Em manutenção!!!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A sucessão de Teori: Que tal um suplente de Ministro?




Por Zezinho de Caetés

Todos aqui se lembram das regras das monarquias que, entre elas, havia uma que dizia: “Rei morto, Rei posto”. Ela indicava que não se poderia ficar sem um rei nem durante segundos, e por isso as normas sucessórias desciam aos mínimos detalhes.

Ainda hoje, por exemplo, na monarquia inglesa, se a Rainha “bater a bota”, o Príncipe Charles vira rei no mesmo instante. É um terminando os suspiros neste mundo e o outro começando a respirar o poder. E se o príncipe herdeiro morrer junto, não tem problema, já haverá outro rei e assim sucessivamente.

E por que estou escrevendo isto? Porque o Brasil está mais parado do que já estava antes com o imbróglio da sucessão do Teori Zavascki, que deu seu último suspiro semana passada nos mares de Paraty. Ou seja, a pergunta: “Quem substituirá o Teori?” é a mais importante que já se teve no Brasil desde que o D. Pedro I perguntou ao pai se deveria ficar no Brasil ou ir para Portugal, e deu no que deu.

Ora, se houvesse normas legais ou costumeiras para substituição de ministros, não estaríamos passando por este problema. Mas, tudo isto não teria a mínima importância se não fosse o que o Teori estava fazendo, como relator da Lava Jato.

Nós não acreditamos, como o Sérgio Moro disse, que ele seja um herói do povo brasileiro. Isto é título para Lula ou para o Zé Dirceu. Penso apenas que ele cumpriu sua obrigação de juiz. E triste de um país que quem apenas por cumprir suas obrigações torna-se um herói.

Todavia, eu penso que as normas de sucessão de ministros do STF não são bem alinhavadas porque é difícil algum deles morrer no cargo. Eles se aposentavam aos 70 anos e agora com 75, e sabemos que esta, no Brasil de hoje, não é a idade para morrer. E nem mesmo para se aposentar, se não me engano, nos Estados Unidos, em sua Suprema Corte, um ministro só sai quando morre.

Talvez, aqui no Brasil, como é o país das “bolsas” e das aposentadorias, poder-se-ia criar a figura de “suplente de ministro”, como já há a de suplente de senador. Então quando indicasse o ministro, o presidente de plantão deixaria para o próximo presidente indicar o suplente, ou mesmo os outros ministros indicarem alguém.

Isto não seria uma solução perfeita, mas, pelo menos não estaríamos esperando hoje o sucessor do Teori, enquanto espocam nas redes sociais a lista que ele tinha da delação da Odebrecht. Que já está sendo chamada da lista dos suspeitos nas várias “teorias da conspiração” que hoje se apresentam.

Li que há hoje três alternativas para a sucessão do Teori, e que todas elas tem respaldo jurídico. O grande problema é quem vai oferecer o seu à seringa para escolher uma delas, se Carmem Lúcia sozinha ou todos o ministros reunidos. E se for este último caso, vai ser uma verdadeira briga de foice no escuro.

Tudo isto poderia ser evitado se já houvesse um suplente. Hoje o Senado quase tem mais suplentes do que senadores eleitos, e está funcionando (fiz um esforço danado para encontrar outra palavra, mas....). No entanto, como não há regras perfeitas, a regra do suplente, como propus acima poderia ser pior do que o soneto.

Já pensaram se ao nomear Teori a Dilma tivesse indicado o Lula como suplente? E não me venham falar em amplo saber jurídico, pois isto não tem nenhuma importância para o PT e todos sabemos que Lula é meu candidato à Academia Caeteense de Letras, e já tem mais de 600 títulos de Doutor.

O problema seria ficarem martelando com a Teoria da Conspiração de o Lula seria o culpado pela morte do Teori. Não, sei que meu conterrâneo é muito inteligente, mas, sua inteligência não chegaria a tanto quanto dizem as várias teorias da conspiração.


Esperemos que nesta semana este imbróglio se resolva e que o Brasil comece a andar de novo, com o Temer já incluindo na Reforma da Previdência a aposentadoria de ministro do STF somente aos 100 de idade. Por enquanto.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A semana - Morre Teori, Trump é "inaugurado" e a Justiça vai à Lotérica...




Por Zé Carlos

Hoje está difícil começar esta coluna sem pensar em humor negro, sem nenhum preconceito, é claro. As tragédias abundaram na semana que passou, nacional e internacionalmente. Aqui, morre o Teori, lá fora inauguram o Trump. Considerando a Lava Jato aqui e o Imposto de Renda lá, chegamos à beira da catástrofe.

Começo com o grande assunto internacional, que foi a posse de Trump, num grande espetáculo televisivo e até cinematográfico como só os americanos sabem fazer. Muito mais impactante do que “Apocalipse Now”do Coppola. E foram tantas as atividades já programadas há mais de 200 anos que não tem erro nenhum. Ou melhor, quase. Eu não sei não, mas, na hora de dar um presente ao presidente que chega (até isto é parte da tradição, como aqui faz parte o Lula derrubar os óculos do FHC), deram dois vasos de vidro ao entrante. Tenho certeza que eram “made in China”, o que pelo discurso nacionalista e protecionista do presidente inaugurado, não deixa de ser uma piada.

E houve o grande discurso de posse, logo após ele jurar sobre 32 duas Bíblias, cada uma com uma história diferente e tamanhos também, ao ponto que quiseram chamar o Sylvester Stalone para ajudar a segurá-las, que defenderia a América, blá, blá, blá .... Entre outras coisas ele disse:

“Nós, os cidadãos americanos, agora juntamos nossos esforços para reconstruir nosso país. Enfrentaremos desafios, confrontaremos dificuldades, mas o trabalho será feito. A cerimônia de hoje, no entanto, tem um significado muito especial porque, hoje, não estamos meramente transferindo o poder de uma gestão a outra ou de um partido a outro, mas estamos transferindo o poder de Washington D.C. e dando de volta a vocês, o povo.”

Eu me lembrei das posses do Lula e da Janete (nossa musa, a Dilma, hoje mais conhecida por este epíteto), estas mesmas frases, todavia, tanto lá como aqui fiquei esperando saírem os caminhões para fazer a entrega de poder ao povo. Embora que, depois que li que Democracia pode-se tornar a ditadura da maioria, eu passei a acreditar menos no que o povo pode fazer de bom pela nação, já que não temos exemplo desta prática na história. E confesso, que pelo menos na América, esta coisa de governo da maioria é apenas folclore. Ou seja, a maioria do povo quer é emprego e ter o que comer. O resto é conversa de oligarca. Mas, vamos em frente que estou pegando a sisudez do Moro. Deixa o Trump fazer humor um pouco mais:

“Lutarei por vocês com cada suspiro do meu corpo e nunca decepcionarei vocês. Os Estados Unidos vencerão novamente, vencendo como nunca antes. Traremos de volta nossos empregos, nossas fronteiras, nossa riqueza.”

E a multidão de povo delirava, enquanto o inaugurado desfilava pela Avenida Pennsylvania, junto com toda a família, quase tão pobre como a do Lula, antes da presidência. Calma pessoal, isto é uma coluna de humor, e não deixa de ser engraçado comparar nossos povos. Lá o Trump teve que se desfazer de todos os bens para não apresentar conflito de interesses com seu cargo, passando tudo para seus filhos. Aqui o Lula pegou todos os bens que podia só para apresentar conflitos de interesse, pois não se importa com isto, porque todos sabem que ele é “a alma mais honesta do planeta” e filho já é bilionário. O Moro pensa ao contrário, mas, é coisa de gente sisuda.

E a maior piada que eu vi na inauguração do loiro de olhos azuis, e portanto inimigo do Lula, foi a notícia de que ele assinou um decreto que proclama o Dia Nacional do Patriotismo. Seja lá o que isto for, não parece uma piada pronta? Bem, é melhor do que a tentativa de Lula de criar o Dia Nacional do Bolivarianismo, para homenagear o Chávez, em mais uma peça impecável do humor negro. Ele não assinou, apesar da tristeza do Marco Aurélio Top Top Garcia, como ficou conhecido o grande assessor do presidente Chávez, e que, às vezes, dava expediente no Palácio do Planalto. E chega de piadas internacionais.

Volto ao Brasil. E não há como não comentar aqui, e dentro do espírito da coluna, que é baseado na grande e filosófica frase: “Rir é ainda o melhor remédio!”, a morte acidental do ministro do STF, o Teori Zavascky, que teve uma repercussão enorme, não por ele ser um homem, sério, justo e trabalhador, como dizem todos os que o conheceram de perto, e sim porque ele era o guardião dos processos da Lava Jato, que prometem levar mais de 200 políticos ao banco dos réus. E aí é onde mora o riso do fato.

O grande problema, e que virou piada, foi justificar o fato do seu avião cair em Paraty como um acidente. Eu vi tantas jocosidades (Lucinha Peixoto onde estará você nestas horas?), que dariam para encher toda esta coluna. Vejam apenas algumas:

“Celso Daniel era filiado ao PT e prefeito de Santo André. Descobriu um esquema de corrupção no ABC paulista que favorecia Lula, Palocci e Zé Dirceu. Foi assassinado após jantar num restaurante com um empresário ligado ao PT.  As sete testemunhas do caso, inclusive o empresário, o garçom e o manobrista do restaurante em que ele jantou, foram assassinados num crime que até hoje não foi solucionado.

Toninho do PT era prefeito de Campinas. Descobriu um esquema de corrupção que beneficiava o partido. Todos os contratos firmados pela prefeitura do PT eram superfaturados em 40%. O dinheiro era usado na campanha do Lula. Foi assassinado. Todos os cinco envolvidos no caso também foram assassinados. O caso segue sem ser solucionado.

Eduardo Campos era governador de Pernambuco. Brigou com Lula e contra as ordens do ex-mentor e aliado se lançou candidato à presidência da república. Era a maior ameaça para reeleição de Dilma. Seu avião caiu em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Por três vezes o comando da Aeronáutica mudou os chefes da investigação. A versão final sobre as causas do acidente foi mudada cinco vezes. Dilma mandou encerrar as investigações.

Teori Zavaski era o ministro do Supremo que cuidava da Operação Lava Jato. Agora em fevereiro iria homologar a delação da Odebrecht que acusa Lula pelo maior escândalo de corrupção da história do planeta. Hoje o avião dele caiu em circunstâncias misteriosas.

Sempre que algo ameaça Lula, mortes misteriosas acontecem. Coincidência?”

Ou seja, este é outra forma de dizer que para evitar acidente não fale mal do Lula e nem peça avião emprestado a amigos. Eu, como tenho Lula em alta conta, empregando-o aqui na coluna em tempo integral, e não tenho amigo que tenha aviões, estou tranquilo. Eu só não sei se o Sérgio Moro costuma pedir emprestado aviões de amigos. De uma forma ou de outra ele precisa ter cuidado.

No entanto, o grande problema por que passa o Brasil com a morte de Teori, não é o seu enterro e sim quem irá substituí-lo na Lava Jato. Aviso já que não fiz curso de Direito, e parece que Economista é “persona non grata” no STF, e estou livre disto. Quem não está livre é a Carmem Lúcia que agora tem um grande problema debaixo da toga. É por ela que passará a substituição do ministro, e o Temer já declarou que não quer nem ouvir falar do assunto, e é mentira que ele iria nomear o Kojak, o nosso falante Ministro da Justiça para o cargo. Eu, não sei se isto é possível, eu chamaria outra vez o Joaquim Barbosa. No fundo no fundo, todos sabemos que ao fim e ao cabo (sempre quis usar esta expressão) tudo se resolverá ao ritmo desta coluna, ou seja com humor, mesmo que seja negro.

O que mais merece nosso riso é o processo de substituição no STF que tem que ser por sorteio. Não tem jeito, e seria demais esperar o contrário no país da Loteria Esportiva e da Mega Sena. Nossa justiça, o pelo menos o que ela vem tentando fazer nos últimos tempos, tentando lavar a jato o crime do colarinho vermelho, depende de uma roda de números igual àquelas em que se apostava nas festas de Bom Conselho, no Natal. Esta coluna só pode crescer o número de leitores (aliás, como todos sabem, eu tinha 15 e meio leitores, mas, soube que o “meio” lê a coluna escondido; agora são 16, e crescendo). Dizem que o sorteio será na próxima semana e até pode ser transmitido pela Rede Globo. Não se sabe ainda se vão contratar aquelas moças que fazem o sorteio da Mega Sena, ou se é a própria Carmem a protagonista do evento. Imperdível.

E, perguntarão os meus 16 leitores: “Só tragédias?”. Eu diria apenas: De novo! Afinal de contas as rebeliões nos presídios ainda não terminaram. Ainda bem que não soube nada da cadeia de Bom Conselho, que, hoje não sei mais nem a localização. E pensar que eu morava na Rua da Cadeia. Eu soube que o governo do Rio Grande do Norte, para acabar com o conflito irá fazer um muro no meio do presídio, para separar as facções que se digladiam lá dentro. Tudo bem e tudo normal, se na mesma notícia não viesse a informação de que estarão usando “containers” para fazer esta divisão. Pode não rir com uma coisa destas? Agora, ao invés de um muro de cimento, usam-se caixotes gigantes. A única explicação é que eles serão usados para colocar os que morrerem no conflito. Será que alguns serão refrigerados? Eita, Brasil sem jeito.

Bem, espero que cheguemos até a próxima semana. Hoje com a briga de facções criminosas e políticas, estamos correndo o risco de não poder mais sair nas ruas. Só falta nos orientar que quando formos assaltados devemos perguntar ao assaltante: Você não tem medo de ser preso? E ele responder: Meu caro, eu já sou um preso, estou apenas de férias. Isto tudo tem que se passar com um sorriso no rosto.


E só para terminar, soube que um prefeito empossado recentemente assinou um decreto entregando a cidade a Deus. É uma grande solução política para a situação de penúria em que estão os municípios, menos Bom Conselho, é claro, que já foi entregue há muito tempo à Sagrada Família.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

"O homem que matou Teori Zavascki"




Por Zezinho de Caetés

Não há coisa mais inesperada do que um acidente. Por isso o Temer está tentando até hoje desdizer o que disse sobre a violência no presídio de Manaus. Aquilo não foi um “acidente pavoroso”, como ele disse, pois estava escrito nas “tabinhas de Moisés”, pelas condições precárias do nosso sistema prisional. Era uma questão apenas de previsão.

E tivemos ontem um grave acidente. O Teori Zavascki, ministro do STF, e mais importante ainda, o relator da Operação Lava Jato, foi tragado pelas águas do mar quando estava num avião de um amigo.

Segundo li, o filho do ministro, pelo que escreveu nas redes sociais, não aceitará de bom grado a versão de acidente. Vejam o que ele disse, segundo a mídia:

“É óbvio que há movimentos dos mais variados tipos para frear a Lava Jato. Penso que é até infantil que não há, isto é, que criminosos do pior tipo simplesmente resolveram se submeter à lei! ... Porém, alerto: se algo acontecer com alguém da minha família, vocês já sabem onde procurar...! Fica o recado!”

Eu não sei para quem foi o recado, mas, pelo que o acidente envolve é muito difícil não se ver proliferarem milhares e milhares de “Teorias da Conspiração” (TC).

Até hoje se fala de Ulisses Guimarães em desastre semelhante. Se ouve quem merecesse recados, até agora não ouviram, pois até agora não acharam nem os corpos. Pelo menos, o filho do Teori vai poder enterrar seu pai, o que não é uma solução, mas, pelo menos é um pequeno consolo.

Além, dos casos como o de Eduardo Campos, do Marcos Freire e outros, eu lembrei do caso do Marechal Castelo Branco, que até hoje se comenta se foi acidente ou não. Pela sua importância política na época, talvez seja mais emblemática do que a morte do Teori. Naquela época estávamos falando de mais políticos interessados do que hoje, com a Lava Jato, e incluía militares, que hoje, cuidam apenas de encontrar os corpos.

O que é certo mesmo é que teorias e mais teorias surgirão. E até livros surgirão sobre o acidente, e pondo dúvidas e mais dúvidas sobre suas causas, como aconteceu até com a morte de Getúlio, que o Jô Soares transformou num belo romance.

Talvez apareça agora outro escritor com um livro semelhante: “O homem que matou Teori Zavascki”. Eu nem vou propor aqui um roteiro porque ainda preciso fazer uma investigação. Mas, se crime houve, não dar para excluir alguns suspeitos óbvios.

Afinal de contas o Teori, na próxima semana, homologaria as delações de 77 executivos da Odebrecht, que fatalmente envolverão centenas de políticos e empresários em cenas sórdidas de corrupção. Como  isto tem efeito multiplicador, para frente e para trás, para direita e para esquerda, uma boa TC não terá menos de 200 personagens de altos escalões da República.

Pelo que andei ouvindo, só não faltará água na Lava Jato se a Carmem Lúcia, presidente do STF tomar para si a tarefa de Teori e colocar a força tarefa para trabalhar, e dando resultados com menos de 3 dias de atraso, para apenas comemorar os 3 dias de luto fixados por Temer ontem mesmo.

Este negócio de substituição de ministro, agora, seria uma bobagem. Em casos como estes é o dono do time que tem que bater o pênalti, pois se o time perder, o Brasil tomará de goleada de novo, e não será contra a Alemanha, e sim do seu povo que já está cansado de tanta demora. Pois como dizia Rui Barbosa:

“A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta.”

Só com o seguimento da Lava Jato, lavando o que bem merece e mantendo os sujos na cadeia é que se poderá impedir que até o busto do Rui não fuja do Senado, com a mão no nariz.


Enfim, hoje eu iria ainda tecer alguns comentários sobre a posse do Trump, no entanto, a estas alturas, só podemos desejar a ele que não viaje de avião para Paraty, e que não haja motivo para mais um TC sobre sua posse. Afinal de contas, até hoje os americanos não sabem quem matou o John Kennedy.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O futuro pertence a Deus ou ao Trump?




Por Zezinho de Caetés

Amanhã o mundo terá outro governante. Pensam que é o Secretário Geral da ONU, que agora é português e não deu certo? Não. É o presidente Donald Trump que assumirá a presidência dos Estados Unidos da América.

Ontem vi a última entrevista do presidente “deixante”, o Barack Obama, que não tem minha admiração em vários sentidos, mas, teve a honra de tirar a América da crise recente, quando aqui no Brasil, o Lula dizia que era apenas uma “marolinha”, que hoje nos afoga a todos.

O Obama estava triste, e se perguntava, talvez, porque o Partido Democrata tinha perdido uma eleição que a imprensa e até os institutos de pesquisa consideravam ganha. Se ele pudesse não passaria a maleta nuclear amanhã. Por um motivo simples, e que é o de todo o mundo: O Trump não é confiável. O cara não fala duas palavras sem dar uma “patada”.

Entretanto, e aí está o segredo da Democracia, para o bem ou para o mal, o povo americano assim o quis, apesar de tudo. E começaremos a conviver com um mundo menos seguro.

Se, como diz o texto que hoje escolhi para vocês meditarem (“Obama e Trump, passado e futuro”, do Hubert Alquéres, publicado ontem no Blog do Noblat), o Trump quer voltar para a Segunda Revolução Industrial, por que não voltar logo à Guerra Fria? Só que desta vez, não será com a União Soviética, mas, com a China. E a guerra promete ser quente.

Enquanto isto, aqui no Brasil vivemos as nossas mazelas da Primeira Revolução Industrial, tentando encontrar meios de como conter bandidos dentro das prisões, e Lula, o “cara” do Obama, fugindo delas.

Fiquem com o Hubert, enquanto eu vou curtir o restinho do meu recesso, pois o Congresso está voltando, e esperando, otimisticamente, que o Temer não esteja saindo.

“A troca de guarda  nos EUA põe o mundo diante duas utopias nesse início do século vinte um. Ambas se apresentam como respostas às mazelas da Terceira Revolução Industrial e aos desafios da era pós globalização.

A seu modo, o presidente que se recolhe ao fundo do palco, Barack Obama, e o que vem para o primeiro plano, Donald Trump, expressam essas duas visões. Uma é o passado e a outra é o futuro.

O problema é saber quem é quem para identificar quem está em sintonia com as tendências da Quarta Revolução Industrial, fenômeno tão irreversível como o foram as revoluções anteriores.

Se os ex-presidentes americanos Ronald Reagan e Bill Clinton foram os beneficiários diretos dos anos dourados da globalização - a ponto de ao final de seus governos gozarem de popularidade altíssima, 60% e 65% - Obama teve de governar em uma globalização em crise. Mesmo assim, terminou seu governo com 56% de aprovação. Diga-se, de passagem, Donald Trump chega à Casa Branca com o índice mais baixo de aprovação dos últimos sete presidentes, na época de sua posse.

O deslocamento do emprego, as ondas migratórias desordenadas, a concentração das riquezas e a concorrência geraram um quadro adverso.

Para se ter ideia do tamanho do problema, nos Estados Unidos a renda dos mais pobres está estagnada desde os anos 80, enquanto os ganhos dos mais ricos aumentaram no mesmo período. Nos anos 50, cerca de 30% dos americanos trabalhavam na indústria. Hoje são apenas 8%, segundo Náercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper.

A desigualdade se manifesta na qualidade do emprego. Os mais ricos e mais escolarizados encontram vagas nos segmentos modernos da economia e nas grandes cidades, enquanto para os outros extratos sociais há vagas de baixa qualificação, com remuneração bem menor que o emprego industrial.

Isto explica porque, apesar de Obama ter tirado  o país da crise e de existir uma situação hoje de pleno emprego (desemprego abaixo de 5%), os americanos preferiram Trump.

Esses problemas podem se agravar com o advento da chamada Revolução 4.0, marcada pela fusão de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Ela provocará mudança radical no mundo industrial e no mundo do trabalho.

Esse processo tem potencial de eliminar 47% dos postos de trabalho. Isso não é miragem, é o mundo daqui a pouco.  A Conferência Davos/2017 já se debruça sobre a substituição dos trabalhadores por robôs em fábricas inteiramente automatizadas.

O novo presidente dos Estados Unidos pretende enfrentar essa realidade por meio de uma utopia regressiva, de retorno à Segunda Revolução Industrial, pela reedição do espírito  de Yalta, com a divisão de “esferas de influência” dos EUA e da Rússia, e com a exclusão da Europa Ocidental.

A questão é saber se é possível frear o desenvolvimento das forças produtivas, se é possível fazer os “Estados Unidos voltar a ser grande” pela via de construção de muros e de tarifas protecionistas, como quer Donald Trump.

Protecionismos e guerras econômicas sempre geram ineficácia e atraso tecnológico. Se efetivados, levarão à perda de um dos maiores ganho da globalização, o barateamento dos produtos e  sua democratização.

E não resolvem. Estima-se que 80% dos empregos perdidos se deu em consequência da automação e apenas 20% como decorrente por transferência de fábricas no mundo.

O cinturão da ferrugem dos EUA não voltará a ser o mesmo da linha de produção. Não é possível voltar aos tempos do carburador.

No mundo em que cada vez mais o robô substituirá o homem, a utopia factível é a expressa no discurso de despedida de Obama, uma peça histórica do mesmo patamar do discurso “Nós, o povo”, de Ronald Reagan.

O presidente que sai de cena reconhece o crescimento da desigualdade e propõe um novo pacto social “pois, se não gerarmos oportunidades para todas as pessoas, os desafetos e divisões que paralisaram nosso progresso vão apenas se intensificar nos próximos anos.”

Eis o dilema a ser resolvido: como garantir a sobrevivência de uma maioria marginalizada do mercado do trabalho? A bandeira da repartição da riqueza de uma forma mais equitativa tende a ser o grande valor do século vinte e um a ser perseguido, assim como a democracia o foi no século passado.


Está claríssimo, portanto, quem é o passado e quem é o futuro.”

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Curtindo meu recesso...




Por Zezinho de Caetés

Confesso, hoje acordei tarde. Fui dormir tarde espantado com a onda de violência que nos assola. Até quando o Brasil vai aguentar curando-se das feridas deixadas pelo petismo deslavado? Pelas notícias, parece que nunca.

Estou procurando aqui em meu bestunto algum assunto alegre, “prá frente” como se diz, para escrever alguma coisa e não encontro. Estou sem tempo de ir às mídias. O que fazer?

Nesta situação, os políticos aconselham a não fazer nada. Apenas deixar mudarem as posições das nuvens. Todavia, aqui, no Brasil, não é questão de posição, e sim de cores. São nuvens negras que pairam sobre nós, e sem muita perspectiva de ficarem, pelo menos lilás, ou da cor do cravo de defunto.

A única matéria que vi na mídia foi uma manchete que dizia: “Temer sonda o Aires Britto para substituir o ministro da Justiça”, e, digo eu, talvez para mostrar serviço neste período de quase recesso, que me alegrei.

Eu acho que seria uma boa troca, e com o meu otimismo empedernido, até já poderia chamar a Carmem Lúcia para a presidência, caso ele caia até 2018. Penso que seria melhor do que o FHC ou Joaquim Barbosa. O primeiro porque seria mais do mesmo e o segundo porque não é do ramo político, como já mostrou ser a Carmem.

E assim vamos nós, quase sem poder sair à rua com a promessa de, por falta de presídios, soltarem os presos. Já pensou, o Zé Dirceu solto!? E faltar vaga para o Lula? Seria uma tragédia maior do que a que já vivemos no dia a dia.


E agora, não encontrando textos adequadaos para o momento, cumpro como prometido, de continuar aqui neste meu semi recesso.