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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pra que dia da criança?




Por Carlos Sena (*)
  
Eu nunca tive dia de criança. Não faz tanto tempo assim, mas fato é que a gente não tinha essa coisa de dia disso ou daquilo. Só lembro bem do dia das mães, mas do dia da criança, não. Por quê? Não custa nada investigar. Mas a resposta eu e tantos outros temos na ponta da língua: a gente era criança, era feliz e sabia. Diferente da canção de Ataulfo “eu era feliz e não sabia”, lembram? Pois bem: repito-me que éramos FELIZES SABENDO. Sabendo que ser criança era aquilo que a gente fazia: subir e descer ladeiras, tomar banho de rio, jogar pelada, andar atrás do palhaço quando tinha circo na cidade. Ah, também a gente gostava muito de brincar “barra bandeira”, garrafão, queimado, academia, esconder a peia (sem segunda intenção). No reino da peraltice mais braba, a gente “roubava” fruta no colégio e manga espada no quintal da  casa de dona Salú, mais pela emoção de levar uma carreira do que mesmo pela necessidade de comer fruta. Também a gente ia para o circo à noite para entrar por debaixo da cerca e, lá dentro, ficar se escondendo do fiscal que nunca nos encontrava no meio do “puleiro”. No cine Brasília a gente gostava e enganar a esperta Julia – bilheteira sisuda que nunca se deixava levar pelas nossas lábias nem sempre convincentes. Quando o filme era impróprio para menores de dezoito anos, aí é que a gente ficava aceso para entrar na tora, mas, repito, nem sempre a gente consegui por conta de Júlia que mais parecia um dois de paus. Outra peraltice nossa era bater na porta do povo e correr. Quando a pessoa abria aporta não via ninguém, mas a gente do outro lado morria de rir. Fizemos isso também no colégio. Apertávamos a cigarra e irmã Celina abria a porta, enquanto a gente, por trás do cruzeiro morria de rir. No trajeto do Colégio das Freiras e do Estadual, ficavam muitas árvore de figo Benjamim. Nesse trajeto as “botadeiras de água” passavam equilibrando os potes cheios de água de ganho. A gente se escondia por entre as folhagens, perpassava fios de náilon de um lado para o outro na altura dos potes e... Era pote no chão e água derramada pra valer. Depois vinham as carreiras com medo de levar um pau das mulheres arretadas com seus potes quebrados e a água derramada. Nós, ó. Pé no mundo, porque não tinha comida no fundo. Por outro lado, como a gente já estava meio ficando com “terra no pé da bananeira”, então tinha uma tal brincadeira de “casamento francês”. As meninas de um lado e os meninos do outro já tentando ensaiar os namoros que, no futuro, se converteram em casamentos. Contar histórias! Eis um capítulo rico dos nossos dias de criança na terrinha. A gente se cercava em volta dos nossos avós (ou dos mais velhos) para viajar no universo da imaginação das histórias de Pedro Malazarte, de Cumadre Fulozinha, da Caipora, até mesmo do lobo mau... Tinham muitas outras, mas essas me marcaram mais.

Nesse universo lúdico, a gente se estabelecia criança, sem naturalmente, deixar de ir para a escola onde lá, outro universo de histórias e estórias se nos descortinava como nos dando um recado para ser entendido depois. Hoje, tempos passados, a gente compreende aquele recado que nos foi dado em cada brincadeira real ou imaginária. Hoje, quando o dia da criança se veste de tanta movimentação e de tanta compra de presentes eletrônicos, a gente se lembra: nós fazíamos os nossos brinquedos: um carro feito de tijolo. Ou feito de rolimã. Um filtro de óleo perpassado com um arame que a gente puxava e achava lindo! As bonecas das meninas eram de pano, compradas na feira – bruxas – eram assim conhecidas, mas as garotas adoravam brincar com elas. Nessa época não tinha celular, não tinha tabletes, não tinha carro com controle remoto, não tinha jogos ( e tinha: a gente jogava pedra no “escravo de Jó”, dominó, ludo, pega-vareta), não tinha pedagogia moderna (mas a gente aprendia a ler, escrever e contar e pensar e respeitar o outro), não tinha cinema em terceira dimensão (mas tinha o cine Brasília que passava seriado de Rouba Cofre, Zorro, Tarzan, etc.), não tinha cantina na escola (mas tinha banana e batata doce que a gente levava de casa pra lanchar, além do leite de Jia que o grupo dava), não tinha roupa de grife, não tinha... Não tinha... Não tinha... Tinha felicidade. Tinha criança livre. Tinha criança sendo criança, isso tinha. Se tinha tudo isso, pra que ter dia de criança? Hoje O DIA DA CRIANÇA é importante, porque entre os adultos e as crianças quase não há partição, quero dizer, quase não há limites entre pais e filhos. Quase não há sonhos compartilhados.


 Ah, só pra não esquecer: a gente não cheirava pó. As vitalinas botavam pó. No escurinho do cinema as mãos dos meninos brincavam soltas no “parque de diversão” que as meninas administravam sem muito rigor... Não necessariamente nessa mesma ordem... 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A semana - Prisões e xingamentos




Por Zé Carlos

E lá vamos nós com mais uma semana deste ano tão conturbado, em termos políticos. O filme do UOL já começa com o a renúncia do José Genoino. Dos três políticos mais importantes do PT, ele é o que tem dado mais trabalho à justiça, pela sua condição de cardiopata. Seria sério se não fosse cômico, em certas horas. Duas juntas médicas já o examinaram e disseram que ele tem perfeita condições de chupar sua “cana” na prisão e não em casa. E lá vai de volta a justiça se pronunciar.

E o que me fez rir foi a ideia dele se transformar numa espécie de Robin Hood partidário. Isto porque, dizem seus correligionários, ele roubava para dar ao partido e não para si próprio. Não seria o caso de colocar o partido todo na cadeia? Não me contive com a conclusão a que chegou o repórter, ao concordar com as juntas médicas, porque ele provou, com seus atos que tem bom coração. E a novela continua. Li, fora do filme, que outra junta médica considerou o Roberto Jefferson em condições de cumprir sua pena na cadeia. Para mim, toda esta turma tem bom coração.

Agora continua a novela de sua aposentadoria. Se tudo correr normalmente, ele vai receber R$ 26.000,00 de aposentadoria mesmo na prisão. Dizem que só não será mais rico do que o Waldemar Costa Neto (que já renunciou) que também já está preso. A Papuda vai se tornar um hotel 5 estrelas para abrigar tanta gente rica. Talvez, o Zé Dirceu tenha desistido do outro hotel para administrar o “Papuda Inn”, e talvez receba mais de R$ 20.000,00. Eis uma provável causa da desistência do outro hotel.

O outro caso tratado no filme é o da Siemens. O Brasil talvez seja o único país do mundo onde os processos que correm em segredo de justiça, estão todo dia na imprensa. E agora o enrolado foi o Ministro da Justiça, que mandou a polícia federal, segundo um deputado do PSDB, em tempo programado (logo depois da prisão de Zé Dirceu), um processo sobre o caso. Então, se os políticos que estão processados querem publicidade basta pedir para o processo correr em segredo de justiça. Como não entendo muito do caso, só me resta rir.

E não parem de ver o filme aí, a não ser que tenham crianças na sala. A Câmara dos Deputados virou um local impróprio para menores, pela pornofonia. Eu nem quero transformar o diálogo que está lá em pornografia, afinal de contas, de uma forma ou de outra tentamos aqui zelar pela moral e pelos bons costumes, mesmo que alguns achem  que não.

E fiquem com o resumo do roteiro do UOL e logo abaixo vejam o filme, e espera que comecem a semana rindo e não se lamentando de serem brasileiros.

“Essa semana foi agitada na Câmara dos Deputados. José Genoino (PT-SP) e Valdemar da Costa Neto (PR-SP), ambos condenados do mensalão, renunciaram ao cargo para evitar mais desgaste político. Genoino ainda poderá receber aposentadoria integral por invalidez. E o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, virou alvo dos tucanos. O vazamento de informações que incriminam tucanos em uma investigação de cartel que envolve a Siemens foi duramente criticado por parlamentares. Por fim, mais baixaria entre o deputado Sebastião Bala Rocha (SDD-AP) e o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Os dois protagonizaram um bate-boca com direito a palavrões.”


sábado, 7 de dezembro de 2013

Nossas instituições estão nuas?




Por Zezinho de Caetés

No momento em que escrevo, li que vão cassar o mandato de José Genoíno. Será? Pelo texto do último dia 30/11/2013 (Blog do Noblat), do Ruy Fabiano que fala do “Strip-tease institucional”, neste país onde os parlamentares podem acumular os “cargos” de presidiários e deputados, isto é uma notícia alvissareira, se for verdadeira.

Eu sou um eterno otimista. Mas, no Brasil de hoje ser otimista é não acreditar que a seleção não passe das quartas de final. Os pessimistas estão temendo a entrada no grupo da morte junto com Itália e França. Eu não. Penso que ele vai para o grupo da Alemanha e da Espanha.

Porém como conservar o otimismo num país, onde um criminoso dá expediente num hotel, recebendo seus correligionários e à noite vai curtir sua TV na cadeia? E outro que vai ter prisão domiciliar porque tem uma cardiopatia leve. Será que Marcola, não terá o mesmo tipo de doença?

Então esperemos que a notícia seja verdadeira e que cassem o mandato do Genoíno e outros que estão ou irão brevemente para cadeia. Enquanto não temos certeza, leiam o texto do jornalista, e que o senso comum prevaleça. No entanto, fazemos a mesma pergunta que ele faz no final do texto: “Mas quem disse que o senso comum faz parte da política brasileira?”

P.S.: Ao terminar este texto e antes de enviá-lo à AGD, li que o Genoíno renunciou ao mandato para não ser cassado. Não sei as consequências, mas, o que eu disse acima continua válido.

“A prisão dos mensaleiros pôs o sistema carcerário brasileiro em estado de plena nudez. Mas não apenas: também Judiciário e Legislativo têm, novamente, suas mazelas expostas. A figura do deputado-presidiário é um escândalo ainda maior que o Mensalão.

É inconcebível que quem viola a lei – e é condenado em última instância por isso – continue a ostentar o título de legislador. É uma contradição em termos. No entanto, enquanto a Câmara dos Deputados não se manifestar, os presidiários José Genoíno, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto continuam parlamentares.

Nessa condição, continuam a ostentar prerrogativas incompatíveis com o novo local de residência. Isso só acontece porque o Supremo Tribunal Federal, pressionado pela Câmara dos Deputados, concordou em dar-lhe a palavra final.

A Câmara impôs no grito o seu ponto de vista, que, além de inconstitucional, é surrealista. Com isso, conquistou uma prerrogativa a mais: a de ser a Corte revisora da Suprema Corte. E o impensável precedeu a situação dos mensaleiros. O deputado Natan Donadon, condenado pelo STF por roubo de dinheiro público, foi absolvido pela Câmara. Levou para o xadrez o seu mandato.

O escândalo foi de tal ordem que o próprio Congresso decidiu dar fim ao voto secreto para questões de cassação de mandato e vai reavaliar a situação de Donadon em votação aberta.

Não fosse isso, José Genoíno, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry (falta ainda definir a sentença de João Paulo Cunha) teriam seus mandatos preservados pelo espírito de corpo (ou de porco).

Se funcionou para o obscuro Donadon, que ninguém conhecia, por que não funcionaria para colegas com muito mais prestígio? Mas Donadon chegou a tempo de evitar o pior.

Causou tal desconforto na opinião pública (que de vez em quando se manifesta) que não parece possível tê-lo como padrão. Genoíno, que o PT quer transformar em herói nacional, foi condenado, em síntese, pelas mesmas razões de Donadon.

É tão herói quanto ele. Seu estado de saúde não altera os fatos. Pode ensejar cuidados diferenciados, mas não a essência moral do que o levou ao presídio. Ambos lá estão por lesar o Estado, que, como legisladores, deveriam preservar.

Idem os demais. A movimentação para atenuar ou mesmo impedir o cumprimento da pena, com manifestos, declarações e oferta de empregos improvisados desafia a conduta da Justiça.

Joaquim Barbosa, responsável pela execução das penas, tem sido destratado de maneira inconcebível, inclusive pelos sentenciados. É apontado como tirano, como se a condenação tivesse sido manifestação solitária dele e não do plenário do STF. Não foi ele quem causou a cardiopatia de Genoíno, nem quem o induziu a assinar empréstimos fraudulentos para o PT.

Coube-lhe, como relator da ação penal, articular os dados constantes dos autos, manifestar seu voto e submetê-lo ao plenário, que, por maioria, o acompanhou.

O interessante é que a revolta contra a execução penal se concentra no núcleo político dos mensaleiros. Não há nenhuma palavra quanto aos demais sentenciados – ao todo, 25.

Ninguém está interessado em saber em que condições estão, por exemplo, Kátia Rabello ou Marcos Valério, condenados em regime fechado por algumas décadas. A eles, o governador Agnelo Queiroz ou o senador Eduardo Suplicy não fazem visitas.

E o que os diferencia dos políticos-presidiários? O Mensalão só aconteceu porque formou-se um núcleo político para articulá-lo. Os demais agentes – Valério, Kátia etc. - foram por ele motivados e mobilizados. A rigor, pois, as penas mais duras deveriam caber a quem tinha poder para viabilizar a trama.


Mas não foi assim. Dessa forma, Valério, que não teria feito o que fez sem o aval de José Dirceu e aliados petistas, purga pena bem mais drástica que os que, na cadeia de comando, davam-lhe ordens e pautavam suas ações. Mas quem disse que o senso comum faz parte da política brasileira?”


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O casamento de Hugo e Fernanda




Por Zé Carlos

Dias atrás, os leitores do nosso blog, não tiveram atualizadas as páginas de DEU NOS BLOGS e de NOTÍCIAS, que é o que podemos atualizar, pois o mural está sub judice. A desatualização temporária foi devida a uma viagem do administrador deste blog, que continua tentando informar Bom Conselho e fazendo com que seus habitantes leiam cada vez mais

Fomos à terra dos Marechais como chamam Maceió, a um casamento de uma sobrinha, a Fernanda, com o Hugo. Foi uma grande festa e os pais estão de parabéns pelo evento.

Não me considero mais em condições de dirigir numa cidade da qual não me lembrava de nada, pelo tempo em que lá fui. Mas, a corujice de avô, me fez ir com os pais dos meus netos, porque eles seriam pajens no  casamento. Só isto já daria coragem ao Vovô Zé de ir até para o outro lado do mundo, imaginem eu.

Depois de sofrermos pelo trânsito um pouco louco de Maceió, e chegando ao hotel, nos preparamos para encontrar a Igreja onde se realizaria o evento. Lá, no hotel, encontramos um amigo de infância, o Amauri Amorim, que é mais tio da noiva do que eu, pois é irmão do seu pai, o Zé Amorim. Não quisemos fazer o percurso de carro próprio e pedimos para o hotel chamar um taxi. Depois de quase meia hora, vi que poderíamos chegar ao casamento depois da noiva.

Apareceu uma van na frente do hotel e perguntamos se ele poderia nos levar na Igreja de Santa Terezinha. Ele disse que sim, acertamos o preço e partimos. Até que houve uma pergunta do motorista:

- A Igreja de Santa Terezinha é uma igreja católica?

Então eu vi que ele não tinha a menor noção de onde era. Foi uma quantidade enorme de telefonemas para pedir auxílio e chegar à Igreja a tempo. Rodamos para cima e para baixo, mas, enfim, chegamos à Igreja.

Muitos já estavam por lá, e tive a impressão que estava na Matriz de Bom Conselho, pelo número de pessoas que conhecia de lá. Era difícil escolher com qual velho falar primeiro. Mas, no final falamos com quase todos e foi uma alegria rever as pessoas da minha terra.

Então veio o grande evento: o casamento. E antes da noiva lá vem o Davi e o Miguel, meus netos, com as respectivas noivas. Lindos. Eu me lembrei de quando falaram a Davi pela primeira vez de que ele ia ser pajem num casamento, e ele disse que não sabia dançar casamento. Eu lhes digo, dançaram bem, mesmo que o Miguel (o menor) tenha abandonado a noiva no meio da igreja e partido numa carreira medonha atrás do irmão, mas, antes dando “tchau”, ao Vovô Zé todo orgulhoso.

E, quando eu já estava acreditando que estava numa igreja de Maceió, cheia de gente de Bom Conselho, vi que o celebrante da cerimônia era o Frei Hélio, que considero mais bom-conselhense do que muita gente que hoje se diz assim. Então imaginei que estava na Matriz da Sagrada Família e na Praça Pedro II. E fui apreciar a bela cerimônia.

E aí, veio a recepção, onde encontrei outras pessoas e se não fosse o sono que estava, teria aproveitado melhor. Não cheguei a dormir, mas foi como se o fizesse. E o motivo não é a recepção da Fernando e do Hugo, e sim a altura do som que a boa orquestra tocava para deleite dos dançarinos e mudos. Mudos, porque ao tentar conversar, vi que era impossível fazê-lo sem que no outro dia a garganta  ficasse em pandarecos pela roquidão.

Porém, a festa foi um sucesso. E desejamos aos noivos todas as felicidades.

Não voltamos no outro dia, e no sábado fomos, eu e meus netos que já se tinha despojado dos seu paletós de noivos e aí foi só praia e diversão na Terra dos Marechais. Enfim, foi uma boa viagem e uma boa festa. E não sei quem se divertiu mais, se o Vovô Zé ou eu.

Um pequeno vídeo do belo casamento de Hugo e Fernanda


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A PRESIDENTE COME OVO




Por Carlos Sena (*)

Gosto de quem fala simples. Gosto de quem, em sua fala, desmistifica certas coisas como, por exemplo, comer ovo. Pois é. A Presidente Dilma, falando em entrevista com Ratinho estava leve e solta, coisa que nem sempre ela consegue ser. No decorrer da conversa, falou que é igual a todo mundo e que sente falta de, por conta do cargo, não poder andar nas ruas, ir a um cinema. Perfeitamente compreensível, porque um Presidente de República não manda em si no quesito segurança, liturgia dos cargos. Gostei de tudo e da sua leveza, como já disse. Mas do que gostei mesmo foi quando ela disse que gosta de ovo. Por dentro, imaginei: mas, quem não gosta de um ovinho frito?  Ah, ela gosta também de uma cebolinha com tomate! Percebe-se, a despeito das ilusões que nós, pobres "mortais" construímos, que essas coisas mais simples da vida são ignoradas (digamos assim) por pessoas importantes, ricas, etc. Isso pode até acontecer, mas fato é que as comidas mais simples são as que a gente não pode ficar sem elas por muito tempo como um ovo, uma saladinha, um feijãozinho maravilha. O outro lado dessa história é igualmente verdadeiro: quem aguenta comer, por exemplo, estrogonofe todo dia? Mas o feijão zinho a gente come todo dia e não enjoa, qual o ovo frito com macaxeira, ou com cuscuz, mesmo só com farinha.

Pois bem. A Presidenta, agora "afeminizei" o termo para não contrariar as correntes que gostam do Presidente ou da Presidenta. Mesmo sabendo que há quem não goste de Dilma, por inveja, por despeito ou, simplesmente, porque não consegue sê-la, nem sabê-la em sua plenitude.

O melhor da entrevista foi sua desenvoltura e sua intimidade com as questões do Brasil, e isso deve ter levado alguns políticos a se rasgarem por dentro. Não bastava ser mulher? Não bastava ser durona? Não bastava ser... Ora direis: ainda tem que saber de tanta coisa acerca do país! Inclusive de ovo frito, cebola e tomate? Toma-te mais essa. 

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(*) Publicada no Recanto de Letras em 07/10/2013