Em manutenção!!!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

"É a política, estúpido!"




Por Zezinho de Caetés

Conta-se que um assessor do Bill Clinton, num cartaz pendurado na sede da campanha, em 1992, escreveu: “É a economia, estúpido!”. Naquela época, George H. Bush, o pai, disputava a reeleição cercado pelo sucesso na primeira Guerra do Golfo, enquanto o país submergia na recessão. E o Clinton, como sabemos, venceu, insistindo no problema da economia. Isto é história e a frase ficou mais nela do que o Clinton, que agora maneja para a família voltar à presidência com Hillary, sua mulher.

Ontem (e mais uma vez devo chegar defasado na publicação da AGD, mas, isto é o de menos), em reunião da Câmara Federal, penso que alguém da oposição deve ter pregado um cartaz na porta dizendo: “É a política, estúpido!”.

Vi na TV. Parecia uma briga de quermesse. Acusaram até o Roberto Freire de agredir uma deputado do PC do B. Ou seja, o sujo brigando com a má lavada. Jogaram cédulas de dólares com as fotos do Lula, Dilma e João Vaccari, os chamados “PTrodólares”, dando a impressão do plenário da ter se tornado palco de comemoração da máfia pelo sucesso do roubo. No entanto, ali estava se fazendo política.

Diante da estagflação causada pelo governo, parecia até que a oposição era a situação e vice-versa. O PT votava a favor do governo (em parte) e contra os “trabalhadores”, enquanto a oposição votava contra o governo (em parte) e a favor dos trabalhadores. Se algum marciano chegasse por lá, deveria perguntar o que significava PT. Enquanto as galerias, cheia de “trabalhadores” gritavam contra o PT, os mesmos aplaudiam a oposição. E foi um bafafá dos diabos.

O governo conseguiu vencer o primeiro round, e mesmo com dissidências dentro do PT, conseguiu não levar o Brasil a ter retirado o “grau de investimento” (sem ele, o Brasil é considerado caloteiro internacional) e a coisa ficaria muito pior do ponto de vista econômico. E então porque a oposição é contra, quando defendia tudo isto há pouco mais de seis meses?

É o que o imortal Merval Pereira chama no texto abaixo (Blog do Merval – “Luta política” – 07/05/2015) de “luta política” e que eu apenas digo: “É a política, estúpido!”.

Fiquem então com o seu texto, que mostra com mais detalhes, o ocaso do PT, que um dia chamou-se Partido dos Trabalhadores, e que hoje nada mais é do que o Partido da Trambicagem.

“Foi uma segunda noite seguida de horrores para o Partido dos Trabalhadores. Não bastando que até Lula tivesse sido vítima de um panelaço nacional na véspera, ontem à noite os deputados petistas sofreram calados e sem condições de reação na votação do ajuste fiscal.
Já haviam sido constrangidos pelo PMDB, que exigiu uma posição formal do PT em apoio às medidas propostas, ameaçando não votar com o governo depois que a propaganda oficial do partido, coordenada por Lula e sem a presença da presidente Dilma, criticou as medidas como se elas fossem do ministro da Fazenda Joaquim Levy, e não do governo.

A própria CUT, o braço sindical petista, está convocando uma greve geral contra o “ajuste do Levy”. O líder do PT na Câmara, o deputado José Guimarães – o que teve um assessor preso na época do mensalão com dólares escondidos na cueca – resumiu bem a questão ao dar seu voto: “O PT, com muita coragem, vota sim”.

É preciso coragem mesmo para apoiar as medidas propostas, todas corretas do ponto de vista do equilíbrio financeiro do Estado, mas que só precisam ser adotadas para ajudar a tapar os buracos orçamentários criados pelo desacerto da “nova matriz econômica” da equipe econômica do governo Dilma, sob sua vigilância permanente.

O problema do discurso governista é que ele não resiste à sua própria contradição. Ajustar para crescer é o slogan que tenta juntar duas palavras forças que se contrapõem: se é preciso reequilibrar as contas públicas para que a economia volte a crescer, é sinal de que está desequilibrada no momento.

E a oposição passou a noite se divertindo, servindo ao PT doses homeopáticas de seu próprio veneno. Quando o PT chegou ao governo federal em 2003, uma das primeiras medidas foi enviar ao Congresso uma proposta de reforma previdenciária em tudo semelhante à que o governo tucano tentara aprovar, contra a resistência petista.

Perguntei ao presidente da Câmara, o petista João Paulo Cunha, por que o PT agira assim no governo de Fernando Henrique Cardoso, e ele me respondeu sem tergiversar: “luta política”. Pois ontem foi um dia exemplar de como a “luta política” está sendo usada pela oposição para sangrar o PT.

Foi um desfile de discursos oposicionistas de todos os matizes ressaltando o ponto central, que o PT está traindo os trabalhadores, que o governo Dilma mentiu durante a campanha eleitoral. As táticas mais rasteiras do sindicalismo foram usadas, desta vez contra os governistas.

Até dólares falsos com as caras da presidente Dilma e do tesoureiro João Vaccari foram jogados das galerias sobre os deputados, e a CUT uniu-se à Força Sindical nos protestos contra o ajuste. A oposição obstruiu permanentemente as sessões, e a maioria governista não conseguia impor o ritmo, era uma maioria na defensiva, sem aquele vigor que o PT demonstrava “na defesa do trabalhador”.

O máximo que conseguiram foi tentar criar uma falsa crise política, acusando o líder do PPS, deputado Roberto Freire, de ter agredido a deputado Jandira Feghalli, provavelmente com o intuito de reverter o clima, que era claramente contrário aos governistas que se preparavam para aprovar o reajuste fiscal.

A provável vitória governista, a ser confirmada ainda hoje em novas votações, não vai acontecer sem custos adicionais. A oposição conseguiu fechar um acordo de votação nominal do texto principal e de destaques, como maneira de pressionar os governistas, que certamente temem ver seus nomes em cartazes espalhados pelo país como os “inimigos do povo”. Igualzinho o PT passou a vida na oposição fazendo com os governistas de outrora.


Não se avançará no debate político com essa disputa radicalizada, mas não há a mínima indicação de que a oposição estenderá a mão para ajudar o governo, como pretendia o ministro da Fazenda Joaquim Levy, um técnico que veio das hostes tucanas para implantar medidas econômicas que provavelmente seriam aplicadas pela equipe econômica de um hipotético governo tucano caso Aécio Neves tivesse vencido a eleição ano passado. Mas o PSDB alega que essas seriam medidas menores dentro de um amplo projeto de mudança na economia que o PT não apresentou.”

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Panelaram o Lula. Oh! Coitado!




Por Zezinho de Caetés

Na hora em que vocês devem estar lendo o meu texto de ontem (a culpa é da AGD que não me publica no devido tempo) eu já estou consertando as minhas panelas, coitadinhas, estragadas ontem durante 10 minutos do Programa do PT.

Como previsto, o panelaço foi amplo, geral e irrestrito, em todos os quadrantes do Brasil, e, desconfio, até do exterior, onde chega a Globo Internacional. Ontem, o Jornal Nacional, 10 minutos depois dele, já alardeava a notícia. Nosso jornalismo foi muito eficiente, ao contrário do PT que só fez caca ontem, o dia inteiro, como o fez em desde 2003.

Como se não bastasse a propaganda chinfrim, de péssima qualidade na forma e no conteúdo, tive o desprazer de ouvir meu conterrâneo, o Lula, numa fala bisonha e na contra mão da história, atacar o governo Dilma, sem dó nem piedade, quanto ao problema da terceirização. Eu ainda estou estudando onde fica o tópico da lei que prejudica os trabalhadores e não acho. Agora, os sindicatos, isto sim, é que fazem esta grita toda, para nada além de conservarem seus cargos pagos regiamente pelo nosso dinheirinho.

E, pasmem, tentando ajudar o governo, que também é contra o projeto, o Lula, mais uma vez deu a maior mancada política de sua vida, que pode lhe custar o terceiro reinado. Ao atacar a terceirização, na hora em que eram votadas na Câmara as medidas de ajuste fiscal de Levy, o Tristonho, ele levou o PMDB, que agora está em cima do muro (ou é como sempre?) vendo para qual lado soltam a galinha para ele correr atrás, a não querer mais votar o ajuste, a não ser que o PT decida o que quer: Apoiar as medids ou não apoiar, e não ficar querendo subir no muro, que é só dele. E o ajuste fiscal agora virou o desajuste político, que deixa o PT, Lula e a Dilma numa saia justa, e que deve servir para os três simultaneamente.

Como se não bastasse este imbróglio, o Eduardo Cunha, que forma com Renan e Temer, o triunvirato que governa o país, não hesitou em fazer a melhor coisa que poderia ser feita no momento, contra a bolivarianização do país: Aprovou a PEC da Bengala. E agora, os membros, principalmente, do STF, só vão serem forçados a se aposentar aos 75, ao invés de 70 anos, e que, pelo menos em tese, o Judiciário para se tornar bolivariano se tornou mais difícil, já que a Dilma pode não ter a chance de nomear 5 ministro de nossa Suprema Corte, como antes.

É óbvio que, para que isto ocorra, há outros fatores envolvidos tanto de natureza técnica quanto de natureza política, mas, já é um começo. Um começo da frustração dos sonhos petistas, que Lula embalava, a partir do Forum de São Paulo. E, num só dia, que será lembrado pela história (05 de maio), o Lula levou o maior panelaço da história deste país.

E, na minha humilde residência, de panela em punho, quando o Lula apareceu, eu, quase num gesto de homenagem à nossa infância, acelerei as batidas com amor no coração. Não ouvi o que ele disse, pois isto eu já havia feito na internet, mas, será que alguém ouviu?

Em suma, o PT teve um dia de cão vira-lata, que caiu do caminhão de mudança, talvez no meio do caminho entre São Paulo e Caetés, que é aquele que, em breve o Lula fará de volta. Venha, conterrâneo, seu lugar está guardado em nossa Academia de Letras. No entanto, não exagere, porque o Rafael Brasil está de olho. Qualquer deslize e ele lhe manda para Garanhuns, pousar para a estátua do Roberto Almeida.


E a Dilma? Por onde anda? Talvez mexendo nas panelas, na cozinha, doida para seguir o coro contra seu governo. Mas, isto é assunto para depois. 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Panela neles!!!




Por Zezinho de Caetés

Hoje já amanheci pensando em panelas. E não deduzam que foi para cozinhar, porque sou um péssimo cozinheiro. As panelas são para, logo mais à noite (estou escrevendo no dia do programa do PT e não sei quando isto será publicado), durante o programa de TV, que é pago com meu dinheirinho, for ao ar, para dizer, dizer, dizer...., realmente, não sei o quê.

O Partido da gerenta presidenta não tem mais o que dizer ao país. Depois da hecatombe causada por ele na economia deste país, perdeu o rumo, e, ela, pelo visto, já parou de tentar encontrar. Delegou isto, na política, ao Temer, e na economia ao Levy, o Risonho, que ontem vi na audiência pública da Câmara Federal, mais enrolado do que fumo de rolo na feira.

Suas respostas eram até ridículas, diante de certas perguntas contundentes e irrespondíveis. Como poderiam ser respondidas sem criticar o governo anterior? Esta é a missão impossível do Ministro da Fazenda. Representa, na economia, um governo que fez todas as porcarias possíveis e imagináveis e que tem uma presidenta que não tem coragem de ir aos meios de comunicação e dizer: “Olha, pessoal, me borrei toda, peço desculpas e agora o Levy tem que limpar!” Se isto fizesse, ficaria melhor para o Levy voltar a sorrir, porque agora ele é Levy, o Tristonho.

O fato é que a gerenta presidenta anda com medo da própria sombra. Não pode ver uma pessoa que não tenha sido escalada para lhe aplaudir, porque sabe que quando encontra uma, por trás dela, não tem, com a criança que ela falou, um cachorro, mas, uma panela, ou até um chocalho. Ela está amedrontada com tudo que se move ou que produz som. Já não falou, no Dia do Trabalho, não falará no programa do PT, e não falará no Dia das Mães. Isto, numa mesma semana. Dizem que ela pedirá música no Fantástico.

Eu não me importei que ela não falasse no Dia do Trabalho, a não ser que ela dissesse:

- Trabalhadores do Brasil!!!! Vocês estão devendo até as calças e a vida está apertada por causa da inflação, mas, vocês ainda têm o seu emprego, e podem comprar uma panela barata para panelar-me hoje. Se alguém estiver desempregado, não se preocupe, estamos pensando em criar o Bolsa Panela. Eu mereço....

No programa do PT ela não tem nada a dizer, a não ser que dissesse:

- Companheiros e companheiras! Como é que o Lula foi me colocar nesta enrascada? A culpa é dele. O que fiz, e continuo fazendo é limpar as cacas que ele fez durante seu governo. E agora, só quer ouvir falar na Rosemary. Onde está a Operação Lava Jato, que só tenta me dar banho e não joga um pingo d’água no conterrâneo do Zezinho de Caetés?....

Eu até ficaria lisonjeado com a citação do meu humilde nome, mas, não a perdoaria, pelo que soube hoje, que ela também não fará pronunciamento no Dia das Mães. Ela poderia pelo menos dizer:

- Mães e companheiras! No seu dia eu só tenho uma recomendação a fazer. Não sintam raiva de Dona Lindu. Nós colocamos filhos no mundo, mas, não sabemos o que eles serão na vida. Nem xinguem a mãe do Renan. Ela não tem culpa do filho que tem. Mas, não se esqueçam de espinafrar a Marta Suplicy, ela merece! Oh Mãe desnaturada! Quanto ao Cunha, acho que ele nem mãe tem. Então xinguem a chocadeira....

E assim caminha a política brasileira. Um verdadeiro nó cego e sem ninguém que possa desamarrar. Penso que ele tem que ser aberto com o povo na rua, ou nas janelas panelando todo mundo que cheire a PT. Ou o Brasil acaba com este partido ou este partido acaba com o Brasil. É uma praga de saúva das mais devoradoras.


Agora vou, vou partir do pensamento para a ação, organizando as panelas para a noite, ter condições de panelar por 10 minutos. Ponham algodão nos ouvidos!

terça-feira, 5 de maio de 2015

NORAS, E GENROS.




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho


Encontro Onofre em plena Avenida Guararapes, a boquinha da noite cheia de bagulhos parecendo mais um mercado persa, vendendo-se de tudo, bolinhos, pasteis, sorvetes, cachorro quente, milho e tudo o que você pensar, está uma bagaceira.  Cansado de guerra, escorado em uma bela bengala comprada no Rio de Janeiro, vestindo como sempre uma calça de linho branca e uma camisa azul de mangas compridas, apesar do calor. Casado com Dona Esmeraldina, há quarenta anos, teve cinco filhos, quatro homens e uma mulher, a todos eles deram o nome começando pela letra “O”, Osvaldo, Onofre, Otacílio, Otoniel e Ofélia, como desejava. Cresceram estudaram e se formaram. Casaram-se e deram-lhes netos. Desde que começaram a namorar eu dei uma ordem a todos que chegavam. Olhem é casa de sogra, mas quem manda é eu, portanto, tudo aqui é dividido no trabalho domestico. Ninguém fica de pernas pró-ar enquanto Esmeraldina se lasca na cozinha, para cozinhar, lavar pratos, passar pano na cozinha, colocar e tirar pratos da mesa e assim por diante. Não vai haver moleza, se não vão almoçar em restaurante que lá tudo é fácil. Meus filhos ficavam uma arara com esta recomendação. Ficavam chateados e as namoradas ficavam de boca aberta estranhando esta maneira falar. Mas te digo, era um remédio santo. Terminando o almoço ou jantar a que estava presente se levantava a ajudava a mulher no que fosse preciso e depois se sentava no terraço para namorar e botar conversa fora. Eu estou te confessando isto, porque o Zeferino, tu o conheces o amigo das manhã/tardes sentados na mesa do Savoy tomando uma cervejinha gelada e ouvindo as piadas de Careca, Índio e Ermenegildo, bons garçons que nos deixou saudades, olhando para o local onde existia o Savoy com hippies deitados no chão ou vendendo as suas bugigangas. Ele tem duas noras que vão para a sua casa e lá fazem o que querem. Ele fica chateado olhando a sua mulher Zezinha fazendo tudo e ajudado por mim que às vezes me chateio, mas nada digo para não melindrar. É certo? Respondi que não. Colocasse em pratica o que realizei outrora, ninguém ficou com raiva apenas ajudou o trabalho. A família é para ajudar uns aos outros e não para se escorar como fazem algumas dondocas, ignorando a ajuda de quem já esta cansada do trabalho domestico do dia a dia. Vamos tomar uma cerveja para esfriar este calor infernal que esta acontecendo. Sentamo-nos numa mesa na Praça do Sebo e ali tomamos três geladinhas como manda o figurino, com um tira gosto de bacalhau. Deixamos o Zeferino com as suas noras e começamos a recordar os bons tempos que nos reuníamos para tagarelar sobre todos os assuntos que vinham na cabeça. Começou indagando sobre os festeiros, Magauri, Melo, Jamari, Nelsinho, Maia, Antonio e tantos outros que frequentavam o Savoy e suas adjacência, indo para a Portuguesa, Bar do Gordo, Estrela, do Mijo, e tantas outros locais que havíamos desfrutados das tardes do Recife. Alguns destes amigos ainda estão andando pelas ruas como eu e tu, outros já morreram e outros estão indos para outros bares nos subúrbios, principalmente, para mesas do Mercado da Encruzilhada e da Boa Vista, onde ainda se desfruta de um recanto tranquilo com muitas vozes pelo violão cantado e tocado por Zinho. É meu amigo o tempo passa e nós vamos ficando mais “novos”. Eu já beirei os 75 anos e hoje carrego o corpo encostado nesta bengala minha amiga. Já não tomo mais cervejas como antigamente, já não frequento os salões de dança, na sexta feira no Clube das Pás e assim vou vivendo. E tu? Eu? Tô vivendo por ai. Muitas coisas que fazia antigamente deixaram de ser feita  por motivos do tempo que nos ajuda a pensar, que já não somos jovens para peregrinar pelos bares da vida e salões de festa noturna. Vou vivendo e espero viver muito mais, mas.... Só Deus sabe. À noite esta chegando e eu vou ter que ir embora. Um abraço brevemente quem sabe nós nos encontraremos. Encontraremos, sim, respondeu Onofre já levantado escorado na sua amiga bengala, por que vou pesquisar onde se encontra o restante dos colegas e convidar você e outros para almoçar lá em casa ao som de um violão tocado pelo meu filho, Onofrinho. Vai ser uma festa de arromba e não uma despedida. Claro, disse.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A Verdade vos Libertará (João 8:32)




Por Lucinha Peixoto (*)

Ontem li um artigo do Zetinho, meu conterrâneo, também iludido com a ideia de uma Academia de Letras em Bom Conselho, no qual ele sonhava com a verdade no dia 1º de abril, que é considerado o Dia da Mentira. Terrível azar do meu amigo. Com tantos dias no ano olhem o dia em que ele foi sonhar! Embora, eu me pergunte, será que existe um Dia da Verdade!? Ele seria aquele dia em que todos os nossos sonhos se realizariam. Por exemplo, o Zetinho, ao sonhar com a Academia, já acordaria vestindo seu fardão, e fazendo genuflexão para o retrato de Pedro de Lara, muito justamente, eleito seu patrono. Por sinal, já estão tentando fazer justiça ao nosso artista maior, com a criação do Dia de Pedro de Lara, por indicação do vereador Carlos Alberto. Seria um belo dia para a inauguração da nossa Academia.

O Dia da Verdade, igual ao Bom-Bril, teria 1001 utilidades. Eu ficaria o tempo todo esperando sua véspera para me deitar e sonhar. O meu sonho mais esperado seria ver um dia, bastaria um dia, em que os políticos não mentissem. Todos eles. Pelo que vejo até hoje, num dia como este, tenho certeza ouviríamos poucas vozes nos palácios, parlamentos e em outras repartições onde eles se abrigam. Talvez o chamassem o Dia do Justo Veríssimo, aquele personagem do Chico Anísio, que repetia sempre:

- Eu quero que pobre se exploda!!!

Nossa Capital Federal seria um túmulo pelo seu silêncio, neste dia. Talvez algum recalcitrante e descrente na força do meu sonho, arriscasse um discurso no Congresso Nacional:

“Senhor Presidente, caros colegas parlamentares. Eu estou aqui falando para cadeiras vazias e aproveito a oportunidade para dizer o quanto é gostoso este mandato que comprei do povo e o uso como quiser. Dizem por ai que todos os meus funcionários são fantasmas, que me aproveitei do cargo para nomear parentes, que só quero é me dar bem e ser eleito nas próximas eleições. Tudo isto é verdade cristalina. É por isso que estas reforma política e a reforma eleitoral não saem. Eu não sou maluco para dar tiro no pé.
Senhor Presidente, sei que V. Excia. não abrirá sua boca no dia de hoje, pois eu o vi dando boa-noite ao porteiro, neste lindo meio-dia em nossa capital, pelo seu vício de mentir, e eu apenas concordo com V. Excia.”

E o discurso se estenderia por mais alguns horas desfazendo todas as mentiras ditas no dia anterior. O meu sonho foi bom enquanto durou, mas, quando acordei, estava tão deprimida que os meus filhos se preocuparam com minha vida. Um deles, que um dia já pensou até em ser padre, mas desistiu quando soube o que era o celibato, me contou uma estória, que ele disse ser uma parábola, dizendo chamar-se "A Parábola da Governante Sofredora", no intuito de me tirar daquela angústia quase mortal:

“Numa terra bem distante viviam várias pessoas sob o comando de uma mulher, forte e destemida e que por estas suas qualidades havia galgado posto de governante suprema da comunidade. Não era um matriarcado e sim uma espécie de democracia direta, onde de tempos em tempos realizavam-se eleições, e numa delas ela foi eleita para ser a governante máxima da aldeia. Ela era uma mulher dentro dos padrões normais daquela diminuta sociedade, tendo três filhos e um marido muito trabalhador.

Como em toda democracia, quando alguém ia para o poder, os outros, que perderam as eleições, viravam oposição e abriam as críticas contra os que o conquistavam. Muitas vezes as críticas tinha procedências outras não vezes não. Fazia parte do processo político eleitoral daquela comunidade.

Houve um momento em que, as críticas se tornaram tão pesadas, que a governante entrou num processo depressivo, com outras várias consequências para sua saúde. Isto, como era de se esperar, preocupou muito sua família, que via a cada dia mais doente. Houve uma reunião familiar e o marido foi taxativo:

- É melhor você ficar em casa, do que ter sua saúde prejudicada!

De comum acordo, a governante chamou sua substituta eventual e disse:

- Eu vou renunciar, por isso, por isso e por aquilo, e você deve assumir!

Não se sabe até hoje se a substituta ficaria alegre ou triste em assumir o governo, mas, ela aceitou a situação e resolveu assumir.

Entretanto, a comunidade era tão pequena que tudo que foi falado nesta reunião foi ouvido por todos. Era como se mato tivesse olho e parede tivesse ouvido. E foi um alarido geral. De um lado, aqueles que apoiavam a governante, dizendo, não renuncie e trate sua doença sem deixar o cargo. De outro lado a oposição, que mesmo dizendo não ter nada com isto, rezava para ver a governante pelas costas.

Neste intenso burburinho, foram chegando os correligionários e, dando explicações de toda ordem, pediam à governante para não renunciar. De tanto insistirem ela acedeu e resolveu não cometer o extremo gesto político. Para comunicar isto ao povo, como estava muito debilitada, reuniu seus apoiadores, e depois de conselhos variados, resolveu escrever uma nota oficial para dizer que não renunciaria, pois tudo não passava de intriga da oposição e nunca havia nem pensado nisto, renúncia não era uma palavra que constasse do seu vocabulário.

O que ouve em seguida foi um terrível golpe na credibilidade da governante, pois todos ouviram e viram o que foi falado nas reuniões, e mesmo existindo alguns doidos e pilantras na comunidade, nem todos eram assim. Alguns que ainda acreditaram nela, por estarem longe do mato e das paredes do lugar, tentaram defendê-la, mas logo desistiram.

Ao invés de curar-se dos seus males, a depressão da governante aumentou pelo efeito gerado pela nota oficial, que não correspondia aos fatos. Só havia uma solução. Havia um sábio na aldeia, que orientava em questões espirituais e mesmo em doenças físicas, porque segundo ele, elas estavam interligadas, e esta solução era procurá-lo.

Isto foi feito e ela foi ao encontro do Pai Dantas, como o chamavam. E ela foi logo dizendo:
- Sua bênção, Pai Dantas. Estou aqui porque não falei a verdade para o meu povo. O que devo fazer?

E prosseguiu contando sua estória, tintim por tintim. Então o Pai Dantas falou:

- Sente-se minha filha, acomode-se e tenha muita calma. Esta questão da verdade é muito complicada. Disseram que Jesus, nosso guia maior, foi falar para Pilatos que o interrogava:

"Vim ao mundo para testemunhar a verdade. Todos os que são da verdade me ouvem", e diante desta declaração, Pilatos colocou o problema permanente do ser humano: “o que é a verdade?” É uma pena que, assim como Pilatos, muitos ainda hoje não queiram ouvir a resposta, que pode ser ouvida em outras situações da boca do próprio Cristo: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Aqui estar a verdadeira sabedoria, minha filha.

- Pai Dantas, eu sempre disse a verdade, mas desta vez meus assessores acharam por bem não enfrentá-la porque pensaram que isto seria um sinal de fraqueza.

- E agora, minha filha, como você está se sentindo? Mais forte? Mais tranquila? Menos insegura?

- Não me sinto bem, Pai Dantas, eu preferia ter dito a verdade. Mas....

- Ainda está em tempo, minha filha, nunca é tarde para dizer a verdade e se libertar de vez.
- Eu entendi, Pai Dantas, obrigada, e sua bênção.

- Vai com Deus minha filha.”

Quando meu filho chegou a este ponto da parábola eu já estava prestando tanto atenção e minha angústia havia diminuído bastante, e quase falei sem querer:

- Vai, homem, e o que aconteceu depois!?

Ele continuou:

“A governante voltou para casa, pegou a caneta e escreveu outra nota, que se recusou a chamar de oficial, para não haver quem dissesse que ela deveria ser lida só nas entrelinhas, que dizia o seguinte:

Nota:

Eu como governante desta comunidade declaro que menti em minha última comunicação, e que havia sim pensado em renunciar mas depois, pela insistência de familiares e amigos, resolvi não fazê-lo. Ainda tenho muito a fazer por este povo que me elegeu, e cumprirei meu dever até o fim. Perdoem-me."

A nota foi divulgado em todos os meios de comunicação e aos poucos ela começou a ganhar credibilidade, e pelo seu trabalho na comunidade, demonstrado pela sua crença na verdade dos fatos, na eleição seguinte foi reeleita, enquanto a oposição ainda estava "chupando o dedo."”

Eu como boa católica que sou, acredito nas parábolas bíblicas descritas pelos evangelistas, por que eu não acreditaria na parábola do meu filho? Voltei a sonhar com o Dia da Verdade, e quando acordei fui imediatamente procurar o meu filho para saber onde morava o Pai Dantas para fazer uma consulta com ele, pois segundo dizem, ele também cura “barriga” inchada, que é o meu mal atual, e, se for mesmo, chamarei o Zetinho pois, quem sabe ele também nos oriente sobre o que fazer para o povo de Bom Conselho tomar a iniciativa de fundar uma Academia de Letras? Não custa tentar.

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(*) Hoje é o Dia do Trabalhador ou Dia do Trabalho. Estou viajando e na dúvida se poderia escrever ou não para este dia, resolvi, com faço às vezes, procurar algumas coisas em blogs que eu conheci e, posso dizer, hoje tenho até seus direitos autorais. Não encontrei coisas apropriadas para o dia primeiro de maio, mas, encontrei uma sobre o Dia da Verdade, da Lucinha Peixoto (Blog da CIT – 09/06/2010), minha amiga ainda em exílio voluntário. Quem conhece a comunidade da qual ela fala, como eu conheço, gostará do texto, pelas lembranças que ele traz de nossa vida política.


Também, me decidi a publicá-lo porque ela fala da nossa tão sonhada pelo nosso colaborador Zetinho, Academia Bom-Conselhense de Letras, assunto que ele abordou ainda este semana neste blog (aqui).