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quarta-feira, 5 de março de 2014

Quase 12 anos de escravidão


ROBOCOP


Por Zezinho de Caetés

Semana passada, entre um bloco de carnaval e outro, fui assistir a um filme chamado de “12 anos de escravidão”. Saí do cinema dizendo que havia sido chicoteado também enquanto os escravos nos Estados Unidos, ainda no século XIX, sofriam ainda os horrores da escravidão negra, e põe horrores nisso.

O filme é a história real (e por isso dói muito mais na gente) de um homem negro, já livre e que vivia em Nova York, tocando violino, e foi cooptado por dois homens brancos para viajar pelo país, sendo deixado no sul, onde a escravidão ainda não havia sido abolida, e onde se tratava humanos como bestas de carga nas feiras do nosso interior. E a forma como a história é tratada não deixa margem a se pensar que só apenas os brancos eram cruéis e os negros os bonzinhos. Ambas as raças, naquilo em que podemos interpretar o termo, neste caso, a cor da pele, estavam envolvidas naquele horror.

Saí do filme triste com a raça humana e com o que ela é capaz de fazer. Foram 12 anos de sofrimento para alguém cuja única culpa era ter a pele de cor diferente daqueles que detinha o poder na época. No final, como todo filme americano que se preza, temos a sua volta ao seio familiar, o que evitou o vexame de eu sair chorando da sala do cinema. Mas, não deu para me alegrar muito quando voltei para casa, e voltei aos meus afazeres normais, que foram a leitura de um bando de textos que havia separado durante a semana para comentar, e não tive tempo pelas obrigações com as ladeiras de Olinda.

No entanto, deixei a tristeza de lado e quis associar o que havia visto de crueldade no filme, à crueldade que hoje vivemos no Brasil. Então veio à minha mente que havia lido um texto do Ferreira Gullar na Folha de São Paulo (23/02/2014) e que se intitulava “Me engana que eu gosto”, e que abaixo reproduzo, para que as cinzas sejam tomadas por vocês, depois da folia momesca, meditando nos “quase 12 anos de escravidão” que vivemos, tendo como senhor o PT.

As atitudes deste partido em relação ao julgamento do mensalão, particularmente, e suas ações no campo social e econômico, e a tentativa cada vez mais clara de se manter no poder por todos os meios, escusos ou não, só podem ser comparadas à escravidão e à crueldade que vi no cinema. Já são quase 12 anos de escravidão e de enganação do povo, que hoje já sente que, a continuar assim, até a vaquinha dos mensaleiros vai para um brejo maior do que o que eles quiseram nos colocar.

Mas, não ficou aí minha aventura cinematográfica no período carnavalesco. Talvez, querendo esquecer tanta crueldade e aproveitando minha condição de idoso que me dá o privilégio de entrar no cinema com meia entrada, fui outra vez ao cinema, agora para assistir algo mais laite (para os puristas da língua isto é o aportuguesamento de “light”). Fui ver Robocop. Não é um filme tão bom quanto o outro, mas, serve ao que se propõe: divertir. Entretanto, não consigo me afastar da política nenhum minuto e não houve jeito para não usar o enredo do filme, para refletir sobre o que o meu conterrâneo Lula dizia dos parlamentares, quando ele era um deles. Pelo menos de 300, que ele dizia serem picaretas.

O roteiro de Robocop gira em torno de um policial que, com a ajuda de muita tecnologia, se transforma num robô e passa a ser um policial tão eficiente que descobre criminosos em situações inusitadas, apenas olhando para os seus olhos. Não deu para coibir minha imaginação de pensar quanto uma máquina como esta seria importante para nossa vida parlamentar e partidária. Já pensou, o Robocop no Congresso mirando no olho de cada um dos parlamentares e verificando quem cometeu algum crime? Ainda seriam só 300? Eu não sei se seus circuitos aguentariam tanto trabalho. Sei apenas que em reuniões do PT haveria, na certa, um curto circuito por excesso de prisões que seriam necessárias para fazer justiça. E se ele, o Robocop, subisse na torre do eixão de Brasília, certamente, explodiria ao olhar para os palácios.

Como o diretor é brasileiro e já dirigiu aqui o Tropa de Elite, onde o Capitão Nascimento parecia mais com um Robocop tupiniquim, quem sabe, ele o trará a máquina dos Estados Unidos para cá, depois da Copa. Isto é, se houver Brasil depois dela. Se a máquina aguentar, não sobrará lugar na Papuda.

Fiquem com o texto de Ferreira Gullar, e não fiquem esperando o Robocop para sair destes quase 12 anos de escravidão. Para isto e para se limpar das cinzas ouçam a paródia da A Banda, que encontrei aí pela rede, logo após a leitura. Ao ouvir o refrão que diz que os alunos de hoje são robôs vi a pertinência do vídeo. Divirtam-se, mas, não esqueçam que em outubro podemos dar o troco.

“A tentativa de desmoralizar a decisão do Supremo Tribunal Federal, que condenou os responsáveis pelo mensalão, começou com uma falsa indignação e está se tornando molecagem. Não pode ser qualificada de outro modo a atitude do vice-presidente da Câmara, que na sessão solene de abertura do ano legislativo fazia ostensivamente gestos de provocação contra o presidente da suprema corte de Justiça do país.

Sentado ao lado do ministro Joaquim Barbosa, repetia o gesto de José Dirceu e Genoino, quando, ao serem presos, fizeram-se de vítimas de uma discriminação política. Se tais gestos, naquele momento, eram apenas uma descarada farsa, repetidos agora não passam de um desrespeito ao Supremo e ao próprio Congresso Nacional.

Esse desespero dos petistas é compreensível, ainda que inaceitável. É compreensível porque o mensalão pôs a nu o que efetivamente é agora o PT, partido criado para supostamente restaurar a ética na política brasileira. A verdade é que esse partido nunca foi isso. Fingiu ser, e desse modo ganhou a adesão de algumas personalidades destacadas da vida intelectual brasileira.

Essas personalidades deram respaldo à jovem agremiação, cujo principal líder era um operário. Ninguém imaginaria que esse mesmo líder viria, mais tarde, chegado ao poder, aliar-se ao que há de pior na política nacional. Em consequência disso, aquelas personalidades, decepcionadas, deixaram o partido, sendo que algumas delas chegaram a denunciar o logro de que foram vítimas. Mas Lula e sua turma seguiram em frente, porque seu objetivo, após chegar ao poder, é nunca mais sair dele. E daí, entre falcatruas, o mensalão.

Como já disse aqui, o mensalão foi o modo encontrado por Lula de conseguir o apoio dos pequenos partidos sem lhes dar ministérios e empresas estatais, que reservou, na quase totalidade, para o próprio PT, onde empregou seus partidários aos milhares e usou das verbas como quis. Nesse projeto, estava implícito o uso do dinheiro público em função dos interesses do governo.

Logo ficou evidente que partido era aquele e quais seus reais objetivos. Já a vitória de Lula à Presidência da República deveu-se à mudança drástica em sua pregação de candidato. No governo, abriu os cofres do BNDES a grandes empresas privadas, ao mesmo tempo que se apropriava dos programas sociais, criados por Fernando Henrique.

Conforme afirmou recentemente um economista, o dinheiro dado aos empresários foi muitas vezes superior ao destinado ao Bolsa Família, isso sem contar que os empréstimos eram feitos a juros abaixo do mercado, o que permitiu aos empresários aplicar o capital que não investiram em suas empresas e assim ampliá-lo, graças aos altos juros do mercado financeiro.

Tudo isso mostra que do PT surgido em 1980 não restou quase nada. O mensalão não foi inventado por ninguém e, sim, atestado e comprovado por documentos, depoimentos e investigações, levados a cabo pelos órgãos policiais e judiciais. O julgamento desse processo foi feito publicamente, transmitido pela televisão. Cada ministro manifestou sua opinião, suas concordâncias e discordâncias, do que resultou a condenação da maioria dos acusados.

Entende-se que, para um partido, que está no poder há 11 anos e nele pretende se perpetuar, tais condenações pegam muito mal, já que os condenados são gente de sua cúpula. Como explicar, num ano de eleições, que altas figuras do partido tenham sido condenadas pelo Supremo Tribunal Federal?

Como explicar que Henrique Pizzolato, nomeado por Lula diretor do Banco do Brasil, tenha falsificado o passaporte do irmão morto para fugir do país? Ele era membro destacado do PT, tendo sido até candidato do partido ao governo do Paraná.

Impossível explicar aos eleitores tanto vexame e tantas falcatruas. E, sobretudo, impossível negá-las se foram comprovadas e punidas pela mais alta corte de Justiça do país.<br>
Não há outra saída para os petistas senão afirmar que se trata de uma farsa, montada pelos ministros do Supremo. Mas como admitir isso se, dos 11 ministros, oito foram nomeados por Lula e Dilma? O PT só engana mesmo quem quer ser enganado.


E o valerioduto mineiro? É esperar para ver.”

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