Em manutenção!!!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

OUSADIA DE VELHO





Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho

Encontro em pleno meio dia, o sol a pino, no calor sufocante do Recife, Ataíde andando sob a sombra dos casarões de Rua da Aurora. Ia como sempre fez, ao Bar Princesa Isabel, na rua do mesmo nome. Ia devagarzinho, no seu terno branco, dizia ele: “é beca de boêmio sambista”, bater papo com os amigos e companheiros que todos os dias ali estavam, para “bater o ponto”, para ouvir e ao mesmo tempo dialogar com os amigos os seus conflitos e suas fantasias. Aquele local era o ideal e mais adequado para este tipo de conversa. Cada um contava como queria, ora aumentando os seus devaneios, outros escondendo, ficando outros calados somente ouvindo, com um olhar admirado, às vezes, concordando ou não.

Saudou-me colocando a mão no chapéu branco que cobria a sua calvície e alguns fios de cabelo brancos, com um:

 Como vais?

 Nunca mais te vi!

O que aconteceu?

Nada respondi de imediato.

O que aconteceu? Está surdo? Acorda! Retrucou. 

Apontando para um pequeno barco solitário que deslizava pelo Rio Capibaribe com o dedo riste para o Rio Capibaribe, - falou parado na frente do Edifício São Cristovão - É um rio semimorto. Poluído. Não existe mais nada de pesca até os siris desapareceram. Ninguém ver mais um pescador jogando a sua tarrafa de cima das pontes. É horrível este estado que presenciamos e sem que ninguém dê um jeito. Não tem governo que concerte esta situação, prometem, mas não cumpre. Quantas e quantas vezes ouvimos falar o ler na imprensa que este rio vai se tornar navegável e ser mais um meio de transporte fluvial, para a população. Bulhufas! Bulhufas! É conversa fiada de políticos. Quem sabe agora com a exigência da FIFA para a Copa do mundo não dê jeito, nem que seja durante o torneio? Estão gastando “mundo” e “fundos” na construção de viadutos, estradas, estádio e outros e depois será que vão manter este investimento.

Disse, começando andar devagarzinho entrando na Galeria,

 O burburinho das pessoas nos “comes em pé” das lanchonetes, nas barracas nas calçadas e dos ônibus trafegando com seus ruídos ensurdecedores, chegamos finalmente ao nosso destino passando pela Rua da União contemplando o busto do poeta Manuel Bandeira. Sentamo-nos a mesa, já conhecida aonde o garçom João, dono do Bar veio ao nosso encontro com um sorriso aberto ajeitando os óculos e com um pano de mesa no pescoço.  Passou sobre a mesa o pano encardido e úmido, cumprimentando com um Bom Dia. Não! Não! É boa tarde, riu, olhando para o relógio feio e descascada a pulseira pelo tempo.

Traga uma cerveja bem geladinha e aquele pratinho de sarapatel com limão, enquanto aguardamos os demais companheiros que por certo virão. Ajeitou-se na cadeira. Tirou o chapéu e enxugou a testa com um lenço desbotado, enquanto o João já de imediato servia a cerveja em copos americanos, saindo. O sarapatel logo chegou.

 Olhando para mim, disse estamos ficando velho, não é? Quantos aniversários tens? Olhando para mim através dos óculos de grau na ponta do nariz.  Eu, 68! Respondi. Eu tenho 72, fiz no mês passado, comemorado pelos meus meninos. Alguns amigos de outrora e da agora foram me cumprimentar, mas não tive meio para te avisar. Fica para o próximo ano.

Deixa pra lá! Disse. O importante é que estás inteiro, não é?

 É, com apenas alguns senões da idade. Mas estou novo e de amor novo!. Olha vou te contar este segredo que ninguém sabe, pois aconteceu há pouco tempo e eu não falei com nenhuma pessoa sobre este assunto. Pois é meu amigo depois de velho arranjei um “encosto”. Nisto chegou Gonçalves. Sentou-se e disse logo ali perto houve um acidente. Um motoqueiro tinha sido atropelado. A aglomeração de pessoas chamava a atenção pelo corpo estendido no meio da pista, coberto com um pano preto. Mas deixemos de tragédia, isto sempre vai acontecer. Como vão vocês dois? O Taveira sumiu, mais tem um ditado que diz “quem é vivo aparece” E tu Ataíde estais com uma cara de quem “comeu e não gostou”, riu. Por uns instantes, ficamos calados. Queria prosseguir em relatar o seu segredo, mas ficou pensando. Depois de alguns minutos, após sorver um gole da “branquinha” que tinha pedido para desentupir a goela, disse - vou revelar o segredo, mas de agora em diante não será mais segredo, apenas um fato. Ataíde, depois de beber a sua dose da Aguardente 51, olhou para nós, pois, tinha tinham chegado o Américo, o Tomaz e o Aurélio. Éramos seis no momento. Olhou para nós e com os cotovelos apoiados na mesa e num sussurro falou – Estou tendo um caso com uma linda moca, de 26 anos de idade. Fitou todos nós esperando uma reação. Leleco! Leleco! Disse o Gonçalves rindo alto, e exclamando Bravo! Bravo! Já te olhaste no espelho? Dois pontos estão surgindo na cabeça, apontando para a careca do Ataíde ainda sob o efeito da noticia. Nós ficamos olhando uns para o outro diante daquela confissão. Alguns minutos calados ainda sob o efeito da noticia dada naquele momento de descontração.  Um homem, ou melhor, dizendo, um velho com os seus 72 anos se metendo com uma mulher de 26, quer levar é chifre.  Ataíde, disse, o Américo, tu não tens dinheiro, já estas alquebrado para o sexo e, como tu vais satisfazer esta “aproveitadora” quando estiver no cio. Como Leleco! Como Leleco! Depois de velho sair por ai com chifre é de lascar, mas o problema é teu, não é verdade? Ele ficou pensativo e chateado com as brincadeiras que sempre acontece em bar.

 Lá pelas 15 horas levantou-se e disse: Vocês estão é com inveja. Vou indo que eu tenho um compromisso agora no final da tarde. Pagou a sua parte na despesa. Ao sair disse até amanhã. Aurélio falou alto, já com o Ataíde na calçada “Cuidado”! Cuidado! Quando chegar encontrar o “urso”.

Vão se lascar!!!

 Saiu rindo em direção a Avenida Guararapes.  Começamos a rir, também.

 Lá vai o Leleco! Leleco!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A diplomacia do Barão do Rio Pardo





Por Zezinho de Caetés

Hoje (04.07.2012, não sei quando este texto será publicado) escrevi sobre a diplomacia brasileira, e o descalabro em que ela se encontra, citando dois textos referentes ao episódio da nova guerra do Paraguai, que temos tudo para perdê-la, pelo desrespeito que graça aos bons princípios de um estado de democrático de direito, na área externa.

Como se não bastassem as bravatas iniciais contra o impeachment do presidente Lugo, os novos comandantes do Mercosul resolveram por bem tirar o Paraguai da jogada, por um motivo que hoje já se sabe muito bem. Os estatutos e normas do Mercosul só permitem certas ações quando se forma um consenso entre os membros. E com é sabido, era o Paraguai que estava atravancando a entrada da Venezuela no bloco. Sem ele, agora a Venezuela está dentro, para meu desgosto e para o desgosto daqueles que ainda desejam que sejamos um país independente. O que não é mais depois do lulo/petismo.

E ainda digo mais, se é para ficar dependente ou colônia de outro país, eu preferia que fosse de Portugal, pois com esta política externa brasileira ainda é isto que seremos: Um imenso Portugal.

Para entender melhor o que foi feito nada melhor do que recorrer a um texto que li hoje do Celso Lafer, ex-ministro das Relações exteriores, professor de Direito Internacional, onde ele explica a lambança feita mais uma vez pela diplomacia do Barão do Rio Pardo, nosso Patriota, que diz: "O nosso Brasil de hoje há de continuar invariavelmente a confiar acima de tudo na força do Chaves e na falta de bom senso" (Vejam o que diz o Barão do Rio Branco no final do texto).


“O respeito ao direito internacional é dimensão caracterizadora do Estado democrático de Direito. Ele tem, entre seus valores, a importância da preservação da legalidade como meio de assegurar a convivência coletiva. No plano internacional, as normas do direito internacional cumprem duas funções importantes para a manutenção da segurança das expectativas, inerente ao princípio de legalidade: indicar e informar aos Estados sobre o padrão aceitável de comportamento e sobre a provável conduta dos atores estatais na vida internacional.

O Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, prevê adesões, mas estabelece que sua aprovação "será objeto de decisão unânime dos Estados-partes" (artigo 20). Não vou discutir os critérios que levaram Argentina, Brasil e Uruguai a considerar, invocando o Protocolo de Ushuaia, que houve ruptura da ordem democrática no Paraguai. Pondero apenas que foi uma decisão tomada com celeridade semelhante à que caracterizou o impeachment do presidente Lugo e que ela não levou em conta o passo prévio previsto no artigo 4 do referido protocolo: "No caso de ruptura da ordem democrática em um Estado-parte do presente protocolo, os demais Estados-partes promoverão as consultas pertinentes entre si e com o Estado afetado".

Com a suspensão do Paraguai, que ainda não havia aprovado a incorporação da Venezuela ao Mercosul, Argentina, Brasil e Uruguai emitiram declaração sobre a incorporação da Venezuela, a ser finalizada em reunião convocada para 31 de julho no Rio de Janeiro. O Tratado de Assunção e o Protocolo de Ouro Preto, que deu ao Mercosul sua estrutura institucional, são tratados-quadro de natureza constitucional. Suas normas são superiores às de outras normativas que dela derivam. Inclusive as que levaram aos desdobramentos da suspensão do Paraguai, que não têm a natureza de uma reunião ordinária de condomínio.

O Protocolo de Ouro Preto estabelece: "As decisões de órgãos do Mercosul serão tomadas por consenso e com a presença de todos os Estados-partes" (artigo 32), exigência indiscutível para uma decisão que vá alterar a vida do Mercosul, como a incorporação de um novo membro. Daí, a lógica do artigo 20 do Tratado de Assunção, antes mencionado, que é constitutivo do Mercosul e dele inseparável. A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 1969, está em vigor no Brasil. Deve ser executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém, como estatui o decreto 7030 de 14/12/2009 (artigo 1º).

A convenção estabelece, no artigo 26, que "todo tratado em vigor obriga as partes e deve ser executado por elas de boa-fé". Estipula, no artigo 31, como regra geral de interpretação, que "um tratado deve ser interpretado de boa-fé, segundo o sentido comum atribuível aos termos de tratado em seu contexto e à luz do seu objeto e finalidade". A exigência da aprovação do Paraguai à incorporação da Venezuela no Mercosul me parece indiscutível à luz dos termos do Tratado de Assunção e de seu objeto e finalidade.

A decisão de incorporar a Venezuela, como foi feita, não atende a obrigações relacionadas à observância de tratados previstas na Convenção de Viena. Carece de boa-fé, seja na acepção subjetiva de uma disposição do espírito de lealdade e honestidade, seja na acepção objetiva de conduta norteada para esta disposição. Trata-se, em síntese, de uma ilegalidade. Contrapõe-se ao que ensinava Rio Branco: "O nosso Brasil do futuro há de continuar invariavelmente a confiar acima de tudo na força do Direito e no bom senso".

Os Perfeitos Idiotas ainda estão por aqui





Por Zezinho de Caetés

Dentro de espaço de tempo relativamente curto minha mente travou contacto com dois bons textos sobre um tema que aqui já tratei que lida com o imbróglio armada pela diplomacia latino americana, digno da mais nobre estirpe dos Perfeito Idiotas Latino Americanos que povoa este continente.

O primeiro texto é do jornalista Sandro Vaia, que o intitula “O verdadeiro golpe no Paraguai”, publicado no Blog do Noblat em 29/06/2012. Leiam-no e eu volto logo em seguida para apresentar o outro texto

“A TV estatal do Paraguai ficou 26 minutos fora do ar por falta de energia elétrica e os alucinados constitucionalistas da Constituição alheia que cresceram como erva daninha nas redes sociais, viram isso como um sintoma de “repressão” e atentado às liberdades públicas.

Nunca se viu um golpe de Estado tão modorrento. Fora dos protestos protocolares de partidários do presidente deposto, o Paraguai continuou levando a sua vida de rotina.

O microfone da TV pública ficou aberto, o ex-presidente protestou diante de suas câmeras, o Congresso fez tudo dentro da normalidade, a Suprema Corte disse que tudo foi feito dentro da normalidade e até o advogado do deposto disse que tudo foi feito dentro da normalidade.

Mas muita gente não gosta da normalidade paraguaia e insiste em chamar de golpe uma decisão tomada por mais de 90% dos parlamentares, que se basearam rigorosamente na letra do artigo 225 da Constituição de seu país.

Dizem que foi tudo muito rápido e surpreendente. Que não houve tempo para defesa. Que o rito foi muito sumário. Mas tudo está previsto na Constituição, que dá ao Senado a atribuição de fixar o rito para o julgamento, o que foi feito através da Resolução 878.

O que resta dizer? Que a Constituição é de mau gosto e “disgusting” ao fixar um etéreo “mau desempenho” como motivo de impeachment?

Que o Legislativo paraguaio não tem polidez, educação e bons modos ao dar tão pouco prazo para a defesa do acusado?

É um pouco de cinismo e hipocrisia achar que dar mais tempo de defesa ao presidente destituído poderia salvá-lo do impeachment.

A queda dele foi resolvida por razões políticas, e nem 400 dias de prazo de defesa poderiam salvá-lo. Ele simplesmente perdeu catastroficamente o apoio político de sua base de sustentação e a votação do processo de impeachment apenas confirmou que ele perdeu as condições mínimas de governabilidade.

Se a Constituição do Paraguai tem um defeito, ele é de concepção: fixou critérios quase parlamentaristas para julgar um governo presidencialista. O presidente ganhou um voto de desconfiança – que apelidaram de “mau desempenho”- e caiu.

Como provar alguma coisa como “mau desempenho” se não através de critérios puramente políticos?

Essa é a Constituição que o Paraguai tem, não a que os palpiteiros da UNASUL acham que deveria ter.

Na Venezuela, por exemplo, casuísticas normas eleitorais permitem que 51% dos eleitores elejam 66 deputados enquanto 49% elegem 96 deputados- do partido do governo, claro. Alguém reclamou?

Enquanto a normalidade da vida democrática foi mantida no Paraguai e o próprio Lugo anunciou que pretende candidatar-se de novo nas eleições de abril de 2013, além de manifestar-se contra sanções econômicas contra seu país, a UNASUL e o Mercosul afastam o Paraguai de seu convívio, com a aquiescência bovina da diplomacia brasileira, a reboque do ativismo “bolivariano”.

É fácil concluir qual é o verdadeiro golpe no Paraguai e qual é seu objetivo: afastar o único obstáculo à entrada da Venezuela no Mercosul.

As tais “cláusulas democráticas” só valem para enquadrar os inimigos. Para os amigos, nem a lei.”

 E agora, diante do descalabro diplomático bolivariano, só nos faltava voltar aos livros de história e tentar reviver uma nova Guerra do Paraguai. Em tempos idos criticávamos muito um chanceler brasileiro que apregoava “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Lembro-me muito bem da reação colérica do Perfeitos Idiotas diante disto. Hoje, o que a nossa diplomacia diz é que “o que é bom para o Chavez é bom para o Brasil”. Como baixamos de nível e como nossa diplomacia não é mais digna do Barão do Rio Branco!

Agora a besteira diplomática é chamada de multilateralismo de fachada, que continua sendo o bilatelarismo de conveniência daqueles que não tem coragem de externar (embora todos já estejam convencidos) que o mundo mudou, e hoje, o Estados Unidos não são mais o vilão do nosso continente. Nós hoje temos vilões internos que é o Chavez e suas loucuras, de quem a Dilma não conseguiu, se livrar ainda. Mas, pensando bem, ela deveria se livrar antes do ectoplasma do Lula.

Vejam, só para ilustrar, um caso sobre a diplomacia brasileira, não muito distante, publicado no mesmo Blog do Noblat, com um espaço de tempo (01/07/2012) em relação aquele citado. É do Élio Gaspari  dizendo no título:  “Dilma deveria pedir uma aula a FH”. O FH é o Fernando Henrique Cardoso, de quem discordo um pouco, por ser mais “social” do que “liberal”, mas, manteve nossa diplomacia numa posição de respeito. Fiquem com o jornalista, e se preparem para a Batalha de Itararé de nossa diplomacia. Mais uma.

“A doutora Dilma e o chanceler Antonio Patriota deveriam revisitar a estudantada em que se meteram no Paraguai, comparando os próprios erros com outro episódio, ocorrido em 1996, quando as coisas deram certo, sem espetáculo.

Durante as festividades da Rio+20, Dilma e Patriota souberam que a Câmara dos Deputados aprovara a abertura do processo de impedimento do presidente Fernando Lugo por 76 votos a um. O doutor foi mandado ao Paraguai numa comitiva da Unasul para recolocar a pasta de dentes no tubo. A embaixada do Brasil em Assunção já advertira o governo, há semanas, a respeito da gravidade da situação. Fizeram o quê? Nada.

Havia o que fazer? Em abril de 1996, o presidente Juan Carlos Wasmozy soube que o comandante do Exército, Lino Oviedo, pretendia derrubá-lo.

Pediu apoio ao Brasil, e o embaixador Márcio Dias disse-lhe que Fernando Henrique Cardoso não concordaria com um golpe. Era pouco. Ele queria ouvir isso pessoalmente. O diplomata combinou que Wasmozy iria a Brasília (pilotando seu avião), seria recebido no aeroporto pelo chanceler Sebastião do Rego Barros (dirigindo seu próprio carro) e seguiria para o Palácio da Alvorada.

Conversou com FH e retornou durante a madrugada. O presidente brasileiro entrou em contato com seu colega Bill Clinton, e ele telefonou para Wasmozy dizendo-lhe que, em caso de ameaça, deveria ir para a embaixada americana.

Dias depois, Oviedo deu um ultimato a Wasmozy, anunciando que atacaria o palácio ao amanhecer. O presidente paraguaio foi para a embaixada americana com o ato de renúncia redigido. Lá estava o embaixador Márcio Dias, que o rasgou. (Wasmozy guardou o picadinho.) O dia amanheceu, e o golpe evaporou-se.

Tudo isso aconteceu sem holofotes ou estudantadas de um multilateralismo que no caso da patrulha dos chanceleres da Unasul serviu apenas para colocar o Brasil a reboque de uma política de ameaças inócuas.

Uma diplomacia profissional, a americana, falou o mínimo possível. Resultado: a doutora Dilma e seus companheiros fizeram a empada, compraram a azeitona, deram o mimo aos americanos e ficaram com o caroço.

Como dizia o chanceler Azeredo da Silveira, atravessaram a rua para escorregar na casca de banana que estava na outra calçada.

A diplomacia multilateral faz espetáculos, arma consensos e, geralmente, dá em nada. A bilateral, como a do Brasil no Paraguai em 1996, dá trabalho.”

terça-feira, 3 de julho de 2012

Estamos na eleição





Por Zé Carlos

Eu sei que época de eleição em Bom Conselho, principalmente, de eleição local, não há muito espaço para outros assuntos. Eu sou do tempo que, mesmo não me envolvendo em política, ficávamos com um caderninho, eu e uma turma de amigos, para anotar os erros dos oradores nos comícios. Como todos sabem, havia deles, em que nem um curso de taquigrafia fazia acompanhá-los com tantos erros que cometiam. O caderno acabava logo.

Embora houvesse outros do quem não anotávamos nada e ainda comentávamos o linguajar bonito e correto. Hoje, não sei como é mais entre a juventude. Os showmícios ensinam mais a rebolar do que  a falar bem ou escrever. Há exceções, como sempre, e neste ano de centenário do rei do baião, pelo menos teremos música boa para cantarolar.

Uma dúvida atroz nos assaltou durante o fim de semana. Como participar das eleições de nossa terra sem ser seu eleitor e a quilômetros de distância? E veio a resposta do além, com aquela mesma cavernosidade das pessoas que tentaram virtualmente matar a Socorro Godoy: Participando, burrão! Acordei e já descobri que era hora de voltar às enquetes eleitorais.

Então lançamos a enquete ao lado, sobre a intenção de votos daqueles interessados na eleição de nossa terra. Sei que a influência de uma enquete como esta é muito pequena quando comparada com a de uma pesquisa mais cara e bem estruturada. Mas, já aprendi o suficiente para saber que os resultados de uma enquete como a nossa podem se achegar muito mais próximos do real do que o de uma pesquisa que custa os olhos da cara e do cara que a financia.

E aí está nossa enquete para ser votada. Ela, se repetirá de tempos em tempos como as pesquisas, para aferir as mudanças de humores do eleitorado, e seus resultados serão comentados por nós aqui, e, esperamos por outros pessoas mais próximas. Esperemos.

Apesar de ser uma boa participação, vimos que nos faltava algo, se quiséssemos cumprir nossa missão de informar nossa cidade. Pensamos, pensamos, pensamos e antes dos neurônios entrarem em crise existencial, lançamos um espaço para o público envolvido diretamente nas eleições. Como fizemos isto?

Criamos quatro páginas ou colunas, cujo links estão ao lado no Contéudo da AGD, que poderão serem usadas pelos candidatos a prefeito, vereadores e partidos para divulgarem o que achem importantes em matéria eleitoral. Como exemplos, me surgem, números de candidatos, programas de governos, fotos, vídeos que possam contribuir para mostrar a que veem com suas candidaturas. Até mesmo críticas a outros candidatos serão permitidas, desde que sejam dentro da moral e dos bons costumes.

Como mostram os cabeçalhos de cada página, todo o material passível de publicação deverá ser enviado para nosso e-mail: agazetadigitalbc@gmail.com , que estando dentro dos conformes será por nós publicado.

Já salientamos que a publicação é gratuita, ou paga pelos nossos patrocinadores (Jesus, Maria e José). E ainda que, todos serão tratados em igualdade de condições, ou seja, tentamos manter dentro do peito qualquer vontade política que temos em relação à eleição. Esta é a única forma que nos passou pela cabeça de contribuir um pouco com o processo eleitoral e ao mesmo tempo nos mantermos de longe (até mesmo fisicamente) do processo como observadores interessados.

Infelizmente, não podemos fazer com que todos usem o espaço fornecido e enriqueça o debate eleitoral, com informações relevantes. No entanto, se ninguém por ele se interessar resta-nos o consolo de que cumprimos a nossa parte.

P.S.: Recebemos ontem da coordenação da campanha do Capitão Boanerges, um texto sobre a convenção de seu grupo político, e que publicamos em sua página com todo prazer. Faremos isto com todos os outros que queiram se manifestar. Bom Conselho precisa de informação para votar bem. Se depender de nós...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

UMA COBRA NUM APARTAMENTO EM BRASILIA.





Por Carlos Sena (*)

Uma cobra tipo píton aparece no teto de uma residência na capital federal, mais precisamente em Águas Claras. Os moradores do 15º andar, de repente, se dão com dois olhinhos vivos e brilhantes olhando pra eles. Eram os olhos de uma cobra nobre que os observava lá de cima, do teto. Um teto em feitio de gesso tipo sanca, rebaixando o ambiente e servindo de amparo para a cobra. Ela, coitada, talvez sem entender sua situação, olhava para o casal e os dois, certamente, não entendiam as situações. A cobra vendo gente lá embaixo, o casal, lá embaixo, vendo a cobra lá em cima. Situação pior deve ter sido a da esposa: além da cobra de cima, tinha uma “cobra” do seu lado, bem ao dispor do seu marido. Pois é. O que dá pra rir dá pra chorar e "cobra" dá sempre para os dois. O melhor disto tudo é o cenário: Brasília, a nossa capital, famosa por ratos, agora famosa por cobras. Não teriam sido os ratos de lá que despertaram o faro da cobra? Contudo, o que tem encafifado os moradores do condomínio é a forma como a cobra deve ter adentrado. Porque em Brasília tudo tem câmera, tudo tem “anuncio” tudo tem que ser permitido... E, de repente, uma COBRA aparece no teto de um apartamento sorrateira, feliz, vendo tudo lá de cima, como a gente vê Brasília quando o avião começa a aterrissar. O mistério dessa cobra se parece muito com os mistérios dos ratos. A gente, de repente, não sabe de onde vieram tantos ratos. Ratos brancos, pretos, de toda cor. Mas ratos. Será que os porões de lá facilitam cobras e ratos adentrarem? Pra quem ainda não sabe o que mais há por lá são tuneis, passagens subterrâneas, inclusive estacionamentos gigantes. Acho mesmo que existe quase outra Brasília por debaixo da terra e isto, talvez, seja muito propício para o aparecimento de cobras e ratos... Mas, a cobra em questão era fina. Seu olhar discreto mapeava tudo no quarto do casal – a TV conseguiu mostrar closes dela. O detalhe é que a bichinha era loira, malhada com amarelo, bem ao modo americanizado de ser cobra. A última apresentação apoteótica da ofídia foi na sala do apartamento. O casal, já com medo dela aparecer no teto do quarto se muda para dormir na sala. Surpresa: lá estava ela por sobre o teto rebaixado em gesso. Nessa altura a polícia florestal foi acionada e foi feita uma armadilha com ratos e aí sim, a coitada foi capturada. Detalhe: foi preciso juntar o que Brasília mais tem: rato com a cobra. Com um agravante para os ratos: eles gostam de “cachoeira”, as cobras nem tanto, embora algumas prefiram.

Entre mortos e vivos ninguém morreu, nem mesmo a cobra que foi levada para um lugar apropriado. Restava à comunidade condominial descobrir “COMO AQUELA COBRA APARECEU NO TETO DO APARTAMENTO”... O síndico disse que foi gente que trafica animais e adentrou com o animal às escondidas. Deve tê-la esquecido e ela ficou no teto provocando esse tumulto que levou os donos do apartamento a dormir no hotel. O menos mal dessa história é que a coitada da cobra estava mais para BARBY do que para cascavel, ou seja, não era venenosa. Como se vê, em não sendo venenosa, certamente não levaria vantagem contra os ratos que, certamente a comeriam e jogavam seus ossinhos pelas águas da “cachoeira”... A guisa de THE END, prefiro citar a conhecida passagem: “se você, ao passar por uma árvore encontrar lá, em cima dela um jabuti, não se assuste: alguém deve tê-lo colocado lá”... Mas quem colocou tanto rato em Brasília? Certamente todos nós, direta ou indiretamente...

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 19/06/2012