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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Histórias que o povo conta e a gente se encanta.





Por Carlos Sena (*)


A gente pensa que não pode mais viver sem a internet, sem o celular, só pra ficar nesses dois revolucionários equipamentos tecnológicos da modernidade, somados a televisão. Engano. O diferencial é que cada tempo tempo tem e tempo tinha (tem putinha). A gente se bastava contando histórias. Isso mesmo: contando histórias da carochinha, de Camonge (era assim que eu ouvia falar, talvez uma referência a Camões). Histórias de papagaio, de Juquinha, de Pedro Malazarte, de Saci Pererê, de Caipora – essa eu me tremia todo. Diziam que a Caipora aparecia no meio da mata e se ela nos pegasse a gente tinha que dá muito fumo pra ela ir embora. História de chamichuga (sanguessuga) que só largavam nosso corpo quando o sino batesse três vezes. Certo dia, uma bicha dessas ficou no meu braço e eu só imaginava encontrar um sino pra bater três vezes. Histórias de cumade fulôzinha, ah como eu gostava de escutar. As avós da gente sempre tinham essa incumbência, embora nem sempre elas tivessem histórias boas pra nos contar. Certo dia, a avó de um amigo começou a contar uma história que não acabava nunca. Outro colega sentiu que era tudo invenção. A pobre da vovó arrumou um desfecho sem graça para a sua estória e, desde esse dia, ficava repetindo antigas histórias mudando apenas os nomes dos personagens. Além das histórias clássicas, tinham as histórias que corriam a boca miúda como se verdadeiras fossem. A história de Lula Garrancho. Diziam que quando a luz apagava às dez horas da noite eles descia dentro de uma barrica e saia fazendo arruaças pela cidade. As más línguas diziam que ele tinha uma amante e ia pra casa dela dentro da tal barrica. Medo também a gente tinha das histórias cotidianas, mais folclóricas do que mesmo histórias tipo: comer abacaxi e tomar leite; cortar o cabelo ou a barba e tomar banho – dava congestão! Almoçar e tomar banho? Quem se atrevia? Mas, voltando às histórias propriamente ditas, uma que eu me cagava todo era a do Bicho Papão, mas essa concorria fortemente com o Papa Figo. O que mais me lascava era que apareciam pessoas dizendo terem visto o Papa Figo. Ele matava as crianças e levava para comer o fígado, porque só fígado de crianças servia para as suas orelhas enormes de grande. Certo dia, já grande e no Recife, fomos a um sitio de uns amigos. No caminho, tinha um campinho de futebol cheio de meninos entre dez e doze anos, por aí. Botei a cabeça pra fora da janela do carro e gritei: corram, corram, que ali atrás vem uma Papa Figo. Em questão de segundos, não tinha um menino sequer, pra fazer um chá. Saímos rindo dentro do carro e lembrando que mesmo os meninos de hoje ainda temem o tal do Papa Figo.

Tudo era motivo de especulação. Outro dia a sensação foi um espantalho. Espantalho assim como me disseram, era uma caveira da cabeça de boi que se colocava numa vara para espantar maus olhados. Na verdade nem sei se era por isso mesmo. Mas um dia, alguém pegou um mamão verde, abriu dois buracos como se fossem os olhos, outros como se fossem o nariz e a boca e acendeu uma vela dentro. Colocou o tal do mamão exatamente dentro do matagal por onde passavam todos daquela região. Foi um verdadeiro frisson. No dia seguinte tudo virava história e outras histórias se originavam sem nada ter a ver com a anterior.

Pois é. Certamente todos têm suas histórias. Algumas lúdicas, instrutivas, outras nem tanto. Mas isso tudo fazia parte do universo de um tempo em que a televisão não sonhava acontecer; nem o computador, nem o celular e tudo mais que nos cerca e nos ilude. Ilude querendo nos passar a ideia de que o tempo bom é o de hoje. Sei não. Tempo tem e tempo tinha (tem putinha). Se tudo for questão de tecnologia, a da época era de ponta – ponta das mulheres e dos homens nos seus tradicionais modos históricos de pular a cerca. Ponta de um tempo em que as crianças aprontavam batendo na porta dos vizinhos e correndo pra ver a pessoa abrir a porta e dar com os burros n’água. Hoje, as crianças brincam. Mas quem lhes conta histórias não são as vovós, mas a televisão. No geral brincam com maldade, porque boa parte dos pais criam as crianças como se adultos fossem. Portanto, cada tempo com seu tempo embutido no calendários das horas. Eu fui feliz quando criança na minha nem mais pequenina Bom Conselho e eu sabia... Não tenho saudades daquele tempo. O tempo quando passa é igual a agua que não passa duas vezes debaixo da mesma ponte. Hoje eu passo por sobre as pontes do meu Recife e, como poucos, sou feliz sendo também este novo tempo...

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 25/03/2013

sábado, 4 de maio de 2013

Quem tem medo da Marina?





Por Zezinho de Caetés

Já faz algum tempo que li um texto do jornalista Sandro Vaia (26/04/2013, no Blog do Noblat – “Partido bom é partido a favor”), onde ele fala dos casuísmos de que está lançando mão o Congresso Nacional, para ajuda a reeleger a Dilma no próximo ano. Eles estão desesperados.

Desde tentar proibir o Ministério Público de investigar a quererem que o STF seja totalmente submisso ao legislativo. Tudo represália porque não podem fugir da realidade do mensalão que considerou cabeças coroadas do partido como bandidos e marginais, nas palavras do ministro Celso de Mello.

E agora tentam criar empecilhos casuístas à criação de novos partidos, já sabendo que se deixarem livres, como fizeram com o PSD, porque era a favor, podem cair na REDE de Marina e serem nela enterrados. Estamos voltando ao que o De Gaulle pensava: não somos um país sério. E isto, para realizar o sonho do PT de criar no Brasil um socialismo à moda antiga de Cuba ou da Coreia do Norte.

Ainda bem que a nossa oposição está tentando reagir a este estado de coisas, explorando o fato triste de que parece que o dragão inflacionário já está solto e tentando corroer o que resta de equilibrado em nossa economia.

Li recentemente, que o meu conterrâneo Lula andou dizendo que mentiu quando lançou A Carta aos Brasileiros, e que só o fez para fins eleitorais. Reconheço, que esta mentira nos ajudou a manter um pouco o equilíbrio econômico depois do plano real, mas, o Lula vir dizer isto agora é apenas uma amostra do que o “cara” e seus asseclas podem fazer com o país.

Fiquem com o Vaia, antes que eu me exceda.

“Partindo desse elementar princípio de isonomia e justiça, o partido do governo e seus epígonos, que constituem a base aliada no Congresso, estão tratando de inviabilizar as siglas que ameaçam turvar a reeleição de Dilma no primeiro turno das eleições de 2014.

Inviabilizar, no caso, não quer dizer proibir a criação de novas siglas. O projeto proíbe o acesso delas ao Fundo Partidário e aos horários de propaganda na TV.

O Congresso, em seu surto autoritário (a PEC 33 que pretende castrar os poderes do STF, e a PEC 37, que quer castrar os poderes de investigação do MP são assuntos que merecem considerações à parte), está de olho nas eleições de 2014. Como aliás está a presidente Dilma, que em plena campanha reeitoral diz que não está em campanha.

Os alvos do projeto castrador de partidos são a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, e a Mobilização Democrática (MD), resultado da fusão do PPS com o PMN.

Marina e seu manto diáfano de fantasia sonhática amealharam 20 milhões de votos na eleição passada e têm potencial para repetir a dose e ajudar a levar a eleição para o segundo turno. O PPS e o PMN, que formaram a DM, podem ajudar Eduardo Campos, do PSB, em sua suposta travessia para a paradoxal condição de candidato situacionista de oposição.Também obstáculos para a vitória de Dilma no primeiro turno.

A mesma Câmara, que meses atrás não reagiu à decisão do STF que deu ao PDS de Gilberto Kassab as condições que quer negar aos partidos recém criados, agiu com um oportunismo tão descarado que lembrou, nos fundamentos, o famoso Pacote de Abril do presidente Geisel, o memorável casuísmo dos casuísmos.

Um senador do PSB entrou no STF com um pedido de liminar para suspender a tramitação do projeto.O ministro Gilmar Mendes concedeu a liminar e abriu uma crise com o Legislativo.

Como fundo musical para essa crise, a CCJ, integrada por dois condenados pelo mensalão, toca a sinfonia desafinada da PEC 33, regida por um obscuro deputado petista do Piauí chamado Nazareno Fonteles ,que pretende transferir para o Congresso várias atribuições do STF.

O deputado, cujo mandato é contestado pelo STF, é o mesmo que em 2004 apresentou um projeto de lei estabelecendo limites máximos de consumo para todas as pessoas físicas que vivem no País. Antecedentes extraordinários, como se vê.

“Não aceitamos influência do Judiciário”, diz o presidente do Senado, Renan Calheiros. Influência? É a mesma coisa que dizer que o Congresso dispensa a obediência às leis.

E tanto isso é verdade, que o Legislativo quer tomar o lugar do Supremo e, além de fazer as leis, quer decidir se elas são constitucionais ou não. Pra que três Poderes se dois já resolvem, é ou não é?”

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Cadê minha doméstica?





Por Carlos Sena (*)


As empregadas domésticas estão metendo medo nas classes média e na rica. Passaram a vida inteira levando pau e agora estão metendo ele na cabeça deles, não só dos patrões, mas, dos filhinhos de “papai” que ainda se iniciam na sexualidade com suas empregadas. Certo que sobrando xoxota como está fica difícil entender que haja quem ainda procure as empregadas para esse fim. Não é que procurem. Mas é que elas ficam ao “alcance do pinto” não só dos patrões como dos filhos deles. Não se quer insinuar aqui que consigam seus intentos, pois elas, as empregadas, não são mais de “cama, mesa e banho”, não obstante o fogão. Aquelas empregadas que cedem a isso o fazem também porque se sentem desejadas, embora sem muitos atrativos físicos, ou com todos.  É que o humano não fica de fora das empregadas domésticas e isso, muitas vezes, as leva a “curtir” seu patrão ou o filho deles. E, convenha-se: há empregadas que quando se “trocam” de roupa mais parecem a patroa. Assim, o filho (principalmente) com toda sua adrenalina e o nível de testosterona saindo pelos poros, vai em cima e “come”, utilizando a linguagem usual com a qual não concordo.

Poderão perguntar o que é que o “C” tem a ver com as calças. É um pouco do “O Som ao Redor” – filme que nos chama atenção para as coisas corriqueiras que a modernidade não nos leva mais a observar, embora elas aconteçam em maior ou menor escala. Por isto, não se pense que os filhos adolescentes e adultos ainda não “ciceroneiam” as empreguetes. Sendo isso verdadeiro, mais verdadeiro ainda é o entendimento de que as namoradas deles agora fazem muito bem esse papel, não necessariamente nessa ordem. A camisinha tem facilitado muito aos jovens e adultos adúlteros fornicarem sem precisar casar ou mesmo ficar azarando a empregada em casa, como foi mais intensamente nos tempos de ontem. Isto não isenta colocar em bom tom que as atuais domésticas são plugadas na internet e conhecem muito bem e até demais seus direitos. Muitas delas lá fora, são garotas de programa e os patões ne sabem. Nesses casos, certamente elas pedem um dinheiro ao proponente e com ele se deita e se levanta, se deita e se levanta, até que um dia a casa possa cair ou a empregada mudar de residência pra ganhar mais que o salário mínimo.

A PEC que tanto se alardeia nem devia fazer o alarde que está fazendo. Mas isso é sinal que ainda as relações entre elas e as patroas não acontece dentro da lei, mesmo sem a PEC. Claro que há exceções e todos conhecem empregadas que são extremamente tratadas como gente, mas o contrário é igualmente verdadeiro. Nesse diapasão, algumas mudanças comportamentais vão ter que ser implementadas por quem não quiser gastar com as empreguetes na forma da futura lei: 1) dividir as tarefas da casa; 2) aprender congelar; 3) adotar uma diarista para as limpezas mais específicas e pesadas, etc. O grande dilema dos pais: reeducar filhos para limpar banheiro, forrar suas camas, cozinhar quando necessário, lavar suas cuecas, etc. Ora, para os pais que não tem voz ativa pra mandar um filho à padaria e eles não vão, vai ser difícil conviver administrando a socialização do trabalho da casa. Lavar um banheiro? Há jovens que jamais levaram! Mas vão ter que aprender ou dividir com os pais o salário da empregada com todos os direitos que a nova lei vai exigir.

A questão sexual é apenas uma pitada de sal no ingrediente complexo das relações do trabalho na família, em função da empregada doméstica. Certamente que muitos patrões irão demitir sua empregada, mas elas serão inseridas no mercado de outra maneira. A maioria delas é ligada na internet e já está aderindo a trabalhos em operadoras de celular, no comércio e assemelhados. Imagino que todos teriam é que tirar proveito disso. Porque o pior de uma empregada doméstica é a testemunha auricular que elas se convertem em nossas vidas. Muitas são discretas, honestas e quase que são da família. Mas quando dá errado é um deus nos acuda para os patrões, principalmente no caso de mal caratismo de algumas delas. Portanto, quem não tem empregada doméstica que pense duas vezes em tê-la. Melhor equipar a cozinha com eletrodomésticos e tirar o rabo da cadeira e fazer tarefas de casa que, no geral ajudam a queimar calorias.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 25/03/2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A ideologia das esquerdas e o estresse da Rosemary





Por Zezinho de Caetés

No último final de semana (28/04/2013 – Blog do Noblat) li o texto abaixo, do imortal Merval Pereira, que tinha como título “Rose estressada”. Ele apenas relembrava, com sua capacidade de escritor da ABL,o que a Revista Veja da semana passada deu como matéria de capa, que era a possível explosão da amante do meu conterrâneo Lula, a Rosemary Noronha, sentindo-se perseguida pelos ex “companheiros”.

Então eu o transcrevo abaixo, não pela novidade, e sim por um aspecto que me passou desapercebido. Segundo sua defesa, as ações estão “absolutamente dentro da cultura político-institucional brasileira, que demanda essa espécie de contato”. E estes contactos se referem a tudo quanto é de indecente e não republicano no trato da coisa pública, quando envolve o PT.

E esta defesa está tentando fazer um levantamento de todas as pessoas que usaram as embaixadas brasileiras, de alguma forma. Eu temo, mas, tenho quase certeza, que a principal atividade encontrada será a mesma que a Rose fez: o Turismo.

É da própria ideologia das esquerdas, que não conseguiram fazer a revolução tão propalada no século XX, decepcionadas, tirar o máximo e por todos os meios, éticos ou não, e agora, legais ou não, da burguesia ou das elites pelas quais eles acham que são explorados.

Então, se hospedar em suntuosos palácios por conta do erário é apenas uma reação dos explorados para tomar o que era seu de direito, dos exploradores. E esta é toda filosofia por trás dos outrora revolucionários que não teriam o que fazer num mundo onde se exige mais eficiência para ficar rico do que tomar o dinheiro das classes dominantes.

Daí o estresse da Rose e dos marginais mensaleiros condenados pelo STF quando sabem que temos uma Constituiçãos e leis que fazem parte de uma sociedade que ainda diz que o indivíduo existe e o Estado não pode tudo contra ele, e que estas instituições as estão julgando ou já julgaram e que foram pegos de calças na mão a se aproveitar do dinheiro público, como se tivessem todo direito a eles.

Talvez, este estresse da Rose, não seja tão grande quanto o do Zé Dirceu, no limiar da soleira do presídio, mas, pode ser o suficiente para implicar muitos figurões da república que praticaram os mesmos atos ilícitos que eles, e que estão se borrando de medo de aparecerem na cama com a Rosemary.

Fiquem com a leitura do imortal, que não mostra sinal de estresse ao escrever. Eu vou ler a Veja desta semana, para saber o que “eles” aprontaram de novo.

“Os bastidores do processo administrativo disciplinar desencadeado desde fevereiro deste ano pela Controladoria Geral da União (CGU), vinculada à Presidência da República, contra Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo e “amiga íntima” do ex-presidente Lula, estão agitados.

As informações são de que Rose está inquieta, considera-se injustiçada e abandonada, e, assim como o núcleo petista ligado ao ex-presidente Lula, não perdoa a forma “implacável e fria” como a presidenta Dilma vem tratando muitos “companheiros”, não apenas no caso do mensalão, mas, sobretudo, pela maneira com que abraçou a bandeira de suposto combate à “corrupção”, atingindo importantes quadros do partido, entre os quais ela se insere.

O que se comenta nesses meios petistas é que a presidente só poupa quem lhe é conveniente, como no caso de sua amiga Erenice Guerra, que atua com desenvoltura em Brasília após ter sido exonerada da chefia da Casa Civil por tráfico de influência, ou no dos políticos do PR e do PDT que retornaram ao governo depois de enxotados por corrupção.

Muito citado ainda o caso do ministro Fernando Pimentel, que, mesmo sem ter explicado o dinheiro recebido em consultorias, foi tratado com benevolência pela presidente.

Desde a instauração da sindicância, as notícias têm vazado, o que revelaria, na opinião dela, interesse na deterioração de sua imagem, atingindo diretamente o próprio Lula e José Dirceu, pessoas próximas a Rose, como é conhecida. E a CGU tem sido implacável em detalhes até surpreendentes para ela.

O que irritou, de modo mais específico, Rosemary nos últimos vazamentos foi a notícia de que teria sido apreendida em seu poder a quantia de 33 mil reais em moeda sul-coreana (won), quando, segundo ela, consta do auto de apreensão a quantia de 33 mil won, o que faria toda a diferença. Essa quantia seria algo equivalente a um cafezinho na Coreia do Sul, como dez reais.

Foi apreendida ainda uma quantia em dólares (cerca de 20 mil) que, segundo Rosemary, fora comprada licitamente para uma viagem à Disney que faria em dezembro. Apesar do alto poder aquisitivo demonstrado nessa compra antecipada de dólares, Rose garante que todos os seus recursos estão declarados e nega enriquecimento ilícito.

Rosemary também demonstra indignação com a divulgação de sua hospedagem na embaixada em Roma como se tivesse cometido algum ilícito. Alega que essas hospedagens são comuns e que esteve lá na condição de amiga do ex-embaixador do Brasil em Roma José Viegas, ex-ministro da Defesa de Lula.

A defesa de Rosemary, aliás, está disposta a pedir o levantamento das pessoas que teriam se hospedado em todas as embaixadas brasileiras no exterior na gestão da presidenta Dilma, para averiguar se houve situações análogas, de modo a garantir a isonomia de tratamento.

Vários altos funcionários da República, como o ministro Gilberto Carvalho (ex-chefe de Rosemary), Beto Vasconcelos (número dois da Casa Civil) ou Erenice Guerra (ex-ministra da Casa Civil), foram arrolados pela defesa, o que possivelmente demonstra uma estratégia de esmiuçar os meandros da administração pública federal no tocante ao conceito de tráfico de influência, de que Rosemary é acusada.

Rosemary teria atuado para a nomeação de uma desembargadora e diretores da Agência Nacional de Águas e da Agência Nacional de Aviação Civil, e intermediado diversos negócios.

Seguindo o mesmo raciocínio dos “companheiros” de mensalão, Rosemary tem dito que sempre fez o que é comum em Brasília.

Segundo sua defesa, as ações estão “absolutamente dentro da cultura político-institucional brasileira, que demanda essa espécie de contato”. Se o processo administrativo disciplinar contra Rosemary vingar, ela não poderá mais fazer parte do serviço público federal, e certamente uma sanção terá desdobramentos muito negativos no processo penal a que responde.

Daí porque causa a Rosemary surpresa a fúria punitiva com que se lança o próprio governo federal contra ela. Ela identifica a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, como a responsável pelo rigor da investigação, e o núcleo petista que reclama disso vê na ministra e em seu marido, o ministro Paulo Bernardo, traços de deslealdade.

Até que ponto Rosemary aceitará passivamente servir de bode expiatório? Ou a presidenta Dilma não comanda seus burocratas, e as instituições atuam sob o comando de outros personagens? Rosemary não acredita nisso.”

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Gestão do trabalho e nem sempre do trabalhador.





Por Carlos Sena (*)

“RH” sai um pouco da cena organizacional, principalmente da rede pública de saúde. Assume essa postura um novo nome, se não tão novo, mais o da moda administrativa do SUS. Nada contra nem a favor de nomes, nem de batismos que se dão a determinados momentos da vida das repartições públicas, posto ser dessas, a nossa maior inserção profissional. Algo como a roupa que não faz o Monge. O Monge das relações interpessoais que tanto revés tem passado com o advento de uma cepa de técnicos que ocupam cargos de destaque na área, mas sem o verniz necessário para cuidar do trabalho e do trabalhador. Entenda-se por “verniz” um conjunto holístico de combinações técnicas com a formação universitária, com a compreensão do SUS, com o sentimento do trabalho e do trabalhador indissociáveis do processo de trabalho. Não bastasse tudo isso, também precisa, quem gerencia trabalhadores, do senso do humano, da capacidade de compreender o que seja Assédio Moral, de compreender que servidores têm sexo e várias sexualidades e que a pluralidade humana se explica na singularidade de cada ser. No quesito sensibilidade para compreender os trabalhadores é que uma boa parte claudica no seu dia a dia profissional. Há gestores do trabalho e gestores do trabalhador e, por conseguinte, muito poucos DO TRABALHO E DO TRABALHADOR. Um gestor de relações do trabalho só se preocupa prioritariamente com o que o Gestor maior quer e determina. No caso, o Prefeito, o Secretário municipal ou estadual, o Ministro, etc... É o tipo do gestor de “encomenda” – faz tudo que o “chefe” manda e vende até a mãe pra não perder a “boquinha” financeira do final do mês. Os servidores? Esses podem se explodir! Vale o que o chefe disse que é pra ser feito. Propor? Propor o quê? Afinal, na rede SUS só existe o médico e o resto se conforma sendo o resto, inclusive para o gestor do trabalho que não sabe ser também do trabalhador. Ou mesmo sabendo, não se interessa, politicamente por isso, porque é mais cômodo viver em área de conforto nos gabinetes geladinhos regada a cafezinho, água gelada e boa conversa.

Um dos aspectos que mais incomoda ao bom gestor do TRABALHO E DO TRABALHADOR é o Assedio Moral. Esse é o ponto que divide os dois tipos de gestores. Nesse diapasão as ouvidorias não prosperam, porque simplesmente as denuncias não são avaliadas e encaminhadas. Com isso, tem caído em descréditos as ouvidorias no serviço público do Brasil, pois vira um pouco de jogo de empurra em que o cidadão denuncia, tem a promessa de retorno mas, o retorno não vem. Ou quando vem é com evasiva por resposta – arrumadinhos que os gestores fazem para se defenderem ou defenderem seus compadres e comadres desse ainda recalcitrante compadrio institucional. Assim, tanto o cidadão usuário quanto os servidores ficam querendo reclamar ao “bispo”, como se diziam no passado. O que piora muito nesse quesito é saber que os maiores assediadores morais do serviço público são aqueles GESTORES Do Trabalho que antes de serem governos viviam gritando nas ruas contra tudo que hoje boa parte deles pratica contra os trabalhadores.

Nesse cenário desolador, os gestores do trabalho e dos trabalhadores que estão na arquibancada, ficam presenciando o espetáculo da inercia e do abandono a que os servidores ficam submetidos. Gestão por competência? Nem pensar. Por resultados? Até se pode pensar, desde que o resultado seja para a casta que já vem sendo privilegiada sempre. Não se fale de médicos aqui. Os médicos muitas vezes são colocados no papel de vilão, mas não são. Acontece de até coincidir, mas não necessariamente. Fato é que os trabalhadores do nosso serviço público estão vivendo aí a mingua com salários que não dão dignidade nem cidadania. Mas os nossos gestores só tem conseguido ser do TRABALHO não do trabalhador. Quem duvidar disso, observe a formação de boa parte dos que hoje estão mandando nas nossas relações do trabalho: no geral tem formação disforme daquela que seria importante para se estabelecer uma política em que se busque um ponto de equilíbrio entre o trabalho e o trabalhador e o governo. O que é uma formação disforme? É aquela em que a pessoa se prepara para uma área do conhecimento na Universidade e que, por motivos diversos, ela é colocada na gestão do trabalho – algo como colocar “qualquer pessoa serve” porque os trabalhadores já têm o pão e o circo e nem irão se incomodar com quem entre ou com quem saia da gestão. Engano. Os trabalhadores nem tem o pão nem tem o circo, mas tem sua culpa pela passividade que endoculturaram. Isso se explica pela grande volume de pessoas que transitam nas instituições públicas na forma de celetista, bolsista, concursado efetivo, contratado sem processo seletivo ou com, que ganham salário por recibo, por empenho, etc... E não há  reação dos servidores, nem mesmo por alguns sindicatos oficiais deles.

Esse cenário é uma cama fofinha num quarto com ar condicionado Split e tudo para o gestor do trabalho deitar e dormir. Para um gestor do trabalho e do trabalhador, ai são outros quinhentos, porque logo ele sai do cargo porque começa a incomodar o “patrão” e isso não é bom. Certamente que um gestor do Trabalho e do Trabalhador não fará milagre. Mas aquele que é apenas do trabalho, além de não fazer milagre, ajuda na construção de novas “igrejas”  dentro do serviço público iguais aquelas de “edir macedo” e silas malafaia” (em minúsculo para não dá valor a quem não tem). Assim, sem querer ser analista de sistema público de gestão do trabalho, abuso do direito de pensar e dizer acerca de quem sabe e não sabe ser profissional de trabalho, que é infinitamente diferente de quem é gestor do trabalho e do trabalhador. Certo que há quem não ache diferença entre os termos trabalho e trabalhador, mas há e muita. O trabalho é conceito de atividade. O trabalhador é aquele que processa o conceito e lhe dá uma realidade concreta de exequibilidade.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 25/03/2013