Em manutenção!!!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

CHATO DE GALOCHA





Por Carlos Sena (*)

Você diz que sou um chato. Eu fico triste e acho que, de fato,  chato sou. Chato é um estado de quem não é. Chato é quem você pergunta “como vai e a pessoa diz”. Então você tem que ser chato pra barrar a pessoa e fazê-la deixar de dizer “como vai” senão você não suportará tanta chatice. Chato é você dar bom dia no elevador e não ter resposta de ninguém, principalmente quando só tem uma pessoa dentro dele. Chato é coisa de chato, mas é coisa de quem não se acha assim mesmo sendo. Chato não é a coceira que o bichinho faz no entreperna. O bichinho chamado chato terá se inspirado em nós, humanos, ou o contrário? Não importa, a chatice é filha pródiga do nosso egocentrismo que se alimenta de uma suposta modernidade para ser exagerado em tudo, inclusive na inconveniência que produz o chato. Há quem diga que chato não é a chatice que o chato faz, mas o que ele, o chato, pode proporcionar. Muitas vezes o chato beira a idiotice, mesmo sabendo que a idiotice contém o chato sem obrigação de a ordem ser subvertida. Assim, enquanto houver chato haverá galocha. Chato de galocha, quem já não se expressou assim? Pois é. Acho mesmo que a galocha não merece o chato, mas todo ele gosta de galocha porque ela, sendo de borracha parece que o isola dos choques que ele leva com a insatisfação das suas vitimas.

Portanto, se você tiver dúvidas de sua chatice, é só testar: se alguém te perguntar como você vai e você disser, você é um chato de galocha. Pronto. Essa é a regra geral, mas você pode ter a sua em particular, porque há momentos na vida que até ler sobre o chato se torna chato.

------------------
(*) Publicado no Recanto de Letras em 26/12/2012

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O MURAL SUMIU





Caros leitores,
 A partir de algum momento hoje, o nosso MURAL não está aparecendo em nossa página. Simplesmente ele sumiu. Não temos nada a ver com isto e sim aqueles que o hospedam e nos vendem seu serviço, que é muito apreciado pelos nossos leitores. Estamos fazendo todo o possível para que ele volte logo ao nosso convívio.
 Este aviso está aqui como uma postagem porque já recebemos um e-mail de alguém que diz ter havido censura generalizada. Mas, isto não é verdade. Esperamos que tudo volte ao normal o quanto antes.
 Obrigado
 Administração da A GAZETA DIGITAL

SEU LUIS!





Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

Estive nestes últimos dias  na boa praia Perua Preta em Tamandaré, para descansar o juízo, que anda muito carregado. Lá caminhando sob o sol frio da manhã, descansa a mente, não na sua totalidade, pois os pensamentos mesmo distantes perambulam. Participando a noite da Santa Missa na bela Igreja Matriz de São Pedro, do amigo Padre Arlindo, conhecido desde que ele era Coroinha,  ele comentou em sua homilia uma verdade que nós ignoramos -  “que todos nós amamos mais o inimigo do que o amigo”, pois este desafeto não sai do nosso pensamento, dia e noite, e isto incomoda a nossa vida, pois sempre teremos aquele rancor no coração, se não houver o perdão para florescer o amor, nada adianta. A vida é bela e necessitamos vivenciar esta beleza que Deus nos concedeu.

“Contou - Aconteceu a bastante tempo, quando tinha 16 anos, morando no bairro do Rio Doce / Olinda. Numa certa manhã, seu irmão, mandou que ele levasse um rádio na oficina de Seu Luis, a mais ou menos cinquenta metros de sua residência para ser instalado. Entregou o rádio às nove horas da manhã, e o Seu Luis prometendo entregar o carro às quatro horas da tarde. Até ai, tudo bem. Às quatro horas da tarde, voltou para apanhar o carro e como não encontrou nem o carro e nem seu Luis, resolveu esperar, sentado em frente à oficina. Por volta da cinco e meia da tarde, vinha da praia e bêbado, dirigindo o seu carro sem autorização e sem a instalação do rádio. Desceu cambaleando abriu a oficina para apanhar algum objeto. Pedi ao Seu Luiz o rádio, que se encontrava na mesa ainda com invólucro vindo da loja, pois não queria que ele fizesse o serviço. Seu Luis no auge de sua cachaça se negou a entregar-lhe e ele sentou no capu do carro e disse – só saio daqui quando o Senhor me der o rádio. Foi aquela contenda. Seu Luis queria que eu descesse e eu não queria. Acalorada a discussão foi criada e nesta ocasião seu Luis me deu murro que eu cai do outro lado. Uma hematoma foi gerada em meu rosto. O ódio subiu na minha cabeça e como não podia enfrenta-lo, por trata-se de um sujeito com os seus um metro noventa e cinco de altura fiquei amuado sentado no meio fio. Tudo que não prestava apresentou-se em minha mente. Desejava mata-lo, se assim o fosse. Voltei para casa esmurrado e choramingando de raiva. Ai começou crescer o ódio no meu coração. Não pensava em outra coisa, a não ser em Seu Luis. Neste tempo frequentava a Matriz de São Francisco de Assis, participando da celebração da Santa Missa como coroinha e participava do Encontro de Jovens, e tinha que passar em frente à oficina do Seu Luis. Evitava. Muitas das vezes, quando via a oficina aberta, desviava de caminho somente para não ver a cara daquele sujeito barbudo. A raiva, o rancor aflorava em meu coração. Não tinha. mais sossego na vida. Pensava a cada instante no seu Luiz. Ia-se a padaria comprar o pão, lá estava o Seu Luis; se ia comprar carne no açougue, lá estava seu Luis; se ia a feira comprar tomate, batata doce, laranja, cenoura e cebola, lá estava o Seu Luiz; se pegava o ônibus lá estava o Seu Luis; se ia para escola, pensava em Seu Luis; almoçando o jantando o meu pensamento era para Seu Luis e se ia dormir sonhava com Seu Luiz. Era um inferno.  Vejam vocês meus queridos irmãos e irmãs como era ruim esta minha vida. Não pensava em outra coisa se não fosse na figura do Seu Luiz. Carreguei por muito e muito anos esta rancor que tinha no coração. Desejava tudo acontecesse ao seu Luiz. Uma doença grave, uma atropelamento, um assalto seguido de morte, tudo que era de ruim desejava que acontecesse com o Seu Luiz. Aquele rancor já esta me prejudicando na minha adolescência. Não podia continuar com este rancor, haja vista, que a minha vocação para o sacerdócio não comungava com esta atitude, mantendo esta raiva que nutria em mim. Era um desafio afastar de mim este acontecimento que acontecera há anos.   Certo dia resolvi tomar a atitude de perdoar o Seu Luis. Sabia que era difícil, mas a raiva que tinha já estava passando. Não podia nutrir este sentimento, pois já me preparava pra ingressar no Seminário. Ao me levantar, em uma manhã ensolarada, tomei a decisão é hoje que eu falo com o Seu Luis dizendo para ele que eu estava perdoando e que apagasse aquele fato de sua vida. Foi tiro e queda. Ao chegar à oficina, Seu Luis ficou espantando. Olhei para ele e disse – me dê um abraço e vamos esquecer o que aconteceu – foi um abraço sincero, que emocionou seu Luiz que choramingou e ajoelhando-se pediu perdão por aquele desgraçado dia. Ficamos “amigos e aquele rancor saiu dos nossos corações e com isto a VIDA tornou-se BELA”.

Sai da Igreja pensando e refletindo comigo mesmo este relato. Não é uma verdade? Quando não simpatizamos com alguém, quando as desavenças ocorrem conosco passamos a nutrir uma insatisfação em nossa vida, tornando-a incomoda e sem sossego. Portanto, aprendemos a PERDOAR, pois assim a vida torna-se MAIS BELA.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A AGD na folia - Quem não tem CARNABECO...





Por Zé Carlos

Eu nunca sei como será meu carnaval. E nunca soube. Sei apenas o que passou. E tudo começou em Bom Conselho, num domingo de carnaval, na Praça Lívio Machado quando eu nasci.

Contavam meus pais que eram 3 horas da tarde quando, depois de fazer minha mãe sofrer por alguns dias, eu nasci, e talvez laçado pois me chamaram José, um bloco, As Moreninhas passavam lá pela praça e cantavam uma música que dizia assim:

“... minha boca fez assim, que coisa louca...”

É a única frase que lembro e obviamente não falava da minha boca, pois naquele momento estava tentando chorar com as palmadas que levei na bunda, da parteira, para que eu emitisse meus primeiros sons neste mundo.

Passaram-se já sessenta e tantos anos, e depois de outros carnavais, e mais outros, só tenho a lamentar em não ter me tornado um grande folião. Embora, não seja muito diferente hoje quando tento ser um blogueiro assíduo e descubro também que não sou um grande blogueiro.

Sem ser ambas as coisas e vendo as fotos do CARNABECO, sem poder participar no grande evento do carnaval de Bom Conselho, só me resta publicar coisas que captei dos meus carnavais por aqui mesmo pelo Recife. E este primeiro filme é um dos muitos que fiz da AURORA DOS CARNAVAIS, que já se tornou um evento tradicional daqui. Descobri que é melhor do que publicar poesias quando não posso cumprir minha obrigação diária com a AGD. Eu adorei e espero que gostem dos filmes.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

CAIXINHA DE NATAL





Por Carlos Sena (*)

Caixinha de Natal. Na padaria, caixinha de natal. No boteco da esquina, caixinha de Natal. No restaurante, caixinha de Natal. No prédio onde moramos, no lava-jato, no salão de beleza, tudo tem caixinha de Natal. Essa moda pegou e o que é pior: a gente termina “contribuindo” com aquelas caixinha que se relacionam diretamente conosco como a CAIXINHA DOS FUNCIONÁRIOS DO CONDOMÍNIO. Tudo bem que dá quem quer. Mas a gente nem sempre dá só querendo e, nalgumas vezes dá sem querer pelas circunstâncias.

Essas caixinhas são muito cínicas. Porque elas não falam e ainda a gente lhe ouve e lhe atende ao pedido. Por que não “bolsinho de natal” – a rigor, essas caixinhas são dissimuladas e utilizam o natal para se passarem por boazinhas. O ano todo “as caixinhas” nem nos aparecem. Nem sempre o porteiro do nosso prédio é atencioso; nem sempre são discretos e, geralmente, comentam a vida dos condôminos na forma que eles acham que seja, etc. Independente, caixinha é produto legítimo do capitalismo que se utiliza do afeto, das datas comemorativas para nos “ferrar”. A gente sabe que o mundo está assim, mas não podemos colaborar com esse agravamento. As relações sociais todas estão calcadas no interesse financeiro e, inclusive, as afetivas entre homem e mulher e derivados. Há exceções, mas são tão poucas que a gente fica se perguntando “pra onde vamos” com esse tipo de “compra e venda” dos nossos sentimentos. Caixinha de Natal, nos condomínios, funciona um pouco como os flanelinhas que nos enchem a paciência, dizem tomar conta do nosso carro e se a gente não lhes pagar, corre o risco de ter o automóvel danificado. No prédio os funcionários sabem quem deu mais caixinha ou menos e, não raro, agem com mais ou menos responsabilidade dependendo disso. Pode ser quem não seja literalmente assim, mas a linha geral dessas caixinhas a isso conduz.

Voltando ao “dá quem quer”, acho que tudo certo. Só quem os donos das caixinhas não veem dessa forma, exceto nos locais que as pessoas frequentem esporadicamente. Só falta mesmo o governo pedir caixinha aos usuários, por exemplo, do SUS. Seria o máximo. Mas não nos esqueçamos de que neste país tudo é possível, inclusive nada. Nada acontece com quem nos rouba e quem nos assalta, quem nos violenta. Nada. Mas, pra final de prosa, a grande “caixinha” é a da corrupção que assola o país. Dessa a gente participa querendo ou não, porque ela acontece independente de natal. E a gente que se “exploda”...

--------------------
(*) Publicado no Recanto de Letras em 19/12/2012