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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

DUAS IRMÃS




Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho


Quem frequentou a Clube das Pás, na década de 70 conheceu Claudinha e Lucinha. Duas moças solteironas que não perdiam os bailes nas sextas feira. Tinha presença cativa e mesa reservada perto do dancing. Sabiam dançar como nunca. Tinha seus pares já prontos para os primeiros acordes da orquestra saírem patinando no meio do salão.  Nunca deu o fora a quem as fossem tirar para uma dança, aqueles que não lhe agradavam na primeira rodeada pedia para sentar alegando cansaço. Sempre bem vestidas normalmente com saias soltas e blusas coladas. Cabelo bem arrumado seguro com laque para não avoar com vento dos ventiladores. Brincos ou argolas penduradas nas orelhas. Lábios de um vermelho escarlate e unhas afiadas vermelhas. Duas o três pulseiras ornamentava os seus pulsos. Anéis grandes de pedras vistosas nos seus dedos. Sapatos de saltos baixos e solados lisos. Gostavam de tomar cervejas bem geladinha em taças, somente para elas era servido. Alegres e dançarinas chamava atenção dos notívagos ali que saem por volta das quatro horas da manhã. Nunca quiseram casar, para não ter cabresto de ninguém, gostava sim de alguns amigos para conversaram ou mesmo para uma intimidade maior, mas casar nunca, jamais, diziam rindo. Tinha muitos admiradores principalmente pelo seu jeito de dançarem. Pedrão um moreno alto, frequentador assíduo do Clube das Pás, era um grande dançarino e par que sempre estava dançando com algumas delas. Chegava ao clube já com a orquestra tocando. Olhava de um lado para outro para se situar no ambiente. O seu olhar sempre se dirigia para o lado esquerdo do salão para avistar se a Claudinha e Lucinha já esta presente. Depois se esquivando das mesas chegava ate elas que o recebia com muita festa. Vestia-se de branco, calça e camisa, sapato duas cores, branco com o bico preto, A brilhantina assentava a sua vasta cabeleira. Barba feita e bigode aparado era o “cara” da noite. Muitas mulheres desejavam estarem em seus braços para rodopiar no salão, no entanto ele tinha queda pela Claudinha, à loira que chamava a atenção. Tomava em seus braços com belos passos no salão ao som de qualquer musica que a orquestra tocasse. Horas e horas passavam agarradinho como o mundo não existisse.  Tomava assento na mesa das “meninas de idade” e quando ia pagar a conta já com várias cervejas e uma garrafa de Rum Montilha a conta já havia sido paga por elas. Faziam questão deste feito. Apareceu um homem chamado Heitor, desconhecido na área, ninguém ainda o tinha visto nas noitadas do Clube das Pás, tirou uma das meninas para dançar, a Lucinha. Ela foi à contra gosto, pois o mesmo se encontrava já alto com a bebida e tinha um suor fedorento o que não lhe agradou. Pediu para sentar, porém não foi atendida, pois o mesmo segurou o seu braço com força o que a fez dar um safanão e se soltar já bradando alta aquela agressão. Sentou-se e procurou se divertir e esquecer o que passou. De vez em quando olhava ao lado lá estava o homem que machucou o seu braço. O Heitor aborrecido esperou o termino da noite e quando ela saiu ele foi o seu encalço. Agarrou-lhe pelo braço, quando uma mão mais forte puxou-lhe e o derrubou com o grande soco no rosto. Foi aquela balburdia no final da noite. Às três horas da manhã ajuntou-se gente que estava se despedindo da noitada em frente ao Clube e o Pedrão botou o cara para correr. A policia que fazia ronda chegou, mas tudo já tinha se normalizado. A turma se aglomerou em frente às carroças de cachorro quente, que pedíamos, “me dê um quero obrar”, pois, poucos se safavam da “dor de barriga” durante o dia. Encontrei Maguari, um grande amigo do Clube, e informou que uma das meninas a Claudinha tinha morrido de câncer no pulmão, pois fumava muito e deu-se a bebida dia e noite no terraço de sua casa, ouvindo musicas dos seus cantores preferidos e curtindo melancolicamente dor de cotovelo por não mais poder ir ao Clube das Pás na sexta feira, ficando somente a Lucinha já com idade avançada no casarão no Alto da Conquista com os seus ais.

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