Em manutenção!!!

sábado, 18 de junho de 2016

A HECATOMBE COMO THEATRO




Por Altamir Pinheiro

A hecatombe de Garanhuns poderia e deveria ser transformada, em seu centenário, numa peça de THEATRO, antes que as cortinas se fechem e a peça termine com vaias ou sem aplausos... Só assim, a tragédia política da terra de Simôa, no campo da dramaturgia,   teria uma história chamada somente  sua!!! Seguindo essa linha de raciocínio gostaria de afirmar que, este humilde escriba que ora vos fala ou escreve, não é nem muito menos tem tendência para ser um roteirista ou até mesmo  um produtor de peça teatral, mas entende que, cairia muito bem transformar a tragédia da HECATOMBE DE GARANHUNS, em seu centenário, numa pujante e fatal peça teatral, com atrizes e atores locais, donde, seus atos e cenas, perfizessem os caminhos personificados e simbolizados nas imposições políticas da época, sendo determinadas pelas "leis humanas" do arbítrio, acontecido naquele mortífero janeiro de 1917.  A finalidade dessa obra trágica seria justamente combater as duas posições extremistas, punindo ambas por não buscarem um acordo e desejarem prevalecer uma sobre a outra. Ou seja, o poder pelo poder, na marra!!!

Até onde se sabe ou se tem pesquisado, a dramaturgia e a própria  história do THEATRO remonta desde a Grécia antiga, na qual a representação teatral era concebida como a principal atividade artística e,  lendo-se sobre o assunto, chegamos a conclusão ou um raciocínio simplificado que, encenavam-se peças, em especial as TRAGÉDIAS, cujo intuito era conduzir o expectador ou  a plateia a se sentir provocada, mas, evidentemente, de forma controlada, o despertar de emoções contidas e omitidas, que precisam ser manifestadas e expostas, para a liberação de bloqueios emocionais, uma espécie de purificação da alma, dada pela liberação das emoções que provocaria aos presentes, advinda de um script de cenas fortes de um espetáculo teatral baseado na montagem tendo como pano de fundo FATALIDADES na forma e contorno  da carnificina feito a ocorrida em  1917. 

Alguém pode pensar que um projeto relativamente simples, porém dispendioso, financeiramente falando,  tem como objetivo transformar idéias e aspirações em ações concretas que possam aproveitar oportunidades, solucionar problemas, atender a necessidades ou satisfazer desejos. NADA DISSO!!! Primordialmente, a peça em seu bojo, traria como prioridade absoluta, um projeto  cultural  que  tem por objetivo, A CURTO PRAZO,  atingir ou ter como escopo e mira  dados específicos que seria retratar através de uma montagem de peça teatral um espetáculo que diz respeito, especificamente e, tão somente, a população de Garanhuns. E, OUTRA: sem fins lucrativos, claro!!! fica evidenciado que, ao se especificar a meta de um projeto, deve-se buscar respostas para as questões: para que? e para quem? E qual a  importância e benefícios que  serão alcançados pelo público-alvo do projeto em si?!?!?! Apenas marcar a data. Afinal, não é toda dia que  se completa 100 anos...

Quem poderia  PATROCINAR, BANCAR, FINANCIAR,  uma atividade de pequeno porte como esta?!?!?! A prefeitura do município, Empresa tipo Ferreira Costa (através da Lei Rouanet), e outras alternativas que poderão surgir  através de  elaboração de um orçamento que fosse apresentado pela equipe responsável  com  a previsão e o controle dos gastos que o projeto terá. Nessa perspectiva, responde à questão: quanto? E como diminuir os custos?!?!?! O orçamento deve servir como um resumo financeiro do projeto no qual se indica quanto será gasto para sua realização e como. É uma ferramenta importante na gestão do projeto para o acompanhamento das despesas previstas e realizadas. Geralmente, poderia agruparem-se os custos em blocos de despesas amenas, como fornecimento gratuito por alguma entidade de  material de consumo; ter uma equipe administrativa sem fins remuneratórios;  conseguir pelo 0800, serviços de terceiros; cachês baratos dos atores amadores; conseguir baratear o aluguel de equipamentos, alimentação e  transporte;  instalações e infra-estrutura, entre outros. Isso facilitaria a organização e o controle dos gastos.

No que diz respeito aos cenários e vestimentas que encarecem e muito a montagem do espetáculo, que tal jogar a responsabilidade em cima da prefeitura, das secretarias de cultura, turismo e obras, como também  da comissão memorial do centenário?!?!?! Todo esse pessoal, conjuntamente,  procurariam com aval do prefeito a REDE GLOBO NORDESTE para ver se ela forneceria os trajes típicos da época do seu vasto guarda-roupas, principalmente os trajes femininos e demais utensílios que remontam do começo do Século XX. Apetrechos estes, que  a REDE GLOBO poderia muito bem fornecer a título de empréstimo temporário, depois teria sua   devida devolução. E MAIS: Que tal a prefeitura patrocinar o relançamento do livros OS SITIADOS(Hecatombe de Garanhuns), haver uma campanha maciça de divulgação de vendas por preços módicos e toda a renda ser dividida entre o autor do livro, e outra porcentagem das vendas formar caixa do projeto em curso?!


É difícil, mas não  impossível!!! Porém, existem uma parafernália de opções, como mais alguns   exemplos, a começar por:   investimento do poder público em cultura que pode ser feito pela instância federal, estadual ou municipal. Haja vista que cada uma delas tem mecanismos próprios de atuação, as chamadas leis de incentivo à cultura; formação de convênios com organizações da sociedade civil; apresentar o projeto para pessoas físicas e jurídicas que possam repassar ao projeto parte do imposto devido. Ou então, conseguir, com os meios de comunicação local, através de uma campanha de divulgação em massa uma fonte possível de captação de recursos tanto de pessoas individuais como da comunidade ou grupos como um todo. Zebra é se aparecer pretextos ou motivos de, falta de tempo, perda de tempo, falta de métodos ou desculpas esfarrapadas cheias de má vontade e de pessimismo. Aliás, QUANDO A GENTE NÃO QUER... QUALQUER DESCULPA, SERVE!!!

sexta-feira, 17 de junho de 2016

José Eduardo Cardoso e o Tô Masturbando Bustamante




Por Zezinho de Caetés

Como vocês sabem, uma grande diversão para quem gosta de política, em todas as suas acepções, a Comissão Especial do Impeachment (CEI) está mais para a coluna do Zé Carlos, que ele diz ser de humor, do que para meus textos que reputo de sérios. Porém, ontem foi realmente delicioso ver o JECa, como é chamado aqui o ex-tudo José Eduardo Cardoso, advogado da ex-presidenta, pago com nosso dinheirinho, pela aética quarentena, a que fazem jus os decaídos, nos levar a escrever de forma jocosa.

Eu sempre tentei acompanhar a fala do JECa, e ficava pensando como sua cabeça era capaz de levar a expelir pela boca tanta coisa, que quando eu entendia alguma, era uma bobagem ou uma tentativa de levar o julgamento da ex-presidenta para as calendas gregas. O homem parece dar nó em pingo d’água aproveitando a plateia leiga na área jurídica, embora não conseguiu convencer ninguém até agora de que a Dilma é inocente. E pelo jeito, quanto mais ele fala, vai conquistando adeptos, como o Romário, por exemplo, para ser a favor do impeachment.

Certamente, o nosso eterno camisa 11 deve ter pensado: “Como vou votar no que alguém que eu não entendo recomenda? Se pelo menos fizesse como o senador José Medeiros que faz metáforas futebolísticas!”. Não tem jeito, e depois da sessão de ontem, quando ele falar eu começarei a rir.

Explico: O ex-tudo JECa, ao citar juristas que defendiam determinada tese para contraditar à acusação, Janaína Pascoal, nomeou várias personalidades do ramo, entre eles Tomás Turbando Bustamante, sem verificar que foi vítima de uma troça, talvez de sua própria equipe, ao colocar o terrível cacófato em seu texto. Só depois eu li na mídia que existe um professor em Minas Gerais com um nome parecido, como nos conta o Reinaldo Azevedo em seu blog:

“E o José Eduardo Cardozo, hein, ex-ministro da Justiça, ex-advogado-geral da União e professor de direito? Nesta quinta, ele resolveu ter uma de suas robustas performances na Comissão do Impeachment do Senado.

Ao contestar a professora Janaina Paschoal, uma das signatárias da denúncia contra Dilma, o petista citou nomes de juristas ilustres que dizem que Dilma é inocente.

E eis que, entre os doutores que não veem crime de responsabilidade, estava o professor “Tomás Turbando Bustamante”. Vale dizer: quem preparou o papel para Cardozo caiu numa piadinha velha. E ele nem percebeu. Assistam ao vídeo [Ao invés de colocar o vídeo do Reinaldo coloco outro que vi no You Tube muito mais esclarecedor da gafe do JECa]:


Pois é…

O Tomás Turbante é primo do Rolando Caio da Rocha e cunhado do Caio Pinto. Escreveu um livro em parceria com Eude Costa.

Bem, como esquecer que um dos investigados do mensalão se chamava Jacinto Lamas? Mais famoso do que ele, só um outro estudioso do direito chamado Jacinto Aquino Rego.

Sempre achei que Zé Eduardo, com a sua afoiteza, ainda acabaria dando bom-dia a cavalo.

Aconteceu.”

Agora, depois desta preciosa gafe, em que que o JECa revela o que está fazendo em casa com o Bustamante, fica difícil assistir às sessões da CEI sem rir ou até morrer de rir como os leitores do Zé Carlos, como eu.

Mas, quem acompanha a performance de Vanessa Graidiotin, Gleisi Hoffman, Lindberg Farias e Fátima Bezerra, já está habituado a emoções fortes. Se não morrer de rir morre de raiva. Vade retro!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Como seria uma delação do Lula ou da Dilma?




Por Zezinho de Caetés

Como dizia o Odorico Paraguassu, de saudosa memória: “É com alma lavada e enxaguada” de vergonha que vejo surgir mais delações a cada dia que passa, mostrando como se faz política neste Brasil. Havia uma cantiga infantil em minha, hoje, longínqua Caetés que começava: “Pai Francisco entrou na roda, levando o seu violão...” (vejam lá embaixo a cantiga no vídeo).

Parodiando, hoje se cantar-se-ia assim: “Michel Temer entrou na roda, levando a corrupção...”. Mas, é bom se dizer que com o levantamento do sigilo da delação do  que chamam de Juruna Machado, não seria só o Termer que serviria para fazer paródia. Hoje tem tanta gente enrolada que daria para fazer várias rodas ao redor das fogueiras juninas. Até Marina viria de vestidinho de chita.

Mas, enquanto eu comparo os fatos com cantigas de roda, o Josias de Souza aproveita o próprio Sérgio Machado, usando uma coisa mais adulta para fazer comparações, no texto abaixo transcrito, que usa como título uma frase do maior delator do Brasil, até agora: “A madame mais honesta dos cabarés do Brasil”, referindo à Petrobrás e tentando dizer que em relação a outras fontes de propinas, a Petrocabaré é uma senhora recatada e do lar.

É muito difícil de saber até onde irão as delações, e eu fico pensando se o Cunha for preso e resolver delatar, o que ele poderia dizer? Ficaria algum congressista de fora ou todos entrariam na roda com o Pai Francisco? E, se o Lula, ao contrário de Dirceu, quando for preso, resolver delatar? Eu já digo que, se ele disser que roubava frutas comigo lá pelos sítios de Caetés, é mentira, e que não me lembro de ter andado como ele na época.

No entanto, se o Lula resolver delatar, o Sérgio Moro não aceitará o acordo de delação se ele só incluir políticos do Brasil. Só fechará o acordo se ele entrar logo falando de figuras internacionais, como por exemplo, dizendo quanto o Obama levou para dizer que ele era o “cara”. Ou, dizer que o Papa Francisco deve a eleição ao dinheiro da OAS e Odebrecht. Ou seja, se houver uma delação do Lula, como diria o Galvão Bueno: “Acabou, acabou...”. Não vai ter mais tornozeleira eletrônica para ninguém.

Eu penso, ser por isso que a ex-presidenta e Lula estão disputando quem vai ser preso primeiro. Pois ambos sabem das mesmas coisas e falcatruas ocorridas em seus governos, pois como é sabido a Dilma era o Lula de saias, com mais neurônios, sem ofensa as mulheres. Já pensou ambos numa sala fazendo delação premiada simultânea? A frase mais ouvida seria: “Foi você!!!!”. E deixaria o Moro na maior indecisão. O que não seria bom para a operação lava jato.

No entanto, pela história, como conta o Tuma Jr., Lula nunca foi delator, ele era apenas informante do Golbery, e Dilma pelo que se sabe, não delator ninguém durante o período que ela diz ter sido torturada. Talvez, o Sérgio Moro, esperto como quê, os convença de que eles não irão delator e sim apenas informar, em troca de uma tornozeleira eletrônica, se o papel do “Bessias” era verdadeiro ou falso.

Agora fiquem com o Josias de Souza, para os detalhes que envolve a Petrocabaré. Depois, vejam o vídeo e concluam se o Aécio também entrou na roda.

“O delator Sérgio Machado prestou 13 depoimentos à força-tarefa brasiliense da Lava Jato. Transcritas, suas revelações encheram 400 páginas. Cobrem de Temer a Aécio. Certos trechos só deveriam ser exibidos na tevê depois da meia noite. E vendidos em jornais envoltos em sacos plásticos. A política, como se sabe, é a segunda profissão mais antiga do mundo. Mas o ex-presidente da Transpetro demonstrou que, no Brasil, ela se parece muito com a primeira.

A certa altura, Machado referiu-se à Petrobras como “a madame mais honesta dos cabarés do Brasil''. Os inquiridores estranharam. E o depoente: “Era um organismo estatal bastante regulamentado e disciplinado''. A perver$ão é maior noutros órgãos, onde vigoram “práticas menos ortodoxas''. Machado empilhou exemplos: Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Docas, Banco do Nordeste, Fundação Nacional de Saúde, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, Departamento Nacional de Obras Contra as Secas…

Lendo-se os depoimentos de Machado, percebe-se que a suruba estatal dos dias atuais é muito parecida com a de antigamente. A diferença é que o PT, ao deixar a história para cair na vida, esforçou-se demais para demonstrar que não estava imune às tentações alheias. Entregou-se com tal volúpia aos prazeres do poder despudorado, que expandiu demais a orgia e esqueceu de fechar a janela. Adorou as alianças esdrúxulas. E percebeu que a volta às origens, além de indesejada, era impossível. Castidade, como a virgindade, não dá segunda safra.

Noves fora a diferença de escala, o ex-tucano Sérgio Machado disse que desde 1946 havia um padrão segundo o qual os empresários incorporavam em seus orçamentos um certo “custo político” —eufemismo para o ‘por fora’, o ‘quanto eu levo nisso?’. Variava conforme o ente da federação: 3% do valor dos contratos firmados com o governo federal, 5% a 10% nos negócios fechados com governos estaduais e 30% nas transações municipais.

Nos bordeis do Estado, pratica-se a suruba às avessas. A Viúva paga para ser violada. Se a Petrobras é “a madame mais honesta”, imagine-se o que sucede nos outros cabarés. Machado disse ter repassado propinas a 23 políticos de seis partidos. Apenas para os pajés do PMDB, sua tribo, entregou mais de R$ 100 milhões durante os 12 anos em que presidiu o balcão da Transpetro.

Sob Machado, “madame” era especialmente dadivosa com seus padrinhos do PMDB do Senado: Renan (R$ 32 milhões), Lobão (R$ 24 milhões), Jucá (R$ 21 milhões), Sarney (R$ 18 milhões), Jáder (R$ 4,2 milhões)… No cabaré gerido por Machado, Renan tinha tratamento diferenciado. Chegou a morder uma mesada de R$ 300 mil. Em anos eleitorais, a cifra engordava.

Dilma não respeita delatores. Lula adomina vazamentos. Mas o petismo adorou a veiculação dos depoimentos de Sérgio Machado. Gostou especialmente do trecho em que ele contou que Michel Temer lhe pediu R$ 1,5 milhão em verbas de má origem, para a campanha paulistana de Gabriel Chalita, em 2012. “É a reversão do impeachment”, celebrou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), como se nada tivesse sido descoberto sobre o partido dele.

Se a Lava Jato ensinou alguma coisa foi o seguinte: quem tem telhado de vidro não deve criticar a permissividade do cabaré do lado. Vem daí o silêncio da banda muda do Congresso, que convive com Cunhas, Renans, Jucás, Jáderes e dezenas de etcéteras que privaram do prazer grupal propiciado pela “madame mais honesta dos cabarés do Brasil.” A política brasileira sobrevive porque não presta atenção às suas impossibilidades. Nesse meio, a desonestidade deixou de ser exceção. Tornou-se um estilo de vida.”


A HECATOMBE DO TABU




Por Altamir Pinheiro

Etimologicamente falando, a palavra  TABU é algo sagrado, especial, perigoso ou pouco limpo. Quanto à HECATOMBE DE GARANHUNS, em tempos remotos, também poderíamos tratá-la, como ALGO sagrado, misterioso, especial, perigoso ou pouco limpo...  Afinal, durante dezenas de anos a chacina política de 1917 foi considerada assunto tabu nas rodas de conversas familiares em nossa arcaica  e antiquada sociedade. Tema inviolável; conversa sagrada; A hecatombe era ou foi constituída no imaginário daquela conservadora sociedade, um MALFEITO  pouco limpo  porque supostamente trazia ou fazia  mal a uma pessoa, a um grupo ou até mesmo e, principalmente, a determinadas castas  genealógicas que compunham a sociedade garanhuense da época!!!

POIS BEM!!! Costumeiramente se diz que a vingança é o alimento da dor. Não é à toa que, a vingança fez de uma crise familiar uma "guerra civil". Foi justamente o que aconteceu com a propalada Hecatombe de Garanhuns!!! Só para se ter uma ideia, vamos pegar uma carona e bebericar somente um aperitivo de um trecho do livro OS SITIADOS(Hecatombe de Garanhuns), do escritor Garanhuense Cláudio Gonçalves de Lima que na trama era um jornalista de páginas policiais.  EI-LA: "Na cadeia, as cenas eram de desespero. As esposas, em histerismo, cabelos em desalinho, choravam com os órfãos a perda irreparável do marido; abraçados, as lágrimas caiam as bagas em meio a todo sofrimento, o desespero rolava na face de cada um. Eram imagens terríveis para o repórter, que embora acostumado desde muito as graves comoções e perversidades, jamais presenciara tamanha tragédia. Naquele dia o destino lhe reservou ser marcado por tão tristes acontecimentos".

Muito se falou, através de cochichos,  das vinganças malignas  e de pura selvageria ocorridas durante muito tempo logo após o acontecido. Por isto, o assunto era motivo de tabu!!! Até porque, depois de mais de 20 anos, a última vingança, o último protagonista que fez parte daquela matança na cadeia, tombou sem vida, já bastante idoso, na cidade de Propriá, Estado de Sergipe, conforme nos conta o excelente livro, "ANATOMIA DE UMA TRAGÉDIA: A Hecatombe de Garanhuns", do ótimo escritor Mário Márcio de Almeida Santos que morreu recentemente, há pouco mais de um ano quando residia no Bairro de Casa Forte no Recife. Também tivemos vários escritores que trataram do citado episódio, como:   Alfredo Leite Cavalcanti, Luiz Souto Dourado, Alberto da Silva Rego e até um  cordel do nosso querido Gonzaga de Garanhuns sobre a chacina, como também  as memórias de Luiz Jardim, que teve o seu pai morto na vingança da morte de Júlio Brasileiro, Luiz Inácio Jardim(considerado um dos maiores romancistas do Brasil), que depois da carnificina partiu para Recife, aos 16 anos de idade, de lá foi embora  para o Rio de Janeiro e nunca mais, em vida,  voltou à sua terra natal!!!

Nos idos de 2004, O então jornal  CORREIO SETE COLINAS(que lamentavelmente deixou de circular há poucos anos),  fez uma precisa referência ao episódio, quando o jornalista Roberto Almeida assim o descreveu em um pequeno trecho: "A hecatombe é um capítulo negro na história de Garanhuns, um fato que vitimou muitos inocentes, como o heroico cabo Cobrinha, que morreu tentando proteger as famílias guardadas na cadeia pública. Depois dos assassinatos cometidos pelos partidários do coronel Vila Nova, muitas pessoas envolvidas nesses crimes também foram mortas e durante muito tempo o município teve de conviver com a guerra provocada pelo gesto solitário de Sales Vila Nova".


Partindo-se do princípio que a luta do poder político em Garanhuns descambou para uma afamada hecatombe, ocorrida através de uma tomada de poder à bala, que por tabela  transformou-se  num sentimento de vingança, conclui-se que: como afirmam os mais antigos, donde,  para uma satisfação momentânea, busca-se a vingança; porém, para uma felicidade duradoura, empenha-se através  do perdão... Mas, afinal de contas, quais das famílias envolvidas naquela tragédia sangrenta saíram  vencedoras?!?!?! NENHUMA!!! Pois, já dizia Confúcio que,  antes de embarcar em uma vingança, cave duas covas...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Dilma e Cunha no abraço de afogados





Por Zezinho de Caetés

Ontem fui ver, como bom cidadão, a reunião do Conselho de Ética. E como já se sabia do resultado, que seria de 11 x 10 para o Eduardo Cunha, eu nem estava mais interessado a não ser ficar ouvindo as brigas éticas tipo “vossa excelência é um filho da....” ou “vossa excelência não tem vergonha na cara”. Era um horror.

E a votação foi em frente depois da defesa de Cunha desafiar que o Conselho mostrasse o número da conta bancária do seu representado, e nome do banco, pois isto era que estava sendo julgado. No entanto, havia um Tia Eron no meio do caminho e um outro deputado que, segundo Cunha, são os “silvérios”, que, de virada, fizeram o deputado ser cassado, no Conselho, não precisando nem o endereço do banco.

Então, naquela aflição misturada com alegria, lembrei do processo de impeachment da Dilma, onde a defesa tem a mesma conversa. A ex-presidenta, não tão inocenta, pode até ter atropelado um pedestre em suas “bicicletadas” diárias, mas, se isto ocorreu em 31 de dezembro de 2014, não entra no processo, porque só os crimes que ela cometeu em 2015 é que valem.

Então tive a ideia de escrever sobre as semelhanças de ambos políticos, Cunha e Dilma, a começar pelo fato de que, nem que chova canivetes eles voltarão à política depois de serem julgados.

No entanto, parei de pensar nesta comparação quando encontrei um texto da Miriam Leitão, no O Globo (“Dois destinos”), onde ela já faz, com mais maestria e sabedoria esta comparação. Eu o transcrevo abaixo, mesmo frustrado por perder um assunto de tamanha importância.

Só me resta agora procurar em minha cabeça algumas diferenças entre eles, e nos seus respectivos julgamentos. Por exemplo, na comissão de impeachment não temos a Tia Eron e no Conselho de Ética não temos a Gleisi Hoffman, nem a Vanessa Graidiotin e nem a Fátima Bezerra. Talvez, a Dilma tivesse uma chance de escapar do impeachment se a Tia Eron trocasse de lugar com alguma delas.

Digo isto porque, se algum marciano assistisse à sessão da Comissão de Impeachment e ouvisse uma das três componentes do “Quinteto Abilolado” falando, pensaria logo que elas estariam ali para não deixarem, de jeito nenhum, que se votasse a favor da ex-presidente. Com umas defensoras destas, ela nem precisaria nem da Janaína Pascoal para condená-la.. Coitada!

Mas chega de diferenças e vamos ficar com a Míriam, que mostra as semelhanças, e conclui sabiamente: “O fim mais provável desse processo é o deputado cassado e a presidente sofrendo impeachment.” E que Santo Antônio, São João e São Pedro, a ouça.

“Eduardo Cunha e Dilma Rousseff são agora iguais nas derrotas. Ela perdeu na admissibilidade do processo de impeachment e hoje é a presidente afastada. Ele, suspenso pelo STF, acaba de sofrer uma derrota decisiva entre seus pares e está a caminho da cassação. O curioso é a semelhança das linhas de defesa dos dois líderes, que se odeiam tanto.

No Conselho de Ética, se votava uma questão específica e não o conjunto da obra. Os apoiadores de Cunha exigiam que se ficasse apenas nisso: se ele mentiu ou não mentiu, ao dizer que não tinha contas no exterior? No julgamento de Dilma, seus apoiadores querem limitar os debates na Comissão do Impeachment a alguns pontos específicos. O advogado de Cunha argumentou que ele estava sendo acusado sem prova. Exatamente o que dizem os defensores da presidente Dilma. A defesa de Cunha afirmou que o Conselho de Ética havia se transformado em um tribunal de exceção. É a mesma expressão repetida, com frequência, na Comissão de Impeachment. Os defensores de Cunha e de Dilma gostam de desafiar seus adversários, pedindo que eles apontem “um único ato” que prove a acusação. E, nos dois casos, existem abundantes atos.

Foi um caminho tortuoso e cansativo o que chegou ontem ao fim com a vitória do bom senso: o Conselho de Ética aprovou o parecer do deputado Marcos Rogério pela cassação do deputado Eduardo Cunha. A lógica da política, que faz com que os líderes enfraquecidos sejam abandonados, levará Cunha a ter outras derrotas. Cunha já havia preparado o Plano B com a batalha na CCJ. Mas ele dificilmente conseguirá manter suas manipulações, como fez nos últimos oito meses no Conselho de Ética.

O voto da deputada Tia Eron era o mais aguardado porque ela não o revelara. O cálculo que se fazia antes é que se ela votasse contra Cunha haveria empate. O desempate então ficaria a cargo do presidente da Comissão José Carlos Araújo, favorável à cassação. Mas o mais surpreendente foi o voto do deputado Wladimir Costa. Ele inovou ao encaminhar contra o parecer e votar a favor. O presidente nem precisou votar.

Esse episódio todo desgastou e enfraqueceu a Câmara. Ela vive a crise mais grave da sua história, sendo presidida por um preposto de Cunha que não consegue se manter no comando de uma sessão. O deputado Eduardo Cunha fez as mais maquiavélicas manobras para evitar o dia de ontem, de votação e derrota no Conselho de Ética. Todas as vezes que teve vitórias parciais, foi a instituição que pareceu fraca, a ponto de se dobrar à vontade de apenas um homem.

Os apoiadores de Eduardo Cunha conseguiram que o documento emitido pelo Banco Central, informando que ele estava sendo punido por multa de R$ 1,1 milhão, por ter ele e sua mulher contas não declaradas no exterior, não fosse anexado ao relatório julgado ontem no Conselho de Ética. Da mesma forma que os apoiadores de Dilma Rousseff brigaram para evitar que as delações do senador Delcídio Amaral, ou as pedaladas de 2014, fossem incluídas no relatório que vai a julgamento.

Hoje, o TCU vai começar a analisar as contas da presidente Dilma de 2015 e se elas forem reprovadas também não haverá mais desculpas. Antes que o TCU decida sobre as contas, no entanto, o plenário do Senado votará pelo fim, ou não, do mandato de Dilma. No caso de Cunha, a autoridade monetária já havia informado, após auditoria, que acima de “qualquer dúvida razoável” o deputado Eduardo Cunha tem contas no exterior. A palavra do BC só confirma todos os outros indícios exibidos fartamente nos últimos meses de envolvimento do deputado Cunha com as propinas pagas pelo esquema da Petrobras.


Os defensores de Dilma continuam dizendo que não há qualquer indício de benefício pessoal dela com o esquema investigado pela Lava-Jato. E de fato, nesse ponto, os dois se distanciam. Cunha teve seus gastos extravagantes pagos com dinheiro sujo despejado diretamente em suas contas. Por outro lado, não há qualquer sombra de dinheiro indo para contas pessoais de Dilma. A questão é que a presidente está cercada de beneficiados e dinheiro do esquema foi parar na sua campanha. O fim mais provável desse processo é o deputado cassado e a presidente sofrendo impeachment.”