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sexta-feira, 22 de junho de 2012

BABADO NÃO É BICO





Por Carlos Sena (*)

Quando o quesito é homossexualidade, todo mundo se acha “psicólogo” para fazer diagnostico e fazer projeções psicanalistas. A modernidade, a banalização dos cursos superiores, nem isto, tem ajudado a muitos serem parcimoniosos e cuidadosos com o que falam e escrevem acerca das diferenças, especialmente dos gays. Portanto, tem sido comum, em plena era nanotecnológica, internética, ver e ouvir pessoas julgando comportamentos, principalmente acerca de pessoas do mesmo sexo e suas afetividades. Essa evolução moderna do nosso tempo, infelizmente não proporcionou a muitas pessoas o avanço conceitual e de atitude cidadã com relação a minorias.

Houve um tempo em que o Almanaque do Biotônico Fontoura trazia em suas páginas aconselhamentos. Quando se queria criticar alguma posição chula da psicologia se dizia que “aquilo era psicologia do Almanaque”... Pois é assim mesmo que vemos essa corriola de gente que diz o que pensa em tom de autoridade, mas sem nenhuma legitimidade. Eis algumas “pérolas”: ainda dizem que gays são filhos criados com avós. Ainda acreditam que um bom psicólogo pode devolver a família o homem que estava “virando” gay. Sugerem que os pais arrumem namoradas para os filhos, ou mesmo garotas de programas para um “test drive”. Ainda acham que o garoto ou garota com tendência gay pode ser produto de macumba, encosto, bem ao modo dos Silas Mala Feias da vida. Ainda acha que a convivência com gays e assemelhados leve a isto. Também confundem sexo com sexualidade. Não dissociam os gays da fragilidade, esquecendo-se que fragilidade qualquer um pode ter. Sempre associam o homossexual masculino às mulheres com suas indumentárias e adereços, bem como as lésbicas a homens grosseiros. Quando sabem de um gay casado e com filhos sempre acham que os filhos são do “urso”, esquecendo que homem gay faz filho e essa é outra discussão. Ignoram, os psicólogos da esquina – mais precisamente os enrustidos de plantão que, por não serem felizes vivem a martirizar a vida dos gays, talvez exatamente porque reflitam o que eles não tem coragem de fazer: ser feliz sendo o que sente por dentro, rompendo com a falsa moral que eles ajudam a solidificar. Portanto, muito se poderia mostrar nas entrelinhas de tantos que por ai andam dando pitacos sem ser chamados acerca de questões que não conhecem. Às vezes com formação psicológica. Outras vezes com formação diversificada. Mas, nos dois casos, sem nenhuma condição de formalizar conceitos, principalmente porque só conhecem o preconceito que tanto massacra os diferentes.

A Psicologia, enquanto ciência defende os gays quando não vê doença na homossexualidade, como foi por muito tempo difundido. Até um CID – Código Internacional de Doenças existia, mas por consenso foi abolido diante das evidências. A Psiquiatria de corrente não organicista também caminha pela crença de que as relações homossexuais são sadias, posto que fazem seus entes felizes. Não obstante, certos padres, e quase a totalidade dos pastores da ala chamada pentecostais – prefiro dizer do MERCADO DA FÉ, vivem dilapidando a vida de certos rapazes e moças que são felizes vivendo relações do mesmo sexo. A patrulha do pecado é por esses pastores o grande engodo para tornar pessoas sadias em doentes. Porque os doentes ficam fragilizados e mais susceptíveis às investidas de lavagem cerebral. Uma corrente simplista neste sentido vale ser dita: “casal gay” não constitui família. Não terão filhos que poderiam servir para engordar ainda mais a conta corrente das igrejas. Outra: Quanto menos gays tiver na igreja, mais seguros estarão os pastores que tem rabo preso e vivem dentro do armário. Mais outra: pra se livrarem da imprensa, inventam que não condenam o pecador, mas o pecado. Ou seja, condena-se a homossexualidade, mas, absolvem o homossexual, como se fosse possível separar uma coisa da outra. Querem outra? Depois eu digo, pois há muito pano para as mangas desse pomar de sodomia e falso moralismo em nome de Deus.

Pode ser que um dia a gente seja como as flores que mesmo diferentes vivem juntas. Ou como o intestino que funciona às mil maravilhas sem se indispor com o fígado, com o pulmão, com o coração e com os demais órgãos do corpo humano... Talvez o que falte a essa corriola que vive por aí fazendo plantão com a vida alheia seja coragem para serem o que são, ou seja, para assumirem os gays que estão dentro deles. Talvez falte também a eles, vontade e coragem para serem competentes nos estudos e, depois que saírem das faculdades aprenderem a dar opiniões sérias e sem preconceitos.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 03/06/2012

2 comentários:

  1. "Babado não é bico", ISSO NÃO É MUITO NOVO, NÃO!!! É DO TEMPO DE CATRAIA, REIMOSO E INCENÇAR...

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  2. José Fernandes Costa22 de junho de 2012 às 16:14

    Mas, CESENA! - Você quer nos convencer de que todos devem ser gays, pra poderem ser felizes? - Assim, NÃO! - Eu não preciso ser gay pra ser feliz. - Sempre fui feliz com MULHER. - Todavia, quem tem o seu, dá a quem quer! - Essa de ficar dizendo que quem é contra gay é porque não tem coragem de sair do armário, é generalizar demais. E isso não pega nem a pau! - NÃO acho que veadagem seja doença. - É apenas um "gosto" filho da puta. - Mas, se alguém só se sente feliz, sendo veado, que seja veado a vida toda. E que tenha muito cuidado com picadura de escorpiões./.

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