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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Lula já era. E o que será de 2018?




Por Zezinho de Caetés

Ontem perguntei se o Lula iria para cadeia ou não. E com o andar da carruagem a resposta “sim” está com o viés de alta, trato das consequências disto. Ontem mesmo a Polícia Federal (PF) indiciou novamente o meu conterrâneo, envolvido outra vez com outra venda de MP. Pode ser o início de outro processo por venda de legislação, o que aumenta seu cerco policial e jurídico.

E, até agora não sei como a tese básica dele, de inocência e perseguição política, vai se manter de pé. É quase certo que não se manterá, e a sucessão à presidência em 2018 é um sonho cada vez mais distante para ele. Isto independentemente se a chapa Dilma/Temer será cassada ou não.

E o que se coloca em questão agora, é o que virá por aí, em termos de candidatos em 2018. Sei que serão muitos e muito variados em termos ideológicos, mas, com chances serão poucos. Mesmo as pesquisas eleitorais hoje, que deram uma provável liderança do Lula, cairão por terra, e a hipótese de um candidato indicado por Lula prosperar, como um novo “poste”, o que seria o segundo depois de Dilma, não passa de uma ilusão.

E é sobre o que poderá acontecer em 2018, que abaixo transcrevo o texto de Eliane Cantanhêde, com o título “Rumo a 2018”, onde ela detalha alguns cenários e candidatos na luta pela presidência, seguindo o rumo natural das coisas, de que do PT e PSDB, pelo menos dos antigos e de sempre candidatos, não terão mais vez.

Para mim, alguns, mesmo estando dentro do baralho, são cartas viciadas e que ninguém mais escolherá, como o Ciro Gomes, do PDT, que hoje é mais conhecido como o “vai mas não chega”. É aquele tipo de candidato que, antes, todos já separavam o título para votar nele, e o guardavam quando ele abria a boca. Ou seja, é um boquirroto contumaz, e sua chance é montar na triste carcaça de Lula para arrebanhar votos.

No entanto, dizem que o Haddad, o poste de São Paulo, já está nesta tarefa, fazendo o que todos devem fazer para herdar votos do Lula: Afastar-se dele, como o fez no depoimento de Curitiba, onde aquela manada vestida de vermelho e fedendo a mortadela festejava a grande vitória de Pirro, que agora é a vitória do Lula. Para mim, pelo menos no Sul e Nordeste, ele terá menos votos do que o Tiririca.

Marina Silva, a escondidinha, só aparece quando os outros caem em desgraça. É pior do que urubu na carniça lá nas selvas da Amazônia. Penso que também não terá chance. O Bolsonaro, nunca teve e não terá chances, pelo conjunto da obra. Então, para mim sobra o Doria, e o resto, pelo menos até agora.

No entanto, como o Brasil, além do país do futuro, é também o país das surpresas, a pergunta que fica é: Se o Temer, não cair junto com Dilma no julgamento de sua chapa, e conseguir fazer as reformas tão necessárias ao Brasil, e, como já se viu ontem o país começar a se recuperar economicamente, será que teremos um novo “velhinho” tentando voltar?

Bem, tudo pode acontecer, na realidade. Em termos de sonhos, surgirá um novo candidato, com liderança e capacidade suficiente para tirar o Brasil do desastre em que o PT o meteu.

Fiquem com a Eliane, que eu vou acompanhar as notícias sobre o possível impeachment do Trump.

“Ainda não chega ao fim do mundo e os cenários ainda estão muito obscuros, mas há uma novidade: os pré-candidatos estão saindo da toca para testar possibilidades e buscar apoios. Ou melhor, colher os apoios que estão despencando das árvores do PT e do PSDB.

As três principais variáveis da eleição de 2018 são: Lula terá condições ou não de concorrer? O PSDB será ou não obrigado a engolir um novo nome? O presidente Michel Temer sobreviverá com força ou não para apadrinhar uma candidatura?

Por partes. Lula corre contra o tempo, especialmente quando o juiz Sérgio Moro começa a definir os prazos para o julgamento do triplex. Sem Lula na disputa, o PT, o PC do B e os movimentos aliados não têm um só nome.

Por isso, Fernando Haddad conversou três horas com um potencial articulador de seu nome no Nordeste, região que, apesar de tudo, continua lulista e suscetível a votar num candidato patrocinado por ele. Aliás, Haddad não foi visto em Curitiba no dia do depoimento de Lula a Moro. Próximo o suficiente para herdar os votos, mas convenientemente longe para não se contaminar com a rejeição?

No PSDB, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria começam a corrigir o prumo: se convergiam até a vitória em primeiro turno em 2016, passam agora a traçar linhas paralelas para 2018. Na semana passada, por exemplo, Alckmin foi ao Espírito Santo aprofundar o convite para o governador Paulo Hartung trocar o PMDB pelo PSDB. Enquanto isso, Doria se aproxima mais e mais de Temer e de Brasília.

Se Temer fracassar no combate ao desemprego, será de pouca valia em 2018, como ele admitiu na entrevista de domingo ao Estado. Mas, se sobreviver ao julgamento do TSE, as reformas passarem, a economia aquecer (cresceu 1.1% no primeiro trimestre, depois de dois anos de queda no período), a inflação e os juros permanecerem baixos e os empregos derem o ar da graça, ele pode se tornar um cabo eleitoral e tanto.

São muitos “se”, mas Temer tem chance de influir em 2018 e será muito conveniente: se tiver juízo, não será candidato; e, se tiver força, não poderá transferi-la para ninguém do PMDB, pela constrangedora constatação de que não há ninguém com cacife no PMDB. Haverá, então, um cabo eleitoral forte e um partido forte em busca de um candidato.

Correndo por fora, Marina Silva, como a bela adormecida, acorda de um longo sono enquanto a crise econômica, política e da Lava Jato corria solta. E está conversando com os ex-ministros do Supremo Joaquim Barbosa e Ayres Britto, que conquistaram respeito e popularidade no julgamento do mensalão.

Ciro Gomes, do PDT, seu sétimo partido, mantém o estilo luta livre. À repórter Fernanda Odila, da BBC Brasil, atacou Doria, “o farsante”, Temer, que não se sabe “se chefia uma quadrilha ou um bando de patetas”, e Lula, “o grande responsável por este momento político trágico”. Ciro poderia ser vice de Lula, mas, se sonhava ser cabeça de chapa do PT, aparentemente está deixando de sonhar. Sem Lula e sem o PT, aonde quer chegar?

Para completar, Henrique Meirelles trocou os EUA e o BankBoston por Goiás com o objetivo de concorrer à Presidência. Elegeu-se parlamentar pelo PSDB, presidiu o Banco Central de Lula, não assumiu cargo com Dilma por incompatibilidade de gênios e virou ministro da Fazenda de Temer com o mesmo cálculo de José Serra, afinal deslocado para o Itamaraty: repetir FHC, eleito presidente com um empurrão da economia no governo Itamar.


Se Temer “der certo”, Meirelles pode tentar preencher o vazio de homens e ideias do PMDB, mas alguém imagina o ministro eletrizando as massas? Logo, todos eles se mexem, mas o terreno não é só escorregadio, mas perigosamente pantanoso.”

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