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terça-feira, 18 de abril de 2017

Uma ode ao Lula e ao PT




Por Zezinho de Caetés

Ainda não acordei do final de semana prolongado pela quaresma e encurtado pelas delações da Lava Jato. Foram dias de imersão espiritual e de meditação para não cairmos na tentação de explodir todos os políticos, jogando a água fora, junto com os peixes dentro. Ao invés disto, guardamos a água para comentar, e comemos os peixes.

Com as notícias que se amontoaram, não há outra forma de começar tudo de novo, a não ser pensando em se ver livre de tudo e de todos, começando tudo de novo. Até que um “anjo” , nos sopra no ouvido e pergunta: “Começar de onde, cara pálida?”.

Caio em mim e vejo que a vida continua e o governo Temer, apesar de fraco, é o que temos. E, espero que ele continue no mesmo ritmo, melhorando, bem devagarzinho a Economia, e tratando a política com tato, para ver se conseguimos emplacar algumas reformas necessárias.

E hoje, com a derrocada do PT, não por ter sido o único a fazer mal feitos, mas aquele que mais nos mentiu e enganou na Nova República, tudo parece mais fácil. Já vemos que “os de sempre” como Paulo Henrique Amorim, e outros na mídia, já malham o Lula como eu vim malhando há muito tempo. Ou seja, os ratos já estão abandonando o navio e temos que cortar sua rota de fuga.

Se alguém perguntar por que, a resposta será a mesma que se deu para o impeachment da Dilma: Pelo conjunto da obra, que nos levou a este miserê em que nos encontramos. Foi uma mentira só.

E, para começar a semana em grande estilo, dentro da minha área de Letras, encontrei um poema antigo do Affonso Romano de Sant’Anna, que foi escrito lá pelos idos de 1980, mas que, cai com uma luva nos tempos de hoje. Eu até mudaria o seu título que originalmente foi: “A implosão da mentira”, para outro muito mais moderno, tal como: “Ode ao PT”, ou mesmo, e por que não: “Uma ode a Lula”.

Leiam o Affonso, e vejam se eu não estou certo, em todos os Fragmentos:


“Fragmento 1


               Mentiram-me. Mentiram-me ontem

               e hoje mentem novamente. Mentem

               de corpo e alma, completamente.

               E mentem de maneira tão pungente

               que acho que mentem sinceramente.


               Mentem, sobretudo, impune/mente.

               Não mentem tristes. Alegremente

               mentem. Mentem tão nacional/mente

               que acham que mentindo história afora

               vão enganar a morte eterna/mente.


               Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases

               falam. E desfilam de tal modo nuas

               que mesmo um cego pode ver

               a verdade em trapos pelas ruas.


               Sei que a verdade é difícil

               e para alguns é cara e escura.

               Mas não se chega à verdade

               pela mentira, nem à democracia

               pela ditadura.


Fragmento 2


               Evidente/mente a crer

               nos que me mentem

               uma flor nasceu em Hiroshima

               e em Auschwitz havia um circo

               permanente.


               Mentem. Mentem caricatural-

               mente.

               Mentem como a careca

               mente ao pente,

               mentem como a dentadura

               mente ao dente,

               mentem como a carroça

               à besta em frente,

               mentem como a doença

               ao doente,

               mentem clara/mente

               como o espelho transparente.

               Mentem deslavadamente,

               como nenhuma lavadeira mente

               ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem

               com a cara limpa e nas mãos

               o sangue quente. Mentem

               ardente/mente como um doente

               em seus instantes de febre. Mentem

               fabulosa/mente como o caçador que quer passar

               gato por lebre. E nessa trilha de mentiras

               a caça é que caça o caçador

               com a armadilha.

               E assim cada qual

               mente industrial?mente,

               mente partidária?mente,

               mente incivil?mente,

               mente tropical?mente,

               mente incontinente?mente,

               mente hereditária?mente,

               mente, mente, mente.

               E de tanto mentir tão brava/mente

               constroem um país

               de mentira

                                       - diária/mente.


Fragmento 3


               Mentem no passado. E no presente

               passam a mentira a limpo. E no futuro

               mentem novamente.

               Mentem fazendo o sol girar

               em torno à terra medieval/mente.

               Por isto, desta vez, não é Galileu

               quem mente.

               mas o tribunal que o julga

               herege/mente.

               Mentem como se Colombo partindo

                do Ocidente para o Oriente

               pudesse descobrir de mentira

               um continente.


               Mentem desde Cabral, em calmaria,

               viajando pelo avesso, iludindo a corrente

               em curso, transformando a história do país

               num acidente de percurso.


Fragmento 4


               Tanta mentira assim industriada

               me faz partir para o deserto

               penitente/mente, ou me exilar

               com Mozart musical/mente em harpas

               e oboés, como um solista vegetal

               que absorve a vida indiferente.


               Penso nos animais que nunca mentem.

               mesmo se têm um caçador à sua frente.

               Penso nos pássaros

               cuja verdade do canto nos toca

               matinalmente.

               Penso nas flores

               cuja verdade das cores escorre no mel

               silvestremente.


               Penso no sol que morre diariamente

               jorrando luz, embora

               tenha a noite pela frente.


Fragmento 5


               Página branca onde escrevo. Único espaço

               de verdade que me resta. Onde transcrevo

               o arroubo, a esperança, e onde tarde

               ou cedo deposito meu espanto e medo.

               Para tanta mentira só mesmo um poema

               explosivo-conotativo

               onde o advérbio e o adjetivo não mentem

               ao substantivo

               e a rima rebenta a frase

               numa explosão da verdade.


               E a mentira repulsiva

               se não explode pra fora

               pra dentro explode


implosiva.”

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