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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A volta da empáfia e o papel do mercado




Por Zezinho de Caetés

Li na última segunda-feira (23.09.2013) o curto texto do Vinicius Mota na Folha de São Paulo, que transcrevo lá embaixo. Quando vi o título (“A volta da empáfia”), sabia exatamente a quem ele iria se referir, mesmo antes de ler. E acertei.

Depois do tombo de popularidade que levou a presidenta a se tornar a mais meiga das criaturas com os políticos, agora, depois de alguns pequenos “sucessos”, ela volta a atacar, e continuará atacando, até novos tombos.

O caso das privatizações acanhadas, em vários setores, é emblemático deste vai e vem governamental que só traz desconfiança do mercado e as consequências funestas para todos nós que não podemos privar de serviços de qualidade, mesmo que possamos pagar por ele. E estas consequências já aparecem no setor rodoviário, no qual houve rodovias que foram simplesmente recusadas pelo setor privado por simples desconfiança de mudança nas regras do jogo.

Esta última semana já apresentou também outra consequência em relação ao pré-sal que segundo meu conterrâneo Lula nos daria a autossuficiência em petróleo, quando 4 das maiores empresas do setor não quiseram nada com a atividade. E a explicação para estes reveses é simplesmente dizer como na fábula de Esopo, “as uvas estavam verdes”.

Nós que achamos ser o mercado um processo evolutivo do homem, desde as cavernas, para melhorar de vida, ficamos preocupados com um governo que, apesar de precisar do seu mecanismo, o trata tão mal, com fins puramente eleitoreiros. O nosso problema é que ele sempre cobra a conta, como se dizia num período de cobrança pelas burradas que fizeram, “com juros e correção monetária”.

Já sabemos, por nossa própria experiência que o Estado é pouco eficiente em algumas atividades e não tem eficiência nenhuma noutras. E que quando temos que desenvolvê-las para que não fiquemos na rabeira da civilização, em termos econômicos, temos que apelar para as forças do mercado, que são as únicas que podem cumprir este papel. Aqui no Brasil, o lulo/petismo sempre usou esta ciclotimia em relação ao papel desta instituição, gerando crises de desconfiança, que só nos prejudicam. E isto é um apanágio das esquerdas que ainda nos comandam. O mercado é bom quando é bom para eles ficarem encastelados no poder.

Um exemplo óbvio disto foi a relação do lulo/petismo com o ministro da ditadura Delfim Netto, que, apesar de todos seus defeitos, sempre foi um bom economista, que mostra quanto se julga de acordo com a métrica do poder as ideias de alguém. O ministro foi o mais pichado pelos petistas e depois foi o mais elogiado, quando suas ideias (sempre as mesmas) serviam ou não serviam a alguns propósitos. É o PT de sempre, para o qual os fins justificam os meios.

Vale neste comentário, sobre a volta da empáfia da presidenta citar o Delfin Netto, coisa que nunca mais tinha feito, quando ele escreve sobre o mercado como fazendo parte da evolução social:

“O mecanismo de seleção a que nos referimos continua a trabalhar na direção de libertar o homem para viver a sua humanidade, com redução do trabalho necessário à sua subsistência material e dando-lhe a segurança por meio de uma organização social que vai ensaiando como combinar três objetivos não plenamente conciliáveis: maior liberdade individual, maior igualdade de oportunidade e maior eficiência produtiva.”

Ou seja, sem a participação do mercado ou esta instituição sendo tratada a ponta pés, atingiremos a meta fundamental da nossa presidenta, a igualdade absoluta, e consequentemente, todos recebendo o Bolsa Família.

Mas, meditem sobre o parágrafo anterior e sobre o que o jornalista diz sobre a empáfia do nosso atual governo. Espero que esta meditação sirva para mudá-lo em 2014.

“ O presidente vai melhorar o diálogo com a sociedade, ouvir os empresários, reunir-se com os líderes das siglas que o apoiam no Congresso. Pretende rever o curso de ações polêmicas da administração, num gesto de autocrítica.

No Brasil, esse é o protocolo do governante enfraquecido. Aciona-se a agenda da humildade quando o conjunto das variáveis políticas e econômicas degringola e os índices de popularidade mergulham.

Ocorreu com Dilma Rousseff neste ano, antes mesmo dos protestos de junho. A área econômica, acossada por um surto inflacionário e pela disparada do dólar, tomou certa distância do voluntarismo interventor. Lançou-se ao jogo convencional, em especial no Banco Central.

Diminuíram as declarações desastradas do ministro da Fazenda. O governo flexibilizou exigências que desagradavam investidores na infraestrutura. Autorizou reajustes na gasolina para aliviar o caixa da Petrobras. Com as manifestações, que derrubaram a aprovação do governo, esse ajuste de conduta exacerbou-se e alastrou-se pela administração.

Até que as notícias voltaram a melhorar. O PIB do segundo trimestre cresceu bem. A inflação de julho e agosto deu refresco. O aumento do dólar e dos juros globais mostrou-se efêmero e foi adiado.

A popularidade da presidente recuperou-se, assim como a expectativa de seu desempenho nas eleições de 2014. Até a primeira vitória significativa dos réus petistas no julgamento do mensalão ajuda a animar fileiras do partido da presidente.

E a empáfia voltou. Dilma disse que o governo fará as obras rodoviárias recusadas pelo setor privado nos leilões. Não fará.


O Brasil não melhorou tanto agora, como não tinha piorado tanto em junho. A modorra continua sendo o ritmo do desfile na avenida do desenvolvimento. O retorno da soberba só fará recair mais descrédito na perspectiva de acelerar o passo.”

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