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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

OS CAPRICHOS DE LUCINHA PEIXOTO.



Por Carlos Sena (*)

Quem matou “Salomão Ayala”, da novela “O Astro”? Quem encontrou a bala que matou Getúlio? Quem sabe onde se esconderam as duas polegadas que impediram Marta Rocha de ser Miss Universo? Quem sabe o verdadeiro nome da “menina sem nome” enterrada no cemitério de Santo Amaro no Recife? Quem saberia me dizer, por exemplo, o ano em que Adão foi inspetor de quarteirão na Barra do Brejo? Nesse rol de “porquês” cabe perguntar: quem conhece Lucinha Peixoto – aquela mantenedora de um Blog e que sempre se faz presente no jornal "A GAZETA"  e nos diversos jornais da região do entorno bom-conselhense? Pois é. No final da novela O Astro, soube-se que quem matou Salomão Ayala foi seu próprio filho, mas, saber quem é Lucinha Peixoto, aí fica difícil, mesmo sabendo que isso é também quase que um folhetim paroquiano que pulula a boca miúda nas rodas e nos quadrados da terrinha.

Certo dia vi Nárima perguntando (salvo engando) se alguém saberia dizer quem é essa tal Lucinha Peixoto. Depois vi Almir fazendo igual indagação. Assim, Ademir, Marcos Padilha, Pedro Eymar e tantos outros que devem ter se feito as mesmas perguntas acerca dela – a Lucinha Chupeta, digo Peixoto. Não, capeta. Não, apenas Lucinha e seus caprichos. Confesso quando comecei a invadir a literatura da minha terra, logo também me perguntei: quem é essa tal de Lucinha? Ninguém me disse nada, nem sequer, me deram o “C” por resposta, (pra não perder o costume). Não tive dúvidas. Perguntei a mamãe acerca. Mas, ela, do alto dos seus 84 anos, já com a mente lhe mentindo, me disse que não se lembrava de ninguém com esse nome. Depois, puxando pela memória, ela disse que conheceu uma Lucinha, mas que não devia ser essa que eu lhe perguntara. Essa, de  quem se lembrara vagamente diziam ser quenga, lá do “Café Sertanejo”. “Ah, lembrei-me de outra”, disse: no Paga Nada – uma agremiação carnavalesca famosa na cidade capitaneada por Braz, tinha uma tal de Lucinha. Era a que carregava o estandarte, mas que, também, as línguas ferinas diziam ser ela uma putinha que trabalhava em casa de família e seu melhor trabalho era “iniciar” os filhos dos patrões no sexo. Coitada de mamãe. Ela não soube recobrar mais sua memória e nem precisava, porque Lucinha é uma invenção dela própria (Lucinha) por ele mesmo ou por ninguém querendo unir nada a coisa nenhuma. Confuso? Igual a Lucinha e seus caprichos. Porque mesmo sendo Lucinha uma invenção dela própria, por ele, parece-nos que ganhou vida própria – algo como o adágio de que “a mentira muitas vezes repetida vira verdade”... Por isso esse “personagem” deve meter medo até mesmo ao seu criador, tamanho é o nível de “envivecimento” que ele, o personagem, se deu. Independente do mal ou do bem que possa proporcionar, Lucinha marca espaço na mídia al regione com qualidade. Destaca-se pela língua ferina e pelos seus caprichos. Ela é caprichosa, por exemplo, para meter o pau no PT até que outro partido chegue ao poder para ela de novo meter o pau. Meter o pau? Nem poderia. Meter o bedelho, aí sim. Isso ela faz com maestria e com alfinetadas de fazerem dó. Lucinha é debochada quando quer ser, mas é doce quando não quer ser. Ela sabe morder e assoprar, mais assoprar do que morder... Por quê?ão sei. Mas, por não saber sua idade, corremos o risco de dizer que ela morde sem morder, que ela corre sem correr, que ela sobe sem descer e quando desce se lasca toda, se estrebucha nos seus proprios conceitos ou preconceitos (?).

Desisti de saber dela num dia que estive na terrinha. Conversando com certo senhor importante da cidade, senti que ele quase se traiu acerca do codinome Lucinha. Depois ele tentou remendar, mas se borrou todo. Eu me fiz de coveiro para comer o “C” do defunto e parece que consegui. Mas, mesmo assim, não me aprouve botar a boca no trombone acerca dela, a Lucinha linguaruda e cheia de caprichos. Preferi entender que ela é do Bem. Disso não se pode negar. E escreve bem. E ama nossa terra e estrutura conceitos políticos com desenvoltura. Nesse estado de coisas, prefiro compreender que se esconder num codinome é muito natural na vida no geral e na literatura em particular. Por que não com ela, a nossa Lucinha (?) – blogueira e defensora perpétua do papacagay que nunca acontece; divulgadora do forró no beco e instigante crítica do nosso prefeito a quem ela chama de DANDAN. Lucinha é isso mesmo e não adianta transformá-la em novela para ver se um dia ela é desmascarada no seu final. Porque Lucinha é ela sem ser. É ele sendo como é – meio arrependida de ser sem nunca ter sido – algo como a saga da viúva Porcina. Lembram? Por cima é o que ela gosta de sempre ser e estar.

Hoje, mesmo achando que sei quem foi o seu inventor, nem me sinto tentado a dizer  quem seja (a minha suposição), porque Lucinha só não tem corpo, mas tem alma. Pode até não ter coração, mas tem ação. Não tem marido, ou tem? Não tem o mote, mas tem o trem. Não tem cavalo, mas, tem galope, não tem um homem, mas, deseja um bofe negão. Não gosta de uva, mas detesta Cuba. Não gosta de peixe, mas se pudesse comia o Lula... Cru...

Assim na rima rica, Nárima fica com a ilusão de Lucinha. Almir, Marcos, Pedro, Ademir, todos, Lucinham, porque ela é verbo, intrasitiva, mas verbo. Não de ligação, mas irregular na singularidade dos seus plurais metaforseantes. Platão que lhe diga e Freud que nos explique todas as razões de viver sem dar a cara a tapa, ou a bofete, no linguajar local.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 28/09/2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A Deusa da Justiça




Por Zezinho de Caetés


No dia 16.11.2013 o jornalista Ruy Fabiano publicou um texto no Blog Noblat, cujo título foi: “A fala de Gilmar Mendes”, sim, aquele mesmo ministro que o Lula, ano passado andou sondando para adiar o julgamento do mensalão devido às eleições.

O Ministro, nesta terça-feira (12), véspera do início do julgamento de uma nova fase de recursos no mensalão, que espera que o processo termine nesta semana para parte dos 25 réus, o que possibilitaria o início do cumprimento das penas. "É desejável que termine. Todo mundo quer que termine. Precisa ser um exemplo de processo penal que se encerra", afirmou o ministro antes da sessão da Segunda Turma do Supremo desta terça.

A fala do Ministro não se esgota aí como poderão ver no texto do Ruy Fabiano transcrito abaixo. Mas, a meu ver, é a parte mais importante. Todos nós queríamos que este processo prosseguisse como queríamos, mas, mais urgentemente, que ele terminasse. No Brasil, dizem, se você tiver advogados bons você só é absolvido ou condenado depois de morto. Eu mesmo conheço um a amigo que morreu antes da justiça julgar um processo contra o INSS que capou sua aposentadoria pela metade.

Os símbolos da deusa que representa a justiça, neste processo todos sofreram, a venda que fecha os olhos dela e que indica impessoalidade no processo, estava tão esgarçada que melhor seria lhe dar um binóculo, com o Lewandowsky segurando-o. A balança, que deveria mostrar equilíbrio, apesar do regime que o Roberto Jefferson fez para não pesar muito num dos pratos, estava desregulada por muito tempo, depois de só pesar corpos de pobres e não poderosos. E a espada, que é usada para prover o resultado, esta nunca deu nem um arranhão em alguém que pagasse a fortuna que os mensaleiros pagaram aos seus advogados.

Ou seja, neste processo o que todos esperava é que ele terminasse. E que a espada pudesse cair na cabeça de alguns que já haviam caído dos pratos da balança. E foi isto que, revoltado, disse o ministro Gilmar.

E parece que foi ouvido pelos seus pares, pois eles aceitaram antecipar o cumprimento das penas de alguns réus. A pergunta que não quer calar é se isto foi apenas um ato isolada da deusa da justiça ou, aproveitando o momento, vão comprar uma venda nova, regular a balança e usar a espada quando necessário, no futuro da história do Brasil.

Agora fiquem com o Ruy Fabiano que eu irei me inteirar do que se estar fazendo com os símbolos  da deusa Têmis.

“A representação da Justiça na figura de uma mulher com os olhos vendados, uma balança numa das mãos e uma espada na outra, tem significação universal conhecida.

A venda representa a impessoalidade em relação ao réu; a balança, o equilíbrio, a justiça propriamente dita, com a garantia do devido processo legal, que pressupõe ampla defesa; a espada, a execução. A Justiça, para ser justa, aplica-se não importa a quem, tendo em vista tão somente o fiel da balança, culminando o processo com a espada, o cumprimento da pena.

Simples e complexo. Nas duas primeiras figurações, resume-se todo o processo judicial, que, no Brasil, pode levar anos, ao ponto da prescrição da pena ou mesmo da morte dos réus.

O processo do Mensalão foi típico quanto à demora. Está em seu oitavo ano e ainda inconcluso. Foi atípico não apenas quanto à qualificação dos réus – o que, no Brasil, configura ineditismo, embora não em democracias mais consistentes -, mas também quanto a seu desdobramento.

De início, o símbolo da Justiça desvestiu-se da venda. Alguns juízes, sim, demonstraram constrangimento diante do status político de alguns dos réus. O ministro Luís Roberto Barroso, por exemplo, não poupou elogios a um deles, o deputado José Genoíno, antes de acatar embargos infringentes que tentam demover-lhe uma das penas. Jogou a venda da estátua, que ornamenta a fachada do prédio do STF, no lixo.

O ministro Ricardo Lewandowski, desde o primeiro momento, agiu no sentido de esticar ao máximo o julgamento, interpondo questões de ordem desnecessárias, atendo-se a firulas retóricas e contribuindo para que, ao longo do processo, a composição inicial do tribunal mudasse, de maneira favorável às suas teses.

Logo na primeira sessão, defendeu o fatiamento do processo, que remeteria à primeira instância réus que hoje não têm a prerrogativa do fórum privilegiado, reservado a autoridades em exercício. Ficaria de fora logo o principal deles, José Dirceu.

Lewandowski consumiu toda a primeira sessão com sua questão de ordem de duas horas, defendendo algo contra que tinha votado em sessão anterior. Sim, ele já tinha sido contra o fatiamento do processo, mas, misteriosamente (ou muito pelo contrário), mudou de ideia.

Dois ministros – Carlos Ayres Brito e Cezar Peluso –, que se vinham comportando de maneira coerente com o símbolo da Justiça, aposentaram-se em meio às protelações do processo, as “chicanas”, como as denominou o ministro-relator, e hoje presidente do STF, Joaquim Barbosa.

Os que os substituíram – Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso – coincidentemente associaram-se às ações protelatórias, com votos altamente questionáveis, que se desdobraram em novas e intermináveis sessões.

Zavascki é o responsável pela espantosa teoria de que, mesmo os pedidos de embargos infringentes por parte dos que não têm o direito de pleiteá-los, por não disporem dos quatro votos mínimos favoráveis na votação que os condenou, devem ser examinados em sessão própria, com o contraditório da defesa.

Imagine-se quantas sessões consumirão esse exame absurdo e desnecessário, além do fato de que estimula manobras desonestas por parte da defesa, que se sentirá no dever de propor embargos não autorizados pelo Regimento. Cria-se assim uma jurisprudência profana, que agora se estabelece.

Não é possível que Zavascki, com seu currículo, desconheça o disparate de sua tese, no entanto acolhida. O resultado concreto é o prolongamento indefinido do julgamento.

Eis, então, que alguém, o ministro Gilmar Mendes, com a autoridade de quem já presidiu a Corte – e que tem respeitabilidade técnica e moral para fazê-lo – indigna-se contra “o ridículo” das manobras de alguns de seus pares e denuncia o que vem ocorrendo desde o princípio do julgamento: uma tentativa de não permitir que avance e se insista em mantê-lo andando em círculos.

A fala do ministro Gilmar Mendes é uma peça histórica, que ficará como testemunho de um tempo em que se tenta destruir a credibilidade das instituições. Não obstante a quase indiferença da mídia em relação às suas palavras, foi, até aqui, o ponto alto de todo o julgamento, mais expressivo que as palavras de Celso Mello, quando considerou os réus políticos golpistas.

Mais importante porque ousou falar de - e para - seus próprios colegas. Não procurou culpados do lado de fora, mas na própria Corte, alertando-a para o “ridículo” que protagoniza. Falou para a História – e a Corte o ouviu em significativo silêncio.


Foi, por ironia, voz solidária a Joaquim Barbosa, seu desafeto. Barbosa, ao longo do julgamento, fez os mesmos reparos, mas, em face de seu temperamento mercurial, deu brechas a que seus pares, a pretexto da forma, ignorassem o relevante conteúdo de seus protestos e se ativessem a seus termos, nem sempre protocolares. Gilmar e Barbosa formam uma inesperada - e indispensável - dupla em julgamento que a História julgará.”

terça-feira, 19 de novembro de 2013

VIVA O CORDÃO ENCARNADO




Por Carlos Sena (*)

Detesto ver um papel em branco. Porque quero logo escrever nele o meu “preto”. Ou o meu encarnado. Adoro  a riqueza do nosso idioma, posto que essa história de “vermelho” eu me dobrei quando aqui cheguei na capital pernambucana. Na minha terra eu dizia ENCARNADO. Por isso, não vou irromper esse “papel” branco que o world me libera nesta manhã escrevendo o meu “preto”, mas o meu ENCARNADO. Porque também eu me remeto às “brigas” do pastoril para que o cordão AZUL vencesse o ENCARNADO. Que saudade. Que sonhos era navegar naquela brincadeira tão simples dos pastoris dos meus tempos de Bom Conselho. A gente se matava por um ou por outro, mas o meu era mesmo o ENCARNADO. Nessa época eu nem entendia de espiritismo e da sua relação com o termo “encarnado”, mas pra mim ficou o principal: o cordão encarnado dos nossos pasto-ris. Ris? Faça não. Ou faça sim. Menos importa o sentimento do que não se tem. Mas, do que se tem lá dentro tudo faz no sentido da vida que se vai ao calor do tempo e no frio desaquecido por desilusões.

Por isso detesto ver um papel virgem, mesmo sendo o do frigidíssimo world, do computador. Companheiro meu, por que não dizer? Mas, daqueles companheiros que ficam no canto da sala sem dar um “pio”... E provoca em nós arrepio e desconfiança, embora não pareçam. Assim, logo começo a meter o pau com os dedos – tentativa nem sempre alcançada de irromper o silencio do papel em branco querendo ter vida através das palavras e frases. Assim, “BRANCO”, meio “náutico” no Capibaribe que leva em cada barco que ainda lhe navega, sonhos partidos em busca de um porto/solidão.

No restauro da memória pastoriense, a DIANA me levava ao delírio. Ela, coitada, funcionava como que um “bissexual” que transita no que é comum aos dois gêneros. Adorava vê-la no meio do azul e do encarnado tentando ser neutra, mas sabendo que por dentro ela deveria ser (eu pensava) do “ENCARNADO” como eu. Última lembrança do pastoril foi no São Geraldo. O auditório lotado e todos vendendo pontos para sua “cor” preferida. Assim mesmo: vendendo pontos. Algo como se fosse hoje um real por cada ponto. No final, quem tivesse mais dinheiro teria tido mais pontos. O total do dinheiro era o total da vitória de um sobre o outro. E o dinheiro, ora direis, para onde ia? Para a casa da caridade é o que diziam. Se, de fato, ia pra lá eu não sei. Mas sei que indo ou não o principal ficou: a ilusão vendida em duas cores – a azul e a encarnada. Por isso, neste tear matinal de texto, preencho minha inquietação com o meu ENCARNADO para irromper, desvirginar este “papel” branco de mentirinha que o world me oferece. Viva o cordão encarnado.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 28/09/2013

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A semana - Cadeia neles!




Por Zé Carlos

O filme que costumo comentar toda a semana aqui, hoje, não é dos mais engraçados. Começa com a frase dita em alto e bom som: “Cadeia neles”. Penso que nenhum brasileiro que esteja um pouquinho informado sobre a história recente do país desconhece o “mensalão”. Segundo o Ministro Celso de Melo, ele pode ser assim resumido:  "Nada mais ofensivo e transgressor à paz pública do que a formação de quadrilha no núcleo mais íntimo e elevado de um dos Poderes da República com o objetivo de obter, mediante perpetração de outros crimes, o domínio do aparelho de Estado e a submissão inconstitucional do Parlamento aos desígnios criminosos de um grupo que desejava controlar o poder, quaisquer que fossem os meios utilizados, ainda que vulneradores da própria legislação criminal", isto é um resumo do foi o “mensalão”.

Logo após esta declaração, quando se esperava que tudo estaria terminado o Celso de Melo, votou a favor dos embargos infringentes (vejam no Google o que isto significa, e não me sacrifiquem) e tudo parecia ter sido jogado para as calendas gregas.

Esta semana, o STF resolveu mandar 12 dos réus para a cadeia. Como o voto favorável do Celso de Melo. Quem sou eu para duvidar do ministro. Com a justiça eu já tenho os meus problemas. Mas, digo, o filme é engraçado pelas músicas escolhidas pelos produtores e pelas fotos.

É uma pena, como soe sempre acontecer, que o filme não abarca nunca os últimos acontecimentos. As declarações de alguns réus seriam de morrer de rir, mas a que mais achei engraçada foi a do Genoíno com o punho cerrado gritando “Viva o PT”. Realmente, ficou difícil de entender, e por isso a graça, o que ele estava querendo viver com a frase. Aliás, o Brasil se encheu de humor com a prisão dos mensaleiros, devido ao número de charges que apareceram a respeito.

As charges que usamos para ilustrar esta postagem é de um pernambucano e saiu no Diário de Pernambuco, e mostra a preocupação de Lula com a declaração do Genoíno. Então causou preocupação, embora eu não saiba ainda o porquê.

O tema de ontem nos telejornais foi a fuga de um dos réus. Ele resolveu aguardar ser levado debaixo de vara, como declara no filme o Ministro Marco Aurélio, mas, lá na Itália, talvez rezando lá no Vaticano e dizendo ao Papa Francisco que não sabia de nada, como aqui virou moda.

O processo não terminou ainda mas, começou, pelo menos a dar alguns resultados. No dizer do Ministro Gilmar Mendes, como o processo anda em círculo, vamos “abrir a roda e enlarguecer” para incluir outros e outros corruptos.

E corrupção não para, nem no filme e nem na realidade. Fiscais da prefeitura paulistana foram pegos com a mão na botija e a coisa anda feia por lá. Um dos secretários de confiança do prefeito e até muito amigo do pré-canditado ao governo de São Paulo, já se escafedeu, segundo o prefeito para melhor se defender. Sei não, chegou a um ponto que se todos os corruptos tomarem a mesma atitude, o Brasil vai ficar, com as honrosas exceções, sem funcionários públicos. Não dá para sorrir.

Finalmente, o filme alega que o tal de Marco Civil da Internet vai tornar mais caro o uso da internet no Brasil. Nós da A Gazeta Digital vamos ter que encontrar patrocinadores que nos paguem em reais, e não só Jesus, Maria e José (a Sagrada Família), que nos protege, mas, só nos paga em graça divina.

Fiquem com o resumo do roteiro pelos produtores do UOL, e depois vejam o filme e se esforcem para rir, como eu fiz.

“O STF determinou que os condenados do caso do mensalão devem cumprir as sentenças sem recursos, e alguns já se apresentaram à polícia. Será o fim do julgamento? Já em São Paulo, o principal secretário do prefeito Fernando Haddad se afastou do cargo após seu nome aparecer nas investigações sobre esquema de corrupção envolvendo construtoras. Para fechar, deputados falam sobre o marco civil da internet.”


sábado, 16 de novembro de 2013

'Prisonium quae sera tamem'




Por Zezinho de Caetés

Eu não me canso de transcrever aqui o imortal Merval Pereira. Desta vez o título dele diz tudo: “Vitória da Justiça” (O Globo de 14/11/2013), onde ele enfoca a decisão do dia anterior sobre a prisão dos mensaleiros. Em seu livro “O Mensalão”, que li de cabo a rabo, ele o termina com a seguinte frase: “No atual estágio em que nos encontramos, é sintomático, porém, que o povo tenha escolhido seu herói entre os ministros do Supremo, enquanto os militantes partidários tentam em vão transformar em heróis alguns dos réus condenados.”

Esta frase foi dita antes da decepção do Brasil todo com a aceitação dos embargos infringentes, onde o povo brasileiro escolheu o seu vilão ministro do Supremo e os militantes partidários comemoram a vitória dos seus heróis. Ontem, sem entender muito de tecnicalidades jurídicas, vi o programa e deu para entender que  o povo brasileiro voltou ao herói anterior, o Joaquim Barbosa, que levou a corte a fazer justiça, mesmo só durante à noite.

Ver o Zé Dirceu entrando numa cadeia, algemado, mesmo que seja só à noite, já é uma catarse pelo povo brasileiro, povo sofrido e enganado pela propaganda governamental. E eu renovo o otimismo que um dia a justiça será feita por completo, inclusive com a inclusão do maior organizador do mensalão que foi, segundo o Marcos Valério, o Lula.

A nota normal ontem foi o Ministro Lewandowski. Como ele já sabe que todos sabem que ele não é ministro, mas, um advogado dos réus políticos, ele nem mais se acanha do que diz e do que faz, mais uma vez chamado de chicaneiro pelos seus pares, que ontem não caíram em sua conversa e mandaram prender os réus por unanimidade. Seguindo lema da bandeira mineira de “Libertas quae sera tamem” eu digo “Prisonium quae sera tamem”.

E agora fiquem com o imortal Merval Pereira, que eu vou ficar esperando as fotos dos petistas regiamente paramentados com as algemas, entrando em fila da Papuda. E que nosssa Justiça continue fazendo justiça, seja para pobre ou para rico, para poderosos ou despoderados. Foi um dia histórico.

“A tese do relator Joaquim Barbosa de que os crimes são autônomos e, portanto, podem ter o trânsito em julgado decretado separadamente evitou que as manobras protelatórias da defesa tivessem efeito prático.

Apesar das divergências, e da confusão de conceitos que provocou discussões disparatadas, prevaleceu o sentido principal da decisão do relator Joaquim Barbosa, que é a de executar as penas dos condenados.

É importante ressaltar que a decisão de ontem demonstrou que a votação que resultou na aceitação dos embargos infringentes, que parecia ser uma sinalização de que o plenário do STF estaria se orientando por uma posição mais condescendente com os condenados, foi apenas uma opção técnica da maioria dos ministros, que nada teve a ver com a tendência de postergar a execução das penas.

O ministro Luís Roberto Barroso, o primeiro a votar, pelo contrário, defendeu a tese de que não era mais possível aceitar manobras protelatórias para evitar o cumprimento das penas, como foram considerados ontem os embargos de declaração dos embargos de declaração.

Assim como, ao votar a favor dos embargos infringentes, Barroso chamou a atenção para o fato de que a condenação estava dada e que a nova análise dos embargos infringentes não impediria que ela se realizasse, ontem ele também chamou a atenção de que o cumprimento imediato das penas poderia ser até benéfico ao condenado, já que a pena poderá ser reduzida no final.

Aceitar a tese de fatiamento das penas, inclusive, como ressaltou o ministro Teori Zavascki, porque a prescrição das penas vale para cada crime separadamente, foi uma demonstração de que a Corte não estava a fim de manobrar para adiar a execução das penas.

Essa interpretação, que teve antecedentes no STF mais ligados a processos cíveis e não criminais, foi aceita pela maioria sem grandes polêmicas, não tendo repercussão a tentativa do ministro Ricardo Lewandowski de adiar a decisão, alegando que o pedido do procurador-geral da República, Ricardo Janot, de executar as penas mesmo daqueles réus que ainda têm embargos infringentes a serem julgados criava um fato novo que precisava ser analisada pelas defesas dos condenados.

O ministro Joaquim Barbosa, ao mandar juntar aos autos o parecer do Ministério Público, deu margem a essa tentativa de manobra. Tudo indica que ele achou que o pedido de Janot reforçava a sua decisão, mas, ao contrário, ele quase adiou a decisão.

Não acredito na teoria conspiratória de que Janot entrou com seu parecer na noite de terça-feira apenas para dar margem a essa manobra de adiamento da execução das penas.

O fato de que o ex-ministro José Dirceu cumprirá inicialmente pena em regime semiaberto, até que se julgue novamente o crime de formação de quadrilha, não tem maior significado, pois a punição está dada e seria apenas uma vingança política, e não justiça, só aceitar que ele seja condenado à prisão fechada.

O inacreditável mesmo foi a confusão que os próprios ministros fizeram em relação à decisão, pois passaram boa parte da sessão discutindo uma questão que não estava em jogo. O presidente Joaquim Barbosa se irritou, fez um discurso, chamou de chicana a manobra que ele enxergava, mas que na realidade não existia.

Ele achou que o ministro Zavascki estava tentando impedir que os condenados que ainda tenham embargos infringentes tivessem suas penas executadas, quando, na verdade, ele se referia apenas àqueles condenados que tiveram os embargos infringentes recusados ontem pelo ministro Joaquim Barbosa.


No final, a confusão era tão grande que cada ministro teve que repetir seus votos. Mas a decisão sobre a execução imediata das penas foi tomada por unanimidade.”