Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

sábado, 25 de outubro de 2014

Se ficar o impeachment pega e se correr a cadeia come...




Por Zezinho de Caetés

Quando li a postagem de hoje do Zé Carlos, onde ele diz que vai a São Paulo e que talvez não possa publicar o que os colaboradores da AGD o enviem, eu não tive dúvidas. Corri para escrever para ver se ainda o pego em Recife, pois neste momento eleitoral, que discute política, um texto com uma hora de atraso é jornal de ontem.

E, confesso, não faltam assuntos nesta reta final de campanha. Basta olhar para o debate de ontem na Rede Globo para ter matéria para escrever durante 3 dias. Mas, se não quisermos escrever tanto basta resumir: Foi um verdadeiro massacre, no bom sentido, é claro. Eu cheguei a ter pena da Dilma. Certas horas ela só não chorou porque havia dito para Marina que presidenta não chora.

Desde o início, quando o Aécio deu um cruzado de direita no queixo dela, pedindo para ela esclarecer a reportagem de VEJA que reproduz o depoimento do Alberto Youssef na delação premiada, a candidata ficou grogue e não se recuperou mais durante toda a luta. O mineiro deitou e rolou com a mineira. Via-se no olhar de William Bonner aquele ar de alegria contida, talvez, pela vingança do que queriam fazer com a Patrícia Poeta, e que terminaram não fazendo até agora, e, também, por não o terem permitido tocar no Jornal Nacional na reportagem bomba da VEJA. Diga-se de passagem que a matéria, hoje, não é mais  só desta revista, porque tanto a Folha quanto o Estado de S. Paulo, também furaram o segredo de justiça, com o vazamento. Aliás, querer, dentro de uma divisão política com o Brasil está vivendo, manter coisas como essas em sigilo é pura ingenuidade.

Mas, ingênua ainda (eu prefiro chamar de “viva”, para não dizerem que eu estou ofendendo as mulheres, como inventaram do Aécio) foi a Dilma ao querer processar a revista defendendo a liberdade de expressão. Foi patético, mas, ela já estava grogue, está desculpada.

O ponto alto do debate foi o novo (pelo menos para este ano) modelo de debate incluindo os indecisos. Houve um momento simplesmente hilário, quando uma eleitora indecisa, de 55 anos e formada em Economia, disse que estava desempregada, e Dilma a mandou fazer o Pronatec, para se reciclar. Ou seja, com outras palavras, chamou a moça de incompetente, mandando-a fazer um curso profissionalizante. Isto só se justifica pela formação da Dilma, porque ela também é economista. É uma pena que os indecisos não pudessem se pronunciar, para moça responder à candidata que ela é que deveria voltar aos bancos escolares.

No outro momento, foi o Aécio que brilhou, quando disse que a solução para corrupção seria tirar o PT do poder. Como eu digo isto aqui há anos, aplaudi em casa, sozinho. E só não aplaudi mais por causa da pena que estava da Dilma, e já esperando que ela desmaiasse outra vez. Ela, vestindo as cores do Sport, cambaleava no palco. Se eu fosse o juiz da luta, ou talvez o Bonner eu teria parado o combate ali e dado a vitória a Aécio por nocaute técnico. Graças a Deus ela aguentou até o final e eu fui dormir com os meus valores morais mais calmos.

E agora, só me resta esperar até amanhã para votar. Mesmo que eu estivesse indeciso, depois do debate, não há chance de “encarcar” outro número a não ser o 45. O que espero é que o Zé Carlos publique este texto ainda hoje para não ser acusado de fazer “boca de urna”.

Ainda não contente, transcrevo um texto do Ruy Fabiano (Blog do Noblat – 25/10/2014), para vocês terem uma melhor dimensão do que significa a Dilma ganhar. Ele diz, entre outras coisas os seguinte:

“A democracia foi substituída pela criminocracia. Caso se comprovem as delações de Youssef – e quem circula no meio político tem poucas razões para duvidar dessa hipótese -, uma eventual vitória de Dilma Roussef recolocará o fantasma do impeachment no palco da política.

Ouvi de um importante advogado de Brasília, acostumado a defender políticos, a frase: “Os eleitores de Dilma devem desde já procurar conhecer o programa de governo de Michel Temer”.”

Vejam por vocês mesmos, lendo o texto abaixo. Para resumir, “se ficar o impeachment pega e se correr a cadeia come”. Se depender do debate, PT saudações.

“Não é verdade que o povo brasileiro seja insensível à corrupção. Fosse assim, Getúlio Vargas não teria se suicidado ao se ver cercado por um mar de lama (expressão que introduziu no glossário da política brasileira).

Fosse assim, não apenas Fernando Collor não teria sido deposto por um impeachment, como o PT não teria chegado aonde chegou, já que construiu sua trajetória pela via do denuncismo.

Hoje, mesmo com sua cúpula na cadeia, insiste em apontar a corrupção do próximo. Não a encontrando no presente, vai ao passado e procura desenterrar denúncias que fez ao governo FHC e que, em doze anos de exercício do poder, não cuidou de demonstrar – e providenciar a punição.

Uma coisa é o denuncismo vazio, que procura constranger o adversário e pô-lo na defensiva, como o PT sempre fez e continua fazendo. Outra coisa é a denúncia consistente, lastreada em testemunhos e documentos, como as que levaram ao impeachment de Collor e ao Mensalão – e agora ao Petrolão.

Não há exemplo mais eloquente de denúncia vazia – e, portanto, leviana - que a que fez Dilma Roussef ao falecido ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, de que recebera propina da Petrobras. Para tanto, invocou o depoente Paulo Roberto Costa, que manteve na diretoria da Petrobras, e cujas acusações aos governistas rejeitara por falta de provas.

O advogado de defesa de Paulo Roberto assegura que seu cliente jamais se referiu a Paulo Roberto Costa [penso que o Ruy quis dizer Sérgio Guerra] em sua delação premiada – e que nem o conheceu.

Quanto a Sérgio Guerra, não está aí para se defender. A denúncia foi feita num dos debates, surpreendendo o oponente, já que ninguém antes mencionara – e nem fazia sentido – a participação de um oposicionista na farra do PT e seus aliados.

Não importa: importa o efeito no eleitor, que pode atribuir a surpresa do oponente a um desmascaramento.

Não se busque aí nenhum fundo moral. Lula disse que “eles não sabem do que somos capazes”. E Dilma disse que faria “o diabo” para vencer as eleições. Essas promessas eles cumprem, fielmente. Aécio já foi acusado de espancar mulheres, de dirigir bêbado e drogado, de ser playboy e coisas do gênero. Na falta de fatos concretos, o jeito é inventá-los.

De tal modo Lula se mostrou transtornado nos últimos comícios que o ministro Gilmar Mendes, do STF, não resistiu ao comentário: “Ainda bem que não há bafômetro para comícios”.

A edição de Veja desta semana explica esse desespero: o doleiro Alberto Youssef, submetido à delação premiada, pôs pela primeira vez os nomes de Lula e Dilma na cena do crime. Disse que eles sabiam de tudo. E prometeu dar os números das contas bancárias do PT no exterior para onde ia a grana da roubalheira.

Precisa mais? Não são apenas acusações de um marginal, que busca jogar lama no ventilador. Trata-se de alguém que joga seu próprio destino. Delação premiada não é um jogo de vale-tudo.

As informações precisam estar fundamentadas, lastreadas em documentação – ou não serão aceitas e agravarão a pena do depoente. As de Paulo Roberto Costa foram aceitas pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal. E ele já está em casa – sinal de que não se tratou de denúncias vazias.

Seja qual for o resultado de amanhã, há uma crise institucional no fim do túnel. Segundo se informa, em Brasília, algumas ordens de prisão, direcionadas a parlamentares e a governadores, já estão prontas.

A democracia foi substituída pela criminocracia. Caso se comprovem as delações de Youssef – e quem circula no meio político tem poucas razões para duvidar dessa hipótese -, uma eventual vitória de Dilma Roussef recolocará o fantasma do impeachment no palco da política.

Ouvi de um importante advogado de Brasília, acostumado a defender políticos, a frase: “Os eleitores de Dilma devem desde já procurar conhecer o programa de governo de Michel Temer”.


De fato, se vitoriosa – e na hipótese de um processo de impeachment -, Dilma acha que o PMDB a apoiaria ou preferiria exercer diretamente o poder? A eleição termina amanhã, mas a crise ocupará 2015.”

Blog em viagem - Vamos enfrentar a seca


São Paulo ou Nordeste?


Por Zé Carlos

Há mais de 40 anos, me formando em Economia, ciência ingrata para aqueles que tentam fazer justiça social, principalmente, com o dinheiro dos outros, eu não poderia dizer que estava “liso” porque ainda me restava dinheiro no bolso para algumas passagens de ônibus. Diante desta situação financeira pior do que a do Brasil de hoje, eu decidi enfrentar a seca. Como assim?

Para conseguir algum dinheiro e não chegar em Fortaleza, onde iria fazer um curso de aperfeiçoamento, e ter que dormir os primeiros dias nas marquises, resolvi aceitar uma proposta de adentrar por este sertão nordestino, com um questionário de uma pesquisa nas mãos, entrevistando as pessoas envolvidas com a seca que assolava nossa região de uma forma que até hoje acontece, embora não possamos comparar seus efeitos com o que hoje existe. Naquele período existiam as frentes de trabalho que davam sustento a muitos no período seco, e hoje não há mais frentes de trabalho. Eu não sei decidir qual o melhor dos dois períodos. Anteriormente se saía das frentes de trabalho, hoje não se sai de lugar nenhum.

Foi uma grande experiência de vida o contato com aquele povo bom e hospitaleiro de todas as cidades (lembro de Antenor Navarro (PB), Juazeiro (CE), Exu (PE) e algumas outras que não quero puxar pela memória agora) com histórias incríveis que, se algum dia puder, ainda escreverei sobre. Dentro de um mês, entrevistei muita gente, cuja lembrança maior foi o pai de Luiz Gonzaga, um dos sofredores da seca apesar de ser proprietário de um sítio. Por este trabalho, ganhei um dinheirinho que deu para pagar a pensão no Ceará até receber o dinheiro de uma bolsa. Sim, eu também já vivi de bolsa, embora do tipo que sempre tinha um porta de saída para melhorar, ao contrário de certas bolsas modernas que só aprisionam.

Mas, para que estou tocando nisto? Simples. A partir da próxima semana irei enfrentar outra nova seca. Vou para São Paulo. Eu poderia dizer até que fui convidado pelo governador Alckmin, pela minha experiência em estiagem para ajudar aquele povo sofrido do seu estado. E, se isto fosse verdade, eu até teria alguma experiência, como por exemplo, cavar açudes com a ajuda de jumentos, o grande herói de nossos períodos poucos chuvosos do passado. Ou então, por que não?, mostrar para ele que a solução é fazer como muitos nordestinos o fizeram e emigrarem para outro lugar onde a chuva abunda. O que sinto é que não posso dizer que ele envie seu povo para o sertão nordestino, porque ainda não resolvemos o problema. Talvez, se eles viessem para o Recife, pelo menos o Rio Capibaribe ainda não secou.

No entanto, não posso ir logo inventando histórias, nesta emigração para São Paulo, como o fez o nosso nordestino mais famoso, o Lula, que ainda hoje se elege lembrando daquela viagem num pau-de-arara. Eu vou num pau-de-arara aéreo que é a classe econômica dos nossos voos domésticos, comendo minha barrinha de cereal. Espero chegar lá vivo. E fazer o que realmente vou fazer lá: Visitar minha filha que hoje habita aquele estado e que resolveu cuidar dos animais paulistas (ela está fazendo o curso de Medicina Veterinária na USP), e quem sabe um dia, voltar e cuidar dos animais nordestinos inclusive deste animal que lhes escreve.

Deverei passa lá algum tempo, e o objetivo desta postagem, depois de tanta enrolada escrevinhatória, é avisar aos nossos leitores, os meus poucos, mas os muitos de nossos colaboradores, que A Gazeta Digital poderá sofrer alguns pequenos atrasos de atualização e de publicações, até que, enfrentando a seca paulista, encontremos um lugar de onde possa colocar o blog em dia, como sempre o faço, com todo prazer, e sendo este prazer nossa única paga. Embora não tenha sido isto que informaram à justiça de Bom de Conselho, que me condenou, pelo que outra pessoa disse em nosso Mural. O juiz pensou que eu ganhava muito dinheiro com a AGD. Eu apelei, pelo tamanho do erro, mas, só tenho a dizer que seria melhor que ele estivesse correto. Pelo menos eu iria para São Paulo de primeira classe.


Espero que os transtornos da viagem sejam os menores possíveis para continuarmos tentando informar Bom Conselho e adjacências sobre o que se passa no mundo. Como dizia o filósofo de Bom Conselho “é melhor ver se a lâmpada está queimada do que reclamar do poste”.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

PRAÇA MONSENHOR ALFREDO DÂMASO




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho


Há muito tempo que o nosso conterrâneo Edjasme Tavares, vem tentando sensibilizar toda comunidade dos bom-conselhenses de substituir o nome atual da Praça Pedro II para Padre Alfredo Pinto Dâmaso. Este assunto já foi aprovado há vários anos quando ocupava uma das cadeiras da Câmara Municipal de Bom Conselho – Casa Dantas Barreto e, até hoje continua sem o respaldo das autoridades locais, e tampouco da comunidade que tem um valor inestimável de opinar. Todos calados. Ninguém se manifesta. É um silencio sepulcral.  E o tempo corre e avança sem que haja nenhum pronunciamento. O Edjasme já se manifestou em muitas outras ocasiões sobre este assunto. Vem quebrando a cabeça para que nome o Padre Alfredo, que todos conheceram e aqueles que não tiveram os privilégios de conhecê-lo, conheçam ao menos pela sua memoria deixada pelos serviços pastorais e espirituais por ele na comunidade não somente na cidade de Bom Conselho, mas em todo o município, ocupe um lugar que deve ser seu, em sua memoria, não tenha dúvida. Tenho acompanhado a sua luta nos seus belos escritos publicados no nosso querido jornal A GAZETA. É uma luta ferrenha que abraçou e que somente o tempo dirá a sua vitória. “Pelo amor de Deus! Acorda povo de Bom Conselho!” Gazeta nº 365 – edição de 16 a 31 de julho de 2014 pagina seis. É um apelo dramático que merece reflexão da nossa comunidade.  Ele faz uma breve explanação do seu desejo, e acredito de boa parte da população bom-conselhense este desejo exista, onde ele mostra o trâmite da burocracia existente naquela época 1964/1965 aprovada pela Câmara Municipal, mas que não foi cumprida, pelo engavetamento do projeto de Lei, e que até hoje não foi reavivada. Continua a mesma burocracia no tempo atual. É triste, mas é verdade. Na Gazeta de nº 368 - Edição 01 a 15 de setembro de 2014 volta o nosso amigo apelar novamente, nunca desistir, pelo seu artigo “Recado ao Padre Alfredo Dâmaso” citando o nobre prefeito Danilo quando intercede ao grande sacerdote, diz “Meu bom Pastor e amigo Padre Alfredo, não perdi a esperança. Ainda tem uma chama acesa dentro de mim que é o Senhor Prefeito Danilo. É jovem e muito jovem para nós, entretanto, tem um coração de carne e não de pedra, espero que até o final do seu mandato, transferir o seu grande e respeitável nome para a Praça Pedro II....” É mais um apelo dramático lançado ao Prefeito Danilo Godoy, para que a referida Praça venha ter o nome do Padre Alfredo, que merece esta homenagem de todos bom-conselhenses. Fiquei temeroso com o final deste artigo, onde a decepção e a falta de atenção para nosso conterrâneo Di Tavares, quando ele em conversa formal com o nosso querido Luiz Clério Duarte, um grande batalhador pelas causas de nossa querida terra, demonstra a vontade de deixar de escrever os seus artigos em nossa querida GAZETA, apela ao Padre Alfredo – “Padre Alfredo, ontem estive conversando com o paciente e conselheiro Luiz Clério, informando a decisão de parar de escrever para o nosso notável jornal, tão respeitável e acreditado comunicador. Expliquei as razões do meu desgosto, contudo ele me deu um chá de ânimo espetacular e voltei à decisão (graças a Deus, grifo meu) de continuar com este espaço, até não sei quando. É o meu recado ao Ministro Ordenado que esteja no céu. Com a graça de Deus”. Acredito piamente que o Padre Alfredo que se encontra na glória celeste, intercederá junto a Santíssima Trindade, com a benção da Sagrada Família que brevemente teremos um pronunciamento favorável dos nossos dirigentes municipais. Vamos colocar tudo nas mãos de Deus.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

História de Puta - 2




Por Carlos Sena (*)

Joana era uma senhora bonita, “reboculosa” – loira de farmácia, mas loira. Morava num bairro nobre do Recife em um prédio simples, mas bem localizado para o exercício da sua profissão. Quem a visse produzida não dizia que ela era mãe de uma jovem de 15 anos, tampouco que morava naquele prediozinho chinfrim. Quando Joana saia de casa por gosto se poderia ver, diferente da sua filha que, embora jovem, era insossa, sem atrativos como a mãe.

Diziam as más línguas que ela trabalhava numa empresa durante o dia, mas durante a noite ou em horas vagas, “rodava a bolsinha” para complementar sua renda mensal.

Quando alguém era apresentado a Joana imaginava logo se tratar de uma madame fina da alta sociedade pernambucana, mas... O buraco, literalmente era mais embaixo.

Certo dia ela se queixou a uma sua vizinha de apartamento. Dizia não ter sorte com os homens, pois desde que seu casamento acabou ela não conseguiu um relacionamento sério com ninguém. De fato isso era o que todo mundo que a conhecia se perguntava, pois Joana, como disse se vestia bem e tinha um ar de sedutora além de um bom papo. Surpreendentemente, eis que surge um “príncipe encantado” na vida dela! Alvíssaras. Já não era sem tempo. Bela noite, Joana sai para a noitada (hoje seria balada) ou, como se diz na gíria, para a “batalha”. Foi a um barzinho da moda – daqueles que tem musica ao vivo e são muitos bons para a “pegação” (mulher de hoje pega os homens!). De repente, ela se sente olhada por um senhor que tinha cara de gringo. Mas não era. Era um empresário paulistano que estava passando férias no Recife. Amor a primeira vista. O homem endoidou por Joana e passou o resto das suas férias saindo com ela o tempo todo. O empresário ficou, de fato, apaixonado por ela e logo engatou aquilo que a gente chama de “relação séria”. Mas, as férias do pretendente de Joana chegaram ao fim. No aeroporto ele se despediu com um ardente beijo. Ela, coitada, chorava a cântaros. Mas ele a consolou dizendo que ia mandar uma passagem para ela e sua filha passarem um mês em São Paulo.  E cumpriu sua promessa. Mandou duas passagens de avião – uma pra ela e outra pra sua filha. E as duas se foram conhecer Sampa em alto estilo. Ficaram num hotel cinco estrelas com tudo pago pelo namorado apaixonado. Finalmente, pensou Joana, encontrei o que tanto esperava!

De volta a Recife, a relação ia de vento em popa. Joana era riso só, felicidade só e não escondia da sua vizinhança. Parecia “pinto no lixo” de tão contente. Mas, olha o “mas” aí! Certo dia Joana teve a idéia de escrever para o empresário dizendo estar grávida e que, por conta disso, precisava de dinheiro para fazer o pré-natal da criança. Não demorou muito e logo veio, também por carta, a tão esperada resposta. Joana abriu a missiva e... Dentro tinha um cheque de dez mil reais! Em anexo, um atestado do médico que dizia ser o empresário vasectomizado há mais de dez anos.

Assim, com um simples “adeus” o empresário paulista curtiu sua decepção. E deu nela essa conhecida “tapa com luvas de pelica”...

Joana até pensou em suicídio, mas como boa puta (embora burra) logo foi para a rua tentar encontrar mais um suposto bobo...

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 15/09/2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Combata a "ignorância ativa" no próximo domingo




Por Zezinho de Caetés

Depois de ver tantos debates televisivos e propagandas eleitorais, nesta eleição para presidente, encontrei um texto do Ruy Fabiano (18/10/2014 – Blog do Noblat) chamado: “A ignorância ativa”. Eu o reproduzo abaixo para melhor julgamento dos leitores do que está se passando no Brasil, não é de agora.

Todos sabem que já tive até simpatias pelo PT, em seu início, quando ele começou a ser contra a ditadura militar, mesmo que depois se soubesse que o seu fundador, o Lula, segundo o Tuma Jr. em seu livro “Assassinato de Reputações”, disse que ele era um informante do regime militar. Lembram do “Barba”? Este partido era o que pregava a volta à democracia e a defesa da moralidade, e por causa disso ele cresceu sem, por um tempo, se envolver com pessoas como a Dilma que pregavam a ditadura do proletariado como norma para o Brasil. Enganou muita gente, inclusive eu, embora, não por muito tempo. Já fui um louco ao ponto de votar no “Barba”.

Porém, a enganação veio mesmo à tona em 2002 com a assunção dele, o PT, ao poder com o Lula. Depois de colar toda a política econômica do FHC, que vinha dando certo e que trouxe o Brasil  para um patamar respeitável em termos econômicos, em relação ao que se passava no governo do cruzado Sarney e do confiscador de poupança, o Collor, o Lula sentiu que poderia continuar no poder “peronia seculum seculorum”, e partiu para o mensalão com tudo, para não ter dúvida. Ele descobriu que a defesa dos pobres era o grande filão de votos, e como o Fome Zero não havia dado certo, ele partiu para colar também as ideias lançadas do governo anterior no campo social e criou o Bolsa Família. Com isto, saiu elegendo postes por este Brasil afora, e chegamos onde estamos, com todos eles com luzes apagadas e quase caindo.

Mas, convém relembrar o que foi feito por este partido, que hoje quer ainda permanecer no poder e, tenho certeza, o Lula ainda pisaria no pescoço de D. Lindu, como dizia Brizola, para que isto acontecesse. E isto é o que faz o texto abaixo do Ruy Fabiano, com o qual eu lhes deixo por aqui. Espero que ele os ajude a votar no domingo e os livre para ignorância ativa.

“A predominância do eleitor jovem, que hoje se inicia aos 16 anos – e se dispõe a uma militância veemente -, favorece a criação de um ambiente eleitoral de mistificação e descompromisso com os fatos históricos, na base do “se assim não foi, pior para os fatos”.

O jovem, vítima de um ensino cada vez mais precário e ideológico, sensível à atmosfera de protesto, embarca facilmente em slogans do tipo “o Brasil quebrou três vezes no governo FHC” ou “o PSDB governou para os ricos”. Nenhuma dessas afirmações encontra respaldo nos registros da história recente.

Mas quantos jovens se empenham em ir aos jornais da época avaliar o contexto do que lhes é dito hoje e examinar a conjuntura que precedeu os acontecimentos que lhes são expostos como verdades inapeláveis?

Predomina então a máxima de Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. É pena, mas é verdade.

Um eleitor de 16 anos tinha apenas quatro anos ao tempo em que FHC passou a faixa presidencial a Lula. Um de 25 anos tinha 13. Nenhum testemunhou o país da hiperinflação e muito menos o da transição do governo militar para a democracia.

Não avalia, portanto, o impacto da recusa do PT em apoiar Tancredo Neves, tendo, inclusive, expulsado três parlamentares seus que optaram em elegê-lo no colégio eleitoral. Desconhece também a surpresa que causou a resistência do partido em assinar a Constituição de 1988 e todo o empenho posterior em barrar iniciativas tendentes a firmar a democracia.

O partido mostrou sempre grande eficácia predatória. Teve, portanto, importante participação no impeachment de Fernando Collor (hoje seu aliado), mas se recusou a apoiar o vice Itamar Franco, que recebia o governo em condições delicadas, com a inflação em descontrole. Também expulsou a deputada Luiza Erundina, que aceitou ser ministra de Itamar.

Na sequência, veio o Plano Real, com Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda. Todo o país aderiu – exceto, claro, o PT. E se opôs a todas as medidas que vieram a sanear a economia: a Lei de Responsabilidade Fiscal (entrou contra ela no Supremo Tribunal Federal), o tripé macroeconômico e tudo o mais que propiciaria, a partir de 2003, que Lula recebesse um país bem melhor que o que fora entregue a seu antecessor.

O Plano Real permitiu, com o controle da inflação, que beirava os mil por cento ao ano, que novos empregos fossem criados e que houvesse efetiva distribuição de renda. Mas os desníveis sociais históricos exigiam algo mais.

Foram criados os programas de transferência de renda: o Bolsa Escola (vinculado à escolarização dos filhos das famílias beneficiárias), o Vale Gás, o Bolsa Alimentação, o Vale Transporte.

Para que esses programas fossem implementados, impunha-se um trabalho prévio de cadastramento junto às prefeituras, quase seis mil, trabalho concluído a tempo de alcançar 5 milhões de beneficiários. Lula, que havia criticado aqueles programas, alegando que deixariam o brasileiro preguiçoso (há um vídeo dele no Youtube, com essas palavras), assumiu e os suspendeu. Pôs em cena o Fome Zero, que não funcionou.

Decidiu então, já que não dispunha de nenhuma outra fórmula, rever os programas assistenciais do antecessor, concebidos pela socióloga Ruth Cardoso, que comandava o Rede de Solidariedade. Era um programa tucano e, talvez por isso, não lhe tenha sido fácil voltar atrás. Mas voltou, o que lhe é meritório.

Foi ainda um tucano, o governador de Goiás, Marcone Perillo, quem lhe sugeriu que unificasse aqueles programas num só. Surgiu então o Bolsa Família, em cujo texto há menção aos programas anteriores que o compunham e que ali se unificavam. Mudou-se a tabuleta, mas manteve-se o conteúdo.

O passo seguinte foi sua expansão. Os cadastros já estavam prontos e o modus operandi já era conhecido. Se o sucessor de FHC tivesse sido um tucano – e não é despropositado supô-lo -, essa expansão poderia ter sido ainda mais rápida, já que não teria havido o intervalo experimental do Fome Zero.

Que fez então o PT? Primeiro, apropriou-se da ideia. Pôs em cena a propaganda e passou a acusar o autor da proposta de seu inimigo. Tornou-a arma eleitoral. Como FHC jamais usara aqueles programas como instrumento eleitoral, poucos sabiam de sua autoria e passaram a chancelar o que o PT dizia a esse respeito.

Até mesmo agora, no debate da Band, Dilma negou veementemente o DNA do Bolsa Família. Aécio leu o texto da lei e ela passou então a proclamar a escala em que o PT a aplicou. Só o conhecimento histórico do que se passou dirime dúvidas e retira o tom militante do imbróglio. Mas quantos, que não viveram esses acontecimentos, fazem isso?

Quando então se trata de corrupção, tema em que o PT se especializou – na oposição como denuncista; no governo, como praticante -, a confusão é ainda maior. E obriga o adversário a se postar na defensiva, o que, em política, é sempre ruim. Inverte-se o ônus da prova: passa a ser do acusado.

Dilma diz que o PSDB jogava a sujeira debaixo do tapete. Há doze anos, o PT é o guardião do tapete. Por que não o levanta e limpa a sujeira? São questões elementares que, no entanto, não ocorrem a um jovem militante.

Tem-se, ao contrário, uma atmosfera hipnótica, que permite que o partido que tem neste momento sua cúpula na cadeia, que estuprou a Petrobras e jamais explicou o assassinato do prefeito de Santo André – e cujo elenco de escândalos não cabe num artigo –, acuse o oponente de corrupto. O próprio Lula, notório cultor do alambique, dá-se ao luxo de chamar seu adversário de bebum.

Não admira, pois, a propagação nas redes sociais de um coro de descontentes, a repetir com a autoridade de cientistas políticos frases e acusações concebidas por marqueteiros bem-remunerados, gigolôs da bílis alheia. Pior que a desinformação dos que não têm escolaridade é a dos que têm – e não estudam.


Goethe estava certo: nada mais perigoso e nefasto que a ignorância ativa. Os debates, lamentavelmente, dirigem-se a essa plateia – e são analisados por ela.”