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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Testemunhos do Vovô Zé - Agruras, alegrias e o torneio de Davi


Davi no torneio


Por Zé Carlos

Quando estou muito triste sempre me travisto de Vovô Zé e escrevo para os meus netos. Num futuro, nem tão distante, porque o Davi (o mais velho) já está começando a ler, e, brevemente o Miguel (o mais novo, irá no mesmo caminho). Portanto, não tardará o Vovô Zé terá leitores e se aproveita para ficar um pouco mais alegre, neste mar de tristeza.

Esta ano a vida aprontou poucas e boas para mim. Primeiro, tive a maior gripe, que virou bronquite, dos últimos 50 anos. Segundo, fiz uma cirurgia, em que foi tudo bem, mas, deixou sequelas do ponto de vista psicológico, pelo estresse que passei. E quando o Vovô Zé foi se recuperando, alguém o processa, acusando-o por danos morais, por haver um anônimo publicado aqui no blog, algo a respeito dele. Logo o Vovô Zé que a última vez que causou danos morais a alguém foi, talvez, na outra reencarnação. Pelo menos, de forma consciente ou proposital. Não sei se é o número 13 do ano ou se havia mesmo de acontecer. Nos últimos tempos eu tenho me tornado quase um místico e acreditando no azar.

Mas, deixo de lado as agruras, que se vão todas quando vejo meus netos participando (o mais novo só olhando) de um torneio de futebol em Caruaru, onde foi tirada a foto que ilustra esta matéria. De início deu vontade de publicar só a foto, o que já seria uma postagem válida para eles no futuro. No entanto, como gosto de teclar e ao mesmo tempo tenho histórias para contar, eu resolvi escrever mais umas mal traçadas linhas.

Eu lembro quando despertei para o futebol. No Brasil, hoje tanto entre as meninas (embora menos) quanto nos meninos, sempre há um certo tempo em suas vidas que isto ocorre. Seja rico seja pobre a boa bolinha sempre vem, como Papai Noel. Comigo, este momento se deu na Copa do Mundo de 1958, na qual o Brasil ergueu a taça Jules Rimet pela primeira vez, ao sagrar-se campeão do mundo. Tinha 10 anos, mas, antes já corria atrás da bola de meia de frente da Maçonaria ou da Cadeia.

Lembro como se fosse hoje, o aumento do interesse da meninada pelo futebol. Lembro das disputas entre as ruas e até recordo muito bem o time em que eu joguei, como o Davi hoje, pela primeira vez. Na Rua do Caborje foi formado um time, se não me engano, o Ateniense, que arranjou um padrão (um conjunto de camisas de futebol, para os não iniciados ou muito jovens como meus netos) com um dos candidatos a deputado que apareciam lá pedindo voto e tentavam conquistar os votos dos pais dando presentes aos filhos.

Na Rua da Cadeia, onde morei uma boa parte de minha vida, os peladeiros de rua, de bola de meia ou de borracha (as bolas de couro eram uma raridade nas ruas, enquanto hoje meus netos já têm até a Cafusa e a brevemente terão a Brazuca, bolas das Copas recentes no Brasil), estavam excitados, olhando as revistas (O Cruzeiro por exemplo) e cada um querendo ser um dos jogadores daquela conquista. Eu quis ser o Gilmar, mas, Zezinho de Anália, me convenceu de que quando fôssemos jogar no campo maior, eu ainda era muito pequeno para ser goleiro. Então foi aí que o Vovô Zé foi ser o Garrincha, mesmo não tendo as pernas tortas, porém, com o espírito de que se alguém me prometesse fazer-me jogar igual a ele, eu até entortaria as pernas.

Foi aí que resolvemos formar um time para competir com o Ateniense. E formamos o União Futebol Clube. Não me lembro mais quem comprou as camisas brancas, mas me lembro que Dona Irene, mãe de Carlinhos Mouco (onde estará?), a pedido do Zé Praxedes, bordou as camisas em azul, com a sigla UFC. Hoje isto é nome de torneio de luta livre e as comparações com a época de hoje, são quase impossíveis.

Naquela época aprendíamos o futebol na rua. Quando íamos a campo, com plateia era uma raridade. Hoje, os meus netos vão para escolinha e já compram os padrões prontos. E com os meios de comunicação a que eles tem acesso, meu neto Davi, já não quer ser o Neymar, e sim o Messi, mesmo que eu tente dizer que seu estilo é igual ao do Newton Santos. Aliás, o Vovô Zé, quando já um pouco crescido, jogou de lateral-esquerdo, lembrando deste grande jogador. Hoje, meu neto seria um ala.

Tudo é diferente, menos para mim e para o Davi, a alegria de participar do primeiro torneio. Não estava lá, e não vi se o time dele perdeu ou ganhou, só sei que o União quando jogou com o Ateniense, perdeu, e para mim foi uma tristeza. Não me lembro se chegamos a ganhar deles um dia.

Quando estou com eles, aqui na minha casa ou na casa deles, a grande brincadeira ainda é o futebol e para o Davi, o da foto, se Vovô Zé aguentasse, jogaria o dia inteiro. Na minha época pensava já em ser jogador da seleção brasileira. Não o fui, mas, vendo a ginga do Davi já espero que ele seja o melhor do mundo na próxima década. Na certa irá jogar na Espanha, condição sine qua non para que isto aconteça.

Só escrevendo, o Vovô Zé voltou a sonhar e esqueceu momentaneamente suas agruras. Não perderei o próximo torneio por nada neste mundo. Enquanto não chega o dia, continuo, chorando pelo Náutico, e, sendo educado e alegre com o Sport e com o Santa Cruz, principalmente, pelo Flávio Caça-Rato. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Dona Darci, Dona Rosália e Dona Laura: feliz dia dos professores!




Por Carlos Sena (*)

Todo mundo teve um professor ou professora marcantes. Eu tive, no primário, mais de uma: dona Darci, Dona Rosália, Dona Laura. Dona Darci morava perto da casa de Zé Abílio e teria se casado e tido filhos. Se mais não soube é porque a vida separa as pessoas, mas não consegue apagar nossas mais legítima lembranças. Lembro que ela era doce, sabida, e vocacionada para o ensino. Todo dia olhava, inclusive se nossas unhas estavam limpas e cortadinhas . Dona Rosália era tão sabida quanto Dona Darci. Só que era mais durona e de pouca graça conosco, embora seu coração por dentro só tivesse amor e dedicação em tudo que fazia com seus pivetes. Vez por outra ela mandava um bilhetinho por nós e para os nossos pais. E recomendava: "ai de quem lê esse bilhete antes dos pais"... Dona Rosália era esposa de seu Afranio e mãe de Concinha e de Fátima.  Morávamos na mesma rua - a Siqueira Campos, mas nada de frege com ela, porque ela era a nossa PROFESSORA, não nossa "tia" com se dizem hoje. Finalmente Dona Laura. Minha mãe nos colocou com ela para "desarnar" pois era assim que se chamava na época um certo tipo de REFORÇO. Ela era linha dura. Tinha palmatória e tinha caroço de milho, mas tinha aprendizado no seu método hoje condenado. Tabuada? Tinha que estar na ponta da língua. Soletrar? Era Na ponta da língua e no fim do quengo. De dona Laura lembro pouco, mas sei que morava na rua de Águas Belas, nas imediações da Praça da Bandeira. Hoje, certamente, seria condenada pelo seu método, mas eu só sei que aprendi soletrar e contar com ela. Das palmatórias eu também me lembro, mas não tenho frescura de trauma por conta delas. Dona Laura morreu faz tempo. Dona Rosália, faz pouco. Dona Darci, não sei por onde anda, mas, certamente deve estar aposentada criando netos.

Pois é. O tempo passa. A gente cresce. Os professores seguem seus destinos de nos encaminhar pra vida sem, sequer, saberem se demos pra gente, como nossos pais costumavam dizer. Hoje, no dia dos Professores eu lhes digo mesmo sem saber direito onde devam estar. Pelo sim pelo não, em que dimensão espiritual estiveram, lhes digo que "dei pra gente", até me chamam de dotô. Ensinei na Federal, na Católica, no Esuda, até na UNB de Brasília já palestrei. Tão vendo fressoras? Tudo começou no grupo escolar Mestre Laurindo Seabra que continua de pé do mesmo jeitinho quando criança lá eu estudava.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 15/10/2013

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Procurando Estadistas




Por Zezinho de Caetés

Semana passada se foi um dosmaiors homens de todos os tempos: O Nelson Mandela. Modernamente, não tem aparecido homens como ele em nosso planeta. Corajoso, coerente, inteligente e acima de tudo um estadista. Via seu país e não seu partido. Chega me dá um arrepio quando tento compará-lo com um político brasileiro. Faz muito tempo que não temos um estadista por estas bandas. Talvez, o último tenha sido D. Pedro II, e mesmo assim, contemporizou com a escravidão, deixando à sua filha a tarefa de aboli-la.

O texto do Sandro Vaia, abaixo transcrito (Blog do Noblat em 13/12/2013), começa reclamando que a palavra “estadista” nunca foi tanto usada. E com razão. Seu, título “Palavras, gestos e atos”, também nos lembra quanto, aqui em nosso berço esplêndido do futuro, estas três coisas divergem.

Enquanto a presidenta Dilma diz que não está na presidência para fazer “muquifos” para população, no Rio de Janeiro a água leva os “muquifos” por ela construídos, no Minha Casa, Minha Vida. Enquanto o presidente Lula cerra os punhos para homenagear os seus colegas bandidos presos, já disse um dia até que o mensalão nunca existiu, depois de dizer que se sentia envergonhado com o evento. O mesmo Lula, no programa gratuito do PT na TV elogia o Bolsa Família pela passagem dos seus 10 anos (pelo, menos nos moldes eleitoreiros), há filmes e mais filmes, gravações e mais gravações mostrando que ele era um dos principais críticos do programa, ainda na fase FHC.

E no enterro do Mandela, num gesto orientado pelo seu marqueteiro, a presidenta convida todos os ex-presidentes para o funeral, e lá vão todos juntos nossos mais recentes projetos de estadista. Seria cômico ou trágico dizer que o único estadista foi o Sarney? Sei lá. Penso que nenhum, mesmo que reconheça que, pelo Plano Real e as privatizações (agora, tardiamente adotadas pela presidenta), o que chegou mais perto foi o FHC. Mas, se os compararmos com o Nelson Mandela, a medida é em anos-luz.

Mas, fiquem com o texto do Vaia, que conta mais sobre o evento da morte do Mandela, que eu  vou, pegar minha lanterna, igual ao Demóstenes (não o da cachoeira, o outro, grego) e sair por aí procurando um estadista. Vai ser um procura difícil, mas, quem sabe? A esperança é a última que morre.

“A palavra “estadista” nunca foi tão usada e abusada quanto nesta semana em que o mundo parou para lembrar, dançar, chorar e enterrar Nelson Mandela.

E a civilização do espetáculo, em que a cultura foi substituída pelo culto ao entretenimento, para simplificar a tese do Nobel Vargas Llosa, teve alguns momentos de culminância: o show Obama-Michelle-Cameron na sessão “selfie” com a loira dinamarquesa; o aperto de mão de Obama e o ditador cubano Raul Castro; o engodo universal do falso intérprete de sinais para deficientes auditivos, com seu irônico espetáculo cheio de gestos e vazio de conteúdo.

A presidente Dilma também reservou para si um cantinho do palco. Escalada para ser um dos oradores oficiais das exéquias, contribuiu para o espetáculo não só com seu modorrento discurso, mas também com seu voo ecumênico, onde inclui como passageiros todos os ex-presidentes vivos do País -- entre os quais um que foi obrigado a renunciar para não sofrer impeachment por corrupção.

Se Obama levou os Bush pai e filho, Clinton e Carter, por que Dilma não podia dar a sua lição de tolerância carregando seus antecessores, mesmo aqueles que, segundo declarações que deu num seminário antes da viagem, contribuíram para “aumentar as desigualdades do país”, que ela pretende extinguir?

Um gesto espontâneo de grandeza. Tão espontâneo que foi cantado em prosa e verso pela máquina de propaganda do Planalto e alardeada pela própria presidente em seu twitter oficial, como lição de convivência democrática. Uma convivência mercadologicamente conveniente.

Enquanto o tamanho de Mandela ficava em discussão, com a grande maioria convergindo para a tese do estadista, alguns intolerantes preferiam classificá-lo como “terrorista”, como se a luta contra a infâmia do apartheid pudesse ser comparada à delicadeza e arte de uma competição de florete.

O colunista Thomas L. Friedan, do The New York Times, escreveu sobre a “reserva moral” que Mandela acumulou ao longo de sua vida. E cita como exemplo singelo uma cena do filme “Invictus”, de Clint Eastwood, onde o presidente sul-africano (interpretado por Morgan Freeman) se manifesta contra a mudança das cores da seleção nacional de rúgbi, que durante anos foram símbolo da suposta supremacia branca. “Isto não serve à nação. Temos de surpreendê-los (referindo-se aos brancos) com moderação e grandiosidade”.

“Há muitas grandes lições nessa cena curta” -- escreveu Friedan. “A primeira é que, uma maneira de os líderes criarem autoridade moral é estarem dispostos a desafiar as suas próprias bases, às vezes -- e não somente o outro lado. É fácil liderar dizendo à sua própria base o que ela quer ouvir. É fácil liderar quando se está dando coisas. É fácil liderar quando as coisas vão bem. No entanto, é realmente complicado conseguir que sua sociedade faça algo grande e difícil”.


Tão complicado quanto juntar palavras, gestos e atos num mesmo significado.”

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Não me chame de brega que não sou de briga




Por Carlos Sena (*)

"Carne e unha, alma gêmea, bate coração"... Essa música tocava no meu caro e, para minha surpresa, uma amiga que tava de carona se insurge e diz fazendo beicinho: você gosta de brega? Aff!  E tu, MULÉ, com tua cara brega não gosta? (respondi). Pois eu gosto, retruquei aumentando o volume e acrescentei que Fábio Jr, na minha opinião nem é tão brega assim. Porque eu gosto mesmo é do Reginaldo - daquele que dizem ser família do Padre Marcelo. Misturei tudo de propósito, porque brega é a pior tradução para quem gosta de dividir gosto musical nessa forma tão perversa. Música é gosto que pode ser bom ou mau. Mesmo um mal gosto musical não credencia outrem a se colocar em posição de superioridade nesse quesito. Porque música, diferente de perfume  "TOCA". E ela, a música pode nos tocar, inclusive quando a gente se encontra à flor da pele com as nossas emoções. Música, mal ou bem comparada, é feito fome. Há dias que eu tenho fome de, por exemplo, hot-dog. Há outros dias que tenho fome de feijão com arroz e bife, ou mesmo fome de um casulè ou de uma torta alemã. De uma tripa assada, por que não dizer?

Certo dia me acordei com "Ne me qui te pás" na cabeça e fiquei o dia todo com essa canção francesa no quengo. Mas, noutros dias (e foram tantos) eu só cantava boleros de Valdick Soriano alternando com o Reiginaldo Rossi. Lino Julião! Adoro. Como, vez por outra os Cantos Gregorianos me encantam no contracanto da sala embalando minhalma católica.

Minha amiga desceu do carro e eu fiquei pensando: ela se surpreendeu comigo e eu com ela. Ela porque pelo visto ela achava que não tinha cara de quem gostasse de "brega" e eu porque pelo não visto tinha certeza que ela não só tinha cara, mas alma de brega. Como se vê "macaco não olha pro rabo", a despeito de ter certeza de que brega em seu sentido pejorativo é um tremendo provincianismo cultural. Porque nada do que se pode sentir com legitimidade pode ser locado como BREGA. Brega é briga. É lombriga. É certo tipo de embriagues que leva a se confundir gosto com agonia. O melhor dessa minha história é que a caroneira que me chamou de brega nesse quesito dá de dez em mim... Mas ela não assume. Porque pensem num caba que levou a vida toda se assumindo com suas verdades! Pensaram? Esse caba sou eu! Ainda hoje pago o preço mas seguirei assim: sendo brega, se esse for o entendimento. Sendo CHIC se esse for o sentimento. Imaginem se  minha amiga me visse cantando um pupurri de Adilson Ramos, emendando com outros de Noite Ilustrada, Ataulfo Alves, Roberto e tantos outros. Ela ia estourar pelas costas feito cigarra. Cigarra? Essa, então, não seria brega? "Porque a formiga é a melhor amiga da cigarra"... Então me lembro da eterna Simone e seus lindos hits de SUELI Costa. Fazer o quê? Deus me deu a fonte pra beber: foi no rio Papacacinha. Poderia ter sido no Piracicaba. Nunca seria num Avião, ou numa Asa sua, nem num Calypso. Que sorte minha!

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 18/10/2013

O SOFRESSOR E O CELULAR: ZEFINI




Por Carlos Sena (*)

O dia do Professor um dia será. Porque por enquanto ele funciona mesmo como reflexão acerca dele, como mentor do conhecimento e acerca do que poderia ser ele, se o país lhe desse o devido valor. Por isso, prefiro dizer que hoje é dia do SOFRESSOR. Nesse diapasão de inversões de papeis nunca será demais, neste dia, relembrar e refletir. Primeiro acerca daqueles que, vestidos de professor, são travestidos disso, porque por não encontrarem emprego em outra área vão fazer “bico” na educação, principalmente na de ensino fundamental e médio. Isso é péssimo porque a pior educação é aquela que se processa às avessas, ou seja, deseduca quando passa para os alunos preconceito, desamor, ingratidão, revolta, etc. Outro foco dessa insatisfação é a questão salarial que reduz os bons professores ao desespero que é viver sem a dignidade de, no mínimo pagar suas contas para poder viver com dignidade e, assim, passar dignidade para os alunos. Como se não bastasse, certos pais funcionam como problemas para os professores, pois entregam a eles, na escola, o papel que em casa deixa de ser feito por eles na condição de pais e mães. Dentre tantos, há ainda o CELULAR. Ser professor nestes tempos infestados pela praga do celular é, com certeza, agudizar o termo SOFRESSOR. Administrar celular em sala de aula, possivelmente, será mais uma matéria curricular nos centros de formação acadêmica de professor, alguém duvida? Porque os pais e as escolas não encontram formula de disciplinar isso sem que melindre os pais que, pelas incompetências deles, mantêm os filhos com celular no papel de “coleira eletrônica”. Ao pobre “sofressor” – aquele que já fica de goela seca pedindo silencio em sala de aula, agora vivem pajeando celular, pois quando o aluno não está passando mensagem, está cochichando nele, ou está jogando nele, ou simplesmente está... Nele! Não no assunto que o “sofressor” esteja ministrando em sala. Qualquer atitude do mestre em desacordo, logo vem o pai, ou a mãe ou os dois e ameaçam o coitado do mestre: “quem paga seu salário sou eu” (no caso de escola privada); “vou falar com fulano ou sicrano pra lhe transferir daqui” (no caso de escola pública) e por aí vão as ameaças, sem contar com as violências diárias dentro e fora da sala.

Nunca será demais, neste dia, refletir. Porque apesar dos pesares, ser professor é uma das mais dignas profissões do mundo, porque só ela (salvo engano) poderá levar as pessoas a desenvolver um pensamento libertador. Não bastassem tantos obstáculos, ainda temos a controvertida dicotomia entre pedagogia moderna e antiga que, a rigor, não se justificam. Temos também o mundo lá de fora cheio de valores frouxos definidos pelos veículos de comunicação sociais, principalmente a TV.

Para finalizar, uma experiência vivida por uma professora de francês no Recife, vale a pena ser lembrada: de repente uma conceituada professora de francês se vê chamada atenção pelo seu próprio filho. A criança, diante de sua mãe que sempre utilizava a expressão C’est fini lhe disse: “mamãe, não é C’est fini, mas ZEFINI” – referencia a um antigo bordão do professor Raimundo em sua escolinha, lembram? E a coitada de professora, até onde sabemos, não conseguiu convencer seu filho que o errado era o "Professor" Raimundo, não ela, pode?

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 15/10/2013