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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

JOGO DO CONTENTE.




POR CARLOS SENA (*)

Desconfie de gente que é otimista demais. Todos esses que vivem fazendo de qualquer coisa motivo para ser exemplo, para ser referência, para ser o “lado cheio do meio copo d’água”, para ser a “limonada do limão”, desconfie. Levar a vida com otimismo é um exercício salutar que ajuda a vencer dificuldades. Mas, isso é diferente de quem vive sempre encontrando o lado bom de tudo quando, na maioria das ocasiões, as coisas precisam ser vistas e sentidas com todos os percalços; com todos os seus matizes de dificuldades; com todos os seus escopos intempestivos. Viver a vida achando graça em tudo é mesmo um viver atormentado. Porque o bom da vida é também saber enfrentar as dificuldades e, após elas passarem, comemorar o seu crescimento interior. O jogo do “CONTENTE” é um pouco disso. Mas, jogar “CONTENTE” não modifica, por exemplo, a morte de um grande amor. Porque quando um grande amor se vai por morte física ou por morte afetiva, há dor para todos os lados. O ser humano precisa sentir rupturas e com elas tirar as lições que delas precisar para ser maior e mais humano e mais experiente. Levar a vida achando que em tudo há o lado bom é verdade. Mas, há também o lado ruim e aquele lado indefinido que nos machuca e nos maltrata e a gente tem vontade de sumir, até mesmo de morrer. Nas histórias da humanidade os grandes homes foram os que passaram, com perseverança, por grandes dificuldades, por grandes provas. Jesus, Buda, Gandhi, e tantos outros souberam sofrer e tiveram fé. Talvez o exagero dos que vivem pra tudo achando motivos de sobra para ser otimistas, tenham mesmo falta de fé. Não a minha nem talvez a sua fé. Mas a fé que cada um encontra pra se manter vivo e feliz. Porque neste mundo os momentos felizes são o que conta. Viver na logica do “FELIZ PRA SEMPRE” é fantasioso, mas é desse verbo que se nutrem os pastores e algumas autoridades do comportamento social que ganham dinheiro escrevendo MANUAIS de otimismo, sabendo que isso não existe na realidade concreta. Por isso, neste caso, prefiro o entendimento de que a vida carece ser compreendida em suas reentrâncias mais naturais. Primeiro porque não se tem vida eterna. Segundo porque este, em sendo um planeta atrasado espiritualmente, tem no seu componente básico as provações todas que passamos. Por isso fica difícil conviver com esse tipo de gente exageradamente OTIMISTA e que não passam de fajutos jogadores do jogo do CONTENTE. Acho mesmo que o jogo mais legítimo da vida é o que a gente joga com o destino – porque vocação de destino é nos dizer que sim quando é não e que é não quando seria sim... Compreender essa lógica é estar vivo e feliz; é achar graça no que graça tiver; ou não achando graça em nada... Pelo poder que cada um tem que ter de dispor de si mesmo em sua vida.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 31/08/2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Estamos perto do caos?




Por Zezinho de Caetés

No último dia 07/10/2013, li um texto do Guilherme Fiuza na Revista Época, que tenho quase por obrigação transcrever aqui, antes que esta onda de retaliações internacionais do governo Dilma se torne crível o suficiente para afetar o resultado eleitoral. O título e autoexplicativo: “Dilma dá lição de espionagem a Obama”. É um texto irônico, e a ironia é uma das trincheiras dos que lutam contra a propaganda desvairada que acomete no país, por parte do governo petista.

Ele começa já dizendo que a Dilma foi à ONU e trucidou o Barack Obama. E pelo que eu vi logo após o discurso de Dilma, o Obama parecia muito deprimido ao ponto de nem se referir ao episódio de espionagem que a Dilma tanto bate e se bate até hoje, incluindo agora o Canadá. Para mim é uma verdadeira vergonha quando uma nossa presidenta desperdiça a chance de propor coisas relevantes, discutir temas realmente úteis ao país, vai ao maior fórum mundial de nações fazer propaganda eleitoral antecipada.

E ainda, não satisfeita, nossa presidenta bateu o pé e disse: “Não vou, não vou e não vou, à festa que você me convidou.” Ridículo. Mas, o mais importante do texto, para mim, é mostrar que de espionagem quem é useiro e vezeiro é o PT, com seus dossiês apócrifos  e falsos.

E enquanto a presidenta faz mise-en-scène em Nova York este país se despedaça com a anarquia e quebra-quebra nas ruas e a economia se dilui registrando o primeiro déficit nas contas públicas desde 2001. O último mês de agosto é foi um mês historio do governo petista:  “após dez anos zombando das metas de inflação e de superávit, os pilares da estabilidade econômica, torrando dinheiro público com sua Arca de Noé ministerial e o dilúvio de convênios piratas, o PT conseguiu levar o Brasil de volta ao vermelho.”

Tudo isto já me amedronta, porque, pela minha idade já vivi o inferno inflacionário e de desorganização das contas públicas deste país. Talvez, os jovens não. Estes que estão indo as manifestações hoje, quando chegam em casa os salários dos pais ainda se mantém preservados, graças ao que foi feito num passado quase remoto (principalmente o Plano Real) e que o governo petista teve oportunidade, pela bondade da economia mundial, de continuar a melhorar com reforma mas está jogando fora em nome de um projeto de poder cujo único objetivo é o próprio poder.

Fiquem agora com o Fiuza, porque eu vou tentar retirar minha aposentadoria num banco e colocar uma carta no correio, e já prevejo que não será possível: Estão em greve.

“Dilma foi à ONU e acabou com Barack Obama. Lendo com fúria o discurso terceiro-mundista que algum Marco Aurélio Garcia ajuntou para ela, deixou os yankees apavorados. Falando sobre espionagem digital, a presidente brasileira deu uma lição de direito e democracia aos americanos, com sua autoridade de aliada de Cuba, Irã, Síria e Venezuela. E Dilma fez mais: cancelou a visita que faria neste mês aos Estados Unidos. A maior potência mundial talvez não resista a esse golpe.

Obama inventou uma briguinha com o Congresso e fez seu governo parar de funcionar - tudo para ganhar tempo e pensar o que fará sem Dilma. A Casa Branca estaria tentando negociar pelo menos a substituição dela por outra grande líder do Brasil transparente - como Erenice Guerra ou Rosemary Noronha -, mas o Planalto estaria irredutível.

A ética petista não transige com espiões, não tolera governos que abusam de seu poder para fins de dominação política. Tanto que a espionagem do sigilo bancário do caseiro Francenildo foi feita sem qualquer invasão de privacidade,  a conta era num banco estatal, e as estatais, como se sabe, são deles, e ninguém tem nada com isso. Inclusive, Marcos Valério levava tranquilamente sacos de dinheiro do Banco do Brasil para o PT, tudo em casa. Agora os Estados Unidos aprenderão com Dilma a respeitar o que é dos outros.

Alguns críticos neoliberais, elitistas e burgueses andaram dizendo que o discurso de Dilma na ONU foi uma bravata pueril, uma lambança diplomática. Disseram que Oswaldo Aranha e o Barão do Rio Branco se reviraram nas catacumbas com a transformação da assembleia da ONU em assembleia do PT, onde o que vale é rosnar contra o "inimigo" para excitar a militância e descolar uns votos. Esses críticos acham que a gritaria de Dilma em Nova York e o cancelamento de sua visita aos EUA fazem bem ao PT e mal ao Brasil. São uns invejosos.

Quando o assunto é espionagem e manipulação de dados protegidos, o governo popular sabe do que está falando. Uma de suas obras-primas na matéria foi o vultoso Dossiê Ruth Cardoso - uma varredura em registros contábeis sobre a ex-primeira-dama. Na ocasião, o primeiro escalão do governo Lula era denunciado por uso abusivo dos cartões corporativos. O material sobre as despesas de Dona Ruth não trazia nenhuma irregularidade, mas virou um "banco de dados" nas mãos da "inteligência" aloprada, acostumada a envenenar informação e jogar no ventilador.

O Dossiê Ruth Cardoso foi montado na Casa Civil pela ainda desconhecida Erenice Guerra. Sua chefe se chamava Dilma Rousseff, essa mesma que agora ensina Obama a não futricar a vida alheia.

Ela pode ensinar, porque entende de invasão. Segundo a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, a então ministra chefe da Casa Civil Dilma Rousseff - a quem Lina não era subordinada - ordenou-lhe que desse cabo de um processo envolvendo o companheiro Sarney. Após a denúncia, Lina aceitou ser acareada com Dilma, que dessa vez preferiu não se meter com ela.

Na campanha presidencial de Dilma em 2010, funcionários de seu comitê invadiram o sigilo fiscal da filha de seu adversário eleitoral. Era mais uma tentativa de dossiê, traficando dados protegidos por lei. Que Obama compreenda de uma vez: ou para de espionar os outros ou se filia ao PT, que aí não tem problema.

Enquanto Dilma lia seu panfleto na ONU, o Brasil registrava o primeiro déficit nas contas públicas desde 2001. O mês de agosto de 2013 passa à história como um marco do governo popular: após dez anos zombando das metas de inflação e de superávit, os pilares da estabilidade econômica, torrando dinheiro público com sua Arca de Noé ministerial e o dilúvio de convênios piratas, o PT conseguiu levar o Brasil de volta ao vermelho.


Mas está tudo bem. Basta olhar para os manifestantes nas ruas, ninjas, black blocs, sindicalistas e arruaceiros light para entender que o negócio hoje é brincar de revolução. Nessa linha, nada mais excitante que a "presidenta-mulher falando grosso" com os imperialistas. O Brasil entrega as calças, mas não admite acordar desse conto de fadas. Feliz 2019.”

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

MORTO VIVO




Por José Antônio Taveira Belo / Zetinho


Nos idos anos de 50, em Garanhuns aconteceu um fato que desnorteou todas as pessoas que acompanhavam o sepultamento de um homem morador no Alto do Mandau. Contaram-me desta forma: - “Em uma das noites frias de da cidade uma família moradora na Rua do Córrego, logo no inicio, levou um susto quando tomavam café. Seu Elpildio, sentado na cabeceira da mesa sentiu-se mal e desmaiou. Foi àquela correria dentro de casa e logo em seguida chamada a vizinhança. Levaram-no para a cama, deitaram e não conseguiram anima-lo e ali estava parado. Tomaram-lhe o pulso, colocaram o ouvido no seu peito para verificar as batidas do coração, nada. Chamaram o medico que o examinou e deu a triste noticias a família – esta morto -. Foi aquele desespero. Todos choravam e não sabiam o que fazer. O seu vizinho Renato, tomou conta de tudo e providenciou o velório. Colocado no caixão na sala de visita, com a luz baixa começaram a rezar a ladainha, o terço e cânticos fúnebres. A vizinhança começou a chegar, logo que souberam da noticia. Era aquela lamentação. Comadre como aconteceu isto com o compadre Elpildio? A viúva chorosa contava tudo, enxugando com um pano de prato as lagrimas que escorria pelo rosto. Olhos vermelhos e assuar o nariz, aumentava o choro toda vez que chegava um. Sentada no canto da sala, olhava aquele corpo de mãos entrelaçadas no peito, com um terço com contas preta e o crucifixo de prata. Triste retrato. Elpildio o que aconteceu? Deixaste-nos aqui morrendo de saudades, dizia a esposa a cada instantes, entre choro e soluços. Assim se passou a noite entre uma xicara de café forte ou de chá de camomila para acalmar o nervosismo. O dia amanheceu nublado. As pessoas iam chegando devagarinho procurando saber detalhes do acontecido. Cada um contava do seu jeito. As mulheres consolava a viúva. Os filhos menores foram para a casa vizinha. Os homens na calçada estreita comentavam os feitos do Seu Elpildio. Para uns o cabra não prestava, declarava na surdina, outros endeusava a conduta do morto, homem de boa estirpe, pai de família exemplar e assim os comentários se estendiam no local. O enterro estava marcado para quatro horas da tarde. Muitos diziam – não vamos enterrar o morto antes de vinte e quatro horas da morte. E assim passou-se o dia no entra e sai de pessoas que desejavam ver o cadáver ali estendido, paramentado com um paletó preto e uma calça marrom escuro. O terço não mão ali imóvel. Após o meio dia, começaram novamente as rezas. Foram chamar o padre e ele chegou por volta da três horas da tarde. Encomendou o corpo com orações e atirando-lhe agua benta. Às quatro horas em ponto colocaram a tampa do caixão e seis homens levantaram e saíram em direção ao Cemitério São Miguel. Os vizinhos acompanhavam e viúva ia amparada por dona Zezinha, sua colega de escola em tempo ido. Quando cotejo atingiu o alto da bandeira um dos homens ouviu um ruído dentro do caixão;  ficou desconfiado e temeroso, outra vez ouve um balanço que não era dos estavam levando o defunto; de repente batidas na tampa do caixão, uns olharam para os outros e o medo se apoderou deles. As pessoas que em comitiva iam junto também se apavoraram e um dos homens gritou - o homem  vive – largou o caixão no chão e correu junto com as demais pessoas. O mais corajoso, tremendo, levantou a tampa do caixa, e ali se levantou suando o defunto. O que significa isto? Querem me matar? Enterrar-me vivo? Bando de cabra safados! Levantou-se jogando as flores fora, se limpando, somente de meias pretas e saiu andando em direção a sua casa. Todos que ali estavam, entraram nas casas, gritos apavorados, e correria generalizada pela rua abaixo, enquanto a viúva desmaiava e era acudida pelas outras mulheres. Passado o susto, aos pouco foram se aquietando e procuravam ver o “defunto” ainda em pé no meio da rua aparvalhada com o caixão quebrado ao seu lado. Alguns chegaram perto do seu Elpildio, tocaram-lhe no corpo e começaram a rir do espetáculo daquela tarde fria, já garoando. Uma comitiva de pessoas foi a sua casa.  Elpildio perguntou a todos o que acontecera. Foram lhe contar o desmaio, o velório e tudo mais que acontecera naquele triste dia. A noite muitos curiosos ainda iam a sua casa para se certificar da morte e vir que o homem estava “vivinho da silva”. Ao andar pelas ruas a pessoas o apelidaram - morto vivo – (os nomes das pessoas citadas são fictícias ou meras coincidências) 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

FALO.




Por Carlos Sena (*)

Eu falo de flores sem entender de jardins. Falo de amores e de sua rima rica. Falo de solidão e das agruras que ela deixa. Falo do falo e de tudo que ele protege ou expurga. Falo do céu e do escarcéu que é não ter limite em cada horizonte. Falo de Deus. De deus pequeno e de deus grande – um em maiúscula e outro em minúscula letra. Falo do cão e da besta que confunde nossa era com a besta fera sem tom e sem quimera. Falo do que se foi e do que nunca conseguiu ficar. Algo como aborto ou algo como nascer pra vida de fé rente ou diferente do socialmente estabelecido. Falo do homem e da mulher. Também do jacaré eu falo pelas possibilidades de cada um ser o que quiser. Falo das flores. Como disse, falar de flores remete odores, bem como falar de amores remete dores. Mas, entre as flores, os odores e as dores, a solidão é a estação que o tempo escolheu para se recolher de si. Solidão de amor, de paixão, de mística e de estética nunca laboral. Porque em cada fala de amor a solidão ronda e em cada fala de solidão nem sempre o amor tem facilidade de romper. Falo pela diferença que faz não dize ou dizer sem falar por medo ou por falsa moralidade. Falo. Em minha volta a felicidade não bate a porta, porque minha porta não fecha. Falo. Em minha porta a solidão quando bate se equivoca porque o travesseiro da minha cama está completo com quem me ama... Por isso falo e quando não falo não é por isso. Minha mudez não é de consentimento, mas de sentimento consentido pelas pegadas que a vida me deu em cada beco, em cada ladeira, em cada canto da cidade deserta... Figa, escapulário, talismã. Tudo serve no meu rosário, porque no meu divã durmo eu sozinho no embalo da vida parida clandestinamente.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 25/08/2013

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A semana - Quem diria, a Marina Silva foi parar no PSB




Por Zé Carlos

O filme do UOL da semana que passou nem deveria ser comentado por se tratar de uma peça humorística voltada para a política. O farei, no entanto, pelo aspecto “humorístico”.

Depois dos fatos de sábado, ainda não atingidos pelo filme, os quais nos levaram a presenciar a mais inusitada atitude de um político, protagonizados por Marina Silva, que, ainda não se sabe bem porque, se filiou ao PSB, o filme cairá no esquecimento. Certamente, este será um tema para o filme da próxima semana.

Quando eu era jovem vi uma peça teatral (não sei nem se foi transformada em filme) cujo título era “Quem diria, a Greta Garbo foi parar no Irajá”. Lembrei dela não pelo seu conteúdo mas pelo título que eu imaginei para o episódio político: “Quem dirá, a Marina Silva foi parar no PSB”. Todos, que gostamos um pouco de política, fomos pegos de calça curta, como se diz.

Então o filme da próxima semana deverá vir mais hilário do que o desta. Ele ainda toca no ponto da perda do registro da REDE, partido com o qual a Marina se proporia a sentar na cadeira maior do Palácio do Planalto, e mostra a choradeira geral dos seus partidários pela acontecido. Eu agora já penso se vai haver mais derramamento de lágrimas com esta última decisão da morena Marina, que se pintou para guerra por outro partido. E, o melhor, ou pior, não sei se para rir ou para chorar, o filme, como se previsse a união entre PSB e a REDE, já toca em dois assuntos bastante próximos dos seus dirigentes.

Uma é a questão indígena, que trata da PEC 215, e que coloca os índios em polvorosa por transferir da FUNAI para o Congresso a responsabilidade de demarcação de suas terras. Eu não sei os detalhes da coisa, mas, o episódio de invasão de Brasília e as atitudes dos índios, que usam todos os apetrechos para mostrar sua pureza de origem, mas, não se esquecem do celular e das sandálias havaianas, são motivo de risos. De qualquer forma são os tempos modernos e não deixam de ter relação com as ideias de Marina Silva quanto à preservação das nossas florestas, que agora pertencem quase todas aos índios.

O outro dirigente da mais nova união partidária, o nosso governador Eduardo Campos,  usou imagens de uma universidade particular (li em algum lugar que é da Maurício de Nassau) para fazer propaganda das escolas públicas. Seus assessores pode até não ter agido de má fé, mas, o estrago que isto poderá fazer numa candidatura presidencial é brutal. É como se eu usasse o Rin-tin-tin, para mostrar como o vira-lata que eu criava lá em Bom Conselho , o Bob, fosse o melhor cachorro do mundo. Pegou muito mal.

E finalmente, mas, não menos importante, do ponto de vista do riso, é o troca-troca partidário. E não estou falando aqui da ida da Marina para o PSB porque não houve troca-troca, ela não tinha partido. E sim, daqueles que estavam descontentes com suas siglas partidárias.

Mais uma vez, o que se vê no Brasil, com seus 32 partidos políticos (e chegando mais) é apenas uma resposta à lei da oferta e da procura, que vigora em um sistema de mercado, e diz que se há uma procura maior há uma aumento de preço e um aumento da quantidade ofertada. E parece até que os partidos políticos viraram verdadeiras mercadorias que respondem a esta lei de forma explícita e célere. No fundo, no fundo, não há mais partidos políticos, há apenas políticos.

Esperando que, como eleitores, saibamos atuar mais neste mercado, deixo vocês com o resumo do roteiro pelos produtores do filme e logo abaixo com o já, politicamente, superado filme sobre a semana que passou.

“Na semana de troca-troca partidário, as atenções ficaram centradas na Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva. O registro da legenda foi negado na noite de quinta-feira (3) pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Fora da briga que definiria os novos caciques partidários, índios protestaram em Brasília e em São Paulo contra a PEC 215, que trata das demarcações de terras indígenas. Cacique estabelecido no cenário político, o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, precisou de imagens de uma instituição privada para falar de... escolas públicas.”