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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Política ou Economia? Temer no "fio da navalha"




Por Zezinho de Caetés

Ontem foi o dia de me despedir, por um longo tempo, da Escolinha do Professor Raimundo Lira, na qual brilhou, mais um vez, o Quinteto Abilolado, com suas confusões de praxe. Aliás, ontem foi um dia dedicado exclusivamente à ex-presidenta, que falou, tal qual boneca de ventríloquo, no colo do seu advogado, o JECa.

Ele leu uma carta mensagem cuja única surpresa é que veio escrita em português, para mostrar que não foi a Dilma que escreveu, porque, como todos estão cansados de saber, ela não fala nem escreve nesta língua, que era a “flor do Lácio, inculta e bela”, e passou a ser o “mandacuru de Caetés, inculto e feia”, quando o meu conterrâneo Lula abre a boca.

Todavia, não sentei aqui para falar da Comissão do Impeachment, e sim sobre o a temeridade em que está se tornando o governo Temer. Calma, leitores e leitoras. Não estou culpando o Temer de nada, porque ele, dentro das circunstâncias, está fazendo o que pode, para nos tirar da enrascada em que nos meteu o PT.

A discussão agora é sobre a ciclotimia das atitudes do seu governo, durante este período em que só espera a expelição completa de Dilma e do PT de Brasília e adjacências, referindo-se ao discurso de austeridade fiscal de um lado e certos reajustes que custam muito dinheiro, do outro.

E disto é que trata o texto que lhes trago, a seguir, do jornalista Carlos Alberto Sardenberg, publicado hoje no O Globo (“Política explícita”). Lá, ele mostra, com mais detalhes, a atitude “de uma no cravo, outra na ferradura”, do governo atual, e certamente, que irá até 2018.

Do meu ponto de vista, com as pequenas pinceladas que tenho de Economia em minha formação, se visse apenas o ponto de vista desta “lúgubre ciência”, eu daria razão aos que pensam haver contradições no discurso da equipe de governo. Por outro lado, com a experiência que adquiri ao longo dos anos, no campo político, vejo que os fatos falam por si.

Estamos numa situação, deixada pela ex-presidenta, na qual o Temer está sendo um quase um gênio, e pode ser o nosso novo Itamar, não só pela idade, mas pela habilidade política. Como lidar com pessoas como Renan Calheiros, Romero Jucá, e tantos outros, cujas atitudes só visam uma coisa: Não serem presos? Como se comportar numa situação onde o Lula pisaria até no pescoço de Dona Lindu, para não descer para Curitiba?

São tempos que exigem um jogo de cintura acima da média, e que o Temer, até agora, está mostrando que tem. Quem não tem nenhum jogo de cintura é a birrenta ex-presidenta que cisma em não renunciar, mesmo que isto se dê à custa do Brasil e dos brasileiros. Esta sim, merece uma estátua em Garanhuns, de cabeça para baixo, juntinho da do Lula, proposta por um blogueiro da terra tempos atrás.

E, dentro deste quadro, onde ninguém quer soltar o osso, o Temer vai ter que dançar na corda bamba, até o final de agosto. O pior de tudo vai ser encarar e ouvir a vaia no Maracanã, que entrará para história, embora antes, tenhamos que ir às ruas no dia 31/7 para gritar “Fora, Dilma!”. Quem sabe ela atenda e deixa o velhinho governar?

“Os reajustes já concedidos ao funcionalismo público federal custarão R$ 68,7 bilhões nos próximos três anos. Sem problemas, diz o pessoal do governo Temer. Esse gasto estava previsto e cabe no processo de ajuste fiscal, que, aliás, prevê déficits nos próximos dois a três anos.

Entenderam?

O governo promete um ajuste, ou seja, a redução do déficit e um futuro superávit. Então, espeta uma despesa de quase R$ 70 bi — e tudo bem? Para qualquer pessoa de bom senso, a conversa é simples: sem os reajustes, o déficit seria expressivamente menor, de maneira que o ajuste exigiria menos sacrifício em outros setores e menos endividamento.

Toda vez que o presidente Temer e seus economistas tentam explicar que a lógica é diferente, a coisa só piora. Por exemplo: dizem que esse gasto com o funcionalismo já estava previsto e se trata de um reajuste abaixo da inflação.

Então imagine: você está com suas contas no vermelho, e anuncia para a família que está comprando um carro. Seu pessoal se inquieta: então vamos aumentar nossa dívida? E você: sem problema, estava previsto, e o carro está com um preço bom.

A mesma coisa vale para o alívio concedido na dívida dos governos estaduais. Mais dinheiro para os estados, menos receita para a União, logo, maior o déficit federal, mas estava previsto, cabe no ajuste etc...

Tudo considerado, era mais simples ficar no óbvio: o governo é interino, depende de votos de senadores e seus partidos, os quais querem atender a suas bases estaduais e não gostam de brigar com o funcionalismo.

Tradução: o governo está adquirindo seu mandato efetivo. Além disso, os operadores políticos de Temer dizem que estão trocando concessões por votação de matérias importantes para o ajuste futuro das contas.

Sendo assim, eis a questão seguinte: conseguindo o mandato com tais concessões, o governo terá força para depois impor seu programa, para governar como promete ao público?

Terá, garante um amigo nosso, parlamentar de muitos anos, que explica sua convicção de um modo, digamos, popular.

Assim: “Por enquanto, o presidente não é presidente. É interino, depende de uns votos de senadores e seus aliados. E esses não aliviam. Chegam lá no gabinete, vão entrando e cantando de galo: ‘Ô Michel, eu quero no mínimo uma diretoria e duas secretarias de ministério bom’. Depois de votado o impeachment, mandato assegurado, a história é outra. Os mesmos caras vão chegar lá pedindo licença e cumprimentando: ‘Presidente, como vai o senhor?...”

Política explícita.

Parece que a equipe econômica acredita nisso. O ministro Henrique Meirelles cercou-se de fiscalistas — gente que leva a sério o equilíbrio das contas públicas — e garante que tem a fórmula para tocar o ajuste. A peça chave é a proposta de emenda constitucional estabelecendo que o gasto do governo federal de um ano é o mesmo do ano passado mais a inflação decorrida.

Trata-se, portanto, de um congelamento do gasto real. Quando a economia voltar a crescer, em dez anos a despesa do governo federal terá uma queda equivalente a cinco pontos percentuais do PIB. É dinheiro.

Com isso e mais a reforma da Previdência, outro ponto chave da proposta de Meirelles, será possível voltar ao superávit e à redução do endividamento.

É o roteiro da equipe econômica.

Seria o mesmo da equipe política?

Vamos falar francamente: o congelamento real das despesas muda um hábito político antigo, o de que sempre cabe mais alguma clientela no gasto público. E sempre cabe porque as demandas são sempre justas.

O modo como o pessoal do governo Temer justifica os aumentos do funcionalismo é a expressão exata dessa mentalidade: não tem dinheiro, vai aumentar o déficit, mas sabe como é... o pessoal está merecendo.

O mesmo para o alívio da dívida dos estados — os governos estaduais gastaram além da conta, mas sabe como é... estão precisando. E assim vai.

E convém reparar: reforma da Previdência e teto para o gasto público dependem de emenda constitucional, com maioria de três quintos dos votos na Câmara e no Senado.


Haja política explícita.”

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A saúde lavada a jato




Por Zezinho de Caetés

E a Comissão de Impeachment voltou dentro da mesma rotina. Realmente, já está se tornando cansativa. Enquanto o Brasil continua em sua marcha em direção ao fundo do poço. Aqueles que dizem que o país já atingiu o fundo ou estão enganando a si mesmo ou são mais otimista do que eu, o que acho ser impossível.

Lembrem que, dias atrás, soube que fui tungado em meu dinheirinho porque precisei do Crédito Consignado, e ao fazê-lo estava doando ao PT e ao marido da Gleisi Hoffmann, segundo a justiça. Agora me surpreendo outra vez sendo tungado pelo meu plano de saúde. Para saber como, vejam o texto do Elio Gaspari, abaixo transcrito, que vi hoje no O Globo.

Eu já havia lido a respeito desta medida provisória do qual ele fala, a 627, que, em um dos seus artigos, perdoava, sorrateiramente, as multas das empresas de plano de saúde, que eu ajudo a enriquecer, pagando uma fortuna, quando elas me diziam que não tinham nada a ver com as minhas doenças, ou seja, negando meus direitos a tratá-las dentro de suas coberturas. E também não esqueci que a ex-presidenta, que já foi doenta, vetou o que os parlamentares, através dos famosos jabutis, doariam às referidas empresas, através da MP.

Tenho duas coisas a considerar. Primeira, o patrimonialismo, que vem a ser a confusão entre o que é público e privado neste país, que vem desde do descobrimento, pois os índios não distinguiam se as caravelas pertenciam ou não ao governo português e recebiam os espelhinhos numa boa, como se diz, continua sendo uma faceta da política nacional. Segunda, que o veto da Dilma foi talvez uma das coisas boas que ela fez ao país, junto com a ajuda para afundar o PT.

Só quanto à segunda, devo dizer que se ela tivesse renunciado com quando eu disse que ela deveria renunciar, talvez hoje fosse conhecida por este veto. Renunciando agora ainda faria um bem imenso ao Brasil, embora não fosse reconhecida por nada, porque estaria apenas livrando a própria pele, também.

Realmente, a cultura da Lava Jato está dando certo, e, até agora, não precisou nem de financiamento pela Lei Rounet. Não estou dizendo nada original porque o título do texto do Gaspari é: “O efeito da Lava Jato chegou à saúde”. E eu penso que não vai ficar só sobre a saúde. Pelo que acompanhamos todos os dias, ou se faz uma reforma política neste país com a profundidade necessária para adequar a Constituição Cidadã para que os políticos ganhem o pão só com o suor dos seus rostos, ou nossa Democracia sucumbirá nas patas dos jabutis legislativos.

Agora fiquem com o Gaspari, que eu vou me preparar para a próxima sessão da Comissão de Impeachment, hoje, com a promessa de que a Dilma lá apareça para fazer sua defesa. Será que ela vai? Só por esta dúvida já é imperdível. Gostaria de vê-la responder à pergunta do senador Magno Malta, segundo ele próprio: “Presidente, a senhora mentiu na campanha de 2014?”. Se ela dissesse não, e me convencesse, eu entraria para o PT e abraçaria novamente o meu conterrâneo Lula. Só corro o risco de dizer isto porque sei que ela não é nem doida de aparecer, por lá.

“Um ex-diretor da ‘campeã nacional’ Hypermarcas levou a Procuradoria à caixa-preta do setor de medicina privada

Era pedra cantada. Em algum momento os efeitos da Lava-Jato chegariam ao setor bilionário dos planos de saúde. O ex-diretor de relações institucionais da Hypermarcas, empresa que se intitula “campeã nacional de produtos farmacêuticos”, Nelson Mello vem colaborando com a Procuradoria-Geral da República desde março e revelou parte das relações incestuosas que cultivava com senadores e deputados. Como era de se esperar, caíram na roda o onipresente Eduardo Cunha e seu associado Lúcio Bolonha Funaro.

Preso, Funaro tem o que contar. O ex-diretor da Hypermarcas já expôs a negociação de um jabuti na Medida Provisória 627, que, em tese, tratava de matéria tributária. Para azeitar seu interesse, Mello passou a Funaro R$ 2,9 milhões.

Há mais jabutis na forquilha da MP 627. A relação de Funaro com Eduardo Cunha e dele com operadoras de planos de saúde levou o Ministério Público à caixa-preta desse mercado bilionário, que vive das mensalidades de 70 milhões de brasileiros.

Durante o ano eleitoral de 2014, a MP 627 foi enxertada por 523 contrabandos. Num deles, enfiou-se uma anistia parcial a planos de saúde que descumpriam suas obrigações contratuais. Pela lei, uma operadora que negava um procedimento ao qual o freguês tinha direito poderia ser multada com penalidades que iam de R$ 5 mil a R$ 1 milhão. Quem já pagou multa de trânsito sabe que cada multa é uma multa. O jabuti mudava esse mecanismo. A operadora que tivesse sido multada de duas a 50 vezes pela mesma razão pagaria apenas duas multas. Numa regressão maligna, se as infrações fossem mais de mil, as multas seriam 20. Assim, se uma operadora negasse a mil clientes um procedimento que lhe custaria R$ 5 mil por negativa, em vez de pagar R$ 5 milhões, pagaria apenas R$ 100 mil.

Premiava-se com um refresco calculado em R$ 2 bilhões o desrespeito ao consumidor, estimulando-se a ineficiência de um sistema que está entre os campeões na lista negra dos organismos de defesa dos cidadãos.

O relator dessa medida provisória foi o deputado Eduardo Cunha, então líder do PMDB na Câmara. A MP foi votada em bloco e aprovada com o apoio da bancada oposicionista. Exposta a maracutaia, Cunha informou que discutiu o assunto com a Casa Civil, o Ministério da Fazenda e com a Advocacia-Geral da União, mas não deu nome aos bois.

Para desgosto de grandes operadores de planos de saúde, generosos doadores de campanhas eleitorais e simpáticos admiradores de comissários petistas, Dilma Rousseff vetou o artigo.

Como a MP 627 ficou mais conhecida pelo seu aspecto tributário, beneficiando empreiteiras e bancos, o gato das multas parecia dormir no fundo do armazém. A Procuradoria-Geral da República puxou o fio dessa meada, o que significa a abertura de uma nova vitrine na exposição de malfeitorias.


Em geral, os jabutis colocados nas medidas provisórias são incompreensíveis e relacionam-se com altas transações financeiras. O gato colocado na tuba da 627 era gordo e escandaloso. Tão escandaloso que durante a negociação para a inclusão do contrabando o próprio Eduardo Cunha teria avisado que aquilo ia dar bolo e chegou a defender que Dilma vetasse o artigo. Em 2014, deu em veto. Bolo, está dando agora.”

terça-feira, 5 de julho de 2016

"Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós senhor Deus!..."




Por Zezinho de Caetés

Já amanheci o dia me preparando para a nova fase da Comissão de Impeachment. Hoje, para quem gosta de política, não há diversão melhor. Já estou com saudade da Gleisi e até mesmo do Lindberg, que agora propõe antecipar o impeachment da ex-presidenta bolorenta, para que ela seja enviada a Porto Alegre durante as Olimpíadas.

Ora vejam meus senhores, senhoras e indeterminados, como dizia ontem o Zé Carlos em sua coluna semanal, quem tem este tipo de instinto, de lavar roupa suja fora de casa, só pode ser de má fé. E como sabemos, a má fé do PT, como já foi comprovado, é se manter no poder a qualquer custo, e o Brasil que se dane.

Por incrível que pareça, e parece masoquismo de minha parte, quando penso em ouvir a Fátima Bezerra falar em “golpe” e governo biônico. E para sofrer mais ainda, escolhi hoje um texto para transcrever, que é mais um golpe de realismo daquilo que sucede no Brasil atual. Refiro-me ao texto do Arnaldo Jabor, hoje, no O Globo, que ele intitula, pasmem: “O golpe, o golpe, o golpe”. Ao lê-lo parei de contar os golpes lá pelo décimo.

Eu fiquei estarrecido, como hoje estão todos os brasileiros, como é que deixamos o Brasil chegar a este ponto. Dizem que chegamos ao fundo do poço, o que é muito bom, se for mesmo o fundo, lembrando de minha mãe lá no nosso Caetés querido, que quando balançávamos na rede, e era alertada para o perigo, dizia: “Deixa prá lá, pois se cair, do chão não passa!”.

Estamos quase passando do chão e entrando no fundo da Baía de Guanabara, com o pezão atolado na lama. Penso que se a Operação Lava Jato continuar, já estou me preparando para fazer concurso para a Polícia Federal, ou agente penitenciário,  pois vai faltar gente. Só me resta chamar o Castro Alves para mostrar o horror:

“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!”

E continuem, vendo o horror em que nos meteu o PT, Lula et caterva, pela pena do Jabor, que eu continuarei sofrendo por aqui, esperando que Deus nos ouça.

“O verdadeiro golpista foi o PT, esse partido que nos desmanchou

Dilma e o PT continuam a bradar que está em curso um golpe contra eles. Vão berrar isso na Olimpíada, vão continuar até 2018, quando esperam eleger o Lula. Mas creio que esse demagogo narcisista encontrará seu destino antes disso.

É espantoso ver o ardor com que a “barbie” de esquerda Gleisi Hoffmann e o Lindbergh Farias, bem conhecido em Nova Iguaçu, defendem Dilma. Por que será? Para mostrar força, já que ambos são investigados na Lava-Jato? E o José Eduardo Cardozo? Ele parece estar lutando pela própria vida. Sua fidelidade canina é emocionante. Que será que ele quer? Algum sonho de poder ou é só amor?

Todos se aferram à tecnicalidade das chamadas “pedaladas fiscais”, questionando-as, periciando-as, como se esse detalhe fosse a única razão para o impedimento.

Sem dúvida, foram o irrefutável crime contábil de seu governo. Mas, não só as malandragens da administração são crimes; também foram espantosos os desastres econômicos e políticos que essas práticas provocaram. Foi golpe sim quando deram as pedaladas, desrespeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal, para fingir que as contas estavam sob controle. Mais do que aumentar o endividamento, o governo recorreu a manobras para fechar as contas públicas. A chamada contabilidade criativa incluiu, por exemplo, repasses do Tesouro ao BNDES, que não aparecem como aumento de dívida.

O verdadeiro golpista foi o PT, esse partido que nos desmanchou. O golpe começou desde o governo Lula, que abriu para o PT e aliados as portas para o presidencialismo de corrupção.

Suas ações foram tão incoerentes, tão irracionais, que explicações políticas ou econômicas não bastam. Para entender a cabeça desses elementos, temos de recorrer à psiquiatria. O diagnóstico é um sarapatel feito de estupidez ideológica, falso amor ao povo, bolivarianismo, oportunismo e a deliciosa descoberta da facilidade de roubar num país tão permissivo com os ladrões.

Foram muitos os golpes que Dilma e sua turma cometeram.

Foi golpe quando mentiram espetacularmente na campanha eleitoral dizendo que o país estava bem, quando desde 2014 já rondava a falência. A presidente assumiu o segundo mandato já sabendo que dificilmente poderia cumprir as promessas de campanha.

Foi golpe quando, em decorrência da transgressão da Lei de Responsabilidade Fiscal, os gastos públicos disfarçados provocaram o desemprego de mais de 12 milhões de trabalhadores, com a inflação subindo para mais de 10% O endividamento do setor público disparou no governo Dilma. Em 2014, o setor público gastou R$ 32,5 bilhões a mais do que arrecadou com tributos — o equivalente a 0,63% do Produto Interno Bruto (PIB), o primeiro déficit desde 2002. A dívida pública líquida subiu pela primeira vez desde 2009, de 33,6% do PIB em 2013, para 70% agora. Sua herança maldita faz a dívida pública crescer quase dois bilhões por dia.

Foi um golpe quando permitiram que nosso rombo fiscal chegasse a R$ 170 bilhões.

Foi um golpe sim quando Dilma comprou a refinaria de Pasadena por 1 bilhão e meio de dólares, 300 vezes o preço original de 43 milhões. É assustador ouvir de Dilma que ela não sabia de nada (nunca sabem nada) e que o caolhinho Cerveró a teria enrolado.

Isso já poderia ser motivo para impedimento: ou ela fez vista grossa para as roubalheiras da Petrobras (“oh... malfeitos toleráveis para a ‘revolução’ petista...”) ou por incompetência e negligência criminosa mesmo, ao não examinar direito, como “presidenta” do Conselho de Administração, a caríssima compra de uma refinaria lata velha. Só isso, já era motivo. Aliás, o Cerveró reagiu às explicações de Dilma: “Ela sabia de tudo... ela mentiu e me sacaneou”. A chanchada está cada vez mais vulgar.

Foi imenso o crime da destruição de nosso maior orgulho, a Petrobras, que virou um ferro velho endividado, vendendo ativos. Foi golpe.

E vêm aí mais coisas horrendas na Eletrobrás do Lobão, nos fundos de pensão, nas empresas públicas. São golpes de morte.

Foi um golpe o aparelhamento do Estado pelos petistas. Foi golpe nomear mais de 50 mil elementos para lotear o governo.

Os gargalos na infraestrutura brasileira foram ignorados, e encareceram os custos da indústria. Foi golpe o atraso em obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e também a demora nas licitações de ferrovias, rodovias e portos. Foi golpe também financiar portos e pontes na Venezuela e em Cuba.

Mantega foi um “golpe”, denunciado por todos os economistas sérios do mundo. Dilma abandonou de vez o chamado “tripé macroeconômico” de FHC em favor de uma “nova matriz” que quebrou tudo. Não demitiram Mantega porque seria admitir um fracasso, inadmissível para uma velha comuna.

Foi golpe o termo de posse que Dilma enviou para Lula em segredo, para livrá-lo da Justiça comum.

Golpes pouco lembrados são os gigantescos gastos para fazer propaganda. Uma prática vexaminosa sempre foi o dinheiro que se gastou em propaganda dos órgãos públicos para enganar a população sobre fracassos inconfessáveis.

Só em 2014, Dilma gastou mais de 2 bilhões e meio em propaganda. Em 2015, dois bilhões e trezentos. Total: seis bilhões de reais para engambelar a opinião pública em dois anos. E mais: desde o início do governo do PT foram gastos mais de 16 bilhões de reais em publicidade. Não é um golpe?

E o pior golpe é o inconcebível desrespeito às instituições do país. Dilma acusa o Supremo Tribunal, a Procuradoria Geral, o Congresso, milhões de pessoas nas ruas, de tramarem o golpe contra ela.

E mais ainda:

É um golpe feio a arrogante “presidenta” pedir sanções contra o Brasil a países vagabundos da Unasul bolivariana... A presidenta do Brasil fala mal do Brasil no mundo todo. Pode?


Isso poderia até ser o caso de infração à lei de Segurança Nacional. Lei 7.170/83.”

segunda-feira, 4 de julho de 2016

A semana - Meus leitores, leitoras e indeterminados: "Não me deixem só!".




Por Zé Carlos

E aqui estou eu outra vez, nesta tentativa vã de competir com a realidade brasileira, ao escrever esta coluna semanal de humor. É dureza! Tenho medo de perder alguns dos meus 13 leitores (soube de mais um que começou a ler-me recentemente) pela minha incapacidade de suplantar, na arte de fazer rir, nossa vida política e institucional. Vejam, meus senhores e minhas senhoras que acabei de ler a seguinte notícia: “O projeto de lei 5453 da deputada Laura Carneiro (PMDB-RJ) causa estranheza. Cria a opção ‘Indeterminado’ para declaração de sexo das pessoas em cadastros.” Pode? Agora vou ter que reescrever a frase: Vejam, meus senhores, minhas senhoras e “indeterminados”, porque se não o fizer correrei o risco de perder alguns dos meus poucos leitores. Não porque eles sejam “indeterminados”, mas, sei que não são preconceituosos.

Vou além, nesta competição ferrenha, quando li também que, o Carlinhos Cachoeira foi preso, junto com mais alguns asseclas, e, um desembargador mandou soltá-lo. Se pensam que eu ri porque o Cachoeira foi preso e solto, estão muito enganados, pois isto já se tornou rotina, e esta história de “prende e solta” colarinho branco está se tornando rotina também, como veremos mais abaixo. Estou rindo até agora porque, quando foram soltá-los, descobriram que não havia tornozeleiras eletrônicas em estoque, para que eles fossem monitorados em suas residências. Tiveram então que o prenderem outra vez, agora no presídio Bangu 8. Por um lado rio pelo bem. Até que enfim há um excesso de demanda para tornozeleira eletrônica, ao ponto de o mercado não poder satisfazê-la. Ou seja, não há crise no setor. Por outro lado, rio pelo mal, porque se há Bangu 28, quando eu só tinha ouvido falar de Bangu 1, é porque o setor público não está em crise na construção de presídios, mas, tenho certeza que o setor entrou em crise também pelo excesso de demanda.

Toda esta graça aconteceu logo após o Ministro Toffoli ter mandado soltar o Paulo Bernardo, marido da Gleisi Hoffmann, ao ponto de está sendo chamado nas redes sociais de “Pai Toffoli”, aquele que traz seu marido de volta em 6 dias. E o pior, ou melhor, de tudo, dependendo do ponto de vista, é que em Brasília não está faltando tornozeleira eletrônica. O que é, no mínimo, um paradoxo. O local de maior consumo do produto, como é Brasília, com uma demanda altíssima nos últimos tempos, teve uma resposta, à altura, dos produtores. Será que a empresa produtora é uma Campeã Nacional? Pelo menos teve um destino melhor do que a “Oi” que nos deixou falando sozinhos.

E agora, meus leitores, leitoras e indeterminados, o que terei de escrever para que vocês não abandonem esta coluna? Dizer como o Collor: “Não me deixem só!”? Seria uma situação muito difícil se nossas esperanças de ter a Dilma, nossa musa do humor, não se tivessem renovado ao saber que ela sairá mesmo, definitivamente, da presidência, para vir atuar em tempo integral aqui nesta coluna. Por que eu tenho esta certeza? Ora, soube que o Temer já vai levar a bela e recatada Marcela para Brasília, e que também vai levar o Michelzinho, seu filho, que adorou porque lá tem local bastante para ele andar de skate. E o Temer, “macaco velho”, não iria fazer isto sem saber que iria permanecer no Jaburu. Aliás, dizem que ele não quer ir para o Alvorada, porque lá está “mal assombrado”, e contam que toda noite uma “estrela vermelha” sobrevoa os jardins.

Estamos à espera de nossa colaboradora máxima, já que, o Lula só se manifesta agora em particular com o Waldir Maranhão, o presidente da Câmara, depois da defenestração do Cunha. E vejam o que li na coluna de Reinaldo Azevedo, que também quer concorrer com a nossa usando nossa musa: “Dilma Rousseff tem o emprego assegurado depois que for impichada de vez: vai ser humorista. Já sugeri à direção da Jovem Pan que a contrate. Por que não? Fora do governo, ela é engraçadíssima. Também falei a Tutinha e Emílio Surita que o “Pânico” não pode abrir mão da sua contribuição. São empregos dignos, que rendem um salário honesto e podem divertir os brasileiros. Na noite desta quarta, a Afastada concedeu uma entrevista ao “Jornal do SBT”. Se a gente levar a serio o que diz, é o caso de recomendar internação.” Vejam bem, que ele não falou em nossa coluna, quando sabe ser este o melhor emprego para ela. Puro despeito!

E por que, até que enfim, não começar a coluna pelas piadas trovejantes de nossa musa? Como todos sabem, quem agora mais compete em humor com ela é o Temer, ao ponto deles se criticarem quando um conta uma piada para ou outro. O Temer, depois de ter dito que o governo não tinha dinheiro nem mais para comprar o papel higiênico e já tendo providenciado cópia do Diário Oficial para os banheiros de Brasília, deu aumento aos servidores e aumentou o Bolsa Família em 12,5%. Foi uma risadaria geral. A Dilma, na disputa, diz que não achou graça nenhuma porque ela mesma iria dar 9%, e só não deu por causa do Levy, de saudosa memória. O público quase veio abaixo quando ela terminou dizendo: “Isto tudo não passa de irresponsabilidade fiscal”. Dizem que nem o Lula aguentou, e está até agora gargalhando, e talvez seja por isso que mantém o silêncio obsequioso.

Ainda podem continuar, ou querem que eu pare e dê um tempo, para recuperação? Como sou um cruel, continuarei. Todos sabem que o Temer proibiu os aviões da FAB de levarem a Dilma para suas viagens nas quais fazia seus shows de humor. Ela então decidiu viajar às custas do PT. Depois deste partido ter sua sede invadida pela Polícia Federal, procurando de onde saiam as verbas para pagar as viagens, ele parou de financiar a avionagem dilmesca, como está sendo chamada a caravana que ela leva pelo Brasil afora. O que fez a Dilma? Lembrou do Zé Dirceu, de saudosa memória no humor, que ao ter a possibilidade de ter seus bilhões de propina descobertos, criou um “vaquinha” na internet para pagar as multas que o STF a ele impôs durante o Mensalão, predecessor menor do Petrolão. Foi um sucesso maior do que tomar dinheiro de aposentado como é acusado o marido da Gleisi Hoffmann de fazer. Choveu dinheiro! Nossa musa então partiu para a mesma empreitada, sem medo de ser acusada de plágio. Criou-se um “vaquinha” na internet, que, em 2 dias apenas, arrecadou R$ 500.000,00, para glória dos seguidores dela. Com este potencial de humor, posso descartar a possibilidade dela, ao ser impichada, ser nossa funcionária aqui na coluna? Claro que não!

E vocês pensam que o humor acabou, nesta semana que passou? Rimou, mas, a solução é outra. Aliás, de poeta, neste país só tem o Temer, que declarou não ser esta sua vocação de escritor, e agora quer escrever um romance, quando deixar o poder em 2018. Já tem o roteiro pronto e nós já sugerimos o título: “Fi-lo porque qui-lo!”. Certamente, versará sobre sua saga ao banir a Dilma e o PT do poder, com pitadas de mesóclises por todos os lados. Só para aqueles que, de tão jovem não lembram do maior humorista político de todos os tempos, o título é uma frase supostamente dita pelo Jânio Quadros, ao responder porque renunciou. E o roteiro deve ser sobre a primeira reunião que o Temer terá quando for indicado para a Academia Brasileira de Letras, numa discussão linguística e gramatical sobre se havia erro, ou não, nesta frase histórica, e concluirá que a mesóclise e o riso são sempre o melhor remédio.

Mas, em termos de humor, para quem escreve sobre ele, não posso deixar de lastimar o encerramento, na fase das oitivas, dos trabalhos da Comissão Especial de Impeachment (CEI). O que será desta coluna sem ela? Sem os trejeitos do Waldemir Moka; sem as histrionices da Vanessa Graidiotin, que recebeu até flores, pelo aniversário e pelo conjunto da obra (e que obra!); a Fátima Bezerra com suas frases originais em termos de repetição, o Lindberg dizendo que houve golpe e dizendo que a Dilma é a pessoa mais honesta do mundo; o Raimundo Lira fazendo democracia na porrada; o JECa brigando com a Janaína na base de Vossa Senhoria não faz meu tipo e esta respondendo que Vossa Senhoria é um filho da mãe (há controvérsias se um chamou o outro de “indeterminado”); o gato que virou cachorro do José Medeiros, e tantos outros humoristas que seriam bem-vindos aqui à nossa coluna, se decidirmos transformá-la em diária, como já pensamos, e recuamos, pois queremos leitores poucos, mas vivos. Todavia, esta lástima é passageira e a partir da próxima semana, a CEI está de volta para gáudio de todos.

Parece que nesta próxima semana vão ouvir os autores da perícia que foi feita nos documentos que embasaram as acusações a Dilma, e que, até agora satisfez tanto à acusação quanto à defesa. Ambos disseram que estas perícias são conclusivas para que a Dilma vá ou fique. Ora, todos os meus leitores sabem que quero que ela vá e também fique. Por isso concordo com a perícia em gênero número e grau. Quero que ela “vá” da presidência e que ela “fique” na coluna, onde é o seu lugar como umas das melhores humoristas que o Brasil já teve. E também dizem, que na próxima terça-feira, ela comparecerá à Comissão para se defender. Será que ela irá mesmo? Não percam então na próxima semana, se ela for, o maior show de humor de todos os tempos. Já pensaram ela respondendo ao Magno Malta, pelo conjunto da obra? Imperdível!


O problema da indefinição da Comissão por um longo tempo é aquele gerado pelo início iminente das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Vai surgir uma situação inédita onde se terá (ou, como Temer gosta: ter-se-á) uma presidente que pode sair e um presidente que pode ficar. Qualquer que seja a resolução para isto (uma que pensaram foi colocá-los em andares diferentes do Maracanã, os elevadores vigiados para que não se encontrem), só vai tornar mais difícil, para mim, competir com a realidade brasileira em termos de humor. Terei que prender meus leitores com tornozeleiras eletrônicas, ou talvez, arranjar um áudio que comprove quem vai levar a maior vaia que o Maracanã já ouviu. Então, meus caros, caras e interminados leitores, “não me deixem só!”.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O aniversário do Plano Real




Por Zezinho de Caetés

Hoje deveria ser feriado nacional. O dia 1 de julho deveria ser comemorado tal qual o 4 de julho nos Estados Unidos. Foi neste dia que nasceu o Plano Real sendo o ano de nossa liberdade dos grilhões inflacionários.

Eu não tentarei aqui fazer história, pois o Pedro Malan o faz, como citado no texto abaixo transcrito, da Míriam Leitão, no O Globo, e que vai além do valor supremo de termos depois de séculos uma “moeda” que se poderia chamar de moeda, que era o REAL.

Lembro apenas que eu não aguentava mais ficar esperando nas filas para comprar frangos, logo ao amanhecer, porque se perdesse a hora, o meu dinheirinho já não daria para comprar nem as penas. E lembro, este dinheirinho que hoje foi roubado pelo PT, pegando bigu no meu crédito consignado.

Quem não lembra da velha piada, que agora começa a ficar atual outra vez, de que o cliente chegava no restaurante, perguntava quanto era a comida e o garçom respondia: “Agora ou depois do almoço?”

E lembro ainda, que foi o PT, que desde 2006, quando se livrou das políticas econômicas do FHC, começou a levar o país ao não ter mais o que comemorar neste dia. Lula e Dilma começaram e quase terminaram com um dos nossos bens supremos que é a nossa moeda, desde que começaram a tentar resolver os problemas do país, procurando igualar chifre de boi e orelha de burro. No afã do projeto de poder infinito, levaram o país a esta catástrofe que o Temer está tentando resolver.

Reconheço que o presidente interino tem pisado na bola do ponto de vista econômico, apesar da excelente equipe, mas, o que fazer com a politicagem nacional, que aprendeu a viver das benesses do poder público? Vamos deixar o velhinho trabalhar, para, ao menos evitar um tragédia maior: A volta de Dilma, a ex-presidenta que está maluqueando a cada dia.

E eu espero que esta nova equipe econômica continue tentando trazer para os eixos a taxa de inflação, e que continuemos a comemorar o aniversário do Plano Real. Um Novo Real agora seria o fim da picada.

Mas, fiquem comemorando com a Mirian que vou verificar quantos a Lava Jato pegou hoje. A Dilma está em casa ainda? E o Lula?

“O real começou circular há exatamente 22 anos, quando em primeiro de julho de 1994 a URV se transformou em moeda. Para Pedro Malan, que presidia o Banco Central e foi ministro da Fazenda na consolidação do plano de estabilização, o país já consolidou os valores da inflação baixa e da inclusão. “Somos hoje mais intolerantes às discriminações”.

Malan explicou que o governo Dilma retomou o discurso de que um pouco mais de inflação não faria diferença. Para evitar o estouro da meta em 2014, os preços de energia elétrica e dos combustíveis ficaram artificialmente baixos e, por isso, os preços administrados subiram apenas 1,5%. Essa distorção foi corrigida com um tarifaço.

— Aquilo desancorou as expectativas de inflação e o 6,5% passou a ser um piso. Agora, o trabalho está sendo levar a inflação de volta à meta. Não consigo imaginar um governo que adote uma atitude complacente com a inflação e que não seja punido nas urnas.

Outro valor que “deitou raízes entre nós”, segundo Malan, foi o da inclusão social e busca de uma sociedade menos desigual.

— Também não vejo nenhum governo no futuro, seja qual for sua orientação política, que possa deixar de lado o objetivo de aumentar a igualdade de oportunidades. Nós adquirimos um grau mais alto de intolerância às discriminações. Isso é um valor.

Em entrevista que me concedeu ontem, na GloboNews, ele comentou outro avanço institucional que acontece nesse momento com a Operação Lava-Jato.

— A sociedade democrática preza as liberdades e a justiça. E um dos componentes da justiça é a igualdade perante a lei. Existem discussões sobre excessos da operação, mas neste caso o próprio poder os corrige.

Malan admite que a operação tem agregado um nível maior de incerteza ao país.

— Já vínhamos com enorme grau de incerteza na área econômica por outras razões. Na política já havia uma crise de representação e conflitos entre o Legislativo excessivamente fragmentado e o Executivo à deriva. A Lava-Jato veio adicionar um grau de incerteza ainda maior, mas temos que lidar com isso e estamos lidando. Tudo o que tem acontecido no país está sendo dentro das nossas balizas constitucionais. No Supremo, oito dos 11 ministros foram nomeados nos governos Lula e Dilma. Isso faz parte das dores de crescimento de uma democracia de massas.

As perspectivas econômicas, para Malan, apontam para a volta dos superávits fiscais apenas em 2019. Sobre o crescimento, lembra que “nenhuma economia cai indefinidamente”. Ele acredita que em 2017 o país terá um PIB positivo, ainda que pequeno.

— Não existem situações difíceis que não tenham opções de saída. A solução começa por chamar gente competente e isso foi feito. É possível que a gente encontre o nosso caminho, eu acredito muito no Brasil. Vamos sair dessa.

Definindo sempre a administração Temer como “um governo interino e que a partir de agosto pode deixar de ser”, Malan aprova as medidas anunciadas na área econômica, mas disse que vê com cautela o aumento de gastos.

— Para as circunstâncias, a decisão de estabelecer um teto foi correta. Melhor do que decidir no último dia do ano, ajustando o teto ao efetivamente realizado. Mas exige várias outras medidas. O teto obriga o governo — qualquer governo — a discutir a composição do gasto, definir prioridades e avaliar diferentes programas, analisando o custo-benefício de cada um. Será necessário também dar continuidade às reformas.

Para Malan, um valor que ainda não se firmou na sociedade brasileira foi o do equilíbrio fiscal. Recentemente, os governos petistas elevaram em cinco pontos percentuais do PIB as despesas e isso não pode ser revertido rapidamente.

Na avaliação dele, até abril de 2006, a política econômica do governo Lula não diferiu em nada da praticada pelo governo Fernando Henrique. A partir daí, começou o aumento de gastos. Quando veio a crise de 2008, a aposta foi dobrada. As políticas para evitar a recessão foram entendidas como uma licença para continuar ampliando as despesas. No governo Dilma houve “perda total de controle com subsídios e desonerações e a continuidade das apostas. Tudo era possível porque desejável”.


O Brasil, segundo Malan, “tem um lado moderno e um lado anacrônico”. E sua esperança é que o lado moderno prevaleça sobre o anacrônico.”