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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

MIUDINHO





Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

Jovem de 25 anos. Magro e baixinho com os seus 1m60, Frio e calculista. Sua lei é matar ou morrer. Não dispensava covardia dos companheiros e nem tampouco reação das vítimas.  Mata antes. Não titubeava em apertar o gatilho da sua arma nas suas investidas para concretizar o seu intento por mais difícil e perigosa que ela seja. Tudo era planejado minuciosamente, com antecedência a fim de ter sucesso no empreendimento. Dias e mais dias era dedicada a vigília dos movimentos do banco que seria assaltado. Sua especialidade – Assalto a Banco – fora esta atividade nunca assaltou pessoas e nem outros estabelecimento não dava lucro, o que arrecadaria era valores mixurucas não valia a pena arriscar a vida.  Banco sim era arriscado mais o lucro era certo. Na sua mente já tinha o banco que iria assaltar. Convocou os seus colegas, Calunga, um sarara de olhos verdes cujo trabalho era estudar toda a área, desenhando as ruas de menos movimento; Biu, um moreno forte e ágil para verificar a presença dos policiais nas ruas, nos turno e o horário; Zequinha, um baixinho de olhar duro, olhos pretos e cabelos encarrapichados para observar quantos vigilantes tinha o banco. Todos eles sabiam manejar a pistola com maestria e tinha coragem de enfrentar qualquer adversidade, mesmo com a própria morte. A noite na sala Miudinho dava as ordens e procurava saber detalhes, como a residência do gerente e do tesoureiro; horário da chegada do carro forte; quantos vigilantes a agencia dispunha; quantos caixas a agencia possuía; a localização do cofre e a sala da gerencia e do tesoureiro, tudo era detalhada para não falhar na empreitada. Somos quatro e não admito erro. Se “cair” na malha da policia, bico calado, caso contrário – morte. Nos dias que se seguia foram observados todos os passos da agencia. O dia que antecedia o assalto o Miudinho dava uma checada em todos os lugares, sem ser percebido. No dia do assalto chegaram logo cedo no local. Separados e já com a tarefa que cada um ia realizar. Na praça ficou um sentado lendo o jornal, observando toda a movimentação; outro estacionou o carro em lugar estratégico livre do transito; o outro passeou pela calçada observando a quantidade de vigilantes que agencia dispunha e Miudinho encostado no poste na calçada do banco fumando e se fazendo que estivesse procurando alguma coisa. Por volta das 7h30min, o carro forte estacionou. Quatro homens armados se puseram em posição estratégica com suas escopetas e revolveres enquanto dois saiam com quatro malotes verde entrando na agencia apressadamente. Dez minutos depois saíram entraram no carro forte e foram embora. Miudinho levantou a mão como sinal e dois chegaram à antessala. Chamaram o vigilante, e quando este chegou a poucos metros foram rendidos e colocados na parede de costa; o funcionário estava contando os pacotes do dinheiro chegado fora surpreendido por dois assaltantes de revolver em punho. Levaram os malotes, mas quando ia saindo da agencia deparam com dois policias na frente da agencia. Saíram atirando em plena rua em desabalada carreira, até o ponto onde estava o carro parado. Miudinho foi preso e levado para a Delegacia e depois do depoimento foi levado para penitenciaria. A noite na prisão, foi colocado em uma cela com oito detentos. Todos de alta periculosidade. Sansão, Cabeleira, Bicudo, Papa Figo, Negão, Bozó, Curió e Zabelê estes novos companheiro de cela. Arranjou-se no canto da cela, com um cobertor. Foi logo chamado pelo Sansão, para ditar as ordens ali dentro. Ficou sabendo da limpeza, da dormida que não tinha para todo mundo, revezavas e assim por diante. A noite um dos caras veio tirar “onda” dando “cantada” dizendo “carne nova no pedaço” e riam. Lá no recanto ele deitado em chão frio, ouvia as piadas. “quem vai primeiro”, “vai tu!” “eu não, primeiro o chefe” e assim por diante. No quarto dia o assedio ia se consumar. No passeio da tarde Miudinho disse para si mesmo - vou detonar este cara à noite. Foi à cantina comprou uma garrafa de coca cola. Bebeu o liquido e quebrou ficando somente com o gargalho pontiagudo. Guardou no bolso e colocou perto de si. À noite lá pelas 10 horas, Sansão chegou perto lhe alisando. Companheiro sou um homem me deixa em paz. Que nada rapaz é coisa rápida. Vai prá La, E ele insistia. Deitou-se ao seu lado. Ao deitar de papo prá cima começou alisar. Neste momento, Miudinho pegou o gargalho e enfiou com toda a força que tinha na garganta de Sansão. O sangue espirou  e ele começa a se debater como galinha levando a mão ao corte. Os olhos esbugalhados fitava Miudinho sentado ao seu lado rindo. O silencio da noite foi quebrado com o grito dilacerante. Os outros presos se levantam e Miudinho com o gargalho na mão ameaçou quem chegasse perto. Disse rindo,  “que sirva de lição para vocês”. Eu sou homem e para mim tanto faz matar como morrer, mas eu prefiro a primeira opção. Os agentes penitenciários chegaram e o levaram para outro pavilhão.

(Relato em mesa de Bar, por um desconhecido nos anos 90, tomando uma cerveja na mesa ao lado da nossa, por tras do Cinema São Luiz, numa sexta feira a tarde.)

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