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sexta-feira, 24 de março de 2017

Todos sabiam de tudo, inclusive a Dilma...




Por Zezinho de Caetés

Já estou concentrado para as manifestações do próximo domingo. Sei que elas não serão monstruosas como a de 2013 devido à discordância sobre alguns temas, por parte das pessoas que hoje querem ver Lula, Dilma e o PT pelas costas (talvez 90% dos brasileiros)  .

Penso que a maior clivagem vem das medidas impopulares que são necessárias serem tomadas pelo governo Temer para que este país saia do pântano onde o PT nos colocou.

A principal delas é a Reforma da Previdência. Ora, se alguém perguntar se alguém gosta de tomar injeção, dificilmente alguém dirá que sim. No entanto, quando explicado o porquê que devem tomá-la, a grande maioria entende, e aceita. A minoria, se for petista, se recusa para tomar o lugar do médico que receita a dose.

O que se vê sobre a Reforma nas redes sociais e na mídia, é um conjunto tão grande de mentiras que faria o nariz do Pinóquio dar a volta ao mundo. E já que falei em mundo, quem está fora do Brasil ainda acredita que o impeachment da incompetenta Dilma foi um golpe.

A Reforma da Previdência é tão necessário quanto o foi a PEC do Teto, pois uma depende da outra. Será que elas são indolores? Claro que não! Injeção sempre doe um pouco. O importante é que cure o doente. No entanto, ninguém gosta de sentir dor. Principalmente, quando, por 13 anos, pregou-se a mentira de que ninguém precisava de tomar injeção. Isto era uma história da “elites”.

Agora, tenham cuidado todos, com as atitudes de Lula, com medo de encarar o Sérgio Moro, porque ele pode querer com esta sua candidatura a presidente, trocar agora o líquido da seringa, e sei lá, o que ele vai colocar, para continuar reinando. O importante agora é apoiar as reformas em geral, principalmente a trabalhista. Ontem, já se deu um grande passo aprovando-se um projeto de terceirização que mofava no Congresso fazia anos.

E aí começamos a reforma trabalhista. Mas, necessitamos muito mais. Eu só não sei se o Temer terá forças para conseguir fazer este bem ao Brasil, mas, pelo que vi até agora, tudo indica que sim, embora, sei que não aparecerá um cartaz amanhã dizendo “Viva Temer!”. Isto só aconterá, se ele tiver força para fazer o que se propõe, nos livros de História.

Neste final de semana de concentração, não posso deixar de tocar no que foi o tema político mais relevante no momento, além da posse do Alexandre de Moraes, que, segundo dizem, as autoridades pagaram R$ 350,00 por cabeça, para participar da festa. Dizem ainda que foi uma festa tão concorrida que a fila dos cumprimentos durou mais de 3 horas. Mas, o tema de que falo não foi este.

O assunto, que penso entrará pelo dia de hoje, pelo menos pelas manchetes dos jornais (“Dilma sabia de caixa dois, afirma Marcelo Odebrecht” – Folha de São Paulo), é o vazamento da delação premiada do Marcelo Odebrecht, contando tudo. E, como já esperávamos, a Dilma e o Lula cada vez mais, sabiam de tudo. Além disto, a inocenta Dilma de uma vez por todas não se mostra tão inocenta assim, e parece estar envolvida até os cabelos da cabeça na maracutaia das eleições de 2014.

E assim, já temos mais um motivo para ir à avenida no próximo domingo, carregando um cartaz enorme onde se lê: “Eles sabiam de tudo!”. Quem sabe, de uma vez por todas os brasileiros chegam à conclusão de que o PT é uma carta fora do baralho, porque, trapaceou tanto que nem mais o baralho é aceito, mesmo, nas rodas de carteado mais sórdidas?


Enfim, com tudo isto, não espero tanta gente domingo, mas, quem for, pelo menos tem uma opinião comum: A Lava Jato fez e fará muito bem ao Brasil! Um cartaz de Viva Sérgio Moro, eu não levaria, mas, também não seria contra. Sabemos que estão nascendo muitos Sérgios Moros por este país a fora. O Brasil só tem que comemorar, embora com cuidado: Vai ser difícil encontrar algum congressista na manifestação. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

SEMANA DO SILÊNCIO


Semana Santa em Bom Conselho  (Fonte: Blog da CIT)


Por José Antônio Taveira Belo / Zetinho  

Aproxima-se a Semana Santa. Recordei sentado no silêncio da noite olhando para o céu escuro com algumas nuvens carregadas prenunciando chuva. No silencio o meu pensamento voltou-se para o meu torrão natal, Bom Conselho. A Semana era aguardada com ansiedade pelos moradores. E, comecei a recordar, o tempo de penitencia e observância no tempo quaresmal que a Igreja desejava para os fiéis e, que eram obedecidos rigorosamente. Lembro-me como coroinha que fui naquele tempo, às crianças que faziam parte das celebrações, andava por dentro da Matriz vendo os preparativos para o grande momento de sofrimento de Jesus. As imagens eram cobertas totalmente por pano de seda roxo, fornecido pelo grande benfeitor Gabriel Vieira Belo, que retirava da loja de tecidos que tinha no “quadro”.  

Deixando de lado, a segunda, terça e quarta feira, esta com a realização da grande feira onde os moradores saiam à rua para comprar o mantimento para os dias, da quinta, sexta e sábado, o pescado, o bacalhau, o bredo, o coco, o jerimum, o quiabo e maxixe, o arroz, a farinha e o feijão de coco e outras frutas para o domingo.
  
 Naquele tempo, a quinta feira santa, fazia-se silencio. O jejum e abstinência eram rigorosos. A oficina na Rua dos Correntões, hoje, Barão do Rio Branco, não fazia nenhum ruído, cessava a atividade do malho e martelo. Em casa a mamães se esmeravam, o dedo a toda hora diante dos lábios, para que as crianças não fizessem barulho. Era proibido gritar. Era proibido arrastar cadeira. Era proibido brigar com os irmãos, tudo era pecado assim explicava as mães aos filhos. Não castigava as crianças por nenhum motivo. O beliscão, o puxão de orelhas, o cocorote e bolos nas mãos eram cessados. A palmatoria era guardada na gaveta ou pendurada no lugar de costume, na parede.   

A igreja aberta pela sua porta lateral, onde alguns fiéis iam fazer suas orações e penitência no silêncio e na escuridão. Nenhuma vela ou mesmo luz era permitido. O tempo nublado e triste demonstrava algo que estaria para acontecer.  Ao meio do dia, a cidade parecia dormir. Nenhuma alma viva andava pela rua, todos recolhidos em suas moradias.  A cidade era um imenso velório guardado pela população. Cristo morrera. Os carros faziam silencio, não buzinavam.  As pessoas pareciam andar devagar pisavam mais suave. Falava-se baixinho para solicitar qualquer coisa. A notícia de uma morte neste dia, por brigas, isso horrorizava o povo. 

À tarde os paus de arara vinham carregados de pessoas que moravam na zona rural, nos sítios e fazendas, a maioria vestindo de preto, as mulheres, e os homens que tarja preta no braço direito denominado “fumo”.  

Sexta Feira então o silencio era total, não se ouvia nenhum ruído nem nas ruas e tampouco nas casas. O homem que fossem ao barbeiro, cortar o cabelo ou raspar a barba era admoestado, em voz baixa. Os meninos mais crescidos, principalmente aqueles que eram os coroinhas ouvia o Sermão da Paixão na Matriz, onde o padre Alfredo, bom orador, incisivo, severo nos conceitos e pronunciando vagorosamente as palavras num profundo respeito e silencio dos fies que lotavam a igreja. 

Por volta das três horas à população se aprontava para a procissão do Senhor Morto, pelas ruas da cidade acompanhando cotejo a banda de música da cidade, com um toque fúnebre que chegava muitas senhoras lacrimejar enxugando muitas das vezes com o véu ou chalé que cobria as cabeças das mulheres piedosas.  

Os garotos ansiosos para sair na procissão vestindo uma túnica branca representando os doze apóstolos, Cada um tinha uma faixa, cruzando o peito em varias cores, verde, azul, amarelo, rosa, verde escuro, amarelo claro, azul marinho, cinza, vermelho e a minha marrom, que ninguém queria sair com esta cor, pois se dizia que era cor de “judas”, que aperreio meu. A frente da procissão a cruz ladeada por dois homens com castiçais e velas acesas em duas filas indianas, ali estava o Apostolado da Oração, Legião de Maria, Vicentinos e seminarista capuchinhos todos tristemente acompanhando o corpo do Senhor Morto; A matraca soava com tristeza com o seu traque e traque pela mão do sacristão. 

No sábado o silencio continuava. E só depois de rompida a Aleluia, proclamada pelo padre, com judas malhado em toda parte da cidade, os sinos badalando, automóveis buzinando, os fiéis se abraçavam, uns ria outros choravam, pois corria na cidade a fama de que o padre não achasse a aleluia o mundo se acabaria, e a expectativa era grande nas pessoas.  

Às cinco horas da manhã a procissão da Ressureição, no domingo com muita afluência dos fieis que aguardava com ansiedade e, assim depois a cidade se movimentava onde muitos acorriam para bares e as famílias se reuniam em um almoço fausto, regada de vinho e outras iguarias.  


Então me recordei deste momento, que atualmente é ignorado por muitos católicos que não mais respeitam esta semana santa. 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Vamos reformar ou empurrar com a barriga?




Por Zezinho de Caetés

São tantos os assuntos importantes e polêmicos da política brasileira no momento, que fica difícil começar qualquer texto que pretenda abordá-la. Entre a continuação da “carne podre”, a capitulação do Temer na Reforma da Previdência, o eterno vazamento da Lista do Janot, ou o jogo de amanhã entre o Brasil e o Uruguai, não escolhi nenhum.

Referir-me-ei às manobras dos políticos para fugir da Lava Jato, que agora virou categoria olímpica no Congresso Nacional. Enquanto a Lista do Janot vaza, os congressistas inventam moda para fugir de suas consequências. Agora querem por que querem uma Reforma Política.

Transcrevo lá embaixo, um texto do Hubert Alquéres (“Expediente de ocasião” – Blog do Noblt de hoje), no qual ele toca em alguns detalhes do que os políticos querem fazer, por debaixo do pano. E além disso, mostra uma comparação entre o momento histórico atual em que tudo foi tentado de forma açodada e deu errado.

Mais uma vez agimos ao sabor da crise, e por que daria certo? Como poderia dar certo a aprovação de uma Reforma Política que prever financiamento público de campanha e voto em lista fechada,  num país com 35 partidos e sem controle nenhum no gasto das verbas públicas como está constatando as 1001 operações da Polícia Federal.

E ontem vi o Temer, coitado, tentando manter a compostura e dando desculpas esfarrapadas, para não incluir os Estados na Reforma da Previdência. Ora, se sem a PEC do Gasto, comprometeríamos o presente, sem a Reforma da Previdência comprometeremos o futuro de nossa gente. E a crise continuará, peronia secula seculorum .

Eu sei, e quem tem a mínima noção de Economia e também não quer enganar os outros por motivos eleitorais sabe, que depois da PEC dos Gastos, não fazer uma Reforma da Previdência, é apenas prever um vôo de galinha para aquela. E não é só a Previdência que preocupa. Enquanto estivermos com uma legislação trabalhista facista do século passado, é a nossa economia que nunca decolará.

Nossa Democracia tem apenas uns 25 aninhos, e saímos de uma ditadura que procurou fazer 50 anos em 5, como o Juscelino, com obras faraônicas, e teve que entregar o poder aos civis para eles tentarem corrigir as besteiras que fizeram. Então esqueçam soluções que passem pela caserna, pois não é rima e nem solução.

A solução é deixar a Lava Jato trabalhar, e que o STF acorde do seu sonho letárgico e se reforme, procurando fazer justiça, que pelo menos trate iguais como iguais e não como diferentes quando tem privilégios pela função que exercem, gerando a impunidade pelo tempo.

Talvez o Collor estivesse pensando na situação dele hoje, quando dizia “O tempo é senhor da razão!”. Apenas bastaria trocar o termo “razão” por “impunidade”, e ele estará com toda a razão.

Fiquem com o Hubert, e meditem sobre as várias saídas que estão tentando os nossos ilustres congressista para tirar o Brasil da.... , cala-te boca, olha o decoro!

“Em meio à renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, o jeitinho brasileiro levou nossas elites a adotar o sistema parlamentarista para contornar o conflito entre os militares, que não queriam a posse do vice João Goulart, e as forças perfiladas no respeito à legalidade e à Constituição.

Parecia uma obra de engenharia política. Evitava a iminência de uma guerra civil, com o risco da fratura das Forças Armadas, e observava a cadeia sucessória em sintonia com os preceitos legais.

Adotada de afogadilho como “solução” para uma questão meramente conjuntural, a instituição do parlamentarismo só empurrou a crise com a barriga.

Ela voltaria com força e, em janeiro de 1963, os brasileiros decidiram-se pelo retorno ao presidencialismo. O desfecho desse episódio, todos nós sabemos; a ruptura democrática de 1964 e 21 anos de ditadura no Brasil.

Lição da história: expedientes de ocasião não são solução, são parte do problema.  Só turbinam as crises.

O exemplo histórico se faz oportuno diante das articulações do mundo político para aprovar, à toque de caixa, uma “reforma política” com dois jabutis rejeitados amplamente no Congresso em outras oportunidades: o voto em lista e o financiamento de campanha.

Jabutis, não porque esses dois temas não possam constar de uma reforma consistente que aproxime o eleitorado de seus representantes e contribua para a oxigenação nacional.  Voto em lista e financiamento público de campanha existem em países de modelo bem mais saudável do que o nosso.

A discussão não é filosófica. Se fosse séria, a reforma arquitetada por parlamentares e políticos contemplaria também a adoção de um sistema de eleição proporcional baseada no voto distrital puro ou misto, e a imposição de cláusula de barreira capaz de debelar o caleidoscópio partidário, hoje composto por 35 legendas.

Abriria, ainda, caminhos para o Brasil marchar para o parlamentarismo - regime, sem dúvida, mais avançado e mais resiliente às crises.

Não são essas as preocupações dos partidos e dos parlamentares.  Estão focados apenas em como vão sobreviver à bomba atômica da lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A luz vermelha acendeu no julgamento do senador Valdir Raupp, com a decisão da Segunda Turma do STF de considerar como crime contribuições em Caixa 1 quando o recurso representar propina por vantagens indevidas.

Sobreviver significa se reeleger para continuar usufruindo do foro privilegiado.  Daí a engenhosidade: a carta na manga é o anonimato da lista fechada, onde os investigados da Lava Jato pretendem se esconder dos eleitores para conseguirem ser reeleitos.

O casuísmo do casuísmo. Na lista fechada teriam prioridade parlamentares com mandato. E como foram aferrolhadas as torneiras da contribuição empresarial, querem apelar para o meu, o seu, o nosso dinheiro - para usar palavras de parlamentares que há dois anos eram contrários ao financiamento público.

A lista fechada pressupõe a existência de partidos ideologicamente definidos e com visão programática.

Não é o caso do Brasil, com seus 35 partidos, uma geleia ideológica. Mesmo as principais siglas com um mínimo de definição – o PT e o PSDB – estão distantes de suas origens e se nivelaram por baixo.

É hora de voltar ao exemplo de 1961, quando uma ideia nobre, o parlamentarismo, foi vilipendiada e só ampliou a crise. Nas circunstâncias de hoje, a adoção do voto em lista e do financiamento público vai agravar a crise de representação, tornando abismal o fosso entre os eleitores e seus representantes.

Recentemente o Brasil recebeu uma lição de solidariedade dos nossos irmãos colombianos, na tragédia da Chapecoense. Pois bem, nossos políticos poderiam se espelhar no presidente da Colômbia, Manoel de Lo Santos.

Envolvido em denúncias de que suas duas campanhas receberam recursos ilegais da Odebrecht, De Lo Santos teve a coragem de assumir responsabilidades e pedir desculpas aos colombianos por “esse ato vergonhoso”.


Dá para esperar o mesmo de quem está preocupado somente em salvar a própria pele?”