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sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Coca que vira Fanta.




Por Carlos Sena. (*)

Em todo carnaval, no Recife, não me canso de registrar a enorme quantidade de homens que se vestem de mulher. Nada contra e nem poderia. Mas, sempre há um mais! Retruco: por que não se vê uma só mulher vestida de homem? É aí que a porca psicanalítica torce o rabo. O rabo da complexa auto-afirmação machista; o rabo complexa imaginação de ser "mulher" no carnaval quando a mulher, para a grande maioria dos homens continua sendo por eles vitimadas. Ora pelo pelo próprio  machismo, ora pela falta de companheirismo, ou simplesmente, pela equivocada e ultrapassada concepção de mulher como sendo do sexo frágil. Em sendo frágil, podem bater nelas, agredir, matar, etc. Ou não? Outro rabo? Talvez seja o rabo que fica de fora quando o armário fecha. Ora, em estando armário fechado durante um ano inteiro talvez não custe nada para muitos homens que se vestem de mulher no carnaval, estarem ali com as "frangas soltas". As virgens do Bairro Novo, segundo corre a boa miúda, ficaram "rachadas" ao ponto de, atualmente existiram duas VIRGENS. Uma delas é a de Verdade! Tudo isso, certamente, porque havia um patrulhamento no sentido de que viado, frango, bicha, homossexual e assemelhados, não ousasse se "infiltrar por lá. Se verdade ou mentira não sabemos, mas há certa lógica nisso. Porque se há uma Virgem de verdade é porque a outra é de mentira, ou não? Como se vê até dentro das agremiações existe preconceito. Preconceito esquisito, considerando que no carnaval, até as frangas podem ser soltas abertamente e conviver com todos os galos e frangos e galinhas...

Mas. Retomando o "mas", o que me encafifa é o fato de não se ver em nosso carnaval mulheres vestidas de homem. Será que elas são mais assumidas como mulheres do que os homens? Ou será que nossos homens, assoberbados de machismo, não estão apenas deixando passar suas inseguranças afetivas por debaixo das indumentárias femininas? Cada um que pode tirar suas conclusões, mas que há muita Fanta se passando por Coca-Cola no carnaval, isso há. Quem quiser pode fazer a seguinte prova: quando, no carnaval, for passando um homem vestido de mulher, dê uma deidade no seu fiofó. Ele não vai reagir sem violência como talvez algumas mulheres reagissem. O pau canta. Ele recupera o machismo e perde o sentimento lúdico do carnaval. Ou não?

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 23/02/2014

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O "Mais Cubanos" e a vergonha nacional




Por Zezinho de Caetés

Dentre as muitas insanidades que o governo do PT vem cometendo, ou “fazendo o diabo” como diz a presidenta, para reelegê-la, uma delas, e talvez a pior, é o Programa Mais Médicos. E quando digo isto, os viciados em petismo alegam que o que o PT quis sempre foi beneficiar os mais pobres em todas suas ações. E o Programa, que deveria ser chamado o “Mais Cubanos”, é apenas um deles. Eles citam logo o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família, e todos os PACs, dos quais a Dilma é a mãe, e Lula, o meu conterrâneo, é o pai. Isto só para citar os que mais surgem na mídia.

Eu não discordo de que se tente ajudar os mais pobres. O problema decisivo é querer fazê-lo a partir do Estado, que como dizia o nosso bardo maior, o Luiz Gonzaga, apenas vicia o cidadão, quando leva homens sãos a ficarem dependentes de esmolas públicas. Uns dirão que antes, como acontecia no meu interior, e o Lula deve saber disso, porque desde menino ele só não sabia dos malfeitos que cometia, a esmola privada era a tônica, para os mais pobres e incapacitados para o trabalho. Eu também não era contra a esmola privada em geral, pois cada um dar o que é seu a quem quer, ao contrário da esmola pública, onde somos obrigados a dar, mesmo discordando. Quando admirava o petismo, mal de que, graças a Deus, me livrei, ainda tinha sonhos com o Estado no combate à pobreza. Quando descobri, que o principal problema do Brasil, sempre foi o excesso e não a falta de Estado, e que era uma democracia liberal de que estávamos precisando, comecei a analisar melhor estes programas salvadores, que normalmente mencionam a resolução dos problemas sociais a partir de políticas públicas (lembram do “Tudo pelo Social” do Sarney?) com se fossem passes de mágicas, eu comecei a desacreditar neles.

No entanto, eu os suportava pela carência absoluta em algumas regiões do país, como forma passageira de evitar maiores sofrimentos à nossa já sofrida população. No entanto, com o PT no governo, tudo foi transformado em moeda de troca para se manterem no poder. E o governo da Dilma, que é apenas um “cover” para o terceiro mandato de Lula, está levando isto às últimas consequências, chegando a um verdadeiro despudor.

O texto que cito abaixo, o li primeiro na sessão Deus nos Blogs da AGD. Reproduzo-o, pois pode ser que já tenha saído do ar naquela sessão. Ele foi publicado no O Globo do dia 04/04/2014, como uma reportagem do PAULO CELSO PEREIRA E THIAGO HERDY, com o título: “Mais Médicos: cubanos vivem sob vigilância em São Paulo”. A reportagem não me surpreendeu diante do que já li sobre o programa, que foi criado ao som dos gritos das ruas por melhorias na vida do povo, e que como sempre está se tornando uma peça de compra de votos, mas, nunca é demais ler sobre o tema, para evitar que o PT continue a explorar a pobreza em nome de um projeto de poder, que já se mostrou nefasto para o Brasil.

Já disse que, alguns veem o governo do Lula como o governo da inclusão social, e já mostrei que esta inclusão é tão verdadeira como uma nota de 3 reais. Mas, não entremos e detalhes, e basta apenas dizer, que, com o aumento dos preços, com a volta da inflação, a história reconhecerá o governo da Dilma como o governo da exclusão social. Os viciados petistas dizem que seu governo tirou um mundo de gente da pobreza, e eu digo, em breve, se continuar este governo, a inflação os trará de volta á antiga condição.

Agora voltando ao texto sobre o Mais Cubanos, digo, o Mais Médicos, ele terá sua utilidade de propaganda e compra de voto reconhecida, se a população não for devidamente alertada, para sua ineficiência no longo prazo. Um dia, Cuba precisará dos seus médicos (se os são de verdade), e os escravos retornarão à senzala de origem. Enquanto isto, estamos descartando a chance de propiciar uma medicina melhor, com os nossos profissionais de saúde, dotando nossos precários hospitais com infraestrutura adequada. Eu digo, como o médico cubano aí abaixo: “Vocês estão mexendo com coisa perigosa”. No futuro, como diziam lá na minha terra, “nem mel, nem cabaça”.

Fiquem com a reportagem e a leiam como um alerta sobre a vergonha que o Brasil está passando em restabelecer a escravidão em pleno século XXI, como já fez o Chávez na Venezuela.

BRASÍLIA e SÃO PAULO — Regidos por um contrato pouco transparente com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), médicos cubanos participantes do programa Mais Médicos, do governo federal, são submetidos, logo que chegam ao Brasil, a condições que remetem às que vivem na ilha. Além de receberem cerca de 30% do salário pago aos demais participantes do programa, eles estão sob permanente vigilância, conforme constatou O GLOBO em conversas nas últimas semanas com médicos do programa e pessoas que estão em contato direto com eles.

Mas também há, no momento, uma ofensiva de um grupo de pessoas de fora do programa para tentar localizar médicos insatisfeitos, com o intuito de oferecer-lhes asilo ou refúgio e um emprego. A iniciativa conta com o apoio da Associação Médica Brasileira (AMB), que critica o Mais Médicos, e criou um programa de suporte ao médico estrangeiro.

O objetivo não é convencer os cubanos a seguir o caminho de Ramona Rodriguez — que depois de deixar o programa se mudou para os Estados Unidos —, mas sugerir que vivam e trabalhem como médicos no Brasil, depois de passar por formação mais rigorosa e aulas de português. Quando ainda participava do programa, Ramona reclamava que se sentia vigiada e sem liberdade para viajar a outras cidades do país.

Na semana passada, O GLOBO se hospedou no Hotel Excelsior, do Centro de São Paulo, que serve como primeira moradia para boa parte dos médicos que chegam ao país, e constatou que a vigilância é realizada em caráter permanente. Desde o segundo semestre do ano passado, cubanos ocupam a maior parte dos quartos do hotel, localizado ao lado de um antigo cinema que foi transformado em auditório para que eles recebam aulas de português e sobre a organização do sistema de saúde brasileiro.

Aulas de manhã e de tarde

Até que sejam enviados para cidades escolhidas pelo Ministério da Saúde, os médicos ficam confinados no hotel, tendo aulas nos períodos da manhã e da tarde. Só saem de lá quando estão na companhia de professores ou agentes do programa. Costumam estender a jornada de estudos até altas horas da noite.

— O chefe deles fica o tempo todo em cima, e eles ficam o dia todo aí. É como se fosse uma prisão, né? Já chegam sabendo qual é a regra, não são de reclamar. Parece que no país deles é tudo muito rígido também — conta uma camareira do hotel, onde atualmente estão hospedados cerca de 550 médicos.

O “chefe” a que se refere a camareira é o médico Roilder Romero Frometa. Apresentado formalmente como consultor da Opas, Frometa já se encontrou com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, na condição de “representante dos médicos cubanos”. Em Cuba, ele já era influente. Em outubro de 2011, como diretor de Saúde no município de Guantánamo, foi entrevistado pelo jornal oficial do Partido Comunista na cidade. Segundo funcionários, desde o ano passado Frometa está hospedado no hotel.

Na semana passada, enquanto conversava como hóspede com os médicos, na recepção, o repórter do GLOBO foi interpelado diretamente por Frometa. Sem saber se tratar de um jornalista, o cubano quis saber o que ele havia conversado com os médicos do programa. Ao ser indagado pelo jornalista sobre qual papel desempenhava no local, Frometa tentou evitar ser fotografado e reagiu:

— Você está mexendo com coisa perigosa.

Ele não é o único a monitorar os cubanos. O vai-e-vem de pessoas dentro e fora do prédio é acompanhado também por seguranças do hotel e por pessoas que usam crachás do programa, como observou o GLOBO no período em que esteve no local. Apesar de o hotel ser privado, Opas e Ministério da Saúde tiveram acesso à ficha cadastral preenchida pelo repórter ao se hospedar.

A Associação Médica Brasileira criou há dois meses um programa de apoio ao médico estrangeiro, cujo objetivo é atender médicos de Cuba e de outras nacionalidades insatisfeitos com as condições do Mais Médicos. Dos 22 profissionais que já procuraram a associação, 16 são cubanos.

— Todos que nos procuraram se queixaram da vigilância. Precisam dizer a todo momento para onde vão, com quem se relacionam. Cada grupo tem um superior hierárquico, a quem têm que dar satisfação — diz o presidente da AMB, Florentino Cardoso. Segundo ele, o objetivo do programa é “mostrar que não existe queixa ou trauma em relação à presença do médico estrangeiro no Brasil, desde que se cumpra a legislação”.

No início do ano, um grupo de cinco médicos insatisfeitos esteve reunido com um deputado da oposição para pedir ajuda para abandonar o programa federal. Reclamavam da baixa remuneração, de US$ 400 por mês no Brasil (outros U$ 600 eram depositados em Cuba), e da diferença de salário em relação ao recebido pelos médicos de outras nacionalidades, que recebem R$ 10,4 mil mensais. Duas semanas depois, o governo brasileiro anunciou um aumento no salário dos cubanos, para US$ 1.245 (R$ 2,9 mil), agora integralmente pagos no Brasil. Os cinco pediram, então, mais tempo para pensar sobre a deserção.

A saída do programa não é simples. Além do temor de serem deportados antes de conseguirem formalizar o pedido de asilo, os médicos temem eventuais represálias a seu familiares e consideram real o risco de nunca mais verem os filhos, os pais e os amigos que estão na ilha.

“Não existe nenhum tipo de limitação”

De acordo com o governo brasileiro, atualmente estão no país 10.687 médicos vindos da ilha governada por Raúl Castro e ao menos sete deles já deixaram o programa. Há duas semanas o ministro da Saúde, Arthur Chioro, negou em audiência da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara que cubanos fossem perseguidos no Brasil. “Não posso dizer quanto à situação em Cuba, mas aqui eles estão livres”, afirmou, na ocasião. O Ministério Público Federal abriu um inquérito para apurar eventuais violações de direitos humanos, mas ainda não encontrou indícios.

Procurado, o Ministério da Saúde divulgou nota em que confirma haver um grupo de funcionários contratados pela Opas responsável pelo “acompanhamento” dos médicos cubanos: “O termo firmado com o governo brasileiro prevê que a organização internacional monte, para melhor gerenciamento do programa, equipe de apoio administrativo e logístico, responsável pelo acompanhamento aos médicos servidores do governo de Cuba que estão em missão internacional no Brasil”. É nesse grupo, segundo a pasta, que se encontra Roilder Frometa.

O ministério nega, no entanto, que haja qualquer restrição ou monitoramento direto dos cubanos: “Não existe nenhum tipo de limitação imposta pelo governo brasileiro aos participantes do programa, sejam brasileiros ou estrangeiros de qualquer nacionalidade. Todos os participantes estão sujeitos às leis do Brasil, não havendo qualquer tipo de restrição de ir e vir. (...) O termo firmado entre o governo brasileiro e a Opas não estabelece nenhum tipo de monitoramento, acompanhamento ou coerção aos médicos participantes, que recebem o mesmo tratamento que qualquer outro estrangeiro que obtenha visto de permanência no país em condições semelhantes”, diz a nota.


Atualmente, a venda de serviços médicos é a principal fonte de receita na economia cubana, rendendo US$ 6 bilhões ao ano (R$ 14 bilhões), seguida do turismo, que gera US$ 2,5 bilhões (R$ 5,8 bilhões), segundo dados oficiais.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O Padrão Dilma de Qualidade




Por Zezinho de Caetés

Apesar dos muitos textos mais atuais, eu resolvi transcrever, logo abaixo deste meu nariz de cera, de autoria do Carlos Alberto Di Franco, que teve como título: “Dilma – marketing versus realidade”, que pela data que foi publicado no Blog do Noblat (primeiro de abril de 2014), mereceria o título de Dilma – mentira versus verdade. Este título seria muito mais adequado para uma análise do que realmente está se passando nos subterrâneos deste governo e que agora está vindo à tona.

Eu penso até que nossa democracia está sendo destruída pelos marqueteiros. O tal de João Santana, que trabalha para a presidenta, agora tem mais força sobre ela do que seu criador, meu conterrâneo Lula. Mas, reconheço, é um trabalho difícil colocar a Dilma como alguém palatável para ser votada por alguém que tenha conhecimento de sua verdadeira capacidade, tanto do ponto de vista ético, quanto do ponto de vista gerencial, ao contrário do está insinuando abaixo o articulista, Di Franco. Afinal de contas, eu não vejo princípios éticos numa pessoa que tenta fazer, o que o Abraão Lincoln disse que era impossível: enganar a todos ao mesmo tempo.

Para ser justo, a culpa disto tudo pode ser de Lula, que a apresentou como a mãe do PAC, como um poço de sabedoria administrativa, e hoje se descobre, que ela não passa de uma toupeira no assunto. Hoje, vi em alguns blogs, que será lançado até outubro o PAC 3. Se vocês se lembram, como a mãe do PAC, a Dilma teve dois filhos, o PAC 1 e o PAC 2, coitadinhos, que hoje estão quase morrendo de inanição, por falta de hormônio do crescimento, que ela foi procurar nos postos de saúde mas lá não havia. Agora está grávida do PAC 3, coitado de mais este menininho. Só está sendo gerado para aumentar o bolsa família, e com o dinheiro a mãe entornar vinhos caros em viagens ao exterior.

E vejam, o que diz abaixo o Di Franco sobre a situação de nossa Petrobrás. Se querem encontrar algum acionista desta empresa, um grande orgulho dos brasileiros (antes do Lula), muitos deles podem ser encontrados na ponte Duarte Coelho, pedindo esmolas para não morrer de fome, enquanto aqueles que não acreditaram neste governo, e eu fui um deles, usam a gasolina ao preço que está levando nossas estradas e nossas cidades a um caos completo. Tudo pura demagogia para vender ao pessoal, cuja informação é apenas o supermercado, a comprar outra vez a Dilma nas urnas.

Vejam a outra pixotada, no setor elétrico.  Nossa presidenta resolveu baixar a conta de luz dos brasileiros, e destroçou nosso sistema elétrico, de uma forma que nem São Pedro conseguirá dá jeito. E mandou a conta para todo mundo através da inflação, em outros setores. Afinal, para gastar energia barata uma amiga minha aqui do bairro, resolveu comprar um “chapinha” para aproveitar a ocasião da barateza do seu uso. Hoje uma “chapinha” está pela hora da morte, segundo ela, e ela continuar com os cabelos bem lisinhos, aproveitando ainda a conta baixa de luz. Até quando?

Mas, para aqueles que entendem um pouco mais das coisas, o pior da gerenta foi ter tentado baixar, na lei ou na marra, as taxas de juro na economia, sem o respaldo do controle de gastos governamentais, de outras reformas que necessitam serem feitas. Hoje, o Banco Central já estar tentando minimizar a burrada, mas, será difícil conseguir, por causa dos marqueteiros.  Racionamento e subida de juros são palavras de baixo calão para o Planalto, piores até do que a presidenta gerenta diz quando está irritada com a Graça Foster, presidente da Petrobrás, pelo menos até as eleições, pois, eles sabem que se minha amiga não puder usar a “chapinha”, ela não vota em Dilma. E lá vamos nós descendo ladeira abaixo na economia, que a duras penas o FHC, que de “neoliberal” não tem nem as penas, tentou equilibrar.

Falam muito que a característica básica do governo Lula foi a inclusão social. Eu duvido e faço pouco se esta inclusão poderia ser aumentada, sem o Plano Real, que tirou a inflação de nossas vidas. Ali começou a inclusão social. Penso que a característica básica do governo do PT foi a baixa qualidade do que foi feito. É o padrão Dilma de qualidade. Até o padrão FIFA eles conseguiram esculhambar. Receio que esta Copa do Mundo, além da mais cara de todos os tempos, seja também a mais  desorganizada. E se a seleção do Felipão tiver o padrão Dilma de qualidade, adeus hexa.

Mas, já estou me alongando demais. Fiquem com texto do Di Franco, e mantenham o pé na realidade, como, pelo menos nas palavras, está fazendo nosso ex-governador e pré-candidato a presidência Eduardo Campos: “Ninguém aguenta mais 4 anos de Dilma!”.

“A imagem da presidente Dilma Rousseff construída pelo publicitário João Santana tem dois pilares de sustentação: ética e competência gerencial. Santana, apoiado em sua fina sensibilidade marqueteira, captou as demandas da sociedade.

Ninguém aguentava mais a roubalheira que terminou na grande síntese da picaretagem: o mensalão. Mas os brasileiros também queriam um país melhor administrado, alguém que fosse capaz de dar respostas às demandas por educação, saúde, logística, etc.

Vendeu-se, então, a imagem da gerentona. Dilma, ao contrário de Lula, seria uma administradora focada, competente, exigente com os resultados da gestão pública.

O marketing, apoiado em fabulosos gastos de propaganda, continua firme. Mas a imagem real de Dilma Rousseff começa a ruir como um castelo de cartas. O perfil ético da administradora que combate “os malfeitos” já não se sustenta.

O vale tudo, o pragmatismo para construir a reeleição, a irresponsabilidade na gestão da economia, sempre subordinada aos interesses da campanha (basta pensar no uso político da Petrobrás e na postergação do aumento da conta de energia para 2015), pulverizou os apelos do marketing.

Eu mesmo, amigo leitor, não obstante minhas divergências ideológicas com a presidente da República, tinha alguma expectativa com o seu governo. Hoje minha esperança é zero.

Mas o pior estava por vir. A suposta competência de Dilma Rousseff foi engolida pelo lamentável episódio da compra da refinaria em Pasadena. A imagem da administradora detalhista e centralizadora simplesmente acabou.

Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, autorizou a empresa a comprar 50% da refinaria, no Texas, por US$ 360 milhões. A refinaria tinha sido vendida um ano antes a uma empresa belga, a Astra Oil, por US$ 42,5 milhões.

Por falta de informação ou desleixo, nem Dilma nem qualquer dos conselheiros chamaram a atenção para o fato de que, para ficar com metade do empreendimento, a Petrobrás desembolsaria 8,5 vezes mais do que a Astra gastou pouco antes pela refinaria.

Quando, em 2007, o Conselho negou à Petrobrás autorização para aceitar a proposta de compra dos demais 50%, a vendedora acionou a estatal na Justiça americana para obrigá-la a isso, invocando a cláusula contratual Put Option. Segundo ela, em caso de desavença entre os sócios, um deve ficar com a parte do outro.

Em 2008, a Petrobrás recorreu. Derrotada na Justiça, ela acabou pagando aos belgas US$ 820,5 milhões – US$ 639 milhões pela metade com que queria ficar, mais honorários e custas processuais. O caso foi divulgado em 2012 pelo Broadcast, o serviço em tempo real da Agência Estado. Mas o mais grave estava por vir.

Confrontada por documentos inéditos atestando o voto favorável da então conselheira Dilma Rousseff à compra da refinaria, na reunião de 2006, ela admitiu, em nota da Presidência da República ao jornal O Estado de S.Paulo, que se baseara em um mero resumo executivo, “técnica e juridicamente falho”, dos termos da transação.

Ao contrário da afirmação de Dilma, executivos da Petrobrás, ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo, disseram que a presidente Dilma Rousseff e todo o Conselho de Administração da estatal tinham à disposição, em 2006, o processo completo da proposta de compra da refinaria.

Resumo da ópera: aprovou sem ler uma transação que dilapidou o dinheiro público. Administração temária é o mínimo que se pode deduzir. Estarrecedor.

O ex-procurador-geral da República Roberto Gurgel considera “extremamente grave”o caso em que a Petrobrás teve prejuízo bilionário. Se houver indícios de responsabilidade da presidente Dilma Rousseff no caso, ela deverá ser ouvida em Brasília pelo Ministério Público.

“A partir do momento em que surjam indícios do envolvimento de pessoa com prerrogativa de foro, a investigação tem de ser deslocada para o procurador-geral da República”, afirmou Gulgel em entrevista ao UOL.

A imprensa não pode admitir, mais uma vez, que a técnica da submersão acabe por tirar o foco de um escândalo de grandes proporções. É preciso empunhar o bisturi e lancetar o tumor da irresponsabilidade com o dinheiro público. Chega!

Boa parte do noticiário de política, mesmo em ano eleitoral, não tem informação. Está dominado pelo declaratório e ofuscado pelos lances do marketing político. Dilma Rousseff continua sendo apenas uma embalagem. Mas seu verdadeiro conteúdo começa a aparecer.

Em recente coluna, com texto competente e saboroso, Elio Gaspari radiografou o governo o atual governo. “Quando a doutora Dilma assumiu a Presidência, uma ação da Petrobrás valia R$ 29. Hoje ela vale R$ 12,60. Somando-se a perda de valor de mercado da Petrobrás à Eletrobrás, chega-se acerca de US$ 100 bilhões. Isso significa que a gestão da doutora comeu um erário equivalente à fortuna do homem mais rico do mundo (Bill Gates, com US$ 76 bilhões), mais a do homem mais rico do Brasil (Jorge Paulo Lemann, com US$ 19,7 bilhões).

Noutra conta, a perda do valor de mercado das duas empresas de energia equivale à fortuna dos dez maiores bilionários brasileiros”. O truque do preço da energia custou um Bill Gates mais um Jorge Paulo Lemann e ainda sobram alguns bilhões, conclui Gaspari.

Na verdade, Dilma é o terceiro mandato de Lula. Mas o sem carisma, sem a habilidade, sem o domínio das bases, sem a ginga do criador e sem a sua intuitiva sensibilidade de mercado.


A programação eleitoral é, quando muito, uma aproximação da verdadeira face dos candidatos. Tem muito espetáculo e pouca informação. Só o jornalismo independente pode mostrar o verdadeiro rosto dos candidatos. Sem maquiagem e sem efeitos especiais. Temos o dever de fazê-lo.”

terça-feira, 8 de abril de 2014

Os Pés do Pavão




Por Carlos Sena. (*)

Ousar, o que seria isso quando se escreve par bulir (bulicuntu)? Pois é isso que imagino seja o ofício de mexer com as letras e lhes dar vida - literalmente corpo e alma. Por isso fiquei feliz quando muitos diletos amigos e meus assíduos leitores me disseram, dentre outras coisas que sou buliçoso no que escrevo. A minha felicidade em saber disso se consolida no fato de que, no meu entender, não se pode escrever sem ser provocativo, mesmo quando focamos temas leves, crônicas suaves. Certamente que há quem não goste dos meus palavrões. Mas eu gosto, até porque tenho a certeza de que ele, o palavrão, depende mais de cada um, pelo princípio da relatividade cultural. Porque, a rigor, diante de uma topada, nunca vi ninguém dizer "aí meu Deus", mas um PUTA QUE PARIU, certamente.

O compromisso com o bem escrever, acredito, não dispensa um bom domínio da língua. Como não dispensa o autor de ter uma capacidade para elaborar sempre um "elemento surpresa" para ajudar o leitor a se interessar mais ainda pelo que esteja lendo.

Romper paradigmas, buscar ângulos de visão pouco óbvios da realidade concreta, são outros importantes elementos de um texto escrito, principalmente na modalidade "crônica"ou prosa de modo geral. Há quem me ache irreverente, debochado, bocudo, meio pornô. E isso pra mim é bom, porque eu processo as palavras a tiracolo da moral e da falsa-moral. Porque na vida, "todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer" e nós sabemos, rigorosamente que "não se faz omelete sem quebrar os ovos, nem tampouco entender que o último pingo não seja o da cueca"... Os ditos populares não são por acaso que se consolidaram. Eles são uma excelente fonte de sabedoria que, bem utilizados, render reflexão. Para encerrar essas elucubrações, convido-os a refletir sobre os pavões. Todos os acham lindos, pois seus esplendor de cores e penas belas, não nos leva a ver os seus pés. Os pés dos pavões, são terríveis de feio, mas poucos o vêem, porque a gente sempre se liga mais no que nos rende glamour. Pois é. Há pessoas-pavão. A gente só vê os seus "horrorosos" pés com a convivência. Por isso adoro essa capacidade de ser buliçoso com o que escrevo.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 18/02/2014

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A semana - Jatinhos, doleiros e os filhotes da ditadura




Por Zé Carlos

E eis-me aqui outra vez tentando rir quando tinha tudo para chorar depois da derrota do Náutico, ontem, para o Salgueiro, vendo o filme do UOL que resume a semana que passou. Óbvio, o filme ainda não pôde pegar a queda da Dilma nas pesquisas nem a subida nas ações da Petrobrás, o que deve acontecer hoje.

Mas, o que não poderia faltar eram as relações espúrias entre o vice-presidente da câmara, André Vargas, do PT, com o doleiro Alberto Youssef, que entrou no lava-jato da Polícia Federal. Eu nunca vi uma lambança maior, desde, como diz no filme o bom-conselhense Randolfe Rodrigues, o caso do Demóstenes Torres. Eu penso que o Brasil de hoje, em termos de malfeitos, deve ter superado todos os seus momentos históricos. É de morrer de rir. Tenho pena do Lula, porque poderia estar rindo também, mas, ele não sabia de nada. Aliás, só quem não ri é o PT. Nunca vi um partido político, que está há 13 anos no poder, ignorar tanto os fatos que se passam em suas barbas. Deve ser influência do Barba.

E este estado de malfeito permanente deverá durar até as eleições. Quando começar o programa eleitoral gratuito, a classificação indicativa deverá ser de 21 anos ou mais. Já agora, depois da descoberta de que a Petrobrás está quase falida por obra e graça das peripécias energéticas da Dilma Roussef, cuja rima com Youssef é sugestiva, e talvez seja uma solução, estamos em plena, o que o filme chama de, “guerra das CPIs”. O que parece coisa de torcidas organizadas de futebol e não no Congresso Nacional. A oposição diz vamos usar morteiros para acertar os torcedores deles. A situação diz, já que eles estão soltando morteiros, vamos soltar também. E quem pode morrer queimado é o povo brasileiro que sustenta as duas torcidas. Como dizia minha amiga, hoje desaparecida, Lucinha Peixoto: Cruzes!!!!

Finalmente, o filme aborda a comemoração dos 50 anos pelo 31 de março. E eu que já comemorei esta data marchando pelas ruas quando estava engajado, cumprindo meus deveres de cidadão brasileiro, vejo que ela virou pelo avesso e hoje é motivo de deboche. É mais uma confirmação que a história é feita pelos vitoriosos. Gostaria de ver a comemoração dos 100 anos, mas, isto deixo para os meus netos. No fundo, no fundo (vejam o filme até o finzinho) o Brizola é que estava certo: Somos todos filhotes da ditadura, tanto de um lado como de outro. Quem está com a razão ainda é difícil de decidir. Ou seja, contenhamos nosso riso, e o deixemos para os últimos momentos. Dizem que o riso é melhor.

Fiquem com o filme da semana, lendo antes um resumo do roteiro pelos produtores do UOL. E riam, mesmo que nunca tenham andado de jatinho.

“O jatinho do doleiro encarcerado Alberto Yousseff, em que o deputado federal André Vargas (PT-PR) pegou carona, treme mais não cai. Ao que tudo indica, o episódio será esquecido em poucos dias, como ocorreu com casos semelhantes no passado. Enquanto isso, governo e oposição travam uma verdadeira batalha de CPIs no Congresso. Para coroar a semana que lembrou os 50 anos do golpe militar, viúvas da ditadura, como o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) deram o ar da graça.”