Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A semana - Dilma perdeu a presidência do BB, mas, o Dunga vem aí...




Por Zé Carlos

Se eu disser que o Brasil é o país da piada pronta posso até ser processado mais uma vez, agora por plagiar o Zé Simão ou o Macaco Simão, como queiram. Por isso apenas concordo com ele. Mas vejam se não é para morrer de rir, depois que já estamos rindo freneticamente pela demissão do Felipão e do Parreira, saber que o novo coordenador técnico de futebol é um ex-goleiro que não entende nada de administração, a não ser cuidar da carreira de Adriano? Sim, aquele mesmo que ainda está tentando se ajustar na vida para voltar ao futebol. E tem mais, dizem que o novo técnico da seleção será o Dunga. Pode? Que Deus nos proteja de tanto riso e de tanta alegria, com estes mais de mil palhaços no salão. Somente ter que aturar os novos modelitos do Dunga, feitos por sua filha, na beira do campo, o riso nos levará ao choro.

E assim foi a semana que passou. Simplesmente, hilariante. Além de aguentar terem dado a Messi o título de melhor jogador da Copa, temos que aturar a briga entre oposição e o governo para ver quem é culpado pelo aconteceu na Nela das Nelas. Não houve nunca, na história deste país, tamanha injustiça. O melhor jogador foi um holandês, o Roben, que não chegou a fazer exame antidoping, porque chamaram um mecânico para ver qual a qualidade do motor que ele usava, e estava tudo legal. Deveria ser um motor alemão. E quanto à culpa do que aconteceu dentro e fora do campo, a culpa é do povo. Viva o Povo Brasileiro! Que ficou mais pobre com a morte do João Ubaldo Ribeiro.

E eu ainda não toquei nem nos assuntos abordados pelo UOL, no filme abaixo, que tenta resumir, com humor, a semana passada. Antes disso ainda só resta salientar coisas que aconteceram no mundo e não no Brasil, mas que nos levaram pelo menos a fazer um ar de riso.

Primeiro foi a chegada e a festa da seleção alemã em Berlim. Depois da queda do muro os alemães estão quase iguais aos brasileiros, chegados a uma piada e a uma irreverência. Disseram, em relação à Argentina que os “gaúchos” vivem abaixados e eles vivem em pé. Os argentinos se zangaram, até descobrirem a situação de sua economia. Estão devendo a Deus e ao mundo e dizem que não vão pagar porque tem o apoio de Deus com a ajuda do Papa Francisco. O riso é pelo número de calotes que a Argentina já deu nos últimos tempos. Nem o Brasil empresta mais dinheiro. Nem os BRICS aceitaram sua companhia.

 E, aproveitando o ensejo, e já entrando num dos temas abordados pelo filme, foi criado o Banco dos BRICS (sigla para mostra o bloco de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e South Africa, e coloco no nome em inglês porque em português seria BRICA, que pode resultar em mil trocadilhos, e não é motivo para BRICAdeira), que visa favorecer eles mesmos e fugirem da influência do FMI. Eu não sei porque, pois dizem que o Lula pagou tudo que lá devíamos. Vai ver ele não sabia que havia uma conta secreta que não foi paga. No entanto, dizem que houve uma briga danada, porque os outros países não queriam usar a sigla BB, que Dilma propôs. Ou seja, ela queria fazer o mesmo que faz com o BB daqui, que serve mais ao governo do que ao Brasil.

Outro fato que não era para rir, pois nunca podemos rir de guerras, foi invasão de Israel à Faixa de Gaza. Eu, sem querer ser politicamente correto, confesso que ri, não do fato, mas, de sua repetição. Ri quando perguntei, “de novo?”. Quando vi o desastre comecei a chorar.

No entanto, onde realmente estrebuchei de ri foi quando o Eduardo Campos, nosso (do estado) representante na seleção de candidatos dizer que o mensalão era a mesma coisa que a compra de votos do FHC para a reeleição. Eu penso que o Eduardo ou tira o Lula da cabeça ou poderá se comprometer, com este tipo de resposta, que o Aécio adorou para brilhar dando a resposta quase correta para o fato, dizendo mais ou menos que na Papuda não existe ninguém preso por ter comprado voto para a reeleição. Já para o mensalão! Bem, mas, para todos, a principal ação nesta campanha é tentar soltar o rabo deles ou dos seus apoiadores. Dizem que os marqueteiros está fazendo das tripas coração para não deixar nenhum rabo preso. Acho que vai ser difícil. Eles devem estar colados com Tenaz, produto do qual agora me lembrei da propaganda que dizia: “Cole com Tenaz e descole se for capaz”, e haja riso. Hoje tudo é propaganda mesmo. O pior castigo para os políticos é a prisão de rabos. A internet mostra todos os nós que foram usados em suas amarrações, são verdadeiros “nós cegos”.

No caso de hoje, penso que o filme foi invertido, porque é muito difícil ir em frente, a partir do primeiro tópico hilário abordado, sem morrer de rir. Ele mostra a constatação de que nosso Congresso está mais mais vazio do que a Arena Pernambuco em jogo do campeonato pernambucano. E dizem que isto irá até as eleições. E o risco de morte por alegria é porque o filme também fala que os congressistas não terão nenhum desconto no salário. Mas, respirem fundo e continuem, isto é o Brasil, o país do futebol (vamos ser otimista, o Dunga vem aí).

Bem, até acho que já me estendi demais, e espero que todos vejam o filme e comecem bem a semana, rindo sempre, que é o melhor remédio que ainda não foi proibido pela Anvisa. Vejam abaixo o resumo do roteiro e vão em frente.

“A Copa do Mundo acabou, mas não no Congresso. Os parlamentares esticaram o clima de festa do Mundial e só devem votar projetos importantes em agosto.

Nas sabatinas com os candidatos a presidente realizadas pelo UOL, pela “Folha de S.Paulo”, pelo SBT e pela rádio Jovem Pan, Eduardo Campos (PSB) comparou o mensalão com a suspeita de compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), nos anos 90, e disse que não teve envolvimento com os casos; Aécio Neves (PSDB) afirmou que não houve corrupção no Congresso no governo FHC.

Por sua vez, a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, negou que o Brasil tenha sido obrigado a ceder à Índia a presidência do banco criado pelos Brics, grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.”


sábado, 19 de julho de 2014

Testemunhos do Vovô Zé - A Copa do Mundo não é nossa...


Vovó Marli, Vovô Zé e Davi na Arena Pernambuco.


Por Zé Carlos

Muito tempo antes de poder encarnar o Vovô Zé eu vi minha primeira Copa do Mundo em 1958. Da anterior, de 1954, que, hoje sei, foi ganha pela Alemanha, eu não me lembro de nada pois tinha apenas 6 anos. Por isso tenho dúvidas se o Davi, meu neto mais velho e quase com a mesma idade, lembrará de sua primeira Copa. Eu, sinceramente, espero que não. O desastre da seleção brasileira em 2014 contrasta em tudo com sua vitória em 1958.

Naquele ano, ainda em Bom Conselho, mesmo sem TV Digital, nem 4K, e mesmo sem TV nenhuma, foi o rádio que me fez despertar para o esporte que aprendi a praticar lá na Rua da Cadeia. Não havia meia furada que não fosse reaproveitada ou reciclada para os jogos de rua. Campo de futebol, para mim na época, nem pensar. No máximo íamos até à rua de Maneléu (hoje XV de Novembro) jogar numa areinha fofa que existia por lá, na qual os cavalos pisavam e faziam suas necessidades no domingo, dia em que lá se transformava num prado.

E neste ano de 1958, a seleção brasileira fez despertar na criançada o desejo de se tornar grandes jogadores de futebol, e eu era um deles. Times e mais times surgiram e quem não tinha um tratou de criar ou procurar os donos da bola para entrar num deles. Mas, voltando à copa em si, mesmo pelo rádio, tudo foi uma festa do começo ao fim. O Brasil foi ganhando dos austríacos, russos, franceses e finalmente dos suecos, e mesmo empatando com os ingleses, a Copa do Mundo era nossa. Quem, de minha geração não lembra daquela música, que dizia:

A Copa do Mundo é nossa
Com brasileiro, não há quem possa...?

Os meus olhos de criança brilhavam diante da espontaneidade das comemorações, do carnaval que se formou num domingo de julho, em nossa cidade. Lembro como um sonho, hoje um sonho do Vovô Zé. Naquela época eu era o Garrincha, jogador que mais admirava depois de Gilmar, quem não pude ser porque me convenceram que eu era baixinho para a posição de goleiro. Fiquei na ponta direita mesmo, onde ainda jogo, nunca gostei da esquerda.

Meu neto Davi, e agora também o Miguel, influenciados por nossa Copa recente, já são absolutos admiradores do esporte mais popular no Brasil. No início da Copa ambos queriam ser Neymar. Depois do jogo contra o Chile, ambos queriam ser Júlio César e Davi Luis. Até irmos ao jogo Alemanha x Estados Unidos na Arena Pernambuco. Eles brigaram para ver quem era Neuer, o goleiro alemão. Depois do desastre do Mineirão brigaram para ser o Close, centroavante alemão. E agora vocês imaginam quem eles querem ser? Qualquer um menos um brasileiro. Ainda insisti em Neymar, mas, o Miguel me falou que ele estava doente.

E doente ficamos todos nós com a perda do tão falado hexa, menos o Vovô Zé, que já é hexa há muito tempo. E os meus netos também, pois ambos torcem pelo Náutico. E um dos grandes problemas que tenho hoje é como convencê-los a continuar torcendo pelo nosso timbu que hoje mais parece o Íbis de tanto perder. Para salvar este dois torcedores ainda alvirrubros hoje tenho um argumento forte: Não me lembro de nenhuma vez que o Náutico tenha perdido de 7x1, como o fez nossa seleção este ano.

Mesmo diante do desastre futebolístico de nossa seleção, o Vovô Zé teve uma das copas mais felizes, fora do campo. Quase todo o tempo passei com os netos, e até indo à Arena Pernambuco pela primeira vez, e talvez única. Fui com o Davi e pude constatar seus grandes conhecimentos futebolísticos, obtidos dos álbuns de figurinhas (que o Vovô Zé e a Vovó Marli ajudaram a preencher ganhando nosso tempo nos troca-trocas da vida), programas de TV e jogando com a garotada:

- Davi, quem é este que está com a bola?

- Vovô Zé, tu és burro? É o Schweinsteiger!!! (Fui à internet para escrever o nome corretamente)

Quando da horrível ocasião do desastre do Mineirão estávamos separados. Eles em Caruaru e eu no Recife. Depois do quinto gol da Alemanha eu fiquei receoso que o Davi começasse a chorar com a decepção em relação à seleção. Liguei para ele pelo telefone e dei uma de avô que não pode ver neto sofrer nem quando faz gol contra, para dizer que não se preocupasse que futebol é para ganhar ou perder, e mais algumas bobagens que tentam dourar à pílula, mesmo sabendo que ela dói para ser engolida. O diálogo foi mais ou menos assim:

- Oi Davi, estás vendo o jogo?

- Estou, Vovô! Eu e o Miguel já estamos torcendo pela Alemanha!

- Boa, Davi! Viva a Alemanha!

Como invejei ser criança e resolver assim todos os problemas. Esta talvez tenha sido a melhor solução para não continuar tão triste quanto em outras copas, com seleções melhores e que perdemos também. Sei que nem sempre podemos mudar de lado quando perdemos, mas, quem era eu naquele momento para aconselhar meu neto a torcer pelo Brasil? Talvez faça isto na próxima Copa lá na Rússia. Espero que o Davi e o Miguel já tenham esquecido a de 2014.

P.S.: O ar triste do Davi na foto ilustrativa talvez fosse uma premonição do que iria ocorrer com a seleção brasileira, dias depois. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Os Canos de Dom Helder.




Por Carlos Sena (**)

Dom Hélder entrou pelo cano das injustiças do país que lhe calou a boca por longo tempo.

Entrou pelo cano de parte do próprio clero. Este, insatisfeito em função de seu trabalho com as comunidades de base fora dele se afastando, certamente por conta dos rumores de que o comunismo tinha em Dom Helder, equivocadamente, um forte aliado.

Entrou pelo cano quando teve que engolir, aparentemente calado, a morte de Padre Henrique, seu principal sacerdote na luta contra a ditadura.

Entrou pelo cano da insolência burguesa do Recife que tentou comprar suas convicções cristãs "ofertando-lhe" uma Mercedes BENZ no dia da sua entronização arquidiocesana.

Entrou pelo cano quando, pela sua amizade e prestígio pessoal com Paulo VI, teve que enfrentar a ira dos padres conservadores da arquidiocese de Recife e Olinda.

Entrou pelo cano quando foi proibido de se expressar no Brasil via jornais, TV, palestras, etc. Em contrapartida o mundo inteiro lhe convidava para falar da sua fé e do seu compromisso com os pobres, especialmente os da América Latina.

Certa feita, teria dito ao Papa Paulo VI que vendesse a Capela Sistina do Vaticano e desse o dinheiro aos pobres. Também, mais uma vez, entrou pelo cano da intolerância brasileira por gozar dessa intimidade papal.

Após a revolução, mais um cano, dentre tantos: um taxista se deparou com ele dentro do seu taxi. Desmontou num choro. Dom Hélder indagou os motivos daquele pranto ao que o motorista respondeu: durante a ditadura fui pago a peso de ouro para lhe conduzir e dar cabo da sua vida. Hoje lhe vendo diante de mim sinto como eu teria sido injusto se tivesse lhe assassinado. O Dom apenas passou a mão na cabeça e disse "se quiser faça isso agora". Mas a viagem terminou em paz, nesse cano que lhe era reservado.

Poderia relatar vários outros "canos" que ele, na defesa dos pobres e de uma igreja libertadora, teria firmemente enfrentado. O tempo passou. Dom Hélder, finalmente entrara noutro cano: o clero conservador e os políticos da ditadura evitaram (manobra política) que o Estado do Vaticano lhe concedesse o Cardinalato. Mas ele, segundo se noticia, morreu como Cardeal IN PECTORE*, por uma deferência do clero romano e exigência do Papa.

Assim, com a noticia da sua CANONIZAÇÃO, certamente que ele entrará no "cano" da merecida santificação. O céu vai cair em festa regada a frevo e maracatu, baião de dois e bandeirolas de renda CEARENSE.

(Depois eu volto com mais Cano do Vati).
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* In pectore, literalmente "do peito", é um termo latino empregado para designar um cardeal que o Papa nomeou e cujo nome não tornou público.

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(**) Publicado no Recanto de Letras em 29/05/2014

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Para não dizer que não falei de futebol




Por Zezinho de Caetés

Para aqueles que pensam que, no Brasil, futebol não tem nada com política, falar de futebol agora já cansa. Mas, para quem, como eu, pensa que tem tudo a ver, a coisa é diferente. Da última vez que escrevi sobre a “Copa das Copas” (entre aspas mesmo, para mostrar que a expressão hoje tem apenas o significado figurativo que a Dilma tenta dar) ainda estava em ebulição. Tal qual um profeta, previ que se a gerenta presidenta comparecesse ao Maracanã iria ser xingada e vaiada. Não deu outra. A “elite branca” atacou de novo, e, queira Deus ataque em outubro na urna. Só sinto as urnas modernas não usarem papéis para escrever neles as letrinhas mágicas mais usadas nos estádios atualmente: VNTC.

A partir de agora, no entanto, é normal que se esmaeçam os escritos sobre futebol e cresçam os que falam de política. Para não perder o hábito encontrei um texto, que abaixo transcrevo de um grande escritor latino-americano, o Mário Vargas Llosa, que aborda as duas coisas de uma forma genial (site do El País em 12/07/2014), e que ele intitulou de: “A máscara do gigante”. Não é preciso concordar com ele em tudo, se concordamos no essencial: Foi o Lula quem levou este país à situação de descalabro econômico e moral em que o país se encontra, e que respingaram por todos os setores, inclusive o futebol. Portanto, não é uma novidade que hoje, estejamos dando vivas à Alemanha e chorando pela humilhação que ela nos proporcionou dentro do campo. E nem pensemos fora do campo, porque poderíamos ter um enfarto do miocárdio.

Arriscando cair aqui durinho pelas falhas do velho coração tenho que pensar. Num país onde uma presidenta está tentando ser reeleita apenas por aumentar o número de pobres dependentes do Bolsa Família, não pode ganhar da Alemanha, e, se ganhou do Chile foi graças à sorte que temos por acreditarmos que Deus é brasileiro. Eu mesmo já duvido disto, pois sei se a Dilma ganhar as eleições, Deus já está com o processo pronto para se naturalizar alemão. No Brasil de hoje a classe média ganha menos do que o salário mínimo, e o lulopetismo se jacta de ter mudado o Brasil e o livrado da miséria. Enganação tem um limite, que os próprios bolsistas familiares já estão descobrindo. Quando eles vão com suas bolsinhas ao mercado já veem que elas não valem mais no fim do mês quanto valiam no início.

Para quem leu um livro todo de economia na vida, e isto, tenho certeza não se aplica a Lula nem a Dilma, sabe que não há escapatória para determinadas leis. Sem crescimento e aumento de produtividade, qualquer ganho extra por parte de um grupo será comido cedo ou tarde pela inflação. Nós, já de uma certa idade, que alcançamos o Plano Cruzado, sabemos disto. Precisamos avisar aos nossos filhos e netos do que éramos, antes do Plano Real, ao qual o PT foi contra, e que nos livrou deste grande mal, e que hoje está sendo vilmente solapado por este governo.

As coisas estão mudando tão rapidamente que agora estou usando o sistema de PS (Post Scriptum) para desdizer ou afirmar o que disse antes (agradeço ao Zé Carlos por publicar). Estou escrevendo antes de qualquer pesquisa eleitoral ser conhecida. Com a força das minhas profetizações eu digo: A gerenta presidenta vai cair, embora não saiba se outros vão subir. Espero que antes de outubro ela chegue ao chão e que venha o Lula, para talvez dar uma palavrinha sobre os resultados de sua “Copa das Copas”. Pelo jeito ele vai dizer que não sabia ou, como é do seu feitio, vai dizer que dos gols da Alemanha, 6 foram em posição de impedimento e que somos campeões morais. Mas, o povo já sabe que imoralidade tem um limite.

Fiquem com o Vargas Llosa, que mostra muito melhor do que eu em que se transformou nosso gigante pela própria natureza, impávido colosso, corroído e mal tratado pelo PT.

“Fiquei muito envergonhado com a cataclísmica derrota do Brasil frente à Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, mas confesso que não me surpreendeu tanto. De um tempo para cá, a famosa seleção Canarinho se parecia cada vez menos com o que havia sido a mítica esquadra brasileira que deslumbrou a minha juventude, e essa impressão se confirmou para mim em suas primeiras apresentações neste campeonato mundial, onde a equipe brasileira ofereceu uma pobre figura, com esforços desesperados para não ser o que foi no passado, mas para jogar um futebol de fria eficiência, à maneira europeia.

Nada funcionava bem; havia algo forçado, artificial e antinatural nesse esforço, que se traduzia em um rendimento sem graça de toda a equipe, incluído o de sua estrela máxima, Neymar. Todos os jogadores pareciam sob rédeas. O velho estilo – o de um Pelé, Sócrates, Garrincha, Tostão, Zico – seduzia porque estimulava o brilho e a criatividade de cada um, e disso resultava que a equipe brasileira, além de fazer gols, brindava um espetáculo soberbo, no qual o futebol transcendia a si mesmo e se transformava em arte: coreografia, dança, circo, balé.

Os críticos esportivos despejaram impropérios contra Luiz Felipe Scolari, o treinador brasileiro, a quem responsabilizaram pela humilhante derrota, por ter imposto à seleção brasileira uma metodologia de jogo de conjunto que traía sua rica tradição e a privava do brilhantismo e iniciativa que antes eram inseparáveis de sua eficácia, transformando seus jogadores em meras peças de uma estratégia, quase em autômatos.

Contudo, eu acredito que a culpa de Scolari não é somente sua, mas, talvez, uma manifestação no âmbito esportivo de um fenômeno que, já há algum tempo, representa todo o Brasil: viver uma ficção que é brutalmente desmentida por uma realidade profunda.

Tudo nasce com o governo de Luis Inácio 'Lula' da Silva (2003-2010), que, segundo o mito universalmente aceito, deu o impulso decisivo para o desenvolvimento econômico do Brasil, despertando assim esse gigante adormecido e posicionando-o na direção das grandes potências. As formidáveis estatísticas que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística difundia eram aceitas por toda a parte: de 49 milhões os pobres passaram a ser somente 16 milhões nesse período, e a classe média aumentou de 66 para 113 milhões. Não é de se estranhar que, com essas credenciais, Dilma Rousseff, companheira e discípula de Lula, ganhasse as eleições com tanta facilidade. Agora que quer se reeleger e a verdade sobre a condição da economia brasileira parece assumir o lugar do mito, muitos a responsabilizam pelo declínio veloz e pedem uma volta ao lulismo, o governo que semeou, com suas políticas mercantilistas e corruptas, as sementes da catástrofe.

A verdade é que não houve nenhum milagre naqueles anos, e sim uma miragem que só agora começa a se esvair, como ocorreu com o futebol brasileiro. Uma política populista como a que Lula praticou durante seus governos pôde produzir a ilusão de um progresso social e econômico que nada mais era do que um fugaz fogo de artifício. O endividamento que financiava os custosos programas sociais era, com frequência, uma cortina de fumaça para tráficos delituosos que levaram muitos ministros e altos funcionários daqueles anos (e dos atuais) à prisão e ao banco dos réus.

As alianças mercantilistas entre Governo e empresas privadas enriqueceram um bom número de funcionários públicos e empresários, mas criaram um sistema tão endiabradamente burocrático que incentivava a corrupção e foi desestimulando o investimento. Por outro lado, o Estado embarcou muitas vezes em operações faraônicas e irresponsáveis, das quais os gastos empreendidos tendo como propósito a Copa do Mundo de futebol são um formidável exemplo.

O governo brasileiro disse que não havia dinheiro público nos 13 bilhões que investiria na Copa do Mundo. Era mentira. O BNDES (Banco Brasileiro de Desenvolvimento Econômico e Social) financiou quase todas as empresas que receberam os contratos para obras de infraestrutura e, todas elas, subsidiavam o Partido dos Trabalhadores, atualmente no poder. (Calcula-se que para cada dólar doado tenham obtido entre 15 e 30 em contratos).

As obras em si constituíam um caso flagrante de delírio messiânico e fantástica irresponsabilidade. Dos 12 estádios preparados, só oito seriam necessários, segundo alertou a própria FIFA, e o planejamento foi tão tosco que a metade das reformas da infraestrutura urbana e de transportes teve de ser cancelada ou só será concluída depois do campeonato. Não é de se estranhar que o protesto popular diante de semelhante esbanjamento, motivado por razões publicitárias e eleitoreiras, levasse milhares e milhares de brasileiros às ruas e mexesse com todo o Brasil.

As cifras que os órgãos internacionais, como o Banco Mundial, dão na atualidade sobre o futuro imediato do país são bastante alarmantes. Para este ano, calcula-se que a economia crescerá apenas 1,5%, uma queda de meio ponto em relação aos dois últimos anos, nos quais somente roçou os 2%. As perspectivas de investimento privado são muito escassas, pela desconfiança que surgiu ante o que se acreditava ser um modelo original e resultou ser nada mais do que uma perigosa aliança de populismo com mercantilismo, e pela teia burocrática e intervencionista que asfixia a atividade empresarial e propaga as práticas mafiosas.

Apesar de um horizonte tão preocupante, o Estado continua crescendo de maneira imoderada – já gasta 40% do produto bruto – e multiplica os impostos ao mesmo tempo que as “correções” do mercado, o que fez com que se espalhasse a insegurança entre empresários e investidores. Apesar disso, segundo as pesquisas, Dilma Rousseff ganhará as próximas eleições de outubro, e continuará governando inspirada nas realizações e logros de Lula.

Se assim é, não só o povo brasileiro estará lavrando a própria ruína, e mais cedo do que tarde descobrirá que o mito sobre o qual está fundado o modelo brasileiro é uma ficção tão pouco séria como a da equipe de futebol que a Alemanha aniquilou. E descobrirá também que é muito mais difícil reconstruir um país do que destruí-lo. E que, em todos esses anos, primeiro com Lula e depois com Dilma, viveu uma mentira que seus filhos e seus netos irão pagar, quando tiverem de começar a reedificar a partir das raízes uma sociedade que aquelas políticas afundaram ainda mais no subdesenvolvimento. É verdade que o Brasil tinha sido um gigante que começava a despertar nos anos em que governou Fernando Henrique Cardoso, que pôs suas finanças em ordem, deu firmeza à sua moeda e estabeleceu as bases de uma verdadeira democracia e uma genuína economia de mercado. Mas seus sucessores, em lugar de perseverar e aprofundar aquelas reformas, as foram desnaturalizando e fazendo o país retornar às velhas práticas daninhas.

Não só os brasileiros foram vítimas da miragem fabricada por Lula da Silva, também o restante dos latino-americanos. Por que a política externa do Brasil em todos esses anos tem sido de cumplicidade e apoio descarado à política venezuelana do comandante Chávez e de Nicolás Maduro, e de uma vergonhosa “neutralidade” perante Cuba, negando toda forma de apoio nos organismos internacionais aos corajosos dissidentes que em ambos os países lutam por recuperar a democracia e a liberdade. Ao mesmo tempo, os governos populistas de Evo Morales na Bolívia, do comandante Ortega na Nicarágua e de Correa no Equador – as mais imperfeitas formas de governos representativos em toda a América Latina – tiveram no Brasil seu mais ativo protetor.


Por isso, quanto mais cedo cair a máscara desse suposto gigante no qual Lula transformou o Brasil, melhor para os brasileiros. O mito da seleção Canarinho nos fazia sonhar belos sonhos. Mas no futebol, como na política, é ruim viver sonhando, e sempre é preferível – embora seja doloroso – ater-se à verdade.”

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O Sofá do Político Nosso de Cada Dia.




Por Carlos Sena (*)

Tem gente que só sabe postar matéria contra o governo. Se fosse de outro partido que não o PT seria a mesma coisa. Porque o mal não se resolve com mudança de partido, mas com uma profunda Reforma Política.

Esse meu entendimento se finca em coisas simples e práticas, tais como: 

1. Quando um empresário investe milhões para a campanha de um candidato, não é porque ele seja bonzinho e demonstre sentimento pátrio com isso. Se o candidato for eleito, amanhã ou depois ele vai buscar com juros o que investiu. De que forma? Tomando por exemplo um empresário de supermercado ele vai buscar apoio do "seu" parlamentar para, por exemplo, para não fazer cumprir as determinações da vigilância sanitária, ou os 15 minutos da lei municipal que garante apenas esse tempo de espera na fila. O supermercado é fechado, mas no outro dia ele fica aberto!

2. Quando o candidato é rico e gasta seus milhões com sua eleição, também vai buscar esse custo de alguma forma. Nomear parentes é uma; criar dificuldades pra vender facilidades é outra; corrupção ativa e passiva e assim por diante. 

3. Internamente os candidatos fazem dobradinha financeira: um candidato a deputado estadual recebe dinheiro de outro candidato a federal para pedir votos no seu reduto eleitoral. Internamente, há outras negociatas para a maximização do caixa 2, até mesmo um se passando por apoiar outra legenda só pra não dar na cara esses acordos.

4. Negociatas de candidaturas sem chance - as chamadas nanicas, só pra servir de rodo para outro candidato.

Essa talvez seja a mais importante etapa de uma reforma política. Mas, sozinha, cai no mesmo dilema que nos encontramos agora, pois ela precisa de ser composta no viés do voto distrital e da fidelidade partidária.

O voto distrital, porque "amarra" os candidatos a um reduto eleitoral onde se imagina que o postulante tenha serviços prestados ou, no mínimo, um bom relacionamento com a comunidade. Depois de eleito, o "distrito" que o elegeu saberá cobrar os compromissos assumidos na campanha, etc.  A fidelidade partidária, por sua vez, ajuda a definir a estrutura de ideias que o partido defenderá. Evita, sobremaneira, os candidatos oportunistas. Evita, acima de tudo, que os partidos virem "balaios de gatos" abrigados via COLIGAÇÃO em determinadas siglas partidárias que não as suas, mas servem para as negociatas. A inexistência de Fidelidade Partidária leva os parlamentares a mudarem de partidos sempre que se sentirem com seus interesses contrariados. Porque o que importa não é o partido, mas os jeitinhos que foram dados para que a coligação acontecesse.

Quando a fidelidade partidária existe, as negociadas dificilmente ocorrem. Porque os partidos são obrigados a colocar pra fora os infiéis. É a fidelidade partidária quem consolida os partidos, embora não esteja ela atrelada ao financiamento público de campanha.

Portanto, devemos lutar por uma reforma completa: com financiamento público de campanha, com voto distrital e com fidelidade partidária. Sem isso tudo fica como antes. E, como dissemos, o voto noutros candidatos será apenas a "troca do sofá" porque o amante será o mesmo e só contará com o inconveniente que é chifrar sem sentar no sofá.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 25/05/2014