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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Um epitáfio para Lula: "Aqui jaz um bon vivant!"




Por Zezinho de Caetés

No momento em que escrevo hoje, é cedo o suficiente para dizer se a malandragem está ganhando ou perdendo. Isto é, se a “greve geral” está funcionando ou não. Ou se o país está sofrendo com desfaçatez dos sindicatos ou não. Eu espero que tudo esteja funcionando.

No entanto, vou tratar aqui de outro fator, embora não menos relacionado. A vida dura que o Lula vem tendo junto à Justiça. Desde as últimas delações (Odebrecht e OAS) que só os mais fanáticos lulistas ainda pensam que ele é inocente. E olhem que não estou dizendo, apoiadores de Lula, e sim fanáticos, pois seus apoiadores já o apoiam apenas para não perderem a boquinha, pois se não o fizessem teriam sua vida política dizimada. Será que estou pensando na Gleisi Hoffmann? Ou no Humberto Costa?

O fato é que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que o Lula não ser preso. Se não for neste processo sobre o qual iria depor no dia 3 e agora passou para o dia 10 de maio, será por outros não sei quantos que ainda virão. E são muitos podem crer.

Os mais espertos do Partido dos Trabalhadores já se afastam, como o Leonardo Boff, Luciana Genro, Clóvis Cavalcante, e tantos outros. Os que ficam, têm pouca esperança, mas, que jeito? E ainda há os que se unem a Lula por puro oportunismo como o Renan Calheiros que tenta explorar os “votinhos” que ele ainda tem em Alagoas para não ir cuidar dos bois a partir de 2019.

Ou seja, politicamente, o Lula está morto, enterrado e esperando o epitáfio mais adequado: “Aqui jaz um bon vivant!”.

Para esmiuçar mais nuances da vida do meu conterrâneo, leiam abaixo o Murillo de Aragão onde ele discute “Lula e sua bagagem pesada”, publicado ontem no Blog do Noblat, que vou ficar na espreita para ver se encontro alguém sério que tenha aderido à greve hoje. Vou usar minha lupa!

“As declarações dos empresários Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro sobre suas relações com Lula complicaram de vez a situação do ex-presidente. Mas a questão que envolve a possibilidade de sua prisão pode não ser resolvida rapidamente. Afinal, prender um ex-presidente da República provoca amplas repercussões nacionais e internacionais.

No entanto, a situação jurídica de Lula está cada vez pior e dificilmente ele conseguirá escapar de uma pesada condenação por parte do juiz Sérgio Moro, à frente das investigações na Operação Lava-Jato. Lula provavelmente poderá recorrer em liberdade e aí sua sorte estará nas mãos do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A questão crucial é saber se o TRF4, localizado no Rio Grande do Sul, cujo meio jurídico tem conhecidas tendências esquerdistas, condenará Lula com celeridade a ponto de torná-lo inelegível. Como se sabe, uma condenação em segunda instância de órgão colegiado fará dele um ficha-suja.

Lula, por sua vez, age de forma clara: transforma-se em vítima e candidato à Presidência para jogar em Moro a pecha de perseguidor de político popular. O resultado nas pesquisas de opinião endossa a estratégia de Lula: é o único que estaria assegurado no segundo turno se a próxima eleição presidencial fosse realizada hoje.

Miais recentemente, o ex-presidente e o juiz passaram a protgonizar uma polêmica sobre sobre as condições em que se dará o encontro entre ambos – dia 3 de maio ou mais tarde, com 87 testemunhas ou menos, embalado por manifestações populares alusivas ao dia do trabalhador ou um teste de pré-lançamento de campanha.

O embate serve de maneira conveniente à personalidade marqueteira de Lula, que todos os dias tem assunto para alimentar a mídia. Com a vantagem de se tratar de uma agenda positiva, que evita as palavras corrupção e propina, e põe no centro do debate a questão da democracia.

Recentemente, o sociólogo André Singer, um dos formadores das teses do lulopetismo, afirmou em artigo que a estabiidade da democracia só estará garantida se Lula concorrer em 2018: "No lusco-fusco em que nos encontramos, o destino jurídico do líder petista será chave”, escreveu.

Caso Lula seja candidato, raciocina Singer, “a recomposição do tecido democrático esgarçado pelo golpe parlamentar ganha densidade”. Na hipótese contrária, a instabilidade tende a se prolongar. Logicamente, o raciocínio de Singer é mais do que um exagero.

Como a próxima eleição não será realizada hoje e nem se sabe se Lula estará ou não elegível em 2018, tudo o que vemos é um samba-enredo destinado a transformá-lo em herói do povo mesmo com evidências chocantes de privilégios indevidos. É a construção de uma narrativa que funciona, em parte, pelo fato de os demais partidos também estarem sendo atingidos pelo tsunami da Lava-Jato.

Tal narrativa não funcionará mais adiante porque a mochila de fracassos e equívocos de Lula está transbordando e isso custará caro em uma possível tentativa de se reeleger. Em campanha, ele já não contará com a generosa ajuda das empreiteiras. Além disso, o PT está desidratado e envergonhado, por conta da sucessão de escândalos em torno de seu nome. Sem contar o fato de que o mundo sindical não estará unido a seu lado.


Para piorar, caso Lula consiga chegar a 2018 elegível, sofrerá um bombardeio midiático intenso, já que passou a personalizar tudo de ruim que aconteceu no Brasil nos últimos anos. Poderá até chegar ao segundo turno, mas ganhar é outra história.”

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Passa a Reforma Trabalhista. Precisamos de mais...




Por Zezinho de Caetés

Ontem, passou na Câmara o projeto de Reforma Trabalhista. É um alívio para o governo Temer e um suspiro para o Brasil. Pelo menos as possibilidades das outras reformas não se fecham.

Mas, relacionado ao Trabalho, está prevista para amanhã um “greve geral”. Eu coloco entre aspas devido ao seu absurdo, se eu não soubesse que, quem faz greve no Brasil, é funcionário público, que não tem medo de perder o emprego. E isto deveria ser motivo de uma nova reforma trabalhista, agora no setor público.

Quando se vê o quanto o Estado aumentou no Brasil, e consequentemente, o número de funcionários, só isto bastaria, para incentivar cada dia mais nossos parlamentares a se verem livre de grande parte dele. Daqui a pouco seremos uma república sindicalista sem trabalhadores, e todos no setor público.

Enquanto o setor público não desinchar e suas funções e cargos não forem preenchidos pelo mérito, viveremos nesta balbúrdia onde só há trabalhadores na iniciativa privada, que não irão participar de greve nenhuma, porque perderão seus empregos.

Há esperanças por aí, no entanto. Hoje vi um vídeo, onde o João Doria, além de dizer que descontará o dia do funcionário que não comparecer, diz também que pagará o transporte de táxi daqueles trabalhadores que não encontrarem meios de comparecerem aos seus postos. São novos ares no Brasil.

Mas, ainda estamos tratando da Reforma Trabalhista, e deixo os detalhes do muito que se há de fazer para nos tornarmos um país civilizado com a Miriam Leitão, no texto abaixo transcrito (“Mudança incompleta” – O Globo de hoje), onde ela reflete o quanto temos que fazer para tirar o Brasil do caos que o lulopetismo nos deixou.

“A reforma trabalhista não resolve os inúmeros problemas do mercado de trabalho, mas dá passos importantes. Permanece sem solução a maior das questões, a de um mercado com duas classes de trabalhadores, uma com lei, e outra sem lei e sem proteção. Segundo o IBGE, 40% dos trabalhadores não têm carteira assinada. O projeto, que até o fechamento da coluna estava sendo votado, é uma mudança incompleta.

É uma reforma com pouca ambição. Há saídas engenhosas para algumas questões, há tentativas de resolver certos impasses e há claros acertos, mas nem trata de inúmeros problemas do mercado de trabalho.

Acabar com o imposto sindical obrigatório é ótimo, mas é preciso também acabar com os tributos que sustentam a representação patronal. No Brasil, há um ponto comum entre os sindicatos do trabalho e do capital: eles querem que nada mude, porque nos dois lados há representações de fachada que vivem do dinheiro coletivo recolhido compulsoriamente.

As empresas pagam imposto sindical, da mesma forma que os trabalhadores. As federações dos empresários usam ainda parte do dinheiro do sistema S, imposto recolhido das empresas para financiar a qualificação dos trabalhadores. Representações sindicais de patrões e empregados precisam viver da relação com os seus associados. Por outro lado, os sindicatos dos trabalhadores ganharam uma enorme força com o princípio de que o negociado pode se sobrepor ao legislado. É bom lembrar que não serão negociáveis os direitos como férias, 13º salário. Pode-se aproveitar o momento para separar o joio do trigo: sindicatos fracos, dominados pelo mesmo grupo, que não prestam contas, que nem fazem esforço de sindicalização, que vivem apenas do dinheiro e do carimbo, esses poderão acabar. Já os que realmente representam a categoria terão ainda mais força.

Ter novas modalidades de trabalho possível em um mundo em transição constante é fundamental. Quando for necessário para a empresa, e para a pessoa, pode haver trabalho remoto, trabalho intermitente e jornada de 12 horas, desde que seguidas de 36 horas de descanso.

Um avanço foi a possibilidade de saída negociada da empresa, em que o trabalhador pede demissão mas tem acesso a 80% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e metade do aviso prévio. São inúmeras as situações em que a pessoa quer sair de um emprego para aceitar um convite ou enfrentar um novo desafio. O trabalhador nessa situação só tinha o caminho de pedir demissão e receber apenas os proporcionais de férias e 13º salário. Agora, poderá ter acesso aos 80% do FGTS. O ruim é ter sido incluído 20% de multa sobre o saldo, porque isso pode desestimular a empresa a aceitar essa modalidade de encerramento do contrato de trabalho.

O Brasil tem um enorme contingente de pessoas fora de qualquer proteção legal. Há 10,5 milhões de trabalhadores sem carteira assinada em empresas privadas. Há 4,1 milhões de empregados domésticos sem carteira. E há ainda 22,1 milhões de pessoas trabalhando por conta própria que, em parte, podem ser pessoas em trabalho precário. E há ainda os 13,5 milhões de desempregados. O pior número divulgado pelo IBGE ontem é que 1,5 milhão de brasileiros estão impedidos de sair do local de trabalho por dívida. São supostas dívidas de gastos com alimentação, transporte ou equipamentos de trabalho. Isso é ilegal e um completo absurdo.

Essa reforma não resolverá esses desequilíbrios e desigualdades porque ela não é ampla o suficiente, mas é um passo na direção da atualização da lei dos anos 1940, que ficou confusa, ineficiente e desatualizada.

O economista José Márcio Camargo costuma dizer que os direitos são flexibilizados na hora do conflito. A primeira pergunta que o juiz do trabalho faz é se as duas partes querem entrar num acordo. Quando isso acontece, o trabalhador abre mão de parte do que ele acha que tem direito, para receber mais rapidamente, e a empresa paga mais do que acha que seria correto para evitar o passivo trabalhista. São 3 milhões de novos processos por ano no Brasil.


Quem olha com serenidade para o mercado de trabalho brasileiro sabe que ele precisa de várias reformas para se adaptar ao mundo do trabalho no século XXI e para proteger todos os trabalhadores.”

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Lula x Moro: O dragão da maldade contra o santo guerreiro




Por Zezinho de Caetés

Até a hora que escrevo, não sei se o Lula irá depor em Curitiba no dia 3 de maio. Parece que pediram ao juiz Sérgio Moro para que adiasse sua ouvida, devido à proximidade do feriadão do Dia do Trabalho.

Além disso, há o planejamento de uma “greve geral”, por aqueles mesmos que se aproveitaram das benesses do PT no poder e, principalmente, pelas corporações do funcionalismo público, cujos sindicatos estão ameaçados de perder a “bocona” do imposto sindical.

No fundo, no fundo, o que move os pelegos para a greve é a possibilidade de não trabalharem nem na sexta-feira nem na segunda-feira, e terem um feriadão maior do que o da semana passada.

Num país onde o desemprego chegou ao nível que chegou, fazer greve é um contrassenso digno de nota ou de pena. No nosso caso é de pena, e por isso, a Reforma Trabalhista é tão importante, e principalmente, o que vem junto, que é a abolição do imposto sindical.

Os nossos trabalhadores vão enfim aprender a negociar com os patrões sem a proteção viesada da Justiça do Trabalho, cuja justiça hoje é defender trabalhador, mesmo que ele não trabalhe.

Mas, voltando ao ponto da audiência de Lula, espero que o Sérgio Moro se comporte como vem se comportando, não importando muito o dia em que ele vai ouvir meu conterrâneo. Eu não espero sua prisão, a não ser que, com os nervos à flor da pele como ele está, parta para o desacato.

Mas, para verem as possíveis teorias a respeito do adiamento, ou não, do depoimento, vejam o texto do imortal Merval Pereira, abaixo transcrito, que ele, ele intitulou muito bem de “Mistérios de Curitiba”, e notem, que semana complicada será a próxima.

De qualquer forma, este encontro, de tão esperado e importante, lembra até filme do Glauber Rocha, pelo menos em seu título: “O dragão da maldade contra o santo guerreiro”. Que vença o santo.

“O possível adiamento do depoimento de Lula ao Juiz Sérgio Moro decorre do receio de manifestações populares em Curitiba ou sinaliza que Lula pode ser preso a qualquer momento? A Polícia Federal pediu esse adiamento por que, como alega oficialmente, quer mais tempo para organizar o esquema de segurança na cidade, ou está juntando mais provas contra o ex-presidente? Foi uma vitória de Lula? Foi uma demonstração de medo de Moro?

 Nenhuma explicação oficial faz sentido. Desde março a data está marcada, e os organismos de segurança tiveram tempo suficiente para organizar seus esquemas preventivos. Se foram surpreendidos com uma movimentação acima do normal dos militantes petistas, serviços de informação e segurança não são.

Difícil entender a comemoração dos petistas e aliados, pois a situação de Lula fica cada vez mais fragilizada a cada depoimento, como os de João Santana e Monica Moura dados ontem no processo do Tribunal Superior Eleitoral, ou do próprio ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que demonstrou uma intimidade com Lula e sua família que não pode ser negada, pois quando foi levado coercitivamente para depor, o próprio ex-presidente admitiu que era amigo de Léo Pinheiro.

 Evidentemente são ex-amigos agora, mas Lula procura atenuantes para as acusações, alegando que o ex-presidente da OAS as fazia por que está negociando uma delação premiada. Claro que com isso procura também deslegitimar as palavras de Léo Pinheiro, mas as evidências são muitas.

A possibilidade de Lula vir a ser preso nos próximos dias existe, diante da denúncia de que ele orientou seu amigo a destruir qualquer prova que ligasse o pagamento de propinas ao triplex do Guarujá. Aconteceu assim com o ex-senador Delcídio do Amaral, diante de uma gravação explosiva em que relatava as manobras para impedir que Nestor Cerveró denunciasse Lula.

O fator surpresa, naquela ocasião, foi fundamental para que o Senado aprovasse sua prisão. Já no depoimento de Léo Pinheiro, a divulgação do vídeo tirou o impacto da revelação, feita diante de advogados diversos e procuradores do Ministério Público. Creio que só se surgirem novas provas – será isso que a Polícia Federal busca? – se justificaria a prisão de Lula neste momento.

 Assim como não acredito que o Juiz Sérgio Moro esteja preparando a prisão do ex-presidente para o dia do depoimento, a não ser que Lula perca o controle e afronte sua autoridade, no que também não acredito. Seria uma atitude irresponsável que não o ajudaria em nada, ao contrário.
O comportamento da defesa do ex-presidente é muito próximo, em diversas ocasiões, de uma afronta à autoridade do Juiz Sérgio Moro, que tem conseguido se manter frio diante das provocações. Fazer a mesma pergunta diversas vezes, de maneira diferente, é costumeira forma de a defesa tentar protelar a decisão final.

Arrolar 87 testemunhas de defesa é claramente um desafio e outra tentativa de ganhar tempo, e Moro caiu na esparrela ao exigir a presença de Lula em cada um dos interrogatórios. Nada indica que tenha poder para tal, e a única coisa que conseguiu foi mostrar a motivação protelatória da defesa, mas deu margem a que fosse acusado mais uma vez de perseguidor de Lula.

Para o ex-presidente, o melhor cenário é ser condenado em segunda instância a tempo de ser impedido de concorrer às eleições de 2018. Posaria de vítima e não correria o risco de ser derrotado. Ninguém leva a sério a pesquisa da CUT/Vox Populi que indica Lula como vencedor do primeiro turno. É só uma pressão política contra sua prisão.

Mesmo que fosse correta, é preciso ser muito ingênuo para acreditar que Lula, com todas essas acusações, especialmente depois das delações dos executivos da Odebrecht, conseguirá manter essa pretensa popularidade numa campanha presidencial acirrada como a que se aproxima. 
O que é grave é esse ambiente de confronto que está sendo armado para o dia do interrogatório. Afinal, Lula é intocável? Está acima das leis?”   

terça-feira, 25 de abril de 2017

Reformar ou morrer!




Por Zezinho de Caetés

Ontem li na mídia que o presidente Temer se irritou e disse que tinha chegado ao máximo de flexibilidade em relação a Reforma da Previdência. Ou seja, não mais vai ceder aos caprichos da base aliada que só quer o “toma lá” e não está entregando o “dá cá”. Segundo ele, agora, ou vai ou racha.

Não é de hoje que a chamada base aliada, depois de votar a PEC do Gasto, de forma brilhante, agora recua, diante de outras reformas que são importantíssimas para o Brasil, porque são impopulares. E todos sabemos o que medidas populares e irresponsáveis tomadas pelo governo do PT, afetou o Brasil.

Lembram da queda dos juros e do rebaixamento das contas de luz? Aquilo sim, o PMDB velho de guerra, não hesitava em apoiar. Agora tem que apoiar as medidas para sairmos deste buraco em que estas ações nos meteram. E não querem fazê-lo.

Eu, não tenho muita simpatia pelo Temer, não porque ele é ilegítimo, porque não o é, mas sim porque ele passou tanto tempo junto com o Lula e com a Dilma, que não pode ser boa bisca. Porém, de uma forma ou de outra agora ele é o presidente e está no caminho certo das reformas.

Dizem que a Reforma Trabalhista virá primeiro do que a da Previdência, o que não seria a ordem natural das coisas, todavia, o que pode ser chamado de natural, num país em que, o candidato que está na frente nas pesquisas para presidência, responde a mais de 10 processos, e está com o pé na cadeia, como o meu conterrâneo, o Lula?

Mas, que venha a reforma trabalhista, o que já é um grande passo para modernização do Brasil, junto com a terceirização, já aprovada, e que venha finalmente a Reforma da Previdência, a Tributária, e a mãe de todas as reformas, a Reforma Política.

Como não vou muito aos detalhes, sempre encontro um texto que o faça para o deleite dos meus leitores. Desta vez, o texto da vez, é do Fernão Lara Mesquita, que saiu no Estadão, e que ele intitulou como:  “Feche os ouvidos! Abra os olhos!” tendo como subtítulo: “Sem reformas que alterem o ‘sistema’ na essência não existe hipótese de salvação”, onde ele mostra, ponto por ponto, como estaremos numa canoa furada se as reformas não vierem.

Fiquem com o Fernão que eu vou ficar ligado no Senado, para ver se os senadores vão ter coragem de se declarem culpados, aprovando a Lei do Abuso de Autoridade.       

“É meio como a coisa dos assassinatos depois que passaram a ser filmados nas ruas. A gente sabe como as pessoas se matam desde Caim e Abel. Mas ver isso ao vivo é sempre muito chocante. Assistir às autópsias, então, faz a maioria das pessoas passarem a “raciocinar” com o estômago.

É o ponto em que estamos. Às vezes revolta, às vezes abre um oco na alma ir à minúcia de cada queda delatada, mas novidade mesmo não há. Sempre foi essa a regra do jogo e ela sempre foi clara. A coisa chegou aonde chegou porque nos últimos 30 anos ninguém, eleitor ou, principalmente, autoridade judiciária, jamais cobrou sua aplicação. É perfeitamente possível, hoje como antes, apurar quem, com “caixa 1” ou “caixa 2”, arrecadou para financiar eleições, quem aproveitou para se locupletar e quem, junto com isso, vendeu leis, vendeu a pátria, vendeu a alma ao diabo pelos faustos do poder. Pode-se traçar de onde saiu e aonde foi parar cada tostão movimentado. As “contrapartidas” viraram leis, MPs, contratos e contas na Suíça. Nada que se possa ocultar. Estão nos anais do BNDES, bilhão de dólar por bilhão de dólar, as operações de cooptação de um “baixo clero da ONU” que estenderia para além das fronteiras da América Latina bolivariana os sonhos de poder e os métodos para conquistá-lo desenhados no Foro de São Paulo e ensaiados no “mensalão”.

Há, portanto, enormes diferenças na motivação e na extensão da ação e dos danos produzidos por cada ator da novela da destruição do Brasil. Isso de condenar a regra que não se aplicou, em vez do desleixo de não tê-la aplicado, é o padrão que deságua sempre nas insidiosas “jabuticabas” que nos têm mantido fora do mundo e na miséria.

A continuação da parte dessa história que tem como horizonte o “excesso de democracia” praticado na Venezuela depende de se conseguir apagar essas diferenças. É nessa confluência que a força reacionária da “privilegiatura”, pela primeira vez ameaçada de recuo pelas reformas de Temer, se veio somar à correnteza do “lulismo”. Mas o pior foi mesmo ter o acaso conspirado mais uma vez contra o Brasil ao fazer coincidir tudo isso com o auge da Operação Lava Jato. É nesse cruzamento infeliz de forças que, uns arrastando, outros sendo arrastados pelos vazamentos sucessivos, se viram os guardiões da justiça forçados a abrir o pacote da Odebrecht “em bruto”, o que aplainou as diferenças e de novo “zerou” o placar eleitoral.

A situação do Brasil, entretanto, não tem mais conserto com paliativos. O acerto de contas entre os dois Brasis não é mais uma questão de opção. É uma impossibilidade matemática não fazê-lo. Só falta saber em quantas etapas sucessivas e com que dose adicional de desperdício e morticínio ele se dará.

O Estado toma 36% do PIB em impostos e mais 10% do PIB na forma de déficits. São 2 trilhões e 500 bilhões de reais. Na União, 54% dos gastos são com aposentadorias e outros benefícios para inativos, 41% são com salários de funcionários ativos. Só 5% são investidos em qualquer coisa que não seja pessoal. A média das aposentadorias pagas no “nosso” Brasil é de R$ 1.600. No “deles”, de R$ 9 mil no Poder Executivo, que propõe a reforma, e de R$ 25 mil no Legislativo, R$ 28 mil no Judiciário e R$ 30 mil no Ministério Público, que, em voz alta ou em voz baixa, resistem a ela. Dentro de cada um desses Poderes, o abismo entre os salários básicos e os balúrdios acumulados por dentro e por fora da lei, com fraude em cima de fraude, pelos respectivos “marajás” é ainda mais fundo que o que existe entre salários e aposentadorias dos brasileiros de 1.ª e 2.ª classe. Como “eles” são, ao todo, 10 milhões e os “marajás”, muito menos ainda, tem-se que perto de 40% do PIB fica nos bolsos de menos de 5% da população, um grupelho que, em pé, não enche a Praça dos Três Poderes, com a maior parte dessa fatia concentrada nos de uma ínfima minoria dentro dessa minoria. Se, portanto, a reforma da previdência privada é um imperativo demográfico, a da pública é um imperativo de salvação nacional. Ou nós acabamos com isso ou “eles” acabam conosco.

O que a extensão das delações está provando é que de PSOL a pastor, de Odebrecht a trabalhador braçal aliciado por advogadozinho achacador, tudo o que ingressa no “sistema” ou apodrece ou é expelido. Sem reformas que o alterem na essência não existe hipótese de salvação.

Corrupção é, essencialmente, déficit de democracia; impotência do representado diante da falcatrua do representante. “Estatizar” o financiamento de campanhas não conserta isso e implica a “lista fechada”, que agrava essa impotência. O atrelamento dos sindicatos ao imposto sindical, por Getúlio Vargas, condenou à morte a democracia no Brasil. O cerco foi fechado com uma “justiça do trabalho” que, ao institucionalizar o achaque, passou a corromper a base da sociedade. O “apelegamento” dos movimentos sociais e partidos políticos pela Constituição de 88 foi a pá de cal. É impossível pensar em “democracia representativa” num país onde todas as fontes primárias de representação da sociedade são sustentadas por impostos e independentes de seus representados. Contornar a indústria do achaque pela “terceirização” é condição essencial para a ressurreição do emprego no Brasil. Mas acabar com o imposto sindical é inverter o polo do mais antigo e fundamental dos vetores de forças negativas que atuam sobre o “sistema”. O financiamento de campanhas pelo Estado vai na direção contrária. O que torna eleições baratas de modo orgânico e saudável é encurtar o raio do território onde um político está autorizado a pedir votos. E isso se consegue com eleições distritais, método que, de quebra, torna explícito o laço de dependência entre eleitores e eleitos, sem o qual é impossível uns controlarem os outros.


Sim, a Lava Jato é intocável. Mas feche os ouvidos ao barulho e abra os olhos às evidências. Sem reformas não vamos a lugar nenhum. E fazê-las aos pedaços vai custar mais do que podemos pagar.”

segunda-feira, 24 de abril de 2017

A semana - Léo Pinheiro tenta enterrar o Lula, Temer diz que não teme Cunha, Papa resusa vir ao Brasil e muito mais...




Por Zé Carlos

Bem, posso dizer que esta semana não houve shows de humor individuais, pelo menos com tanta intensidade como as dos delatores da Odebrecht na semana que passou. Se não fosse pela delação do Léo Pinheiro, sim, aquele empreiteiro da OAS que é mais um a querer enterrar o Lula, cujo show na frente do sisudo Sérgio Moro, foi impagável.

Na realidade, quem mais fez graça foi o Temer, na tentativa de explicar o inexplicável, como o seu envolvimento no botim da Odebrecht. Eu penso, que depois de tudo isto, ele deve se acordar pela manhã, mandar a Marcela, ou mesmo o Michelzinho beliscá-lo para verificar se ele ainda está no mundo dos vivos. E quando descobre que está ainda vivo diz:

“Qual o recuo que eu devo aceitar na Reforma da Previdência para que meu governo não morra e eu passe a ser assediado pela justiça?”

E, por falar nisto, a Reforma da Previdência, que é algo necessário para que os aposentados no ano 2050 possam ainda receber alguma coisa, é motivo de tantas idas e vindas que virou a grande piada nacional. Nas redes sociais não encontramos outra coisa a não ser “memes” sobre o tema. Tem desde aquele que mostra um esqueleto se arrastando atrás da aposentadoria até aquele mostra o Lula, na cadeia, com 90 anos, reclamando porque não recebeu seu benefício por ter perdido o dedo 60 anos antes. Aliás, não é por outra coisa que ele foi sempre a favor da Reforma, pois sabe que, se ela não vier, seu benefício vai ser cortado.

Dizem até que o Temer já considerou devolver sua aposentadoria, que recebe desde da década de 70, mas, desistiu depois que soube que ela, em caso de morte, passará para o filho. No fundo, no fundo, e isto serve para todos: “Mateus, primeiros os meus!”.

E o que foi motivo de riso, e muito riso, é que há uma greve geral programada para esta semana. Eu pensei, ora, se há 13 milhões de desempregados, há 50 milhões de trabalhadores na informalidade, alguns milhões de funcionários públicos, será que não estamos vivendo uma greve geral todos os dias? Não seria melhor propor um dia em que todos trabalhassem? Talvez, isto resolvesse mais fácil os problemas do Brasil, e dos trabalhadores de fato.

E por falar em trabalho, outro motivo de grandes controvérsias hilariantes, é a Reforma Trabalhista. O que querem os inimigos da “classe trabalhadora”? Querem apenas que, ao invés dos trabalhadores viverem permanentemente na justiça do trabalho, processando os patrões, comecem a conversar com eles. E não se diz nela que “patrão” seja a melhor das pessoas, mas, apenas que se pode convencê-lo de que mais vale uma boa conversa do que ficar sem “trabalhador”. E a grande piada é que, quem é contra mesmo a acabar com a CLT, são aqueles privilegiados que ainda tem um emprego. Se fizermos as contas que mostrei acima em relação a greve geral, dir-se-ia, a la Temer, que esta é uma pequena minoria.

Mas, vamos em frente que atrás vem o riso. E nada mais hilariante do que a defesa do Lula, tentando evitar sua prisão. Eu assisti ao vídeo da audiência do Léo Pinheiro, e vi quanto os advogados do Lula devem estar de saco cheio de tentar o impossível. A cada intervenção, pioravam a situação do seu cliente. (Aliás, só um parêntese, eu não sei de onde vem o dinheiro para pagar estes advogados, se eles dizem o tempo todo que o Lula não tem nada e nunca teve nada. Talvez ele não saiba mesmo de nada. Fim de parêntese), e volto à vaca fria.

Pois não é que eles chamaram 87 testemunhas para falar bem do Lula nas audiências com o Moro?! Com isto eles tentam protelar o julgamento para 2050. E quando pensaram que o sisudo Sérgio Moro iria ficar tiririca da vida, o juiz fez cara de paisagem e disse: “Tudo bem, mas, quero que o Lula, compareça a todas as audiências, de cada uma das testemunhas!”. O hilariante disto é, se isto acontecer, só o Moro, deve estar vivo no final da audiência.

E com se não bastasse o potencial hilariante interno, temos as piadas internacionais. Uma delas vem do Papa Francisco. Em uma carta na qual recusa um convite do Temer para vir ao Brasil, o maior país católico do mundo, ele ainda cobrou do presidente, tentar evitar medidas que agravem a situação dos mais carentes. Mas, por Nossa Senhora de Aparecida, se o papa não quer vir ao Brasil, por que, além disto, ainda quer dar recado de defensor dos pobres? Disse ele:

"Sei bem que a crise que o País enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem raízes sociais, políticas e econômicas, e não corresponde à Igreja nem ao papa dar uma receita concreta para resolver algo tão complexo" .... mas, ... Não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira."

O que se deduz disso é que esta é uma mensagem cifrada do Sumo Pontífice, a esta coluna, pedindo para fazer parte dos seus quadros de comediantes. Eu mesmo penso que toda esta reação de ficar de mal do Brasil, quando Nossa Senhora Aparecida completa 300 anos de sua aparição, só pode ser dos membros da CNBB que estão com medo de ficarem sem a aposentadoria. E o Papa Francisco embarcou na onda, como tantos estrangeiros o fazem, sem saber o que está se passando.

Aliás, por falar em estrangeiros, a nossa Musa Dilma, continua os enganando lá nos Estados Unidos, contando a piada do “golpe”. Todavia, já sei que ela não quer é voltar para o Brasil, pois, corre o risco de ir de braças dados com o Lula para Curitiba. É uma pândega!

Outro que pediu sua inscrição na coluna foi o Doria, sim aquele que é agora prefeito de São Paulo e agora tenta dizer coisas só para que o aceitemos aqui. Bem, se ele contar piadas novas, eu posso até pensar no caso dele, mas, se continuar dizendo que o “Lula é um bandido!”, jamais escreverá aqui, pois isto é não é piada nenhuma. Nenhum brasileiro ri mais com isto, pois acham que isto é um fato. Conta outra Doria, e a coluna te contratará.

E aqui termino esta semana de riso, com uma piada do Temer:

“Não estou preocupado com o que Cunha venha a fazer!”

Só faltou ele dizer que a única coisa que o preocupa é a “Baleia Azul”.


Até a próxima semana, isto se a coluna não resolver aderir à greve geral.