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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A Lei da Vergonha na Cara




Por Zezinho de Caetés

Neste início de ano tivemos mais tragédias do que comédias. Contamos as comédias, falando daquilo de que rimos, nos dedos do Lula, mas tragédias, para conta-las é preciso um ábaco.

A pior de todas, cata piolho e fura bola, se apenas contarmos as nacionais, foi a da rebelião de presos em Manaus, na qual, quase 100 deles subiram aos céus ou desceram ao inferno. Digo subiram aos céus, como bom cristão que sou, e acredito sempre na presença de Jesus para perdoar ladrão.

É um fato a lamentar e para meditar sobre ele. No entanto, a tragédia maior é o nosso sistema prisional. Ora, dirão os céticos: Que morram todos, pois são apenas criminosos! E nos dá vontade de até de dizermos a mesma coisa. No entanto, tenho certeza que grande parte dos que estão hoje presos, não têm a total da culpa pelo que se passa com eles.

Não os defendo de forma genérica, mas, se quisermos viver numa sociedade civilizada, até os presos devem serem tratados com a devida civilidade. E aqui no Brasil, isto é quase impossível, quando se tem um Estado mastodôntico, que é o fator básico da corrupção, que anda a mendigar recursos para aloca-los entre prisões e educação.

Quando uma tragédia como esta acontece, aparecem sempre os salvadores dizendo: Mais verbas para prisões. E eu pergunto, de onde virão estas verbas se os que presam a intervenção do Estado também no setor educacional estão também na miséria absoluta.

Mas é quando vemos que o gigantismo estatal é um mal para tudo, que devemos dar valor a qualquer ação que diminua o seu tamanho e não o aumente. Sei que a solução definitiva não virá no curtíssimo prazo, mas, só com economia de verbas da corrupção que corre solta como comprova a Lava Jato, já poderíamos aumentar o pirão dos outros, mesmo defendendo, como os políticos fazem no Brasil, o deles primeiro.

E leio hoje na mídia sobre algo desagradável, e pego carona no artigo do Ricardo Noblat (“Quando o respeito à lei é falta de vergonha na cara”), no O Globo, para mostrar outra tragédia brasileira, que é, pasmem, o cumprimento da lei, mesmo quando ela vai contra toda moral e os bons costumes.

Pois não é que o Fernando Pimentel, do PT usou uma lei feita pelo Aécio Neves do PSDB para pegar o helicóptero do governo e ir buscar um filho numa festa no réveillon. O garoto ou rapaz passou mal, que neste caso é um eufemismo para dizer que estava mais bêbado do que o Lula em reuniões de sindicatos, e o pai foi socorrê-lo com as verbas públicas, ao invés de chamar um UBER.

E vejam só como se unem os dois partidos, aparentemente inimigos. PT e PSDB juntos para cometer semvergonhices . E quando o país passa por uma crise destas, é um verdadeiro acinte. Pelo menos o Temer mandou cancelar a licitação dos sorvetes, mostrando, não sei se da porta  para fora, um pouco de vergonha, mesmo que a Marcela e o Michelzinho possam ter esperneado.

É uma pena, que tenha que sair do meu semi recesso para falar de falta de vergonha, o que me lembra de uma lei proposta por alguém que seria a solução de grande parte dos nossos problemas:

Artigo 1º - Todos devem ter vergonha na cara.

Artigo 2º - Revogam-se as disposições em contrário.

Eu não sei se se deveria apresentar ao Congresso como projeto de Lei ou como uma PEC. Esta seria a verdadeira PEC da Vergonha, e resolveria, caso aprovada (o que seria difícil), teríamos um início de uma nova era, se tivermos alguém que faça cumpri-la, é claro.

Fiquem com o texto do Noblat, que eu vou curtir agora o meu semi recesso de início de ano.

“Fernando Pimentel (PT), governador de Minas Gerais, está certo: ele não desrespeitou lei alguma ao se valer, ontem, de helicóptero oficial para resgatar seu filho que passara a noite do réveillon em animada festa em condomínio às margens do lago de Furnas, tradicional balneário do Estado.

Em nota divulgada pelo Facebook, Pimentel afirma que o uso da aeronave é regulamentado por decreto publicado em 2005. À época, o governador de Minas era o hoje senador Aécio Neves (PSDB), que voou de helicóptero e de jatinho oficiais para cima e para baixo, emprestando-os, inclusive, a amigos necessitados.

Portanto, assim como Aécio, Pimentel tinha o direito, sim, de voar em helicóptero comprado com dinheiro público e mantido com dinheiro público, para ir passar o domingo com o filho onde bem quisesse, como ele alegou ter sido sua ideia original. Ou para simplesmente ir buscá-lo porque o garoto parecia indisposto.

O que a lei não proíbe é permitido. E, se ainda por cima, ela regulamenta o que a outros horroriza, fim de papo. Mudemos de assunto. Se um dia Pimentel for deposto, certamente não será por uso indevido de equipamento do Estado. Poderá ser por uso de dinheiro ilegal em campanha, mas essa é outra coisa.

Sérgio Cabral governou o Rio de Janeiro por oito anos. Usou helicóptero oficial até para transportar o cachorrinho da família nos fins de semana. Usou jatinhos de empresários e de fornecedores de serviços ao governo para voar de férias ao Caribe. E nada disso configurou crime. No máximo, falta de vergonha na cara.


Minas Gerais é um Estado quebrado como o Rio? É. Seria um despropósito cobrar de quem o governa moderação extrema com gastos supérfluos? Não. Faltou moderação a Pimentel. E também vergonha na cara. Se lhe sobrasse vergonha, deveria no mínimo pedir desculpas aos mineiros e ressarcir o Estado do gasto desnecessário.”

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