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segunda-feira, 24 de abril de 2017

A semana - Léo Pinheiro tenta enterrar o Lula, Temer diz que não teme Cunha, Papa resusa vir ao Brasil e muito mais...




Por Zé Carlos

Bem, posso dizer que esta semana não houve shows de humor individuais, pelo menos com tanta intensidade como as dos delatores da Odebrecht na semana que passou. Se não fosse pela delação do Léo Pinheiro, sim, aquele empreiteiro da OAS que é mais um a querer enterrar o Lula, cujo show na frente do sisudo Sérgio Moro, foi impagável.

Na realidade, quem mais fez graça foi o Temer, na tentativa de explicar o inexplicável, como o seu envolvimento no botim da Odebrecht. Eu penso, que depois de tudo isto, ele deve se acordar pela manhã, mandar a Marcela, ou mesmo o Michelzinho beliscá-lo para verificar se ele ainda está no mundo dos vivos. E quando descobre que está ainda vivo diz:

“Qual o recuo que eu devo aceitar na Reforma da Previdência para que meu governo não morra e eu passe a ser assediado pela justiça?”

E, por falar nisto, a Reforma da Previdência, que é algo necessário para que os aposentados no ano 2050 possam ainda receber alguma coisa, é motivo de tantas idas e vindas que virou a grande piada nacional. Nas redes sociais não encontramos outra coisa a não ser “memes” sobre o tema. Tem desde aquele que mostra um esqueleto se arrastando atrás da aposentadoria até aquele mostra o Lula, na cadeia, com 90 anos, reclamando porque não recebeu seu benefício por ter perdido o dedo 60 anos antes. Aliás, não é por outra coisa que ele foi sempre a favor da Reforma, pois sabe que, se ela não vier, seu benefício vai ser cortado.

Dizem até que o Temer já considerou devolver sua aposentadoria, que recebe desde da década de 70, mas, desistiu depois que soube que ela, em caso de morte, passará para o filho. No fundo, no fundo, e isto serve para todos: “Mateus, primeiros os meus!”.

E o que foi motivo de riso, e muito riso, é que há uma greve geral programada para esta semana. Eu pensei, ora, se há 13 milhões de desempregados, há 50 milhões de trabalhadores na informalidade, alguns milhões de funcionários públicos, será que não estamos vivendo uma greve geral todos os dias? Não seria melhor propor um dia em que todos trabalhassem? Talvez, isto resolvesse mais fácil os problemas do Brasil, e dos trabalhadores de fato.

E por falar em trabalho, outro motivo de grandes controvérsias hilariantes, é a Reforma Trabalhista. O que querem os inimigos da “classe trabalhadora”? Querem apenas que, ao invés dos trabalhadores viverem permanentemente na justiça do trabalho, processando os patrões, comecem a conversar com eles. E não se diz nela que “patrão” seja a melhor das pessoas, mas, apenas que se pode convencê-lo de que mais vale uma boa conversa do que ficar sem “trabalhador”. E a grande piada é que, quem é contra mesmo a acabar com a CLT, são aqueles privilegiados que ainda tem um emprego. Se fizermos as contas que mostrei acima em relação a greve geral, dir-se-ia, a la Temer, que esta é uma pequena minoria.

Mas, vamos em frente que atrás vem o riso. E nada mais hilariante do que a defesa do Lula, tentando evitar sua prisão. Eu assisti ao vídeo da audiência do Léo Pinheiro, e vi quanto os advogados do Lula devem estar de saco cheio de tentar o impossível. A cada intervenção, pioravam a situação do seu cliente. (Aliás, só um parêntese, eu não sei de onde vem o dinheiro para pagar estes advogados, se eles dizem o tempo todo que o Lula não tem nada e nunca teve nada. Talvez ele não saiba mesmo de nada. Fim de parêntese), e volto à vaca fria.

Pois não é que eles chamaram 87 testemunhas para falar bem do Lula nas audiências com o Moro?! Com isto eles tentam protelar o julgamento para 2050. E quando pensaram que o sisudo Sérgio Moro iria ficar tiririca da vida, o juiz fez cara de paisagem e disse: “Tudo bem, mas, quero que o Lula, compareça a todas as audiências, de cada uma das testemunhas!”. O hilariante disto é, se isto acontecer, só o Moro, deve estar vivo no final da audiência.

E com se não bastasse o potencial hilariante interno, temos as piadas internacionais. Uma delas vem do Papa Francisco. Em uma carta na qual recusa um convite do Temer para vir ao Brasil, o maior país católico do mundo, ele ainda cobrou do presidente, tentar evitar medidas que agravem a situação dos mais carentes. Mas, por Nossa Senhora de Aparecida, se o papa não quer vir ao Brasil, por que, além disto, ainda quer dar recado de defensor dos pobres? Disse ele:

"Sei bem que a crise que o País enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem raízes sociais, políticas e econômicas, e não corresponde à Igreja nem ao papa dar uma receita concreta para resolver algo tão complexo" .... mas, ... Não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira."

O que se deduz disso é que esta é uma mensagem cifrada do Sumo Pontífice, a esta coluna, pedindo para fazer parte dos seus quadros de comediantes. Eu mesmo penso que toda esta reação de ficar de mal do Brasil, quando Nossa Senhora Aparecida completa 300 anos de sua aparição, só pode ser dos membros da CNBB que estão com medo de ficarem sem a aposentadoria. E o Papa Francisco embarcou na onda, como tantos estrangeiros o fazem, sem saber o que está se passando.

Aliás, por falar em estrangeiros, a nossa Musa Dilma, continua os enganando lá nos Estados Unidos, contando a piada do “golpe”. Todavia, já sei que ela não quer é voltar para o Brasil, pois, corre o risco de ir de braças dados com o Lula para Curitiba. É uma pândega!

Outro que pediu sua inscrição na coluna foi o Doria, sim aquele que é agora prefeito de São Paulo e agora tenta dizer coisas só para que o aceitemos aqui. Bem, se ele contar piadas novas, eu posso até pensar no caso dele, mas, se continuar dizendo que o “Lula é um bandido!”, jamais escreverá aqui, pois isto é não é piada nenhuma. Nenhum brasileiro ri mais com isto, pois acham que isto é um fato. Conta outra Doria, e a coluna te contratará.

E aqui termino esta semana de riso, com uma piada do Temer:

“Não estou preocupado com o que Cunha venha a fazer!”

Só faltou ele dizer que a única coisa que o preocupa é a “Baleia Azul”.


Até a próxima semana, isto se a coluna não resolver aderir à greve geral.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Lula era o dono de tudo: "Tchau, querido!"




Por Zezinho de Caetés

Bem meus caros leitores, hoje, feriado, Dia de Tiradentes, que nos ajudou a livrar-nos do julgo português. Tenho muito o que escrever mas vou curtir o sol maravilhoso numa praia, e meditador sobre o seguinte: “O meu conterrâneo Lula é, ou não é o dono do sítio de Atibaia ou do triplex do Guarujá?”

Triste fim para o meu conterrâneo, que depois de ter o Obama a seus pés, agora depende da resposta a esta pergunta para decidirem se ele vai em cana ou não. Eu mesmo acredito que ele é o dono de ambos os imóveis, baseado no ditado antigo lá de nossa terra de que “o verdadeiro pai, é aquele que cria, e não o que faz”. E como todos estão sabendo, quem “criou” o triplex e o sítio foi o Lula, e não aquele que está num papel em cartório.

Seria preciso um complot tão grande da justiça para levar os delatores a dizerem o que dizem, sem que o Lula tivesse culpa alguma, que contraria todo o bom senso e a lógica. Meus leitores, façam a seguinte pergunta: “O Lula e sua defesa poderia dizer outra coisa a não ser:

“Os procuradores da Lava Jato sabem, há mais de um ano, que o sítio frequentado pelo ex-presidente Lula em Atibaia não pertence e nunca pertenceu a ele. Os donos comprovaram a propriedade e a origem dos recursos. Sabem também que Lula não pediu nem autorizou ninguém a pedir que fossem feitas reformas no imóvel. Lula não tem nada a esconder, porque não fez nada de ilegal”. ?

Ora, quando se ver os que os delatores dizem, fica difícil para os procuradores, mas, não para o juiz Sérgio Moro, acreditar neste tipo de defesa. O que ela queria? Que o Lula, esperto como é, fosse deixando rastro naquilo que fazia ao querer viver no luxo e na riqueza?

Esta foi a forma de vingança da esquerda, que não conseguiu ficar rica como Fidel Castro, porque os brasileiros descobriram antes os seus intentos e eles passaram a roubar com método, usando a democracia, e suas falhas para fazer isto. Por que o Zé Dirceu, o Vaccari,  o Delúbio e tantos outros estão mofando, mofaram, ou mofarão na cadeia? E por que o Lula deveria não estar junto deles?

Tenham santa paciência. Vejam o que disse ontem o Léo Pinheiro, dono da OAS, sobre o Lula:

“Eu tive um encontro com o ex-presidente, em junho, tenho isso anotado na minha agenda, são vários encontros, onde o presidente textualmente me fez a seguinte pergunta: 'Léo, o senhor fez algum pagamento a João Vaccari no exterior?' Eu (Léo) disse: ‘Não, presidente, nunca fiz pagamento a essas contas que nós temos com Vaccari no exterior’. (Lula): ‘Como você está procedendo os pagamentos para o PT?’. (Léo) Estou fazendo os pagamentos através de orientações do Vaccari de caixa 2, de doações diversas que nós fizemos a diretórios e tal'. (Lula): 'Você tem algum registro de algum encontro de contas feitas com João Vaccari com vocês? Se tiver, destrua'”.

O que fazer? Acreditar no Lula ou no Léo? Ora, com a queda do PT nas últimas eleições, os brasileiros já disseram em quem acreditam. Agora esperamos a Justiça se pronunciar. O patriarca da maior construtora do país, o notório, Emílio Odebrecht  disse, tim-tim por tim-tim, em sua delação premiada  de uma reunião com o Lula para confirmar as obras do sítio de Atibaia. Os outros delatores, também revelaram até os valores de quase R$ 1 milhão, gastos na reforma, a pedido da ex-primeira dama Marisa Letícia (que Deus a tenha). Isto contado nos mínimos detalhes por todos, como diz o Emílio:

“Pedi a Alexandrino que conversasse com algum empresário nosso para identificar um engenheiro da Odebrecht que pudesse coordenar as obras, mas que nossa participação não fosse revelada, para evitar qualquer constrangimento, e assim foi feito”.

E o Léo Pinheiro detalha a posse de Lula do triplex no Guarujá nos mínimos detalhes, dizendo que as reformas no apartamento, onde se colocou até elevador, foram todas solicitações de Lula e da primeira dama, que Deus a tenha. E Lula e Marisa visitaram o apartamento para verificar as obras. Como ele declara:

“Todas as modificações ocorreram da solicitação no dia da visita que fui com o presidente e a ex-primeira dama no triplex. Foi fruto da nossa visita. Foi determinado que fizéssemos a modificação.”

Querem mais detalhes? O Léo Pinheiro cantou ontem para o Juiz Moro e para o Brasil:

“Quando dona Marisa e o presidente estiveram no apartamento, nós fizemos o projeto e tivemos aquilo quantificado. Eu levei para Vaccari e isso fez parte de um encontro de contas com ele.”

Segundo o empresário o Vaccari, que já está no xilindró e, dizem, é o maitre no restaurante da prisão de Curitiba, foi o maior leva e traz do Lula:

“Vaccari disse, naquela ocasião, que como se tratava de despesas pessoais, ele iria consultar o presidente. Voltou para mim, disse tudo ok, você pode fazer o encontro de contas. Não tenho dúvidas se ele sabia ou não, claro que sabia.”

Bem, meus senhores, eu poderia me estender por 900 horas das delações da Odebrecht e por não sei quantas de outros delatores, e ainda dizer que vem mais. No entanto, o sol está bonito e o feriado de Tiradentes é convidativo.


Termino dizendo que não desejo para o Lula o mesmo que aconteceu com o Tiradentes, pois já passou a época de enforcarmos as pessoas, mas, uma boa descansada na prisão, como ele já fez na época da ditatura, seria bom para o Brasil. O PT, e sua tentativa de venezualização do Brasil, não merece ter um final feliz.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Outra vez o "Mais Médicos", programa neo-escravocrata cubano




Por Zezinho de Caetés

Bem, já que no plano interno só temos corrupção, que tal tratar da corrupção externa, falando do programa “Mais Médicos”, que aportou por aqui ainda quando o PT tinha alguma chance de tornar este país uma grande Venezuela?

Eu já escrevi muito sobre o tema, por exemplo aqui, aqui, aqui e muitos outros aquis mostrando facetas de como seria uma moderna escravidão a la cubana e que agora, pelo menos aqui no Brasil, tende a chegar ao fim, como descreve abaixo o editorial do Estadão que tem como título “Menos médicos cubanos”.

O grande imbróglio enfrentado pelo programa aqui e alhures é que os seres humanos cubanos, ditos médicos, ao chegarem aqui e viverem em liberdade, terminam gostando e se rebelam contra seus senhores, os gerontocratas cubanos. Querem ser livres outra vez e receberem o dinheiro que merece.

E vêm conseguindo isto, através da Justiça brasileira que permite sua permanência no Brasil. E não há nada pior para o governo Cubano do que um seu cidadão, em outro país e livre para contar a verdade sobre a “ilha do diabo”, que era o Fidel, e agora, é a “ilha do irmão do diabo”. E, não querem mais o programa.

Então, os esquerdistas de carteirinha não podem nem reclamar que foi o governo, legítimo, do Temer que os está mandando embora. É o Castro que não quer, como nunca quis, a verdade sobre o programa. Ora, se alguém ganha 10.000 reais para fazer um serviço, por mês, por que teria que pagar ao governo cubano, 7.000 reais?

Isto só existe no regime neo-escravocrata cubano e tem que ser combatido. Sim, eu sei que ele está nos estertores, e não encontra mais eco a não ser na Venezuela de Maduro ou na Bolívia do índio doido, o Evo, mas, não nos custa nada dar um empurrãozinho para o bem do mundo.

Fiquem com o editorial do Estadão que eu vou acompanhar as delações da Odebrecht, pelos próximos 30 dias, no mínimo.

“A ditadura cubana suspendeu o envio de 710 médicos que integrariam o programa Mais Médicos. A decisão foi tomada em represália à recusa de vários profissionais cubanos do Mais Médicos de retornar a seu país, amparados, em dezenas de casos, por decisões favoráveis da Justiça brasileira. Com isso, Cuba escancara a natureza do acordo pelo qual manda médicos para o Brasil e para outras partes do mundo. Esses profissionais, na visão dos ditadores castristas, são meras mercadorias, alugadas a países camaradas em troca de dinheiro. E mercadorias, por definição, não têm vontade própria.

O governo cubano entende que o acordo de cooperação pelo qual se comprometeu a enviar seus médicos ao Brasil não prevê a permanência desses profissionais no País. Como tudo o que envolve a relação de Havana com o antigo governo petista, responsável por esse acordo, os termos dessa combinação nunca ficaram inteiramente claros, mas não é difícil entender o motivo da irritação da gerontocracia cubana.

Sendo a ditadura que é, Cuba não aceita dissidências e considera traidores os conterrâneos que ousam expor a tirania do regime, refugiando-se no exterior. Assim, a decisão de alguns médicos cubanos de não voltar para Cuba, entre outras razões porque não suportam mais viver sob o tacão da família Castro, equivale à deserção. Como prisioneiros que são, os cubanos comuns jamais podem pleitear a liberdade de escolher onde viver; como simples commodities, devem aceitar passivamente que o regime disponha deles como bem entender.

Felizmente, a Justiça brasileira começa a dar ganho de causa aos cubanos que a ela têm recorrido porque não querem voltar para Cuba. Já são 88 os médicos daquele país que obtiveram liminares que lhes garantem o direito de permanecer no Brasil depois de encerrado o período de três anos previsto no acordo. No Mais Médicos, esse período pode ser prorrogado por mais três anos, mas o governo cubano não aceita que seus profissionais criem laços no Brasil e, por isso, exige seu retorno imediato, assim que acaba o contrato.

A mais recente vitória judicial dos cubanos no Brasil foi obtida em fevereiro por uma médica na 2.ª Vara Federal em Campinas. O tribunal aceitou o argumento de que o governo está dando “tratamento desigual e discriminatório” a médicos de Cuba em relação a médicos de outros países, que conseguiram renovar seus contratos sem problemas.

Além disso, a médica em questão exigiu “tratamento igualitário no que se refere ao recebimento de remuneração”, isto é, ela quer receber o mesmo que profissionais de outros países. Dos R$ 10,5 mil de salário que deveria ganhar, ela fica com apenas R$ 3 mil. O restante fica com o governo cubano, que deixa 5% para a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), intermediária do acordo entre Cuba e Brasil. Na linguagem popular, é o famoso “gato”, agenciador de mão de obra que leva uma porcentagem do salário do trabalhador. Essa situação obviamente “não pode ser admitida pelo ordenamento jurídico brasileiro, devendo ser aplicado o princípio constitucional da isonomia”, como diz a liminar.

A cada sentença como essa se define, em poucas palavras e com clareza meridiana, o espírito perverso do acordo firmado pelos governos petistas para ajudar a financiar a ditadura cubana, em troca de médicos para os quais a legislação trabalhista – aquela que o PT tanto defende – não vale.


Felizmente, o governo, desde o final do ano passado, tem tomado providências para trocar paulatinamente os médicos cubanos que atuam no Mais Médicos por profissionais brasileiros. Não será um processo rápido, porque os cubanos ainda são maioria no programa, mas é absolutamente necessário. Não se trata, aqui, de questionar a capacidade dos médicos de Cuba, que em geral desempenham sua função a contento, dentro das limitações de um programa criado para ser mero paliativo. Trata-se de defender que a lei brasileira prevaleça, no Brasil, sobre os caprichos da ditadura cubana.”

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O BARBEIRO!




Por José Antônio Taveira Belo / Zetinho 


Seu Joaozinho era um ótimo barbeiro na cidade de Lagoinha. O seu salão na Rua Nova, principal da cidadezinha, era visitado por todos que necessitavam do seu serviço, cortar o cabelo, fazer a barba e bigode no mais capricho, atendendo as pessoas pobres e afortunadas. O salão era muito bem tratado, limpo e asseado. As paredes pintada de amarelo claro, uma cadeira de madeira acolchoado de uma verde cana, um espelho grande na parede e numa mezinha, tesoura, pentes, pincel de barbear, loção para refrescar o rosto dos clientes. Não se descuidava da limpeza, varria a cada momento e espanava os aventais que servia para aparar os cabelos dos clientes. Seu Joaozinho era bem querido na cidade. Ali naquele local se reunia muitos dos seus amigos para conversar principalmente à tarde na calçada. Ao meio dia, se dirigia sempre a bodega de seu Mané, amigo de infância, no final da rua. Ali ia fazer sua fé no jogo de bicho, que era sorteado no final da tarde, colocando os números em uma tabuleta na porta da bodega, onde os apostadores iam conferir o seu pule, uns sorrindo, pois tinha acertado no grupo, ou na dezena, centena ou milhar este pulavam de alegria. Outros saiam desconsolados esperando a sorte no dia seguinte. Tinha vontade de comprar um carrinho para passear pelas redondezas com a sua mulher dona Quitéria. Jogava a milhar 1476, fazia parte do bicho que ele achava bonito e não podia criar no seu quintal, o pavão. Dizia sempre – Deus tarda, mas não falha, essa expressão era dita toda à tarde que ia conferir o sorteio. Dona Quitéria muito bonita exalava o perfume de alfazema, quando passava pelos clientes no salão par ir ao comércio. Os homens olhavam uns para os outros sorrindo, pois sabia muito bem que ela era uma pessoa que flertava com muitos, e dizia as más línguas que ela botava ponta no Joaozinho, com o açougueiro Zeca. O barbeiro ignorava estas falas, confiava na mulher que tinha casado há mais de vinte anos. De tanto jogar, certo dia ao conferir na tabuleta na bodega, pulou de alegria, pois tinha ganhado a milhar. Correu para casa para contar a novidade, Com o dinheiro no bolso, correu logo para satisfazer o seu desejo criado há anos, a compra de um carro. Seu Belinho tinha um carro novinho, quase não saia de casa, pois estava já velho e desejava vender para comprar umas vacas para o seu sitio, Lago do Mato. Joaozinho se interessou e comprou o carro e saiu dirigindo precariamente pelas ruas sossegadas de Lagoinha. Resolveu dar folga a si, e foi a capital comprar material para sua barbearia que agora ia ser o chamariz e a mais frequentado, inclusive gente da alta. Às cinco horas da manhã partiu sozinho para Recife oitenta e nove quilômetros de distancia. A estrada ruim de barro dava solavancos a cada momento, o que o barbeiro reclamava que estava esculhambando o seu carro novinho, com a poeira e as pedras que eram atiradas no assoalho. Durante quatro horas correu pela estrada e finalmente ganhou a rua principal da capital num meio de carros passando de um lado para outro ficando atordoado com o movimento. No centro da cidade começou a andar pela rua se mostrando, não parava em nenhum sinal, pois não conhecia as cores verdes, amarela e vermelha que regulava o transito, ignorava passava em qualquer sinal fazendo os outros motoristas reclamarem com freadas bruscas, exclamando: Barbeiro! Barbeiro! Barbeiro! A cada grito se orgulhava, ele não conhecia ninguém e todos o conheciam. Voltou para casa entusiasmado. Todos na capital o conheciam. Foi logo dizendo: mulher tu sabes duma coisa? Todos na capital me conheciam. Ao passar pelas ruas dirigindo somente ouvia o nome: Barbeiro! Barbeiro! Barbeiro! Isto me deixou orgulhoso. Na próxima semana eu vou de novo e tu vais comigo para tu ver o que eu digo é verdade. Passado oito dias Joãozinho voltou a capital. Dona Quitéria se enfeitou toda botou roupa e sandália novas, penteou o cabelo colocando laquê para não assanhar, brincos e pulseira e sorridente sentou-se ao lado do marido e partiu às cinco horas da manhã numa terça feira. O sol quente agoniava Dona Quitéria e seu Joãozinho na buraqueira da estrada e a poeira invadindo o seu automóvel. Chegou finalmente na capital, sorridente Seu Joãozinho disse para mulher ao seu lado: tu vais ver agora se todos não me conhecem! Na primeira rua passou o sinal estava vermelho e ele ignorou quando houve uma freada brusca pelo outro motorista e gritou: Corno! Corno! Corno! Seu Joãozinho ficou encabulado e Dona Quitéria disse; Vamos embora!  Eles souberam por quem?  

terça-feira, 18 de abril de 2017

Uma ode ao Lula e ao PT




Por Zezinho de Caetés

Ainda não acordei do final de semana prolongado pela quaresma e encurtado pelas delações da Lava Jato. Foram dias de imersão espiritual e de meditação para não cairmos na tentação de explodir todos os políticos, jogando a água fora, junto com os peixes dentro. Ao invés disto, guardamos a água para comentar, e comemos os peixes.

Com as notícias que se amontoaram, não há outra forma de começar tudo de novo, a não ser pensando em se ver livre de tudo e de todos, começando tudo de novo. Até que um “anjo” , nos sopra no ouvido e pergunta: “Começar de onde, cara pálida?”.

Caio em mim e vejo que a vida continua e o governo Temer, apesar de fraco, é o que temos. E, espero que ele continue no mesmo ritmo, melhorando, bem devagarzinho a Economia, e tratando a política com tato, para ver se conseguimos emplacar algumas reformas necessárias.

E hoje, com a derrocada do PT, não por ter sido o único a fazer mal feitos, mas aquele que mais nos mentiu e enganou na Nova República, tudo parece mais fácil. Já vemos que “os de sempre” como Paulo Henrique Amorim, e outros na mídia, já malham o Lula como eu vim malhando há muito tempo. Ou seja, os ratos já estão abandonando o navio e temos que cortar sua rota de fuga.

Se alguém perguntar por que, a resposta será a mesma que se deu para o impeachment da Dilma: Pelo conjunto da obra, que nos levou a este miserê em que nos encontramos. Foi uma mentira só.

E, para começar a semana em grande estilo, dentro da minha área de Letras, encontrei um poema antigo do Affonso Romano de Sant’Anna, que foi escrito lá pelos idos de 1980, mas que, cai com uma luva nos tempos de hoje. Eu até mudaria o seu título que originalmente foi: “A implosão da mentira”, para outro muito mais moderno, tal como: “Ode ao PT”, ou mesmo, e por que não: “Uma ode a Lula”.

Leiam o Affonso, e vejam se eu não estou certo, em todos os Fragmentos:


“Fragmento 1


               Mentiram-me. Mentiram-me ontem

               e hoje mentem novamente. Mentem

               de corpo e alma, completamente.

               E mentem de maneira tão pungente

               que acho que mentem sinceramente.


               Mentem, sobretudo, impune/mente.

               Não mentem tristes. Alegremente

               mentem. Mentem tão nacional/mente

               que acham que mentindo história afora

               vão enganar a morte eterna/mente.


               Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases

               falam. E desfilam de tal modo nuas

               que mesmo um cego pode ver

               a verdade em trapos pelas ruas.


               Sei que a verdade é difícil

               e para alguns é cara e escura.

               Mas não se chega à verdade

               pela mentira, nem à democracia

               pela ditadura.


Fragmento 2


               Evidente/mente a crer

               nos que me mentem

               uma flor nasceu em Hiroshima

               e em Auschwitz havia um circo

               permanente.


               Mentem. Mentem caricatural-

               mente.

               Mentem como a careca

               mente ao pente,

               mentem como a dentadura

               mente ao dente,

               mentem como a carroça

               à besta em frente,

               mentem como a doença

               ao doente,

               mentem clara/mente

               como o espelho transparente.

               Mentem deslavadamente,

               como nenhuma lavadeira mente

               ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem

               com a cara limpa e nas mãos

               o sangue quente. Mentem

               ardente/mente como um doente

               em seus instantes de febre. Mentem

               fabulosa/mente como o caçador que quer passar

               gato por lebre. E nessa trilha de mentiras

               a caça é que caça o caçador

               com a armadilha.

               E assim cada qual

               mente industrial?mente,

               mente partidária?mente,

               mente incivil?mente,

               mente tropical?mente,

               mente incontinente?mente,

               mente hereditária?mente,

               mente, mente, mente.

               E de tanto mentir tão brava/mente

               constroem um país

               de mentira

                                       - diária/mente.


Fragmento 3


               Mentem no passado. E no presente

               passam a mentira a limpo. E no futuro

               mentem novamente.

               Mentem fazendo o sol girar

               em torno à terra medieval/mente.

               Por isto, desta vez, não é Galileu

               quem mente.

               mas o tribunal que o julga

               herege/mente.

               Mentem como se Colombo partindo

                do Ocidente para o Oriente

               pudesse descobrir de mentira

               um continente.


               Mentem desde Cabral, em calmaria,

               viajando pelo avesso, iludindo a corrente

               em curso, transformando a história do país

               num acidente de percurso.


Fragmento 4


               Tanta mentira assim industriada

               me faz partir para o deserto

               penitente/mente, ou me exilar

               com Mozart musical/mente em harpas

               e oboés, como um solista vegetal

               que absorve a vida indiferente.


               Penso nos animais que nunca mentem.

               mesmo se têm um caçador à sua frente.

               Penso nos pássaros

               cuja verdade do canto nos toca

               matinalmente.

               Penso nas flores

               cuja verdade das cores escorre no mel

               silvestremente.


               Penso no sol que morre diariamente

               jorrando luz, embora

               tenha a noite pela frente.


Fragmento 5


               Página branca onde escrevo. Único espaço

               de verdade que me resta. Onde transcrevo

               o arroubo, a esperança, e onde tarde

               ou cedo deposito meu espanto e medo.

               Para tanta mentira só mesmo um poema

               explosivo-conotativo

               onde o advérbio e o adjetivo não mentem

               ao substantivo

               e a rima rebenta a frase

               numa explosão da verdade.


               E a mentira repulsiva

               se não explode pra fora

               pra dentro explode


implosiva.”