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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A HORA DA VIRADA





Por Carlos Sena (*)


Na virada haverá virada? O que dá pra rir dá pra chorar, pois é. Na virada é que muita gente leva a pior ou se vira da melhor maneira. Afinal, ninguém é peixe, mas, a gente sempre se vira como pode. O peixe no óleo quente quem lhe vira é o quituteiro, nós nem sempre. Dependendo de quem seja o quituteiro, pois há quituteiro de gente. Afinal, o verbo “comer” foi por nós, humanos, subvertido na sua pior tradução. O homem, sexo masculino, é o maior useiro e vezeiro disso, posto ser ele o dominador, o “rei da cocada preta”... Na virada, portanto, tudo pode virar. Vira-se o ano doze em treze, vira-se lobisomem, há mulher que prefere virar jacaré e por aí vai.

Na virada, certamente haverá todo tipo delas e pra todos os gostos. Há na virada, inclusive quem troque de morada, quero dizer, há quem morra em plena virada – troca a terra pelo céu... Céu da boca? Pode ser. Afinal é melhor a certeza do céu da boca do que a incerteza do céu dos santos. No céu da boca a gente degusta maravilhas da gastronomia e, talvez, não se consiga maravilhas do outro lado da eternidade. Como se vê tudo mesmo caminha para a viração, ou seja, para a virada. Há casulo virando borboleta, há borboleta virando as asas pra voar solene noutros pomares. Há rola virando roleta, há vinha virando vinheta, há sala virando saleta, há punho virando rede. Assustou? Pois bem, o susto é a virada da calmaria;  é o outro lado do horizonte certo pelo incerto.

Deste modo, esperar a virada do ano é apenas virar com ele a folhinha do tempo: se a folha vira, o tempo vira, a gente vira. Não se queira diferente do peixe que além de fresco fica frito pra boca da gente. Prefiro assim, uma virada informal. Mas há quem goste dela FORMAL  e dentro do “armário”. Pra não perder a rima lhes digo que não sou santo “sudário”. Melhor o armário vez por outra aberto do que nunca rompido em seu lacre da viração. A vida é assim cheia de viradas e virações. Outro dia,  perguntado "COMO VAI"?, um senhor respondeu: “vou feito gás de cozinha escapando quando posso”. É assim mesmo, pois quem não sabe se virar escapa feito o gás. E, se no dia da virada, você não conseguir, escape. Escape num sonho e vá pras estrelas. De lá, é só olhar sem vê-las e lá mais que da pá virada, serás luz neon a virar o edredom da ilusão e se esconder por sobre... Mas nunca, em tempo algum, escape pelo cano, como carro velho que incomoda a todos pelo escape.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 27/12/2012

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