Em manutenção!!!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

LILI




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho


No alto do edifício, 12º andar, na pequena quitinete se rebolava ao som da vitrola tocando um mambo. No meio da sala uma mesinha com duas garrafas de cerveja e um litro de Rum Montilha limão e coca. Um pratinho com tira gosto de queijo do reino e salame. Um maço de cigarros no chão junto com uma caixa de fosforo. O odor de fumaça e as pontas do cigarro no cinzeiro expelia o cheiro da nicotina, insuportável.  Os copos pela metade das bebidas ao lado do sofá. Lá de cima ela se debruçava na janela via a paisagem da Avenida Conde da Boa Vista, tornando-se vazia. As portas das lojas iam com o seu ruído se fechando e os funcionários cada um tomavam o seu rumo. Os ônibus paravam para apanhar os passageiros. Na Rua Sete de Setembro, os camelos iam se juntando com barracas de bebidas e petiscos enquanto os clientes iam se sentando nos tamboretes de plásticos. Duas amigas faziam companhia na tarde do sábado. Tinham passado a noite em claro, em companhia de alguns rapazes em um forro lá pra bandas da Avenida Caxangá. Uma deitada no sofá, outra bebericava alguns goles do Rum com gelo mexendo com o dedo que levava a boca. Sonolenta. Enquanto Lili se rebolava de olhos fechados curtindo a musica e a tarde. Ela veio do interior do Estado para estudar, queria se formar em Medicina, ser médica era o seu sonho. A boemia não deixou. Começou a sair com algumas amigas percorrendo os bares da cidade tomando uma e outras, Se envolveu neste modo de vida. As noites eram para se divertir. Morava no centro do Recife, tudo era mais fácil, para desenvolver estes prazeres. Às quatro e meia da tarde chegou dois rapazes que tinham ficado com elas na noite anterior, dançando, se esfregando até o dia amanhecer quando eles a deixaram na calçada do edifício. Foram recebidas com alegria e entusiasmo, colocando já a bebida em dois copos que logo começaram a beber. No entusiasmo o tempo foi passando e a bebida foi tomando conta da mente de cada um. A noite chegou sem ser sentida pelos boêmios. Ninguém é de ninguém, diziam. Vamos brincar até ao amanhecer. No domingo pela manhã já estava alguém batendo na porta. Acordava com uma ressaca braba. Esfregou os olhos e lavou o rosto na pia antes de atender. Vestida de peignoir branca transparente e com o cabelo ainda assanhado. Quem será, indagou. Não é possível que eu não tenha sossego! Até no domingo não tenho paz. Vão pra o inferno. Abriu a porta e deparou-se com um policial civil pedindo para que lhe acompanhasse até a delegacia de Santo Amaro. O que foi que eu fiz? Ficou pálida como já estava devido à farra feita no dia anterior.  O delegado lhe dirá.  Botou uma roupa mais decente e seguiu o policial. Sentou-se e esperou ser chamada. Outras mulheres lá estavam umas agredidas pelos companheiros, outras por causa das drogas, brigam entre vizinhos, por ciúmes. Por mais de uma hora ela esperou. Já estava impaciente. Mas o que fazer? Aguardar. Na presença do delegado, ficou assustada. Desejava saber o tinha feito, pois passara à tarde todinha em casa, não saiu à rua e porque estava na delegacia? A senhora veio até aqui, pois perturbou a vizinhança onde mora, com musica alta e gritos histéricos de seus colegas, durante a noite o que não pode. É um desrespeito. Existe a lei do silencio e é para ser cumprida, entendeu? Mas seu delegado foi apenas uma comemoração do aniversario de uma colega. Mas se for verdade esta versão, e as outras vezes que acontecem de acordo com a denunciante?  Estou lhe advertindo da próxima vez, vai para o xilindró descansar e pensar melhor. Saiu desolada, choramingando com um papel na mão. Lili não tomou jeito. Continuou com as farras todos os sábados e domingo à tarde e muitas das vezes na semana. Começou usar drogas e foi denunciada. A policia deu uma varredura na quitinete e apanhou certa quantidade de cocaína e maconha. Foi detida com outros companheiros levado para a delegacia e autuado por trafico de drogas levada para Colônia Penal Feminina do bairro do Engenho do Meio. E farra terminou ali....

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A trapaça eleitoral e o jeito do PT ("Their Way")




Por Zezinho de Caetés

Vi, na última quinta-feira, a reprodução de um vídeo da sessão plenária da Câmara de Deputados, cujo protagonista foi o Deputado pernambucano Bruno Araújo do PSDB . Eu acho até que,  o Zé Carlos, em sua coluna semanal, que ele diz de humor, poderia reproduzi-lo aqui, pelo seu potencial hilariante. Não sabendo se ele o fará ou não, talvez, pelo risco de matar alguém de tanto rir, eu o reproduzo logo abaixo.

Aliás, tenho que dizer que a bancada pernambucana lá em Brasília está com a corda toda, no sentido de está fazendo aquilo que deve ser feito, quando na oposição. Já havia visto a luta do Mendonça Filho, e agora vejo o Bruno Araújo. A este último, parabéns ela iniciativa.

Para ser justo, quem protagoniza o discurso não é o Bruno Araújo e sim a gerenta presidenta Dilma, quando disse tempos atrás que a situação da energia no Brasil estava tão boa que os brasileiros mereciam gastar mais, muito mais, e pagar menos por ela. Se o eleitorado que foi as urnas em 2014 fosse minimamente informado, há muito tempo a Petrobrás já estaria sem Graça e com o valor maior do que o de hoje, que dizem ser de 1,99.

Vejam o quase humorístico vídeo, quando até o Arlindo Chinaglia, ainda com o lombo quente da surra que levou do Eduardo Cunha, nas eleições para presidente da Câmara, gritava: Senhor Presidente, Senhor Presidente... tentando interromper o discurso magistral da Dilma, e o Cunha nem ligava.

Vejam o filme e decidam se foi trapaça ou estelionato o que foi feito pelo PT no ano passado. Eu volto para arrematar, logo a seguir:



Viram, onde o país foi se meter? E dizem que a gerenta presidenta é uma especialista em energia. Imagine se não fosse. E até agora, no momento em que escrevo, ninguém quis aceitar a presidência da Petrobrás. Eu pergunto, quem vai ser o besta que a aceitará para receber ordens da gerenta Porcina? Só o Lula, talvez, que sabe o que criou quando a colocou na presidência e sabe controlá-la, e que não está fazendo nada na vida atualmente, a não ser cuidar de sua saúde.

Como se não bastasse, ontem à tarde eu soube da nona etapa da Operação Lava-Jato, sim aquela, que mais rápida do que um avião a jato, está descobrindo as falcatruas do PT junto à Petrobrás. Como diria a Dilma: "É estarrecedor!". O Pedro Barusco, o ex-gerente de Serviços da Petrobrás, que era o braço direito do afilhado do petista Zé Dirceu, o Renato Duque, contou, em sua delação premiada, já no último mês de novembro de 2014, que o PT recebeu entre 150 a 200 milhões dólares em propinas que envolvia contratos de Petrobrás.

Isto ocorreu entre os anos de 2003 e 2013, segundo ele. É muito dinheiro, mas, isto não vem ao caso, porque se tudo ficar esclarecido e a Justiça for justa, uma grande parte dele voltará aos cofres públicos. O problema é o seu uso em campanhas eleitorais que mantêm o partido no poder há 12 longos anos. Isto, perto do mensalão é como diz o Barusco para caracterizar a rotina propineira é "semanada". Isto mesmo, o Renato Duque tinha um esquema semanal de recebimento e entrega de propina, do qual um dos grandes beneficiários era o João Vaccari Neto, nada mais, nada menos do que o tesoureiro do PT.

Isto, se for verdade, e quando o cara se mete numa delação premiada sabe que o jogo é duro se estiver mentindo (ou seja, passarinho de come pedra deve saber o tamanha do ânus), tudo indica que é, é mais do que estarrecedor, é cruel para com o povo brasileiro que viveu enganado por tanto tempo.

Só nos resta, nós que gostamos da política, mas dela não fazemos parte, informar aos brasileiros do que se passa nessa nossa, antes, honorável república. Se pensaram em cadeia e impeachment, não se culpem, todos os brasileiros estão pensando. E sabem como a PF está chamando esta nova fase da Operação Lava-Jato? My Way. Dizem que este epíteto foi colocado devido a ser este o apelido do Renato Duque entre os propineiros. Há também a interpretação que o Frank Sinatra dá a esta música mostrando uma jeito típico de agir, assim como o PT sempre agiu, ou seja, do jeito deles. E já que coloquei um filme no meio desta postagem, por não colocar um outro, até mais bonito?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Dilma, a menina veneno?




Por Zezinho de Caetés

Ontem foi nosso dia de ação de Graça. De Graça Foster, esclareço. Foi o dia de sua libertação do julgo palaciano. Eu não acredito que aquela mulher, que trabalha na Petrobrás há 34 anos e que deu toda sua beleza, se tinha alguma, por ela, seja culpada de nada. Penso ter sido ela apenas a testa de ferro da chefe, como outros foram do chefe. Afinal, a Dilma resolveu que irá demiti-la do cargo de presidente da empresa, não o fazendo até agora, dizem, pela amizade que as unia, na alegria e na tristeza. Que bonitinho!

Porém, não é bonitinho para o povo brasileiro em geral e para os acionistas da Petrobrás, em particular, os quais hoje estão mais pobres porque acreditaram na baboseira do pré-sal e em outras que serviram apenas para dar mais quatro anos de mandato ao PT. Estes sim, são os que o Cristovam Buarque diz, no texto que reproduzo abaixo (Blog do Noblat – 04/02/2015), perguntando: “Quem envenenou a Petrobrás?”, que se movimentam pela empresa. Tudo o que ele diz pode ser verdade, mas, não disse tudo.

Faltou ao professor fazer o seu “mea culpa” particular, por ter colaborado com o PT em sua saga para permanecer no poder. Quantos de nós acreditamos na fisionomia de Lula com seus nove dedos melados de petróleo? E lembram da Dilma escrevendo na camisa do Sérgio Gabrieli? Era uma verdadeira farsa, enquanto o veneno da corrupção corria nas veias abertas da maior empresa da América Latina (antes do veneno, pois se continuar nas mãos de Dilma, vai chegar a 1,99 de valor).

E o estranho, para mim, que o conheci muito, é o silêncio de Lula. Eu sei que enquanto ele não fala, está maquinando para voltar ao poder, e aí é que está o busílis. Se nos perguntarmos hoje quem seria o alquimista que produziu o veneno que já quase matou a Petrobrás, diríamos o que? Que foi o FHC que acusaram de tentar privatizá-la ou o Lula que usou isto para se eleger por quatro vezes?

Ontem eu escrevi no Mural da AGD, onde me expresso nas horas em que não consigo me conter, porque sai mais rápido, que, se realmente formos tentar pegar os culpados e puni-los, o problema será do governo de Brasília para construir prisões para tantos petistas que lá chegarão. E citei o Ives Gandra Martins, que hoje é o jurista detestado pelos petistas por ser a favor do impeachment da Dilma (mas, era o queridinho deles quando disse que não havia provas para condenar o Zé Dirceu no mensalão) e aqui recito-o:

“Quando, na administração pública, o agente público permite que toda a espécie de falcatruas sejam realizadas sob sua supervisão ou falta de supervisão, caracteriza-se a atuação negligente e a improbidade administrativa por culpa. Quem é pago pelo cidadão para bem gerir a coisa pública e permite seja dilapidada por atos criminosos, é claramente negligente e deve responder por esses atos”.

Citei-o para que vocês meditem como o veneno da Petrobrás, além de poder levá-la à breca, pode levar para as prisões os envenenadores, ainda com os frasquinhos escondidos nos bolsos. Fiquem com o veneno do professor Cristovam:

“Felizmente surgiu nestes últimos dias movimentos em defesa da Petrobras. Empresa que orgulha o Brasil e da qual o Brasil depende. Mas é surpreendente que estes movimentos não estejam denunciando quem envenenou nossa empresa.

A Petrobras foi envenenada por diretores corruptos aliados a empresas corruptas. Juntos superfaturaram obras, roubaram dinheiro do País, degradaram nossa empresa.

A Petrobras foi envenenada pelo aparelhamento partidário que escolheu dirigentes despreparados para os cargos, selecionados apenas pela carneirinho partidária.

A Petrobras foi envenenada pelo conluio entre os dirigentes políticos e os diretores aparelhados que ofereceram facilidades e lucro majorado às empresas, em troca de propinas para enriquecimento pessoal ou com o objetivo de financiar campanhas eleitorais.

A Petrobras foi envenenada pela manipulação dos preços de seus produtos reprimidos abaixo das necessidades financeiras, para esconder a inflação. O governo sacrificou a Petrobras com superfaturamento de obras para obter financiamento de campanha e rebaixamento nos preços de seus produtos para enganar a população.

A Petrobras foi envenenada pela exigência de investimentos além de suas possibilidades, como forma de justificar o marqueting de que o Pré-Sal salvaria a Nação, educaria as crianças, construiria a infra-estrutura.

A Petrobras foi envenenada pela teimosia de manter dirigentes que há meses não passam credibilidade, nem demonstram capacidade para conduzir a empresa.

A Petrobras foi envenenada pelo silêncio de muitos de seus servidores que sabiam ou desconfiavam dos mal feitos e da má gestão mas calaram por apego aos cargos, por partidarismo ou por medo.

A Petrobras foi envenenada também pela imprensa, mas não pelo fato de estar divulgando as notícias e sim pela incapacidade investigativa que descobrisse em tempo o que se passava dentro da empresa. Não fizeram com a Petrobras o que fizeram com o mensalão. Não é por acaso que o nome mensalão foi apelidado pela mídia e o nome Lava a Jato pela Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça. A mídia apenas notícia o que dizem investigadores e delatores premiados, ela não descobriu nada. Felizmente porém divulga o que não foi capaz de descobrir.

A Petrobras foi envenenada pela base de apoio do governo no Congresso, que não deixou que a CPI desnudasse em tempo o envenenamento a que ela estava sendo submetida.


E a Petrobras está sendo envenenada agora por aqueles que silenciaram durante todos os meses das descobertas das propinas, dos desmandos e agora dizem defender a nossa empresa, sem identificar os envenenadores, sem denunciar todos os responsáveis pelo crime ainda pior do que corrupção, crime de lesa pátria cometido.”

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O responsável por você, é você mesmo!




Por Zezinho de Caetés

Poderia começar como começa o ex-presidente FHC,  no escrito abaixo transcrito, e publicado no último domingo em vários veículos da mídia nacional e estrangeira, dizendo, igual a ele:

“Quando eventualmente este artigo vier a ser lido, a Câmara dos Deputados estará escolhendo seu novo presidente. Ganhe ou perca o governo, as fraturas na base aliada estarão expostas.”

Entretanto, hoje já é segunda-feira e já se pode ver que as fraturas da base aliada já estão expostas e piores do que a de Anderson Silva, naquela luta onde quase deixou de lutar MMA.
 Nunca, na história deste país, se viu uma derrota mais acachapante como aquela que sofreu o governo da gerenta presidenta, Dilma, no Congresso, ontem. Hoje não deveria se falar mais em base aliada, e sim de “base baleada”, que morreu com uma bala perdida disparada pelo voto secreto. Mas, fora isto, leiam o FHC, logo abaixo, que ele está certo. Só não digo, como sempre, porque, seu esquerdismo e intervencionismo, hoje, se afasta muito do que penso. No entanto, em termos de cultura e conhecimento histórico, compará-lo com Dilma e Lula é a mesma coisa que comparar Jesus Cristo com Zé Buchudo, este, presente em nossa infância lá em Caetés.

E agora o PT está nas mãos do Eduardo Cunha e do Renan Calheiros. Ou seja, morreu. A partir desta semana, o governo será do PMDB, mesmo se a justiça não fizer o justo que é impichar a Dilma, pelo que ela fez e diz que não sabia. Eu só acredito quando ela diz que não sabia, se isto significasse que ela não sabia o que estava fazendo, porque nem o Lula soube. Eles foram apenas tocando o Brasil, como gado em época de bom tempo, que encontra comida onde para e que se satisfaz com isto. Quando o tempo ficou ruim, porque não choveu ou porque eles comeram mais bois do que poderiam, então a vaca foi para o brejo, tossindo feito uma louca.

Será que não seria o caso da Dilma poupar o tempo da justiça para julgar os “petroleiros” e renunciar de pronto? Mas, isto seria um gesto de sensatez, inusitado para a gerenta Porcina, aquela que foi sem nunca ter sido. No entanto, a esperança é a última que morre, a não ser no Rio de Janeiro, que já morreu de bala perdida, faz tempo ou em Brasília, por homicídio culposo de vários políticos. Eu quero ver mesmo é quanto tempo nosso povo vai ficar sem pintar a cara e sair às ruas, como já fez um vez. Já se viu que os políticos só mudam de opinião com as manifestações populares. Lembram de 2013? Até o Renan fez alguma coisa no Senado e Dilma quase que morre de medo.

Quem sabe já é a hora? Ou deveríamos acreditar, agora quase ao inverso naqueles versos que cantei para sair da ditadura militar, “... quem sabe faz a hora, não espera acontecer!”. E já é hora de mudanças mais profundas no nosso sistema político, depois de tanto “estadismo” intervindo nos nossos assuntos mais íntimos, como se fôssemos a “a juventude de Hitler”. Os jovens já estão sabendo que é neles que está a solução para a maioria dos nossos problemas, e não no Estado patrão que nos faz apenas mendigos das bolsas enganosas do PT.

Fiquem agora com o FHC, e meditem durante esta semana, sobre o que nos espera em futuro próximo, sempre lembrando que o responsável por você, é você mesmo.

“Quando eventualmente este artigo vier a ser lido, a Câmara dos Deputados estará escolhendo seu novo presidente. Ganhe ou perca o governo, as fraturas na base aliada estarão expostas. Da mesma maneira, o esguicho da Operação Lava-Jato respingará não só nos empresários e ex-dirigentes da Petrobras nomeados pelos governos do PT, mas nos eventuais beneficiários da corrupção que controlam o poder. A falta de água e seus desdobramentos energéticos continuarão a ocupar as manchetes.

Não se precisa saber muito de economia para entender que a dívida interna (três trilhões de reais!), os desequilíbrios dos balanços da Petrobras e das empresas elétricas, a diminuição da arrecadação federal, o início de desemprego, especialmente nas manufaturas, o aumento das taxas de juros, as tarifas subindo, as metas de inflação sendo ultrapassadas dão base para prognósticos negativos do crescimento da economia.

Tudo isso é preocupante, mas, não é o que mais me preocupa. Temo, especialmente, duas coisas: o havermos perdido o rumo da História e o fato da liderança nacional não perceber que a crise que se avizinha não é corriqueira — a desconfiança não é só da economia, é do sistema político como um todo. Quando esses processos ocorrem não vão para as manchetes de jornal. Ao entrar na madeira, o cupim é invisível; quando percebido, a madeira já apodreceu.

Por que temo havermos perdido o rumo? Porque a elite governante não se apercebeu das consequências das mudanças na ordem global. Continua a viver no período anterior, no qual a política de substituição das importações era vital para a industrialização. Exageraram, por exemplo, ao forçar o “conteúdo nacional” na indústria petrolífera, excederam-se na fabricação de “campeões nacionais” à custa do Tesouro. Os resultados estão à vista: quebram-se empresas beneficiárias do BNDES, planejam-se em locais inadequados refinarias “premium” que acabam jogadas na vala dos projetos inconclusos. Pior, quando executados, têm o custo e a corrupção multiplicados. Projetos decididos graças à “vontade política” do mandão no passado recente.

Pela mesma cegueira, para forçar a Petrobras a se apropriar do pré-sal, mudaram a lei do petróleo que dava condições à estatal de concorrer no mercado, endividaram-na e a distanciaram da competição. Medida que isentava a empresa da concorrência nas compras, transformou-se em mera proteção para decisões arbitrárias que facilitaram desvios de dinheiro público.

Mais sério ainda no longo prazo: o governo não se deu conta de que os Estados Unidos estavam mudando sua política energética, apostando no gás de xisto com novas tecnologias, buscando autonomia e barateando o custo do petróleo.

O governo petista apostou no petróleo de alta profundidade, que é caro, descontinuou o etanol pela política suicida de controle dos preços da gasolina, que o tornou pouco competitivo e, ainda por cima (desta vez graças à ação direta de outra mandona), reduziu a tarifa de energia elétrica em momento de expansão do consumo, além de ter tomado medidas fiscais que jogaram no vermelho as hidrelétricas.

Agora todos lamentam a crise energética, a falta de competitividade da indústria manufatureira e a alta dos juros, consequência inevitável do desmando das contas públicas e do descaso com as metas de inflação.

Os donos do poder esqueceram-se de que havia alternativas, que sem renovação tecnológica os setores produtivos isolados não sobrevivem na globalização e que, se há desmandos e corrupção praticados por empresas, eles não decorrem de erros do funcionalismo da Petrobras, nem exclusivamente da ganância de empresários, mas de políticas que são de sua responsabilidade, até porque foi o governo quem nomeou os diretores ora acusados de corrupção, assim como foram os partidos ligados a ele os beneficiados.

Preocupo-me com as dificuldades que o povo enfrentará e com a perda de oportunidades históricas. Se mantido o rumo atual, o Brasil perderá um momento histórico e as gerações futuras pagarão o preço dos erros dos que hoje comandam o país. Depois de 12 anos de contínua tentativa de desmoralização de quase tudo que meu governo fez, bem que eu poderia dizer: estão vendo, o PT beijou a cruz, tenta praticar tudo que negou no passado — ajuste fiscal, metas de inflação, abertura de setores públicos aos privados e até ao “capital estrangeiro”, como no caso dos planos de saúde.

Quanto ao “apagão” que nos ronda, dirão que faltou planejamento e investimento como disseram em meu tempo? Em vez disso, procuro soluções.

Nada se consertará sem uma profunda revisão do sistema político e, mais especificamente, do sistema partidário e eleitoral. Com uma base fragmentada e alimentando os que o sustentam com partes do Orçamento, o governo atual não tem condições para liderar tal mudança. E ninguém em sã consciência acredita no sistema prevalecente. Daí minha insistência: ou há uma regeneração “por dentro”, governo e partidos reagem e alteram o que se sabe que deve ser alterado nas leis eleitorais e partidárias, ou a mudança virá “de fora”. No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais.


Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas, desde que efetivamente culpados. Que o STF não deslustre sua tradição recente. E, principalmente, que os políticos, dos governistas aos oposicionistas, não lavem as mãos. Não deixemos a Justiça só. Somos todos, responsáveis perante o Brasil, ainda que desigualmente. Que cada setor político cumpra sua parte e, em conjunto, mudemos as regras do jogo partidário eleitoral. Sob pena de sermos engolfados por uma crise, que se mostrará maior do que nós.”

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A semana - Dilma ataca de novo, a Petrobrás balança e os paulistas ficam sem banho!




Por Zé Carlos

Foram tantas as emoções e tanta vontade de rir, que ao se aproximar o carnaval, eu lembrei da velha marchinha do Zé Kéti, que dizia: “Quanto riso, oh quanta alegria, mais de 1000 palhaços no salão...”, que ao ser tocada pelo conjunto do meu colega de turma e professor, José Tenório Duarte, em Bom Conselho, ninguém ficava sentado nas mesas, e passávamos todos a dar voltas no salão, imitando o passo do Wilson do Correio, que faleceu esta semana, e aqui, sempre lembrando dos momentos alegres de sua vida, eu transmito meus sentimentos aos familiares.

E não era para menos. A Dilma voltou a falar e vocês sabem, que quando ela fala, o riso é quase certo. Não é nem mais pelo que ela diz, pois já ninguém está interessado pela irrelevância das suas ideias para a realidade, e sim, pelo seu comportamento quando seus assessores dizem a ela que está sendo filmada, e que pode aparecer no Jornal Nacional. Ela treme nas bases só de pensar no Williams Boner, mesmo que a Patrícia Poeta não esteja mais lá.

Nessas horas, o que ela faz de melhor é passar pitos nos subordinados e assessores, como se eles fossem culpados de sua burrice e falta de informação. Desde quando ela chamou Toritama de Ibotirama e culpou a assessoria por isso, que eu já sabia que ela iria perder as eleições em Pernambuco, para o governo do Estado. Não deu outra, o povo pernambucano respondeu: “Ibotirama é a mãe!”. E deixou o Humberto a ver navios. Nesta linha deve ter confundido São Paulo com São Lunguinho, ao dar 3 pulinhos, lá na Avenida Paulista. São Paulo também deu o troco. Elegeu Alckmin, mesmo sem tomar banho e morrendo de sede, enquanto o Padilha levava o maior sabão. Infelizmente, em Minas ela deve ter acertado o nome da Capital e não chamou Belo Horizonte de Belo Monte. Eu estou doido que ela chame o Brasil de Terra de Santa Cruz, para ver se o pessoal decide não votar mais nela, mesmo com o risco de perder o Bolsa Família, ou em candidato que ela apoie.

Nesta semana que passou ela não errou um nome só. Ao tentar enganar o público com um daqueles teleprompters tipo Obama, com o qual todos acham que a pessoa está falando de improviso, quase nos matou de rir, quando o encarregado de rolar o “improviso” o fez mais devagar do que seu governo. Ela não teve dúvida, e em plena solenidade, onde se reuniu o maior ministério do mundo, fez aquela pose de quem nos faz morrer de rir e rasgou o verbo: “Eu vou preferir ler meu improviso!”. Para ser justo, ela não falou assim, mas, mais ou menos assim. No entanto, eu justifico a interpretação pelas performances anteriores e por ser esta coluna, um lugar de humor.

Não consegui ouvir até o final do discurso improvisado. Até onde fui, parecia que estava repetindo o da campanha. Até agora não li nada do Aécio sobre o discurso, talvez por falta de informação ou porque ele ainda deve estar rindo até agora. Espero que ele não leia esta coluna, senão a oposição poderá morrer de rir e a Dilma continuar tossindo.

E vocês sabiam que, nesta semana de tantas emoções, a Petrobrás balançou por causa do balanço? Para aqueles que são noviços nesta área, da mesma forma que as ancas das brasileiras mexem e são apreciadas prelos gringos, as empresas que se envolvem com eles, tem que se balançar direitinho. Se o balanço é, como aquele divulgado pela nossa ex-maior empresa, algo onde não se consegue mostrar quanto foi roubado durante um período de tempo, os gringos, e até alguns brasileiros, que tiveram a infeliz ideia de não vender as ações da Petrobrás logo que souberam que a Dilma era presidente do Conselho de Administração, correm para vendê-las, antes que haja uma crise de abastecimento de papel higiênico e valha a pena usá-las como substituto. Resultado, a Petrobrás hoje vale tanto quanto a mercearia de Zé Basílio, na qual comprei muito, lá em Bom Conselho.

Não riam por enquanto, porque, quando a Dilma falou no superencontro ministerial, todos esperavam que ela viria dizendo: “Petrobrás, os seus problemas acabaram...”. No entanto, que fez ela? Comecem a rir. Disse: “ ... a realidade atual só fez reforçar nossa determinação de dotá-la da mais eficiente estrutura de governança e controle que uma empresa estatal ou privada já teve no Brasil”. Podem rir à vontade se entenderam bem, ela quis dizer: “Agora vamos fechar a porta, porque a casa foi roubada”, sem perguntar se lá dentro ainda havia algo de valor. E realmente, não havia, a não ser a Graça. Ainda estão vivos?

Então eu lhes prometo uma boa e risonha morte se eu continuar a desfiar as besteiras e porcarias que ela ainda cometeu neste discurso. Imaginem que ela disse “estamos tomando todas as ações cabíveis para garantir o suprimento de energia”. Depois de 12 anos? Tenham dó! A solução mesmo seria ela dizer o que dizíamos, quando era criança lá em Bom Conselho, e queríamos mentir para nossa mãe: “Eu quero que um raio caia em minha cabeça se eu estiver mentindo!” Hoje teríamos apenas uns 10 ministros em condições de levar a mentira adiante, pois Deus não brinca em serviço, nem seus raios. Seria a solução completa? Claro que não, porque pelo menos 30 deles estavam na reunião para fazer figuração, e não apitam nada, os inocentes.

Se quiserem rir mais vejam o que é “superávit primário” (*), e descansem um pouco para ver a orientação principal à multidão de ministros que a cercava: “Nós não podemos permitir que a falsa versão se crie e se alastre.” E continuou pedindo que eles não deixassem que nenhuma mentira prosperasse no Brasil. Ninguém se manisfestou, a não ser o homem que rodava o teleprompter, que sussurou: “Ainda bem que ela pediu prá ler, pois depois poderia dizer que mentiu, por que não rodei rápido a mentira”.

Esses assuntos já seriam suficientes para cumprir o papel semanal desta coluna, que é fazer com que nossos parcos leitores comecem a semana rindo, mas, no Brasil de hoje cada semana, quando se trata de humor, parece interminável. Fora o bumbum da Paolla Oliveira (mais comentado do que o vestido da Katia Abreu na posse da Dilma) e as eleições para presidente das casas congressuais, ainda tem o filme do UOL. Lembram?

Na eleição para presidente da Câmara os produtores não tocaram, nem no belo bumbum da Paolla, por motivos óbvios. A semana, para eles vai até sábado. Já que a minha se prolonga até a segunda-feira da próxima, eu tenho que tocar, pelo menos, nas eleições no Congresso, que, como todos sabem, ocorreu ontem e foi uma briga de foice no escuro, para ver quem seriam os mandatários do nosso Parlamento para o período que a história poderá lembrar como o de mais um impeachment. Eu ainda lembro do de Collor. Não que eu queira isto para ela, porque, se a Dilma sair, quem protagonizará nossa coluna semanal? Mas, pelos resultados, parece que não tem jeito. Só falta agora ela aparecer em cadeia (saiu sem querer) nacional e dizer: "Não me deixem só!". Esta será a senha para que os Caras Pintadas encham as ruas. Também, venhamos e convenhamos, alguém que cria o Dia Nacional do Milho numa crise dessa, está se arriscando muito. Deveria ter criado logo o Dia Nacional da Mentira. Simplesmente, porque já existe, embora na data errada: 1º de abril.Quando é mesmo o dia do aniversário do Lula?

O mais importante, fora a impagável intervenção da Dilma que vocês devem ver, no filme, é a seca no estado de São Paulo e suas consequências. Alguém diz que os paulistas serão conhecidos agora pelo mau cheiro, já que, ficarão 5 dias sem água e 2 dias com, durante a semana, o que implica a diminuição dos banhos. Eu, e todo meu Bom Conselho querido, conhecemos a Ana Luna, a quem considero natural da cidade, embora tenha nascido em São Paulo, para onde seus pais foram na época em que a seca era no nordeste. É uma das nossas melhores escritoras e A GAZETA (jornal escrito da cidade) que sempre a publica, em seu último número, colocou uma nota na  qual sente a ausência da Ana, no último Encontro de Bonconselhenses. Eu me recuso a admitir que o motivo da ausência seja o rodízio da água em São Paulo. É impossível imaginar, Ana, com sua beleza, fedendo a paulista.

Bem, por hoje é só, pois aqueles leitores mais renitentes ainda têm um P.S. para ler sobre o superávit primário, e eu não sei se resistirão a mais risos. Fiquem com o pequeno resumo do roteiro dos produtores do UOL,  vejam o filme e entrem na semana com um superávit primário de humor.

“Na semana, os paulistas tiveram que lidar com a ameaça de um rodízio de água e, na Petrobras, o que faltou foi transparência.”


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(*) Eu já acredito quão fortes são os meus leitores para aguentarem rir mais um pouquinho com o discurso da Dilma. Ela disse lá pelas tantas: “Nós reduzimos o resultado primário para combater os efeitos adversos desses choques sobre a economia e proteger a população.” Ela quer falar do “superávit primário”. Vejam, não tecnicamente, o que ele significa.

Lá em Bom Conselho havia uma família que gostava de tomar dinheiro emprestado, igual faz o governo brasileiro, em nome do Brasil. Até aí, tudo bem enquanto ela usava o dinheiro para comprar equipamentos e suprimentos para aumentar sua produção e dar de comer aos seus componentes. Até que um dia, vendo uma família que comia melhor do que ela, tentou imitá-la. O que fez nosso chefe de família, já devedor. Tomou mais empréstimo e a família começou a comer quase três vezes por dia. Passado algum tempo os credores bateram em sua porta. Então ele disse, não tem problema, está aqui o dinheiro dos juros, e não se incomodem que estou fazendo um “superávit primário” para pagar a dívida e tudo no final dará certo.

O que queria ele dizer? Apenas que a diferença entre o que recebia e o que ele gastava era negativo ou positivo; se positivo, seria um superávit, se negativo um déficit. Os credores, agora seguros e confiantes continuaram a emprestar, até que, num belo dia, estourou uma crise, lá pelo lado de Rainha Isabel, e o que ele vendia naquela feira não era mais suficiente para cobrir as despesas da família. Ele, ao invés de apertar o cinto, talvez porque não quisesse perder o “voto” da mulher, começou a se endividar mais ainda, com a desculpa de queria “proteger a família de resultados adversos”, o superávit primário foi para o beleléu.

Ao saber disso os credores bateram em sua porta outra vez querendo o deles. Então, o pai mandou um filho seu, risonho que só (obrigado Zezinho), para enganar os credores, dizendo que no próximo ano teria “superávit primário” outra vez. Se me entenderam, quem deve e não tem superávit, por querer dar mais comida aos filhos, sem ter ganhos suficientes, leva toda a família a falir no futuro. Dizem que esta família já deixou Bom Conselho com uma mão na frente outra atrás. É isto hoje que a Dilma deveria esperar do Brasil, tentando fazer milagre sem força de santo.