Em manutenção!!!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A semana - O julgamento da Dilma, o indiciamento do Lula, a viagem do Temer...




Por Zé Carlos

Enfim, saímos dos jogos olímpicos para cair nos jogos políticos. Nesta semana que passou ninguém mais falou em medalhas, apenas em “merdalhas”, termo que não sei se existe mais o estou criando agora para rimar com petralhas, este já consagrado e que indica um indivíduo que ainda acredita que a nossa musa Dilma escapará do impeachment e que ainda tem esperança de que o Lula não será preso. O que vi foi um verdadeiro clima de 7 x 1 contra as hostes de Dilma. Se o placar final for de 6 x 1, contra ela, ainda é lucro. Mas, vou começar do final, como sempre faço quando quero matar de rir nossa imensidão de leitores, mesmo antes de contar a piada.

No sábado terminou primeira fase do julgamento de Dilma, e a impressão primeira é que, finalmente, a terei aqui na coluna daqui para o final de agosto, que já foi o mês do desgosto para muitos, mas, se isto acontecer de verdade, o nosso 7 de setembro poderá até ser antecipado. Afinal de contas estaremos libertos do julgo petista como ficamos livres do julgo português séculos atrás. No entanto, sugiro que comemoremos este fato histórico no próprio dia 7 de setembro. Talvez, seja o mais animado de muitos e muitos anos. Agora deixo um pouco o rejúbilo e vou aos fatos, como diria a Janaína Pascoal. E apertem o sinto porque o riso abundará daqui para frente.

E para ser justo, como sempre tento ser, o grande evento humorístico da semana foi mesmo o julgamento da Dilma, nossa musa. A primeira e melhor piada foi o presidente do STF, e sua suprema interpretação da Lei, ao ter transformado a melhor testemunha em informante. O Doutor Júlio Marcelo, seguindo a sisudez do juiz Moro não gosto de humor e eu duvido que algum dos senadores, exceto os já convictos para causa da ré, não tenha se convencido que qualquer menção a “golpe” é piada pronta. Mesmo como informante ele mostrou que é filhote do Moro e seguidor da Lava Jato que é a grande revolução em nossa pátria. E deitou e rolou com uma frase que aqui reproduzo para posteridade, que, penso eu, será aprovada, logo mais, pelos nossos juízes parlamentares:

“O dolo grita nos autos. Se a presidente da República não tiver responsabilidade sobre decretos e medidas provisórias, porque foram elaborados pela sua equipe, ela não vai ter responsabilidade sobre nada. Essa é uma tese da irresponsabilidade do governante”.

No entanto, como era de se esperar o humor puro e cristalino que esta coluna aborda veio do PT e o seu Quinteto Abilolado, que teve uma baixa sentida por todos. O senador Telmário Mota desistiu do grupo e foi substituído pela Kátia Abreu. Alguns dizem que agora o quinteto está muito melhor pelo timbre de voz da senadora agricultora, que quando canta muda até de cor. Eu nunca vi uma mulher gritar tanto. Agora o quinteto é formado por Vanessa Graidiotin, Gleise Hoffmann, Lindberg Farias, Kátia Abreu e Humberto Costa. Este último, um pernambucano da gema, que adora cantar: “Asa Branca bateu asas, e fugiu para ....”. Sua performance foi soberba logo em seu primeiro dia no julgamento. Conseguiram, com uma lorota atrás da outra, protelar o início da sessão por mais de meio dia, enquanto a plateia se deliciava e bolava de rir.

O Lindberg, mais conhecido pelo apelido de “170 bi” estava impagável. E sabendo que o presidente da sessão não é do ramo político, foi o rei do show. Quando ele quer mostrar que a Dilma é uma mulher honesta, seus trejeitos chegam aos píncaros do hilário. Quando alguém pergunta se deixar roubar torna uma pessoa mais honesta, então quem é o mais honesto de todos é o Lula. E talvez por isso o humor do grupo se torna tão refinado. E agora, estão cada vez melhores, porque dizem que há ensaios para o show todos os dias pois há uma equipe filmando um “filme”, ao invés de filmar os ratos, que pretende se chamar “Impeachment”. E talvez por isso o esforço dos defensores da nossa musa para que o ele seja impichada, ou impichimada como fala alguns senadores. Já imaginou o desperdício se ela escapar? Seria uma tragédia para o cinema nacional.

A Vanessa Graidiotin estava “superb” entre os girassóis dos seus vestidos. E a grande graça que ela faz é sua absoluta falta de “semacômetro” em suas atuações. Está deixando o Lewandowski louco, com aquele ar de quem diz: “Lá vem ela de novo...”. E aí começa a sessão de humor na defesa da “presidenta inocenta”. A Kátia Abreu, vinda da agricultura, com as mãos calejadas de fazer piados no campo, ao chegar à cidade causa sucesso com seus modelitos de piadas rurais. Quando ela diz que se a Dilma lesou os acionistas do Banco do Brasil, da Caixa e de outras instituições financeiras, foi para ajudar os pequenos agricultores, a plateia vem abaixo. É riso “prá mais de metro”. Já o Humberto só toca o “sambinha de uma nota só”, entre uma e outra versão do “Assum Preto”. Já a Gleise Hoffmann merece um novo parágrafo.

Esta brilhou a semana inteira, desde o primeiro dia. No primeiro abriu a boca e empinou o nariz para dizer que os senadores não tinham moral para julgar nossa musa, a Dilma. O valor da piada é porque, olhando em volta, é difícil dizer se ela está dizendo a verdade ou não. A nossa classe política virou piada exatamente por isso. É impossível descobrir qual o conceito de moral que a ela se aplique para uma boa análise. Daí, só o riso resolve. E não foi por menos que o Renan, logo o Renan, que, no dia seguinte, vendo quanto tinha sido atingido pela esposa do homem que é acusado de roubar os que tomaram crédito consignado, se doeu todo. Depois de uma escaramuça entre o Ronaldo Caiado e o Lindberg Farias, que quase se atracam mais uma vez, o Renan, menestrel das Alagoas, depois de pedir harmonia e compreensão, pois o show estava sendo visto internacionalmente, ecoou do plenário:

“Ontem, a senadora Gleisi chegou ao cúmulo de dizer aqui para todo o país que o Senado Federal não tinha moral para julgar a presidente da República. Como uma senadora pode fazer uma declaração dessa? Exatamente uma senadora que, há 30 dias, o presidente do Senado conseguiu, no Supremo Tribunal Federal, desfazer o seu indiciamento e do seu esposo que havia sido feito pela Polícia Federal.”

Vejam a maestria na piada. O que ele quis dizer foi que havia sido imoral há 30 dias fazendo o STF ser também imoral. Ou seja, no Brasil se consegue todo significado para a palavra “moral”. Não em jeito. Rir ainda é o melhor remédio.

 E vejam que o grande show de humor se estendeu até o sábado, quase matando de rir todos os telespectadores e rádio ouvintes. Imaginem o estrago nas cordas hilariantes dos brasileiros na próxima semana, na qual, a nossa musa, a Dilma, resolveu fazer um show solo no julgamento. Dizem que já foi necessário colocar mais cadeiras para suportar a afluência de público que comparecerá ao Senado. E, não é só a apresentação da Dilma, per si, e sim que, dizem, o Lula entrará e sairá de braços dados com nossa musa, somente para mostrar a esta coluna que, em termos de humor, a harmonia prevalece entre eles. E eu já faço propaganda da coluna semanal próxima, que hoje começa,com a previsão de que ela responderá a todas questões feitas por cada senador. Como eu sei que a cada pergunta ela contará uma piada, não poderei garantir a sobrevivência de leitor algum daqui para frente.

Todavia, fiquemos com esta semana para não forçar a barra. E já que falamos de Lula, temos que introduzir o assunto imediatamente. O Lula foi indiciado pela Polícia Federal, sendo acusado como um corrupto ativo, passivo e como um lavador de dinheiro, enquanto sua esposa Marisa foi acusada de quase os mesmos crimes, pela operação Lava Jato. A novidade não é o indiciamento e sim a época em que isto foi feito. Logo no grande show do julgamento?! Já pensaram se o Lula for ao julgamento da Dilma, como previsto, e os juízes do Senado resolverem fazer justiça com as próprias mãos. Ele entrará de terno e sairá com o pijama listrado. Para esta coluna, não fará diferença porque o Lula poderá ser nosso colaborador de fora ou de dentro de uma cela. Basta ele resolver ditar as suas memórias para alguém que saiba escrever. O título já é uma certeza: “Nunca mais, na História deste país...”, com prefácio de Dilma.

E para não dizerem que só do PT vive esta coluna, li que também o José Serra e a Marta Suplicy entraram no show do Caixa 2. Ou seja, quando acabar o impeachment de Dilma, não só ela se dedicará em tempo integral a esta coluna. Temos muitos outros currículos para analisar, e já prometemos que faremos tudo para matar os nossos leitores de tanto rir, se sobreviverem à esta semana que se inicia, com o grande show de Dilma.


E o Michel Temer?! Este não apareceu muito esta semana, preparando seu show para a China, e junto com o Renan, para mostrar que além de ser presidente também pretende seguir a via humorística dos nossos políticos. E há pessoas que reclamam deste tipo de humor. Elas não perdem por esperar. Começou esta semana a propagando para as eleições municipais, que nos dará muito material por um longo tempo. Aguardem!

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Começou o julgamento de Dilma




Por Zezinho de Caetés

Bem, meu senhores e minhas senhoras, apesar do nosso esforço não conseguimos ir até o final da sessão de julgamento da ex-presidenta, em seu primeiro dia. Até para nós que labutamos na política, como comentarista, foi cansativo.

O PT e seus meninos conseguiram esticar a sessão até onde dava, com vários números e performances que servirão muito bem para a coluna semanal de humor do Zé Carlos. Desde repetir tudo o que foi dito na Comissão do Impeachment durante os últimos dias, até o grande show da Gleisi Hoffman, teve de tudo, como numa luta suja de boxe (Leia o texto lá embaixo para os detalhes sórdido).

A Vanessa Graidiotin se superou. Com um vestido coberto de girassóis que a leva a ficar parecida com uma frondosa árvore da Amazônia, não parava de falar. O Lewandowski, que ao lado do Renan só ficava com uma cara de quem está morrendo de vontade de fazer pipi, tentava conter os tumultos e trejeitos criados por ela. E o Renan só ria, talvez, dizendo: “Agora você está vendo o que é bom prá tosse!”.

A senadora Fátima Bezerra deve ter esquecido em casa o discurso para o início do julgamento e leu um antigo. Só pode ter sido, pois este era por nós conhecido há muito tempo. Vi que ela não tentou usar a palavra “golpe”, por um bom tempo, para não ferir a sensibilidade do presidente do STF, que se veria como um golpista contumaz.

Agora só falta a Dilma entrar no “golpe”, igual à Escola de Samba da Mangueira no encerramento dos jogos olímpicos. E ela vai comparecer ao Senado na segunda-feira próxima, e dizem que o Lula irá com ela, e mais umas 20 pessoas. Ou seja, vai quase a Lava Jato inteira em defesa da ex-presidenta.

Realmente não sabemos o que o Lula, meu conterrâneo vai fazer por lá. Será um grande risco para ele se o Sérgio Moro quiser atuar e levá-lo para a República de Curitiba. Motivo tem. Só falta o momento, e quem sabe não será no Senado na segunda?

E hoje começa tudo de novo, e agora com as testemunhas de acusação. Por falar nelas, ontem por pedido do JECa, que anda meio tristonho, o Lewandowski resolveu transformar o Júlio Marcelo de testemunha em informante, tal qual Lula era do Golberi, segundo o Romeu Tuma Jr., em priscas eras. Foi a melhor coisa que foi feita contra a Dilma. O procurador se sentiu mais livre e solto para ensinar para o Brasil inteiro com quantas pedaladas se faz uma fraude fiscal e com quantos decretos se destrói a economia de um país. Agora o país entende perfeitamente por a Dilma tem que sair.

Pensamos ter sido o maior tiro no pé da Dilma que o JECa já deu. Ao invés de ficar repetindo que foi o Cunha o culpado pelo impeachment, por desvio de finalidade, agora ficamos sabendo que o culpado foi o Júlio Marcelo, pela suas precisas e detalhadas informações. Obrigado, Júlio.

E para aqueles que nos acompanham e sabem que gostamos de transcrever textos interessantes, levo a vocês o Josias de Souza, em seu Blog hoje na matéria: “Quem tem moral no Senado?, eis a questão”, onde ele procura detalhar a performance da Gleisi, agora mais conhecida pelas lambanças do marido com os tomadores de crédito consignado, do qual nos livramos por um fino.

Fiquem então com Josias, que daqui a pouco vamos começar com outra dose de impeachment na veia do Brasil, para tentar curá-lo da herança maldita do PT. E só para terminar, depois de fazerem um muro para dividir as torcidas lá de frente do Congresso, eu não vi nenhum manifestante por lá, nem contra nem a favor. Será que já esqueceram a Dilma?

“Quem tem moral no Senado para julgar Dilma?, eis a questão. A interrogação vem a propósito de um arroubo da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) no primeiro dia do julgamento do processo de impeachment. Antes de responder à pseudocuriosidade da senadora, vale a pena atrasar o relógio até 1992. Imaginou-se que o impeachment de Fernando Collor e a posse de Itamar Franco —o Michel Temer da época— entrariam para a história como marcos moralizadores da política nacional.

A desfaçatez com que PC Farias —precursor de Delúbio e Vaccari— comercializava sua influência no governo e dividia propinas com o presidente e seu grupo político pareciam ótimas oportunidades para o país tomar jeito. Mas deu tudo errado. Um escândalo produziu outro, e outro, e mais outro… Até desaguar no mar de lama do mensalão. Que escorreu para o oceano do petrolão. Que se misturou à ruína econômica no caldeirão em que arde o mandato de Dilma. Decorridos 24 anos, o país se depara com o segundo processo de impeachment de sua história e com a pergunta de Gleisi Hoffmann: Quem tem moral…?

Considerando-se que foi com o beneplácito de Lula que o PT se converteu numa máquina coletora de dinheiro, que o mensalão e o petrolão têm sua origem na gestão dele, que foi sob o seu patrocínio que petistas e aliados nomearam os petrogatunos, que Dilma foi eleita e reeleita em cima de uma caixa registradora tóxica, considerando-se tudo isso, mais o fato de o PT governar o país há 13 anos escorado em sarneys, renans, collors, malufs, cunhas e assemelhados, chega-se à seguinte conclusão: o objetivo de Gleisi Hoffmann ao questionar a moral dos colegas é desobrigar a política de fazer sentido.

Durante o governo Sarney, Lula chamava-o de “ladrão”. Golpeado por Collor abaixo da linha da cintura na campanha presidencial de 1989, Lula pegou em lanças pelo impeachment. Nessa época, o tratamento mais cortês que Collor mereceu de Lula e de todo o petismo foi o de “corrupto''. Que dizer dos insultos que o PT e seu morubixaba trocaram com Maluf? De repente, os ex-moralistas associaram-se a todos os imorais num mesmo empreendimento governamental. E anunciaram à nação: “Somos todos aliados! Somos uns a cara esculpida e escarrada dos outros.”

Antes de borrifar perguntas na atmosfera seca do plenário do Senado, Gleisi Hoffmann precisaria fornecer respostas: depois que fizeram tanto esforço para se tornar iguais, como podem supor que ainda é possível distinguir uns dos outros? Não eram todos aliados até ontem? Não foi sob o poder petista que Cunha, Collor, Renan, Sarney, Jucá, Barbalho e tantos outros plantaram bananeira dentro dos cofres da Petrobras e do setor elétrico?

Dilma, Lula e o PT chegaram à condição atual por seus próprios deméritos. Por três mandatos, abasteceram a coligação governista de propinas. O mensalão mal havia secado e já existia o petrolão. Deflagrada sob Dilma, a Lava Jato emparedou corruptos e corruptores. Pela primeira vez, a oligarquia foi para o xadrez. A corrupção passou a dar cadeia. Interrompido o provimento regular de dinheiro sujo, aliados foram se convertendo em traidores.

Até bem pouco, Dilma enxergava o Senado como sua última trincheira. Renan Calheiros era o heroi da resistência. Hoje, madame não consegue juntar 28 votos para salvar o mandato. O petismo é picado pelas serpentes que o poder petista financiou. Num ambiente assim, tão conspurcado, a companheira Gleisi renderia homenagens à lógica se evitasse questionar a moral alheia.

Gleisi faria um bem a si mesma se pelo menos adiasse suas reprimendas para depois do encerramento do processo em que seu marido, Paulo Bernardo, é acusado de tomar parte de um esquema que assaltou aposentados e servidores pendurados no empréstimo consignado. A senadora terá muito mais moral depois que ficar comprovado que seu marido não participou de tamanha imoralidade.

Quem tem moral no Senado para julgar Dilma?, eis a questão. A interrogação vem a propósito de um arroubo da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) no primeiro dia do julgamento do processo de impeachment. Antes de responder à pseudocuriosidade da senadora, vale a pena atrasar o relógio até 1992. Imaginou-se que o impeachment de Fernando Collor e a posse de Itamar Franco —o Michel Temer da época— entrariam para a história como marcos moralizadores da política nacional.

A desfaçatez com que PC Farias —precursor de Delúbio e Vaccari— comercializava sua influência no governo e dividia propinas com o presidente e seu grupo político pareciam ótimas oportunidades para o país tomar jeito. Mas deu tudo errado. Um escândalo produziu outro, e outro, e mais outro… Até desaguar no mar de lama do mensalão. Que escorreu para o oceano do petrolão. Que se misturou à ruína econômica no caldeirão em que arde o mandato de Dilma. Decorridos 24 anos, o país se depara com o segundo processo de impeachment de sua história e com a pergunta de Gleisi Hoffmann: Quem tem moral…?

Considerando-se que foi com o beneplácito de Lula que o PT se converteu numa máquina coletora de dinheiro, que o mensalão e o petrolão têm sua origem na gestão dele, que foi sob o seu patrocínio que petistas e aliados nomearam os petrogatunos, que Dilma foi eleita e reeleita em cima de uma caixa registradora tóxica, considerando-se tudo isso, mais o fato de o PT governar o país há 13 anos escorado em sarneys, renans, collors, malufs, cunhas e assemelhados, chega-se à seguinte conclusão: o objetivo de Gleisi Hoffmann ao questionar a moral dos colegas é desobrigar a política de fazer sentido.

Durante o governo Sarney, Lula chamava-o de “ladrão”. Golpeado por Collor abaixo da linha da cintura na campanha presidencial de 1989, Lula pegou em lanças pelo impeachment. Nessa época, o tratamento mais cortês que Collor mereceu de Lula e de todo o petismo foi o de “corrupto''. Que dizer dos insultos que o PT e seu morubixaba trocaram com Maluf? De repente, os ex-moralistas associaram-se a todos os imorais num mesmo empreendimento governamental. E anunciaram à nação: “Somos todos aliados! Somos uns a cara esculpida e escarrada dos outros.”

Antes de borrifar perguntas na atmosfera seca do plenário do Senado, Gleisi Hoffmann precisaria fornecer respostas: depois que fizeram tanto esforço para se tornar iguais, como podem supor que ainda é possível distinguir uns dos outros? Não eram todos aliados até ontem? Não foi sob o poder petista que Cunha, Collor, Renan, Sarney, Jucá, Barbalho e tantos outros plantaram bananeira dentro dos cofres da Petrobras e do setor elétrico?

Dilma, Lula e o PT chegaram à condição atual por seus próprios deméritos. Por três mandatos, abasteceram a coligação governista de propinas. O mensalão mal havia secado e já existia o petrolão. Deflagrada sob Dilma, a Lava Jato emparedou corruptos e corruptores. Pela primeira vez, a oligarquia foi para o xadrez. A corrupção passou a dar cadeia. Interrompido o provimento regular de dinheiro sujo, aliados foram se convertendo em traidores.

Até bem pouco, Dilma enxergava o Senado como sua última trincheira. Renan Calheiros era o heroi da resistência. Hoje, madame não consegue juntar 28 votos para salvar o mandato. O petismo é picado pelas serpentes que o poder petista financiou. Num ambiente assim, tão conspurcado, a companheira Gleisi renderia homenagens à lógica se evitasse questionar a moral alheia.


Gleisi faria um bem a si mesma se pelo menos adiasse suas reprimendas para depois do encerramento do processo em que seu marido, Paulo Bernardo, é acusado de tomar parte de um esquema que assaltou aposentados e servidores pendurados no empréstimo consignado. A senadora terá muito mais moral depois que ficar comprovado que seu marido não participou de tamanha imoralidade.”

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Lágrimas de crocodila da ex-presidenta




Por Zezinho de Caetés

Bem, hoje toda a imprensa, de todos os tipos, só falará sobre o início do julgamento da ex-presidenta briguenta. Eu também só penso naquilo. No entanto, aproveitando o clima olímpico e minha falta de tempo, pois tenho que me abastecer para uma semana, pela qual ele perdurará até o bota fora final, eu publico abaixo uma poesia.

Acho que é de cordel e a recebi pelas redes sociais, não sabendo quem é o autor, mas, já o parabenizando pela obra de arte popular. Eu adoraria que fosse uma poesia sobre o julgamento da Dilma, e, tenho certeza, elas aparecerão na próxima semana.

Por falar em arte, li por aí, que estão fazendo um filme sobre o impeachment, no qual a ex-presidenta é a protagonista. Ela fará o papel de alguém honesta e que foi injustiçada por “eles”. Nada com a realidade. Pura ficção para mostrar a grande atriz que ela é. Foi aí que descobri porque ela não renunciou, como eu tanto aconselhei: Como terminar o filme sem ela?

Dizem que haverá até cenas de choro, se até a próxima semana o diretor descobrir que ela vai mesmo ser impichada, mas, haverá cenas de júbilos se os senadores mudarem de ideia e deixá-la no poder. Seria um filme catástrofe.

Se ela chorar mesmo, pretendo desenvolver nos próximos dias um roteiro de filme, que se chamará “Lágrimas de crocodila”. Tinha escolhido outro: “Lágrimas de crocodila da presidenta”, todavia, poderia ser explícito e longo demais. Para não perder a ideia, foi assim que intitulei este pequeno texto.

Por hoje, leiam a bela poesia olímpica, que vou me preparar para uma semana de emoções.


ZOLIMPÍADAS DO SERTÃO

Sonhei com as Zolimpíadas
Chegando no meu sertão
Foi o maior espetáculo
Que se viu na região
Tinha gente que só a peste
Lá das brenhas do nordeste
Chegando de caminhão

No desfile de abertura
A bandeira nordestina
Toda feita de retalhos
Pelas mãos de Severina
E eu ali, de camarote
O bode virou mascote
A tocha era a lamparina

A nossa delegação
Para conquistar os louros
Desfilou de guarda-peito
Gibão e chapéu de couro
E enfrentando a batalha
Conquistou muitas medalhas
de bronze, de prata e ouro

Quem carregou a bandeira
Foi Ritinha de Zé Bento
Já a pira foi acesa
Por Tonin de Livramento
Nosso atleta principal
E recordista mundial
Do hipismo de jumento

Antes das competições
Um lanche bem reforçado
Com buchada, cajuína
Rapadura e milho assado
Fava verde com galinha
Sarapatel com farinha
Angu com bode guisado

Nas águas do Velho Chico
As provas de natação
Os pulos ornamentais
De cima de um paredão
Ginástica num terreiro
Remo e vela num barreiro
E judô num palhoção

A maratona, seu moço
Era por nossas estradas
Atravessando os riachos
Nas veredas, nas quebradas
Da paisagem nordestina
Ao som do galo-campina
E da patativa golada

Na competição de tiro
Os velhos de bacamarte
Pé-de-bode, granadeira
Vestimenta de zuarte
E davam cada pipoco
Do sujeito ficar môco
De se ouvir em toda parte

A prova de atletismo
Conhecida por carreira
De cem e duzentas léguas
Com barreira e sem barreira
Foi por dentro do cercado
Atravessando um roçado
Pelo meio das capoeira

Os saltos, lá no sertão
Eram provas de “pinote”
De riba de uma barreira
Num pedaço de caixote
O cabra de lá pulava
Num açude tibungava
Caindo feito um caçote

O jogo de futebol
Se jogava sem chuteira
Num campo de chão batido
No alto de uma ribanceira
As traves de barandão
O campo sem marcação
No calor e na poeira

Levantamento de peso
Quem ganhou foi Sebastião
Cinco sacos de Farinha
Três arrobas de algodão
Com esse peso todinho
Ele se ajudou sozinho
E se sagrou campeão

O arremesso de pedra
Quem ganhou foi Expedito
No tiro com baladeira
Carmelita fez bonito
E Já na queda de braço
O ouro foi pra Inaço
E a prata pra Benedito

Fizeram de três batentes
Pódio pra premiação
Com uns ramos de onze-horas
Era a coroação
E numa latada de lona
Asa branca na sanfona
Completava a emoção

E assim eu me acordei
Com orgulho do sertão
Desse povo vencedor
De tão grande coração
De história tão sofrida
Que nas batalhas da vida

Nasceu pra ser campeão

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

24 de agosto e já esperando o 31...




Por Zezinho de Caetés

Hoje nem procurei um texto para transcrever pois tive medo de não achar, igual a ontem. E foi ontem, carente de textos bem atuais que achei o que abaixo transcrevo. E quando quero textos bem atualizados em matéria política, eu vou a Blog da Lucinha Peixoto. Lá, encontrei um sobre o qual fiquei em dúvida se o comentava agora ou no dia 31 de agosto, quando ele faz 5 anos da publicação original (31 de agosto de 2011 – aqui).

Estava procurando algo sobre o dia de hoje, que é uma data muito importante para os brasileiros, porque é aniversário do suicídio de Getúlio Vargas, e encontrei um que trata do mês todo, escrito pela, um dia, grande colega de trabalho.  Onde estará a Lucinha que há muito deixou de nos brindar com suas pérolas?

Na postagem a seguir, publicada em seu blog com o título: “Agosto e o Suicídio Político”, ela traz coisas que não entendo, porque ligadas a ela e a sua cidade, Bom Conselho, da qual sei muito pouco, mas, nos brinda quase com uma descrição dos dias atuais em termos de “crime e castigo” para políticos que não honram suas calças (e para ser politicamente correto, ou calcinhas), e o que deve ser feito com eles.

Veio a calhar para esta semana, que amanhã se inicia, na qual o Senado vai “suicidar” Dilma, já que ela, tal qual o Lula, não tem coragem de fazê-lo como o fez o Getúlio, mais de meio século atrás. É de se dizer: Não temos mais políticos como antigamente. Hoje eles preferem a República de Curitiba ou a Papuda, a suicídio. Que fazer?

Eu nunca torci pelo suicídio de ninguém. Eu torci sim, pela renúncia de Dilma, que é a protagonista da semana. Se ela tivesse feito isto antes, quando viu que o povo brasileiro, a quem ela mentiu para se eleger, reconheceu a farsa, estaria doendo menos agora. Porém, agora é tarde.

Penso melhor, e digo, na base do “antes tarde do que nunca”, que, se no dia em que ela fosse ao Senado, como está marcado, no dia 29, ela fosse ler uma carta de renúncia, reconhecendo que foi um fiasco como presidenta e que fez tudo isto por causa do PT, ela poderia entrar para História pela porta da frente, ao invés de sair pela porta dos fundos, como está fazendo. Mas, conhecendo a peça, como quem nasce para Lula, nunca chega a Getúlio, quem nasce para Dilma não chega a Lucinha Peixoto. Isto será difícil de acontecer. Ela morrerá politicamente com o osso na boca.

Fiquem com a minha amiga Lucinha e divirtam-se com suas jocosidades das quais todos nós temos saudades. Eu vou me preparar psicologicamente para aguentar o Lewandowski e o Renan posando de bons moços no julgamento da ex-presidenta bolorenta.
 
“Grande parte da vezes, nossa inspiração para escrever vem de acontecimentos repetitivos, mas marcantes a cada hora que eles nos chegam. Aniversários, festas cívicas, notícias de corrupção no governo, enchentes no Recife, dias santos importantes, e também feriados importantes.

Por exemplo, está próximo o dia 7 de setembro, dia em que o Etiene, vai a Bom Conselho, e me desafiou para um duelo, e pelo seu nível de civilização eu penso que seria com palavras, sobre se ele teria sido contra ou a favor do Sr. Ccsta, quanto à questão do anonimato, da qual ele até agora só escreveu obviedades jurídicas, e agora, lendo o Dr. Renato Curvelo, eu diria que erradas. Este dia, poderia ser um motivo para inspiração, e talvez até seja, se quando ele chegar eu ficar me lembrando, quando cruzávamos Bom Conselho galhardamente, desde o pátio do Ginásio São Geraldo, até a frente da Prefeitura.

Infelizmente, hoje a minha inspiração é outra. Hoje é 31 de agosto, último dia dos mais aziagos dos meses na história. Nele tivemos, desde a matança de São Bartolomeu, até a morte de vários políticos brasileiros, que escolheram este dia, ou foram escolhidos por Deus, para partirem desta para uma melhor.

O que logo nos vem à mente é o suicídio do Getúlio Vargas. Muito se tem escrito sobre isto, e, ao contrário dos americanos, não desenvolvemos uma teoria conspiratória nos moldes de: “Quem matou Getúlio?”. Será que nos falta imaginação? O Jô Soares andou escrevendo sobre o episódio tempos atrás. Mas, como ele é humorista ninguém deu atenção, como se humor não fosse uma coisa séria.

Como estou alegre por agosto está acabando e não ter morrido nenhum “politicão” neste ano, eu posso abrir meu saco de jocosidades para dar asas à imaginação. Eu ainda penso que o Getúlio não se suicidou. Ele foi suicidado. Isto foi feito com tanto cuidado que até hoje ninguém suspeitou de nada. Basta ver o local do tiro e verificar a precisão dele. No centro do coração. Dizem que o Getúlio, em todas as revoluções de que participou, não disparou nenhum tiro, porque nos treinamentos de tiro ele matou um soldado quando tentava acertar o alvo. Como ele, naquele momento poderia ter um acerto daqueles?

Tem mais e muito. Como um homem, com seu tino político e amor pelo Brasil, poderia usar o expediente do suicídio para garantir que estava fazendo aquilo pelo bem do povo. Não pode ser. Eu acredito mais no Lula, que ao deixar o poder, forçado pelas circunstâncias democráticas, ao invés de se suicidar foi ficar rico dando palestras. Não concluam que não se fazem mais presidentes como antigamente, pois ele ainda está vivo e ainda tem muitos agostos pela frente. Nunca é tarde para ser um Getúlio.

De uma coisa podemos estar certos. Não se usa mais o suicídio como recurso político, tenha Getúlio se suicidado ou não. Hoje, as pessoas se suicidam politicamente, assaltando os cofres públicos e outros dizendo que não sabiam, ou os inocentando.

Vejam o que ocorreu ontem na Câmara dos Deputados. Uma jovem senhora recebeu uma propina, um jabá, um por fora, tempos atrás e alega que, por não ser uma deputada, na época, isto seria normal. Depois de passar numa catedral de Brasília e se confessar, acreditou, com o cumprimento da penitência, que foi de quatro pai-nossos e dez ave-marias, que não havia mais culpa nenhuma em cima dela. Candidatou-se a deputada e venceu. Que crime há nisso? Roubou, o padre e o povo perdoaram. Como poderia ela ser condenada, por um crime que fez muito antes de ser eleita?

Criou-se então a moral datada. Erros do passado, como os crimes nos Códigos, prescrevem. Ou seja, alguém pode sempre se arrepender ou pagar por eles e ficarem quites com a sociedade. O problema disto tudo é fixar a data. Eu quando era menina lá em Bom Conselho, vivia suspirando quando o Leninho passava, sabendo que ele tinha namorada. Será que hoje ainda devo ser punida por isso? Os deputados que absolveram a Jaqueline Roriz, diriam que não, pois hoje eu só suspiro por meu velho.

Quando se trata de política, a grande questão que se coloca, além da data, é quem deve perdoar, e como representantes do povo, que foi o mais atingido, jamais eles poderiam ter absolvido a moça.

Ainda bem que este gesto de boa vontade foi cometido por suas excelências em agosto, o mês do suicídio, político. Se dependesse de mim, nas próximas eleições todos eles seriam enterrados, e com pouca semelhança com o Getúlio, que saiu da vida, para entrar na História. Suas excelências devem sair para lata do lixo.”

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Tá tudo errado?



Por Zezinho de Caetés

Começo esta postagem sem saber o que dizer, a não ser, perguntar, como no título: “Tá tudo errado?”. Diferente da música que lembro que afirmava: “Tá tudo errado, compadre; tá tudo errado; ....”, eu começo com uma pergunta. Porque, como sofro ainda do complexo de vira-lata, fico ainda em dúvida se tudo deu certo nos Jogos Olímpicos.

E não é só com o jogos que minha mente se esvai em dúvidas, pois este já foi consagrado pela imprensa mundial e quem perdeu foram os americanos que mentiram. Vi também que o surto de zika, agora, está maior em Miami do que no Rio. E, admirem, as mulheres brasileiras ricas que emigraram para lá, com medo do mosquito, agora estão voltando para o Brasil.

E, além de dúvida, estou com medo. Com medo que a ex-presidenta volte. Não posso nem ouvir falar nisso que fico arrepiado. Já pensou mais 2 anos de Dilma? Ela promete que ficará pouco, só o tempo de fazer um plebiscito, para que haja eleições gerais, e o povo descida quem é que quer que governe. Ora, nem ela mais acredita que o povo já fez isto, e esta proposta é apenas um reconhecimento do quanto mentiu para ele.

No entanto, penso eu, que nenhum senador mais, ficará maluco. Basta o quinteto abilolado, que talvez seja o único que votará a favor da Dilma no julgamento, para sobreviver. O senador que não precisa disto para sobreviver, não votará pelo impeachment por vergonha, e não por mérito.

E, como sói acontecer, sai os jogos e entra o julgamento, como assunto relevante. E a partir de quinta-feira, de olho vidrado em Brasília, queremos ver o Brasil ser passado a limpo, trocado e perfumado, longe do PT. Tenho certeza que ganharemos a medalha de ouro do bom senso político, neste país tão carente dele.

Dizem que na próxima segunda-feira, o Michel Temer receberá os atletas olímpicos em Brasília. Espero que ele aproveite e fale com a medalhista de ouro do judô para ela lhe ensinar uns bons golpes, que ele deveria aplicar em quem ainda falar em Dilma. Não espero que haja entre eles um Vampeta para rolar pela rampa e dar-lhe mau exemplo.

Ele parece que desistiu de falar no dia 7 de setembro, em cadeia (sem trocadilhos) de rádio e TV, penso eu, com medo de panelaço. Dizem que fará um discurso no dia após o afastamento da ex-presidenta desistenta. Se for de surpresa melhor. Evitemos marolinhas.

E, para prestar um serviço de utilidade pública todo o programa da nossa olimpíada política maior, o julgamento do impeachment, para que seja seguido por todos, e que consta da resposta do Senado e da Câmara dos deputados, em resposta à indagação matusquela da OEA que indaga sobre a legitimidade do processo de impeachment, pode ser visto aqui.


Chamá-lo de golpe, é a mesma coisa de chamar o encerramento dos jogos de desfile de Escola de Samba, porque havia um carro alegórico. Isto é coisa do PT.