil, nunca deixou de realizar eleição presidencial livre e limpa a cada quatro anos e sua capital é a sede da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Detalhe: o salário médio no país é 15 vezes maior do que o de Cuba, seu PIB e renda per capita são os mais altos da região.

Temos ainda o exemplo da Coreia do Sul, um país atrasado até os anos 50 e hoje com um IDH bastante alto – o 15º do mundo. A Coreia passou por períodos ditatoriais, mas é uma democracia liberal desde 1987. A educação foi a grande alavanca para alcançar o status de ser o país mais inovador do planeta.

Vamos para a educação cubana.

Há alguns anos fiz parte de uma delegação brasileira de gestores da rede privada do ensino em visita a Cuba para conhecer como era a educação no então único país socialista do continente americano.

Chamou atenção o fato de Cuba ter erradicado o analfabetismo (no final da década de 80 a taxa de analfabetismo no Brasil ainda era de 20% da população de 15 anos ou mais) por meio de ampla mobilização, em que para alfabetizar não era necessário ser professor. Quem sabia ler e escrever ensinava a quem não sabia.

A maioria das escolas que visitamos padecia de recursos, funcionava em prédios improvisados, sem manutenção e com deficiência de iluminação. Mas tudo isto era compensado pela alta motivação dos educadores e educandos, o que faz toda a diferença nos resultados colhidos.

Na Escola Lenin de Ensino Médio, a melhor do país, dotada de equipamentos modernos para a época, exibia a contradição entre um ensino de forte conteúdo e o dirigismo ideológico. Os alunos eram campeões mundiais nas olimpíadas de matemática ou física, eram exímios no xadrez, mas o ensino de história era totalmente tendencioso e priorizava acontecimentos cubanos e soviéticos. Na biblioteca havia um grande volume de livros, mas não se encontrava os que mostravam a produção cultural ou científica do mundo ocidental.

Até hoje nem tudo pode ser ensinado nas salas de aula, o diálogo deve ser monitorado e o senso crítico, com a confrontação das verdades estabelecidas, é reprimido. Evidente que à juventude cubana não é dada a possibilidade de viver uma natural fase de experimentação, ou de considerar caminhos alternativos, comportamentos diferentes. E nem mesmo questionar influências familiares, sociais ou culturais.

Choque mesmo tivemos ao visitar uma escola exclusiva para crianças com surdez. A falta de recursos saltava aos olhos, mas era impossível não se emocionar com a dedicação dos professores que faziam milagres. Os alunos, todos pequenos, conseguiam falar e expressar ideias com grande fluência. A frustração veio logo seguir, quando, a pedido dos professores, em uníssono afirmaram: “todas as crianças de Cuba querem ser como Che Guevara”. Foi a constatação de que o sistema educacional da Ilha reproduz até hoje o culto à personalidade de seus “deuses”; ignora a sentença do dramaturgo Bertold Brecht: “triste de um povo que ainda precisa de heróis”.

O pensamento único impede o debate de ideais, não respeita o diferente, impõe uma educação incapaz de ensinar a conviver com a diversidade, seja ela de natureza religiosa, política ou de gênero. É impensável, por exemplo, que seja abordado em suas salas de aula o tema da homofobia. Sem o direito à privacidade, sacrifica-se também a liberdade de expressão.

E tudo isso é consequência da ditadura.


Não há, portanto sentido algum em se fazer hagiografia e genuflexão diante de ditaduras, ainda que se digam “benéficas”.”

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Morre Fidel e viva a Democracia!




Por Zezinho de Caetés

 E aqui estamos nós mais uma vez começando nossa semana, neste blog. Seria impossível começar sem falar do Fidel Castro, que além de proporcionar as maiores piadas políticas do último século, entrou para história. Uns dizem que pela porta dos fundos, como Hitler, Mussolini, Stalin e tantos outros ditadores, e alguns outros dizem que entrou pela porta da frente porque colocou uma pequena ilha, Cuba, no rol dos países conhecidos.

Vamos a alguns detalhes e comentários para dar nossa opinião. Li na mídia que seus apoiadores dão ênfase aos seguintes fatos (e eu acrescento, ou boatos):

- Desafiou a maior potência do mundo, nacionalizando os interesses das principais companhias norte-americanas em Cuba;

- enfrentou um brutal bloqueio econômico, que dura até os nossos dias;

- escapou de inúmeras tentativas de assassinato, incluindo um desembarque militar na ilha;

- construiu no país sistemas de saúde e educação públicas que merecem os maiores elogios por parte dos organismos especializados das Nações Unidas e não têm paralelo no mundo em desenvolvimento;

- incentivou, sem êxito,  a guerrilha na América Latina, esteve no centro de um possível confronto nuclear e

-  de caminho, ainda colocou um exército em Angola, cuja ação vitoriosa foi decisiva para o fim do racismo e do apartheid na África do Sul...

Enquanto os que, como eu, acham que ele não passou de um tiranozinho aproveitador, constatam que:

- nunca cumpriu a promessa de realizar eleições livres;

- perseguiu e executou opositores;

- condenou dissidentes, incluindo jornalistas, a longas penas de prisão;

- não respeitou os direitos de livre expressão do pensamento, reunião e associação;

- cerceou drasticamente as liberdades de circulação e de culto (esta, mais tarde, bastante abrandada pelas visitas dos papas);

- deu origem a um êxodo em massa que levou numerosos técnicos e intelectuais a abandonarem o país.

Ou seja, quem acha serem a liberdade de expressão, a liberdade para escolher seus governantes, o direito de ir e vir, se reunir e discutir política e até rezar, são coisas mais importantes do que almoçar feijão puro todos os dias, conseguir ler o Granma, jornal oficial do Partido Comunista Cubano e vender “médicos” escravos ao PT no Brasil, não tenho dúvida, sentirão poucas saudades do ditador. Diria mesmo que já vai tarde.

E a história mal contada que deixou o povo cubano no melhor dos mundos, e tem até gente que gosta da vida em Cuba, como alguns políticos brasileiros que a adoram mas preferem ficar no Brasil, depois que sua medicina matou o Chávez, é um folclore e tanto.

Li hoje, que a Polícia Federal está receosa de que o meu conterrâneo Lula, queira ir a Cuba prestar a última homenagem ao Fidel, e que resolva ficar por lá mesmo. Se isto é verdade eu acalmo o Sérgio Moro. Não se preocupe, ele prefere Curitiba ou Caetés para o seu exílio.

O que podemos afirmar no momento em relação a Cuba é que, se o Trump for realmente um homem de negócios, levanta o bloqueio à ilha e desce lá com armas e bagagens para dar aos cubanos um padrão de vida digno que só o capitalismo conseguiu proporcionar à humanidade.

O socialismo hoje não passa de nome de partido e uma palavra na boca de intelectuais que entortaram a boca durante tanto tempo de guerra fria e ilusão com o “socialismo” soviético de saudosa memória. Inventaram até o “socialismo do século XXI”, porque o do século XX deu com os burros n’água. Deu no que deu. Chávez hoje é um passarinho e a Venezuela cai de Maduro.

Enfim, como se diz lá no meu interior, “morre o homem e fica a fama”.  Isto se aplica tanto a Fidel Castro quanto a Augusto Pinochet. Para mim, ambos já passaram na América Latina dando lugar à caravana da democracia e do capitalismo.


Agora, tenho que parar de escrever sobre o passado, e voltar ao Brasil do presente. Não para escrever aqui e agora, mas, para ter tempo de ver como os nossos políticos estão tratando nossa “tenra plantinha” democrática lá em Brasília. Seria a glória que muitos dos nossos políticos fossem ao enterro do Fidel e se apaixonassem por Cuba, lá ficando. Isto não se aplica a todos, mas, que a coisa está feia, isto está.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A semana - Fidel morreu, Temer balança na pinguela, Geddel caiu e o Juruna ressuscita...




Por Zé Carlos

Mais uma vez, tenho que começar pelo final da semana que passou. Afinal de contas não é todo dia que morre um dos maiores humoristas do mundo. Ele encantou plateias com suas piadas impagáveis e influenciou humoristas do Brasil como o Lula, Dilma nossos já antigos colaboradores, além de outros que despontam no horizonte do humor. Que Deus ou o diabo o tenha, sem fazer nenhum juízo de valor, a não ser pelos seus dotes humorísticos. Vá em paz Fidel Castro.

A morte do Fidel foi anunciada no último sábado com a mentira de que ele morreu na sexta-feira. Eu acredito que ele já estava morto há muito tempo, embalsamado para que os cubanos não se revoltassem com o evento. Mas, não deixa de ser mais uma nota do seu fino humor ele ter morrido numa “Black Friday”, criação americana para vender mais dos seus famosos charutos. Ou seja, quem é rei nunca perde a majestade.

Suas famosos piadas sobre a liberdade do povo cubano, quando passava fome, são imperdíveis. E os ditadores da América Latina, todos, foram extremamente influenciados pelo seu humor sibilino. E não por acaso,  o Lula era uma visita constante em Cuba depois que o Zé Dirceu contou a ele suas delícias. O Zé, que hoje deve estar chorando, como todos sabem, foi o mentor do Lula, com a ideia fidelina de que se transformarmos o mundo numa briga de “nós” contra “eles”, dizendo que nós somos os mocinhos da história, o povo não resiste e nos coloca no poder. E vejam que isto durou até chegarem os juízes sisudos, como Joaquim Barbosa, Sérgio Moro e outros para se colocarem entre o “nós” e o “eles”, como ainda vemos na cena hilariante nacional.

E seria impossível numa semana como esta e sendo a coluna totalmente destinada ao riso não aproveitar um pouco do humor que proporcionou o Fidel ao mundo. Uns poucos casos para lembrar com saudade:

Fidel Castro morreu, e seu velório ocorre tranquilamente nas dependências do Buena Vista Social Club, com entrada restrita apenas para os agentes especiais de la Revolución, antes de ser cremado e viajar por aquele país. Lindinho, um político brasileiro que se fez presente, queria entrar de qualquer maneira, para dar um adeus digno para aquele que, ele tanto admirou .

Dizem que Lindinho observou o comportamento dos que conseguiam entrar. Todos davam uma coçada na barba e diziam:

- Agente especial de Fidel Castro!

Então Lindinho resolveu dar uma de João-sem-braço, foi até o guarda-barbudo-fumando-charuto o e se identificou:

- Agente especial de Fidel Castro!

- Peraí cabrón! Mas tu não tens barba!

Lindinho não titubeou, baixou ligeiramente as calças, exibiu os pelos pubianos, coçou-os e completou:

- Agente secreto! Cabrón!

E conta-se que antes de sua morte de verdade há uns 10 anos atrás passou-se a seguinte cena:

Fidel Castro é levado para o hospital em estado grave. Depois de examiná-lo, o médico informa aos que o acompanham:

- Infelizmente, não temos esperanças.

Raúl Castro, irmão do comandante, pergunta ansioso:

- Doutor, então ele morrerá rapidamente?

- Não. Ele sobreviverá.

E agora, só para concluir esta homenagem, porque temos que passar para o humor semanal nacional, que não é pouco, só mais esta:

Fidel está fazendo um de seus famosos discursos:

- E a partir de agora teremos de fazer mais sacrifícios!

- Trabalharemos o dobro! - diz alguém na multidão.

- E teremos de entender que haverá menos alimentos!

- Trabalharemos o triplo! - diz a mesma voz.

- E as dificuldades vão aumentar! - continua Fidel.

- Trabalharemos o quádruplo!

Aí o Fidel pergunta ao chefe de segurança:

- Quem é esse sujeito que vai trabalhar tanto?

- O coveiro, meu comandante.

Bem, para os que continuam vivos, aqui no Brasil, a semana foi acachapante em termos de piadas, risos e hilariâncias com shows de numerosos poderes da república. Foram tantos que, se não fosse a morte do Fidel, ainda não teríamos começado esta coluna pela dificuldade em escolher uma delas.

Comecemos então com o que posso chamar do show do Geddel, que rima com Torre de Babel, mas é absolutamente compreensível. Afinal de contas foi um show baiano com todos os ingredientes de macumba, acarajé e vatapá. Como todos sabem o Geddel era uma espécie de bedel (mais uma rima que não foi a solução) do governo Temer e resolveu, se valendo do cargo mostrar a carteirinha do “você sabe com quem está falando” ao Ministro da Cultura, o Caleros Juruna (nome dado a ele por repetir o gesto do cacique Juruna que andava com um gravador quando falava com os caras-pálidas) e dizendo que ou ele faria aparecer um apartamento no 23° andar de um prédio que só tinha 13 andares, ou ele falaria com o chefe, no caso, Temer. O Caleros Juruna, respaldado pelas gravações que vinha fazendo, botou a boca no mundo dizendo que não era pai-de-santo, muito menos baiano para fazer aparecer andares no prédio, que teriam sido surripiados pelo IPHAN, aquele órgão que tenta fazer com que o patrimônio histórico e artístico nacional não seja enterrado por político matreiro, nem sempre conseguindo porque por lá pululam polítcos, finalmente, pediu o boné ao Temer e foi embora.

E vejam, meus parcos leitores, a genialidade humorística do nosso presidente Temer. No meio do show do Caleros, ele ficou impassível, não deu um riso sequer e nem balançou um músculo na face. Penso que até a Marcela estava preocupada. Então, a plateia que já se esbaldava de rir com as peripécias jurunescas, começou a reclamar em todos os lugares. No Congresso eu vi gente até pedindo seu impeachment porque ele parecia catatônico, e como vocês sabem, ninguém aguenta um humorista catatônico. Então veio o melhor do show. O Temer bateu o pé e abriu a boca para acalmar os ânimos nos bastidores. Não se sabe se é verdade ou não quando contam que o Geddel e o Caleros já estavam no octógono prontos para a luta quando Temer interferiu na briga e disse: “Geddel tire o sumô e vista a luva de box, a briga é de MMA”. Ao Geddel que nunca tinha entrado num octógono e sim em muitos terreiros baianos só restou ir embora agradecendo ao Temer, enquanto Caleros também foi embora sem lenço e sem documentos, nada nos bolsos ou na mão, além das gravações. O que elas dizem espera-se para o show desta semana. Até que enfim o Juruna volta à história nacional.

Em virtude deste imbróglio baiano, assistiu-se a algo inusitado. Uma entrevista coletiva de um presidente da república no domingo, que era dia de missa, lá em Bom Conselho. Pois é, caros leitores tivemos um show de humor na mesma hora que o Padre Alfredo começava a celebrar a santa missa na nossa Igreja Matriz. O Temer se viu acuado pela repercussão da briga entre o Geddel e o Juruna e se apresentou ao vivo e em cores na TV, junto o Renan, e Rodrigo Maia. Só faltou mesmo a Carmem Lúcia para termos o show perfeito da República. A maior piada foi do Temer que disse mais ou menos  que "a República unida, jamais será vencida", ao declarar seu acordo com os presidentes do Legislativo para que o Caixa 2 (ver abaixo para detalhes) nunca seria anistiado, como queriam alguns deputados. Se eu fosse dar um nome artístico a este show eu escolheria: "Todos contra o Juruna!", pela irritação do Temer em ser um presidente gravado. Imagine a irritação de nossa musa, a Dilma, quando o Sérgio Moro gravou o papo dela com o Lula. No entanto, neste caso a culpa não foi do Juruna mas do Bessias. Mas, vamos a outros fatos semanais.

Quem brilhou também, já sendo um forte candidato para ser funcionário em tempo integral e dedicação exclusiva nesta coluna quando deixar a presidência do Senado, foi o Renan. Sim aquele que tem 12 inquéritos na justiça, alguns já tão velhos que remontam ao tempo do Cabral (que estranho, hoje quando se fala em Cabral, perguntamos logo: O com barba ou o sem barba?), quando descobriu o Brasil. Ele, como sempre cioso dos seus deveres de cidadão, resolveu, assim, inesperadamente, ressuscitar um projeto de lei que fala do abuso de autoridade. O ápice do seu show é quando a plateia pergunta: “Por que agora?”, e ele responde pausada e eloquentemente: “Por que meus pares parlamentares estão na mira para serem abusados!”. “Por quem? retruca a plateia!”. Então ele responde, levando o povo ao delírio hilariante: “Não sei, só sei que foi assim!”. O Chicó era alagoano ou baiano? Não, não vou ressuscitar o Ariano Suassuna para perguntar.

Noutra casa do Congresso se discute se o Caixa 2, sim aquele que o Lula disse um dia que todo mundo político carregava debaixo do braço e que a Carmem Lúcia se enfezou com o tamanho da caixa, e deu no mensalão. Agora os deputados querem dar razão a ela dizendo que o Caixa 2 é crime. E vejam senhores porque não só o Chicó, mas também o João Grilo estão sempre presentes no nosso mundo do humor. Descobriu-se que se disserem agora que o Caixa 2 é crime, é porque antes não era e portanto, todo o trabalho da Lava Jato vai por água abaixo, pois os condenados mesmo cometendo um crime, ele só existia fora do papel, e como vocês sabem, crime que se não está no papel não é crime, no Estado de Direito, e só é crime, então no Estado do Torto, onde vigoram a moral e os bons costumes, que estão mais em falta do que papel higiênico na terra do Maduro. E durma-se com uma bronca dessas, como deve ter dito o sisudo Sérgio Moro, depois de fazer um esforço danado para enquadrar o Lula.

Falando em Lula, nosso colaborador habitual, ele, em um show no Sumaré, no interior de São Paulo, por onde ele anda espalhando o riso e a alegria, pois na capital ninguém rir mais dele, preferindo o Alckmin e o Serra, disse:

“Em 1978 eu prometi à Marisa que ia largar o sindicato e cuidar dela e dos meus filhos. Eu não pude cuidar da educação dos meus filhos, do boletim dos meus filhos. Eu achei que fosse parar quando eu saí da Presidência. Mas tem uma coisa que me coça. Quando eu quero parar, eles ficam me provocando, me atiçando”.

Vejam a pandeguice do cara! Ele diz que não pôde cuidar da educação dos filhos dele. Quando se sabe que o Lulinha, seu filho mais velho, hoje é milionário e só não é mais rico do que o pai, a plateia rir e quando descobre o que ele quer coçar, lembra da piada que mostrei do Fidel lá em cima, espera ele baixar a calça, pensando que ele é um agente secreto, mas, explode de riso quando ele cofia a barba e diz: “Agente especial de Fidel Castro!”. E pensam que a plateia descansa? Que nada! Continuam provocando-o e atiçando-o, porque sabem que se fizerem isto vão rir mais ainda. Nele o humor abunda. É uma pena que um stand-up do Lula que estava prometido para ontem na Avenida Paulista, junto com o Mujica, ex-presidente do Uruguai, talvez exista mas sem a presença dos dois. O Mujica, provavelmente o fusca quebrou quando vinha do Uruguai e o Lula, até agora ninguém sabe. Será que algum empresário da Odebrecht disponibilizou um jatinho para ele ir acompanhar as cinzas do Fidel em Cuba. A conferir!

E pensei que já havia concluído minha tentativa de homicídio com os meus 12 e meio leitores matando-os de rir, quando descobri que tudo no Brasil agora é “do fim do mundo”. Vejam que a PEC do Fim do Mundo, será votada na próxima semana. Então rezai e orai, como dizia o Antônio Conselheiro, porque o fim está próximo. E com ênfase admoestativa em prol das crenças, dizem que a Odebrecht, sim, aquela empresa que governou o Brasil por anos seguidos, propinando seus políticos, vai fazer a “delação do fim do mundo”. Dizem que são tantos os delatores que a fila chega aos 200 quilômetros, e o montante de papel, se empilhado daria para espanar a lua. E como a delação é premiada, se ao comprar seu presente de natal ou mesmo da Black Friday e disseram que não há mais papel de presente, acredite, é porque a Operação Lava Jato comprou tudo. Ainda bem que está faltando papel de presente, imaginem se chegarmos à situação da Venezuela, onde o papel que falta é outro. Só rindo mesmo!

Ainda internacionalizando o riso, o grande motivo para rir é pensar como ficarão os americanos depois que Obama resolveu se aproximar de Cuba, talvez porque gostasse da barba do Fidel, e agora depois de sua morte, contarão com o Trump que quer raspá-la e entrega-la de presente a Putin. Eu não acredito que o Obama vai atrás das cinzas de Fidel enquanto elas desfilam pelo país. Mas, que seria engraçado, isto seria, uma disputa com o Putin para ver quem ficaria com mais cinzas. A conferir!

E, para finalizar esta acachapante semana, quem deu um show, pegando carona na demissão show do Geddel foi o FHC. Ele disse, em relação ao governo de Temer:

“Diante das circunstâncias brasileiras, depois do impeachment, o que temos que fazer é atravessar o rio. Isso é uma ponte, pode ser uma ponte frágil, uma pinguela, mas é o que se tem.”

Pois é, tal qual todo indivíduo de Bom Conselho de Papacaça, como eu, que aprendeu o que era passar pelas pinguelas do Papacacinha, fico preocupado nesta travessia. Que não se encham muito de pecados, os políticos. A pinguela não vai aguentar. Sim, antes que me vá tenho que dizer o que disse o Juruna com todas suas gravações, ontem no Fantástico da Rede Globo: "As gravações com o Temer foram protocolares". É, não se fazem Jurunas com antigamente.

E até a próxima semana, esperando que a pinguela não tenha caído ainda.