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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Crônicas In BOX, Poesias Inox.




Por Carlos Sena (*)

Escrever é por si só um ofício difícil. Dos mais difíceis que conheço, principalmente porque se reveste de aspectos que se inter-dependem. O primeiro deles é o domínio do idioma. Depois a conexão do assunto com a realidade, não obstante o viés da criatividade associado que se quer comunicar. Dominar esses elementos não é fácil, principalmente quando o escritor se dispõe a escrever crônicas e poesias. Esses dois gêneros da literatura, diferente do que se possam imaginar dependem pouco da inspiração. O senso popular convencionou atribuir, principalmente à poesia a inspiração. Pode-se construir um lindo poema com transpiração muito mais domine com a inspiração. Simples: o poeta é um fingidor! O gênero crônica menos ainda carece de inspiração, mas de capacidade aguçada de ver o fato de forma singular. Todo mundo pode ver um acontecimento pelo seu lado obvio. Mas, ao cronista compete mesmo descobrir o lado lúdico, jocoso, espirituoso do fato. Mesmo o lado lírico, sarcástico, podem ser flagrados pelo cronista. Isso já seria o suficiente para, igualmente, ser produto de muita transpiração.

Recorri à esse tema porque depois de muita transpiração conclui o meu quinto livro CRÔNICAS IN BOX, POESIAS INOX. Depois de muito trabalho garimpando  os rascunhos, revisando, reescrevendo, copiando e colando aqui e acolá - eis que chegamos ao fim. Há quem chame um livro escrito de "filho". Discordo. É mais fácil fazer um filho! Porque um filho se faz por si nos embalos da natureza pródiga. Os pais que nos digam! Escrever com responsabilidade é uma tremenda empreitada de coragem. O ato de escrever se embute de renúncia e subordinação. Renúncia porque as palavras nos massacram, nos levam por caminhos nem sempre desejados. Também nos libertam. Subordinação porque nós, escritores, mais somos escriDores - tamanha é a nossa impotência diante do ofício. Contraditório, mas é. No final a gente se sente "Deus". Porque independente dos julgamentos nós conseguimos dominar as letras, transformá-las em palavras e estas em frases e estas em crônicas, poesias, etc. Meu CRÔNICAS IN BOX, POESIAS INOX é um pouco disso. Dupla responsabilidade: um livro de crônicas e poesias na modalidade "dois em um". Assim, finalmente conclui esse projeto. Em breve irei fazer o lançamento na modalidade também "dois em um" em BomConselho e em Recife. Ufa! Alvíssaras, alvíssaras!

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 02/12/2014

Um comentário:

  1. José Fernandes Costa23 de dezembro de 2014 20:54

    Enfim, o poeta é um fingidor. E a poesia é ficção! - Que nem sempre ou quase nunca requer inspiração! - A crônica é fato. Mas precisa da arte, da maneira de saber contar o fato. - Não é só contar um fato como o fato foi. - Se o canário canta, o menino diz: - "O canário está cantando." Aí, o recado já foi dado. - Então, o cronista reúne os fatos relacionados ao cantar do canário. E faz a crônica. - Narra as circunstâncias do antes, do durante e do depois do cantar do canário. – ("Entrei pela porta da cozinha e vi o canário cantando. João estava pegando os arreios pra botar no cavalo e seguir para o pé da serra. E eu perguntei: João, para onde vai você tão cedo? Nessa hora chegou...") - E por aí vai. /.

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