Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

MAR DE LAMA




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho


O Brasil se encontra no fundo do poço. Na lama, sem poder sair. Diariamente os jornais, o radio, a televisão e revistas de grande penetração junto à população trás noticias desastrosas sobre a atuação dos nossos dirigentes. A corrupção ultrapassa o limite da dignidade. Aqueles arautos da ética, da honestidade, do decoro humano, foram os primeiros a sair da linha e roubar os cofres públicos, o dinheirinho arrecadado dos mais necessitados para se locupletarem os seus desejos escusos. A vergonha não existe nos políticos, com raras exceções, que adquirem cargos na Republica. Roubam descaradamente sem nenhuns escrúpulos. Escondem as propinas recebidas na calada da noite ou mesmo em deposito no exterior, principalmente, na Suíça.  A Lei não chega até eles e, se chegam tem regalias que outros infratores que inundam e enchem as prisões não usufruem, vivem nas masmorras publicas sem nenhuma assistência do poder público. São enterrados ali mesmo, enquanto os surripiadores de colarinho branco vão para suas residências luxuosas rir de todos. Somente basta ter uma dor de cabeça para uma equipe medica da melhor qualidade em hospitais os atenderem e dar boletim a cada hora e a cada instante. Todos estes que surrupiaram os cofres públicos devem ter seus bens leiloados. Aqueles que receberam propinas para se beneficiar devem devolver o dinheiro recebidos, acrescidos de juros e correção monetária. O Mensalão foi uma vergonha nacional, onde Ministros de Estado se envolveram em falcatruas e agora vem com toda força o escândalo da Petrobras, entre outros que serão descobertos pela Policia Federal em suas investigações, os “homens éticos” vem sendo mostrados a todos os brasileiros e estrangeiros, a ação delinquente de se beneficiar das propinas recebidas ao longo de sua vida. Homens que se dizem íntegros estão mostrando a “cara” na corrupção, empreiteiros, políticos, diretores de empresa privadas e estatais estão sendo desmascarados. É uma vergonha nacional que hoje vem prejudicando a imagem do nosso Brasil no exterior. “O Presidente da França, na época, o General Charles De Gualle é um profeta, pois, profetizou naquele tempo que o Brasil (Pais) isto em 1962 – “Le Brésil n’ est pas um pays sérieux”- O Brasil não é um País serio” Foi aquele alvoroço provocado nas hastes governamentais, indignação, protestos de políticos no Senado e Câmara Federal por este pronunciamento.   Os baluartes do poder se irritaram com este estrangeiro falando do nosso País desta forma. Aconteceu e continua acontecendo esta realidade confirmando a profecia do Presidente da França. O Brasil não é um País serio, repito, infelizmente. E as provas estão ai para que todos vejam pela televisão homens que se diziam honrados, são presos, algemados e alguns cobrindo a cabeça para cobrir a vergonha que praticou. Seus nomes estão listados nas Delegacias. Seus nomes estão nos arquivos dos meios de comunicação, televisão, radio jornais e agora neste tempo na Internet. Seus nomes farão parte da historia negativa da Nação. Serão mostrados em estudos os descalabros ocasionados por cada um. Que dirão seus filhos e netos quando abordados sobre a atuação dos seus pais e avós? E os nossos jovens do momento e do futuro que dirão quando estudarem a historia da nossa Republica? Qual o exemplo que estes corruptos deixarão para sociedade, principalmente, para as crianças e jovens que são atingidos em “cheio” e que em breve estão assumindo a direção do Brasil. Ficarão arrepiados com o conteúdo apresentado diante das pesquisas que se submeterão. Ficarão envergonhados deste ato inconcebível praticados por seus familiares, com certeza. O Brasil tem que criar uma nova geração de jovens responsáveis, incorruptivos para que sejamos uma Nação séria desmitificando a profecia do De Gualle, mostrando para o mundo que o Brasil é um País sério, responsável, honrado, pois com o deslize de alguns não mancharão o seu nome de ORDEM E PROGRESSO como ostenta em nosso maior símbolo nacional a nossa BANDEIRA. Mas isto requer tempo, pois o exemplo visto atualmente não é nada favorável para os que estão vivenciando este descalabro.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

BEBER COM MODERAÇÃO!!!!




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

Até hoje não entendi esta advertência vinculadas nos anúncios da televisão, nos jornais, nos ônibus de transporte coletivos, apresentando propaganda de cervejas, vinhos, uísque. É uma advertência sem lógica e sem sentido, tendo em vista, que existe a LEI SECA que proíbe terminantemente os condutores de veículos a ingerir bebida alcoólica em grande quantidade e ao mesmo tempo pune quem ingere apenas como aperitivo, um copo de vinho, uma dose de uísque ou mesmo uma latinha de cerveja na hora do almoço em sua residência. Como pode um anuncio incentivar e o outro proibir?  As autoridades que aplicam multas pesadas, apreensão da carteira de habilitação e do veiculo e até mesmo ser preso quando se negar o teste do bafômetro nas barreiras policiais. É certo quando existe um incentivo?  No meu entender é uma ignorância total. Talvez e com certeza a imposição da indústria de bebidas, que sustenta uma parcela do Governo, com o imposto arrecadado com a venda da bebida, força o anuncia dos seus produtos e exige do governo que permita esta frase - “BEBA COM MODERAÇÃO”. Como beber com moderação se existe uma Lei que proíbe qualquer trago pelo consumidor. O governo é gilete, todos sabem - corta dos dois lados – ganham com a receita do imposto sobre as bebidas e por outro lado ganha pelas penalidades imposta com multas as pessoas -. Não se pode ter dois pesos e duas medidas, mas o governo não aplica esta sabedoria popular. Ou se proíbe ou se libera, não pode ser, um talvez. Uma pessoa sensata sabe que dirigir alcoolizado é grave e põe em risco a sua vida e de seus semelhantes. Muitos não pensam assim e ai paga o justo pelo pecador. Estes sim que não respeitam a moderação devem ser penalizados com rigor pela autoridade. A Lei é para ser cumprida, mas também não se deve incentivar desrespeitar a mesma.  


Um nosso amigo, ingeriu um copo de vinho e saiu para apanhar a sua cunhada em bairro próximo a sua residência, ao meio dia, com o seu filho menor sentadinho em sua cadeirinha, de acordo com a Lei.  Quando transitava pela Avenida Pedro Alves Cabral em Olinda foi parado por uma blitz da policia militar, e fez o uso do bafômetro, como solicitado já dizendo que tinha tomado um copo de vinho. Acusou que ele tinha usado bebida alcoólica, em pouca quantidade. Houve apreensão da carteira de habilitação e uma multa extraída pela autoridade policial. E ai este nossa amigo, com calma que lhe é peculiar, perguntou por que os senhores não fazem blitz nas avenidas Marco Freire, em Olinda, ou mesmo na Avenida Boa Viagem, Domingos Ferreira ou mesmo na 17 de Agosto no bairro de Casa Forte, neste horário? Ali sim o abuso é cometido por quase todas as pessoas que saem dos bares e restaurantes com fortes doses de bebidas ingeridas dirigindo seus veículos de “cara cheia” e que praticamente não são incomodados. Na hora de meio dia se fazer blitz? É claro que toda é hora é hora para punir aqueles que realmente abusam da bebida e saem a fazer atrocidades pelas ruas, se matando e matando os outros. O governo deveria estabelecer um parâmetro de bebida alcoólica para aqueles que bebem moderadamente, estabelecendo o limite quando for solicitado o teste do bafômetro, aquele que passar deste limite ai sim deve ser punidos com multas pesadas, apreensão da habilitação e veiculo. É tempo de se estudar e mesmo declarar guerra à bebida proibindo os meios de comunicação de massa a incentivar a população a beber com “moderação” e determinar que a Lei Seca seja aplicada corretamente para todos. Sem exceção.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A Graça será a desgraça da Dilma?




Por Zezinho de Caetés

Eu gostaria de começar este texto dizendo “Graças a Deus...”. Entretanto, já ouvi e li tanto o nome de Graça Foster que até hesito em dar graças a Deus por alguma coisa, neste país. A Graça Foster, além de parecer com a tia do Zé Carlos (caro amigo, aviso que estou entrando num recesso natalino e não enviarei mais escritos meus até o próximo ano, fazendo, neste ínterim, um passeio saudoso pela terra minha e de Lula; se e quando tiver acesso à internet colaborarei com o Mural), é a presidente da Petrobrás, mas, sua importância não vem daí, e sim por ser amigona da gerenta presidenta, ao ponto de ser chamada por ela de “Graciosa”. Até no epíteto há uma mentira deslavado. Graça pode ser tudo, menos graciosa.

E a pergunta feita por todos aqueles que acreditam ainda que “o petróleo é nosso”, não é mais se, e sim quando a Graça cairá em desgraça, ou seja, seja demitida. Talvez a Dilma esteja esperando aparecer algum recibo de compra de um Elba, para saírem as duas juntas, como o Collor saiu de braços dados com a Rosane. Eu não creio. Simplesmente, acredito que a presidenta não está encontrando quem queira o cargo de uma empresa que está indo à falência. Talvez o Mantega, mas, este ainda continua Ministro da Fazenda, com a meta clara de levar o Brasil à falência antes que o Levy assuma. Porém, hoje o Mantega é um fantasma no governo Dilma, igual a Graça é para Petrobrás. Não produz mais nem um balanço sério.

Quem sabe o Lula, que anda aí sem ter nada por fazer, já que, pelo que aparenta, não pode encher o tubo digestivo com uma caninha 51? Como todos sabem, o meu conterrâneo sabe e adora dar nó em pingo d’água. Sua primeira atitude seria nomear a Rosemary para a diretoria de abastecimento, pois disso ela é mais do que entendida. A segunda seria nomear o Mercadante para frentista em qualquer Posto Petrobrás, com o intuito de fiscalizar o preço da gasolina e mentir para a imprensa, coisa em que ele é especialista. Quem sabe, mesmo o Zé Dirceu não fosse contemplado com a diretoria internacional, para estreitar os laços de amizade com o Maduro da Venezuela, ou mesmo com o Fidel lá em Cuba. Para este último seria a salvação da lavoura. Depois da União Soviética, e da Venezuela viria o Brasil como provedor de última instância da ditadura cubana, o que já começou com o Porto de Mariel. São tantas as opções que me furto a colocar todas aqui.

O resumo da ópera é que o Lula, o operador de milagres, já quase santificado em nossa região, ao ponto de um blogueiro querer eternizá-lo com uma estátua, agora, dizem, foi até modelo para um dinossauro que ficará lá num parque de Garanhuns, poderia ser uma boa opção. Pelo que soube de nossa terra, Caetés, ninguém quer saber dele por lá. Apenas eu ainda defendo sua volta, para ver se ele conseguiria levar à frente o meu projeto da Academia Caeteense de Letras, da qual teria a cadeira número 13. Eu mesmo me contentaria com a cadeira sem número, como ainda está o Partido Novo. No entanto, para ser presidenta da Petrobrás, seria uma boa e justa atitude, pois, como diziam lá em nossa terra: Quem pariu mateus que balance!

O melhor texto que vi, sobre esta desgraça que a Graça virou para a Dilma foi do Merval Pereira em seu blog: “Sem condição política” (16/12/2014), e o transcrevo aqui, já desejando a todos um Feliz Natal e Próspero Ano Novo, com todo otimismo que me é peculiar. Para os seres humanos normais, desejar um “regular ano novo” já está de bom tamanho, e é otimismo demais.

“A presidente Graça Foster já perdeu as condições políticas para comandar a Petrobras. Além de várias as autoridades terem pedido uma mudança geral na diretoria, o assunto já é tema de conversas entre os partidos aliados, que se sentem acuados diante de tantas denúncias, que acabarão atingindo-os diretamente quando o Ministério Público anunciar a lista de políticos envolvidos no petrolão. Os que nada têm a ver com o tal esquema querem uma reformulação que permita a Petrobras se recobrar.

A própria Graça já pediu duas vezes para sair, mas a presidente Dilma, que é tão sua amiga que a trata por “Graciosa”, reluta em fazê-lo. Acho que a presidente está tentando levar o caso até o final do ano para poder tirar Graça Foster sem demiti-la formalmente, colocando a reformulação da Petrobras no pacote do novo corpo ministerial. Mas vai ser difícil levar a questão sem definição por mais 15 dias, devido ao surgimento de casos novos a cada momento, desde a assinatura de contratos em branco até mesmo permuta de propinas.

Ontem, mais um grupo, incluindo outro ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, foi denunciado pelo Ministério Público, inclusive o lobista Fernando Baiano, identificado como o agente do PMDB no esquema. De acordo com a força-tarefa da Operação Lava Jato, em julho de 2006, “solicitaram, aceitaram promessa e receberam, para si e para outrem, direta e indiretamente, vantagem indevida no montante aproximado de US$ 15 milhões” a Julio Camargo, também denunciado, a fim de que fosse viabilizada a contratação de um navio sonda com o estaleiro Samsung Heavy Industries Co., na Coréia, no valor de US$ 586 milhões para perfuração de águas profundas a ser utilizado na África.”

A Procuradoria da República constatou que chegou a US$ 53 nilhões toda a propina paga nesse caso, incluindo como beneficiários o doleiro Alberto Youssef, o operador do PMDB Fernando Baiano, o executivo Julio Camargo e Nestor Cerveró para viabilizar a construção de dois navios-sonda, propina paga por meio de contas offshores no exterior ou em nome de terceiros, com base em contratos simulados e falsas justificativas de câmbio, “tudo com o fim de evitar a identificação dos envolvidos, a natureza espúria do dinheiro e a sua atual localização, tornando seguro o produto do crime”.

A denúncia do Globo de domingo é exemplar da balburdia que impera na empresa. Já havia uma denúncia anterior, da revista Veja, a Petrobras fez uma comissão interna para investigar o assunto e deu um veredicto: nada havia acontecido. Meses depois, a própria empresa holandesa de plataformas, a SBM, diante de uma investigação séria de órgãos da Bolsa de Nova York, teve que admitir que deu propinas para diversos servidores da Petrobras, e chegou a listar os nomes dos que participaram da transação.

Pois até hoje a Petrobras diz que sua comissão não foi capaz de identificar se houve corrupção e quais de seus servidores foram corrompidos. Reflete uma completa desorganização na empresa que evidentemente precisa de uma chacoalhada generalizada, é será difícil a presidente Dilma evitar que sua amiga Graça Foster saia da empresa em meio a uma reformulação que já se torna urgente.

O que retarda sua saída não é apenas amizade da presidente por ela, mas, sobretudo, a dificuldade para encontrar um substituto que assuma essa imensa caixa-preta em que se transformou a Petrobras. Quem quererá assumir para depois descobrir, como aconteceu agora, que contratos para a construção de plataformas foram assinados em branco, ou que houve até mesmo troca de propinas entre seus diretores e fornecedores?

Como se sabe, a legislação dos Estados Unidos sobre corrupção é muito rigorosa, e os diretores da Petrobras e de seu Conselho de Administração, desde o início do esquema de corrupção implantado pelo PT em 2004, estarão sujeitos a punições severas. Além da própria empresa estatal, as fornecedoras envolvidas no esquema que tiverem ações na Bolsa receberão multas pesadas e sanções do mercado de ações em Nova York.

Ontem mesmo as ADRs da Petrobras foram suspensas da negociação em Nova York por terem caído perto de 10% no pregão, o mesmo acontecendo em São Paulo.
O grande problema de Dilma será escolher substituto que possa começar do zero trabalho de reorganização da empresa. Henrique Meirelles, Luciano Coutinho e o próprio Guido Mantega são alguns dos cotados.


A cada dia tem um escândalo, uma revelação, e com processos nos Estados Unidos, na Holanda, o presidente novo vai ter que ter controle absoluto sobre a empresa, demitir todo mundo que queira, refazer o Conselho de Administração, ou então correrá o risco de ser envolvido em processos que ele não terá nem ideia do que sejam.”

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Botão Amarelo do Banco




Por Carlos Sena (*)

Presenciei uma cena linda na frente do Banco do Brasil. Pequena fila se fazia na frente de uma agencia, mas a mesma só abre a partir das sete da manhã. Um senhor, todo dono da verdade, apertava no botão amarelo da porta, mas ela não se abria. Cada um que chegasse fazia um gesto tipo: “já são mais de sete horas e o banco não abre”? Chegavam mais pessoas que olhavam o relógio e logo faziam ar de desaprovação com o horário. E o senhor – o primeiro da fila, não se cansava de apertar o botãozinho amarelo da porta, mas a porta nada, não dava nem sinal de vida. Ele olhava pro seu próprio relógio, verificava pelas vidraças se havia lá dentro algum segurança, mas nada. Falava do banco, metia o pau no governo, mas não se esquecia de apertar o botãozinho amarelo. Quando chegamos ao mesmo banco entramos na fila e ficamos ouvindo o desconforto de todos com o horário. De repente surge uma senhora idosa, meio já curvada, cabelos desalinhados. Todos olharam pra ela com desdém, algo como “essa velha gagá não tá vendo que o banco está fechado”? Mas ela, tranquila, olhou a fila, subiu os degraus e sem se incomodar com os olhares preconceituosos  tomou a decisão óbvia: apertou o botãozinho amarelo e empurrou a porta que abriu imediatamente! O primeiro da fila – o metido a inteligente e politizado ficou com a cara lambida todo cheio de dedos. Certamente os demais que estavam no final da fila feito eu ficamos putos, pois o cara era tão metido, mas não teve inteligência para saber que “porta não se abre sozinha” (não aquela do banco) e precisa não só do aperto no botão, mas que se empurre a porta para completar o processo. A idosa entrou, ignorou os olhares outrora preconceituosos e fez suas atividades no caixa eletrônico. Eu, junto dela, fiquei feliz. Principalmente porque ela, que todos imaginavam não soubesse, sequer, o que seria um computador, deu show de pro atividade em todos; deu uma aula contra o estereótipo de que só os mais jovens ou os menos velhos dominam o mundo da virtualidade e da modernidade que nos assola.

Quando saí do banco não me saiu da cabeça a imagem daquela idosa e daquele “mala” que se apoderou da porta do banco e nos impediu de entrar na hora certa. Acho que a maioria dos que estávamos na fila alcançamos a lição de que idade não pode ser um diferencial de incompetência, nem de inabilidade. 

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 03/12/2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A semana - Petrobrás: Roubalheira, Bingo e a "Pizza Eu Não Sabia"




Por Zé Carlos

Esta semana que passou, semana pré-natalina, na qual o Papai Noel vestido de vermelho costuma visitar e presentear nossas crianças, o que vimos foi o bom velhinho travestido de ladrão do dinheiro público através da Petrobrás, também vestida de vermelho, embora do PT, nos levar até o orgulho, segundo o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. E o que vocês, meus 8 leitores esperam? Chorar em pleno Natal? Claro que não. Temos que rir muito. Quem sabe o Bom Velhinho se arrepende e devolve o que roubou?

Vejam se não é para rir mesmo. Li no início da semana que a Justiça americana foi acionada para determinar o pagamento do prejuízo que os investidores, que compraram papéis da nossa Petrobrás, tiveram com as maracutaias das propinas.  Dizem que se a nossa maior empresa perder esta ação, vai à falência. Eu lembrei, ao ler sobre o tema, que, antigamente, havia uma piada de que a solução para o Nordeste seria os Estados Unidos invadirem o Brasil. Se já existia a Aliança para o Progresso, por que não invadirem logo tudo? Quando os ouvintes, da piada, já começavam a levar fé nesta solução, alguém lá do fundo da sala, um filósofo de Bom Conselho levantou a seguinte profunda e decisiva questão: “E se o Nordeste ganhar a guerra?”.

Já ontem, li que a Holanda também quer punir nossa empresa por alguns funcionários terem pago propina às suas empresas. Ora, se Pernambuco teve uma relação tão boa com os holandeses, ao ponto de que o palácio do governo a eles pertenceu, eu defendo é a invasão da Holanda, e que reocupe o palácio já. E já temos até o Castelo dos Brennan,s para hospedar os descendentes de Maurício de Nassau. Seria a solução perfeita para o Nordeste e para Pernambuco em particular. E, antes que o filósofo de Bom Conselho venha com perguntas bobas, eu já digo: Já ganhamos uma guerra contra os holandeses, se ganharmos esta outra, continuaremos na mesma em que já estamos, ou seja, não temos nada a perder.

Voltando à vida real, a personagem da semana, não foi nossa maior estrela e colaboradora da coluna, a Dilma. Foi a sua amiga Graça Foster, presidente da Petrobrás, se é que ela inda existe (a Petrobrás). E o ponto para mim, quando vejo esta mulher que também não sabia de nada é que me lembro de minha Tia Quitéria. Não, a Tia Quitéria nunca foi presidente de nada, mas, em termos físicos parecia até irmã da Graça Foster. Tal qual a presidente de nossa empresa mais roubada, Tia Quitéria nunca quis fazer uma plástica. Nem mesmo um lifting. Que Deus a tenha, minha tia, e parabéns por ter sabido escolher melhores amigas, e que, quando era pega em malfeitos, não ficava dizendo que não sabia de nada para protegê-las. Rasgava o verbo, mesmo que naquela época não se falasse em delação premiada. Então a aparência era apenas física. Ainda bem.

Se não riram até aqui, começarão agora, certamente. Quando o Procurador Geral da República procurou e achou um monte de falcatruas na Petrobrás, pediu encarecidamente que toda a diretoria da empresa fosse demitida. E, aí entra ela, lampeira e saltitante, nossa presidenta e manda o Ministro da Justiça defender a Graça Foster, o que ele fez sem pestanejar. Penso que nem a própria Graça acreditou nele, mas, continua lá, enquistada no topo de nossa empresa maior. Para que vocês não morram de rir, eu aviso que a Tia Quitéria deve ter se virado no túmulo.

Enfim, chegamos ao que interessa: o filme do UOL, que nos exige este esforço semanal de riso, mostrando os momentos políticos mais hilariantes da semana. E agora é para valer, apertem os cintos para resistirem até lá embaixo, ver o filme e rir mais ainda. Sabem quem é a estrela do filme esta semana, além de Tia Quitéria? Não, não é a Dilma. Erraram feio. É a pizza. Para não ser injusto eu devo dizer que o filme começa com a Dilma cozinhando um macarrão, em homenagem ao Dia do Macarrão. É isto mesmo o que leram. Diante de tantos problemas com o petróleo o deputado Luis Carlos Hauly, do Paraná, criou o Dia Nacional do Macarrão. No quadro político em que vivemos deveríamos ter o Dia Nacional do Petrolão. E, garanto a vocês, haveria filmes da Dilma para ilustrar a matéria.

E, por que a estrela do filme é a pizza? É que o deputado Marcos Maia, relator da CPI do Petrolão, disse que oficialmente houve crimes na Petrobrás, mas não houve criminosos. É a mesma coisa de uma pizza sem queijo, pode até existir mas ninguém engole. Já dizem por aí que as pizzarias já lançaram a Pizza Eu não Sabia, que é sem queijo e sem pão, e é assada no alho e petróleo. Está sendo um sucesso de vendas. E o melhor vocês não sabem. O próprio deputado deve lançar o movimento (para retomar aquele outro antigo e démodé, O Petróleo é Nosso): A Pizza é Nossa. Afinal de contas a verdade histórica tem que ser respeitada.

Por falar em verdade, e fugindo um pouco ao filme, nesta semana a chamada Comissão Nacional da Verdade, restaurou a verdade histórica dos anos de chumbo, dos quais me lembro por tê-lo vivido e a ele sobrevivido. Não li ainda todo o relatório, mas ouvi dele comentários. Parece que a grande conclusão foi que as nossas Forças Armadas ficaram loucas e saíram matando gente durante 20 anos, sem nenhuma causa. E isto é motivo de riso? Penso que sim, porque, se a conclusão foi esta, apesar do esforço, a comissão dever-se-ia chamar de Comissão Nacional do Riso ou da Meia Verdade. Vamos ficar esperando a outra metade, por enquanto.

E, voltando ao filme, ele toca num ponto importantíssimo, somente para provar que no Brasil até os assuntos mais sérios terminam em pizza, ou melhor, em riso. Para roubar a Petrobrás, as empreiteiras inventaram um Bingo. Sim, isto mesmo, um bingo onde havia cartelas, bolinhas numeradas e globo giratório, onde eram sorteadas aquelas empresas que iriam receber os serviços desta nossa antes grande empresa. Imaginem a cena de um salão onde um diretor da OAS, por exemplo, escalado para girar o globo dizia: Número 171!!!! E, rompendo o silêncio a Engevix gritaria: Bingo!!!!, enquanto a Camargo Correa dizia: Merda, perdi!!!

Pois era quase exatamente o que acontecia, ou seja, nossa Petrobrás foi quase perdida no jogo. Isto não é motivo de riso, é claro. O grande motivo do riso foi a reação de nossas autoridades durante muito tempo: EU NÃO SABIA!!!! E nós somos mais de mil palhaços no salão.

Vejam o curto resumo do roteiro dos produtores do UOL e depois vejam o filme. E que todos tenham um feliz Natal, de preferência, sorrindo.

“Semana ''divertida'' em Brasília tem Dilma sancionando o Dia Nacional do Macarrão, a pizzaria da CPI da Petrobras a todo vapor e o Ministério Público Federal revelando o "Bingo do Bilhão".”