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quinta-feira, 14 de março de 2013

Proteja-se, leve o do ladrão...





Por Zezinho de Caetés

Hoje estava lendo um blog onde havia um conjunto de recomendações da polícia para garantir a segurança de cidadãos, como eu, que pagamos impostos escorchantes para que o Estado nos proteja, naquilo que é sua obrigação constitucional.

Lá estava escrito como reagir durante um assalto. Ora assaltos existem em todo mundo e é prudente que a polícia nos oriente como reagir em um caso onde tenhamos sidos sorteados por um ladrão. A única diferença dos países onde a polícia funciona, e nós, onde seu funcionamento é mais do que precário é a frequência com que eles ocorrem. Não recorrerei a estatísticas, pois apenas teria que alongar este nariz de cera, para constatar o óbvio: a insegurança campeia em nossas cidades, e quando comparada com países com um nível mínimo de civilização, estamos na rabeira.

O que me chamou atenção foi uma das instruções que constam de panfleto distribuído pela Secretaria de Segurança da Bahia, que pedimos para colocar uma imagem parcial dele ilustrando esta postagem. A instrução que se encontra enfatizada na imagem diz:

“Carregue um pouco de dinheiro (para satisfazer o ladrão) mas poucos cartões.”

Eu fiquei me perguntando, como cidadão que sou, embora não baiano, quanto deveria levar de dinheiro, aqui no Recife. Eu não sei se há instruções mais detalhadas da polícia baiana sobre a quantia certa, tipo de moeda, forma de carregar etc. Mas, como a situação de segurança ao andar pelas nossas ruas aqui em Recife não deve diferir muito, eu me questiono, como cidadão se não deveríamos ter instruções detalhadas.

Por exemplo:

“Não carregue moedas e sim notas, pois o ladrão pode mandar você engolir as moedas se elas forem de baixo valor.”

“Não leve apenas notas de R$ 2,00 reais pois o ladrão pode não gostar e enfiar as notas em algum lugar do seu corpo.”

“De preferência leve notas de dólar, se estiver perto do aeroporto. Se estiver longe, nunca faça isto, pois o ladrão pode pensar que o Lincoln é o Lula na nota de $ 20 e pensar que é falsa.”

“Se estiver num bairro rico, como Boa Viagem, nunca leve menos do que R$ 10,00, porque se o ladrão quiser tomar uma água de côco e o dinheiro não der, você está frito.”

E por aí iriam novas e detalhadas dicas para que o cidadão se comportasse bem, satisfazendo inteiramente o ladrão. Se você seguir todas você poderá ter até seu dinheiro de volta.

No último dia 09/03/2013 eu li no Globo um texto da Míriam Leitão, que, à primeira vista não tem nada a ver com o que escrevi até agora. No entanto, as dicas para o ladrão me surgiram quando reli o texto hoje, pois tudo é roubo, embora de espécie diferente.

Ela fala do caos em que se encontra nosso setor público no provimento de serviços para nossa população, que hoje se encontra totalmente desvirtuado, pela coalizão que se implantou no governo nos últimos 10 anos.

Eu sei que aqui no Recife vivemos aquela situação que se falava no interior, até muitas vezes da minha cidade, da qual se dizia que “...de dia falta água e de noite falta luz, e na casa que não tem ... é milagre de Jesus”. Aqui no Recife eu substituiria os pontinhos por bobos, idiotas, babacas, pois é o que somos diante de tanto descaso com o cidadão por parte das concessionárias de serviços público.

Hoje andamos fedendo pelo racionamento d’água por causa da seca e quando chove não temos luz porque os transformadores estouram e ficamos horas e horas até sem informação sobre o mundo. Os serviços de reclamação, nestas horas, não funcionam, ou se funcionam são através de mensagem gravadas dizendo já saber do problema.

E disto, de uma forma mais geral em termos de geografia brasileira é de que trata o texto que abaixo reproduzimos. Leiam-no enquanto eu vou tomar um banho quente pois, quase milagre, hoje aqui em casa tem água e luz. Amanhã eu não sei. Além disto, já reservei o do ladrão, pois hoje vou sair de ônibus.

“É preciso reconhecer: o Brasil está vivendo o caos na prestação dos serviços públicos e um colapso regulatório. Isso é resultado direto da falta de compreensão do que faz o Estado no seu papel de regulador. O governo desprezou as agências como se fosse “terceirização” dos seus poderes, tirou delas autonomia, nomeou apadrinhados, desvirtuou processos.

Hoje, as agências, seja em que área for — água, transporte aéreo de passageiro, energia elétrica, petróleo, telecomunicação —, alternam períodos longos de inação e omissão com fases de fúria arrecadatória. Multam as empresas e ameaçam. Mas o dinheiro acaba virando um novo imposto, que enche os cofres do governo e não resolve o problema de quem consome os serviços.

No domingo à noite, dia 24 de fevereiro, o aeroporto de Brasília viveu uma situação bizarra. Todo o sistema caiu. Os cartões de embarque foram preenchidos à mão. As televisões estavam apagadas e ninguém sabia onde era seu portão. Na sala de embarque, os passageiros tinham que conferir em cartazes pregados em cada portão os números dos voos. Nos dias seguintes, houve mais três quedas de energia no mesmo aeroporto.

No começo, era só equívoco ideológico. O PT achava que o PSDB quando criou novos marcos regulatórios para setores privatizados queria acabar com o Estado. O Estado moderno precisa ter agências que regulem setores. A não regulação é perigosa porque entrega às empresas o mercado como sesmaria. A regulação só governamental já criou muita distorção no passado.

As agências precisam ser independentes, não podem ter diretores nomeados pela chefe da regional paulista do gabinete da Presidência, com poderes que exorbitavam as suas funções. Há empresas privadas dividindo mercado com empresas públicas, autonomia e neutralidade das agências é fundamental.

Há momentos que a gente sente é que o país parou de funcionar. Falo de casos reais: uma conversa precisou de cinco ligações e mesmo assim terminou inconclusa. Uma empresa provedora de internet não consegue há dias explicar aos usuários — que pagam o maior preço para terem a maior velocidade — porque não entrega a mínima estabilidade de conexão. A luz acaba a qualquer chuva e demora tempo inexplicável para voltar. Quem nunca viveu situação kafkiana com as prestadoras de serviço tem muita sorte. A sucursal do GLOBO em São Paulo, ontem, antecipou fechamento porque corria risco de ficar sem luz depois do temporal que caiu à tarde. Só seria possível trabalhar enquanto houvesse diesel nos geradores do prédio. À noite, ainda não chegava energia da concessionária.

As empresas aéreas estão extorquindo viajantes. Trocar passagem mesmo que seja para voo em data futura tem custo tão alto quanto um novo bilhete. O passageiro é induzido a comprar outra passagem e pedir reembolso. As companhias só devolvem quando querem. Pode chegar a 90 dias. Pode levar um ano. Como se chama ficar com o dinheiro alheio sem autorização e sem remunerá-lo? Minha sugestão é que seja usada a palavra furto. Vende-se tarifa a um preço altíssimo para quem tem uma emergência, mas o consumidor pode ser surpreendido com o cancelamento do seu voo.

O Rio — mais de 40 graus — sofreu dias com falta de água em alguns bairros porque a estatal de água culpou a empresa de energia pelos picos de falta de luz que desorganizaram o fornecimento. E não apareceu governo que avisasse às duas litigantes que concessionário tem que prestar o serviço. E ponto final.

A nós consumidores cabe pagar as contas, e isso temos feito. Mas estamos todos fartos dos maus serviços e da completa omissão das agências reguladoras aparelhadas que viraram caixa registradoras do governo. Ou coisa pior. Esqueçamos Copa e Olimpíada, o problema é urgente: a incompetência está se espalhando como metástase pelos serviços públicos.”

quarta-feira, 13 de março de 2013

ALEX no hospital.





Por Carlos Sena (*)


Logo cedo da manhã ouço rádio AM. Acho essa rádio extremamente “IN” ao contrário do que se pensa e em oposição aos que nem se lembram de que ela existe por conta da FM. A Rádio Jornal do Comércio, logo cedinho faz um jornal local completo. Nele, a notícia: “Alex está internado em estado grave”. Alex é um ícone da crônica brasileira, especialmente a pernambucana. Sempre esteve com uma coluna em que não faltavam as coisas que as dondocas gostam – fofocas, “in e out” e outras bobagens, mas porque isso vendia e ainda vende jornal e ajuda muito manter colunas sociais. Alex ia além: não deixava o jornal sem vender, mas contrabalanceava sua coluna com cultura. Suas crônicas faziam parte da sua coluna social e, não raro, noticiava ações de lançamento de livro, pinturas, arte de modo geral. Também pintava bem (pinta, pois ainda não morreu) inclusive o “sete”. Por conta do “sete” corriam a boca miúda histórias hilárias acerca dos seus “pincéis”, mas que não conseguiam tirar dele a originalidade. Não ficou apenas no jornal. Segurou a TV jornal um bom tempo sem ganhar salário em dia, no tempo em que a emissora ainda não era do SBT.

Alex hoje, idoso, está internado em estado grave. Lembro-me dele em sua casa no bairro da boa vista à noitinha olhando as pessoas passarem. Falava com todos e, segundo dizem, aproveitava essas boréstias para continuar pintando o “sete”. Talvez porque sempre teve essa capacidade de ser e viver e ser feliz é que José de Souza Alencar – o nosso Alex, certamente marcou a nossa crônica social, especialmente o jornalismo com qualidade e a cultura com intensidade. Alex é membro da academia pernambucana de letras – uma das mais respeitadas do pais, mas nunca ficou em “salto alto”, pois sua simplicidade era comovente.

Solitário, após a morte da sua mãe, sempre se dedicou a pintura. Sua casa mais parece uma galeria de arte. Sempre, inclusive, cercados de bons e fiéis amigos; sempre na mesma casa, no mesmo bairro, na mesma cidade que sempre amou: RECIFE. A noticia do seu adoecimento nos entristece. A gente fica vendo que a vida não ignora ninguém no seu trajeto: nem pobre, nem rico, nem famoso, nem... A vida nos mostra e só não vê quem não quer enxergá-la com o Alex sempre o fez: com simplicidade e vivendo intensamente. Pintando quadros ou o “sete” ou no “set” da TV, ou dando alma a personagens via literatura, etc. Por conta do etc., certamente milhões de outras coisas ele fez e foi feliz com ela. Influenciou inclusive muitos pretensos escritores e cronistas como eu, graças a Deus. Roubei dele o “flash” da vida em sua dinâmica real ou surreal. Devo lhe ter roubado a capacidade de me amar, pois só quem se ama irradia amor; só quem se respeita irradia respeito; só quem vive feliz irradia vida com felicidade – essa dobradinha que muitos querem, mas poucos alcançam.

Torço para que ele se recupere. Mas se não, certamente a vida foi por ele agraciada e venerada até o fim. Detalhe: com competência, sabedoria e simplicidade.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 17/01/2013

terça-feira, 12 de março de 2013

MANÉ, ADEUS!





Por José Antonio Taveira Belo / Zerinho

Mais uma vez fui surpreendido por um telefonema na tarde do domingo, dia 03, quando a Lú com a sua voz embargada e chorosa, comunicou que Mané seu marido havia falecido no Hospital Alfa, dizendo – Taveira, meu velho se foi agora mesmo para a vida eterna – Estava sofrendo muito -. Mais uma vez fiquei em silencio. A tristeza invadiu o meu coração. Grande companheiro se despediu deste mundo. Partiu para a eternidade, deixando saudades nos amigos que conviveram com ele neste tempo temporal. Estive com ele em sua casa na quarta feira, e o vi muito fraco, já não reconhecendo ninguém. Esquelético em cima de uma cama de olhos fechados. Mal se mexia. Aquela cena me trouxe a memória o que foi Mané em tempos atrás. Fiquei comovido ao sair do quarto onde ele estava fraquinho, sem reação nenhuma. E pensei como os meus botões - Quem te viu e quem te vê -.

 Conheci o casal Manoel José Demetrio da Silva, apelidado de Mané, por ocasião de nossa participação no Encontro de Casais com Cristo - ECC, da Paróquia de São Francisco do Rio Doce, em 1990. O casal Mané e Lú, este é o termo usado durante o ECC que nos deu força para p trabalho pastoral junto aos casais da comunidade.  Foi o nosso coordenador de “Círculos”. Injetou em nossos corações ao amor a vida e a Cristo, nos seus pronunciamentos nas reuniões. Estreitamos os nossos laços de amizades e compartilhamos com todos os projetos de suas vidas. Mané, como era conhecido carinhosamente na Paróquia, era um entusiasta pela religiosidade. Formado em Economia e Ciências Contábeis, pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE contribuiu com a nossa Paróquia ao elaborar programa de finanças e administrativa. Trabalhava incansavelmente em prol dos mais necessitados. Tornou-se um missionário consciente, trabalhando incessantemente, na favela “Ilha do Rato”, hoje, Ilha de Santana, fazendo uso da sua palavra, como bom orador que era da palavra de Deus para aquela comunidade pobre e carente. Era bem quisto na favela. Tinha livre transito na comunidade, aconselhando um e outro que precisava da sua ajuda. Como Ministro da Sagrada Comunhão visitava os enfermos levando o viático para aqueles que não podia ir ate a igreja, Era um peregrino. Não havia tempo “ruim” para ele quando chamado para a missão que fizesse sol ou chuva lá estava pronto. Passou seria dificuldades para se aposentar o que lhe fez ficar encabulado pelo desprezo do INSS que não quis aceitar o tempo de trabalho que realizou na Prefeitura Municipal do Paulista. Precisou contratar um advogado para exigir os seus direitos, passando anos nesta angustia. Neste período de depressão adquiriu a “diabete” que lhe custou o abandono das coisas que mais desejava, andar pelas ruas e visitar os amigos. Esta doença fato foi lhe tirando a visão, que por pouco não o deixava um deficiente visual. Neste ínterim foi acometido do Mal de Alzheimer e a sua saúde ficou mais comprometida e debilitada.  Comemorou com uma alegria extraordinária dizendo – justiça tarda mais não falha – quando ganhou a causa na justiça, sendo o INSS obrigado a lhe aposentar com todos os direitos lhe pagando todo o tempo retroativo. Foi uma alegria muita grande.  Reformou o seu apartamento, pagou as suas dividas, que eram muitas, ajudou os filhos financeiramente, mas a doença não lhe deixou realizar os seus sonhos de viajar, conhecer outras terras, principalmente, as cidades santuários do Brasil. Falava muito no Santuário de Aparecida e de Trindade – Pai Eterno, em Trindade/Goiás. Mas Deus traçou outros planos para mim, disse ele certa vez. Estou conformado. O que posso fazer para amenizar a doença? Tomar os medicamentos que foram dados pelo médico e nada mais. Não, não posso me queixar, seja o que Deus quiser. Agradecer a Deus tudo que me deu uma bela família que compartilha do meu sofrimento. Dois amigos aqueles que me visitam e oram pelo restabelecimento de minha saúde. Enquanto estou aqui na terra continuo a confirmar a minha fé inabalável na Santíssima Trindade. A nossa mãe, a Virgem Santíssima é que me acolhe nos seus braços. O que mais eu quero? Apenas fortificar a minha fé na convicção que Deus dá ao ser humano a provação do sofrimento, a fim de que possamos ser mais humanos e mais fraternos. Dizia, ainda, nada se leva deste mundo se não forem às boas obras que você realiza. Nesta vida deixei muita a desejar, deveria ter sido mais compreensivo, mais caridoso e mais fraterno. Como ser humano, foi e é um pecador e não poderia ser de outra forma, mas me esforcei para melhorar a minha vida. E agora, Taveira, meu amigo estou de partida. Disse-me certa vez, no inicio da doença que o acometeu. Partiu. Foi sepultado no Cemitério de Santo Amaro, em uma cova aberta em terreno no meio dos túmulos. Não tinha numero apenas o seu filho riscou – Descanse em Paz!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Deu a louca na presidenta?





Por Zezinho de Caetés

Eu estou boquiaberto com o que está acontecendo neste país. Poderíamos dizer que “deu a louca na presidenta”. Ela chegou a dizer que não pode fazer tudo, mas, em eleição “pode fazer o diabo”. Maluqueou de vez. Isto não é fala para um pessoa num cargo que deveria ter liturgia suficiente para conter certos impulsos.

Sei que ela está empolgada com a “cama de gato” que o Lula está armando com este negócio de campanha antecipada. Certamente, ele deve ter dito a ela que a estaria elogiando e elogiando o seu governo. Pura enganação. O que ele quer realmente é fugir do ostracismo e evitar que lhe perguntem sobre a Rosemary ou sobre o Marcos Valério. E a Dilma, bobinha, está acreditando, aproveitando é claro seus 4 anos de fama e de mau governo.

No texto abaixo, a Miriam Leitão chama a atenção do nosso poste maior, num texto intitulado: “Vê se aprende, Dilma” (O Globo 03/03/2013), mostrando agora mais um pouco na área da economia, o que houve antes dela neste país. Ela havia se esquecido ao declarar que não herdara nada e que está construindo tudo.

O grande problema que vejo, entre outros citados, é a falta de confiança dos empresários neste governo. Todos esperam, que, de uma hora para outra, a presidenta mude de opinião, assessorada pelo Pinóquio da Fazenda, o Guido Vidente,  e seja colocado a perder todo o esforço que foi feito anteriormente para organizar a economia brasileira. E eles, os empresários, tem razão, para azar do povo brasileiro, que poderia, a partir de reformas estruturais, começar este século vivendo numa das possíveis potências econômicas do mundo. Já estamos até atrás do Reino Unido, que vem marchando para trás por muitos anos.

Mas, leiam o texto da Miriam, que agora eu vou ler sobre o que está sobrando da Venezuela depois que anunciaram a morte do caudilho Hugo Chávez (penso que aconteceu muitos dias atrás). Vai ser um sufoco. Esperamos que o caudilhismo não venha para cá travestido de Lula. Caetés não merece.

“Se a presidente Dilma quer ganhar a eleição de 2014 precisa olhar para 2013. Nos últimos dias, seus olhos estiveram em vários anos diferentes, menos no que está diante de nós para ser vivido e construído.

Olhou para 2003 e não viu o cadastro que o governo recebeu, que, aperfeiçoado, foi a base do Bolsa Família. Olhou para o período entre 1994 e 2002 e não viu a vitória sobre a hiperinflação.

É uma pena que não tenha visto o que já foi feito, porque há muito a fazer. Uma das tarefas imediatas é passar para os empresários estrangeiros, que estão sendo visitados pelas autoridades brasileiras nestes dias, a convicção de que o governo tem um rumo e que não é apenas ganhar a eleição de 2014.

Se a presidente Dilma e seus enviados afirmarem aos investidores que nada havia antes de 2003, que o Brasil era uma terra arrasada, e que tudo foi construído pelo PT, eles vão estranhar. Todos já sabem o básico sobre as evoluções das últimas duas décadas no Brasil.

A dívida externa contraída pelos militares foi renegociada. Todos os velhos papéis foram trocados por outros com novos prazos e preços sob o comando do negociador Pedro Malan. Isso permitiu ao país voltar ao mercado financeiro internacional.

A inflação que atingiu dois dígitos no começo dos anos 1940, continuou sua escalada e fugiu ao controle nos anos 1980 e 1990. Só foi domada com o Plano Real, mas antes dele passos importantes foram dados em governos diferentes, todos democratas, para derrotar esse mal que perseguiu o Brasil.

Foi uma construção coletiva e uma escolha do país, mas nesse processo de vitória sobre a inflação é inegável o papel dos ex-presidentes Fernando Henrique e Itamar Franco. É também inegável que o PT se opôs ao projeto até que, no governo, o herdou e preservou.

Os investidores desse mundo interconectado têm mais informação sobre o Brasil do que tinham no passado — quando confundiam Brasília com Buenos Aires. Eles achariam estranhíssima a frase de que “não herdamos nada, construímos tudo”.

Após a queda da inflação é que o Brasil passou a ser levado a sério. Antes, era motivo de chacota. Mas o Plano Real não foi um fim. Ele se dispôs para o país no meio do caminho. Foi preciso desmontar uma parafernália fiscal recebida de herança dos governos militares para levar o país à Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso também foi construído antes do PT e com a sua oposição.

Na energia, o governo do PSDB passou pelo fiasco do apagão. Para consertar o que fez, montou um sistema de termelétricas para ser acionado quando fosse o caso de poupar água nos reservatórios. Não é o ideal, mas é o que está sendo usado este ano para superar o risco criado pela enorme queda do nível de água.

A presidente disse que quem falou em falta de energia estava criando instabilidade. Foi por não se falar do perigo a tempo que houve o apagão. Os alertas são necessários, no governo e fora dele.

Em dezembro, o nível dos reservatórios chegou a 28% na região Sudeste e a 32% no Nordeste, as duas regiões que representam 88% da capacidade instalada. Depois de toda a chuvarada, estão em 45% e 41%, respectivamente. Isso é muito menos que o percentual do mesmo mês de 2012: 80% e 85%.

Por isso, o governo decidiu continuar usando as termelétricas, que custarão mais de R$ 6 bilhões este ano se ficarem ligadas até dezembro. Esse valor só não anulará o efeito da redução do preço da energia porque o governo está construindo uma engenharia financeira que transferirá o custo para o Tesouro.

Em vários dos avanços brasileiros há continuidade. Cada partido tem que marcar as diferenças no discurso que levará para o palanque, mas nas falas recentes da presidente certas afirmações não correspondem aos fatos. Esse cacoete era do ex-presidente Lula. Não é necessário no palanque de 2014. Melhor base o palanque terá se a presidente encarar 2013 e seus desafios.”

domingo, 10 de março de 2013

A semana - Petróleo, minorias e dor nas costas





Por Zé Carlos

Vejam, abaixo, o filme que resume a semana, em termos políticos. Eu gosto de escrever um pouco sobre o filme, mas, não há tanto o que escrever sobre este. Ele é auto explicativo (não sei se tem hífen) em termos de comédias, como convêm a um país cujo principal gênero cinematográfico foram as chanchadas a que assisti nos Cines Rex e Brasília aí em Bom Conselho.

Seria realmente preciso colocar o Batman para que a gente risse com o filme? Eu passei, recentemente, algum tempo, numa cidade americana que foi Gotham City (cidade onde se passam as aventuras deste super-herói)  num filme do super-herói, e adoro quando o encontro por estas plagas, inclusive quando ele vem vestido de Joaquim Barbosa. Mas, diante do que se passou esta semana ele seria desnecessário para o que o filme atingisse ao que se propõe: fazer rir.

Vejam o caso dos royalties. Como se dizia: Em casa que não tem pão todos choram e todos tem razão. Ou seria, ninguém tem razão? Petróleo que ainda está no fundo do mar já causa brigas e mais brigas. Imaginem quanto ele aparecer. Como somos uma federação, embora um tanto capenga, pois a única verdadeira foram as capitanias hereditárias que pertenciam a um rei, a quem pertence o mar onde está o petróleo? Se ainda não definimos isto, o Brasil é um país indefinido. Depois não reclamem se nos invadirem dizendo que isto é uma terra de ninguém. Para mim todos tem direito ao petróleo mas não podemos simplesmente, de uma hora para outra, retirar os benefícios históricos que são usados por alguns estados. Todos somos brasileiros, para um lado e para o outro. Matar cariocas e paulistas de fome, nos deixaria só com o frevo, mas, considero que o samba, inclusive o do Adoniram, também é importante. Então: “Daí ao frevo o que é do frevo e ao samba o que é do samba.”

E o caso que é realmente para o Batman é o caso do pastor que usa a Bíblia, sua principal ferramenta de trabalho, para espinafrar o continente africano, berço da humanidade. O realmente hilário é que ele é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. É de morrer de rir. Ele se esquece que os evangélicos já foram minoria neste país, e que o Frei Damião não os considerava tão bem, como eu presenciava em Bom Conselho. Se pelo menos fosse uma Comissão de Finanças, onde ele pudesse pedir as senhas bancárias dos membros, estaria certo. Mas, logo a de Direito Humanos, só me resta dizer como minha colega Lucinha Peixoto: “Me poupem!”

E o ministro Barbosa não poderia faltar nesta semana pelo chega prá lá que deu num jornalista. Lamentável, mas, eu levo em conta que ele está ainda com problemas na coluna. Não justifica totalmente, a não ser para alguém como eu que já padeceu do mesmo mal. E quando a dor ataca a gente xinga até as muriçocas, como fiz no fim de ano em Bom Conselho no Hotel Raízes. Por falar nisso, exterminaram as muriçocas da cidade?

Agora veja o roteiro resumo do filme da UOL e depois vejam o filme. E riam se não tiverem com dor nas costas.

“No Escuta Essa! dessa semana, os royalties do petróleo renderam mais polêmica no Congresso. Parlamentares dos Estados produtores de petróleo brigaram pela manutenção do veto de Dilma que manteria as verbas dos royalties de contratos vigentes, mas acabaram sendo derrotados pela maioria. A sessão foi tumultuada e parlamentares abandonaram a sessão. Na Câmara, a eleição do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) deu o que falar. Feliciano é acusado de homofobia e racismo, mas foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.”