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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

BOM DIA ESPELHO





Por Carlos Sena (*)

Hoje, talvez movido pelo “auê” da passagem de ano velho para o novo, fiquei pensando na magia que é o tempo. Coisas tipo: faz quase três séculos depois de cristo que o tempo se veza e reveza, veza e reveza nos paginando e repaginando, transformando-nos em sonhos ou em meras lembranças que com uma ou duas gerações depois da nossa morte, já ninguém nos lembrará, exceto alguns poucos gênios da humanidade. Como dizia Ziraldo, “livre pensar é só pensar” e é um pouco disso que tergiverso nessa tentativa de compreender melhor essa nossa “escravidão” do tempo. Acho mesmo que muitos nem se preocupam com a morte por ser ela curta e grossa, quero dizer, não manda recado – vem e leva quem quiser no tempo que desejar. E nós? Medo da morte certamente que se tem, posto que nossa natureza tem horror ao desconhecido. Imagino, pois, que driblar o tempo seja mais importante pra muita gente, o que talvez justifique o exagerado culto ao corpo procedido em nossa civilização. Mesmo ele (o corpo) também não se contempla em si, porque chega um momento que ele se entrega mesmo que a gente não queira, mesmo que a “plástica” ainda sirva  e com ela o Botox, a ginástica e quem mais existir pra driblar o tempo. Há lei na gravidade ou a gravidade é que é a lei? Que nos responda quem a descobriu, quem sabe não foi a puta que não pariu?

Nesse vai e vem de conceitos e pontos de vistas, entendo que haja um componente mais de ponto do que de vista: o ponto do amor. O tempo pode até ser medido por anos, por castanhas de cajus como faziam os índios; ou pelo calendário Juliano, Maia, Asteca, sei lá bisteca... Explico: há pessoas que passam pela vida sem amores. Não porque não tivessem pretendentes, mas porque exageraram na “cota” de sua autoestima e, assim, dando uma de “C” doce terminaram ficando na “peça” no caritó, como se diz no meu Pernambuco. Talvez até mesmo porque quiseram ficar sozinhos ou sozinhas por opção, ou porque erraram no calculo do romantismo ou do platonismo. Há casos assim de mulheres lindas que, diante da primeira decepção de amor, viraram freira, qual o casulo que vira borboleta. Independente, o mais importante é marcar o tempo e a vida com o amor. Amor no lugar dos “cajus” dos índios, no lugar do calendário Juliano ou Gregoriano (nem sei se existe) ou lá seja qualquer, mas tem que ser amor. Trocando em miúdos, somar amores é a melhor forma de ser jovem, ser velho, ser ancião. Se você hoje estiver sozinho ou acompanhado, também pode fazer essa introspecção acerca do que seja somar os seus amores. Não precisa avaliar se foram bons ou não, se foram amor ou sexo ou apenas amizade. O amor nem sempre mostra a cara e nem sempre a gente tem competência para saber, a rigor, onde ele nos fisgou. Elizabeth Taylor segundo dizem teve quase uma dezena de amores – vejam que mulher feliz, a despeito do tempo que impôs os rigores da “lei da gravidade”! Tudo faz crer e a mídia noticia ser ela de alto astral e desenvolve um trabalho social de vulto na sua terra.

No refugar desse meu pensar, me penso por dento: já tive em torno de dez relacionamentos e, qual a Taylor sou muito feliz e conto o meu tempo de vida por eles. Algo mais ou menos assim: comecei namorar com 23. Meu primeiro namoro sério foi com “A” que durou dez anos. Depois com “B” que durou cinco anos; depois com “C-D-E-F”, etc. senão chego nas letras todas do alfabeto. Porque assim, ao contar nossos amores a gente se conta e se encanta com tudo que o amor nos proporcionou e nos marcou. Portanto, a gente não se preocupa com a lei da gravidade, porque daqui, enfim, ninguém escapa com vida. Se a morte é certa, o amor sendo a mais incerta das coisas é o limite da nossa eternidade. Ame - essa é a Lei. Esqueça sua idade. Se for jovem não se grile em namorar uma pessoa mais velha e vice versa ou mais versa do que vice. Se quiser iludir o tempo com plástica ou Botox ou semelhantes, faça. Mas o tempo ignora isto e você pode um belo dia, se dar BOM DIA NO ESPELHO pensando que você é outra pessoa. Então é melhor ser o que se é porque a ventura da vida é torná-la uma permanente aventura a dois, ou não?

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 04/01/2013

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A AGD na folia - No Recife Antigo



Recife - Marco Zero (Foto AGD)


Por Zé Carlos

Ontem fui, até onde pode, esticar as canelas frevando no Recife antigo. Como sempre procurando os blocos mais calmos e também os que mais gosto que são os blocos líricos. Como disse anteriormente, minha preferência sempre é o CARNABECO, mas, à falta deste nos meus planos, por que não enfrentar o carnaval de Recife?

Qualquer atividade que se queira fazer nesta cidade, saindo de casa, é um problema que eu chamava, nos tempos que convivia com planejadores urbanos, de mobilidade urbana. O Recife não se move, o Recife se arrasta.

Para chegar ao Recife antigo, começamos eu e a mulher, a procurar alternativas ao automóvel individual, o que está quase se tornando proibitivo aqui. A contradição é que, quanto mais difícil ficar andar de automóvel, mais eles aparecem e cada dia fica mais difícil usá-los.

Fomos informados, então, que o mais simples seria ir a um dos shoppings da cidade e de lá pegar um ônibus (colocados lá com esta missão) e se dirigir ao local da festa que é o Marco Zero. Tentamos. Não sei se era só naquele dia mas a fila do ônibus estava tão grande que se nos virássemos para trás e fôssemos andando chegaríamos primeiro. Além disso, mesmo que usássemos a opção coletiva, como estacionar o carro nos shoppings?

Resolvemos ir de taxi, porque o transporte coletivo tradicional, não é mais uma opção para mim, não porque tenha preconceito, e sim porque tenho medo mesmo. Hoje é mais fácil ser assaltado em ônibus do que na rua.

Depois de um bom papo com o motorista, que reclamava estar dirigindo há mais de 6 horas seguidas, chegamos lá, ao nosso destino, ou próximo dele.

Aí foi só alegria e gente, muita gente. E o melhor é que, ao contrário de Olinda, não temos ladeiras. No nosso passo de folião bissexto é até suportável seguir a Troça do Urso Zé da Pinga sem qualquer vontade de desmaiar de cansaço.

O Marco Zero é um local onde se pode apreciar um dos mais bonitos conjuntos arquitetônicos do Recife, um pouco traumatizado pelos quiosques carnavalescos e da polícia. E quanto a segurança tudo bem. Uma boa brisa, tempo bom e só foi esperar passarem os blocos, dos quais não vimos os principais, pelo adiantado da hora.

Foi tudo bom, com um ponto negativo. E ele não ocorre somente lá. Os esgotos estourados enfeiam e tornam mal cheirosos qualquer espetáculo de rua aqui no Recife. Como a decoração estava tão bonita, espero que ao longo do ano não carnavalesco a prefeitura trabalhe para que no próximo não atolemos o pé na lama em plena Rua do Bom Jesus.

Já que estávamos lá, fizemos o filme abaixo para que nossos leitores compartilhem conosco o restinho desta folia 2013.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A VIDA POLITICA





Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

A vida do político é um mar de rosas. Trabalham pouco e ganham acima de suas aptidões. Viagens nacionais e internacionais são frequentes. Hospedam-se em hotéis de luxo. Frequentam os melhores restaurantes. Passeiam e visitam belos lugares, sorrindo, sabendo eles que estas mordomias são pagas pelo “povo besta” que lhe confiaram o seu bem estar e da comunidade. E, tem mais carros oficiais para os seus deslocamentos da casa para o “trabalho” de graça. Apartamentos e casas sustentados pelo erário público. Como pobres que são tem ainda uma “ajuda para sua manutenção”, “auxilio paletó” para andar bem vestidinhos na moda; telefonia e serviço postal sem limites, l3º, 14º e o 15º salário para as festa do final de ano, o Natal e o Ano Novo, regadas com produtos importados, tudo isto mantido com o nosso dinheirinho suado. Quando acham pouco, todas estas regalias acham que estão ganhando pequenos salários, se reúne a “calada da noite” ou “mesmo na Câmara no final do expediente”?? aumenta os seus subsídios no maior patamar com índices acima de 50%, o que é uma vergonha, quando todo povo brasileiro, os aposentados, os trabalhadores do salário mínimo  tem um aumento de 6,20%. Quanta discrepância e tanta ganância. O dinheiro todos eles sabem de onde vem, pois sai do bolso dos mais pobres e excluídos da sociedade. Todo mundo quer ser hoje um político, nem que seja por quatro anos. E porque este desejo? Todos eles sabem que se forem eleitos vão “mamar nas tetas do povo sofrido” e enganados por eles na pré – temporada  a caça de votos. No inicio dos mandatos outorgados pela pobreza, que não sabem avaliar a situação e se deixam levar pelo um sorriso escancarado, um aperto de mão, por um copo de cerveja, vinho ou por uma “lapada” de cachaça, como tira gosto um “taco” de galinha mal temperada ou um pedaço de tripa mal assada e tantas outras artimanhas se deixam levar com uma despedida pelos candidatos. E depois? As eleições passam e eles se deliciam em seus gabinetes de ar refrigerados, e em reuniões por duas vezes na semana para trocarem ideias e o povo que se “dane” com as suas necessidades.”Todo castigo para os “trouxas” é pouco” diz o ditado popular. Os jornais e as noticias transmitidas através do rádio e da televisão mostra a pouca vergonha  que estes políticos detêm. O presidente a Camara de Vereadores da cidade de Caruaru, vai embolsar a o “salário mínimo” de R$. 24.000,00, fora as despesas com as mordomias; A Prefeitura e a Câmara de Vereadores da cidade de Moreno aumentaram os seus salários de R$. 10.000,00 para o “salário mínimo” de R$. 18.000,00e os vereadores passaram de R$. 3.000,00 para R$. 8.000,00 noticias estampada no querido Jornal DIARIO DE PERNAMBUCO. Ninguém de sã consciência pode “engolir” este descalabro que vem acontecendo em nosso querido Brasil. Estes absurdos que ocorrem por aqui, bem pertinho de nós, também ocorrem nos mais longínquos recantos da nossa Pátria, sem que ninguém “mova uma palha” para acabar com estes absurdos que as nossas Casas Legislativas, tanto no âmbito Federal, Estadual e Municipal, ”usam” e “abusam” de “gozar” com a cara dos contribuintes. Tem-se que se dar um freio nestes políticos que nada fazem em beneficio da população. As nossas cidades estão em estado de “calamidade pública”, em qualquer setor que se queira verificar. As Leis somente beneficiam a eles, pois, são redigidas e aprovadas por eles e o povão fica a ver “navios”, quando ver lá dos morros ou das palafitas na beira da maré. Pois, são os nossos políticos vivem em um mar de rosa, sem pétalas e sem espinhos, como está exigindo Elton John na sua apresentação aqui no Recife.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A AGD na folia - Continuando na Aurora dos Carnavais




Por Zé Carlos

Em continuidade ao nosso intenso carnaval, mostramos hoje a vocês dois filmes que fizemos na Rua da Aurora e, que, não por milagre, são iguais sendo diferentes. Neste primeiro que apresentamos a seguir, mostramos a festa com uma trilha sonora que colocamos para disfarçar a não tão boa qualidade de som daquele que o segue.

Hoje, o carnaval já começou oficialmente em Recife e já estaríamos nos preparando para ir ao Galo da Madrugada, se nossa equipe tivesse uma média de idade um pouco menor. Nosso carnaval de corpo presente hoje se restringe apenas aos Blocos Líricos, que não nos exige tanto das pernas quanto os outros tipos de blocos.

Vejam os filmes e tenham todos um bom carnaval.




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A HORA DA VIRADA





Por Carlos Sena (*)


Na virada haverá virada? O que dá pra rir dá pra chorar, pois é. Na virada é que muita gente leva a pior ou se vira da melhor maneira. Afinal, ninguém é peixe, mas, a gente sempre se vira como pode. O peixe no óleo quente quem lhe vira é o quituteiro, nós nem sempre. Dependendo de quem seja o quituteiro, pois há quituteiro de gente. Afinal, o verbo “comer” foi por nós, humanos, subvertido na sua pior tradução. O homem, sexo masculino, é o maior useiro e vezeiro disso, posto ser ele o dominador, o “rei da cocada preta”... Na virada, portanto, tudo pode virar. Vira-se o ano doze em treze, vira-se lobisomem, há mulher que prefere virar jacaré e por aí vai.

Na virada, certamente haverá todo tipo delas e pra todos os gostos. Há na virada, inclusive quem troque de morada, quero dizer, há quem morra em plena virada – troca a terra pelo céu... Céu da boca? Pode ser. Afinal é melhor a certeza do céu da boca do que a incerteza do céu dos santos. No céu da boca a gente degusta maravilhas da gastronomia e, talvez, não se consiga maravilhas do outro lado da eternidade. Como se vê tudo mesmo caminha para a viração, ou seja, para a virada. Há casulo virando borboleta, há borboleta virando as asas pra voar solene noutros pomares. Há rola virando roleta, há vinha virando vinheta, há sala virando saleta, há punho virando rede. Assustou? Pois bem, o susto é a virada da calmaria;  é o outro lado do horizonte certo pelo incerto.

Deste modo, esperar a virada do ano é apenas virar com ele a folhinha do tempo: se a folha vira, o tempo vira, a gente vira. Não se queira diferente do peixe que além de fresco fica frito pra boca da gente. Prefiro assim, uma virada informal. Mas há quem goste dela FORMAL  e dentro do “armário”. Pra não perder a rima lhes digo que não sou santo “sudário”. Melhor o armário vez por outra aberto do que nunca rompido em seu lacre da viração. A vida é assim cheia de viradas e virações. Outro dia,  perguntado "COMO VAI"?, um senhor respondeu: “vou feito gás de cozinha escapando quando posso”. É assim mesmo, pois quem não sabe se virar escapa feito o gás. E, se no dia da virada, você não conseguir, escape. Escape num sonho e vá pras estrelas. De lá, é só olhar sem vê-las e lá mais que da pá virada, serás luz neon a virar o edredom da ilusão e se esconder por sobre... Mas nunca, em tempo algum, escape pelo cano, como carro velho que incomoda a todos pelo escape.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 27/12/2012