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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A semana - O Maranhão é aqui!




Por Zé Carlos

Como não poderia deixar de ser, a semana que passou pertenceu aos Sarneys, lá no Maranhão. E os produtores do filme do UOL, abaixo apresentado, “se viraram nos trinta” para fazer humor com o tema das atrocidades perpetradas dentro e fora de uma unidade prisional daquele estado. Mas, eu, como sempre digo e repito, o humor é a forma mais séria de tratar barbaridades, sem os choques normais que elas provocam.

Eles não chegaram a mostrar as cenas relativas à decapitação de presos nem da menininha de 6 anos que morreu queimada num ônibus incendiado por bandidos que, diríamos antes, deveriam estar na cadeia. Mas, no Maranhão não tem disso não. É da cadeia que eles organizam os bandidos que não estão nela.

É risível o esforço da Roseana Sarney para tirar o cu (desculpem, mas não dá para segurar palavras fortes) do seu pai da seringa. Tudo é risível porque é uma pantomima. Ao invés de dizer que estaria revoltada, deveria anunciar sua renúncia e a fuga da família Sarney do Maranhão, para ver se aquele estado melhora de vida.

Desde minha infância em Bom Conselho que convivo com cadeias. Afinal de contas quase nasci na Rua da Cadeia, um dos pontos de minhas brincadeiras juntos aos colegas era em frente da ou na calçada daquele estabelecimento prisional, que hoje é uma casa da Cultura, talvez para esquecer as torturas que alguns presos sofriam porque roubavam galinhas. Era o seu Gaudêncio colocando a palmatória para funcionar, e os meninos, meus colegas e eu, tapando os ouvidos.

Para nós aquilo tudo era normal apesar de ser cruel e errado. Cito isto, no entanto, para mostrar que os erros nas prisões brasileiras são um fato histórico e não se restringe, no tempo e no espaço, ao Maranhão. Mas, é difícil aceitar as declarações (não contidas no filme, talvez porque não temos nada do que rir) que a ênfase no caos prisional naquele estado é devido ao seu enriquecimento. Só se for para a dispensa do palácio de Roseana.

O momento que mais ri no filme foi quando ele prometa a apresentação de cenas fortes, e logo em seguida mostra uma lagosta sendo trucidada, como os quase 70 presos das prisões de Roseana. E como o Maranhão enriqueceu! Lagosta, caviar, salmão, camarão, etc. E ainda tem quem reclame dos Sarneys?

E o que mais me entristeceu, ao invés de rir e ficar alegre, foi a presidente e o ex-presidente em exercício, o Lula, fazendo propaganda política da Roseana, e ao pensar que se o Lula quiser fazer propaganda para o próprio Sarney, que ele já considerou um homem incomum, o elege até presidente do Brasil outra vez. Se ele se habituou a eleger “postes”, por que não elegeria um “fio desencapado”? E onde estavam a presidente e Lula que não disseram uma palavra sobre o que aconteceu no Maranhão? Agora eu digo como meu neto: “Tá doido, véio!!!” Eles tem medo de tomar um choque nas próximas eleições. Vamos dar um choque neles?

Oitenta quilos de lagosta, uma tonelada e meia de camarão, 750 quilos de patinhas de caranguejo, diz o repórter no filme. E a Roseana revoltada. Só faltou parodiar a Maria Antonieta: “Se o povo não tem pão, coma lagosta!”. Não sei se feliz ou infelizmente hoje não se usa mais a guilhotina. Não pensem mal. Se ela ainda existisse seria bom para aparar o bigode de Sarney.

Agora, vejam logo abaixo o resumo do roteiro do filme feito pelos produtores do UOL, e logo em seguida vejam o filme. Infelizmente, eu não posso aconselhar que comecem a semana sorrindo, mas talvez chorando lágrimas de crocodilos pela nossa culpa, por não escolhermos bem na hora do voto.

“O Estado passa pela maior crise de segurança de sua história, e a governadora encontra tempo para licitações para compra de lagosta, caviar e champanhe. Assim é o Maranhão de Roseana Sarney. A filha do ex-presidente está “revoltada” com as decapitações nos presídios, os ônibus incendiados e a população amedrontada.”


sábado, 11 de janeiro de 2014

O tempo que se faz




Por Carlos Sena (*)

Adoro compartilhar. Principalmente coisas boas, experiências particulares, mas que podem ser repassadas para outrem sem delongas. Diferente do FACEBOOK, nós humanos estamos compartilhando pouco afeto com os nossos semelhantes. Qual Face, “cutucamos” mais (qual o cão com vara curta) do que compartilhamos.

Pois bem: nesta tarde de sexta-feira fiz uma experiência interessante e simples: DESLIGUEI O CELULAR. Sabem por quê? Porque eu estava reclamando muito que não tinha tempo, sequer, para namorar. Pela falta de “tempo” imaginei criar um tempo pra mim dentro deste nosso tempo ofertado pela nossa civilização e tão escravizador dos nossos desejos e sonhos. Desligar o celular por algumas horas, ou por uma manhã é experiência que todos deveriam passar. Você fica com a impressão, de fato, de ter criado um tempo pra você e isso  basta. Porque essa “coleirinha” eletrônica que se chama celular nos escraviza em nós de forma trágica –  posto que  nos prende pela suporta crença de que sejamos livres e com ele (o celular) temos o mundo em nossas mãos. Até podemos tê-lo em nossas mãos, mas com tudo de bom e de ruim que lá fora existe e que nós, sob a pecha de modernos achamos maravilhoso, ou não?

              Hoje minha tarde de sexta pareceu-me com doze horas. Pude ter certeza de que barulhos outros não me incomodavam pela possibilidade de imaginar que meu celular estava tocando, ou urrando, ou berrando. Porque celular pra muita gente é divã de psicanalista, quando deveria ser para contatos breves ou um pouco mais longos desde que de comprovada necessidade. Por isso hoje meu dia ficou maior e, qual Deus fiz o tempo. Não sei se poderei fazer a hora, posto que sabe faz ela e não espera acontecer. Sem o celular por perto consegui ouvi o silencio e achei que ele estava fazendo barulho, tamanho era a minha ausência de tê-lo perto me permitindo o sentimento da fala, não do trinado. Do tato, não do caquiado das mensagens incomodativas. Nesta tarde não vi chover, nem vi o dia morrer se entregando ao à noite nem sempre criança, como dizem os seresteiros. Que bom que ainda não perdemos o sentido do valor das pequenas coisas como tomar uma água de coco no calçadão, comer pipoca na frente da TV, ler um livro pegando nele, riscando ele, sentindo seu cheiro de naftalinas. Desligando o celular vez por outra para não se perder de si, nem dos que a gente ama e nos amam também. Pena que nem sei se fazem isso por aí, mas eu fiz e adoooooorei.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 08/11/2013

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O Papai Noel desnudo


Papai Noel (Praça Pedro II - Bom Conselho)


Por Zé Carlos

Quase sempre, quando vou a Bom Conselho, fico com estórias para contar. Desta vez não foi diferente. Lá passei dois dias e vi este ano novo nascer, sem fazer nenhuma promessa. Nem mesmo de fazer regime, pois cheguei em forma do ano passado.

Logo quando chego e ultrapasso o portal da cidade, influência do sul sobre nossas plagas, eu começo a observar. Desta vez, bem antes, mesmo antes de ver a serra de Santa Terezinha, vítima de desmatamento, e do bueiro da Perdigão, eu já vinha com uma ideia em mente: Ir à Praça Pedro II e verificar se já haviam arranjado outra roupa para o Papai Noel, que foi, segundo alguns, surrupiado de sua rubra vestimenta.

 No entanto, observei bem que a entrada da cidade continua sem buracos e tudo continuava a mesma coisa até o centro, apenas dando por falta das palmeiras que existiam na saída da ponte do Colégio, na bifurcação das ruas Joaquim Nabuco e Siqueira Campos, para dar lugar a um novo posto de gasolina. Alguns dirão que é o progresso. Eu apenas diria “progresso”. Só tenho medo de que a moda pegue e abatam as palmeiras da entrada do Colégio N. S. do Bom Conselho, as quais vi nascer, antes de ver morrer aquelas existentes na Praça Pedro II.

Com as dificuldades normais de estacionamento, outro símbolo de “progresso”, desci pelo oitão do eterno Cine Brasília, onde agora é um mistura de banco com igreja, e estacionei na Travessa 13 de Maio, de onde parti logo, a pé, para o centro, com o objetivo de olhar o que sobrou do bom velhinho. Confesso que não foi fácil atravessar da casa onde convivi com Ivan Crespo (que nos deixou recentemente) e vi Dona Fifita na janela,  para a Praça. Eram tantos os carros, motos e até carroças que temi pela minha integridade física. Porém, com muito jeito e atenção eu cheguei ao meu destino: a casa do Papai Noel.

Confesso que tive uma grande decepção, pelo que esperava ver, mas tive também uma alegria com o que vi, o bom velhinho todo bem vestidinho e sentado em seu trono, talvez descansando do assédio natalino de que é vítima todos os anos. Comecei a pensar se não fora mentira a estória do roubo da roupa, ou se, não sendo, houve um surto de eficiência e cobriram logo as partes desnudas do Noel, que me parecia bem fisicamente.

Tirei umas fotos dele, dentro da casinha e fui me informar a respeito do roubo. Soube que, não houve roubo da roupa, e sim, surrupiaram a cabeça do velhinho do polo norte. A cabeça que estava lá era nova e fora colocada pela sua criadora, que teve medo de que, tendo o Papai Noel perdido a cabeça, ele cometesse alguma atrocidade com os visitantes e fosse pego pelos carros do Pacto pela Vida, do nosso governo.

Diante desta nova versão, eu fiquei pensando nas possíveis consequências do protegido pelo Estatuto do Idoso, quando perdeu a cabeça. Será que ele se tornaria o mau velhinho? Será que ele vestiria azul, doravante? Ou será que ele não usaria mais trenó e passaria a usar esquis como o Schumacer? Será que teria sido ele que empurrou o campeão de Fórmula 1 lá nos Alpes? São muitas as possibilidades de atitudes más que passam em minha cabeça, numa fase de maldade noelina. Pior de tudo seria que ele continuasse sem cabeça e votasse errado nas próximas eleições.

Como tudo em Bom Conselho gira em torno de política, desde o duelo entre Padre Alfredo e o Coronel Zezé, no outro dia fui lá na casa do Papai Noel outra vez, e lá estava um funcionário da prefeitura, a quem perguntei sobre o roubo da roupa e a perda da cabeça do bom idoso. Me surpreendi quando ele disse que não houve roubo nem perda nenhuma, tudo isto era intriga da oposição. Calei e fui em frente, sem ver o Papai Noel desnudo.


No mais, a decoração da Praça e da cidade me agradou bastante, principalmente à noite, com exceção daquele palco enorme no oitão da Igreja Matriz. Não vi parques de diversão por lá, o que talvez seja bom para os adultos e ruim para as crianças. Será que foi por isso que o Papai Noel perdeu à cabeça? Sei lá! No outro dia encontrei um Parque de diversões lá na Avenida Novo e vi um garotinho com uma cabeça de Papai Noel debaixo do braço. Será que teriam sido as crianças que o fizeram perder a cabeça? Pior teria sido se ele tivesse ficado nu e sem cabeça. Poderiam confundi-lo com a Mula Sem Cabeça que habitava a calçada da Igreja nos meus tempos de criança. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A Copa do Mundo e o discurso de Dilma




Por Zezinho de Caetés

Ainda no ano passado, que não é de saudosa memória para o Brasil, li e guardei um texto do senador Cristovam Buarque (“Feliz 2015” – 28.12.2013), esperando uma oportunidade para comentá-lo, e só a tive agora, depois de um engordativo final de ano. Este texto, leiam, depois de algumas palavras minhas, lá embaixo.

Seria impossível não associar o escrito pelo senador com a pantomima que escreveram para Dilma, para gastar meu dinheirinho nas TVs e rádios do Brasil, em forma de pronunciamento de final de ano. Foi mais um pronunciamento eleitoral falando de uma “guerra psicológica”, como se aqueles que veem a realidade brasileira tivessem que concordar com os despautérios que são feitos com a economia brasileira devessem deixar calados os brasileiros que não se aproveitam das benesses do PT no poder.

Estamos mesmo no país do futebol, onde se vota em um candidato pelo time que ele torce. Eu não sei qual é o time da Dilma, como sei do Lula, mas espero que ela torça pelo Ibis, o nosso querido “pior time do mundo”, e tenha o volume de votos proporcional ao tamanho de sua torcida.

E pelo que se passa com a preparação da Copa do Mundo, penso que nem os torcedores do Ibis votarão nela. Está tudo atrasado, mesmo onde os estádios estão prontos. Onde tem estádio falta a infraestrutura para lá chegar. Já está decidido que nos dias de jogos será feriado nas cidades que os abrigarem. Ou seja, é um dia de trabalho perdido a se acrescentar ao custo que o país terá para, cumprindo a megalomania do Lula ao trazer a Copa do Mundo para cá.

E a pergunta que está contida dentro dos corações de todos os brasileiros, mas, não é feita às claras: E se o Brasil perder a Copa? Afinal de contas não temos mais Pelé. Temos apenas o Neymar que é muito magro para ser comparado ao Rei do Futebol. E se na final, em pleno Maracanã, der Brasil x Argentina?

Sobre esta possibilidade, li outro dia a opinião de alguém dizendo que queria que fosse esta a grande final da Copa, e, com um otimismo maior do que o meu, tivéssemos um placar de 4 x 3 para o Brasil, com 3 gols de Messi e 4 gols de Neymar, seria a realização da “Pátria de Chuteiras”, que tanto encantou o Nelson Rodrigues. E se for o inverso? Vade retro....

Mesmo sendo o inverso eu ainda prefiro o final acima  a um Brasil x Uruguai, repedindo a Copa de 1950. Desta vez implodiriam o Maracanã. Que Deus nos proteja! Fiquem com o texto de Cristovam, que nos deixa pessimista, mas, é mais verdadeiro do que o pronunciamento da presidenta.

“Algo vai mal quando um país que precisa enfrentar seus problemas chama de ano da Copa um ano de eleições presidenciais. É o que está a acontecer com o Brasil.

Cinquenta mil brasileiros são assassinados por ano, outros cinquenta mil morrem no trânsito e outros 515 mil estão presos; a droga compromete a vida, a capacidade de trabalho e o futuro de centenas de milhares de nossos jovens; metade da população não tem acesso a água e esgoto; e a economia se desindustrializa.

Quanto ao potencial científico e tecnológico estamos cada dia mais para trás em relação ao resto do mundo; as avenidas estão atravancadas; a educação apresenta um retrato vergonhoso e uma brutal desigualdade; os hospitais públicos estão caóticos; e a natureza está sendo degradada.

No país, temos 13 milhões de adultos que não diferenciam as letras e outros 40 milhões sem capacidade de leitura; a produção não dispõe de logística eficiente para sua distribuição; e cinquenta milhões de brasileiros vivem graças à (felizmente) ajuda do programa Bolsa Família. Apesar disso, em vez de propostas dos presidenciáveis para 2015, estamos preocupados se os estádios da Copa ficarão prontos em 2014.

 Isto se explica por nossa paixão pelo futebol, mas também pela descrença com a política, sobretudo porque não há candidatos propondo programas que empolguem a população. Até aqui, todos são tão iguais no comportamento e na falta de propostas diferenciadas. Assim, sobra apenas o grito de Viva a Copa.

Os candidatos ainda não apresentaram propostas para transformar a viciada economia brasileira de exportadora de bens primários, inclusive, alguns de indústria mecânica, em produtora de bens de alta tecnologia; nem mostraram como vão fazer o desenvolvimento ser sustentável ecologicamente e justo socialmente.

Não há propostas para o cerco em que vivem os brasileiros por causa da violência urbana provocada por desesperados com suas pobrezas diante da imensa guerra ao redor, nem para enfrentar a crescente mobilização de desiludidos, movidos pelas redes sociais, para promoverem atos de bloqueio de trânsito, queima de veículos e quebra de vidraças.

Nenhum candidato propôs ações para emancipar nossos pobres da necessidade de ajuda mensal.

Nenhum dos presidenciáveis disse como vai conduzir o Brasil no rumo da erradicação do analfabetismo e como garantir educação de qualidade igual para todos. Nem qual será o salário dos professores ao fim de seu mandato, nem como eles serão selecionados e avaliados.

Nesse quadro de “des-eleição”, o ano de 2014 será o ano da Copa. No primeiro de janeiro de 2015, poderemos acordar com a sensação de que tudo continuará no mesmo rumo de um país que cresce se desfazendo.


Por isso, só nos resta desejar um Feliz 2014 para cada um dos brasileiros e um Feliz 2015 para o Brasil.”

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O PAU NO GATO.




Por Carlos Sena (*)

Metem o pau no PT, como meterão o pau em qualquer outro partido. O problema é que não se pode compreender um país em dimensões continentais sem, primeiro, construir um contexto geopolítico do processo brasileiro. Acho mesmo que o PT é a bola da vez no quesito “pau”, até porque há memória curta em boa parte dos brasileiros que ontem aplaudiam o PT e hoje condenam, muitas vezes, sem os ingredientes necessários para um contexto cidadão republicanos. Falar de roubo, disso e daquilo é fácil e, de fato, não se pode condescender com isso. Temos que lutar mesmo por uma nação em que os valores éticos e morais sejam fortes e sólidos.

Pensar que o nosso judiciário é o “cão do terceiro livro” por conta das condenações midiáticas dos chamados “mensaleiros” se me configura simplista demais. Porque poucos têm a competência de analisar o que se passa dentro do judiciário, porque lá dentro há homens com os mesmos vícios e os mesmos interesses dos que estão de fora dele e que, adoram “negociatas”... Certamente que lá dentro há muitos probos, como há também na politica como um todo.

Nesse complexo “balaio de gatos”, certamente que há mais ratos do que gatos, mas cabe uma pergunta: se a grande maioria dos brasileiros (isso foi pesquisado) não se lembra em quem votou na ultima eleição, como agora vai querer construir um país diferente? Porque um país digno em que a ética e os valores não sejam tão frouxos é produto do voto de todos. Mas, independente disto, o que somos hoje, certamente foi construído por todos aqueles que votaram conscientes e nunca perderam de vista seus candidatos eleitos nos três níveis de governo.

Vendo tudo sem paixões ou mesmo com elas a tiracolo, temos que convir que os oito anos antes do PT foram também ou mais importantes do que os demais. O que não podemos esquecer é que o Brasil de hoje que retirou da miséria trinta milhões de brasileiros foi ação do governo do PT. Igualmente não podemos esquecer que a bolsa família, independente do julgamento que se tenha, proporcionou inclusão social. Foi essa bolsa família que nos tirou as cenas outrora corriqueiras de ver crianças mortas junto com o gado no meio da estrada por conta da seca. Nesta seca – a maior dos últimos sessenta anos, criança morta não foi vista junto com o gado nas encostas do semiárido.

Certamente que há muitos interesses contrariados pelo PT. Porque nossa elite não gosta de ver aeroporto cheio de gente simples viajando de avião. Também nossa elite não gosta de ver gente pobre e preta cursando universidades. Como não gostam de ver as minorias com um corpo legislativo de proteção aos diferentes! Como não gostam de ver médicos estrangeiros atendendo nossa população pobre e abandonada por médicos que não gostam de medicina de família. O governo do PT está na Belinda por conta de ser a “bola da vez”. Melhor ser a bola do que ser a bala – bala que chafurdou a república da bola e da chuteira. Bola da vez que proporcionou comida ao povo e educação – tudo isso por um presidente que nunca teve formação superior, mas fez mais pela educação do que os doutores e escritores do período FHC.

Metem o pau no PT e até acho que isso faz parte. Só não faz parte tergiversar, conversar mole quando a questão é dura ou endurecer quando se precisa de coração mole para compreender um país de muitos necessitados; um país que não avança na base do ufanismo, mas que só alcançará um patamar ideal se cada um fizer a sua parte e até meter o pau. Mas, meter o pau no PT não é o mesmo que atirar o pau no gato. Porque o gato tem sete vidas, gente não. Porque o gato tem pulo estratégico, nós nem sempre. Porque o gato tem a noite pra ser pardo e nós só temos o sol para nele construir a esperança... O cenário tá posto mais parecendo um balaio de gatos. O perigo é que nesse “balaio” haja dominação dos siameses e que os “pés duros” sejam sufocados no contexto

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 05/11/2013