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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Para o PT o Brasil é o gato que descomia dinheiro... Cuidado!




Por Zezinho de Caetés

Começada a campanha para as próximas eleições também já comecei a ficar, como o Demóstenes (não o do Cachoeira, mas, o grego mesmo) com uma lanterna, hoje elétrica e subsidiada para que a inflação não exploda de vez, procurando o que vem a ser a verdade e o que vem a ser a mentira. Isto não inclui o que diz o PT porque eu já sei que é tudo mentira. A dúvida fica é em relação aos outros que pretendem galgar seus cargos à cata das mordomias parlamentares e executivas.

Semana passada morreu mais um grande escritor brasileiro, o Ariano Suassuna, e, pelo jeito todos meu textos agora parecem ser necrológios literários, como foi o da semana passada sobre o João Ubaldo (aqui). Desta vez não encontrei um texto do Ariano que tivesse tamanho adequado para aqui ser comentado e apelei para um do jornalista Sandro Vaia (publicado em 25/07/2014 com o título de “Mistérios da mente”) que lida com a palavra “esquizofrenia”.

Segundo ele, e eu concordo, algumas ações do lulo/dilmismo, nos últimos tempos, beiram aos estados mais perversos da esquizofrenia, que ele diz ser uma palavra grega que significa “dividir a mente em duas”. Eu só discordaria do pouco número de divisões. Hoje o PT tenta dividir nossa mente em muitas partes, tantas quantas são seus candidatos e com quem se coligam. Hoje pode-se dizer da Dilma, o que há muito tempo o Lula disse dele mesmo, que é uma “metamorfose ambulante”. Se o jornalista Vaia chama isto de esquizofrenia, tem o meu completo apoio.

Não foi o PT que criou a mentira no Brasil, e não é dele o apanágio de tal façanha, afinal de contas, tanto o Pedro Malazartes quanto o João Grilo já a usavam com a maior desenvoltura. Lembram da história que este último contava aos trouxas, e que o Ariano descreveu tão bem em seu Auto da Compadecida, sobre o gato que descomia dinheiro? Vocês já pensaram que o Brasil hoje é o gato que o PT diz que descome dinheiro e tenta convencer os eleitores disto, enfiando o dedo no mesmo lugar onde o João Grilo colocava no gato para provar a sua tese? Se todos acreditarem nele a consequência será ficar com o fiofó igual ao do bichano, e esperando pelo milagre da “compadecida” que o PT quer vender também, que é a Dilma.

Por isso se criou a expressão usada por nossa amiga Lucinha Peixoto (onde estará ela? Faz falta) de que “quem tem fiofó, tem medo”. Se isto é verdade, pensem bem antes de votar este ano, para que o fiofó não doa. Pobre do gato do João Grilo. E o que é pior se formos muito interesseiros, iremos enterrar cachorro em latim ou em dilmês, como propôs o Grilo ao padre ambicioso no Auto da Compadecida.

E vocês já pensaram que, quando o Ariano escreveu o Auto falado acima, já havia criado o Lula. Vejam se há alguém mais parecido com o Chicó do que o meu conterrâneo. Pois ambos nunca sabiam de nada e se aproveitavam da boa fé do João Grilo. Não sei quem foi que disse que quando a esperteza é demais, come o próprio dono, e o Lula parece que já foi engolido por ela, ao vender postes que nunca deram a luz, ainda tenta vender outros lá pelas bandas de São Paulo.

Agora fiquem com o Sandro Vaia que mostra porque o PT é esquizofrênico político e tentem refletir em dar um remédio a ele no próximo outubro, internando-o num hospital onde só tenha médicos cubanos. (Vejam depois do texto um vídeo que mostra o que acontece com o bichano que descome dinheiro).

“A palavra esquizofrenia vem do grego e, simplificadamente, significa “dividir a mente em dois”.

Ela define um transtorno da mente que pode ser tratado farmacologicamente ou, dependendo do diagnóstico, por terapias psicanalíticas.

Há alguns tipos de esquizofrenia de natureza política que não estão classificados nos compêndios médicos e que jamais foram estudados - de forma que a cura se torna incerta, ou mesmo impossível, dependendo de sua origem.

Por exemplo: como se explica, clinicamente ou politicamente, todo o peso institucional com que o governo resolveu, no período pré-Copa, tratar os baderneiros que encheram as ruas e incendiaram, destruíram e saquearam bens públicos e privados, aos gritos de “não vai ter Copa”, ao mesmo tempo em que um dos seus ministros mais importantes, Gilberto Carvalho, da Secretaria da presidência, trocava receitas de quindim de côco com eles?

Como se explica que o ministro da Justiça desse mesmo governo tenha dito que “não toleraremos abuso de qualquer natureza, e as pessoas que praticarem ilícitos responderão nos termos da lei penal”, e que quando os termos da lei penal começam a ser aplicados, o presidente do partido desse mesmo governo proteste contra a prisão de quem praticou esses ilícitos?

O partido declarou em nota assinada pelo seu presidente que a prisão dos chamados “ativistas” (um jargão modelo 2.0) é “uma grave violação dos direitos e das liberdades democráticas”.

Esquizofrenia pura.

Aí as pessoas normais ficam sem saber se queimar, depredar, destruir bens públicos e privados e promover atos de vandalismo são “ilícitos penais” ou fazem parte dos “direitos e das liberdades democráticas”.

A prisão preventiva de 23 dos “ativistas”, que segundo a Justiça se reuniram para praticar ilícitos penais”, foi decretada por um juiz do Rio, com base num inquérito policial: 5 foram presos e 18 foram considerados foragidos.

Alguns deles pediram um ridículo asilo político no Uruguai e foram repelidos pela diplomacia do bom vovô Mujica, que considerou uma pândega dar asilo político a foragidos da Justiça de um país plenamente democrático.

O desembargador Siro Darlan, assíduo frequentador das páginas de celebridades graças às exóticas medidas que tomava quando era juiz da Vara de Infância e Juventude do Rio, resolveu resgatar seus 15 minutos de fama concedendo habeas corpus aos “militantes”, depois de ler o mesmo processo que levou outro juiz a pedir a prisão preventiva dos 28.

À esquizofrenia política, juntou-se a esquizofrenia judicial. A revolucionária Sininho e seus acólitos estão em liberdade e os pobres mortais ficam aqui sem saber se, afinal de contas, queimar, depredar, destruir e vandalizar o patrimônio público e privado é “ilícito penal”, como quer um ministro, ou uma “liberdade democrática”, como quer o presidente do partido dele.

Mistérios da mente.”
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terça-feira, 29 de julho de 2014

Chec-List




Por Carlos Sena.(*)

Aprendi poucas coisas no exercício existencial. Porque talvez o melhor da vida não seja colocar o que você aprendeu num Chec-List, mas você ir vivendo e pensando que aprende com cada experiência. Pensando, isso mesmo. E se enganando que aprende, porque a gente envelhece e, julgando-se sabedor de tanta coisa, descobre que pouco sabe, mas que muito se angústia em busca de um saber constante, perene, dosado de sabedoria.

Talvez no nosso Chec-List da vida dois ou três itens sejam o bastante para nos manter em paz conosco. Um deles que muito me conforta é saber que julgar os outros é complexo por demais. Outro vem na sua consequência que é condenar. Arrisco um terceiro:  amar, porque é sempre mais feliz quem mais ama.

No quesito "julgar" talvez seja onde mais nos percamos diante dos outros e de nós. Porque a gente se coloca, não raro, como "palmatória do mundo" e, julgando com base em nossas medidas, dificilmente não incorreremos em erros. Um erro de julgamento que, não raro, implica num erro de condenação, se esse for o caso.

A dificuldade maior é porque não vivemos sem valores. E são eles quem nos dão as medidas da vida e da morte. Por isso é que o amor é fundamental. Porque vivendo com amor descobriremos a tolerância, a paciência  e o perdão.

Toda balança existencial que tem julgar num prato e condenar no outro tem que ter como fiel de si mesma o amor. Como vemos, o nosso Chec List  termina tendo só um item: o amor. Mas aí é que se estabelece as dificuldades do existir, pois o amor se constrói aos poucos no livre exercício de viver, sofrer, chorar, compartilhar, perdoar e se consolar, porque o amor nasce dessa complexa combinação. As relações familiares são um pouco dessa combinação de forças, como que nos pondo a provas de fogo. Ufa.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 16/07/2014

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A semana - Começou a campanha. Aeroporto, propina, Dunga e Maluf




Por Zé Carlos

A campanha eleitoral começou para valer. Então, preparem-se, lenços de papel na mão para chorar de tanto rir. Embora, a semana que passou não só viveu de campanha política para efeitos humorísticos. Eu sei que todos já riram com a notícia, mas, riam outra vez, sempre é bom. O Dunga é realmente o técnico da seleção brasileira, como era previsto. Ele produziu entrevistas interessantes, em que não disse nada. Também, depois de Felipão, do Parreira e do desastre da Copa, seria pedir demais, não é mesmo?

Outro fato marcante foi a morte do grande escritor Ariano Suassuna, que virou campanha política, mas, o filme do UOL, que apresento abaixo, não faz nenhuma menção, mesmo versando sobre a campanha. No entanto, não é porque o enterro do artista virou campanha (a Dilma veio chorosa e o Eduardo chorando, não vi o Aécio e outros candidatos a presidência, pois talvez não houvesse vaga nos jatinhos para virem) que é motivo de riso. Eu ri muito foi quando pensei nas coisas que o tornaram realmente imortal: seus personagens. Sem querer fazer analogias politicamente incorretas eu perguntei a mim mesmo se o enterro foi em latim. É, foi-se o homem e ficaram o João Grilo e a Caetana à espreita. Que injustiça, ela não encontrou o Maluf, que é o tema principal do filme de hoje.

Voltemos a ele então! O Maluf é a estrela principal e, mesmo se não fizesse nada, já seria motivo de riso. Mas, ele faz. Desde o início quando os roteiristas abordam o tema Aeroporto do Aécio. Como todos sabem, alguém descobriu que o Aécio Neves fez um aeroporto em terras de um tio. O candidato nega de pés juntos, e diz que as terras já eram do Estado de Minas e ele só fez umas melhorias na pista de pouso. Maluf entra em cena diz que ele fez o aeroporto para ele (o Aécio). Eu sei que onde tem fumaça há fogo, mas, quando Maluf fala mal de alguém, este alguém merece um crédito de confiança.

E nesta esparrela, do Maluf, quem caiu foi a Dilma Roussef porque o partido de Maluf está apoiando a reeleição da presidente, e quer fazer os santinhos de sua campanha com ela. Eu sabia que ele já tinha fotos com o Lula, com o Haddad e até com o Papa, mas, com Dilma, não. Mas, não se apoquentem pois breve ele subirá às escadas do Palácio do Planalto para ser fotografado com ela, e quem sabe, até com Michel Temer, afinal o PMDB está em todas.

Já que tocamos no nome da presidente, você viram algo mais hilário do que os vai-e-vens do caso da Petrobrás? Sumiram bilhões de reais e até hoje ninguém descobriu quem foi o culpado pelo sumiço. Parece até pum em ambiente fechado. Não foi ninguém, e fica-se sempre procurando um “cachorro expiatório”. E o TCU, julgando pelo cheiro, com a participação de dois pernambucanos (José Jorge e Múcio Monteiro) depois de analisar os odores do petardo bilionário, chegou à conclusão de que seria impossível ter sido Dilma a autora. Não porque ela não pode, como qualquer outra pessoa, aliviar num reunião do conselho, e sim porque o odor era tão forte que seria impossível alguém produzi-lo sozinho. Descobriram que foram todos os diretores os culpados. Resta agora apenas individualizar os odores para ver quem são os mais ou menos culpados. E haja riso.

E como a campanha começou mesmo não poderia faltar uma denúncia contra o candidato de Pernambuco, não o Lula (será que isto está descartaddo?), e sim o Eduardo Campos. Um deputado acusa o PSB, partido do qual ele é o presidente, de tentar suborná-lo para que ele apoiasse seu candidato a governador, o Paulo Câmara, mais conhecido aqui como o Poste do Edu, em analogia como os postes do Lula. Dizem que o Eduardo não falou nada a respeito, e eu acho que não o fez, porque foram apenas 6 milhões de reais, que comparando com o dizem que o Aécio gastou para construir o aeroporto em Minas, é uma pechincha. E onde está o motivo de riso? Talvez no nome do partido, o PROS, que não sei o que significa. Aliás, o sistema partidário brasileiro é uma fonte inesgotável de riso, em todos os aspectos. Imaginem que há ainda um partido comunista de linha albanesa que adora comemorar os aniversários do ditador coreano. Guarde um pouco de riso, porque tem muito mais.

Na semana antepassada eu disse que se poderia rir com a guerra entre Israel e os Palestinos devido à repetição dos mesmos fatos anos após anos. Aquele riso contido de quem os horrores da guerra só não são maiores do que a capacidade humana em sobreviver a ela. Esta semana temos mais um motivo de riso se esquecermos estes horrores e entrarmos nos gabinetes onde as guerras são tramadas, ou seja, na diplomacia. É que o Brasil condenou a reação de Israel pela sua ação em Gaza, dizendo que ela foi “desproporcional”. Pelo que li, o número de foguetes lançados pelos Palestinos em território israelense era muito alto e não eram foguetes de procissão, como os que via lá em Bom Conselho. E eu fiquei sem saber o que seria uma reação “proporcional” de Israel, país cuja criação o Brasil aprovou no ano em que eu nasci. Talvez, o atual governo brasileiro, quisesse que não houvesse reação nenhuma e o povo judeu deveria deixar seu território e andar pelo deserto até pagar pelos seus pecados. E foi, talvez, por não concordar com isto, que eles disseram que o Brasil era uma potência econômica mas, um anão diplomático, numa ofensa inadmissível ao povo de baixa estatura, cometendo um ato de discriminação abominável. Eu ri quando lembrei dos “anões do orçamento” e do Dunga, o da Branca de Neve, é claro.

Eu ainda estava com um pouco de força para rir, até quando um jornalista, no filme, pergunta a Maluf quais as chances de a Dilma perder as eleições. O grande correligionário da presidente, ao responder que só se o avião em que ela estivesse caísse, deu uma resposta malufiana, isto é, ultra risível. E ele foi além, quantificando estas chances: Dilma tem 98% de chances de ser eleita, Aécio 1,89% e Eduardo 0,1%. Ainda bem que isto vindo de Maluf as margens de erro são de 100%. Consegui rir até aí. E comecei a chorar copiosamente quando ele, em resposta ao jornalista, disse que só iria se aposentar na política quando morresse, e que ainda estava formando e orientando vários políticos novos no congresso nacional. E continuo chorando até agora, pelo simples fato de pensar que isto é possível. Afinal de contas, se ele se aposentar, vai em cana, e não é só ele que está nesta situação na política brasileira.

Devido ao chororô, deixo vocês com o resumo do roteiro (feitos pelos produtores do UOL) e em seguida com o filme e espero que nesta semana que entra eu posso voltar a sorrir.

A campanha do senador Aécio Neves, candidato a presidente pelo PSDB, enfrentou uma turbulência com a denúncia de que o governo de Minas Gerais construiu um aeroporto de R$ 14 milhões em uma fazenda de propriedade da família do tucano quando ele governava o Estado. Aécio disse que não há irregularidades no caso, mas o Ministério Público poderá investigá-lo.

A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, enfrenta um índice alto de desaprovação ao seu governo e conta um apoio controverso na campanha eleitoral: o do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), que já prepara santinhos com propaganda da petista.

O candidato do PSB à reeleição, Eduardo Campos, também sofreu com uma denúncia: a do deputado federal José Augusto Maia (PROS-PE), que disse que seu partido recebeu oferta de R$ 6 milhões para apoiar a candidatura de Paulo Câmara ao governo de Pernambuco.”

E o governo de Israel chamou o Brasil “anão diplomático” depois de o Itamaraty criticar a ofensiva militar contra os palestinos na Faixa de Gaza.


sábado, 26 de julho de 2014

Politicamente Correto




Por Carlos Sena. (*)


Vai chegar um tempo em que o "politicamente correto" tem que ser correto, sem o politicamente. Porque tudo hoje em dia entra no contexto exagerado do que seja uma minoria. Ou do que seja um preconceito disseminado na maioria, mas que uma minoria dentro dele sofre além da conta. Porque o politicamente correto nem sempre é ajustado às situações. Há negros que, bem resolvidos internamente, não se melindram com certas coisas duvidosas acerca da raça negra, por exemplo. Acerca dos gays, então, tudo toma uma dimensão maior que chega, nalguns casos, ao exageram no "politicamente correto". Por isso espero um momento em que o CORRETO seja a lei para tudo, embora saibamos que isso demanda muito tempo. Porque o "politicamente correto", sem levar em conta os excessos, tem levado muitas pessoas a um repensar positivo acerca dos seus preconceitos. Esse é o lado positivismo da questão. Num outro tempo, quem sabe no próximo século, não haja mais "politicamente", mas apenas o correto. Enquanto isso, algumas pessoas que sem encontram "protegidas" pela moda abusam. Por tudo elas logo ameaçam, logo prometem abrir processo, logo querem chamar a polícia. Na questão gay nada mais justo do que vivermos convivendo com eles e os seus amores. Mas, não me parece justo, um casal de gays, por exemplo, se exceder em carícias só pra provocar os héteros que estiverem em volta. Nesse caso, o respeito tem que ser recíproco.

Claro que jamais seremos a favor de qualquer ato discriminatório. Da mesma forma que se não nos tocar dos exageros do "politicamente correto" chegaremos ao ponto de não podermos comprar feijão preto na feira ou o mercado. Algum preto que estiver por perto poderá se ofender. Ou não?

Melhor a ponderação. E a certeza de que um dia o "correto" não precisará do "politicamente" para sobreviver.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 29/06/2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O defunto imortal e o lulismo




Por Zezinho de Caetés

Hoje, por não ter vivos escrevendo coisas interessantes eu comento um texto de um morto. Trata-se de um artigo publicado no O Globo de 01/07/2012, com o título de “A HORA DA SAIDEIRA”, no qual o autor escreve sobre Lula e o lulismo, o que poderia ser hoje o lulo/dilmismo, sem mudar o rumo da conversa.

Desde o título, já se sabe que o texto abordará algo relativo a Lula, pois foi naquele ano que o Lula tomou a “saideira” de 51, devido a problemas de saúde. Hoje ele se diz curado tanto da doença quanto do outro vício, o do alcoolismo. Sei não, mas pelo que ele anda falando por aí, parece só ter se curado da doença.

O homem, meu conterrâneo, perdeu de vez as estribeiras com o possível e quase certo insucesso eleitoral de seus postes prediletos (Dilma e Padilha), além do insucesso administrativo do poste mais novo (Haddad) e parece que maluqueceu de vez. Ouvir um discurso dele hoje deve ser um sacrifício enorme para aqueles que hoje se beneficiam do petismo, porque tem que ficar ouvindo e balançando uma bandeira, nos comícios em ambientes fechados. Nos ambientes abertos o Lula nem a Dilma podem ir mais devido às vaias e xingamentos.

Como diz com maestria o morto de quem eu transcrevo o texto abaixo, o João Ubaldo Ribeiro, a grande característica do PT é ficar no poder com unhas e dentes. Como dizia o Brizola, os seus cabeças pisariam até no pescoço da mãe para obter e permanecer no poder, como se vê e se viu nos últimos tempos (ou foi Lula que disse do Brizola, a memória me falha, mas tudo dá no mesmo). Hoje não há mais pejo em nenhuma atitude mesmo que todos saibam que quase toda frase que se pronuncia no partido é uma mentira deslavada, com o intuito de não sair do poder.

O que discordo do grande imortal João Ubaldo, e ele me desculpe por ter dito que ele estava morto, apenas erra quando diz que o PT se tornou corrupto apenas quando assumiu a presidência da república. Se é verdade que o PT é Lula, basta ver as histórias dos sindicatos em São Paulo para saber que isto não é verdade (basta ler o Nêumanne Pinto e contar os presos na Papuda). No resto tudo é verdade e por isso recomendo que leiam texto o abaixo, de um morto que não morrerá jamais.

O título que dei a este pequeno nariz de cera, penso eu, seria o título que o João Ubaldo daria se o texto fosse dele, sem querer me comparar com o grande escritor brasileiro, que morreu recentemente mas não morreu porque deixou escritos com este que apresento.

“Na semana passada, li um artigo do professor Marco Antonio Villa, que não conheço pessoalmente, mostrando, em última análise, como a era Lula está passando, ou até já passou quase inteiramente, o que talvez venha a ser sublinhado pelos resultados das eleições. Achei-o muito oportuno e necessário, porque mostra algo que muita gente, inclusive os políticos não comprometidos diretamente com o ex-presidente, já está observando há algum tempo, mas ainda não juntou todos os indícios, nem traçou o panorama completo.

O PT que nós conhecíamos, de princípios bem definidos e inabaláveis e de uma postura ética quase santimonial, constituindo uma identidade clara, acabou de desaparecer depois da primeira posse do ex-presidente. Hoje sua identidade é a mesma de qualquer dos outros partidos brasileiros, todos peças da mesma máquina pervertida, sem perfil ideológico ou programático, declamando objetivos vagos e fáceis, tais como “vamos cuidar da população carente”, “investiremos em saneamento básico e saúde”, “levaremos educação a todos os brasileiros” e outras banalidades genéricas, com as quais todo mundo concorda sem nem pensar.

No terreno prático, a luta não é pelo bem público, nem para efetivamente mudar coisa alguma, mas para chegar ao poder pelo poder, não importando se com isso se incorre em traição a ideais antes apregoados com fervor e se celebram acordos interesseiros e indecentes.

A famosa governabilidade levou o PT, capitaneado por seu líder, a alianças, acordos e práticas veementemente condenadas e denunciadas por ele, antes de chegar ao poder. O “todo mundo faz” passou a ser explicação e justificativa para atos ilegítimos, ilegais ou indecorosos.

O presidente, à testa de uma votação consagradora, não trouxe consigo a vontade de verdadeiramente realizar as reformas de que todos sabemos que o Brasil precisa — e o PT ostentava saber mais do que ninguém.

No entanto, cadê reforma tributária, reforma política, reforma administrativa, cadê as antigas reformas de base, enfim? O ex-presidente não foi levado ao poder por uma revolução, mas num contexto democrático e teria de vencer sérios obstáculos para a consecução dessas reformas.

Mas tais obstáculos sempre existem para quem pretende mudanças e, afinal, foi para isso que muitos de seus eleitores votaram nele.

O resultado logo se fez ver. Extinguiu-se a chama inovadora do PT, sobrou o lulismo. Mas que é o lulismo? A que corpo de ideias aderem aqueles que abraçam o lulismo? Que valores prezam, que pretendem para o país, que programa ou filosofia de governo abraçam, que bandeiras desfraldam além do Bolsa Família (de cujo crescimento em número de beneficiados os governantes petistas se gabam, quando o lógico seria que se envergonhassem, pois esse número devia diminuir e não aumentar, se bolsa família realmente resolvesse alguma coisa) e de outras ações pontuais e quase de improviso?

É forçoso concluir que o lulismo não tem conteúdo, não é nada além do permanente empenho em manter o ex-presidente numa posição de poder e influência. O lulismo é Lula, o que ele fizer, o que quiser, o que preferir.

Isso não se sustenta, a não ser num regime totalitário ou de culto à personalidade semirreligioso. No momento em que o ex-presidente não for mais percebido como detentor de uma boa chave para posições de prestígio, seu abandono será crescente, pois nem mesmo implica renegar princípios ou ideais. Ele agora é político de um partido como qualquer outro e, se deixou alguma marca na vida política brasileira, esta terá sido, essencialmente, a tal “visão pragmática”, que na verdade consiste em fazer praticamente qualquer negócio para se sustentar no poder e que ele levou a extremos, principalmente considerando as longínquas raízes éticas do PT. Para não falar nas consequências do mensalão, cujo desenrolar ainda pode revelar muitas surpresas.

O lulismo, não o hoje desfigurado petismo, tem reagido, é natural. Os muitos que ainda se beneficiam dele obviamente não querem abdicar do que conquistaram. Mas encontram dificuldades em admitir que sua motivação é essa, fica meio chato. E não vêm obtendo muito êxito em seus esforços, porque apoiar o lulismo significa não apoiar nada, a não ser o próprio Lula e seu projeto pessoal de continuar mandando e, juntamente com seu círculo de acólitos, fazendo o que estiver de acordo com esse projeto.

Chegam mesmo à esquisita alegação de que há um golpe em andamento, como se alguém estivesse sugerindo a deposição da presidente Dilma. Que golpe? Um processo legítimo, conduzido dentro dos limites institucionais?

Então foi golpe o impeachment de Collor e haverá golpe sempre que um governante for legitimamente cassado? Os alarmes de golpe, parecendo tirados de um jornal de trinta ou quarenta anos atrás, são um pseudoargumento patético e até suspeito, mesmo porque o ex-presidente não está ocupando nenhum cargo público.

É triste sair do poder, como se infere da resistência renhida, obstinada e muitas vezes melancólica que seus ocupantes opõem a deixar de exercê-lo. O poder político não é conferido por resultados de pesquisas de popularidade; deve-se, em nosso caso presente, aos resultados de eleições.


O lulismo talvez acredite possuir alguma substância, mas os acontecimentos terminarão por evidenciar o oposto dessa presunção voluntarista. Trata-se apenas de um homem — e de um homem cujas prioridades parecem encerrar-se nele mesmo.”