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quinta-feira, 7 de março de 2013

"O Bolsa Família é o formol da miséria"





Por Zezinho de Caetés

A melhor definição que vi para o programa Bolsa Família foi dada pela minha amiga e colega blogueira Lucinha Peixoto: “O Bolsa Família é o formol da miséria”. É o que diz abaixo o imortal Merval Pereira, que foi vítima dias atrás das milícias do PT, tal qual a blogueira cubana o foi.

No texto dele, que abaixo transcrevo como saído no O Globo de 05/03/2013, com o título de “Olhar o futuro”, ele dá um show de jornalismo, procurando mostrar, com fontes adequadas por que o PT, se alguma coisa fez por este país, de boa, foi a partir da herança deixada por governos anteriores, e que agora, para se manter no poder, vai terminar jogando a água do banho com o bebê dentro, mesmo que este seja o bebê de Rosemary.

Eu já calejei meu dedos de teclar, aqui neste mesmo espaço, que o Bolsa Família, da forma com vem sendo mantido, como um instrumento eleitoral, vai fazer deste país um país de miseráveis, que se jactam de serem todos classe média. Por um motivo muito simples. Se o pobre entra nele não quer mais sair, que ninguém é besta. E a cada dia a pobreza do programa aumenta mais. Nunca houve tantos pobres no país, sem perspectiva de deixar de ser pobre, porque ele é punido se sair do programa.

Desde o início não houve uma visão clara do alcance do programa, como tiveram seus fundadores como Dona Ruth Cardoso e Cristovam Buarque, que viam o programa apenas como um meio de ajudar os pobres a progredirem, no longo prazo, pelas condicionalidades que a eles se impunham. Pelo menos os filhos estudavam e se vacinavam, e só isto já valia a pena o dinheiro investido.

Mas, o programa se transformou num fim em si mesmo, levando o país a homenagear o caçador de pobres, como fez um blogueiro de nossa região, como antes eram homenageados os caçadores de escravos fugidos. Os prefeitos, com o seu comando a partir de cadastros onde se incluem até fazendeiros, tinham na mão o maior programa de compra de votos do mundo.

Sem uma oposição séria, o programa evoluiu para a perenidade da pobreza. E a partir das estatísticas oficiais, todos, ganhando R$ 70,00 por mês passaram a serem de família de classe média, pois somando o ganho familiar chega-se a quantia espantosa de R$ de 300,00. E vemos que vemos.

Antes que o barco comece a entrar água, e mostre finalmente sua fragilidade, lança-se uma campanha de reeleição quase dois anos antes das eleições. Fiquem com o imortal, porque eu já estou sentindo o mal cheiro em que isto vai terminar, até agora contido pelo forte cheiro de formal.

“O debate recente sobre a existência ou não de um cadastro único para os programas sociais na transição do governo tucano para o petista é velho de quase dez anos. Os gestores do Fome Zero, que seria um guarda-chuva para os programas sociais da era Lula, criticaram o cadastro herdado do Comunidade Solidária, o que fez a antropóloga Ruth Cardoso vir a público defender os critérios adotados.

Mas ela considerava que fora prematura a união dos cadastros, que não estavam suficientemente avaliados, e também criticava a ampliação do programa e a redução das condicionalidades para receber as bolsas. Outro defeito sério que ela via era o Bolsa Família não ter uma meta para atingir.

No final, foi mesmo o cadastro herdado do governo FH que serviu de base para o início da unificação dos programas. O Cadastro Único foi instituído pelo Decreto n.º 3.877, de 24 de julho de 2001, assinado pelo então presidente, Fernando Henrique Cardoso. Tratava-se de uma base de dados capaz de subsidiar o planejamento de ações e políticas de enfrentamento à pobreza, com destaque para a implementação de programas de transferência de renda, nas diferentes instâncias de governo.

Dizer, portanto, que não havia cadastro único e que os governos petistas tiveram que começar do zero os programas sociais é apenas uma politização do debate pela presidente Dilma Rousseff, que não leva a lugar algum. Se o PT, com tanta gente qualificada na área social, não tivesse aperfeiçoado nestes dez anos os critérios cadastrais com a implantação do Bolsa Família, seria, aí sim, um grave caso de ineficiência.

O importante é fazer com que as famosas “portas de saída” dos programas sejam acionadas, superando um dos defeitos mais graves do Bolsa Família. Elas foram menosprezadas pela administração do ministro Patrus Ananias, que considerava mais importante a ampliação do programa do que o cumprimento das chamadas condicionalidades — comparecimento à escola e exames de saúde da família.

Houve dentro do governo naquela ocasião um choque de visões sobre o encaminhamento dos programas sociais. Criado para ser a referência do governo na área social, o Fome Zero perdeu-se na burocracia dos primeiros momentos e acabou sacrificando seu principal articulador, o ex-ministro Francisco Graziano.

Com a saída de Graziano do ministério, e a junção de sua secretaria com dois outros ministérios para se criar o Ministério de Desenvolvimento Social, as prioridades do governo foram em outra direção, colocando o Bolsa Família na frente do Fome Zero, que acabou desativado.

Foi Patrus Ananias quem vislumbrou o potencial político do Bolsa Família e desmontou os “comitês gestores” que funcionavam nos mais de dois mil municípios em que o Fome Zero já estava implantado. O grupo “ideológico” perdeu para os “eleitoreiros”, e os “comitês gestores” formados por voluntários da comunidade em cada município perderam sua autonomia diante dos prefeitos, que passaram a dominar os cadastros.

Como resultado, ninguém planejou a saída dessas famílias para o mundo produtivo, e na verdade está havendo uma distorção: o governo comemora quanto mais amplia o Bolsa Família, quando, ao contrário, teria que comemorar a redução do programa assistencialista, sinal de que as famílias estariam entrando no mundo produtivo.

A própria presidente Dilma vem ampliando significativamente a abrangência do Bolsa Família, e as preocupações com as saídas são secundárias no governo. Já há vários estudos entre os pesquisadores, tanto do Ipea quanto da Fundação Getulio Vargas, sobre o que deveria ser o que o economista Marcelo Neri, hoje dirigindo o Ipea, chama de Bolsa Família 2.0, que teria como uma parte importante a melhora da oferta da qualidade das políticas estruturais tradicionais, com saúde e educação ocupando lugar de destaque.

É também fundamental, além da melhoria da educação e da saúde, ter programas de inserção no mercado de trabalho, o que começa a ser pensado apenas agora.”

quarta-feira, 6 de março de 2013

Idolatria é o "ó".





Por Carlos Sena (*)

A idolatria é o “ó”, utilizando uma palavra que está na boca do povo. Engraçado, uma palavra dessas, de repente entra no vernáculo popular e tudo parece certo. Nem tanto assim como parece ser, mas quando assim como parece dever. O “ó” do borogodó, dá até rima – fincada na musica do Reginaldo Rossi. Mas são duas coisas que para este domingo a gente poderia refletir; fazer delas um “deforete” após o almoço em família, antes mesmo de tirar uma “paia”. Paulista fala assim “paia”, sesta. As duas coisas: idolatria e o “Ó”. Porque acho um “Ó” a idolatria – essa que muitos jovens exercitam como se fossem vencedores de um prêmio ou maratona tipo olimpíadas. De fato, tirar foto com celebridade, por exemplo, é uma via crucis, mas há quem faça. O pior disso e é aí onde entra o “Ó” é que as celebridades não tão nem aí. Dá-nos a impressão que quando uma celebridade é requerida para fotos, dentro dela ela é tudo e aquela pessoa nada. Mais ou menos assim é que funciona, talvez com algumas honrosas exceções. Ah, ora dirão, mas é o “Ó” depender de artista para tirar foto e botar no facebook... Como se vê, a expressão vai aos poucos se inserindo na linguagem ora rude, ora não, ora sábia ora sabiá, ora bá ora babá... Pior, dizem que o “Ó” é uma linguagem eminentemente dos guetos gays. Tem tudo pra ser, pois o ó é como se fosse uma simbologia do “fiofó” – quando alguém a diz está querendo dizer que é ruim, nojento, fedorento, etc. Ou não?

Por isso acho que ser moderno sendo “idolatrador” é o “Ó”. Pra mim é falta de amor próprio e de não entender que um bom artista jamais será um bom pintor (se você é um bom pintor), ou mesmo um bom cozinheiro (se você também o for) e, deste modo, todos são celebridades no seu nível de vida. Dar cartaz a celebridades é desconhecer o seu próprio. Correr atrás de artista é falta de ter dentro de si um porquê correr em proveito próprio; gritar atrás de jogador de futebol é não se dar bola a si mesmo, é ignorar que na intimidade dessas pessoas elas detestam ser assediadas. Tudo isso é mesmo o “Ó”. E pensar que antes de Cristo o povo idolatrou um bezerro de ouro porque imaginavam que Moisés que foi ao Monte Sinai, não mais voltaria. De lá pra cá quanta coisa mudou, mas a idolatria não. Ela é uma só e, no meu ângulo de visão, eleger ídolo é sintoma de “deseleger” você de si mesmo...

Por isso, como o falso moralismo não deixa por menos, deixemo-nos por mais: mais amor diante de nós mesmos, porque todos são frágeis e um tia seremos pó, retornando em acatamento à determinação bíblica. A bíblia não é o “Ó”. Ó é quem vive por aí se achando falante, mas usando um termo chulo dos guetos gays brasileiros. Fui. Ah, celebridade não dá nem o “C” pra cheirar que não é flor.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 13/01/2013

terça-feira, 5 de março de 2013

A dupla de Tenórios e o Domingão



Lourenço e Louredo (Foto do O Argonauta)


Por Zé Carlos

Hoje estava cumprindo uma das minhas missões para compor nossa página Deu nos Blogs, e encontrei no blog O Argonauta, recém lançado na cidade, e que, apesar de tê-lo arrolado dentro de nossa lista de Sites recomendados, eu, não publico muito de suas matérias devido ao seu caráter tão geral que fica difícil escolher postagens originais nele.

No entanto, esta semana encontrei uma matéria interessantíssima, não pelo que estava escrito, mas sim pelas fotos. Uma delas é a que ilustra esta matéria. Para não ser descortês eu cito um trecho da pequena matéria do blog (pode ser vista aqui no original):

“Em Bom Conselho, quem não conhece esses irmãos? Como se diz em nossa cidade, são Tenórios da "gema". Desde a minha infância que conheço essas duas pessoas singulares. Inclusive das poucas pessoas que sempre perguntam pelo meu pai, estão Louredo e Lourenço, fico grato pela lembrança dos dois.”

Eu não conheço pessoalmente o dono do blog, o Emmanuel Leonel, e não sei quem é seu pai, mas comungo da resposta positiva à pergunta que ele faz: “Em Bom Conselho, quem não conhece esses irmãos?

Se o Emmanuel Leonel não tem mais de 65 anos eu posso assegurar que conheço a dupla mais do que ele. Da mesma forma que conheço os outros irmãos dela, e até um que conheci que, mesmo não me considerando Tenório (apesar de ter hoje filhas que a esta família pertencem), que, também irmão da dupla, considerava como um irmão: O José Guedes Cavalcanti, mais conhecido como Zé Rato Branco.

Não seria possível, de uma só vez aqui escrever sobre a família em questão, mesmo que me restringisse à minha experiência de vida e de relacionamento com todos eles. Hoje, quando vejo as crônicas do Alexandre sobre o dia-a-dia de Bom Conselho, não dá para esquecer que ele é filho do Juarez, irmão da dupla que enfeita esta matéria, lá em cima. Será que o Emmanuel conheceu a Sorveteria do Juarez (que penso se chamava Danúbio, mesmo depois do Dr. Padilha lhe passar o ponto)?

Quando vejo o Alexandre falar do Domingão, tenho quase certeza que suas fontes de informação talvez venham do trio de irmãos incluindo o Juarez que é seu pai. Eu conheci o Domingão (que sempre pensei como exemplo de que até na polícia podemos ter bandidos) lá, na sorveteria, e sem querer competir com o nosso mais novo escritor cito um pequeno um caso por mim presenciado, embora sem a memória nominal dos presentes, exceto pela figura esguia e esquálida do soldado malfeitor.

Neste dia ele não andava com sua cachorra Loba. Talvez se ela estivesse lá a vítima de sua crueldade não tivesse sofrido tanto quanto sofreu. Ela foi um pobre animal da espécie dos gatos de rua que habitavam aquele estabelecimento.

O pobre gatinho ia passando e foi pego pelo Domingão e colocado em cima do balcão da sorveteria, que era uma máquina grande de fazer picolé. Então ele se virou para sua plateia, onde eu me encontrava, ainda menino, ou rapazinho, e perguntou:

- Vocês querem ver como esta gato come qualquer coisa?

A plateia voltou-se toda para ele, todos com a cara de surpresa, porque naquela hora ele não estava desafiando ninguém para briga. Então ele pegou um cigarro, não aceso, para demonstrar que não era cruel, e o colocou na frente do gato com uma mão, enquanto com a outra, apertava a cauda do pobre animal. Com a dor, ele operou o seu cruel milagre. O gatinho começou a comer o cigarro de uma forma que parecia com muita fome.

Eu criava gatos em casa e para mim aquilo foi simplesmente asqueroso. Mas, muitos riram da façanha do homem da “lei”. Eu não sei se o Juarez estava presente nesta hora, mas, se estivesse, tenho certeza, este poderá ser mais um caso para o seu filho colocar em seu próximo livro.

Se o Zé Rato Branco fosse vivo, seria um quarteto de irmãos na família, que é uma das mais tradicionais de Bom Conselho, sem esquecer, é claro, as irmãs e minhas amigas também: Marlene e Marli. Infelizmente, o Zé nos deixou muito tempo atrás, deixando em nossa relação uma nuvem que não é negra e sim apenas um véu que sempre que encontro um deles, lá no fundo de nossa mente, ainda nos deixa tristes.

Poderia ficar escrevendo horas e horas sobre a dupla, e até acrescentando pessoas como seu “Manuel Bill Eliott” (pai deles),  mas, por enquanto já é suficiente para apresentar aos nossos leitores os homens mais feios que Bom Conselho já viu, ao mesmo tempo que mando para eles um abraço grande que sempre damos quando, cada vez mais raramente, nos encontramos.

sábado, 2 de março de 2013

ADEUS, CLOVIS!





Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

Estava assistindo o pronunciamento do papa Bento XVI, a hora do Ângelus, pela manhã neste domingo 24 de fevereiro, quando o telefone toca. Atendo e recebo a noticia triste do falecimento do amigo e companheiro Clovis Henrique de Carvalho que acabava de falecer, pela sua filha Virginia.  A tristeza tomou conta do meu coração. As palavras ouvidas compassadamente pela sua filha – meu pai acaba de morrer neste momento – me emocionou. Fiquei por alguns instantes em silencio. O que fazer nesta hora? Rezar para que seja bem acolhido por Deus Pai. O sol brilhava no firmamento e o céu azul, desta manhã, escureceu de repente. Os olhos marejaram. A voz embargada e rouca comunicando este doloroso acontecimento aos meus familiares, que ficaram tristes, na mesa do café. Sentei-me e ali fiquei alguns momentos recordando deste velho amigo e companheiro.  Recordações de alegria. Companheiro leal e brincalhão. Gostava de contar estórias sobre os seus amigos, principalmente, daqueles amigos de sua cidade natal, Garanhuns. Tinha um gênio expansivo nas conversas que mantinha com todas as pessoas, podia ser pobre, rico, negro, branco nunca ridicularizou e nem tampouco discriminou. Era um amigo para todas as horas. Era um grande boêmio de mesa de bar. Não era de noitadas, pelo contrario, sempre estava em casa nas primeiras horas da noite com a família, para tomar o seu prato de “sopa” que ele gostava após tomar algumas cervejinhas com os amigos. Era um apaixonado pelas musicas antigas. Tinha predileção pelos cantores que sempre recordassem os momentos felizes de sua vida nas rodadas dos bares. Vicente Celestino, Altemar Dutra, Anísio Silva, Carlos Galhardo, Francisco Petrônio, Isaurinha Batista, Elizete Cardoso, Núbia Lafaiete, Nelson Gonçalves, e tantos outros da época de ouro do radio. Sabiam as suas musicas de cor. Cantava esplendidamente estas canções principalmente lembrando-se dos amigos de Garanhuns, das noites frias e da garoa que tomava conta da cidade serrana e das flores, quando saia do expediente do Banco do Nordeste no qual trabalhou exaustivamente durante muitos anos, se aposentando. Frequentava o Cid Bar na esquina da Avenida de Santo Antonio com a Rua Treze de Maio, o Sayonara na Rua Floriano Peixoto dos amigos Zé Capucho e Cabo Chico com os amigos bancários. Visitava também, a boquinha da noite o Pilão de Ouro e depois Pilão de Prata dos amigos Tati e Wilson. Todos os sábados nos encontravam para bebericar e falar dos acontecimentos do momento. O nosso reduto por vários anos, ate encerrar as suas atividades era o BAR SAVOY. Dali saia para o bar da Portuguesa, na Rua Diário de Pernambuco e muitas das vezes estendendo-se para bar La Salete, no bairro da Encruzilhada. Outras vezes íamos o Mercado da Encruzilhada para encontrar o nosso amigo Carlos Pessoa de Melo administrador do Mercado.  Sentávamos em tamboretes toscos em frente ao Box de Galego para ouvir o toque violão de Severino. Ali ele cantava algumas musicas e por incrível que pareça era aplaudido. Lembrava sempre dos amigos que já partiram para o Reino de Deus, principalmente daqueles que haviam participado de sua vida em Garanhuns e reencontrados aqui no Recife, Edson Apolinário, João Mosquinha, Marcio Bessa, Aloísio da Paraguaçu, Nilo, Maia, e outros e outros que não os esqueciam. Do Carnaval era adepto, não brincava, mas assistia tudo no Bar Savoy, principalmente, o Galo da Madrugada, que saia cedo, e nós estávamos já prontidão com talco Cinta Azul e batons vermelho para melar os que chegassem às mesas na calçada. Dali saia para outros bares cantando o vira. Vira, olha a virada e assim por diante os quatros dias. Nas outras ocasiões quando sentávamos a conversa girava sobre a política, o esporte era um apaixonado pelo grandioso SPORT CLUBE DO RECIFE, que no velório foi lido uma mensagem dos filhos ausentes que moram no exterior, que mencionou esta paixão do seu pai pelo SPORT. Para ele a sua família estava em primeiro lugar. Amava a esposa e seus filhos. Considerava os amigos. Durante a sua doença inesperada há anos atrás, não o levou para o desespero depois que o médico diagnosticou um “câncer” na garganta. Reagiu, dizendo, “que seja feita a vontade de Deus”. Começou a tomar a quimioterapia no Hospital Português, durante vários meses, sem reclamar. Não deixou de ir ao encontro dos amigos, no barzinho da Rua Princesa Isabel, sentado em uma das mesas na calçada,  mesmo sem poder compartilhar nas cervejinhas que os outros tomavam. Tomava água ou suco. Curou-se deste mal, provisoriamente, durante alguns anos. De repente a doença lhe chegou novamente, agora, o “câncer” chegava-lhe ao pulmão. Com a mesma serenidade que tinha recebido a noticia da primeira doença, reagiu repetindo as mesmas palavras – Tudo está nas mãos de Deus. Seja feita a sua vontade – começou novamente tomar mais uma serie de quimioterapia acrescentada da radioterapia. Foram meses seguidos, mas infelizmente esta terrível doença que ataca milhares de seres humanos no mundo, não poupa ninguém. E assim foi o companheiro Clovis. Não o poupou. O sofrimento foi grande, mas aguentava com paciência esta provação que Deus estava lhe concedendo. Até os últimos minutos da sua vida não deixou de pronunciar – estou nas mãos de Deus. À tardinha tudo estará terminado -, no leito palavras esta dita a sua esposa que o acompanhava no Hospital Português. A fé que depositava em Deus não o livrou da morte, pois todos nós somos mortais, mas acalentou no espírito das pessoas que o conhecia, a consciência de um profundo respeito com Deus. Foram 45 anos de convivência e amizade e que hoje permanece não mais com a presença física, mas no pensamento a sua amizade permanecerá eternamente. Hoje os seus restos mortais se encontram sepultado no Cemitério Parque das Flores, no Recife, Quadra 25 – tumulo 395. 

sexta-feira, 1 de março de 2013

A Informação. Nossa grande arma.





Por Zezinho de Caetés

Estamos vivendo a maior pantomima política de nossa história moderna, e como sempre ela parte do meu conterrâneo Lula. O lançamento da candidatura do poste, que ele diz que iluminou o Brasil (eu diria, talvez sim, como a luz negra das boates de minha adolescência), para a eleição de 2014. E o pior de tudo é que, pelo nanismo de nossa oposição isto pode até dar certo.

E já começaram as mentiras em doses cavalares: "Não herdamos nada, construímos tudo", disse o poste quando o Lula acendeu seu interruptor.

E o pior de tudo é que, com o modelo populista que vem sendo implantado no Brasil, todos são levados a acreditar nesta baboseira. A verdade é escanteiada como uma bola que custa a voltar ao jogo, e enquanto isto o Brasil começa a perder de goleada.

O texto da Dora Kramer no Estadão (dia 24/02/2013), que ela chama de “Tudo pelo eleitoral”, e que abaixo transcrevo, é uma análise lúcida e fria, dos problemas em que estamos nos metendo, em futuro próximo, principalmente, se o poste ainda continuar aceso a partir de 2014.

Todos os fundamentos erigidos por governos passados para que a economia brasileira pudesse figurar como protagonista na economia mundial, estão sendo dilapidados a olhos vistos, por todos, ou pelo menos para aqueles que não comungam do projeto de perenização do lulo/petismo no poder.

Enquanto Cuba tenta sair, depois de 60 anos, das amarras do Estado para dar aos seus cidadãos pelo menos o que comer, o Brasil tenta ir na contramão da história, fazendo avançar o Estado, com o objetivo de dominá-lo em prol da “elite” no poder.

Por falar em “elite”, talvez o Brasil seja o único país do mundo onde alguém com figurinos de grifes, que se tratam em hospitais caríssimos e tomam os vinhos mais finos, são chamados de trabalhadores, enquanto os que trabalham e criticam seu “não trabalho”, são chamados de “elite”.

E para coroar a obra petista, ao ver que não haveria mais como enganar os outros, pois todos os dias vamos ao supermercado e vemos os preços e os impostos que pagamos, começaram a adulterar dados e até as contas públicas. Daqui para começarem a tabelar preços e confiscar bois no pasto é um passo. E voltaremos a viver todos os horrores de uma economia em perfeito desequilíbrio.

E pensar que fizemos tanto esforço, mesmo contra o PT anterior, que adorava a ética como meio para chegar ao poder e abandoná-la, para que tivéssemos um economia estável, onde, pelo menos eu soubesse quanto ganhava por mês porque nos deram um moeda, o Real. E isto pode ir de água abaixo.

Depende de nós e ainda é tempo de dar um basta nisto tudo. E nossa grande arma ainda é a informação. Usemo-la, pois eles já descobriram isto e são capazes de tirá-la das nossas mãos. Fiquem com a Dora Kramer, que é uma boa atiradora e acerta o alvo.

“Sob a direção da presidente Dilma Rousseff, efeitos especiais a cargo do ex-presidente Luiz Inácio da Silva e aplausos da arquibancada, o Brasil está assistindo à reprise de um filme cujo desfecho é conhecido: o prejuízo vence no final.

Economistas, empresários e especialistas no tema vêm alertando para os desacertos na condução da política econômica, para o excesso de intervencionismo estatal, para os efeitos nefastos da manipulação de dados, para o abandono, enfim, dos alicerces de uma estabilidade a duras penas construída desde o início da década dos 90.

O governo não lhes dá ouvidos. Ao contrário: menospreza os alertas, qualifica a todos como inimigos de um projeto de País "glorioso", inovador e progressista. Nas palavras da presidente Dilma Rousseff, as críticas decorrem da "falta de compreensão dos conservadores".

Na verdade, quem não parece compreender a distinção entre o que é bom para o País e o que é bom para o partido no poder é o governo, com sua clara opção por proporcionar satisfação imediata aos seus eleitores (reais e potenciais) em detrimento das bases sobre as quais foi construído o edifício da estabilidade.

Quais foram elas? Sistema de livre movimentação de preços, controle fiscal e foco firme e constante no combate à inflação.

Da segunda metade do segundo mandato de Lula para cá houve uma clara troca de prioridade. Deixou-se de lado o conceito de crescimento com estabilidade para privilegiar o agrado ao eleitor a qualquer custo, notadamente à chamada nova classe média que sustenta em alta a popularidade, obviamente rende votos e assegura a sobrevivência política não só do PT, mas de todo o espectro partidário de sua área de influência.

O preço congelado dos combustíveis agrada ao consumidor, ainda que ponha em risco o desempenho da Petrobrás; a redução das tarifas de energia agrada ao consumidor, ainda que leve a um aumento de consumo e comprometa as empresas de energia; a interferência no Banco Central para forçar a baixa de juros, mesmo quando seria necessária uma margem de autonomia para calibrar a demanda, agrada ao consumidor de bens a prestação, mas põe em risco a meta de inflação.

Preço baixo é bom e todo mundo gosta, mas tem um custo que não é visível (ainda) ao público. Uma hora aparece, e da pior maneira possível. Como para manter essa situação o governo tem que entrar com dinheiro, o resultado é o aumento do gasto público, o descontrole fiscal. Daí para a volta de um cenário de inflação alta, o perigo é concreto.

Trata-se de uma lógica populista que seduz o eleitor, rende vitória nas urnas. Em contrapartida, planta as sementes do desajuste que, mais dia menos dia, apresenta a conta.

Queira o bom senso que os atuais locatários do poder, a pretexto de "construir" um Brasil de faz de conta em nome de vitórias eleitorais, não levem o Brasil de volta aos tempos de desorganização interna, descrédito internacional e aos malefícios decorrentes das concessões ao imediatismo que provoca sensação de bem estar agora e adiante pode levar a pique o patrimônio de todos.”