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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Recordar é Viver - "Restaure-se a moralidade ou vamos para o Quinto dos Infernos!"





Por Zezinho de Caetés

Ao ler a mídia ontem, eu fiquei tão chocado com o que está acontecendo no Brasil, que deixei os textos que li para comentar amanhã. Hoje, comento um do final de semana que é crucial para entender porque descemos tão fundo neste poço quase sem fundo.

O Ruy Fabiano em seu artigo semanal (“O Quinto dos Infernos” – Blog do Noblat – 12/09/2015) chama-nos a atenção para o principal legado do PT nestes anos que reinou neste Brasil, nos últimos 13 anos: A perda do grau de investimento moral da sociedade civil.

Nunca, na história deste país se viveu uma crise tão grande de moralidade. E pensar que o PT elegeu Lula e Dilma para restaurar a moralidade. Talvez, seguindo o que disse um político do passado, não conseguindo restaurar a moralidade, sua meta foi locupletar-se de tudo, mamando nas tetas da nação.

Eles conseguiram, com um discurso de “justiça social”, cooptar os vários setores da sociedade civil, para o maior engodo da história da República. As promessas iniciais de manter o equilíbrio das contas públicas, o respeito à moeda, e de reformas que aprofundassem aquelas legadas pelo governo FHC, foram para o espaço.

Todo este tempo viramos macacos tentando imitar o socialismo do século XXI do Chávez, que levou já a Venezuela e a Argentina à bancarrota. No início com o auxílio da conjuntura econômica mundial, onde a China crescia mais do que os pecados de Mao-Tse-Tung, comprando tudo que era aqui produzido, a preço bom, tudo foi uma festa.

Lula, meu conterrâneo, ao invés de se tornar um presidiário do mensalão, tornou-se o pai dos pobres e oprimidos. Onde ele chegava arrastava multidões. Era o “cara” do Obama. Hoje, quem diria, virou um boneco inflado com roupa de presidiário. É o triste fim do Policarpo Quaresma.

Ele ainda se sacode, porque como diz o ditado de nossa época lá em Caetés, “quem pode, pode, quem não pode se sacode”, para ver se consegue se candidatar em 2018, no rastro de um governo desastroso que ele mesmo construiu, criando a gerenta presidenta incompetenta. Hoje, ele não quer mais nem saber dela, como sempre fez com seus asseclas, quando não serviam mais para nada.

E, o que tudo indica, agora ele segue célere para ser o companheiro de cela de Zé Dirceu, a quem ele traiu primeiro. Eu espero que o juiz Sérgio Moro, este herói de nossa República, atualmente, substituindo o Joaquim Barbosa, tente obter a delação premiada do Dirceu, porque ele teria ainda 1 para entregar, e que valesse a pena para Justiça. Já o meu conterrâneo Lula, se for preso não poderá ter os benefícios da delação. Quem iria ele, delatar? A Rosemary Noronha, se ainda estiver solta?

Mas, fiquem com o texto do Ruy Fabiano, que é mais detalhado do que o meu, para mostrar os pecados do PT, e que não há Papa Francisco que perdoe, muito menos a CNBB, que também pecou muito.

“Entre os desserviços proporcionados pela Era PT, um tem efeito devastador e exigirá muito tempo para ser recomposto: a perda do grau de investimento moral da sociedade civil organizada.

Em certo sentido, esse dano é ainda maior que o da perda do grau de investimento, recuperável pela adoção de medidas econômicas adequadas, em ambiente político mais confiável.

Mas o dano moral de privar a sociedade de tribunas qualificadas, espaços não estatais de interlocução pública, não tem preço. Entidades como OAB, ABI, CNBB e UNE levaram décadas para construir sua reputação, com participação ativa em todos os movimentos cívicos de envergadura do século XX.

São, porém, os grandes omissos em uma das maiores crises da história republicana brasileira – e, em certos aspectos, a maior.

Não se ouviu delas uma única palavra condenatória a respeito da roubalheira na Petrobras, que o jornal mais importante dos EUA, o The New York Times, considerou, em volume e abrangência, o maior caso de corrupção da história humana. Muito ao contrário, houve quem relativizasse o escândalo.

Aparelhadas pelo PT, hoje vocalizam os interesses desse partido, cuja própria sobrevivência está em risco, tal a diversidade de delitos já capitulados. Os ditos movimentos sociais – CUT, MST, MTST, entre outros – já nasceram sob a égide partidária, com a missão de cumprir uma agenda ideológica que está longe de exprimir um ideário comum à sociedade brasileira.

Têm, pois, coerência e representatividade a soldo. Seu declínio acompanha o do governo petista e das legendas que os patrocinam. Vivem de dinheiro público, à revelia do público.

Já as entidades da sociedade civil não pertencem a ninguém em especial. Foram forjadas nas lutas políticas hoje inscritas na história. A OAB, por exemplo, surge na sequência da Revolução de 1930 e tem participação ativa na luta contra a ditadura do Estado Novo, a partir de 1937.

Apoiou a queda do governo Goulart, em 1964, mas, uma vez configurada a determinação militar de não devolver o governo aos civis, tornou-se voz destacada na luta pela redemocratização.

Exerceu, por meio de seu então presidente, Raymundo Faoro, interlocução junto ao governo Geisel para construir a agenda da transição para a democracia, de que constavam, entre outras coisas, o restabelecimento do habeas corpus e das eleições diretas para presidente da República, que só retornariam de fato com a Constituinte, em 1988.

A CNBB, por sua vez, num país que já foi bem mais católico, perdeu musculatura moral ao se tornar força militante atrelada aos chamados movimentos sociais – que, por sua vez, obedecem a comando partidário. Deixou de ter qualquer importância, ao ponto de escassos católicos saberem o nome de quem a preside.

A sociedade foi às ruas, somente este ano, por três vezes, em manifestações que lotaram as ruas e avenidas das principais capitais. Disseram, por conta própria, tudo o que esperavam ouvir das entidades que sempre se ocuparam em vocalizá-la.

E o que elas disseram, quando ousaram romper o silêncio? Exatamente o que o PT e seus aliados à esquerda repetiam: que se tratava de gente rica, coxinhas, que nada tinham a ver com o verdadeiro povo (entidade abstrata que só ganha concretude se se filiar aos movimentos sociais).

O aparelhamento supôs ser possível promover uma revolução em silêncio, a revolução bolivariana, privada de qualquer debate público, a partir de uma engenharia política restrita a essas entidades, às quais se somou o que se pode classificar como uma síntese delas: o Foro de São Paulo.

O logro foi percebido a tempo de sustá-lo.

Alguns dos principais cabeças, na órbita partidária, como José Dirceu, estão na cadeia. Outros, como o próprio Lula, têm tudo para lá chegar. A revolução, sob o patrocínio de Simon Bolívar, personagem estranho à nossa história, abusou do princípio de que os fins justificam os meios e concentrou-se nos meios, de que a rapina à Petrobras dá um pálido exemplo – e que não é único.

A Era PT chegou ao fim, ainda que a remoção do governo possa levar algum tempo. A classe média, sem a qual não haveria PT, nem muito menos as revoluções – tudo começa e termina nela e com ela -, rompeu com o establishment petista.

E é sob seus escombros que se buscará algum remédio para o recomeço, para a sofrida tentativa de recolocar o Brasil de volta não a um paraíso, cada vez mais distante, mas ao singelo Terceiro Mundo. No momento, estamos no quinto – o quinto dos infernos.”

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Se correr o impeachment pega e se ficar o impeachment come




Por Zezinho de Caetés

No último domingo a Mirian Leitão publicou um texto no O Globo, que merece ser ainda aqui transcrito pela sua contundência no que se refere a impossibilidade da Dilma permanecer no governo.

Ela analisa as pedaladas da gerenta incompetenta, mostrando que ela se encalacrou ao fazê-las, e se encalacrou mais ainda ao pagá-las no final do ano passado. O título do artigo é “A sombra do que ficou”, mas, bem poderia ser “se correr o bicho pega e se ficar o  bicho”. Ou melhor ainda, “se correr o impeachment pega e se ficar o impeachment come”.

O que as pedaladas significam é o cometimento de um crime de responsabilidade que levou o Brasil a situação vexaminosa pela qual estamos passando. O que o PT havia feito de bom, foi feito através de “mensalões” e “petrolões”, e não venha me dizer que a Dilma era inocente durante todo o seu tempo com assecla de Lula.

Fiquem então com a Miriam e tirem suas próprias conclusões, porque eu já tirei as minhas. Para Dilma cair fora, só falta o empurrãozinho da ruas.

“Uma sombra vai continuar pairando sobre o governo Dilma Rousseff este ano: o fantasma das pedaladas fiscais. Elas foram argumento para embasar o processo de impeachment e, por isso, o governo fez tudo para pagar integralmente as dívidas com os bancos públicos na última quarta-feira, mas, ao fazer isso, confirmou as acusações que pesam sobre a presidente.

O pagamento das pedaladas foi feito pelo Ministério da Fazenda como se passasse uma borracha sobre um fato incômodo. As marcas ficaram. Na própria nota do Ministério está dito que aquela montanha de R$ 72,4 bilhões seria paga porque eram “débitos da União junto a estas instituições”. Com isso, o governo derrubou sua própria defesa. O governo disse, e o relator está repetindo para tentar aprovar as contas de 2014, que as dívidas não eram dívidas. Eram um inocente resultado negativo previsto em contrato.

Se atrasar um pagamento de R$ 72 bilhões por um ano não for considerado uma operação de crédito, fica difícil saber o que mais será. O pagamento do Tesouro na última hora aos bancos públicos e ao Fundo de Garantia foi praticamente uma confissão de culpa. A dívida com Banco do Brasil, FGTS, BNDES e Caixa foi crescente no governo Dilma. A dimensão da conta derruba também a tese de que houve o mesmo nos governos Fernando Henrique e Lula.

O governo não tinha alternativa a não ser pagar, porque do contrário seria o segundo ano a terminar com essa dívida pendente. Poderia ser entendido como crime continuado de desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. A mudança quantitativa gerou o salto qualitativo. O que era um simples atraso contratual virou operação de crédito.

No dia 31 de dezembro de 2014, o Tesouro devia cerca de R$ 18,6 bilhões ao FGTS; R$ 20,2 bi ao BNDES; R$ 10,9 bi ao Banco do Brasil. Com a Caixa, ainda havia um débito de R$ 882 milhões. Ao longo do ano, a maior parte da dívida com a Caixa, que chegou a R$ 6 bilhões, já havia sido quitada. Sobre todo esse passivo foi incorporada a atualização monetária. Assim se chegou a R$ 72,4 bilhões. Tudo isso foi pago quarta-feira. Débitos feitos em 2014, carregados por todo 2015 e quitados no último dia útil do ano. Instituições estatais de crédito financiaram o seu controlador. Isso é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Não cabe mais a discussão se é ou não operação de crédito. Eles mesmos o disseram.

O que interessa aqui é que houve violação da LRF, lei que consolidou a estabilidade monetária, estabelecendo travas para impedir o retorno ao passado hiperinflacionário. A decisão do impeachment é política e cabe aos deputados e senadores decidir se esse descumprimento da lei é o suficiente para a interrupção de um mandato presidencial. Do ponto de vista fiscal e orçamentário, contudo, o governo Dilma desrespeitou a lei.

A nota da Secretaria do Tesouro detalha a dívida com cada ente estatal, chegando a R$ 50,7 bilhões. As atualizações monetárias atingiram quase R$ 5 bilhões. A isso se somam as obrigações acumuladas durante 2015 e chega-se à cifra de R$ 72,4 bilhões.

A conta única é um colchão formado para rolar a dívida em momento de dificuldade. Não pode ser usada para pagar despesa corrente, segundo garantem os técnicos em questões fiscais. Dela foram tirados R$ 70,9 bilhões. Tudo foi pago com títulos já emitidos ou com recursos da conta única. Parte ficará na conta do déficit alargado de 2015 e parte em “espaço fiscal pré-existente”. Parece neopedalada. Além disso, permanecerá o debate sobre se o pagamento, mesmo se for tudo considerado fiscalmente correto, terá apagado retroativamente o crime cometido.

A ideia da lei era de que um governante não terminasse seu mandato com dívidas pendentes para o seu sucessor. O governo pode então argumentar que Dilma é sua própria sucessora e, portanto, não há descontinuidade. Mas aí ficará configurado que é um mesmo governo e o que ela fez em 2014 pode ser cobrado do mandato que ela assumiu em 2015.


Dilma se enrolaria se não pagasse, mas se enrolou também ao pagar. Não havia saída fácil para o labirinto no qual entrou quando decidiu que a esperteza dos truques revogaria as regras da contabilidade. Há muitas dúvidas no ar que ela terá que responder ao longo deste ano que começa.”

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Será possível um Feliz Ano Novo?




Por Zezinho de Caetés

Depois de romper o ano nas escaldantes areias de Boa Viagem, recolho-me ao meu retiro espiritual de Ano Novo. Como escaldantes, à noite, oh infiel?! Simples oh caro descrente: Tudo no Brasil de hoje é quente como o inferno de Dante. E no círculo em que estou, apenas, sigo a mídia.

Ofereço-lhes para leitura meditativa, neste primeiro dia útil do ano, um texto que foi publicado no Blog do Noblat, no último sábado, pelo Ruy Fabiano. Título não muito original: “Feliz ano novo”. A originalidade só se revela durante sua leitura, porque ela mostra ou pergunta como se pode pensar em felicidade com o PT no poder?

As nossas chances de voltarmos a ser um país promissor são mínimas se não conseguirmos colocar na história, ou estória, o bolivarianismo que nos assola, e que a nossa presidenta incompetenta segue com uma cegueira nunca vista, embora de forma atabalhoada, com permite seu nível de inteligência.

Hoje, só temos uma esperança: Nós mesmos! Temos que mostrar, nas ruas, que chega de tanto despautérios políticos e que queremos mudança já. Está mais do que comprovado que o bolivarianismo do nosso Judiciário se atém só ao STF, o que já era esperado, pois este é o ritual a ser seguido pelos governos medíocres da América Latina, que tentaram seguir o passarinho Hugo Chávez. Mas, no meio do caminho existia um juiz Moro, no meio do caminho havia alguns políticos sérios, e na Argentina havia um Macri.

Todavia, o mais importante do texto abaixo é o dito muito conhecido e adequado para nossa situação de que “quem pensa estar entendendo tudo o que se passa, está mal informado”. Então, tudo depende de nós, na voz e no voto, livrar o país do meu conterrâneo Lula, mandando-o o mais breve possível para Caetés, que nossa Academia o espero de braços abertos. Isto eu digo por mim, mas, não posso garantir por alguns conterrâneos, mais radicais.

Fiquem, com o Ruy Fabiano, e meditem sobre este ano novo, rezando para que ele não repita 2015, a não ser em seus aspectos positivos, como a Lava Jato.

“Não há sinais de otimismo no horizonte do ano que se inicia. Os números da economia continuam implacáveis e a opção do governo pela fórmula que levou o país à ruína, a tal nova matriz econômica, personificada na figura do novo ministro da Fazenda, Nélson Barbosa, aumentou o pessimismo do mercado.

Joaquim Levy, que representava a lógica da aritmética elementar, segundo a qual dois mais dois são quatro, confrontou-se com a lógica petista, que despreza tais detalhes.

Mais: embora domine a lógica dos números, Levy ignora a da política, que o devorou. Sua saída representou o fim da expectativa do mercado de recuperação da economia por meio do atual governo.
Não bastasse, a Lava Jato, com sua interminável cartola de coelhos infratores, continua a todo vapor. As novas delações e investigações aproximam-se cada vez mais de Lula e Dilma. Sabe-se, por exemplo, que a Andrade Gutierrez doou R$ 100 milhões dos pixulecos da Petrobras à campanha de Dilma de 2014.

Lula, por sua vez, está, entre muitos outros, com um novo problemão – um triproblemão, como diriam os gaúchos: o tríplex em Guarujá, em nome de sua mulher, dona Marisa, sob suspeita de lhe ter sido brindado, além de reformado, pela empreiteira OAS.

Não é pouco. Além dos problemas em que pessoalmente se envolveu, Lula vê-se diante de situação no mínimo constrangedora: diversos de seus mais íntimos amigos presos, entre os quais o caixa-preta José Carlos Bumlai, os filhos investigados e agora a esposa tendo que prestar esclarecimentos imobiliários.

O governo manobra na esfera parlamentar e, com a ajuda bolivariana do STF, conseguiu zerar o processo, mas não eliminá-lo. Nessa área, as ruas ditarão o comportamento futuro dos parlamentares. Se houver pressão popular, não há liberação de verba que sustente o voto governista da maioria.

Napoleão dizia que a um soldado pode-se pedir tudo, menos que se sente sobre a baioneta. A um político, também: pode-se pedir tudo, menos que se suicide eleitoralmente – sua baioneta é a urna. E, em outubro, haverá eleições municipais.

Ainda que aí triunfe no campo parlamentar, o governo não tem controle sobre a esfera policial. Sabe-se que o ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, cuja cabeça, a pedido de Lula, já esteve a prêmio (o que é uma injustiça a quem tanto preza a disciplina partidária), faz a sua parte, cortando verbas da Polícia Federal. Mas o que já está apurado na Lava Jato é suficiente para manter a tensão política e levar muitos graúdos ao juiz Sérgio Moro, Curitiba.

Não se sabe como tudo isso se desdobrará. A situação é aquela que forjou a velha máxima: quem disser que sabe o que vai acontecer está no mínimo mal informado. Ou seja, tudo pode acontecer – menos nada (numa paródia da máxima original, que diz “tudo, inclusive nada”).

Não há espaço para o nada, inclusive porque muita coisa já aconteceu. A Lava Jato impediu que o PT impusesse seu projeto hegemônico de poder. Impediu, por exemplo, que conferisse aos “movimentos sociais” status de agente estatal, com voto em decisões governamentais e acima do Congresso.

A Lava Jato também liquidou a popularidade do PT e do mito Lula. As pesquisas indicam que, pelo menos no curto e no médio prazos (no longo, todos estaremos mortos), ambos estão feridos de morte. Lula hoje já não circula em público – e, quando o faz, recolhe vaias – e fala apenas a plateias amestradas.

Não é pouco. Quem imaginava, há dois anos, o líder máximo do PT, que seus seguidores imaginavam recebendo o prêmio Nobel ou à frente da ONU, depondo seguidamente em delegacias da PF, com a família o coadjuvando? Pois é: tudo em 2015, numa sucessão vertiginosa de acontecimentos irrevogáveis. Não se desfrita um ovo – e Lula e PT estão submetidos a esta lei implacável da natureza.

O que será de 2016? Será uma queda de braço entre esses fatores estabelecidos em 2015 e o empenho do governo de neutralizá-los – a tentativa de desfritar o ovo.

A índole maquiavélica pode colher resultados na esfera parlamentar, mas, mesmo aí, dependerá de fatores que não controla: os efeitos da catástrofe econômica e do strip-tease moral sobre o ânimo de uma população massacrada por péssimos serviços públicos, carga de impostos avassaladora e índice crescente de desemprego.


A aeronave do ano novo já está em curso com a velha, velhíssima, carga de problemas. O mapa de bordo nem o piloto conhece. Para não abdicar do otimismo, e na falta do que dizer, repita-se o velho mantra: feliz ano novo!”

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Recordar é Viver - Viva a República!!! (15/11/2011)




Por Zezinho de Caetés


Minha tarefa de analista político está cada dia mais difícil de ser exercida, neste país. Talvez uma solução fosse começar é escrever só sobre política internacional, pois lá fora, apesar dos Berlusconnis da vida, sempre aparece algo sério.

Aqui neste país quase acabaram os assuntos, pois só restou um. A expectativa, a tensão nervosa, a ansiedade, para alguns, o prazer, para outros o terror de esperar a revista Veja no final de semana. Mas, isto não seria problema se tivéssemos todos os dias uma variação dos temas da revista. Por exemplo, alguma dia ainda trouxesse uma notícia positiva do governo Dilma por, exemplo. Sei que a Veja tentou, e o restante da imprensa também, criar a imagem positiva da Dilma faxineira, a lá Jânio Quadros, brandindo a piaçava de um lado prá outro.

Agora, com a parada da limpeza e cada dia mais a sujeira se acumulando pelas peripécias do ministro do trabalho, e o engavetamento da vassoura, não há mais assuntos, a não ser este para tratar. O grande problema é o enorme número de jornalista de boa cepa, como o Ricardo Noblat, que publicou ontem um texto acachapante sobre “o amante à moda antiga”, o Carlos Lupi,  o ministro que trabalhou sempre fazendo “malfeitos” e que cada dia mais enreda a presidenta com suas teias de sedutor barato. Não há mais espaços para analistas políticos bissextos como eu.

Então minha tarefa de analista político aqui no blog passou a ser quase só, citar artigo dos outros, pois eu não faço falta a ninguém, como faria se não transcrevesse completo o texto referido acima, que tem como título “Fora com Lupi!”, embora,  o próprio seja uma dúvida cruel sobre se a presidente vai honrar ou não as saias que veste e fazer o óbvio que uma mandatária séria, e não comprometida com a anti-ética “governabilidade”, deveria fazer.

E para não dizer que não falei de flores, como gostava de dizer o nosso Diretor Presidente, eu lembrei que hoje é dia de aniversário da proclamação de nossa república, que chegou a partir de um golpe de estado que prometia, já naquela época, a mesma coisa: a governabilidade. Mas, de qualquer forma estamos tentando, a duras penas, burilar nossa república, e seria um bom presente para povo, que a presidenta, comemorasse o dia, brindando a saída do ministro canastrão. Mas,  sem golpes, e sim com os poderes emanados do povo, pois para punir “malfeitos” ela sempre teve. Fiquem com o Noblat e comemorem. Uma boa República para todos. Se possível, sem o Lupi.


“Quer saia logo do governo ou não, Carlos Lupi, ministro do Trabalho, garantiu modesta nota de pé de página em livro de História sobre o governo Dilma Rousseff como o auxiliar que mais constrangeu a presidente antes de levar finalmente um merecido pé na bunda.

Até aqui, pelo menos, trata Dilma como se ela não passasse de um desdentado tigre de papel.

Diga-se a favor de Lupi que ele não foi o único a resistir a deixar o cargo.

Salvo Nelson Jobim, ministro da Defesa e afilhado de casamento de José Serra, os demais desabrigados do governo em sua fase inaugural foram embora contrariados ou cuspindo fogo. Afinal, ser ministro é muito bom. Todos o cortejam e paparicam. Sem falar das vantagens que de fato importam.

O fogo cuspido por um ou outro não provocou mossa em Dilma - longe disso. Ela foi hábil ao lidar com as diversas situações.

Antônio Palocci, ministro da Casa Civil, por exemplo, saiu sob aplausos. Os olhos de Dilma ficaram marejados.

Só faltou uma orquestra de metais para embalar com músicas épicas a saída triunfal de Orlando Silva do ministério do Esporte. Foi emocionante!

Alguém estranho aos nossos costumes – um nórdico ou anglo-saxão - teria dificuldade em entender por que se demite um ministro e depois se junta um coro de carpideiras para chorar sua saída.

Somos latinos e melífluos, essa é que é a verdade. E também cínicos por natureza.

Lupi dispensou choro, vela e tapinhas nas costas. Aproveitou sua condição de único e inquestionável donatário do PDT fundado por Leonel Brizola para falar grosso, dizer desaforos e comportar-se como se lhe coubesse dirigir a cena protagonizada por ele mesmo.

Quis ser valente – foi apenas vulgar. Tentou fazer graça – pareceu um cafajeste.

O grosso: “Conheço a presidente Dilma há 30 anos. Duvido que ela me tire. Nem na reforma ministerial”.

O desaforado: “Daqui ninguém me tira. Só se for abatido à bala. E tem de ser bala de grosso calibre porque sou pesado”.

O vulgar: “Sou osso duro de roer”.

O cafajeste: “Presidente, me desculpe se fui agressivo. Dilma, eu te amo”.

Se não tivesse outros motivos para demitir Lupi, Dilma ganhou de graça um poderoso e definitivo motivo ao ouvir dele em depoimento no Congresso o debochado pedido de desculpas.

“Dilma, eu te amo” é a maneira mais sarcástica de tirar de alguém a majestade do seu cargo e de reduzir-lhe a autoridade.

Deveria ter sido despachado no ato. Mas o tigre só miou.

A soberba de Lupi voltou a se manifestar quando ele foi homenageado na última sexta-feira pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

Agarrado à calça que a todo instante ameaçava deixá-lo só de cuecas, Lupi prometeu como se lhe sobrasse poder para tanto: “Vou acabar com o ciclo de ministros demitidos no grito. Ah, vou!”.

Dilma pensou a mesma coisa quando Lupi começou a ser atingido por denúncias de malfeitos. Disse a um assessor: “Não, não vou deixar que a imprensa derrube um ministro a cada semana”.

Evoluiu depois para a posição de demitir Lupi ao reformar seu ministério. Não está mais certa disso depois de ter lido a VEJA no fim de semana.

Ali resta provado que Lupi mentiu ao Congresso ao negar que tivesse voado em jatinho de empresário. E que mentiu novamente ao fingir que mal conhecia Adair Meira, um gaúcho dono de ONGs.

Lupi viajou pelo interior do Maranhão no jatinho King Air de Meira. E mais: na companhia do próprio Meira, aquinhoado depois com contratos suspeitos no governo.

Roubar nas barbas do presidente não é necessariamente razão para ser demitido. Não é mesmo.

Ao lotearem seus governos com os partidos, os presidentes sabem que pagarão o preço de fechar os olhos a pequenos grandes roubos.

Mas mentir ao Congresso, por mais que o Congresso seja uma casa de mentiras, é um crime grave. Ou assim deveria ser encarado.

A se admitir que nada aconteça ao ministro de Estado que mente diante dos representantes do povo, o melhor é decretar de uma vez por todas que vivemos em uma falsa democracia. E que o servidor público número um, o presidente da República, é também o farsante público número um.”


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(*) Arte na imagem por Jameson Pinheiro.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Feliz Ano Novo para Cuba




Por Lucinha Peixoto (*)

Dei uma paradinha de fim de ano, mas o blog não. Achei umas coisas interessantes e programei. Não vou dizer quais são porque se tiver tempo eu desprogramo e entro ao vivo como agora. E volto a um assunto que se tornou recorrente neste final de ano: a vida em Cuba.

Isto foi em parte o efeito das reportagens do Jornal Nacional sobre a vida cubana, agora que os dirigentes resolveram “chinalizar” o país. Isto é, resolveram tornar Cuba um país capitalista de partido único, que é o que a China está tentando fazer e parece que está indo bem, em termos econômicos, enquanto mantém as pessoas enquadradas dentro do campo político. Para mim é uma questão de tempo para que os chineses que já despertaram para as viagens internacionais, abram os olhos para dentro deles mesmos e pergutem: “E eu como fico?” “Como, ganho dinheiro, durmo, acordo; como, ganho dinheiro, durmo... E daí? O que eu posso fazer a mais?” Igual a muitos, e há muito tempo na maioria dos países, eles descobrirão que querem participar do comando do seu país, e o partido único é algo pequeno e menor.

Minha esperança é que isto ocorra em Cuba, embora ache mais difícil por sua proximidade com maior país capitalista do mundo e sua situação econômica que beira à bancarrota, criada pela corja que o dirigiu, não viu o bonde da história mudar de direção como os chineses viram.

Penso que hoje, se o governo americano quisesse já teria derrubado o Fidel e seus comparsas, apenas levantando o bloqueio americano sobre a ilha. Penso até que, os últimos presidentes americanos são muito respeitosos com o Fidel e estão esperando que ele desencarne para fazer isto.

Vocês já pensaram no choque de cultura de alguém descobrir que pode engordar comendo? Imaginem aquele cubano que hoje explora uma lanchonete em Cuba, mostrado numa das reportagens do Jornal Nacional, se tornar uma franquia da Macdonald que poderia vender hamburgue a um preço muito mais baixo. Como eles já estão esquecidos, de tão velha e só lembrada no primeiro de maio, de sua revolução, enfrentaria outra revolução. A revolução pela comida, pela roupa, pela moda, pela leitura diferenciada, pela música escolhida, pelas alternativas profissionais, pelo banho de mar sem correr atrás dos turistas para ganhar uns trocados, pela possibilidade de votar e ser votado, enfim, pela liberdade de escolher o que se quer ser, mesmo que isto não seja bom aos olhos dos “condutores de vida” de plantão, mesmo que seja para “correr atrás de velho e fugir da polícia”.

Eu não tive tempo de ver a reportagem de ontem, pois fui passear na cidade. Vi apenas as dos carros e seu novo mercado na quarta-feira. Só neste setor já começou uma revolução. Vi um senhor com um carro de 1980, querendo vendê-lo por R$ 10.000,00, quando um 0Km pode ser comprado por R$ 5.000,00 e quase ninguém pode comprar pois precisa ter a renda comprovada, ou sua origem. E como um país que tem um salário médio de menos de R$ 20,00 alguém pode comprovar renda para comprar algo de R$ 5.000,00?

Mas, eles compram um carro de R$ 10.000,00, pois a renda não precisa ser comprovada e vem em sua maioria dos parentes que moram em Miami e em outros países. Dinheiro este que já é incentivado pelos próprios governantes, porque se não fosse assim já teriam enfrentado uma revolta pior do que a dos países árabes, gerada pela miséria do povo.

E aí, vêm os “comunistas” brasileiros. Coloquei entre aspas porque nem mesmos os mais empedernidos comunistas do passado querem agora serem chamados assim. Eles agora são socialistas. Mas, alguns, como o Marlos Duarte, meu conterrâneo, fazem tanta propaganda de Cuba, que até o Roberto Almeida o chama de comunista. Eles, propagandeiam e alardeiam as virtudes do “socialismo” cubano, como se tivessem falando para os seus camaradas. A primeira coisa é acusar a Rede Globo de mentirosa, venal, corrupta, etc. etc. E eu sei que um empresa do tamanho da Globo tem suas derrapadas, mas, querer “tapar o sol com uma peneira”, para não ver o que ocorre em Cuba é demais.

E o que é pior, do alto de seus carrões de luxo, proclamam as virtudes da massificação social cubana como um grande feito. Talvez seja o que a presidenta do alto de sua ignorância deseja para o Brasil, que todos sejamos classe média, com se isto se resumisse jogar o povo para viver todos comendo uma vez por dia enquanto ela e os ditadores cubanos vivem em suas dachas em Brasília e em Havana. Ou seja, nivelar todos por baixo, menos os que governam. Esta é a realidade socialista, pelo menos dos que insistem em não mudarem como a Coreia do Norte e Cuba.

Para mim, a melhor forma de ajudar aquele povo sofrido é dando apoio zero a seus dirigentes. Mas, o contrário é feito pelos nossos dirigentes que acreditam ainda no Fidel. Eu prefiro acreditar em Papai Noel. Porém, apenas com estas aberturas, tenho certeza que o povo cubano vai despertar e arranjar um jeito de se livrar deles. Este é um desejo meu para o ano que se inicia. Embora eu não gostasse de ver um retrato do Fidel em cima de um carro como ontem vi o do ditador coreano. Aquela moldura deve ter custado uma fortuna, uma menor estaria de bom tamanho.

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(*) Texto publicado originalmente em 31/12/2011. Feliz Ano Novo, Lucinha e demais leitores saudosos. (AGD)