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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

MEMORIALISTA


Zé Milton Correntão


Por José Antonio Taveira Belo / Zetinho


Tenho grande admiração pelos memorialistas. São pessoas de grande qualidade intelectual que cultua em mente os fatos acontecidos. Guarda e recorda os fatos, pessoas, na mente e nos apontamentos em cadernos. Tudo que acontece são registrados e guardados com esmero carinho. Nada lhe escapa tudo finalmente são anotados. São pessoas qualificadas para relembrar as datas, meses e anos de acontecimentos na comunidade que passa despercebido por muitos. Essas pessoas sempre estão atento o que ocorre no meio de onde ele vive. Observa, colhe e registra tudo que acontece ao seu redor. É um estudioso. È meticuloso no que se fala e nos comentários de pessoas que estiveram presente no dia a dia da cidade. E, vai mais além cultua na mente os fatos acontecidos no mundo. É um computador ambulante.  Não tem a tecla de “delete”. Tenho grande respeito e simpatia por estas pessoas, repito. São pessoas notáveis. São pessoas admiráveis.  Em cada cidade, tem pessoas deste quilate que recordam o tempo e a vivencia dos nativos que deram origem a localidade. Em nosso Bom Conselho, temos sempre pessoas capazes de recordar os anos passados e guardar os acontecimentos presente no seu caderno de apontamentos, às vezes até rasurados. Muitos já usados e envelhecidos pelo tempo. Tem consigo fotografias de pessoas da sociedade, políticos, religiosos, casarões, ruas, avenidas, praças, igrejas, escolas, ginásios, recortes de jornais e revistas, livros, flamulas, e tantos outros objetos que lhe servem para recordar aqueles esquecidos fatos ocorridos há anos atrás.  São pessoas dedicadas neste trabalho de relatar e reviver este tempo agradáveis e às vezes tristes. Tenho acompanhado um destes memorialistas notáveis nas paginas da nossa GAZETA – Zé Milton Correntão – filho da terra que abre o baú e retira acontecimentos que lembram o passado de muitos conterrâneos. São lembranças da meninice e adolescência e até da fase adulta, das brincadeiras infantis, passeios, bailes, desfiles escolares, salas de aulas, serenatas, fofocas nas praças e uma imensidão de fatos acontecidos. Relembram os nomes dos protagonistas destas festanças, nome por nome, os locais, mês, anos e assim por diante. O Zé Milton Correntão é um memorialista autentico, pois revela o seu talento quando divulga com precisão os acontecimentos ocorridos em Bom Conselho, daquelas pessoas que estiveram presente na sua vida e da comunidade.    Percebemos claramente que o narrador faz o uso da linguagem poética como ascese, uma busca do seu mundo ontológico e dialógico, significando e situando a memória dentro do seu próprio texto memorialístico: A memória dos que envelhecem (e que transmite aos filhos, aos sobrinhos, aos netos, a lembrança dos pequenos fatos que tecem a vida de cada indivíduo e do grupo com ele estabelece contatos, correlações, aproximações, antagonismos, afeições, repulsas e ódios) é o elemento básico na construção da tradição familiar. Esse folclore jorra e vai vivendo do contato do moço com o velho – porque só este sabe que existiu em determinada ocasião o indivíduo cujo conhecimento pessoal não valia nada, mas cuja evocação é uma esmagadora oportunidade poética. e vice-versa, onde o profundo e a superfície interagem para compor o ato de criação. É diferente da tentativa de escrita (auto) biográfica, quando se pretende escrevê-la unicamente como registro e “ilusão” histórica, como se a existência humana e a memória ou até mesmo os documentos dessa existência fossem lineares. Por sua vez a escrita memorialista se lança às reminiscências para também relatar fatos de outrora. E isso pode ser vivido e lembrado através da literatura, num constante olhar “pela primeira vez tudo que foi visto antes”. Ao narrar, estamos sempre no entorno e no centro, pois o sujeito que narra não conta a história de si mesmo sem narrar à história dos que viveram com ele, dos que lutaram com ele, dos que caíram com ele, dos que foram silenciados com ele, dos que voltaram a falar com e através dele. Zé Milton Correntão é um deste seres humano que tem guardado consigo um memorável senso de expor aquilo que já se passou que ficou na lembrança de muitos de nós. Gosto de ler os seus os comentários e exercendo esta leitura me leva também a Bom Conselho do seu tempo.

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