Em manutenção!!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O 7 de setembro




Por Diretor Presidente (*)

Estamos nos arredores de um novo 7 de setembro. Data nacional ou data máxima de nossa nacionalidade. A História desta data assim nos é contada: Em 7 de Setembro de 1822, ao voltar de Santos, parado às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro recebeu uma carta com ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, se submetendo ao rei e às Cortes. Vieram juntas outras duas cartas, uma de José Bonifácio, que aconselhava D. Pedro a romper com Portugal, e a outra da esposa, Maria Leopoldina de Áustria, apoiando a decisão do ministro e advertindo: "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece". Impelido pelas circunstâncias, D. Pedro pronunciou a famosa frase "Independência ou Morte!", rompendo os laços de união política com Portugal. Simples assim. E, hoje, não quero contestar História nenhuma. Sei que outras versões existem e podem até serem verdadeiras, no entanto, esta é a que serve ao nosso propósito para a estória que vou contar.

Passei muitos “7 de setembros” em Bom Conselho e uns tantos desfilando garbosamente pelo Ginásio São Geraldo. Era, quase sempre, da última fila do meu pelotão, pela minha pequena estatura. E por isso mesmo, o mais visado por Leninho, quando nos ensaios para o grande desfile, me dava calços numa das pernas e dizia, como ar de raiva:

- Acerta o passo!!!

Eu ficava fulo da vida com isto, não pelo calço que era bem de leve, mas por saber que não estava com o passo errado, quem estava era o Marcos Presideu, que era meu vizinho de fila, e, às vezes o Elion, aqueles sim, não acertavam o passo. E Leninho continuava:

- Pé direito na batida do bombo!!! Não quero erros no dia!

Hoje penso. Será que eu estaria mesmo com o passo errado? Vêem-me pensamentos estranhos e divago sobre o que acontece quando achamos que estamos certos quando todos dizem que estamos errados. Uma coisa posso responder com certeza, quando pensamos assim, nunca seremos eleitos para nada onde as outras pessoas votem. Numa Democracia é assim. A maioria decide e está certa por definição. Mas, nos ensaios era só Leninho que dizia que eu estava com o passo errado. Quando eu o seguia e mudava o passo, aí sim, eu sabia que estava errado. Seguir o Leninho ou continuar com minhas convicções? Eis a questão. Continuei marchando errado e por isso nunca fui promovido a divisor de pelotão, nem toquei na banda. Como alguém, que não acertava nem o passo, podia tocar na banda? Passemos adiante antes que alguém me pergunte se eu sou contra ou a favor do programa Bolsa Família.

Num determinado ano, não sei precisar bem porque, houve um surto de nacionalismo e brasilidade relacionado ao desfile de 7 de setembro. Eu, que não sabia nem marchar direito, só ouvia os bochichos. O Colégio N. S. do Bom Conselho e o Ginásio São Geraldo entraram numa verdadeira guerra para mostrar quem era o melhor no desfile. Estes dois estabelecimentos de ensino, tradicionais de nossa terra, queriam realmente mostrar o que era nossa independência, sua importância para todos nós. Do lado das freiras e do Colégio não sei bem o que falavam. No lado do Ginásio era o assunto que dominava a hora do recreio, além do arroz doce vendido por seu Abdon e do quebra-queixo de seu Sebastião.

Havia ensaios secretos da Banda Marcial, que não eram tão secretos assim, pois eu a acompanhava até perto da fazenda de seu Zé Eudócio. Formas de batidas diferentes, as famosas variações que hoje me lembram as “paradinhas” das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Não que esteja comparando a nossa banda com as baterias de samba, a nossa era muito melhor. Na calçada do Tiro de Guerra não se falava de outra coisa, além dos acertos de brigas, quem brigou, quem não brigou, quem correu e quem não correu. Uns diziam, eu acho que foi Ponta Baixa e outros diziam eu acho que foi Balinho. Quem não lembra do Tiro de Guerra não estudou no Ginásio, ou era mulher.

Lembro, um dia antes do desfile, um dos assuntos era o boato, que depois se tornou verdade de que, haveria uma baliza à frente da banda e que seria Marluse Urquiza. O que não se tornou verdade foi a coscuvilhice de que ela ia fazer suas evoluções somente de “roupas íntimas”, hoje seria de biquine, naquela época nunca ouvi esta palavra. Imaginem o tamanho da nossa ansiedade e especulações pueris. Sonhos, só sonhos iguais ao que tivemos quando me avisaram, e isto não tem nada a ver com o 7 de setembro, que havia algumas moças tomando banho de maiô no Açude da Nação. Nunca corri tanto, mas cheguei já no fim do banho.

Havia até as notícias plantadas por uns para despistar os outros. Ocultação de Alegorias. Despistamento sobre os ensaios e muitos, muitos ensaios. Ensaios do Colégio eu não perdia um. Embora meu interesse era muito mais olhar as meninas do que olhar como estavam desfilando. Assim apareciam as paixões abençoadas pelo anjinho que balançava a cabeça na entrada do Colégio ou logo mais abaixo por São Benedito. Onde estará São Benedito?

Finalmente, chegou o grande dia. Antes de vestir a farda minha mãe me fez ir buscar um sapato novo que encomendara a seu Firmino, na ladeira do corredor. Fui, peguei o sapato e minha mãe me produziu todo. Mesmo sendo último do pelotão, ela queria me ver garboso no desfile. Desci para o Ginásio, lembro só seu Gabriel que estava na loja, e somente uma porta estava aberta. Uni-me ao cortejo, na frente do Ginásio, tocou a banda e marchamos em direção ao quadro, em frente da Prefeitura. Não sei se marchei certo ou errado, Leninho neste dia, tinha mais o que fazer. Cheguei lá, apesar do sofrimento com o sapato novo e apertado.

Neste ano houve mais uma novidade que não me esqueço. Colocaram o Pedro Ivo, filho do professor Gilvan num cavalo, vestido como D. Pedro I. Era o máximo de realismo na encenação que, além das bandeiras e outras alegorias mostravam o tamanho de nosso amor à pátria. Em frente da prefeitura, depois dos toques de clarim e todos perfilados, chegara a hora do Hino Nacional e hasteamento da Bandeira. Foi aí que se viu uma cena inusitada, e provocada por aqueles que “não” treinaram bem o cavalo de D. Pedro. O animal, ciente de sua beleza e importância naquele momento, simplesmente levantou a cauda, houve um distendimento de alguns músculos em sua traseira e bolas verdes-oliva desceram mansamente sobre o calçamento, se empilhando, devido à sua consistência pastosa, em frente da Prefeitura, quase aos pés de algumas autoridades. Alguns culparam o cavalo. Eu apenas sorri. Hoje, culpo D. Pedro I. Quem mandou declarar a Independência do Brasil do lombo de um cavalo? Tenho certeza que naquela época o cavalo dele fez o mesmo gesto. O nosso estava apenas, realisticamente, representando bem o seu papel.

Faz algum tempo que não vou a Bom Conselho num 7 de setembro. Em alguns que fui, não vi mais, nem cavalos nem bolas verdes. Hoje, muitos não estarão mais lá. Porque estão longe, noutros lugares, ou muito longe, do outro lado da vida. Resta a saudade e a lembrança dos calços de Leninho. E eu, ainda continuo com o passo errado. Embora procurando acertá-lo. Tentando fazer isto, fui ver a programação do 7 de setembro para este ano, divulgada pela nossa Prefeitura, em seu site.

Realmente, mudou tudo. Os desfiles duram uma semana. Todos os distritos desfilam. Muitas escolas e muitas escolas. O Colégio N. S. do Bom Conselho ainda está lá no desfile do 7 de setembro. Mas, não encontrei o Ginásio São Geraldo. O que posso concluir? Não há mais guerras cívicas, ensaios escondidos, surpresas que a multidão aplaudia e formava torcidas organizadas, nem variações e “paradinhas”. O Colégio venceu, mas todos nós, saudosistas empedernidos, perdemos todos. Vi que a Escola São Geraldo vai desfilar no dia 13, junto com as Forças Armadas. Será que ainda existe o cavalo de D. Pedro? Pelo menos teremos quem limpe as bolas verdes-oliva. Independência ou Morte!

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(*) Como o Dia da Pátria é importante ao ponto de nos fazer não ter tempo de escrever sobre ele, resolvi publicar um texto que encontrei de Diretor Presidente, no Blog da CIT de 7 anos atrás, que relembra fatos da nossa juventude em Bom Conselho. E Viva o Brasil! (Zé Carlos)

terça-feira, 6 de setembro de 2016

DONA YALE




Por Zé Carlos

Hoje, acordei com o celular de minha mulher tocando, quase de madrugada. E quando isto acontece, ou é algum vendedor de planos de saúde ou é uma notícia pior ainda. Foi, infelizmente, o segundo caso. Soube que Dona Yale havia falecido.

Ela foi a minha sogra por mais de 35 anos. Recebemos a notícia, eu, Marli sua filha, e Aline, minha filha e sua primeira neta, com a tristeza normal que se tem em relação à morte, mas, com aquela sensação de que alguém cumpriu uma missão e a terminou com um sucesso absoluto.

Viver 95 anos, e morrer sem quase sofrimento e com uma saúde que fazia inveja aos filhos, é um privilégio que eu adoraria ter. E só nos resta desejar aos que ficam nossos sentimentos, com a decepção de não podermos ir ao seu aniversário de 100, como prometemos  num texto que escrevi há 5 anos passados, que reproduzo, parcialmente, abaixo (aqui)

E, como estamos impossibilitados de acompanhá-la à sua última morada por estarmos em viagem, só resta dizer: Que vá em paz, Dona Yale, e obrigado por tudo.

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“É sempre bom ir a Bom Conselho. Nem sempre podemos fazer o que é bom na vida, todo o tempo. Existem sempre os seus perrengues. Mas, se não fosse assim o que seria dos economistas?

Fazia já um tempo que não visitava minha cidade neste período festivo de último dia do ano. Meus outros afazeres prioritários me impediam de fazê-lo. Este ano forcei a mudança de prioridade por um motivo que muitos não aprovariam. Troquei meus netos por minha sogra.

Pela fama que têm as sogras, alguns pensarão ser isto uma loucura e até uma maldade com os netos. Porém, tentarei argumentar que estes estão enganados. E não é porque eu tentarei mudar o Dia das Sogras do dia 13 de agosto para o dia 8 de dezembro, dia de N. S. da Conceição. É apenas porque tive uma sogra especial. Aliás, tive sogros especiais. E aqui não vai nenhuma tentativa de eliminar os defeitos deles, porque quem faz isto é filho e não genro.

Apenas devo reconhecer que mesmo se eles não tivessem nenhuma qualidade outra, só aquela de criarem a mulher que me aguenta já durante tantos anos, já seria uma qualidade para ser louvada.

É muito fácil falar das virtudes de mulheres da época de nossas mães e que ainda foram da geração onde havia uma divisão muito rígida do trabalho entre homem e mulher. Pois havia uma vantagem que hoje já não temos. As mulheres já nasciam e viviam sabendo exatamente o que iriam fazer para o resto de suas vidas. Na maioria das vezes, serem companheiras de pessoas turronas e mandonas e mães de filhos nem sempre gratos.

Muito mais fácil ainda é quando uma delas, como é o caso de minha sogra chega aos 90 anos, com todas as etapas cumpridas, com lucidez e ainda muita vontade de viver, ao ponto de já prever a próxima festa no seu centésimo aniversário. Estaremos todos lá, se Deus quiser, em 2021.

Mesmo que tenha sido difícil encontrar velas suficientes para colocar no bolo, os filhos, genros, netos e bisnetos se juntaram e conseguiram fazer uma grande festa, e já estamos estocando as velas para o aniversário de 100 anos.

O melhor é que a festa foi feita na mesma casa onde eu frequentei por muito tempo e vivemos, eu, os filhos e os outros genros, bons momentos com Dona Yale. Algumas vezes com raiva dela (quem nunca teve raiva da sogra um dia, não a conheceu) mas, na maioria das vezes com admiração pelo seu trabalho e dedicação e por algumas de sua inesquecíveis ações.

- Antônio, o almoço tá na mesa!

- Antônio olha o teu cachete!

- É mesmo, Marli!

- Mábio já chegou?

E tantas outras frases e atitudes que lembro dela. Exemplo, arrumar a geladeira sentada numa cadeira com a porta aberta. Quase por horas. Só depois descobri que era uma forma de fugir do calor de Bom Conselho em determinadas épocas. Quem sabe não está aí o segredo de viver tanto?!


E foi uma festa muito bonita, e tenho certeza, se não houvessem apelado para o artifício de usar números em cima do bolo indicando seus 90 anos, e colocássemos lá todas as velinhas, ela teria força para soprar e apagar todas.”

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A semana - Dilma cassada, o "golpe" do Lewandowski e Temer na China




Por Zé Carlos

Seria um contra-senso começar esta coluna, que pretende mostrar sempre o melhor humor nos meios políticos, dizendo que a coisa mais engraçada que aconteceu semana passada foi a desaparição do nome do PT na propaganda eleitoral do João Paulo. Eu sei que é hilário, mas, jamais diria que isto é importante para começá-la. Para não sofrer nenhuma crítica tenho que começar com o fato da semana: A Dilma, até que enfim, sairá do Palácio do Alvorada e irá, provavelmente, para Porto Alegre. Embora, se ela quiser, a coluna poderá arranjar lugar para ela aqui no Recife. Talvez, basta falar com o Humberto Costa ou com o próprio João Paulo, que está a tanto tempo desempregado, e disto ele entende.

E não fugindo deste assunto, pela alegria que o impeachment de Dilma causou a esta coluna, pois agora tenho certeza de ela virá cooperar com ela em tempo integral e dedicação exclusiva, eu acho que o nosso bom-conselhense senador, o Randolfe Rodrigues, deve ser um leitor assíduo destes nossos escritos semanais. Foi dele o suporte jurídico usado para o Lewandowski (que também foi convidado para trabalhar na coluna, depois que sair da presidência do STF) para que a nossa musa, a Dilma, não perdesse os direitos de trabalhar no setor público. A forma como ele se empenhou nisto levaria a crer que houve um acordo entre esta coluna, Renan, Lewandowski, Randolfe, Lula, além de Kátia Abreu para, manter seus direitos políticos, e ela pudesse trabalhar no setor público, e assim sendo, a coluna não ter que arcar com todo o seu salário, para ter as suas jocosidades aqui garantidas. No entanto, devo dizer, como dizem todos eles, que, por parte desta coluna, não houve este acordo. De qualquer forma, agradeço ao conterrâneo Senador por ser um nosso leitor e sem reclamar da extensão da coluna.

Aliás, se tive alguma participação no episódio foi apenas meu desejo, pela atuação do Randolfe neste processo de impeachment, que ele também se engaje à coluna. Espírito jocoso não lhe falta. Vejam meus senhores (quase ia colocando também “minhas senhoras”, mas, lembrei que a era gramatical da Dilma passou e agora a forma vale para os 2 gêneros, e não somos misóginos) que o senador pulou do PSOL para cair na REDE, junto com a Marina. Pela sua atuação, ou a Marina vai ser a vice de Dilma em 2018 ou ele brevemente entrará no PT para assumir o posto. E quem sabe, teremos ele aqui também em tempo integral em 2018. Eu digo que será um orgulho para esta coluna, não só porque ele é de Bom Conselho, mas porque é tem se mostrado realmente um pândego.

Mas, mesmo ainda atarefada com os afazeres presidenciais a Dilma ainda conseguiu trabalhar com afinco para esta coluna, fazendo o Brasil inteiro rir, no show, ao vivo que deu no Senado, que deixaria o Chico Anísio morrendo de inveja, se vivo fosse. Além de fazer um discurso com um teor humorístico nunca visto na história deste país, ao ponto de fazer o Lula e o Chico Buarque quase morrerem de rir, durante a inquirição dos senadores, parece que foram mais de 40 que fizeram perguntas, ela nos brindou com piadas que, tenho certeza matará de rir os nossos leitores. Por isso reproduzo algumas logo abaixo. No entanto, tenho que dizer, foi sua capacidade para fugir das perguntas, que fazia a plateia delirar. Se um senador perguntava: “A senhora mentiu?”, ela respondia: “O cravo brigou com a rosa, debaixo do laranjal...”. Foi simplesmente impagável. Leiam-na:

“Quanto à questão da legitimidade do julgamento, eu acho que a gente tem de fazer uma distinção. Nós não podemos achar que a mesma análise que se faz para o golpe de Estado baseado na intervenção militar é a mesma análise que se faz para um golpe de Estado que toda literatura política chama de golpe de Estado parlamentar.

Compareço ao Senado porque é um espaço democrático que precisa ser preservado. Quero que a democracia saia ilesa desse processo, mesmo se considerado um rito correto. Não basta um rito correto, é necessário um conteúdo justo.

Aqueles que não gostam que o nome seja golpe querem encobrir um fato. Encobrem a tentativa de derrubar um governo que chegou pelas urnas por um governo que não teve voto, que não foi eleito. Eu não tenho apreço egoísta pelo meu mandato, eu o defendo porque ele é intrínseco da democracia. Se não provar que tem crime, é golpe, sim”

Apesar da enrolação, o humor não parece existir nas declarações de nossa musa. O seu humor se descobre sutil quando apresentamos a pergunta para a qual ela deu esta resposta: “Por que você autorizou a dívida aos bancos oficiais?”.

É claro que seria impossível reproduzir aqui o grande show da Dilma no Senado, pois mataria nossos leitores de tédio e não de riso. Em suma, o que é mesmo hilário é que ela falou tanto em “golpe” que o grande astro do dia seguinte ao depoimento de sua santidade do humor, a Dilma, foi o Lewandowski, sim, aquele mesmo que disse está “tinindo nos cascos” para defender o Zé Dirceu, de saudosa memória pela sua veia humorística, na época do mensalão. Pasmem, mas, durante o última do julgamento da Dilma, ele resolveu, consultar um “regimento”, que dizem ser do prédio onde ele mora em Brasília, para justificar que nossa musa, por ele, poderia ser impichada, mas, também, seguindo o nosso senador Randolfe, deveria ser decidido se ela deveria ou não ter seus direitos políticos cassados. E perpetrou o verdadeiro “golpe” em nossa Constituição, com a aprovação de vários senadores. Depois da risadaria geral no Brasil inteiro, graças a Deus, a Dilma vai poder vir para nossa coluna sem fazer muitas exigências salariais, pois poderá arranjar um emprego, mesmo lá em Porto Alegre. Quem sabe, com seus contactos em Bom Conselho, o nosso senador conterrâneo, não arranje um emprego na Câmara de Vereadores da cidade ou mesmo na prefeitura? Seria a glória para esta humilde coluna.

E diante deste assunto, não posso desprezar a veia cômica do nosso colaborador maior, o Zezinho de Caetés, que escreveu em sua postagem de sexta-feira (aqui) o seguinte:

“Hoje estou muito feliz. Enfim temos alguém no comando do Brasil que nos dá segurança, tranquilidade e até alegria. Tivemos um período onde quase perdíamos as esperanças, mas, agora continuaremos com a cabeça erguida e com a certeza que dias melhores virão. Eu sabia que era apenas uma questão de comando, e que nossa pátria voltaria a ser uma vencedora. Obrigado, Tite!

E agora, voltemos à política, onde caímos de uma imensa alegria com a saída de Dilma para uma imensa tristeza com o golpe que foi aplicado por Lewandowski que gera seus efeitos deletérios, cujo principal é a judicialização de nossa política. Penso que, dentro de poucos dias, até a associação dos moradores de Água Fria, onde moro, vai entrar com um mandado de segurança contra a decisão Lewandowskiana de fatiar um crime, oferecendo uma fatia a Deus e outra ao diabo.”

Caro amigo, com o primeiro parágrafo eu já estava gargalhando e comecei a estrebuchar com o segundo. Você, além de ser conterrâneo do Lula, é também “o cara”. E hoje já termino esta coluna, em São Paulo, onde irei ver in loco o que está acontecendo na Avenida Paulista. Se algo me acontecer, se encontrar algum petista por lájá encontrei meu substituto para as segundas-feiras. Até conterrâneos importantes nós temos, e agora, o meu, o Randolfe, é mais importante do que o dele. E viva o Agreste Meridional.

Não posso me despedir esta semana, sem falar no Temer, de quem desconfiam, como mostrou o Zezinho de ter também entrado no “golpe” do Lewandowski. De qualquer forma o convidamos para colaborar com a coluna e ele já mostra o seu humor de terceira idade. Não levou a Marcela para China, e diz que vai dar um cargo a ela no programa que criará, se não me engano, um tal de “Criança Feliz”. Parece que ele descobriu que, no Brasil, não se pode fugir muito do script. Teremos a agora o “Bolsa Infantil”. E que Deus proteja as crianças do nosso país.


Até a próxima semana, direto de São Paulo, de preferência da Avenida Paulista ou da Praça da República. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O "acordão" para salvar Dilma




Por Zezinho de Caetés

Hoje estou muito feliz. Enfim temos alguém no comando do Brasil que nos dá segurança, tranquilidade e até alegria. Tivemos um período onde quase perdíamos as esperanças, mas, agora continuaremos com a cabeça erguida e com a certeza que dias melhores virão. Eu sabia que era apenas uma questão de comando, e que nossa pátria voltaria a ser uma vencedora. Obrigado, Tite!

E agora, voltemos à política, onde caímos de uma imensa alegria com a saída de Dilma para uma imensa tristeza com o golpe que foi aplicado por Lewandowski que gera seus efeitos deletérios, cujo principal é a judicialização de nossa política. Penso que, dentro de poucos dias, até a associação dos moradores de Água Fria, onde moro, vai entrar com um mandado de segurança contra a decisão Lewndowskiana de fatiar um crime, oferecendo uma fatia a Deus e outra ao diabo.

E como tudo muito é triste e só nos resta esperar que o Temer,  em sua volta possa tocar esta herança maldita do PT e seus asseclas e remendar o buraco, este sim, golpista, que ficou em nossa Constituição. Descemos ao submundo das repúblicas das bananas, se ele não conseguir recuperar nossa auto-estima.

No entanto, como analista de província devo me abster de ir tão profundo na culpa ou inocência do Temer no que estão chamando de “acordão” para deixar a Dilma, livre, leve e solta na política, o que é um perigo para o Brasil. Afinal de contas, ela nunca foi do ramo e tentou aprender por longos 6 anos e não aprendeu nada.

Por isso, volto com o Ricardo Noblat, em seu texto de hoje no O Globo que diz, até no título: “O “acordão” que interessava a Temer, Lula, Dilma, PT e PMDB”, por que o nosso presidente, que hoje está na China, não é tão inocente assim. Esta água ainda vai rolar por debaixo da ponte por muito tempo, agora no judiciário. Esperemos que o Lewandowski, lá, não seja a última palavra, como foi no Senado.

Fiquem com o Noblat, que eu vou no mercado verificar quanto foi o aumento no preço do pão, e ver se minha aposentadoria ainda aguenta por um tempo.

“Quer dizer que quase todo mundo em Brasília sabia há uma semana que estava em curso um “acordão” para separar o impeachment de Dilma da suspensão por oito anos dos seus direitos políticos e o presidente Michel Temer não sabia, não fazia a mínima ideia?

Quer dizer que ele foi surpreendido quando o ministro Ricardo Lewandowski acatou o pedido do PT para que houvesse duas votações, uma para decidir se Dilma deveria perder o mandato ou não, outra para decidir se os direitos políticos dela deveriam ser preservados?

Quer dizer que Temer desconhecia que Renan Calheiros, presidente do Senado, apelaria em discurso aos colegas para que não tornassem Dilma inelegível uma vez que àquela altura ela já perdera o mandato? E que 12 dos 17 senadores do PMDB atenderiam ao apelo de Renan?

“Estamos juntos”, disse Temer a Renan ao tomar posse como presidente. Para menos de uma hora depois, reunido com seus ministros, criticar o “acordão” que salvou os direitos políticos de Dilma. Antes, autorizara o senador Romero Jucá (PMDB-RR) a recorrer da decisão ao Supremo.

Teatro puro. A ser verdade que Renan, Lewandowski e 12 dos 17 senadores haviam lhe passado a perna, Temer estaria mal, muito mal. Fora traído por seu próprio partido. Perdera para Renan a posição de maior líder do PMDB. E revelara-se um presidente, no mínimo, inepto.

Não há no Congresso uma única ingênua alma capaz de acreditar que Temer estava por fora do acordo. Estava por dentro, sim. E o acordo não interessava somente a Dilma e ao PT, consultados há mais de 15 dias a respeito. Interessava também a Temer.

Por temperamento, estilo e gosto, Temer prefere a conciliação ao confronto. Sempre foi assim – e nisso se parece com Lula. Dilma está mais para José Dirceu – não sabe viver sem uma boa briga. Prefere pegar em armas a gastar saliva em conversas com adversários.

Temer quer ser visto como o presidente que pacificou o país. Ou que tentou pacificar. Suará a camisa para desarmar os espíritos – inclusive os do PT. E precisa de um Congresso calmo, cooperativo, para aprovar ali as reformas que Fernando Henrique, Lula e até Dilma imaginaram aprovar.

Por um voto apenas, Fernando Henrique perdeu no Congresso a batalha pela reforma da Previdência. Lula desistiu da reforma por falta de condições de obtê-la do Congresso. Em compensação, fez tudo para manter o imposto do cheque – e acabou derrotado.

Movimentos sociais foram às ruas em várias cidades protestar contra o impeachment de Dilma, mas o PT, oficialmente, não foi. Bom sinal para Temer. Na sua posse, não se viu uma só bandeira vermelha no Congresso, uma faixa, um grito de protesto. Bom sinal para Temer.

Um dia desses, Temer revelou que cogitava a ideia de convidar Lula para um encontro. Poderá não fazê-lo tão cedo. Poderá nunca fazê-lo.  Mas a ideia continua na cabeça dele. Os dois sempre se deram bem. Lula ficou rouco de tanto aconselhar Dilma a prestigiar Temer. Em vão.

Se dependesse de Temer, Lula jamais seria preso. Muito menos condenado e banido da vida política. Em 2010, Temer foi a Lula sugerir a montagem de uma chapa à eleição presidencial daquele ano com Serra na cabeça e Dilma de vice. Lula foi que não quis. Serra topava.


De volta ao “acordão”: ele não é garantia de que Dilma poderá se candidatar em breve ou mais tarde. Caso ela queira, o Supremo é quem irá decidir. E não é certo que decidirá a favor dela. É provável que decida contra. Assim, o “acordão” não terá saído tão caro a Temer.”

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Agora é prá valer: "Tchau, querida!"




Por Zezinho de Caetés

Que dia, o de ontem! Tinha que ser em agosto mesmo. É o mês da retirada de presidentes, em várias circunstâncias. E estas, para a ex-presidenta não inocenta, oficialmente, já eram previstas, sem querer ser repetitivo, pelo conjunto de sua obra.

Como já disse uma vez, a Dilma obrou demais para continuar na presidência, onde nunca deveria ter estado. Como diz o texto abaixo do Ricardo Noblat, foi o maior erro da vida do Lula, segundo o próprio. Ele a culpa até da morte do Eduardo Campos, e quem sou eu para desmentir um conterrâneo.

E foi de erro em erro que nosso conterrâneo Lula, agora, se encalacrou de vez. Ou vocês acham que, com aquela imagem que ele apresentou no julgamento de Dilma, junto do Chico Buarque, ainda encontre alguém para nele votar para alguma coisa. Só os petistas mais renitentes ou mesmo doentes, ou desinformados, que ainda existem, às pencas, no país.

Para mim não foi surpresa nenhuma. Basta ver o conjunto da minha obra aqui neste Blog e alhures. O fim não poderia ser diferente. Só não previ a Lava Jato, que, tenho certeza levará a Dilma, como já tragou o Lula para uma cela especial lá em Curitiba. Especial porque ela tem curso superior, enquanto ele, vai se juntar aos detentos comuns, e contar suas estórias da carochinha, e nossas diatribes infantis lá pelas bandas de Caetés.

A sessão de ontem foi também histórica. Nela, o Lewandowski rasgou a Constituição para entrar na história como o único presidente do STF que deixou o Senado mudá-la para dar emprego a Dilma. Coitada! Como ela viveria se fosse impedida de trabalhar no setor público?

Teve a Kátia Abreu, e eu não sei se foi a mando de Dilma, lançando a ideia de que ela poderia ter problemas financeiros se tivesse seus direitos políticos cassados por 8 anos porque não poderia trabalhar no que ela se propunha que era dar aulas.

Vejam bem, senhores, a que ponto a criatura do Lula chegou. Foi preciso esfaquear a Constituição para que a Dilma não precisasse entrar no Bolsa Família. Parece até assunto da coluna humorística do Zé Carlos. Ora, pergunta óbvia: Se ela não pudesse trabalhar na área pública, por que não iria para a privada? Resposta óbvia: Por na privada ela já faliu até uma lojinha de 1, 99 que, agora, seria de 10,99 pela inflação que ela trouxe de volta.

Em suma, e para deixá-los com o Noblat, cujo texto tem o título: “O fim da Nova República”, e dizendo que não foi só isto, penso que a partir de hoje teremos o fim do PT, do Lula, da Dilma e tantos outros que quiseram fazer deste país o Sítio de Atibaia, que Lula que diz que não é dele mas usufrui de todos os seus benefícios.

Digo mais, apesar do Temer, poderemos ter dias melhores, se o arremate final for da Lava Jato.

“Em abril último, a poucos dias de a Câmara autorizar o Senado a julgar a então presidente Dilma por crime de responsabilidade, o ex-presidente Lula reuniu-se numa suíte do hotel Royal Tulip, em Brasília, com o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE). Queria que ele o ajudasse a conseguir votos de deputados do PSB para barrar o impeachment.

“Sinto muito, mas não posso ajudar, presidente”, respondeu Coelho, que fora ministro da Integração Nacional do primeiro governo Dilma. “Ela foi um desastre como gestora, afastou-se dos partidos, tratou mal as pessoas e não tem como continuar no cargo”. Lula concordou com as críticas a Dilma, mas insistiu em seu pedido de ajuda.

A certa altura da conversa, disse: “Precisamos salvar nosso projeto de esquerda para o país”. Foi quando Coelho perguntou: “Presidente, posso ser muito franco com o senhor? Muito franco mesmo?” Lula retrucou: “Pode”. E Coelho afirmou: “O senhor é o principal responsável por tudo isso, porque foi o senhor que a escolheu sozinho”.

Lula se calou, e Coelho também. Depois de algum tempo, Lula se levantou da poltrona, aproximou-se de Coelho, apertou com as duas mãos seu braço direito, e admitiu: “A escolha dela foi o maior erro que cometi em minha vida, o maior. E se não tivesse cometido, talvez o nosso Eduardo ainda estivesse entre nós”.

Referia-se ao ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, a quem chamava de seu filho político adotivo. Lula planejara ser candidato em 2014 à sucessão de Dilma tendo Campos de vice. Como Dilma foi candidata à reeleição, Campos decidiu enfrentá-la como candidato a presidente. Morreu em um acidente de avião durante a campanha.

A Câmara aprovou a instauração do processo de impeachment por 367 votos contra 137 e sete abstenções. A esperança de Lula de salvar o mandato de Dilma morreu ali. Na quarta-feira, não foi só o ciclo do PT no poder que morreu. Na verdade, morreu a Nova República, regime inaugurado em 1985 com a eleição do presidente Tancredo Neves, e que teve em Lula seu personagem mais marcante.


O que virá ninguém faz ideia. Em tempos de Lava-Jato, não se sabe quando e como terminará o governo do presidente Michel Temer.”