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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O MANUAL DA PÁTRIA EDUCADORA. Assim falou Zaratustra!




Por Zezinho de Caetés

Já instalado em minha humilde residência em Recife, depois de rodar um pouco pelo meu interior velho de guerra, leio no Blog do Noblat, nesta segunda-feira passada um texto do Senador Cristovam Buarque, no qual ele tenta dar algum conteúdo ao lema do novo governo de nossa gerenta presidenta, a Dilma, para o seu segundo tempo. Título do texto do senador: “Manual para fazer uma Pátria Educadora”.

Eu fui professor um dia, usando minha formação na área de Línguas Neolatinas e me senti honrado com a importância que o senador dar à profissão em seu Manual. Estudei um pouco de Economia nas horas vagas e já descobri que esta Ciência pode ser um terrível balde de água fria em muitas pretensões louváveis. Acabei de ler agora o texto que resume a semana, escrito pelo Zé Carlos, aqui neste blog, e com ele concordo que o melhor lema para Brasil seria: Brasil, país do futuro, e pelos motivos que ele alega: É mais verdadeiro para nossa situação, embora saiba que verdadeiro mesmo, se o PT continuar a nos governar, será o lema: Brasil, país sem futuro.

Confesso que achei a “utopia do senador”, muito mais relevante para o país do que a Utopia do Thomas Morus. Este último tenta resolver os problemas de uma sociedade com um esforço no sentido da racionalidade, onde segundo ela, esta sociedade, deveria ser igualitária na repartição da riqueza, o que hoje é conhecido como socialismo utópico. Já o senador tenta usar o Estado para chegar a este objetivo na Educação, que, da maneira como foi tratada pelo PT nos últimos tempos, o torna o Morus brasileiro, com a educação utópica.

Farei algumas observações em cada item do Manual do Senador, embora considerando-as como um bom esforço para que um dia a Utopia vença a Economia, o que eu, mesmo muito otimista, não acredito. No que segue abaixo o que estiver em negrito foi escrito pelo senador, e aquilo não enfatizado foi escrito por mim. Já aviso aos críticos que não estou tentando colocar água no chopp do lema da Dilma, pois, com o açodamento palanqueiro com que foi lançado, ele já é água suja mesmo.

1. Entender que o principal recurso da Pátria Educadora são as crianças, por isso, a pátria educadora nasce na escola de base, incluindo a educação infantil, desde a primeira idade.

Nada contra e esta deve ser a orientação. Se já a tivéssemos em minha época, o meu conterrâneo Lula não seria um apedeuta que tanto prejudicou esta nação em termos de educação, pelo exemplo que sempre deu de que não gostava de livros e incutindo na juventude a ideia de que educação formal era algo de somenos importância para ser presidente de república. Este mal causado a esta geração, não há PROUNI que redima.

2. Reconhecer que esta escola é formada sobretudo pelo professor e que, para a pátria ser educadora, ela deve escolher para professor de suas crianças os jovens mais brilhantes de suas universidades.

Sabemos que na pátria educadora na cabeça da Dilma, brilhante é o jovem que sai com uma bandeira vermelha para aplaudi-la por onde passa. Da forma como hoje se bagunçou a educação no Brasil, com a educação travestida de chavões ideológicos petistas, vai ser muito difícil a escolha dos jovens mais brilhantes. E aqui já começa a dificuldade que o Estado terá para que esta escolha acabe com o viés ideológico hoje reinante. Para mim, para seguir o Manual, neste item e em outros, o Mercado tem que funcionar, com a supervisão do Estado, como sugerido no item seguinte.

3. Saber que para atrair os melhores jovens para a atividade de magistério, esta carreira deve estar entre a aquelas com as melhores remunerações  de todas as profissões.

A pergunta que se faz, de cara, é: Como definir esta remuneração? Seria igual a de um Senador, de um Juiz ou de um dono de bordel? Isto é como a política do Salário Mínimo que, levada às últimas consequências, pela lógica terá que se tornar o salário médio no futuro. Ou seja todos ganharão a mesma coisa, aliás, como quer nossa gerenta presidenta, mesmo que ela prefira que esta remuneração seja suficiente para passar o réveillon na Praia de Aratu, de onde só fala para desmentir ministros. Outra vez, lá vai o Senador nos fazer pensar no Mercado.

4. Considerar que na Pátria Educadora os melhores e melhor equipados prédios públicos de cada cidade devem ser suas escolas, na qualidade e beleza de suas edificações, nos equipamentos culturais e esportivos disponíveis e no uso dos mais modernos equipamentos de tecnologia da informação para fins pedagógicos.

Adorei este item. O Senador quer dizer que o prédio do Congresso seria transformado num grupo do segundo grau. Digo segundo grau para, pelo menos seguir o nível educacional de seus agora habitantes, os congressistas. E o Palácio do Planalto seria que tipo de escola? Na época do FHC seria uma universidade, na época da Dilma seria uma escola de primeiro grau, já na de Lula seria um Jardim da Infância.

Pode até ser que alguns não vejam nisto uma solução para uma pátria educadora, mas, certamente seria mais adequado dentro do mundo real onde a Economia vence sempre a Utopia. Sugiro ainda que o prédio da Petrobrás seja um centro de ressocialização para aqueles que seguiram pela rota da corrupção. Afinal de contas socialização envolve educação e não pode ficar de fora da pátria educadora.

5. Definir nacionalmente os métodos de formação, seleção e avaliação para que os jovens atraídos devam ser escolhidos de forma cuidadosa, exigindo-se deles a mais absoluta competência, dedicação exclusiva ao magistério e sujeitos a um regime de trabalho que permita substitui-los se não participam realmente da construção da Pátria Educadora.

O Senador parece que, antes de escrever, leu algum manual de gerência empresarial. Ele apenas esqueceu que quando o Estado se mete a empresário, sai a competência e entra o apadrinhamento, e para ser otimista, completo: na maioria das vezes. Estaria ele propondo uma escola generalizadamente privada? Se for isto, Senador conte comigo no uso do seu manual.

6. Perceber que a educação é um processo integral, com o máximo de tempo da criança em atividade escolar, complementada com o envolvimento dos pais, da mídia e de toda a sociedade pela prática cultural e  pelo exemplo dos líderes. O que vai exigir um grande programa de educação de todos brasileiros, desde a erradicação do analfabetismo entre adultos, até uma educação também para os que são instruídos mas são deseducados. Esta educação de todos será necessária inclusive para que a população entenda e adote o lema de Pátria Educadora, depois de 515 anos em que a educação tem sido vista sem a prioridade merecida.

Que beleza! Lá vem de novo o MOBRAL. Num país em que só se conseguiu alfabetizar um adulto quando ele foi presidente, não há forma de tratarmos prioritariamente a educação de adultos. Mas, mesmo aqueles que estão hoje só deseducados como os jovens que sonha em ser presidente, o esforço não deveria ser prioritário. Para as crianças sim. Toda a prioridade deveria ser dada a elas e colher os frutos no longo prazo, ou seja, como em outros países como Coreia do Sul, China, e até mesmo o Chile aqui perto. A pergunta é: quem irá pensar nas próximas gerações e não nas próximas eleições? O PT eu sei que não é. Quem sabe, um Partido Novo?

7. Assumir que, para a pátria ser educadora, a educação tem de quebrar as duas amarras que hoje aprisionam as crianças: o CPF dos pais para pagar uma boa escola privada e o CEP de onde ela mora para oferecer uma boa escola pública, por isso, para construir a Pátria Educadora, a responsabilidade pela educação terá de ser responsabilidade da nação, ou seja: financiada, normatizada e avaliada pela União, com uma carreira nacional para o professor e todas as escolas com a mesma qualidade.

Inicialmente, com minha burrice intermitente, não entendi o troço do CPF e do CEP. Entendi apenas quando ele diz que a educação terá de ser responsabilidade da nação, ou seja, financiada, normatizada e avaliada pela União, sendo o professor e todas as escolas da mesma qualidade. Depois  da burrice passar e entender porque o senador cita CPF e CEP, é que fui me perguntar  como uma escola que terá como prédio o Congresso Nacional, seja igual àquela que será instalada na Prefeitura de Caetés? Para que o item do manual seja cumprido ou se derruba o Congresso ou transforma a o local de nossa prefeitura na Praça dos Três Poderes.

Esta ideia do senador eu já conhecia e é muito antiga. Penso, desde que ele foi Ministro da Educação de Lula, e, talvez por isso,foi demitido por telefone pelo presidente apedeuta. Agora está mais claro por que. Na certa, ele apresentou esta ideia para o Lula e ele teve medo de voltar para Caetés. Só pode ter sido isto.


8. Adotar a educação como uma responsabilidade federal e não municipal ou estadual, limitando o papel das unidades federativas à tarefa de definir a parte local do curriculum e participar da gestão descentralizada de cada escola.

Eu já estou imaginando a fila de prefeitos e governadores em Brasília para esmolar recursos para tocar as escolas. E os deputados com suas emendas orçamentárias? Eu quero ver se não vão construir um campus universitário em Caetés, quando existe um em Garanhuns. Por que? Afinal de contas Lula nasceu em Caetés e lá deverá voltar para estudar. Houve um blogueiro de Garanhuns que, muito tempo atrás, propôs uma estátua para Lula na Avenida Santo Antônio, não sei se ele desistiu da estapafúrdia ideia que seria uma vergonha para nós caeteenses. E agora, se o manual do senador for aceito, eu quero nossa universidade e nossa Academia de Letras.

9. Convencer as universidades, a mídia, o congresso, os partidos, empresários toda a sociedade de que educação é progresso e formar um pacto nacional para que isto possa ser executado ao longo das próximas décadas, em sucessivos governos.

O caso dos sucessivos governos é a base de tudo. O nosso problema é que a pessoa que lançou o lema só concorda se estes sucessivos governos forem do PT. Será que o senador está querendo voltar ao partido? Não seria má ideia porque, tenho certeza, ele seria um melhor Ministro da Educação do que o Cid Gomes, apesar de, em certos aspectos pensarem a mesma coisa. O Cid quer que os professores trabalhem por amor e não por dinheiro. O senador quer universalizar este amor.

10. Transformar o lema Pátria Educadora em realidade legal, sob a forma de leis, decretos e normas inclusive orçamentarias, além de criar a base política necessária para fazer o lema sair do marqueting inicial e entrar na história.

E assim falou Zaratustra! Este é o nome de um livro de Friedrich Nietzsche, um filósofo alemão que acreditava num Super-Homem, e que, dizem, contribuiu muito para o surgimento do nazismo na Alemanha. No entanto, Zaratrusta realmente existiu e quem foi ele pode ser visto usando o Google, nossa memória auxiliar dos tempos modernos. Vejam um resumo lá encontrado:

“Zaratustra foi um profeta persa que fundou uma religião seguida pelos Aquemênidas.
Proveniente da família Spitama  de uma pequena vila de casas na Ásia Central, Zaratustra  chamou a atenção desde que nasceu. Diz a lenda que o sacerdote local ficou incomodado com o recém nascido promissor e forçou seu pai a fazer um teste com ele. Zaratustra foi colocado na fogueira, porém nada sofreu. Confuso, o sacerdote providenciou outros desafios, aos quais Zaratustra saiu ileso de todos. Após seguidas vitórias do recém nascido, o sacerdote mudou-se do local em função da vergonha que lhe abateu.

Zaratustra  cresceu e sempre se perguntava sobre a origem dos céus, das estrelas e das pessoas. Um dia, ele teria visto uma especial luz de um ser que viera lhe buscar para um local onde outros sete seres especiais também viviam. Depois de conviver com eles, Zaratustra voltou para casa e foi mais perseguido ainda pelos sacerdotes. Foi então que decidiu fugir de sua vila natal. Fora de lá, Zaratustra encantou outras pessoas com sua honestidade e com milagres. Na sua vida adulta, contudo, as narrativas lendárias dizem que ele viveu quase sempre isolado em montanhas ou cavernas e sem comer nada de origem animal. Regressou a seu povo após sete anos de grande solidão.

Aos 30 anos de idade iniciou uma missão que era converter seu povo à sua religião. Porém, ninguém o entendia. Mais uma vez, foi perseguido e hostilizado por sacerdotes até realizar milagres entre seu povo, já com 40 anos de idade. Daí por diante, conquistou a confiança do rei e seguidores. Criava-se, então, uma legião de adeptos na sua vila natal, mas ele sempre teria seus inimigos e seria assassinado muitos anos mais tarde.

A religião professada por Zaratustra está expressa nos Gathas, que são cinco hinos que formam a parte mais antiga do livro do Masdeísmo, datando do final do segundo milênio antes de Cristo. O Zoroastrismo é uma das mais antigas e uma das mais duradouras religiões do mundo. Baseia-se no princípio monoteísta que orientou o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Com a ascensão do Islã e a dominação territorial desta religião, o Zoroastrismo passou a ser uma crença professada por uma minoria que, perseguida, refugiou-se no noroeste da Índia. Dificilmente o Zoroastrismo aceita convertidos, por isso o contingente de adeptos da religião hoje gira em torno de cerca de 120 mil pessoas apenas.

A base da religião criada por Zaratustra é a dualidade bem e mal. São cultuados sete ideais que são personificados por sete espíritos imortais sagrados. Esses deuses enfrentam tudo que faz menção às forças do mal. A religião não requer templos, pois Deus é cultuado através do fogo que é mantido aceso nos altares onde se faz as oferendas. Seus dogmas relatam sobre a vinda do Messias, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, a imortalidade da alma e seu julgamento e a levada dos bons para o paraíso eterno.

Assim, Zaratustra fundou uma nova religião e foi o grande profeta da Pérsia durante o século VII antes de Cristo. O Zoroastrismo, também chamado de Masdeísmo, foi adotado oficialmente pelos Aquemênidas. A religião apresentava-se com a missão de erradicar o politeísmo, o sacrifício de animais e a magia.”

Não sejam cruéis de perguntar quem eram os Aquemênidas, nem perguntem se eu li os Gathas, seria um vexame e que aqui não vem ao caso. O importante é verificar as semelhanças do Zaratrusta com o Senador, autor do Manual acima comentado.

Penso que desde pequeno o Cristovam, que é meu conterrâneo, aqui de Pernambuco, já nasceu falando e sua primeira palavra deve ter sido EDUCAÇÃO. Ele até já foi candidato a presidente tendo como lema a PÁTRIA EDUCADORA. Sofreu igual a Zaratustra e ainda sofre, por não ser compreendido. No governo Lula, tentou implantá-la como Ministro da Educação, mas foi perseguido por todos os sacerdotes e até pelo chefe da seita petista. Foi demitido por telefone para o chefe da seita nomear um guru que seria, muito tempo depois, prefeito de São Paulo, e que lá continua seguindo a seita petista e fazendo ciclovias. E por aí vão as semelhanças com o profeta, que podem ser comprovadas com vocês lendo suas biografias.


O que temo é que um Manual como este termine incentivando a criação de uma religião (seria o Educacionismo?) na qual um único deus nos diga o que é bom para o país ensinar ao seu povo. Como todos sabem, isto termina, quase sempre como na Alemanha, Cuba e Venezuela, onde o povo se curva ao líder para lhe perguntar o que fazer e o que aprender. Aqui a seita petista, que demitiu o senador, continua no poder e dizendo que o correto é que “nós pegue os peixes”, antes que a Polícia Federal descubra que vieram do Pré-Sal.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A Virada




Por Carlos Sena (*)

Esse termo "virada" é amplo. Final de ano, virada pra lá, virada pra cá. Nas competições de futebol muitos times ganham de "virada" e por aí vai. Agora, quando o ano velho entra em coma, todos querem uma virada de ano feliz sob os desejos de paz, saúde, dinheiro e felicidades no ano que se avizinha. Na política, VIRADA também é recorrente. De todas as viradas eleitorais a que mais me marcou foi a de Marcos Freyre. Ele era candidato a governador de pernambuco e, segundo os mais fanáticos, imbatível! Não me lembro se seu adversário era Roberto Magalhães ou Março Maciel, mas isso não é importante. Importante mesmo era a eleição dele, o Marcos, que reunia as esquerdas do estado contra o conservadorismo de direita como era conhecido. Vieram as eleições e Marcos Freyre começou a perder em todas as urnas do interior. Nessa época o processo eleitoral não era como hoje. Demorava quinze a vinte dias nas contagens manuais dos votos. Nada de Marcos Freyre tomar a frente, principalmente no interior. Mas, havia uma grande mobilização da militância anunciando que "a virada" viria quando todas as urnas do Recife e Região Metropolitana fossem concluídas. Pois bem: a eleição terminou e Marcos se lascou. No dia seguinte à derrota oficial alguém muito espirituoso colocou no centro da cidade, em plena Avenida GUARARAPES, uma kombi velha toda lascada, BATIDA,  cheia de amassos e ferrugem. Ao seu lado uma faixa gigante dizia: A VIRADA DE MARCOS FREYRE.

Espero que nessa virada de ano a gente se vire pra dentro de nós e descubra todas as nossas possibilidades de uma nova virada: aquela que nos leva a ver o outro de frente!

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 02/01/2015

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A semana - Dilma toma posse e garante o riso na Pátria Educadora




Por Zé Carlos

Como era de se esperar, a semana que passou girou em torno de nossa estrela maior, a Dilma. E para rirmos muito, hoje temos até o filme do UOL. O pessoal voltou a pegar no batente e cobriu de forma bastante adequada a posse de nossa “rainha do riso”. No entanto, houve muito mais na semana do que o episódio da posse.

Por exemplo, houve a nomeação de novos ministros e, para um governante que prometia novos tempos e novas ideias, já vi uma falha. Os ministérios continuam sendo 39. Dizem que a presidente queria ampliar para 40, mas, seguindo o conselho do Valdemar Costa Neto, não o fez. Ele lembrou a ela que 40 lembra muito a história de Ali Babá. Então, estão lá empossados 39 ministros, alguns dos quais foram vaiados na solenidade de posse. Quanta injustiça. Todas são de primeira linha em suas áreas de atuação. Não foi por acaso que a Dilma queria que o Procurador Geral da República lhe passasse a folha corrida de todos, antes da nomeação, para durante a cerimônia de posse, como um exemplo a ser seguido.

Dentre os que saíram do ministério estava o petista Gilberto Carvalho que começou seu discurso de entrega do cargo com um desabafo: “Nós não somos ladrões”, disse a certa altura. “Temos que levantar a cabeça e honrar nossa luta.” Pelo seu semblante, como aparece no filme abaixo cantando a música do Gonzaguinha que diz: “.... mas isto não impede que eu repita...”, já pensando que tem que ficar também na defensiva no outro cargo para onde irá, ele já se previne contra as acusações infundadas, iguais as cometidas aos seus aliados hoje na Papuda. Aliás, hoje, se existe alguma ladrão no Brasil, “ninguém sabia”. Juro que, ao saber da fala do ministro, lembrei do João de Manuela, lá de Bom Conselho, acusado de ser um furtador de penosas descuidadas, diante do delegado: “Doutor, eu não sou ladrão, apenas ajudo as galinhas a realizarem seu último sonho. E sonho de galinha é panela, doutor”. Enquanto me contava esta história o filósofo de Bom Conselho, contristado dizia: “E sonho de pobre é ter o que lhe roubarem”.

Voltando ao inusitado da vaia aos ministros, para ser justo, tenho que dar os nomes aos bois. Os ministros vaiados foram o Gilberto Kassab, o George Hilton e a Kátia Abreu. Eu não sei por que os primeiros levaram a vaia, embora desconfie, mas, a Kátia Abreu foi vaiada, certamente, pela mulherada que compareceu à posse. Ela estava vestida de pamonha. Como se dizia lá em Bom Conselho, “parecia o cão chupando manga”, ou no caso “comendo pamonha”. Quanto o George Hilton, talvez tenha sido por ele não ter levado a mala de dinheiro vivo para fazer distribuição durante a solenidade. Isto porque, dizem as más línguas, ele foi flagrado levando um milhão em dinheiro vivo numa viagem. Já o Kassab, deve ter sido vaiado pela plateia paulista.

E agora o lema do novo governo, que tem ideias novas, não é mais “País rico é país sem pobreza”, que até hoje eu não entendi o porquê de tautológico dito, e sim, “Brasil, pátria educadora!”. Eu confesso que gostava mais do “Brasil, país do futuro”, já que era mais verdadeiro. Eu não gosto mesmo é aquele do Sarney: “Tudo pelo social!”, o qual entenderam errado e até hoje tentam “socializar” a Petrobrás, o seguindo. Mas, quem sabe, com o novo lema, o Brasil não tenha, a partir de agora, só presidentes alfabetizados, como exemplo para nossas crianças? Sei não, com o novo ministro....

Eu nem perguntei aos meus leitores se eles riram até aqui. Eu tenho certeza que sim. Mas, ainda nem começou a semana. Sustentem-se em suas poltronas então. Durante a posse houve uma salva de 21 tiros em homenagem, do tipo que eu, quando no exército, participei, pois os canhões eram do mesmo tipo que aprendi a usar. Eu nunca entendi por que eram 21 tiros e não 39, por exemplo, um para cada ministro. No primeiro tiro, o presidente da câmara, deputado Henrique Alves teve um susto danado, e olhou para a Dilma, como quem diz: “Até tu, oh Brutus!?”. São os tempos modernos. Antes se usava o punhal e agora usam-se canhões.

E agora, comecemos com o filme, e por favor vão até o final, se puderem. Nele tudo é a posse, que se poderia chamar “reposse” para rimar com reeleição. Pois tudo é diferente quando se tem que colocar a faixa presidencial sem a ajuda de um antecessor. Até nisto a presidente se enrolou, ou melhor, a faixa enrolou nela. Eu não sei se foi porque ela (a faixa) ficou apertada nos últimos 4 anos, pois, pelo menos, por sua silhueta ela não cumpriu o que prometeu em termos de redução de peso. E para ser justo, nem de taxa de inflação. Conseguiu apenas baixar a taxa de crescimento para quase zero. Ou seja, para ela quem está gordo é o Brasil.

Algo que também foi muito reduzido foi o povo que compareceu à cerimônia de posse. Dois gatos pingados aplaudiam enquanto outros dois pediam o impeachment da presidente. Eu não sei por que foram à posse. Isto para mim, depois do Collor, o impeachment é muito difícil de ocorrer em nosso país, antes do governante dizer “não me deixem só!”. Eles já assumem preparados. Como quem “impicha” o presidente é o Congresso, qualquer ameaça é sanada pelo aumento do número de ministérios, para acomodar a base aliada. Então, se no final do governo Dilma tivermos 399 ministérios, não se surpreendam, nem critiquem todos eles, porque até o Filósofo de Bom Conselho poderá ser um deles, e a Praça Pedro II será reformada mais uma vez. Vejam a foto que ilustra esta matéria risonha e vejam se é possível que se decore pelo menos o nome de todos. Por isso a Dilma, muito prática, chama a todos de meus queridos.

Bem, como sei que todos estavam de folga e viram, com os próprios olhos, todo o episódio da posse, riam mais com o filme do UOL, publicado logo abaixo do seguinte resumo do roteiro pelos seus produtores. Tenham um bom início de ano, pois o riso está garantido. Dilma está voltando da praia.

“Dilma Rousseff foi a estrela em Brasília no primeiro dia de 2015, com direito a tapete vermelho, buquê de flores, coro do público e beijos de sua base aliada. Um protesto pedindo impeachment dela não atrapalhou o dia da posse. O público foi pequeno no dia quente, mas a transmissão da posse foi em grande estilo.”


sábado, 3 de janeiro de 2015

O discurso de posse de nossa gerenta presidenta




Por Zezinho de Caetés

Eu ainda não voltei, mas, estou voltando. Enquanto não volto totalmente do meu périplo interiorano só me resta pedir a “ajuda dos universitários” para abordar um tema ao qual, certamente, voltarei depois: A posse da gerenta presidenta, Dilma Roussef, que continua ainda na guerrilha da empulhação com tudo a que não tem direito.

Transcrevo, abaixo, dois textos sobre o evento, que, para mim o resumem de forma quase perfeita, inclusive no que se refere à moda e aos modelitos nele usados. O primeiro é do Ruy Fabiano, publicado no Blog do Noblat, e o outro no mesmo blog da Maria Helena Rubinato, como os títulos, respectivamente de “O palanque e a tribuna” e “Das artimanhas do diabo à tosse que não houve”, o primeiro publicado hoje e o segundo ontem.

Leiam e meditem sobre o que nos aguarda nos próximos 4 anos, isto se o Alberto Youssef não estiver mentindo. Eu acho que não, pelo menos pelo discurso onde ela parece mostrar que sabe de tudo. De tudo mesmo....

“A diferença entre palanque e tribuna é que, no primeiro, vale tudo (ou quase tudo): promessas irresponsáveis brotam no calor da emoção (ou do mais cínico pragmatismo), sem que se cobre do orador a viabilidade do que promete.

Cabe ao eleitor fazê-lo – e isso lhe exige o que, em regra, não tem: informação e algum grau de sofisticação política para separar o joio do trigo. Num eleitorado sem esses atributos, como é majoritariamente o nosso, fica-se com o joio e dispensa-se o trigo.

Prevalece e triunfa a ilusão, que, no entanto, em algum momento, terá de ser desfeita. E isso ocorre (deve ocorrer) quando se ocupa a tribuna – a presidencial, sobretudo. Ali, não há espaço para conversa fiada. É a hora da verdade.

A posse de Dilma Roussef deu-se no palanque. Era ainda a candidata que falava, ao prometer ajuste econômico sem prejuízo das ações sociais. Não disse como; apenas prometeu. Desprezou o fato de que algumas benesses sociais já estão sendo cortadas, na área previdenciária (pensões de viúvas) e na assistência social (seguro-desemprego).

Fez uma avaliação extremamente positiva de seu primeiro mandato, debitando as dificuldades à crise internacional. No entanto, admitiu que o povo quer mudanças, não explicando por quê, se tudo, afinal de contas, foi muito bem feito e os resultados são ótimos. Em time que está ganhando, diz a sabedoria popular, não se mexe. Só se mexe quando se está perdendo – sobretudo de goleada.

A mesma lógica tentou aplicar à crise na Petrobras. Apontou “predadores internos” e “inimigos externos”, sem associá-los a seu próprio partido e à base aliada, de onde já se identificou o núcleo da organização criminosa que dilapidou a empresa, fazendo com que desabasse do quinto lugar no ranking mundial para o 120º.

Insistiu em dizer que seu governo e o de Lula foram os que mais combateram a corrupção, apoiando as ações da Polícia Federal e do Ministério Público. Nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público, instituições do Estado, carecem de apoio do governo para agir. Têm sua ação garantida por lei.

Em momento algum, como se sabe, o governo manifestou entusiasmo com as investigações. Basta ver o que o PT fez com Joaquim Barbosa - e, agora, repetindo a manobra, põe em cena, contra o juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações do Petrolão, a máquina de triturar reputações.

Veja-se também o que foi feito em relação à CPI da Petrobras, sabotada pelos parlamentares da base aliada desde o início. O grande combate que o partido da presidente Dilma deu à corrupção foi praticá-la num grau de intensidade tal que nem mesmo a imensa tolerância da sociedade brasileira foi capaz de suportar.

Supunha-se que o Mensalão era o maior escândalo da história republicana brasileira – assim pelo menos a ele se referiram, quando do julgamento, o então procurador da República, Roberto Gurgel, o relator Joaquim Barbosa, e os ministros Ayres Brito e Celso de Mello.

Eis, porém, que, no momento mesmo em que aquele escândalo estava sendo julgado, a Petrobras estava sendo dilapidada numa escala bem maior, a ponto de o The New York Times considerá-lo o maior escândalo financeiro do mundo.

Não é só. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse alto e bom som, na CPI, que o que houve lá se repete em todos os setores de infraestrutura do país: rodovias, ferrovias, eletricidade etc. - sem falar, claro, nos biliardários fundos de pensão, caixa preta ainda intocada, e no BNDES.

Como, em tal, contexto, proclamar a pureza do governo - e, ainda por cima, colocá-lo como paladino na luta contra a corrupção? Nem o palanque suporta tal absurdo – que dirá a tribuna.

Dilma se empossa num ambiente de insegurança e suspeita, com seu próprio mandato condicionado às investigações que diz promover. Se o que disse o doleiro Alberto Youssef, em sua delação premiada – de que ela e Lula sabiam de tudo – se confirmar, ela corre o risco de um impeachment.

O governo pode ter algum controle sobre o Judiciário, cuja cúpula foi majoritariamente nomeada por ele. Mas o aparelhamento será desafiado pelas investigações paralelas nos Estados Unidos, cujos investidores são menos tolerantes que os nacionais.

Em meio a tudo isso, há a crise econômica, que imporá (já está impondo) cortes nos benefícios sociais, desemprego e arrocho salarial. Eis aí a realidade do segundo governo Dilma, que nem de perto constou de seu discurso de posse. É hora de descer do palanque.”

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“Já sabíamos que o mundo gira e a Lusitana roda. Mas a esse ponto? Quem diria que dona Dilma e o pequeno caporal teriam algo em comum? Pois não é que ambos se coroaram? Napoleão tirou a coroa da mão do Papa Pio VII e a colocou na cabeça. Dona Dilma pegou a faixa e a vestiu com o mesmo garbo do Imperador.

Quem será o nosso David? Era preciso que surgisse alguém e deixasse para as futuras gerações um quadro retratando a cena. Nós merecemos...

Em seus dois discursos, o completo e o resumo, dona Dilma não se furtou ao autoelogio. Deu uma colher de chá ao companheiro Lula, mas frisou que dos 12 anos petistas, os quatro dela foram os mais eficientes.

Não fiquei surpresa com o que ela pensa de si mesma como economista, só esperava que ela diminuísse o tom dos autoelogios e frisasse que, de agora em diante, a Economia do Brasil estaria nas mãos de uma equipe econômica perita no assunto.

No Congresso, espantoso foi o aplauso enérgico quando dona Dilma disse que a Petrobras tem predadores internos e inimigos externos. Invisíveis, naturalmente. Como será que esses seres passaram pelo Conselho Diretor da Petrobras, pela ministra da Ciência e Tecnologia, pelo presidente Lula, pela presidente Dilma e até pelo Congresso que hoje, estupefato, aplaudiu tanto a presidente?

A corrupção, disse dona Dilma, ofende e humilha o povo. É verdade. Tornou a dizer que se não fosse seu empenho, a corrupção não estaria sendo dizimada em nosso país.

Essa praga não foi criada no Brasil. Ela existe desde que o homem tem poder. O que não pode existir é um governo tão alienado e leniente a ponto da corrupção crescer no país todo, de norte a sul, como cogumelos, sem que ninguém perceba... E acabar por dominar e corroer nossa maior empresa.

Deve ser por isso que Cristina Kirchner nos homenageou enviando como seu representante na posse Amado Boudou, seu vice que está sendo processado por corrupção.

Dona Dilma disse também que as conquistas sociais de seu governo surpreenderam o mundo. E lançou seu novo lema, Brasil, Pátria Educadora. Lema que emociona e entusiasma. Só queria que alguém me explicasse porque foi entregue a Cid Gomes!

E mais não digo por que estou no Blog do Noblat e sei perfeitamente meu lugar no espaço.

Só faço uns comentários mais de acordo com meu gênero: quem escolhe as rendas de dona Dilma? Quem é sua costureira? E a da ministra Kátia Abreu? Será que nunca ouviu falar em marcador de bainha?

Agradeço, como cidadã brasileira, a homenagem da presidente chilena, Michelle Bachelet, que cantou lindamente nosso hino. E também deixo aqui meus cumprimentos por sua toilette de cor e corte perfeitos.


Feliz 2015!”

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Cachorro Vai Pro Céu.




Por Carlos Sena (*)

Se o cachorro vai pro céu a pulga e o carrapato vão também? O gato, o bode, a cabra, o jumento, e demais bichos igualmente irão? Por que o Papa só mencionou o cachorro? Como ficam aqueles que não gostam de cachorro, mas de gato? Como ficam as outras pessoas de gosto exótico que criam em suas casas, por exemplo, uma cobra? Quais seriam os critérios de "São Pedro" para permitir que um cão de raça entre no céu e um vila-latas não? Quais seriam os pecados dos bichos? Seria que o cão-guia terá bônus pra entrar no céu? E a preguiça, coitada, lerdinha como é será que suportará a demora da fila no céu?

Como pra ir pro céu tem-se que morrer, como seria então a missa de sétimo dia dos cachorros e demais bichos? Será que teria a foto dos animais nos santinhos? E que tipo de réquiem se poderiam tocar?

Sei não! O Santo Padre Chico que eu adoro me encafifou o juízo. Só acho que a igreja católica não tá dando conta dos cotós e agora está migrando para os "de rabo". Será que bateu um desespero ou é tudo porque nós humanos estamos mais para animais do que pra gente? Verdade que tem muita gente que eu não troco por um cão! Cão? Arrimaria! Nem pensar, pois o capiroto, o cadeirudo, o Pantanha deve ter se arretado comesse história. Certamente ele vai chamar Edir Macedo ou Silas Malafaia pra mandá-los nos dizer que os insetos vão pro inferno! Nesse rol, certamente estariam as cobras, o cupim, a pulga, o carrapato, o piolho e demais tranqueiras do gênero.

Xapralá. O Papa Chico é Dez e não é porque ele disse que cachorro quando morre vai pro céu que eu vá mudar minha opinião acerca dele. Mas eu quero chegar no céu e não ser importunado por cachorro de madame. Quero um vira-latas - daqueles do rabo fino para me saudar ao lado de São Pedro. Se puder ser Vitória, melhor. Vitoria era uma cadela linda, mas vira-latas que a gente criava na casa de mamãe. Agora com essa possibilidade, tudo fica mais atrativo para as bandas do céu, nem que seja do céu da boca.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 18/12/2014