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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A semana - Impeachment, o grande show de lorotas e o mosquito da Zika




Por Zé Carlos

Hoje, começo a escrever esta coluna com uma certa tristeza. Pois, vislumbro a morte de alguns dos meus 12 leitores, de tanto rir, com o que aconteceu na semana. Sei, de fonte segura, que ainda tem alguns sorrindo da coluna da semana passada, quando o Delcídio dominou o palco. Esta, não aguentarão e, aconselho que estes, esperem um pouco, e leiam com muita moderação. O Brasil se tornou um grande show de humor, no qual brilharam, mais uma vez, a nossa musa, a Dilma, e o nosso “malvado favorito”, o Cunha.

Não começo por nenhum dos dois porque seria muita maldade, com a certeza que ninguém leria até o fim, esta coluna. Só digo que o tema do show foi “impeachment”. Então escreverei sobre este jocoso tema, abordando os impeachments de Collor e de Nixon, longes no tempo e no espaço. Vocês lembram deles?

Quem está lendo esta coluna pela primeira vez, ou seja nosso leitor de número 14, porque eliminamos o 13, que está impregnado de azar ultimamente, pensará que estou falando sério e irá embora rapidamente. Aí eu digo, junto com Luiz Gonzaga:

“Oh, oh, oh!
Qui mintira qui lorota boa
...........
Vou contar agora um caso qui astur dia assucedeu
Minha sogra tá de prova que tal fato aconteceu
Uma cobra venenosa viu a véia e mordeu
Mais inveis da minha sogra foi a cobra que morreu”
............

Como para bom entendedor uma rima basta, já sabem que estou falando do impeachment de nossa musa a Dilma, que declaro logo ser um apoiador praticante e juramentado, pela ânsia de tê-la como colaboradora da coluna, em tempo integral, como já é o Lula.

Aliás, a grande piada do Lula esta semana foi o seu silêncio. E quando Lula fala, num show, menos de duas horas, é estranho, muito estranho. Pensam que ele não é aplaudido por isto? Muito pelo contrário, com o silêncio ficamos todos pensando na sua grande e definitiva piada: “Eu não sabia!”. Então explodem as gargalhadas.

Todavia, como dissemos no início, o show foi da grande dupla de humoristas, a Dilma e o Cunha. E poderia ter como título “Lorota boa”, música de onde vêm os versos apresentados anteriormente. Mas, vamos historiar, sobre outros assuntos,  um pouco, apenas para não dizerem que esta coluna não é também informativa, ou que só a Dilma e Cunha colocaram o país para rir.

Eu li que o PIB, que no tempo em que eu estudava Economia era a soma de todas a riquezas do país, antes de serem roubadas, tomou um tombo daqueles. Alguns dizem que caiu no mesmo valor do roubo da Petrobrás, outros acham que se incluirmos todos os que estão sendo investigados pelo Sérgio Moro, teremos um PIB negativo em 2016. Isto sem contar com as contas de Dilma na Suíça, pois ela diz que não as tem. Como Romário e o Cunha também não tinham e depois encontraram, sempre devemos dar o benefício da dúvida.

E a produção industrial também despencou, menos é claro, a “indústria da seca”, que agora é implantada no Brasil todo, e não só na área da SUDENE, de não saudosa memória. E como se não bastasse tudo isto o Congresso aprovou a revisão da meta fiscal de 2015, para que a Dilma não tivesse que matar os funcionários públicos de fome e nem festejarem o Natal. Simplesmente, reconheceram que ela gastou mais do que devia, mas, foi por uma boa causa. Ou seja, passaremos o Natal sorrindo. Não é bom?

Ainda no campo nacional não podemos deixar de citar o Alckmin, governador de São Paulo, que depois de fechar um monte de escolas, voltou atrás, quando os estudantes decidiram ocupá-las seguindo o MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto). Já estão dizendo que isto será uma solução para o problema habitacional na cidade de S. Paulo. Basta os estudantes chamarem as famílias para morarem com eles. O programa já tem um nome só para rivalizar com nossa  musa, a Dilma: “Minha Escola, Minha Vida”.

E na área internacional, para não dizerem que só no Brasil há material para riso, o mundo todo está em Paris, à mercê do Estado Islâmico, tentando fazer um acordo para que a Terra não pegue fogo, até o final do século. O grande problema: Quem vai pagar os bombeiros? E na Venezuela, pasmem, vai haver eleições. Se eu explicar tudo sobre a “madura” democracia naquele país, não sobrará um leitor vivo para o que segue. Agora será só impeachment e mosquitos, daqui para frente.

Como todos devem saber o Cunha, sim, aquele que tem tantas contas na Suiça, que, para não mentir que não sabia contar até 100, disse que não tinha nenhuma, acolheu o pedido de impeachment da nossa fiel colaboradora, a Dilma, porque, depois de barganhar pela sua absolvição no Conselho de Ética da Câmara, onde é julgado porque não acertou o número de suas contas, o PT disse que não votaria nele. E este foi o imbróglio político da semana, que causou o maior show de humor dos últimos tempos. Pelas reações dos principais envolvidos.

Primeiro, a Dilma ficou indignada com a decisão do Cunha e cito o seu discurso, lido e não escrito por ela como comprova o “obrigado” final. Só pode ter sido coisa do Edinho que é o bobo da corte, mas, de vez em quando faz alguma coisa:

“Boa noite a todos. Dirijo agora uma palavra de esclarecimento a todos os brasileiros e a todas as brasileiras. No dia de hoje, vocês viram foi aprovado pelo Congresso Nacional o projeto de lei que atualiza a meta fiscal, permitindo continuidade de serviços públicos fundamentais para todos os brasileiros. Ainda hoje recebi com indignação a decisão do senhor presidente da Câmara dos Deputados de processar pedido de impeachment contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro. São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam esse pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim. Não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público. Não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais, nunca coagi nem tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses. Meu passado e meu presente atestam a minha idoneidade e meu inquestionável compromisso com as leis e a coisa pública. Nos últimos tempos e em especial nos últimos dias, a imprensa noticiou que havia interesse na barganha dos votos de membros da base governista no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Em troca haveria o arquivamento dos pedidos de impeachment. Eu jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipos de barganha, muito menos aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas do meu país, bloqueiam a justiça ou ofendam os princípios morais e éticos que devem governar a vida pública. Tenho convicção e absoluta tranquilidade quanto à improcedência desse pedido, bem como a seu justo arquivamento. Não podemos deixar as conveniências e os interesses indefensáveis abalarem a democracia e a estabilidade do nosso país. Devemos ter tranquilidade e confiar nas nossas instituições e no Estado democrático de Direito. Obrigado [sic] a todos vocês e muito boa noite.”

Vejam que nossa musa, tal qual o Lula, está se tornando uma pândega. E por que? Porque nada neste discurso tem a ver com a justificativa para seu impeachment, cujo pedido não foi feito pelo Cunha, e sim por pessoas que, entre elas, encontra-se até um petista desiludido, igual a ela. Aliás, eu penso que nos dias atuais, até o Lula é um petista desiludido, o maior deles. A justificativa do impeachment é porque ela “pedalou” demais em Brasília, ao ponto de, junto com sua dieta, isto a levar à microcefalia. Será que o vírus da febre Zica a tenha afetado? Na dúvida se tiverem fazendo a mesma dieta, suspendam, por favor.

No entanto, nenhum leitor desta coluna analisa mais os discursos de nossa musa do riso. Só querem realmente rir. O que importa para o nosso show de humor, foram as declarações do Cunha em reação a este discurso:

“A presidente mentiu à nação quando fez o seu pronunciamento e disse que seu governo não autorizava qualquer barganha; ela estava participando de uma negociação. O ministro Jaques Wagner levou André Moura ao gabinete da presidente e ela queria que tivesse o comprometimento com a aprovação da CPMF”

Este foi apenas o início do show de mentiras e lorotas boas trocadas entre a Dilma e o Cunha. Não quero nem falar que o Jacques Wagner, tem uma ponta no show, contando lorotas e mais lorotas. No fundo, no fundo, diante de tanto material de riso produzido, eu adoraria que tanto o Cunha quanto a Dilma deixassem os seus cargos e viessem trabalhar, em tempo integral, aqui na coluna. Esta é a minha esperança.

E notem o tom jocoso quando ela fala nas contas no exterior. Aqui, no Recife, quando ela veio ao Comando Militar do Nordeste para declarar guerra ao mosquito Aedes Aegypti, ela voltou a dizer que não tinha contas na Suíça e, sobre o mosquito, declarou:

"Ele provoca, além da dengue, a chicungunha e ele tem uma variante que transmite o vírus que se chama vírus da zika por causa de uma floresta. Precisamos nos mobilizar para evitar os processos de reprodução do mosquito, porque o mosquito transmite essa doença porque ele coloca o ovo e esse ovo tem o vírus que vai transmitir a doença."

Todos ficaram esperando ela criar a meta de botar fogo na floresta para assar os ovos do mosquito. Não posso nem descrever os militares abandonando a liturgia dos seus cargos, saindo de forma, para ir rirem, longe dos comandantes, e não serem enquadrados no Regimento.

A esta altura, não acredito que tenha mais nenhum dos nossos leitores vivos, mas, se tiver algum herói, vejam o filme do UOL, lá embaixo, que coloca um ponto final nesta semana. Antes, pensei eu, uma música do Luis Gonzaga deve ser ouvida, como preparação para leitura e que resume um pouco a semana. Ouçam-na:


E, agora, depois desta preparação, leiam o resumo do roteiro dos produtores do filme, e o vejam logo abaixo. Tenham uma boa semana.

“A semana foi marcada pela decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), de aceitar o pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), feito pela oposição, e pelo embate entre os dois, que trocaram acusações de serem mentirosos, no melhor estilo 'jardim de infância'”


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Você pensa que impeachment é golpe?




Por Zezinho de Caetés

Vamos e convenhamos, o impeachment de Dilma ainda vai ser o pão nosso de cada dia, durante meses. Ontem foi lido o pedido de impedimento da nossa gerenta incompetenta presidenta, feito Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Miguel Reale. Óbvio que não ouvi a leitura feita pelo secretário da Câmara, como também ninguém ouviu, mas, isto não tem importância. Penso até que, quando ele chegou ao final, já não estava entendendo mais nada. O importante é que o povo brasileiro tenha ouvido e entendido o que se passa nesta nossa república.

Logo em seguida, o Cunha com aquela sua figura de mistura de mordomo e pastor, leu sua justificativa para aceitar o pedido. Também não ouvi, como ninguém ouviu, mas, também não tem importância. E desta vez, o povo nem precisa ter ouvido, pois, na realidade o Cunha nada tem com o impeachment, a não ser, o fato dele ser, no momento, presidente da Câmara.

O que os brasileiros pediam desde janeiro, aconteceu, embora de forma ainda parcial. Ninguém aguenta mais a Dilma Roussef. O populismo a colocou lá, junto com meu conterrâneo Lula, e, agora a vai tirar de lá porque mentiu e continua mentindo ao povo. E eu espero que o pedido impedimento tenha sucesso, e agora parodio as grandes manifestações, depois do golpe de 64: “Impeachment para o bem do Brasil” e “Populismo nunca mais”.

O que resta, para termos certeza de que o impeachment será bem sucedido, é a manifestação popular, e para isto temos apenas que dizer a verdade ao povo. E ela é exatamente o contrário do que o PT apregoa: O impeachment não é golpe e não tem nada a ver com o comportamento do Cunha.

Quem pediu o impeachment não foi o Cunha e sim algumas pessoas ilustres que se preocupam com o destino do país, porque ele não pode ficar na mão de alguém que diz o seguinte, respondendo a declarações do presidente da Câmara:

“Não paira sobre mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público; não possuo contas no exterior: nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meu interesse”

Examinem bem a frase e vejam, pelo menos pela Teoria do Domínio do Fato, se há alguma verdade nela. É realmente uma incompetenta, e o Brasil não merece isto.

Para detalhes, leiam abaixo, o Sandro Vaia (Blog do Noblat – “Jogos vorazes” – 04/12/2015), que tenta colocar um pouco de ordem na zorra em que virou a política neste país.

E, eu continuarei a tentar entender, o que a Dilma ainda está querendo fazer sentada lá naquela cadeira do Planalto. Terminar a dieta Ravena? Como estou na veia parodiante de minha colega (quanta saudade) Lucinha Peixoto, eu arrisco:

“Você pensa que impeachment é golpe?
Impeachment não é golpe não!
Golpe vem do PT
E impeachment da Constituição.”

“Vamos tentar colocar um pouco de ordem nessa bagunça.

Sim, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, não é um homem digno de confiança. Corre contra ele um processo do Conselho de Ética que visa tirar-lhe o cargo ou até o mandato.

Mentiu dizendo que não tinha conta na Suíça até que apareceram os extratos. A origem do dinheiro mereceu dele explicações rocambolescas.

Os votos dos três deputados do PT que fazem parte do Conselho são decisivos para traçar o destino de Cunha. Eles podem absolvê-lo ou condená-lo.

Por outro lado, Cunha é o presidente da Câmara até o momento em que for apeado do cargo e só ele, constitucionalmente, tem o poder de acolher um pedido de impeachment da presidente da República.

São os sortilégios da política: tanto poder concentrado na mão de um deputado que pode ser cassado a qualquer momento.

Enquanto ele tentava barganhar com o governo uma troca dos 3 votos pelo pedido de impeachment,  disse que o governo tentava era barganhar com ele. Conhecendo os atores envolvidos, é bem provável que ambos tenham razão.

Enquanto o governo e Cunha tentavam acertar as suas barganhas, o PT endureceu e seus 3 deputados anunciaram que votarão a favor da aceitação da denúncia. Mas o PT não é governo, e o governo, afinal não é do PT? Mais uma vez, sortilégios da política. Fica parecendo que entre a desmoralização definitiva e a sorte de sua presidente não tão amada, o PT fez uma escolha clara: salvar o que ainda é salvável.

Depois de anunciada por Cunha a aceitação da proposta de impeachment encabeçada pelo ex-petista Hélio Bicudo, a presidente, que alterna seu estado de espírito entre a perplexidade e o estarrecimento, resolveu tornar pública, desta vez, a sua indignação.

Disse: “Não paira sobre mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público; não possuo contas no exterior: nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meu interesse”. Uma resposta diretamente endereçada a Cunha, elaborada mais com a participação do fígado do que com a razão.

Sim, Cunha é acusado de tudo isso, mas não é sobre nenhuma dessas acusações que se sustenta o pedido de impeachment da presidente. Ficou parecendo a resposta de uma adolescente zangada com as provocações de uma desafeta de turma.

Outro paralogismo muito usado pelos partidários do governo, é aquele que repete que o processo de impeachment é golpe e que Dilma foi legitimamente eleita pelo povo e por isso é preciso deixá-la cumprir seu mandato até o fim.

Pode-se defender qualquer coisa, menos que um processo constitucional seja golpe e, de resto, convém lembrar, a bem da lógica mais primária, que só um mandante legitimamente eleito é que pode sofrer impeachment. Não há hipótese de tirar o mandato de alguém que não tenha sido eleito.

O PT lançou mão das armas que tem e recorreu ao Supremo tentando anular a decisão de Eduardo Cunha, mas retirou a ação quando soube que ela seria relatada por Gilmar Mendes. E o mercado reagiu à notícia da aceitação da denúncia com acenos de simpatia, via Bolsa e ações da Petrobras e do Banco do Brasil subindo e o dólar caindo.

O recado da sociedade é claro: o Brasil quer voltar a andar, e se para isso tiver que se livrar de Dilma e também de Cunha, que assim seja. O que não dá é o País ficar refém dos jogos vorazes de uma classe política inepta que está nos colocando na rota de uma depressão que pode destruir todas as nossas pontes para o futuro.”

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Não resisti quando recebi o texto do Zezinho, e fui procurar algo para ilustrá-lo. Encontrei isto, que espero que gostem (Zé Carlos):


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A briga de cachorros grandes




Por Zezinho de Caetés

Não poderia ser outro o tema, de alguém que tenta escrevinhar sobre a política neste país, que era bonito por natureza, pelo menos até a chegado do PT ao poder: A aceitação do pedido de impeachment da gerenta incompetenta presidenta, Dilma, pelo presidente da Câmara dos Deputados, o Eduardo Cunha.

No parágrafo anterior, em poucos linhas eu citei os verdadeiros problemas do Brasil, e, pasmem, ambos querem se destruir mutuamente, o que é muito bom para o país. Pouparemos energia durante o embate entre estes dois males: Dilma x Cunha.

Já são anos de briga entre os dois, que parecia ter cessado quando cada um tinha uma arma para matar o outro. Dilma tinha o Conselho de Ética para cassar o Cunha e este tinha o impeachment para cassá-la. E, ontem, parece que os dois começaram a se matar. Se tal qual um filme que assisti e não me lembro o nome, no qual uns meliantes se matam ao mesmo tempo, acontecer agora, não será um final perfeito mas, o Brasil estará mais feliz.

Para ver o que está ocorrendo, basta dizer que, ontem, só depois do anúncio da acolhida do impeachment, o dólar começou a baixar de valor, e, consequentemente, já ficamos um pouco mais ricos. Imaginem quando nos vermos livres dos dois, de uma vez por todas!

Agora, depois deles terem atirado um no outro, só depende de nós, da voz rouca das ruas, para que ambos se vão para uma cadeia qualquer para pagar o que fizeram com o nosso país, que se encontra nos estertores à beira de uma recessão brutal, e que já cheira a depressão.

Hoje, nem escolhi o texto para transcrever, e detalhar minhas ideias. Eram tantos bons, que sorteei. E o resultado da loteria foi muito bom, e o vencedor foi um escrito do Mary Zaydan que li no Blog do Noblat (“Ainda que por linhas tortas”), no qual vocês podem ver detalhes desta briga de “ganha x ganha” para o Brasil.

O medo que eu tenho é que os dois, ou um dos dois sobreviva. Isto só seria pior, se pelo menos um ricochete não atingisse o meu conterrâneo Lula. O ideal para o Brasil seria que morressem os três, politicamente, é claro.

Agora fiquem com a Mary, que eu vou voltar ao meu plantão diário nas mídias para verificar o que mais pode acontecer neste nosso país.

“A autorização para o início do trâmite de um dos 34 pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff protocolados na Câmara dos Deputados já deveria ter sido dada há tempos. Até porque não há motivo algum para que o Legislativo fique oficialmente excluído de um debate que o país inteiro trava há mais de 10 meses. Seja para afastá-la ou mantê-la.

Mas os pedidos foram cuidadosamente empilhados por Eduardo Cunha, que, com o poder de deliberar sobre eles, fez todo tipo de negociata para tentar salvar a sua pele.

Patrocinou uma barganha coletiva: até pouco tempo, a oposição preservava Cunha para acelerar o impedimento de Dilma. Depois foi a vez do PMDB, interessado em sucedê-la. Nos últimos dias, Lula e o Planalto imploravam aos seus para que não o cutucassem com vara alguma, sob pena de que ele, ameaçado de cassação, cumprisse a ameaça de dar andamento à cassação da presidente.

E Cunha cumpriu. Mesmo tendo conseguido adiar a votação da admissibilidade do processo contra ele na Comissão de Ética da Casa, autorizou o contra Dilma. Agora, segue para o plenário, onde tem de ser aprovado por dois terços. Para evitá-lo, o governo precisa reunir 171 entre 513 votos. Se nem isso ela conseguir, melhor mesmo é se retirar de cena.

As linhas tortas podem até prejudicar a análise serena dos fatos, fazendo com que fígados falem mais alto do que a razão.

Em primeiro lugar, é mais do que razoável que o coração político do país se debruce sobre questões que, constitucionalmente, podem afastar a presidente. E há várias.

A irresponsabilidade fiscal que pauta o seu mandato é motivo mais do que suficiente para abrir o debate. Diga-se, irresponsabilidade confessa que levou a presidente a reincidir no pedido de descumprimento da meta fiscal, algo que fez em 2014 e que repetiu agora. Há ainda as pedaladas comprovadas pelo Tribunal de Contas, desvios de recursos e a suspeição, cada vez mais concreta, de que sua campanha foi custeada com dinheiro sujo. Não é pouco.

A Câmara teria também de dar andamento à cassação de Cunha. Acelerar os procedimentos na Comissão de Ética e levar o caso ao plenário. E o Senado deveria tomar providências contra o denunciado Renan Calheiros. Até o ministro Ricardo Lewandowsk, que, como presidente do Supremo, estaria impedido de ser soldado partidário ou defensor do governo, poderia ser alvo de reprimendas.

Mas o fato de haver problemas – e graves – no topo dos três Poderes não pode servir como desculpa para aliviar pecados de ninguém. Nem os de Dilma.

Ela tem o direito de espernear, de se dizer indignada e até de ler comparações infantis com Cunha, como o fez – “eu não tenho conta no exterior, eu não....”. Mas, como presidente da República, a quem a maioria do país confiou o voto, ela deve explicações mais sérias: da alegada ignorância sobre toda a roubalheira na Petrobras quando era ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho da estatal às mentiras explícitas do Brasil dourado da campanha de 2014. E de anos de gastos irresponsáveis que levaram o país à bancarrota.


Ainda que a escrita tenha sido por linhas tortas, explicitar no Parlamento o debate sobre o impedimento de Dilma – defendido por 65% dos brasileiros - será muito útil ao país.”

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O julgamento de Pinóquio




Por Zezinho de Caetés

Ao contrário de ontem, hoje, comecei o dia procurando textos sobre a pantomima da reunião do Conselho de Ética da Câmara, que se reuniu para votar se prossegue ou não o processo que acusa o Eduardo Cunha de mentiroso.

Eu só não digo que perdi uma tarde inteira e um pedaço da noite vendo o grande espetáculo (na certa o Zé Carlos o explorará em sua coluna de humor) digno do nosso parlamento, porque em política tudo é possível. Foi um verdadeiro horror. Só não teve tapa por causa das cadeiras no meio. E para que?

Para julgar um deputado porque mentiu. Triste este nosso país, onde Pinóquio é o único vilão, só porque cresce o nariz. Na própria reunião do Conselho, o número de mentiras e lorotas  eram tantas que ficávamos esperando o nariz de todo mundo crescer. Perto deles, o nariz do Eduardo Cunha nem seria visto.

Não posso dizer que o Cunha não mereça ir para cadeia. É claro que merece, mas, pelo conjunto da obra, e não só por mentir. Dilma mentiu muito mais e ainda dizem que não há nada de pessoal contra ela, que justifique um impeachment. Lula, se, pinoquianamente, crescesse o nariz toda vez que mente, seu nariz já estaria servindo de corda para amarrar bois lá em Caetés.

O problema é o conjunto da obra. Mas, tudo se passa como, ao ver uma mulher apanhando do marido lá no interior, muito antes da Lei Maria da Penha, sem nenhuma explicação do agressor, se dizia: “Ele não sabe porque está dando, mas, ela sabe porque está apanhando”. E isto se aplica muito bem ao conjunto da obra do PT (hoje mais conhecido por Partido da Trambicagem).

O PT está como uma barata tonta porque não sabe mais o que fazer para ficar no poder. Com as pesquisas batendo nas cabeças dos seus chefes, o que querem mesmo, agora, é blindar o Lula, porque sabem que sem ele o partido vai para o brejo junto com a vaca.

E, quando se esperava uma decisão do Conselho de Ética, ontem, fizeram tantas chicanas que a reunião que tudo ficou para hoje. E, como diz o imortal Merval Pereira, no texto que transcrevo abaixo, tirado do seu blog (“O dilema do PT”), até agora não se sabe qual é a posição deste partido partido, sobre o que quer fazer com o Cunha, porque na beira do caminha tinha uma pedra, a Dilma, e ele não sabe se chuta o balde ou a pedra.

Fiquem com o Merval, que detalha a reunião, que pode decidir os destinos de muita gente, menos a de Delcídio, que parece já ter sido esquecido. E as nuvens andam...

“Afinal, o PT quer salvar Eduardo Cunha para salvar a presidente Dilma, ou quer cassar o presidente da Câmara para tentar salvar a reputação do partido, se é que isso ainda é possível? O que importa mais para o PT, salvar Dilma ou a possibilidade de Lula chegar vivo politicamente a 2018?

O ministro da Justiça, certamente atendendo a uma orientação de Dilma, declarou que o governo não está fazendo pressão contra Eduardo Cunha, que continua certo de que todas as denúncias que surgem contra ele têm como fonte o Palácio do Planalto.

Mas o presidente do PT, Rui Falcão, fez um apelo público aos três representantes do partido no Conselho de Ética para que votem pela admissibilidade da denúncia que, se acontecer, significará que o presidente da Câmara não tem mais força para controlar o Conselho.

Ele já recebeu contra 7 dos 9 votos previstos, e não é possível hoje dizer se os três petistas farão a balança pender contra Cunha, ou se o salvarão, e nem mesmo se haverá algum voto inesperado contra ele.

Esta noite brasiliense será certamente das mais quentes, muito além do calor de verão que fez o presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araujo, reclamar do ar condicionado da sala.

As tentativas de retardar a decisão, ou mesmo de aprovar uma punição mais branda a Eduardo Cunha antes mesmo de começar o processo, aconteceram como o previsto.

O tempo que perderam discutindo quem chegou primeiro à reunião, quem furou a fila de presença, foi fundamental para que a votação não acontecesse ontem mesmo. O deputado Manoel Junior, do PMDB, suplente no Conselho, jogou como um titular do time de Cunha.

 Fez diversos questionamentos sobre o regimento, confundindo o já confuso presidente do Conselho, apenas para ganhar tempo, nenhuma questão era fundamental ou realmente necessária. 

O deputado Wellington Roberto (PR-PB), que apoia o presidente da Câmara, apresentou um voto em separado em que, ao mesmo tempo considera que não há motivos para processar o presidente da Câmara, e pede uma censura pública a ele.

O que parece uma contradição em termos tem sua lógica. Se o Conselho considerar que não há motivo para processar Eduardo Cunha, pode haver um recurso ao plenário para rever a decisão. E tudo indica que hoje Cunha já não tem maioria para se livrar do processo.

Mas, se o Conselho decidir puni-lo de alguma maneira, encerra-se lá mesmo a discussão. O deputado Wellington Roberto quer uma punição por que, ao negar durante depoimento na CPI da Petrobras que possuía contas no exterior, Cunha não teria mentido, mas faltado com "a responsabilidade do cuidado nas suas declarações, exigindo o compromisso com a sua exatidão maior do que a demandada dos demais 512 deputados".

Eis, senhores, um deputado rigoroso, ético, que mesmo sendo reconhecidamente um aliado de Cunha, quer puni-lo para que pense melhor antes de falar. Enfim, a reunião do Conselho de Ética foi dominada pela pantomima costumeira na Câmara, e até mesmo o deputado Chico Alencar quase foi usado para atrasar mais ainda a decisão final sobre Cunha.

Como também o deputado do PSOL está sendo acusado de falta de decoro no Conselho de Ética pelo ético deputado Paulinho da Força, uma manobra de Cunha e aliados contra o PSOL, que liderou o processo contra o presidente da Câmara, o presidente do Conselho José Carlos Araujo chegou a colocar na pauta da reunião de hoje o caso de Alencar antes do de Cunha, alegando que o deputado do PSOL certamente gostaria que seu caso fosse logo julgado.

Mas Chico Alencar disse que considerava mais lógico continuar analisando o caso de Cunha para depois entrar o seu na pauta.


Hoje, prevêem-se mais manobras regimentais antes que a votação prossiga, mas, se nada acontecer na noite de Brasília, é provável que a questão seja resolvida hoje. Uma coisa é certa: os três petistas que compõem o Conselho de Ética não terão uma noite tranquila.”

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Lula enterrado! Chegou a hora do Delcídio?




Por Zezinho de Caetés

Estava eu procurando assunto para escrever aqui e quase não encontrava. Sabem porque? Porque estava procurando um texto sobre política que não tivesse a palavra “Delcídio”. É como se, de repente, o senador do PT tivesse adentrado o baile da corrupção de sapatinho de cristal, e agora todos comentam sua saída, como abóbora.

Encontrei o pequeno texto, abaixo transcrito, do Mansueto Almeida (“Lula: o fim de um mito?”), que é um economista e que escreve sobre política por vias tortas, citando a pesquisa do Datafolha, feita recentemente, que mostra, além de outras coisas menores, o “enterro” político do meu conterrâneo, o Lula.

Num resumo objetivo, o grande dado da pesquisa é que 47% dos eleitores brasileiros não votariam em Lula de jeito nenhum, ou seja, nem que “a vaca tossisse”. É um percentual respeitável, porque indica que nunca na história do mundo alguém foi eleito com tamanha taxa de rejeição.

O problema é, se isto perdura até 2018. E eu acho que não. Penso que quando lá chegarmos o Lula já estará em Caetés, fazendo parte de nossa comunidade, de onde nunca deveria ter saído, e as pesquisas já o terão até esquecido. Mesmo que tenha a oposição do Rafael Brasil, ele estará sentado na cadeira número 13 da Academia Caeteense de Letras, que até lá, se Deus quiser, eu já a terei inaugurado.

O autor abaixo ainda conjectura se não surgirá algum outro candidato viável para o PT. Minha cabeça roda, roda, e roda e eu não encontro. Ora, se o Lula está morto e enterrado, quem vai pegar o trem descarrilado?

No entanto, seguindo a filosofia do PT, que revela o seu bolivarianismo explícito, de não deixar o poder jamais, mesmo que perca a ternura, quem sabe, eles não lançam o Delcídio?

Agora fiquem com o Mansueto, que eu volto a ler a mídia, de onde o Delcídio não sai. Vade retro!

“No último domingo, 29, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma nova pesquisa Datafolha com simulações para candidatos a presidente para 2018. Claro que uma pesquisa deste tipo, neste momento, representa apenas uma figura do momento. Não se pode tirar daí nada de muito concreto para uma eleição que só ocorrerá em 2018.

Vale lembrar que se pesquisa definisse eleição, Aécio Neves não teria ido para o segundo turno das eleições, em 2014, e Marina Silva teria grandes chances de ser hoje a presidente do Brasil. Mas, apesar de vários cientistas políticos terem dito, em setembro de 2014, que era IMPOSSÍVEL Aécio Neves recuperar os votos que havia perdido para a candidata Marina Silva, o que vimos foi que Aécio recuperou os votos e foi para o segundo turno.

De qualquer forma, com todas essa ressalvas, não deixa de ser interessante na pesquisa divulgada a taxa elevada de rejeição do ex-presidente Lula, que já chegou a ser considerado imbatível e sempre “o coringa no baralho do PT”.

Segundo o Datafolha (ver aqui), Aécio é rejeitado por 24% atualmente; o vice Michel Temer (PMDB), por 22%. Alckmin e Marina, por 17%, e o ex-presidente Lula por 47%!

O mais interessante é que, com o Lava Jato e o forte envolvimento do PT, as notícias da grande e da pequena imprensa sobre o ex-presidente Lula continuarão a ser francamente desfavoráveis e, no caso do PT, não há hoje um único candidato a presidente competitivo.

Claro que candidatos podem ser criados, mas é muito difícil se criar um candidato em um governo que terá quatro anos com crescimento do PIB negativo. Uma das apostas do partido era o atual govenador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. Mas o que escuto de jornalistas é que o governador dificilmente se recuperará do estrago na sua imagem causado pela confusão com o financiamento de sua campanha para governador.

Nisso tudo, assusta como o PT colocou todas as suas fichas e a sua imagem em uma única pessoa: o eterno candidato e ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ( a Rede vai pelo mesmo caminho?). Vale lembrar que, fora Lula, o único candidato do PT a Presidente da República foi a atual Presidente Dilma. E todos os presidenciáveis históricos do partido –José Dirceu, José Genoíno, Antônio Palocci, Fernando Pimentel, deixaram de sê-lo.


O que acontecerá com o PT?”