Em manutenção!!!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

RESPEITO



Por Expedito Guedes

NESTA IMENSA ESTRUTURA
ENCONTRA-SE A NATUREZA
CHEIA DE TANTA BELEZA
MÃE DE TODA CRIATURA
EXALA AMOR E TERNURA
SEM ÓDIO, SEM PRECONCEITO
A TERRA DIVINO LEITO
DE TODA A CRIAÇÃO
MOSTRANDO QUE A NAÇÃO
MERECE TODO RESPEITO

SEMPRE NO MOMENTO CRÍTICO
APARECE UM ATO NOVO
TUDO DEPENDE DO POVO
SER SÁBIO E ANALÍTICO
LEVANDO AO POVO POLÍTICO
UMA NAÇÃO DE DIREITO
CRIANDO UM BOM CONCEITO
DE ÉTICA E EDUCAÇÃO
MOSTRANDO QUE A NAÇÃO
MERECE TODO RESPEITO

JURANDO HONESTIDADE
EM CERTA HORA DEVIDA
DEIXANDO DE SER CUMPRIDA
TRANSFORMA-SE EM FALSIDADE
FALTANDO DIGNIDADE
PERDE A RAZÃO DO DIREITO
ENTÃO, SÓ EXISTE UM JEITO
PAGAR COM A PUNIÇÃO
MOSTRANDO QUE A NAÇÃO
MERECE TODO RESPEITO

EM ALGUM PONTO DA TERRA
COM GENTE AGLOMERADA
FORMANDO ASSIM UM ESTADO
QUER SEJA PAZ OU GUERRA
TER A IDADE DA SERRA
OU DA CRIANÇA DE PEITO
DEVE RECEBER O PLEITO
DE ALTA CONSIDERAÇÃO
MOSTRANDO QUE A NAÇÃO
MERECE TODO RESPEITO

O POVO, O QUE É QUE DIZ?
O QUE SERÁ QUE ELE PENSA?
RECEBE COMO OFENSA
OU SENTE-SE MUITO FELIZ?
E COMO FICA O PAÍS?
SERÁ QUE ENCONTRA JEITO
DE SANAR ESTE DEFEITO
QUE TROUXE DECEPÇÃO
PARA MOSTRAR QUE A NAÇÃO
MERECE TODO RESPEITO

09 DE DEZEMBRO DE 1993

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O PARAÍSO É AQUI



Por Mábio Tenório

Estava um amigo num passeio em Roma quando, ao visitar a Catedral de São Pedro ficou abismado ao ver uma coluna de mármore com um telefone de ouro em cima.

Vendo um jovem padre que passava pelo local foi perguntar razão daquela ostentação.

O padre então lhe disse que aquele telefone estava ligado a uma linha direta com o paraíso e que se ele quisesse fazer uma ligação teria de pagar  100 dólares.

Ficou tentado porém declinou da oferta.

Continuando a viagem pela Itália encontrou outras igrejas com o mesmo telefone de ouro na coluna de mármore. Em cada uma das ocasiões  perguntou a razão da existência e a resposta era sempre a mesma:

Linha direta com o paraíso ao custo de 100 dólares a ligação.

Depois da Itália, chegando ao Brasil, foi direto para  Bom Conselho .

Ao visitar a nossa gloriosa Matriz da Sagrada Família , na Praça Pedro II , ficou surpreso ao ver novamente a mesma cena: uma coluna de  mármore com um telefone de ouro.

Sob o telefone um cartaz que dizia: LINHA DIRETA COM O
PARAÍSO - PREÇO POR LIGAÇÃO = R$ 0,25 ( vinte e cinco centavos ).

Não aguentou e lascou....

Monsenhor , disse-lhe, viajei por toda a Itália e em todas as catedrais que visitei vi telefones exatamente iguais a este, mas o preço da chamada era 100 dólares. Por que aqui é somente R$ 25 centavos?

O Padre sorriu e disse ao meu amigo, você está em Bom Conselho . Aqui a ligação é local.

O PARAÍSO É AQUI.....
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Algumas fotos do Paraíso:


Bom Conselho - Vista Aérea

Bom Conselho - Rua Joquim Nabuco

Bom Conselho - Ermida de Santa Terezinha

Bom Conselho - Igreja Matriz da Sagrada Família

Bom Conselho - Praça Pedro II e Matriz

Bom Conselho - Colégio N. S. do Bom Conselho

Distrito de Caldeirões dos Guedes


Bandeira de Bom Conselho

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Somos Bom-conselhenses, e o Encontro?



Por Zé Carlos

Outro dia, já disse porque resolvemos fazer uma pesquisa que nos orientasse sobre o que somos, ou o que devemos responder quando nos perguntarem: “Quem nasce em Bom Conselho, é o quê?” (veja aqui). Fizemos uma pesquisa rápida, e naquela ocasião, concluímos que seríamos “bom-conselhenses”, apesar de termos encontrado vários outros gentílicos para nossos conterrâneos (veja aqui). Continuamos a usar “bom-conselhense” por coerência com o que encontramos.

Até que um belo dia conversei com o Luis Clério e ele me disse que, a partir de uma pesquisa feita por Florisbelo Vilanova, ele passou a usar o termo “bonconselhense”. Não podíamos desprezar nosso esforço de pesquisa e nem ignorar o resultado daquela feita pelo ilustre bom-conselhense, ou, como ele sugere, bonconselhense. A consequência disto foi tentar ampliar nossa consulta a toda comunidade, através de uma enquete em nossa AGD.

Seu resultado foi o seguinte, entre os 29 computadores que votaram:  bom-conselhense”, 17 votos ou 59% , “bonconselhense”, 9 votos ou 31% , “papacaceiro”, 2 votos ou 7%,  enquanto apenas 1 voto foi para o gentílico “bom-conselheiro, ou 3%. Como já tentei dizer outra vez, o resultado de uma enquete não é a vontade do povo nem a vontade de Deus. É apenas uma indicação de alguns bom-conselhenses para algo que se está em dúvida. Pelo menos, com estes resultados, continuaremos a usar “bom-conselhense”, como nosso gentílico, com o apoio desta maioria, até que nos sejam mostradas as pesquisas que dão como certas outras denominações para os filhos desta terra.

Toda esta celeuma surgiu, junto com outras tantas, do imbróglio que se criou em torno do 11º Encontro de Papacaceiros. Pelos acontecimentos, houve uma cisão entre aqueles que queriam manter o mesmo nome, para 2012, enquanto outros preferiam que o “papaceiro” fosse substituído pelo gentílico mais usual, que agora acreditamos ser “bom-conselhense”, ou seja, seria o 1º, 2º ou 12º Encontro de Bom-conselhenses. Enquanto outros defendem a permanência de 12º Encontro de Papacaceiros. Isto parece até uma “briga de comadres” dirão alguns, outros acham isto de uma importância fundamental.

Quando eu ouvi os relatos sobre a festa que houve (e a maioria julgou que foi boa de acordo com nossa enquete anterior), sobre o esforço de alguns para realizá-la, sobre o de outros para não a realizar, sobre as corridas e pegas de carros de som, se enfrentando com mensagens diferentes, debates na AGD, no Facebook, no SBC, na A GAZETA, descobri que a coisa, apesar de importante, não era o fim do mundo. Era apenas uma discordância numa comunidade que está despertando para os nossos meios de comunicação, e que não se curva a nenhuma autoridade “coronelesca” seja ela quem for.

O interessante é que, passada a tempestade veio a bonança, como de praxe. Mas esta bonança veio acompanhada de um silêncio ensurdecedor, sobre tudo. Pelo menos nos meios de comunicação a que tenho acesso. Talvez todos estejam esperando, como eu, o resultado da enquete da AGD para se pronunciar. Eu espero que sim. E agora vou dar minha opinião a respeito, e já aviso, não tenho tendências “coronelescas”. O que eu digo não precisa ser cumprido sem discussão ou debate, e não considero discordância uma ofensa pessoal.

Em síntese, penso que o Encontro deveria continuar, e ao fazê-lo, seu nome deveria ser 12º Encontro de Papacaceiros. Antes que alguém pense que eu não soube sobre os rumores de ter o Zé Quirino, registrado, ou patenteado o nome do encontro, digo que eu já estou sabendo. Pelo que exporei abaixo,  e se rumor for verdade, o uso do nome é tão importante, que o Zé Quirino e aqueles que são contra à coordenação dele no próximo ano, deveriam, em favor da cidade, entrar num acordo. Apesar de reconhecer que houve bons e maus procedimentos por parte dos querelantes, penso ser isto possível. Pois se não for, aqueles envolvidos poderão pagar um preço muito alto (mais político do que financeiro) pelas consequências, deste desentendimento.

E por que é importante manter o nome? Um exemplo, só. Vocês sabiam que o “Rock in Rio”, ainda foi “Rock in Rio”, mesmo quando foi realizado em Lisboa? Por quê? Porque, aquele primeiro “Rock in Rio”, cresceu tanto, que deu ao seu nome o status de uma grande e vitoriosa festa. O Encontro de Papacaceiros já vinha se constituindo uma data no calendário turístico (se é que existe um) da cidade. Ele mobilizava já uma grande parte dos bom-conselhenses internos e externos. Vi a filha de seu Florisval, a Florilda, vir dos Estados Unidos, para o Encontro de Papacaceiros. Por uma questão de justiça, isto, em parte, devemos ao Zé Quirino. No entanto, talvez pelo mesmo motivo ele tenha cometido, a meu ver, o grande erro deste ano: pensar que a festa era tão pequenininha que caberia em seu bolso, e ele pudesse dizer que a festa era dele, ao ponto de qualquer motivo de natureza particular, poder levá-lo a mudar a data da mesma, sem menores conseqüências. Quando ele descobriu que O Encontro de Papaceiros não era mais dele (alguns dizem que nunca foi) já era havia entrado numa luta inglória, que deu origem a tudo. Ele descobriu que o nome até pode ser, mas a festa não.

Entretanto, é a preservação do nome que está em jogo, e isto vai depender de negociação com o Quirino, desde que ele apresente o registro desta marca em seu nome (sinceramente, meus conhecimentos jurídicos não são suficientes nem para saber se isto é possível). Vejam a diferença, entre se promover o 1º ou 2º Encontro de Bom- Conselhenses e o 12º Encontro dos Papacaceiros. No mínimo, no primeiro caso, deveríamos explicar porque é tão novo o encontro, e alguém dizer como se dizia em Bom Conselho: “Tão bonitinho de touca, será que ele se cria?”. Além das dúvidas geradas sobre o sucesso ou não do encontro.

Do que estou certo é que um entendimento entre as partes será necessária pelo bem da terra. Este deveria partir das pessoas envolvidas com ela. Soube que quem coordenou todo o encontro este ano, foi a Bia Ferro, pelo que merece os parabéns junto com aqueles que a ajudaram a realizá-lo. Fazendo uma grande simplificação, teríamos Bia Ferro de um lado e o Zé Quirino de outro. Se o interesse for a cidade, haverá um acordo, se não for, perde a cidade. Aí, deveria entrar o setor público, ou, no caso as autoridades que zelam pela cidade, como moderadores. A última e pior solução seria a festa ser encampada por pessoas interessadas nas próximas eleições. Tanto que, quando falo aqui em Bia Ferro, vejo apenas a moça trabalhadora e bonita que ela é, nunca a Secretária da Prefeitura. Se não houver esta distinção, só haverá paz com a intervenção do Eduardo Campos, ou da Dilma Roussef, pois ninguém votou contra eles em Bom Conselho.

Já estou quase atingindo o ponto da prolixidade, por isso só depois direi em como penso ser uma festa. Sou bom-conselhense, então tenho o direito, e até o dever de jogar minhas opiniões para serem discutidas, e a AGD está ás ordens para publicar outras opiniões.

O Hotel Fazenda



Por Zé Carlos

Sempre que vou a Bom Conselho, me hospedo no Hotel Raízes. Apesar dos convites dos amigos para ficar em outros lugares, eu prefiro ficar lá. Todos já sabem disto e nem me convidam mais. Todos ficamos satisfeitos e continuamos amigos.

Da última vez não foi diferente, a não ser pela dificuldade maior para lá chegar, como já contei noutro texto. Se diferença houve foi apenas o de irem comigo mais pessoas do que normalmente levo. O meu neto, seu pai e sua mãe estavam conosco, os avós. Devido ao grande número de pessoas que lá estavam neste dia, tivemos que nos dividir. Os avós ficaram na cidade e eles foram para o Hotel Fazenda, também de propriedade dos donos do Raízes.

Eu fiquei na cidade e o meu neto no campo. Até nisso houve afinidades entre nós. Ele tinha mais vontade de ver os bichos e eu de acessar a internet. Nós dois ficamos satisfeitos. Ele mais do que eu, pois havia mais animais para ele ver do que conexão para eu navegar. Desta vez estava péssima. Digo sempre que atualmente, como aposentado, vivendo do dinheiro que a “viúva” tirou de mim durante toda vida e agora devolve aos pouquinhos, exerço duas atividades principais, em ordem de importância: Ser avô, e ser blogueiro. Aliada a outras que já tiveram importância mais acentuada, como a de ser filho, irmão, marido, pai e fazer supermercado, vou vivendo a vida que me resta, seguindo todas as dietas e correntes eletrônicas para chegar aos 80 pelo menos com a aparência de 79 anos.

Devido a esta divisão familiar hoteleira, fui conhecer o hotel na fazenda. Confesso que nunca fui muito do mundo rural. Nasci numa cidade que, naquela época, para estar no campo, bastava dar três passos. Bichos que hoje o meu neto não vê, via aos montões pelas ruas. Sinto muito não ter podido mostrar a ele um carro de boi gemendo pelas ruas e o pobres animais sendo furados pela vara com ferrão. Mas, para ele, na fazenda tudo era festa. Ovelha de um lado, guiné do outro, cachorro mais na frente, peixes no lago, e até um galo de briga. Fazia tempo que não via um. Como faz falta um galo de briga em nossa política. Também faz falta uma galinha com pinto novo, que sai correndo atrás de nós quando mexem com suas crias. As galinhas do hotel eram todas mansinhas, iguais as nossas políticas.

Havia algo lá que também nunca tinha participado de um. Um “pesque e pague”. Eu e os familiares até que tentamos, quase uma hora, mas, nem pesquemos nem pagamos. Elas por elas, menos para os peixes que comeram todos nossas iscas, e ficaram esperando pescadores mais exímios. Além disso meu neto encontrou uma cachorrinha chamada Mel, que era tão mansa que ele fez a aventura de passar a mão em sua cabeça. Coisa de menino da cidade. Eu, na idade já atirava o pau no gato. Enfim, foi uma manhã divertida, e para quem gosta da zona rural, foi um prato cheio.

Eu imagino se lá tivesse telefone, televisão, computador, internet, o celular funcionasse e outras “mordomias” da vida moderna, seria um paraíso, pois não tinha nem mosquitos. Mas, aí não seria turismo rural e o meu neto não teria alimentado as ovelhas. Só eu teria me divertido, escrevendo no Twitter para este blog. Desta maneira todos nos divertimos parcialmente. Para avós como eu, o Hotel Fazenda é uma boa diversão para os netos. Eu ainda prefiro a Praça de Santo Antônio.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CONVERSA DE INTERIOR

Rua do Jacaré - Caçote


Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

Dona Umbelina e Dona Quitéria, eram duas amigas inseparáveis. Moravam vizinhas há mais de 40 anos na Rua Jacaré. Todos os dias, no final da tarde, colocavam cadeiras na calçada a sombra e se deliciava com a brisa, enquanto o sol se vai desaparecendo entre as torres da igreja matriz.

Ali, naquele recanto sagrado, elas comentam toda noticia que ocorre naquele lugarejo, longe do burburinho da cidade grande. Gostava das novelas e repórteres da televisão. Não tinha preferência por nenhum canal. Vasculhava todos os que mais lhe agradava ficava assistia e depois comentava na mesa do café ou na conversa na sala de visita o ocorrido. Via todas as pessoas passarem para irem ao centro, cumprimentando uma a uma com uma “Boa Tarde”.

Os seus netos as crianças da vizinhança brincavam de roda, as meninas, enquanto os meninos de “pega” De vez em quando uma delas gritava:

Cuidado meninos para não cair e se ferir.

Aí, os meninos sorrindo corria ainda mais.

Caçote era uma pequena cidade que abrigava mais ou menos dez mil pessoas. Todos se conheciam, do mais rico ao mais pobre.  As conversas eram as mais variadas desde, os acontecimentos na igreja, no comércio e na política, ali elas compartilhavam e às vezes com algumas pessoas que passavam e ali permanecia ouvindo e participando da conversa e ao mesmo tempo informando às novidades que Dona Umbelina e Dona Quitéria não sabiam.

Numa destas tardes, estavam sentadas, na calçada quando passou o sapateiro, morador no final da mesma rua, para comercio, para comprar cola de sapato, o Seu Alfredo, reconhecido pelo seu belo trabalho na recuperação dos sapatos de cavalheiros e senhoras da localidade.

- Seu Alfredo venha até aqui, chamou uma das senhoras.
- Seu Alfredo, parou, olhou para as duas que estavam tricotando.
- Boas tarde.
- Viu o que aconteceu?

Não sei não, respondeu o Seu Alfredo

Eu já tinha falado para a comadre aqui, que o mundo é das mulheres e ninguém tira isto.

Seu Alfredo coçou a orelha e tirou um papelote branco colocou fumo tirado de uma latinha de rapé, e enrolou fechando com a língua molhada e acendeu.

Deu um trago. Olhou para o relógio e conferiu o horário e respondeu.

- Parece que sim. As mulheres hoje estão em alta, com certeza.
- É tanto que hoje temos uma mulher na presidência da Republica do Brasil, coisa nunca vista, mas o que fazer, acrescentou o sapateiro.

No meu tempo, disse Dona Umbelina, o homem era por cima, hoje, é a mulher que está por cima, riu.

É uma verdade, acrescentou olhando para o cigarro

 Sentou-se no meio fio, e disse nos dias atuais minhas queridas senhoras, o homem deseja ser mulher e as mulheres desejam serem homens. Não vê Dona Umbelina e Dona Quitéria a safadeza que existe na televisão. A Senhora viu um desfile de homens vestidos de mulheres, com trejeitos femininos desfilando pelas ruas de São Paulo?  Até o Governador e o Prefeito estão no meio destes desavergonhados rindo.  E estes desfiles estão tomando conta de todas as cidades.

É uma pouca vergonha, não é?

Nestes dias aqui também em Caçote.

Deus me livre duma desgraça desta, disse Dona Quitéria. O meu falecido marido, o Joaquim, que Deus o tenha, os seus ossos vão se remexer no Cemitério de Santa Paula.

E se benzeu.

Olhando para a comadre, disse: Eu acredito que teu falecido marido, o João também não aprovaria esta pouca vergonha, não é?

E continuou, falando para o seu Alfredo:

Pois, é o mundo é das mulheres. Elas estão em todos os postos, até na Presidência, viu Seu Alfredo. Todos de cabeça baixa, até os grandalhões do Exercito, da Marinha e da Aeronáutica batem continência para ela, onde já se viu isto?

É muito constrangedor um homem se rebaixar a isto. No nosso tempo isto não acontecia, era o homem que era Prefeito, Governador e Presidente do Brasil. Mas, eu acredito que as coisas vão melhorar, pois, a mulher tem tino melhor do que o homem. Não é me gabando, não, mas muitas vezes aconselhei a Joaquim a tomar certas decisões. E ele tomando o meu conselho acertava em cheio.

Seu Alfredo viu como as filhas do Seu Arnóbio vivem? Vivem por ai bebendo nos barzinhos daqui, como se fossem homens e, os homens é que gostam, pois soltam lorotas a todo instante, uns olhando para o outro e rindo. Os vestidos são muitos curtos. Quando se reclama, elas dizem aos pais, quem quiser que veja, mas ninguém toca até eu deixar. Não é pouca vergonha, onde já se viu, no meu tempo, a mulher andar de andanças pelos recantos onde somente tem homens e se vestindo deste jeito?

Pois é, Dona Umbelina e Dona Quitéria, os tempos mudaram e ninguém segura mais o ímpeto das mulheres, elas estão soltas por ai. Quando se dá uma desgraça na cidade, todos falam isso e aquilo, os pais não dão educação, não freia o impulso destas jovens e assim por diante.

Seu Alfredo se despediu e se dirigiu para o comércio com o anoitecer, com a lua cheia no céu estrelado, enquanto das duas vizinhas entravam para casa carregando as cadeiras a fim de rezar o terço e após o café ir para igreja para a novena que estava acontecendo em louvor ao padroeiro São Benedito.