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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Os Carvalheiras Teles* (Preâmbulo (verdadeiro) da história de uma família.)





Por José Fernandes Costa

         A história mais predominante da família Carvalheira Teles* teve início da década de 1930. E se estendeu aos anos 1940 e seguintes do século XX. Por isso, vale relembrar alguns fatos acontecidos nessas duas primeiras décadas, que tiveram influência nas Américas e em outras partes do Mundo. – Todavia, é mais oportuno dar ênfase a alguns episódios ocorridos, que se restringiram ao Brasil, especialmente. – Com maior ou menor repercussão.

            A década de 1930 foi marcada por grandes acontecimentos no Mundo inteiro. Em Nova Iorque houve a quebra da Bolsa de Valores, fato de grandes proporções, que afetou fortemente a economia do mundo. Na Europa, eclodiu a Segunda Guerra Mundial.

            No Brasil, aquela década se iniciou com a Revolução de 1930. Para alguns, foi somente um movimento militar, ou revolta, que as mudanças havidas no país não foram suficientes para justificar o nome de revolução. Isso deu margem a muitos debates: revolução ou revolta?

            A queda na bolsa de Nova Iorque atingiu em cheio a economia da América do Sul, porque muitos países deste continente exportavam para os Estados Unidos e se viram sem opções.

            O Brasil exportava café, principalmente. E outros grãos em menor escala. – Com os abalos provocados pela queda da bolsa de Nova Iorque, começaram as nossas crises. Getúlio Vargas (líder civil) conduziu a “Revolução” de l930. Depôs o presidente Washington Luís. E impediu a posse do seu sucessor eleito Júlio Prestes. – Então, teve início aí a Segunda República – de 1930 a 1937 –, calcada em regime discricionário, dos anos 1930 a 1945.

            No meio desse caminho, houve pequeno período dito constitucionalista: de 1934 a 1937. – Porém, logo se iniciou o período de moldura fascista, ditatorial – o Estado Novo – de 1937 a 1945, imposto e encampado, também, por Getúlio Vargas. Getúlio era figura um tanto frouxa; um indivíduo muito dissimulado! Seu governo era autoritário! – Mas ele era omisso e pusilânime, não há como negar. Deixava-se “governar”, delegando poderes a pessoas que não mereciam confiança. – Caiu num mundo de intrigas, mentiras e contradições. E sofreu perseguições da imprensa, comandada pela UDN do camaleão Carlos Lacerda. Assim, Getúlio encerrou sua carreira com o suicídio.

            Importante ressaltar que, ainda em 9 de julho de 1932, irrompeu um movimento armado em São Paulo, com o objetivo de derrubar Getúlio Vargas! – Tal movimento paulista foi malsucedido! Porque rapidamente sufocado. E somente em julho de 1934 se deu por promulgada a nova “constituição republicana”, elaborada em fins de 1933, por 250 deputados eleitos pelo povo e 50 eleitos pelas representações classistas.

            Muito ardiloso, Getúlio Vargas soube aproveitar a ocasião para introduzir novas “conquistas” que beneficiariam o povo brasileiro. Com isso, pôde ocultar o caráter fascista do seu governo. O governo fascista de Getúlio mandou para o presídio da Ilha Grande (RJ), sem culpa formada, centenas e mais centenas de pensadores: jornalistas, escritores, médicos e tantas outras cabeças pensantes. Como exemplo, cito entre os presidiários o romancista, cronista, jornalista, contista, político e memorialista brasileiro, Graciliano Ramos de Oliveira! Graciliano foi um dos expoentes brasileiros das letras, no século XX. – Todas aquelas prisões se deram sob as ordens do carrasco ignominioso Filinto Müller, chefe da polícia nazifascista de Getúlio.

E, coincidência ou não, o Mestre Graciliano Ramos é um dos descendentes naturais, em linha reta, da família Carvalheira Teles! Graciliano foi uma feliz exceção na tremenda ignorância daquela família. E no meio das ignorâncias se incluem o pai e a mãe do nobre escritor, vale dizer.

No campo das astúcias de Getúlio Vargas, nasceu uma lei eleitoral, estabelecendo o voto das mulheres, que, até então, não podiam votar. E no bojo das “boas intenções” vieram o voto secreto (voto de cabresto), a representação proporcional partidária, a Justiça Eleitoral e o aparato representativo classista feito pelos sindicatos.

            Por outro ângulo, pelo voto indireto (Assembleia Nacional Constituinte de 1934), Getúlio Vargas foi “eleito” presidente da República. Esse curto período – 1934 a 1937 – ficou propriamente conhecido como Segunda República ou “República Nova”.

            Contudo, nada disso veio por acaso. O período que deu lugar à “República Nova” teve início por crescente movimento de polarização entre correntes extremistas, tal como acontecia na Europa. Direita de um lado, esquerda do outro, dando lugar a polos extremados como a Ação Integralista Brasileira, facção da ultradireita, sob o comando de Plínio Salgado.

            De outro lado, vieram os sonhadores, de ideais comunistas, abrigados na Aliança Nacional Libertadora, tendo como presidente de honra, o senhor Luís Carlos Prestes, chefe dos comunistas no Brasil. E, em 1935, teve curso a Intentona Comunista em Natal e Recife. Acompanhado de longe pelo Regimento de Infantaria da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, esse movimento revolucionário foi prontamente dominado, o que fortaleceu, sobremaneira, a extrema direita.

            Note-se que Getúlio foi “eleito” presidente da República pela Assembleia Nacional Constituinte, em 1934. E de 1937 a 1945 passou a ser presidente ditador, durante o chamado “Estado Novo”. – Este foi implantado por meio de um golpe de estado.

            Mas Getúlio, muito astucioso, velhaco, sempre soube tirar proveito da gestão autoritária. Foi assim que em 1º de maio de 1943, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi aprovada por decreto presidencial (ditatorial). – Nada obstante, a CLT representou o agrupamento da vasta legislação trabalhista produzida no país após a Revolução de 1930. – Foi um avanço, sem dúvida.

Agora, pra finalizar, voltemos à família Carvalheira Teles! Um dos ramos dos Carvalheiras Teles tinha a propriedade da Fazenda Tramandaí, às margens do rio Massapê.

Alheios a tudo quanto se passava no mundo, os Carvalheiras vegetavam no Agreste pernambucano – município de Buíque (fim do mundo, naquela época), onde nem se ouvia falar de radiodifusão, tampouco de outra forma de notícias do mundo dos viventes. A novidade ali nos arredores da Fazenda Tramandaí e em cidades da região era a existência de Virgolino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, bandoleiro que levava desassossego aos proprietários de terras. Mesmo assim, as informações, falsas ou verdadeiras, eram passadas e repassadas boca a boca. – E os Carvalheiras Teles continuavam desassossegados. Afogados na brutal ignorância, talvez até mesmo inconsciente e não merecida, em alguns casos.


(*) – Aqui, Carvalheira Teles e Fazenda Tramandaí são nomes fictícios. Assim como o nome do rio e do riacho.

4 comentários:

  1. José Fernandes Costa13 de dezembro de 2014 19:02

    Agradeço ao nobre amigo Zé Carlos, pela publicação desse preâmbulo!! - Essa história deve ter sequência. - Não sei se haverá consequências. - Mas... É caso verídico. - Abraço, José Carlos Cordeiro. /.

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  2. José Fernandes Costa13 de dezembro de 2014 19:13

    Fico agradecidO também pela sábia ilustração!! - Parece que estou vendo o velho Bazófilo Teles (de barba) com a velha Otacília Teles (montada)!! - Que dupla infernal. /.

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  3. Caro Zé Fernandes, seus textos será sempre bem-vindos a este humilde blog. Um abraço.

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  4. José Fernandes Costa15 de dezembro de 2014 00:56

    Mais uma vez, agradecido. - Abraço. /.

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