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terça-feira, 14 de abril de 2015

BOCA DE PRAGA




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho


Era e ainda é costume das pessoas quando estão com raiva de alguém soltar dizeres que a “pessoa é azarenta”, que supostamente faz “maus presságios” que acabam por se converter em realidade. Em nosso interior, principalmente no meu querido Bom Conselho, quando pequeno, morava na Rua do Caborje, quando qualquer coisa rogava-se praga, mesmo na brincadeira, dizia-se “filho desça já daí, você vai cair” ou “Se botar este pedaço todo na boca você vai se engasgar” “Você vai ser atropelado”, “vai levar um coice de burro”, “você vai se afogar no açude da Nação” e assim por diante, era uma advertência que muitas das vezes tomava-se como verdadeira, e às vezes acontecia o que se dizia “bem feito, não te avisei” ou “boca de praga” dizia a pessoa afetada.  Mas conta-se – “Duas senhoras moravam na mesma rua. Eram amigas, amicíssima. Todos os dias estavam sentados na calçada para botar a conversa em dia falando da vida alheia, bisbilhotando o que se passava ao seu redor. Ria com os comentários. Cala boca mulher! Só nós sabemos e aqui fica entre nós. Não diz a ninguém, viu! Oxente mulher eu sou de fofoca apenas conversamos o que se comenta na rua. Ninguém escapava da língua ferina destas duas senhoras. Por razões de brigas de filhos, elas se intrigaram. Não mais se falavam. Soltavam pragas uma com a outra. Dona Aurora era mais escandalosa, sempre soltava praga para sua ex-amiga – “esta baixinha ainda vai virar um palito”, dizia ela pra a outra. Verinha dava um bochecho e sai de nariz empinado “e tu vai virar uma gorducha que ninguém te quer”. O teu marido vai arranjar outra, tu vai ver gorducha de uma figa. Você vai se lascar, pois vai ficar tisica. E tu mulher vai estourar de gorda, ei de ver a gordura estourando por todos os lados. E não tem cura são caixão e vela preta! Cada dia uma para outra desejava o que não presta, mesmo em pensamentos com os olhos maus de quem não quer nada mais há não ser a desgraça da outra e sorrir depois, - eu não disse que tu ias virar um palito! Estás vendo cada dia perde um quilo e vais ficar rouca. E tu esta engordando vê a tua barriga crescendo, os peitos caídos e bochechas na cara, é pressagio e eu não erro nunca na minha previsão, tu vais ver! Vais morrer logo e eu vou sorrir acompanhando o teu enterro. Vou colocar um cacho de “cravo de defunto” em tuas mãos frias e brancas e jogar um punhado de terra no teu caixão no cemitério. A briga continuava até que o Padre da comunidade soube desta rixa, pois as duas pertenciam ao Apostolado da Oração do Coração de Jesus Chamou-as em sua casa as duas senhoras para ouvir o que elas tinham a dizer – soltar praga ou desejar mal para outra é pecado grave, a alma não se salva e irão para o inferno. Numa tarde de sexta feira, as duas foram à residência do padre. Uma atrás da outra sem se olharem. Bateram na porta e entraram e o sacerdote já estava as esperando sentado em uma cadeira no terraço. Sente-se. O que é que esta havendo entre vocês duas? Sempre se deram bem e porque agora uma e a outra deseja mal, rogando praga, coisa que não condiz com a nossa religiosidade. O que é? Digam. As duas caladas sem coragem de falar. Diga, repetiu o padre Anselmo. A gordinha começou a falar olhando para o chão tremula sem coragem de encarar o padre e disse – tudo começou quando um dos meus filhos esbofeteou o filho dela e ai começou a me rogar pragas dizendo que eu ia ficar um palito, curvada, e teria uma doença que eu morreria a qualquer momento. Deste momento fiquei irada e soltei uma praga contra ela – Ela vai ficar gorda e estourar. Ninguém quer saber dela, nem mesmo o marido, seu Martinho, arranjaria outra. Ai começou estes desaforos que ate agora não desata este nó. E você Dona Violeta, suava em gotas, o que diz – nada padre tudo já foi cantado e recontado, o que ela me desejava eu desejava em dobro para ela. O padre aconselhou a duas e disse não quer mais ver esta desarmonia aqui na igreja, peça desculpa uma para outra, agora. Levantou-se com a sua batina surrada pondo os chinelos levantando-se da cadeira. Vamos levante-se e peça desculpas. Desconfiada uma levantou-se devagarinho, olhando para o chão e a outra da mesma forma, sem que nenhuma tomasse a iniciativa de se desculparem. O padre olhou uma para outra agora dê a mão e se abracem. O que fizeram uma chorando no ombro da outra. Agora vocês vão ter uma penitencia, vão rezar cada uma vinte terços durantes os oito dias. Eu não vou ver esta penitencia, mas Deus esta vendo e qualquer coisa ele vai punir, quando vocês estiverem na sua presença lá no céu, portanto não se faça de esquecidas. Agora vão embora com a minha bênção. As duas saíram choramingando e desfez todo o mal que uma deseja para outra e voltaram à amizade com os mesmo defeitos, fofocar e bisbilhotar a vida dos outros, menos as delas. 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A semana - Terceirização, ratos, ratinhos e ratões




Por Zé Carlos

Meus caros 9 leitores, a semana que passou não foi boa para nossa presidente, nossa colaboradora maior, nesta coluna. Isto quer dizer o que então? Que estes escritos semanais podem até ganhar novos leitores, pelo nosso propósito de contratar a Dilma, com carteira assinada e tudo, para fazer parte dos seus colaboradores fixos, como já acontece com o Lula, que reclamou um pouco porque agora, se deixar o emprego não terá mais o seguro desemprego, mas, quando participa mostra o quanto é capaz de fazer humor, mesmo que digam que ele quer fazer a guerra. Ele andou um pouco sumido, mas, voltará, com todo o gás, tenho certeza, pelo menos, aqui.

Vejam o que embasa minhas considerações anteriores. Saiu uma nova pesquisa Datafolha sobre o que pensa a população sobre Dilma e seu governo. Vejam alguns resultados, num pequeno resumo.

60% dos brasileiros acham o governo Dilma ruim ou péssimo e apenas 13% aprovam a presidente. No Nordeste, que sempre elegeu o PT, 57% acham o governo ruim ou péssimo e apenas 12% dão bom ou ótimo. Na faixa de até dois salários mínimos, onde estão os beneficiários da Bolsa Família, 57% acham Dilma ruim ou péssima. Para 78%, a inflação deverá aumentar no próximo período. Para 70%, o desemprego vai subir. 58% acham que a situação econômica do país deve piorar. E 63% querem o impeachment da presidente. 75% dos brasileiros apoiam os protestos. 83% tem certeza que Dilma sabia da corrupção na Petrobras.

Querem saber mais? Pelo amor de Deus, tenham dó e piedade da nossa musa inspiradora. Será por isso que o Brasil, hoje, 12 de abril, vai às ruas pedir o "Fora, Dilma" e "Fora PT"? (estou escrevendo no domingo antes de ir para as ruas, se der tempo amanhã ainda coloco um PS sobre as manifestações de hoje). Aliás, ao verificar os locais e horários das manifestações tive uma imensa decepção, ao não encontrar Bom Conselho na lista. E fiquei mais triste ainda quando lá conferi que Águas Belas está lá. Atenção bom-conselhenses que apoiam o Fora Dilma, em Águas Belas o protesto será às 15h00 na  Praça Nossa Senhora da Conceição. Se não houver nada em Bom Conselho, então que meus conterrâneos vão para a cidade em que minha mãe nasceu e se criou, pois sei que a distância é curta. Já fiz o trajeto várias vezes. Ou seja, cooperem com esta coluna para que a Dilma venha para ela em tempo integral, logo, logo.

Mas, voltemos à semana, pois as emoções e o humor não pararam por aí. Lula, nosso melhor quadro fixo, convocou sua manifestação particular para o último dia 7. A CUT e o MST caíram em campo a comprar qualquer tecido vermelho que encontraram pelo caminho. Quando se esperava que estes tecidos iriam faltar no mercado, eles boiaram como pão em dia de feira ruim lá em Bom Conselho. O que dizem que sumiu foram os tecidos na cor verde, amarelo, azul e branco, para as manifestações de hoje. A conferir.

E vamos em frente, que ainda tivemos muito humor. Depois do Cunhão (o apelido do Eduardo Cunha, depois que se tornou primeiro ministro) ter demitido o Cid Gomes, que foi ministro Porcina, ou seja, foi sem nunca ter sido, da Educação, a Dilma, para manter o padrão da Pátria Educadora nomeou o Renato Janine Ribeiro, sim, aquele mesmo que um dia disse: “Na saúde, você sabe se está doente e precisa de ajuda; na educação, você não sabe se é ignorante e precisa de conhecimento”… Ou seja, começou logo descrevendo a Dilma e o Lula, e mostrando que daqui para frente vai dar aulas aos dois. Segurem-se porque a posse não terminou ainda, pois a Dilma falou. Pensam que ela agradeceu pelas aulas prometidas? Não! Ela falou que a Petrobrás precisa ser defendida para que o pré-sal seja um sucesso e garanta nossa Pátria Educadora. Como veem, estamos fritos. Com o arrombamento dos cofres da nossa, outrora, maior empresa, pelo nomeados pelo Lula, vamos continuar sendo a Pátria Burrificadora. Não é de morrer de rir?

Eu cheguei à conclusão de que o emagrecimento da Dilma lhe tirou um pouco o poder de sua mente, mas, ao mesmo tempo, deu-lhe ainda mais argúcia em nos fazer rir diuturnamente. Ela, numa semana só, demitiu um ministro (o Pepe Legal, digo, o Pepe Vargas), chamou para o lugar dele, outro ministro (o Eliseu Padilha, hoje da Aviação, que não sabe nem o é um avião), e levou um fora, não sendo o convite aceito, demitiu uma ministra (a Ideli Salvati, aquela que serve de tapa buraco para ela) para encaixar o Pepe Vargas, e, pasmem, entregou o governo ao PMDB, colocando o vice-presidente Michel Temer na coordenação política. Estão vivos ainda? Vão morrer, infiéis! Sabem para onde ela mandou a Ideli? Para os Correios. Lembram o que aconteceu na CPI dos Correios? Pois é. Vai voltar tudo de novo.

Eu realmente não sei se há ainda alguém vivo, dos meus 9 leitores. Mas, não posso ter pena deles, pois a missão de nossa coluna é fazer rir mesmo. Se morrerem pelo menos, não morrerão com a boca cheia de formigas, mas, com um sorriso nos lábios. Eu mesmo quase não escapei deste feliz destino ao ver a sessão da CPI do Petrolão, quando o João Vaccari, sim, aquele que foi tesoureiro do PT e continua sendo, pela sua honestidade até hoje mostrada pelo partido, apesar de ter sido acusado por todos os premiados com as delações de usar sua onipresente mochila para criar a “propina delivery”, pegando as verbas na Petrobrás e entregando na sede do PT em São Paulo. Segundo o Pedro Barusco, sim, aquele que vai devolver 100 milhões de dólares aos cofres públicos, surripiados da empresa, este valor era apenas troco em relação ao que o João Vaccari anunciava. Como vocês veem o Pedro e o João já estão envolvidos, agora só falta o Antônio para ser uma verdadeira festa junina.

E, vocês, impacientes leitores já começam a perguntar: “E o que há de graça nisto?”. Ora, incrédulos, você não viram o que o João falou na CPI: “Senhores deputados, todas a doações que o PT recebeu foram legais!”. Diante da risadaria geral na CPI, não houve jeito. Alguém, querendo dizer um pouco de verdade, soltou 5 ratos no salão (dizem que eram 2 hamsters e 3 esquilos da Mongólia), e foi uma correria geral. E, conta-se que os ratinhos, só se deixaram ser pegos quando fizeram uma reverência ao rato maior, que era o depoente.

Meu Deus, ainda falta comentar o filme, que ao vê-lo, tenho certeza, será morte certa. Pois está impagável. Vamos então à nossa precípua missão.

Em frente ao Congresso, reuniram-se pessoas com bandeiras vermelhas para protestar contra a terceirização, que é um termo muito técnico para uma coluna de humor, para ser explicado nos seus mínimos detalhes, mas, que se poderia resumir que significa o seguinte: Eu não posso com o andor, então posso pedir a ajuda de outro e pagá-lo por isto, desde que o santo permita. E alguns trabalhadores, que ganham dos cofres do santo, sem segurar o andor, foram protestar. E sempre nestas horas aparecem os que são contra e entram em atrito, principalmente, quando aqueles que eram contra a terceirização eram a favor de Dilma, que é a favor da terceirização, entenderam? Não? Então vejam o filme, já sabendo que o Vicentinho é contra a ajuda com o andor, e por isso, entrou na confusão e terminou levando spray de pimenta nos olhos,  descobrindo que “pimenta nos olhos dos outros é refresco”, querendo que a Dilma usasse o spray. E sabem o que a Dilma fez como resposta? Terceirizou o governo, entregando-o a Temer, Cunhão e Renan, hoje formando uma espécie de anti-santíssima trindade terceirizada. Vivos ainda? Então vejam o filme que morrerão.

Senão nesta primeira parte, na segundo morrerão com o episódio dos ratos no congresso e as possíveis reações do João Vaccari, que ao contrário do James Bond, que tinha licença para matar, tinha licença para mentir. É o calor dos trópicos que nos faz este povo risonho e feliz.

Agora, vejam o resumo dos roteiristas do filme do UOL, depois vejam o filme. Se não morrerem, até a próxima semana, que promete!

“A semana em Brasília foi marcada por corridas de gato e rato: oposição correndo atrás do governo, polícia correndo atrás de manifestantes, seguranças correndo atrás de ratos na CPI da Petrobras... Só esqueceram de colocar as ratoeiras!”




sexta-feira, 10 de abril de 2015

Dilma diz que sabia de tudo. Das coisas boas, é claro




Por Zezinho de Caetés

Vejam o que a Dilma declarou, na última quarta-feira, a um canal em espanhol da TV americana CNN. A fonte não indica se ela se expressou naquele seu espanhol castiço que um dia tentou falar lá no Uruguai, e que nem a tradutora entendeu:

“Se dinheiro de suborno chegar a alguém, essa pessoa tem que ser responsabilizada. É assim que tem que ser. Eu tenho absoluta certeza que a minha campanha não tem dinheiro de suborno. Isso não significa que eu me coloque acima de qualquer brasileiro, cidadão ou cidadã. Eles têm que prestar contas do que fazem. E eu prestei. Para quem? Para o Tribunal Superior Eleitoral. Entreguei todas as minhas contas de campanha. Elas foram auditadas e foram aprovadas.”

Então as coisas ficam muito mais claras. Ela sabe até dos tostões doados para a campanha e não sabia de nada quando roubavam milhões no petrolão. Há quem no mundo acredite numa asneira dessas? Há sim, pelo menos da boca para fora, como o Ministro da Justiça, o Cardozo, que desde as manifestações do dia 15/03, encontra-se à beira de uma internação em algum hospital psiquiátrico do SUS.

Eu, disse ontem, aqui mesmo, que ela está agindo como Dona Maria I de Portugal, mas, agora já penso que ela está mesmo agindo como o piloto daquele avião que caiu lá na França, por que, de propósito, ele embicou o avião tentando o suicídio, depois de um surto psicótico. O nosso grande problema é que o avião da Dilma é o Brasil, e estamos todos dentre dele, para o bem ou para o mal.

Parece que ela realmente quer deixar o co-piloto, meu conterrâneo Lula, fora da cabine e quer dirigir este país sozinha, falando pelo rádio com o Michel Temer, que, nunca pilotou um avião antes. E, o co-piloto, o Lula, ao invés de pensar no Brasil, só pensa em se safar, pensando que se o avião cair no mar, ele pega a boia vinda nos destroços. Seria cômico se não pudesse ser trágico.

Mas, tem um aspecto positivo nesta declaração. Se descobrirem que o Alberto Youssef deixou pelo menos dez mil réis na sede do PT para campanha dela, esta prova valerá mais do que o recibo do Fiat Elba do Collor, para seu impeachment, que é o que todo cidadão dentro do avião, ou deste país, deseja.

Ora, todos que trabalham na Lava a Jato sabem que grande parte das doações de campanha em 2014 vinham do “propina delivery”, recebidos como retorno do superfaturamento dos contratos para Petrobrás. Basta checar os contratos da Petrobrás e o valor das doações para verificar isto. É claro que não se encontrará um recibo, com a assinatura da Dilma, dizendo: “Recebi da empresa tal, para campanha de 2014, x reais, que foram obtidos do senhor Alberto Youssef como contrapartida do superfaturamento dos contratos da PCT.” É claro que assinatura que está lá, se estiver, é do assistente do contínuo da tesouraria do PT. Mas, agora, com a declaração de Dilma, já se pode inferir que ela sabia de tudo, e pode até dizer quem é o dono da assinatura, que certamente, é de alguém do MST ou da CUT.

Ou seja, ela está, dentro de sua forma um pouco louca politicamente, dizendo: “Alô Justiça Brasileira, olha eu aqui!” . Só não a pegam se não quiserem. A pergunta que fica é: “Será que o Dias Toffoli e Lewandoswky querem?

Eu só sei que a população brasileira, ou pelo menos 80% dela, quer e, para isso, vão às ruas dia 12 de abril pedir o impeachment da pilota. E parece que, com sua ajuda, vai ser muito fácil. Pelo menos é o desejo de todos os passageiros, deste avião desgovernado.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

SEU TOMÉ





Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

Nos arredores da pequena cidade de Ribeirinha, o seu sitio era um ponto dos moradores conversarem sobre os mais variados assuntos. Sentava-se no tronco de arvores arrancado, e ali todas as tardes batiam papo. Tomé ficava olhando para o terreiro grande, com pés de jacas, mangas rosa e abacate. As galinhas no terreiro rodopiavam no aguardo a distribuição do caroço milho jogados no terreiro; ali perto o chiqueiro com dois bacorinhos baés, fuçando e roncando junto ao uma gamela cheia de caldo de feijão e farinha. E mais na frente um burrinho focinhava a grama junto com o cavalo de estimação para ir à feira. Olhava com gosto o seu pedaço de terra, plantada e cultivada. O pequeno açude com agua limpinha que costumava colher para beber e para uso domestica. Ali estava a sua vida, ali estava a sua felicidade. Nada mais queria neste mundo. Acendia o seu cachimbo com fumo de rolo cortado com um canivete e acedendo com um tição fumegante dado por Dona Redonda, sua mulher, apelido, pois se chamava Violeta. Dava um trago um suspiro olhando para o céu azul e o sol procurando se esconder. Fim de tarde. O seu vizinho seu Bernardino, Bene, todas as tardes lá estava para prosear. Aparecia de vez em quando seu Jacó, seu Chico, seus vizinhos, mais longe. Seu Tome tinha ido ao Ceará e seu Bernardino, Jacó e seu Chico desejava saber as novidades da cidade grande. Nunca tinha cruzado uma cidade que não fosse a sua Ribeirinha. “Boas tardes! Meu cumpade, como foi à viagem? Ora meu cumpade, tu sabe qui Alfrredim é tinhoso, quando bota no quengo uma coisa vai brigar até que aconteça. É riento e queria porque queria que eu fosse para a capitá. Conhecer outro mundo. Viver outas coisa que não via. Tanto insisti que fui pra lá. Esta viagem que num era do meu agrado, tu sabe como sou não gosta de arredar o pé do meu sitio. Aqui tem de tudo não é mesmo cumpade? Mas mesmo assim fui.  Sái no amanhecer  do dia. Tumei o ônibus eu e mia veia dona Redondinha. Viajamos muito tempo, cheguei a recife quase de noite. um monte de automovel e ônibus rodando a ruá. muita luz nunca vi coisa igual. Fui pra uma pensão perto da rodoviária e ali me atrepei e olhei pela janelinha um fussue danado de pessoa indo de um lado pra outro como formiga perdida. Eu lá de cima via tudo que doidice. Fui dormir mas não dormi a peste da muriçoca rodopiava os meus ouvido, o calor agoniava o meu cangote e dissia um suor mulhando a camisa, rolava de um lado prá outro e nada de dormi. Redonda roncava, ou mulher danada nada incomodava enrolada em pano branco. O dia amanheceu e eu sem dormi me lavei numa pia num corredor com gente na fila. Não estava acustumado com isso, a minha mué saiu de chinelo foi a privada da mueis. Tomei um café frio e rim num lanchonete com pão amassado e ovo mole, igual a Redondinha. Paguei e desci para pegar o avião pru ceara. O sol queimando o braço e eu com maleta e sacola na mão e o suor escorrendo pela cara. Gente como um diabo. indo pra lá e pra cá. O carro que me levou para o aeroporto chamado taxi, nome esquisito, saiu em disparada. Casa em cima de casa. Alto que num avista o fim. Redondinha estava abismada. a rua cheia de gente e carro pra todo lado. cheguei no campo de pouso. Desci com duas maleta e duas sacola. Levava queijo de coalho e manteiga, farinha fininha como se fosse gome, feijão pretinho e dois quilos de charque e três rapaduras para adoçar a boca. Saímos e entramos num salão grande. gente pra lá e pra cá. Algumas gente falando que num entidia, parecida ser estrangeiro.  O carregador me levou eu pra um balcão bonito que só vosemesce vendo. Uma moça vestida de preto e gorro na cabeça com um lenço vermelho no pescoço, sorridente com os dentes no quarador – bom dia meu velho. Mais respeito eu sou velho, mas sou de Ribeirinha, terra de cabo macho, viu. A moça ficou olhando pra mim. Sou cabra macho e não aceito afago de ninguém, tenho a minha Redonda que dá conta do recado. Me de sua identidade e dela também. Pediu a moça, sorrindo. Remexi no bolso e Redonda em uma carteira pendurada no braço, catando dentro onde se encontrava a sua identidade, depois de muito tempo achou a desgraçada e entregou a moça que continua com os dentes no quarador. Deu um papel e ficou com a maleta e sacola e disse ali naquele portão o senhor vai entrar para pegar o avião. Fui correndo e olhando para todos os lados por que dizia que tinha ladrão por todos os lados. O meu dinheirinho estava no bolso da cueca, feita pra viagem. Duvido que algum cabra tenha coragem de vir me abocanhar que eu mato o safado de ponta pés. Entrei e sentou-me numa cadeira fria e sem encosto. Fiquei esperando e logo fui chamado. Um microfone, falou alto, dizendo que o avião ia pro ceara. Entrei num ônibus pensei que ia voltar, mas o desgraçado foi caminhando devagar até o avião que se encontrava parada. Subi a escada devagarzinho e com medo, e Redonda desconfiada pisa leve no degrau, segurando uma bolsa vemelha comprada no vuco vuca de seu Mané da Foto.  Será que este troço vai voar como disse as pessoas? Sentei-me numa cadeira e Redonda em outra. Um moço igual à outra sorrindo disse aperte o cinto. Eu cumpadre num sabia de nada, deu-me a costa e foi embora. Olhei para o cinto, já está apertada. Redonda disse que estava com uma cinta na barriga que já estava sufocando de tanto apertada. O moço voltou a ajeitou-me, prendeu com cinto preto encravado na cadeira e uma fivela branca. O bicho começou a rosnar. Andando de ré aprumou-se e saiu devagarinho e dentro de pouco ouvi uma acelaração medonha o bicho correu pelo uma pista e saiu do chão, lá de cima via as  casas pequenininha e o mar grandão e verde como este manga pendurada ali. Cheguei  na capita, Furtaleza,  lá tava Alfredim. O pouso foi de dar medo. O bicho bateu no chão, com se tivesse estrebuchando, e freio fui pra frente e voltei pra traz. Me benzi, como Redonda branquinha da silva, enjoada tremeu. Tomei um taxi, disse Alfredim, este carro que leva pra gente onde quer e cheguei na casa um luxo. Tudo tinha, fomos descansar no outro dia fomos à praia, ver o mar que eu nunca tinha visto, a não ser televisão de dona Josefa, uma vez. Nunca tinha visto tanta agua, Bene, nunca. Agua salgada. Verde igual à folha de bananeira. Ia lá ia cá à agua. A areia fininha, pisando atolava o pé, Molhei meus  pés arregaçando a calça. Redonda com seu vestido não quis vestir calça e nem butar maio. As moças não tinha respeito e nem vergonha, vestinha taquinho de pano cubrinco aquilo e aquilo o resto todo pra ver. Andava de um lado pra outro e a gente fica só olhando. Pouca vergonha! Maluquice. O meu Padim Cicero, disse certa vez que “as mulheres ia andar nua e ai está a verdade, do Santo Padre”. Não são verdade meus cumpadre.  O sol desgraçado de quente, pior do que o daqui. Fiquei vermelhão, Redonda muito branca ficou rosada. Mais o que mais gostei foi dum mercado lá pra bandas da cidade. Oxente nos num tamo na cidade, disse pra Alfredim. Muita gente, muita bugigangas, um enroscado danado subindo em curva todo tempo. muchila, sapato, paninho de cubir mesa, rede de toda cor, corda, barbante, panelas, chapeu de  palha e boné de toda cor, uma miseria mas parecia a feira de caruaru, cumpadre. Mas sabe o que mais gostei! foi a carne de bode comida lá pro cima em barzinho com meu fio. Olhem coisa boa pedi um à bicada lá veio o homem com um copo é um quartinho. Bebi e comi. Voltei e to aqui cumpdre. São e salvo. Tomaram café com bolacha e despediram e foram embora. Já era noite.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Para combater anões políticos, só um grande povo nas ruas




Por Zezinho de Caetés

E o Brasil se retorce numa crise política e econômica de grandes proporções. E se alguém quiser procurar culpados de tudo o que ocorre, basta apontar o dedo para o a estrela vermelha do PT. Este alguém não estaria errado, mas, dificilmente seu dedo ficaria em uma só posição. A estrelinha, sabendo de toda a sua culpa, começou a andar a ermo e sem saber o que fazer, a não ser esconder que a partir de 2003, começou a destruir o Brasil, em nome de um projeto de poder, com suposta ênfase na pobreza.

Eu digo que esta ênfase realmente houve. Porém, não pelo que vocês estão pensando, como aquele mantra do partido de que a pobreza estava em fase de extinção. Na realidade, o que se fez foi um grande crime contra os pobres, que começaram a ter algum conforto para se tornar o exército de brancaleone no processo eleitoral, que tem o populismo como seu principal princípio.

Apenas como exemplo, vejam o que aconteceu com o Bolsa Família, reconhecido internacionalmente como o maior programa de transferência de renda, e nacionalmente, como o maior programa de compra de votos já inventado. E foi ele que levou ao comportamento de políticos ditos preocupados com a justiça social a ter o programa como a única saída para se elegerem. E não falo aqui só do PT. Lembram que o Serra queria aumentar seu valor e que Aécio queria até institucionalizá-lo? Ou seja, o programa era usado para manter o PT no poder, ou para tirá-lo e entrar no poder. Embora, para ser justo, que mais dele se beneficiou, com este propósito foi a estrela vermelha.

Mas, nem só de Bolsa Família viveu o PT para continuar no poder. São bolsas mil. Para todas as classes. Bolsa BNDES para os empresários que já serviam ao partido com o propinoduto da Petrobrás. Bolsa Universidade, com o FIES, PROUNI, Conhecimento sem Fronteira, e quejandos, dados a estudantes que nem sabiam assinar o nome, e se um dia o fizeram foi para votar nas eleições, no PT, é claro. Bolsa Gasolina, através do represamento de preços dos combustíveis que quase levou a Petrobrás à falência. Bolsa Energia Elétrica, que escangalhou o setor produtivo mais importante de uma Economia, o Setor Energético. E tantas outras que basta ir à internet para vê-las. Eu fui e encontrei algumas: Bolsa Creche, Bolsa Estupro, Bolsa Crack, Bolsa Escola, Bolsa Estiagem, Bolsa Verde, Bolsa Atleta, Bolsa Formação. Estas não esgotam a relação de todas, e as colocamos aqui apenas para chamar atenção, para o que significa inclusão social no Brasil. É dar o peixe (ás vezes podre) ao invés de ensinar a pescar.

E isto é o pior de tudo. Toda esta inclusão tem como premissa básica, “fazer caridade com o dinheiro dos outros”, isto é, com nosso dinheirinho dos impostos. Será que isto é uma forma adequada de inclusão? Só se estivéssemos no paraíso, ou Eden, como queiram. A nossa realidade é mais duro do que pensa esta turma das Bolsas, cujo representante maior é o PT, junto com alguns de nossa esquerda festiva. E isto estamos vendo agora, com a nossa crise econômica, a qual o Levy, o Risonho não sabe o que fazer, a não ser roubar as bolsas que foram distribuídas por irresponsáveis para que fossem eleitos. Ele descobriu que não há almoço grátis. Até uma barra de cereal roubaram dele, lá no Senado.

Estes são os anões políticos de que fala o Ruy Fabiano, em seu texto de sábado passado (04/04/2015 – Blog do Noblat) com o título de “Anões políticos”. Ele mostra a debandada das figuras mais expressivas do PT, e deixando somente aqueles que não podem soltar o osso, sem irem direto para a Papuda. Merece ser lido e meditado, depois da Páscoa, que passei me preparando para ir às ruas no próximo domingo dia 12. Para combater anões, só um grande povo nas ruas. Fiquem com o Fabiano.

“Uma crise gigante gerida por anões políticos – eis em síntese a encrenca em que está metido o país. O PT, partido que se quer hegemônico, não dispõe de um só quadro, dentro ou fora do Congresso, capaz não apenas de enfrentar a crise, mas, sobretudo, de compreendê-la. Seus nomes do passado lá ficaram.

Lula e José Dirceu, seus expoentes, envolveram-se com o Código Penal e são incapazes não apenas de convencer, mas até mesmo de falar ao público. Lula atém-se a ambientes fechados e impermeáveis ao contraditório, enquanto José Dirceu é refém de advogados criminalistas. O PT mergulhou em profundo autismo.

No Congresso, o ambiente é lastimável. Ter como líder na Câmara alguém da estatura intelectual de Sibá Machado (AC), cujas relações com a lógica e o verbo atormentam taquígrafos, repórteres e colegas de ofício, resume a ópera. Diante de Sibá, Dilma tem a eloquência de um Cícero ou Vieira.

E há ainda figuras patéticas como a deputada gaúcha Maria do Rosário, que chega ao requinte de divergir de si mesma, poupando a oposição de fazê-lo. Ao que parece, não se percebe.

Opõe-se, por exemplo, à redução da maioridade penal para 16 anos, alegando que “cadeia não conserta ninguém”, ao mesmo tempo em que se empenha em agravar delitos (isto é, propor mais cadeia) para temas de sua cartilha do politicamente correto, como homofobia, feminismo e outros.

O que se deduz é que tem duas concepções de cadeia: a regenerativa e a vingativa. A primeira, quando se trata dos seus, é ineficaz e deve ser evitada, mas a segunda, destinada a seus adversários, não: deve ser intensificada. Crime, para ela – e nisso exprime o próprio PT -, não é questão moral, mas ideológica.

No entorno da presidente, há nada menos que nove articuladores políticos - e nenhum articula nada. O espetáculo patético dos dois ministros – Miguel Rosseto (da Secretaria Geral da Presidência) e José Eduardo Cardozo (da Justiça) -, escalados para falar da manifestação do dia 15 de março, não merecia sequer o panelaço com que foram brindados.

Um disse uma coisa e outro o seu contrário. Rosseto viu as passeatas como coisa dos eleitores de Aécio e da elite branca (da qual, aliás, a exemplo do comando de seu partido, faz parte), o que as tornaria banais.

Cardozo captou-lhes a gravidade, embora não saiba como lidar com elas. A má fé cínica e a obtusidade córnea de ambos (para citar a expressão de Eça de Queiroz) sugere que se poupem panelas e protestos. Não merecem sequer vaia.

Em tal contexto, não espanta que um tecnocrata, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afeito à ditadura das planilhas e dos números, desponte como único interlocutor político disponível junto ao Congresso. Na ausência de um negociador dentro do governo, foi pessoalmente conversar com os senadores sobre o ajuste fiscal.

Não lhe pareceram à altura da missão nomes como o já mencionado Sibá Machado ou Pepe Vargas (ministro das Relações Institucionais) ou o senador pernambucano Humberto Costa (líder naquela casa), entre outras eminências partidárias disponíveis.

O PT se opõe ao ajuste antes de mais nada porque não o compreende, assim como não compreende a crise que ele próprio fabricou. Se não a percebe, como vencê-la? Lula diz aos quatro ventos que a crise tem nome: Dilma. Nesse caso, tem também autor: Lula, que a inventou e a entronizou na Presidência.

Não bastasse, há os escândalos que não param de vir à tona – na Petrobras, na Receita, no BNDES, em toda parte. A reação do partido, na falta de argumentos, não muda: evoca a conduta de adversários no passado, na tentativa de banalizar o que fez.

É como se um homicida, flagrado, evocasse Caim para dizer que assassinato é coisa antiga e que não foi inventado por ele. A corrupção do passado – a tal “senhora idosa” a que se referiu a presidente - não absolve nem atenua a do presente. Mais: se o partido a conhece tão bem – e não hesita em atribuí-la também aos tucanos -, por que não a puniu nestes 13 anos de mandato?

A omissão, se efetiva, acresce aos delitos do presente mais um: o crime de prevaricação.

Tais contradições escapam ao tirocínio médio dos petistas incumbidos de gerir a crise. O nanismo mental não as enxerga, o que não impede que prosperem e agravem o quadro.


O resultado está parcialmente expresso nas pesquisas de opinião e nas multidões nas ruas. A propósito, a manifestação popular convocada pelo presidente do PT, Rui Falcão, para o dia 31 de março – e reverberada por Lula -, em defesa da Petrobras e contra o golpe militar de 51 anos atrás, simplesmente não aconteceu. O PT perdeu não apenas o juízo, mas também o povo.”