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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Tempo ruim para o Temer e para os políticos...




“O tempo de Temer

POR MÍRIAM LEITÃO

Um governo com 7% de aprovação, denunciado pelo Ministério Público por corrupção, com a base parlamentar em dispersão, tem pouca chance de concluir o mandato. O esforço do presidente Michel Temer, a partir de agora, será para evitar que o Congresso autorize o processo. Temer já não governa, apenas administra a possibilidade de permanecer no cargo.

O procurador-geral da República disse que Michel Temer se valeu da sua condição “de chefe do Poder Executivo e liderança nacional” para obter a “vantagem indevida” de R$ 500 mil através de Rodrigo Rocha Loures. Portanto, deixou claro na denúncia que acha que o dinheiro da mala era de Temer.

De acordo com a denúncia: “Os fatos devem ser analisados no contexto da organização criminosa aqui mencionada, com especial atenção para o núcleo do PMDB da Câmara. As práticas espúrias voltadas a atender interesses privados, a partir de vultosos recursos públicos, não se restringem àqueles reportados na denúncia ora ofertada. Percebe-se que a organização criminosa não apenas esteve em operação, em passado recente, como também hoje se mantém em plena atividade”. Deixando em itálico a informação de que está “em plena atividade”.

O pior cenário aconteceu porque agora o presidente Temer terá que se mobilizar para evitar essa denúncia na Câmara. E depois haverá mais duas denúncias. Mesmo que o Congresso não entre em recesso, a Justiça entrará. Tudo ficará mais demorado e desgastante para o governo.

Há quem garanta, em Brasília, no governo ou fora dele, que o presidente Michel Temer venceu suas principais batalhas. Não é verdade. Há muitas pela frente, e Temer repete Dilma que, ao fim, já não governava, apenas tentava se manter no cargo.

Em agosto de 2015, com apenas oito meses do segundo mandato, a ex-presidente Dilma tinha 71% de ruim e péssimo. Temer está com 69% de ruim e péssimo, mas sua situação é ainda pior porque ele enfrentará denúncias do Ministério Público, sem falar nos pedidos de impeachment.

A avaliação de um político da cúpula do legislativo é que Temer venceu o risco de uma cassação da chapa pelo TSE e do desembarque do PSDB. E que tem duas vantagens em relação a Dilma na luta para permanecer: o deputado Rodrigo Maia não estaria trabalhando para derrubá-lo — ao contrário do que ele fez com Dilma — e há um sentimento antiPGR no Congresso, que pode ser usado para mobilizar os votos contra a abertura de processo.

Acho que o mais provável é o fim antecipado do governo. A dinâmica do apoio político tem relação com a popularidade do presidente. Um governante assim tão impopular e rejeitado produz o afastamento de aliados. Ter 172 votos nominais a favor dele é tarefa mais difícil do que parece.

Outro motivo é que o governo definha. Ele não tem os recursos políticos para manter a mínima coesão da base. A erosão fiscal torna ainda mais difícil a execução de qualquer tipo de pacote de bondade. Um dos seus pontos fortes é a equipe econômica, que só terá credibilidade se mantiver a austeridade e o compromisso com a meta fiscal. Como a meta está muito dependente de receitas extraordinárias — que exigem decisões administrativas e legislativas — há um grande risco de não cumprimento da meta. Isso colocaria o governo Temer na mesma situação do governo Dilma.

A denúncia é forte e coloca o Brasil numa situação jamais vivida que é ter um presidente processado no decorrer do mandato por crime cometido durante o exercício do poder. “Não há dúvida, portanto, que o delito perpetrado pelos imputados Michel Temer e Rodrigo Loures, em comunhão de ação e unidade de desígnios, causou abalo moral à coletividade, interesse este que não pode ficar sem reparação”, diz a denúncia de Janot.

Enfraquecido politicamente, com uma base volátil, sem recursos políticos de costurar a coalizão, com o risco de não cumprimento da meta fiscal, o presidente chegou ao dia em que foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República. Dificilmente Temer conseguirá superar tantas frentes de dificuldade para se manter no poder por mais 18 meses. Cada dia do seu governo será uma agonia. O mais incerto é o tempo de duração do seu mandato. Se a denúncia for aceita pela Câmara, ele será afastado do cargo e não voltará.”

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AGD Comenta:

Obviamente, o texto anterior foi escrito antes do discurso do Temer, ontem, no qual tenta desqualificar a denúncia do Rodrigo Janot, como todos fazem com os acusadores.

No entanto, como o presidente ontem enfatizou no discurso, juridicamente, não há problemas que ele não “tire de letra”, o problema é político. Ou repetindo o assessor do Bill Clinton tão citado: “É a economia, estúpido”.

Com as peripécias do Temer, nas caladas da noite, recebendo convidados de má fama, a economia pode continuar não reagindo e se formar um círculo vicioso perigoso para o país e para sua tenra democracia.

Nossas instituições ainda reagem às intempéries, mas, há um limite para que isto aconteça, e há risco de voltarmos à quase barbárie das nações em que elas simplesmente não funcionam e será o cada um por si e Deus, se ainda também não perdeu a paciência conosco, por todos.

Chegamos a uma encruzilhada tal, que talvez se possa concluir que, para os políticos, vale a máxima: “São todos culpados, até provarem que são inocentes”. E eles que tratem de provar sua inocência, como o Lula vem, em vão, até o momento, procurando fazê-lo.

Não se trata de desqualificar a classe política, porém, a que aí se encontra, viciada como está, deveria renunciar em bloco, junto com o Temer. Isto seria uma solução, se não estivéssemos, para o bem e para o mal, engessados numa Constituição que surgiu num momento onde se pensava que as soluções para o mundo seria entregar tudo ao “trabalho” e deixar o “capital” como a classe que explora, de lado, como se dele não fizesse parte o mesmo material humano que temos.


Infelizmente, isto só vem à tona nas crises, como a que estamos passando. E nos arriscamos a ir, junto com todos os políticos, para o brejo. Mas, fiquemos por aqui, antes de descambarmos no pessimismo total, o que não é bom.

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