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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O VÍCIO






Por José Antônio Taveira Belo / Zetinho

Todo o ser humano é propicio ao vicio. Este mal ou este bem atingem a todos, sem distinção de classe, sexo, cor. Cada um de nós tem nossa maneira de ser e agir nos limites das nossas vidas. Quem não tem um vicio, afinal? Ocorre que os viciados tornam-se escravo desta maneira de ser, pois, não sabem controlar os seus instintos. Uns são viciados para as coisas do mal e outros para o bem, mais todos os vícios devem ser controlados, pois senão poderá tornar-se um castigo para aqueles se apegam demais aos vícios. Os viciados sempre se escondem e não demonstram os seus desejos. Fecha-se em ambientes para praticar os atos nocivos e se escondem dos familiares e amigos.  Estava descansando em casa quando me chegou como visita o meu amigo Calixto. Apertou a companhia e entrou com um sorriso largo enxugando o rosto do suor que lhe escorria. Sentou-se no terraço e começou a falar. É um amigo de longos tempos desde década de 70. Conhecemo-nos nas farras pelos bares da cidade, nas tardes dos sábados na plena Avenida Guararapes sentados na mesa do Savoy. Era um assíduo visitante naqueles recantos de boemia, consumindo primeiramente uma “lapada” de cachaça e em seguida com um copo cerveja bem geladíssima, estalando a língua. Agora já estou pronto. Era alegre e fanfarrão. Contava coisa que talvez não fizesse, mas contava e todos nós tínhamos que acreditar, pois caso contrario ficava irritado. Vocês são uns bostas!  Riamos. Começava a jogar porrinha, até às quatro da tarde.

 Estava mais abatido, a idade já lhe pesava. Tenho os meus 76 anos bem vivido. Não tenho medo de morrer, já vivi bastante, agora tudo é lucro, e ria. Começamos a conversar sobre vários assuntos. O primeiro era saber como andava os colegas das boemias que se reunia para botar a conversa em dia, aos sábados e muitas das vezes aos domingos pela manhã. Corríamos com o nosso pensamento, para saber onde se encontravam. Muitos haviam morrido outros doentes que já não tinha condições de se locomover Nunca mais vimos o Melo, Jamaci, Magaguari e tantos outros que não nos chegam a memoria. Olhando para mim, disse - Mas, meu amigo, eu estou numa sinuca de bico depois de velho. Pensei tantas coisas, mas não o que ele me contar. Não é que eu comecei a mexer com o computador, digitando devagarinho. Meu filho colocou a internet e me ensinou como acessar. Até ai tudo bem! Mas como não faço mais nada, sento-me e começo a mexer e de repente por curiosidade coloquei um pedido de sexo. Já pensaste! Vamos lá! Apareceu um sem numero de nomes, cliquei em um e apareceu varias fotografias de mulheres nuas, fazendo sexo e todo o tipo de aberrações sexuais. Ai a coisa pegou! Fiquei um pouco de tempo observando aquelas imagens, o rebolado e outras coisas. Não disse a ninguém e não poderia, pois seria ser um escândalo. Mas fiquei na expectativa da ausência de pessoas para voltar a aquelas cenas de sexo que por sinal fiquei excitado, coisa que não acontecia há tempo.  Ai começou o meu drama, o que fazer para não mais ir para aquela pagina de pornô? A minha religiosidade não permite tais coisas, pois o pecado é visível. Mas, a tentação é maior e quando chega aquele momento, ajo como viciado como se precisasse de alguma coisa para diminuir a minha tensão. É um vicio como outro qualquer. Ouvia tudo isto sentado no terraço a céu aberto com o fluir de um vento manso. Pigarreou e voltou a falar. Você vê pela televisão os consumidores de crack, cocaína e a maconha, fazem de tudo para se alimentar do vicio, sem se importar com nada. Eu estou começando entrar neste estagio. Agora meu amigo, estou entre a cruz e a espada. Estou tentando de todas as maneiras me afastar deste vicio, procurando sair de casa, estar com pessoas ao meu lado e  nunca ficar sozinho pois a tentação é grande. O que você me diz? É claro que você está estupefato desta confissão, ou melhor, deste depoimento, estou procurando uma opinião sensata para este caso. E que me dizes?


É meu caro amigo, disse, a vida nos prega peça. Eu e tantos outros estamos sujeitos a este vicio. A cada instante somos chamados para o erotismo, através de leituras, revista, filmes e tantos outros meios que chama e incita a nossa mente. A pornografia está em alta. A sexualidade esta em declínio, não existe mais respeito à natureza do homem da mulher. Pois é meu amigo Calixto quem sou eu para lhe aconselhar? O vicio é uma coisa séria, que pega a pessoa desprevenida, mas exige um grande esforço para renunciar este mal. Em nossa Capela do Divino Espírito Santo, existe um grupo de pessoas que se drogavam e estão no movimento NARCÓTICO ANÔNIMO - NA e sua palavra de ordem – ESTOU LIMPO; conheço também muitas pessoas que viviam no alcoolismo, já no fundo do poço e se ergueram do vicio a através do movimento ALCOOLICOS ANOMNIMOS-AA e finalmente tem um programa na CANÇÃO NOVA, intitulado e apresentado pelo DUNGA – PHN – POR HOJE NÃO. Nada mais posso dizer a esse respeito, mas tenho a certeza de que todos viciados devem tomar uma decisão na vida e a melhor forma é repetir - POR HOJE NÃO, quando a tentação nos tocar. Ok. Vou indo! Disse Calixto! Um abraço e saiu com destino ao terminal do ônibus.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A semana - O cabelo do Renan, o discurso da Dilma e o mergulho do governador




Por Zé Carlos

Como previmos em nosso texto sobre o filme da semana passada, produzido pelo UOL, e abaixo apresentado, o caso das madeixas do Renan apareceu somente agora, e ri só um pouco com as fotos-montagens, mas, me diverti bastante com a lembrança da marchinha “Olha Cabeleira do Zezé”, dos carnavais que acompanhei em Bom Conselho, mais do que brinquei. O Renan pode não ser o que a letra da música pergunta (... será que ele é?), embora com o seu ato ele é alguma coisa, e não muito boa. Mas deixemos para lá a vaidade do presidente do senado, e passemos a comentar outros aspectos do filme, procurando, com insistência um motivo para rir no início do ano.

Porém, como podemos ficar alegres com a tragédia mostrada logo no início do filme? O discurso de final de ano da presidenta Dilma é uma verdadeira tragédia por que passa a verdade. “O Brasil melhorou e nossa vida melhorou”, é a frase inicial do discurso que aparece no vídeo, e ela acrescenta que tudo isto não passa de intriga da oposição, ou “guerra psicológica”. Quando eu ouvi isto, e me lembrando do que aprendi, quando um dia fui economista, descobri quanto estava defasado na matéria. Hoje, uma inflação persistente e renitente de 6% ao ano é tida como sucesso pela presidenta, e lá se vai minha aposentadoria pelo ralo. Uma taxa de crescimento de 1% ao ano é considerada maravilhosa e não sei por que. A classe média endividada pela compra de carros e idas a Disneyworld, faz a festa dos outros países. Bem, eu vou parar por aqui, pois já estou  fazendo “guerra psicológica”, e não gostaria de ser processado outra vez por outra presidente. Isto deveria ser um papel da oposição. Guerra é guerra.

E comecei a rir mesmo foi com o Fernando Henrique dizendo que o Joaquim Barbosa não serve para ser candidato a presidente porque não tem jogo de cintura partidário. Logo o FHC de quem li um livro recente dizendo que foi presidente como Pilatos entrou no Credo, pois nunca havia tido vocação antes? Seu pronunciamento foi uma espécie de “a ocasião faz o ladrão”. Pois no caso, ele, aprendeu direitinho e criou até a reeleição para continuar com o osso, que não parece duro de roer. Afinal de contas os petistas estão aí há mais de 10 anos e querem mais, mesmo com a “guerra psicológica”.

Aliás, quem parece estar fazendo guerra psicológica é o presidente da FIFA, Joseph Blater, que descobriu estar o Brasil atrasado nos preparativos para Copa. E dizem que é a Copa mais cara de todos os tempos, e ninguém sabe, ao certo, quanto gastarão até o Brasil entrar em campo. Isto se as manifestações de rua deixarem. Para mim, que enfrento, de vez em quando, a Avenida Caxangá, Real da Torre, etc. aqui em Recife, que se prepara para ser uma das sedes do torneio, é uma “guerra psicológica” tremenda, deixando meus nervos em pandarecos. Queira Deus eu possa chegar à Arena Pernambuco nos dias de jogos daqui, talvez, somente, para dizer que já fui a um jogo de Copa do Mundo e morrer como um bom brasileiro. Sei não. Para mim que morava no Rio de Janeiro na Copa da Argentina, decidi, ao invés de ir àquela Copa, onde o Brasil foi campeão moral, segundo o Coutinho, para ir a Bom Conselho, talvez em julho eu faça o mesmo. Será melhor ouvir a Copa num rádio, como fazia, lá no Bar de João Jararaca em 1958.

Mas, já estou divagando, pois gosto muito de futebol e o filme nem trata disto. Vejam o resumo do roteiro produzido pelo o UOL, logo abaixo, e em seguida, vejam o filme, rindo, se puderem, com um governador de Estado (Cid Gomes), mergulhando para consertar um cano quebrado em Itapipoca. Será que a presidenta vai pegar na pá e na colher de pedreiro para não haver atraso nas obras da Copa, respondendo, à altura ao dirigente da FIFA?

“No Escuta Essa! dessa semana, a presidente Dilma Rousseff faz um discurso otimista sobre o ano que acabou, mas causa o espanto de Aécio Neves e Eduardo Campos. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ressalta os motivos pelos quais o então presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, não deve ser candidato à presidência da República. Este, por sua vez, cai no samba em uma tradicional roda no Rio de Janeiro. Por falar em samba, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), devolveu aos cofres públicos R$ 27.390,25 pelo voo em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) entre Brasília e Recife para realizar cirurgia de implante capilar, e caiu na marchinha "Olha a cabeleira do Zezé". Para terminar bem o ano e espantar as más energias, o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), mergulhou em um dos tanques de uma adutora para consertar um vazamento na cidade de Itapipoca, localizada a 147 quilômetros de Fortaleza.”


sábado, 4 de janeiro de 2014

FINADOS ÀS AVESSAS




Por Carlos Sena (*)

Lá fora é finados. Quero dizer, dia daqueles que morreram e podem ou não nos fazer muita falta. Partindo do principio de que quando a gente chora por quem morreu é por nós que choramos, então podemos compreender que choramos por aqueles que mais nos fizeram falta com sua morte. Quando essa falta é na lógica do afeto, talvez a gente nunca esqueça mesmo, mas, quando é por conta de bens materiais... Neste caso, a falta deixa de existir tão logo as pessoas que ficaram substituam os valores tais como dinheiro, casa, conforto... Isso tem sido comum com muitos pais que, achando que dar conforto aos filhos e muito dinheiro no bolso é ser bons pais. Quando morrem, os filhos sofrem. Mas, logo deixam de sofrer porque eles arrumam alternativas de suprirem essa falta.

Fato é que este é um dia de reflexão, considerando que todos um dia chegaremos ao final. Refletir acerca do nosso papel aqui na terra e do que podemos fazer de bom pelo outro nessa caminhada tão passageira é fundamental. Porque ir ao cemitério é apenas uma rotina que a igreja católica descobriu para também ganhar dinheiro. Com isso, o comércio de flores e tantos outros segmentos. Mas, nada contra quem vai aos cemitérios. Nem a favor, apenas respeitando o direito de cada um ser o que queira ser e aja como deseja agir de acordo com o que acredita.

Prefiro hoje não me lembrar: de amigos que matei em vida. De companhias que matei em vida. De almas sebosas que matei em vida. Esses são os meus finados que hoje comemoro na minha casa com bastante cerveja e vinho. Certamente que os chamo de amigos entre aspas, porque o foram até o momento em que eu decidi optar por não serem mais. Amigos de conveniência, amigos de ocasião, amigos de oportunidades, amigos... Matei todos. Dei-me a esse direito e continuo matando até hoje se preciso for. Na verdade nem foram tantos assim, mas é que a gente fica com essa sensação. Hoje eu faço muito isso no Facebook. Pense numa coisa que a gente tem que sempre fazer: mata-los todos, posto que sejam, em sua grande maioria, fantasmas – entram em nossa página, pedem pra serem aceitos e a gente aceita e pimba: daqui a pouco começam a nos instigar, a nos mal entender, a nos vilipendiar. Então deleto: simples assim. Pode ser que façam comigo, mas agora estou falando deles. Assim, hoje eu tenho mais motivos para comemorar o “dia de finados” dos que “matei em vida” do que os meus entes queridos que se foram para o outro lado da eternidade. Esses estão lá, quietinhos e zelando por mim, pois já me deram provas disso.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 02/11/2013

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

CÃO SEM DONO.




Por Carlos Sena (*)

Nosso país é cheio de modas. Modas corretas e outras apenas em função do politicamente nem sempre corretas. De repente a onda a favor ou contra os gays está dando uma trégua e entra em cena a cena ANIMAL: súbitos, jovens se insurgem contra os animais que servem de pesquisas em institutos que trabalham com autorização oficial e soltam os cachorros, literalmente. Soltam os cachorros, mas eles ficaram abandonados e com fome e sem dono. Porque os jovens cheios de ideais libertários não trazem consigo uma ação completa, ou seja, nada fazem para dar aos cachorros aquilo que eles acham que estava faltando no cativeiro deles... Será que esse povo não está tão-somente querendo os quinze minutos de fama? Pode ser que sim ou que não. Pelo sim, por que não fazem com todos os animais, inclusive com as cobras? Por que não entram no Butantã e soltam todas as cobras? Por que não invadem as ruas das grandes cidades e não ficam no lugar dos burros de carroça? Pode ser que sim pode ser que não. Pelo sim e pelo não, melhor que fossem eles, os jovens idealistas, soltarem do “cativeiro” os humanos que sofrem nas urgências e emergências das grandes cidades. Pelo sim e pelo não, por que não fazem movimentos para os governos cuidarem dos menores abandonados? Porque nosso país tem menino sem dono nas ruas, mas se alguém pegar uma galinha, um porco, um pato, um bode, logo aparece dono e chama a polícia, mas gente não. Gente é abandonada e até vale menos que um cachorro. Será que foi por isso que fizeram aquela musica “troque seu cachorro por uma criança pobre”?

Lógico que o mundo ideal é aquele em que tudo esteja “DE ACORDO”. Só que isso leva séculos de civilização e nós, certamente não alcançaremos isso. Lógico que devemos defender a ecologia e com ela todos os animais. Claro que não se pode tolerar os maus tratos com os “totós”, com os felinos, enfim, com os animais no geral. Só que mesmo pra isso, só os animais que suscitam carinho e satisfazem carências dos humanos é que são defendidos peremptoriamente. É feito filho adotivo que todo mundo só quer o mais bonito e de olhos claros. Por que não defendem os ratos? As pulgas? As cigarras? As cobras? Se for para defender o ecossistema tem-se que defender sem discriminar. Os argumentos são vários. Pessoas do contra e a favor logo aparecem, mas não se foca a questão de que os humanos são o centro do universo; são a espécie suprema na face da terra. E isso é tão correto que até dizem sermos a imagem e semelhança de Deus! Será que os cachorros também são?

Pois bem: que defendamos os bichos e as bichas. Mas que priorizemos os humanos e se para essa priorização for preciso utilizar bichos como cobaias, pois que se utilizem. No dia em que se for provado que isso não mais precisa então a questão estaria resolvida, ou não? O pior de tudo isso é que esses jovens que a TV mostra defendendo coisas que talvez eles nem saibam o porquê, são os mesmos que não respeitam os mais velhos, são os mesmos que furam filas, são os mesmos que cobrem os rostos para fazer baderna nos centros urbanos. Há exceções, claro. Mas, não é delas que estamos falando, mas daqueles que, por terem medo de não assumir o que fazem escondem a cara. E agora Cazuza, como ficaria o seu “Brasil, mostra tua cara”? Se teus jovens menos mostram e mais escondem suas caras para poder arruaçar e badernar em nome do que eles dizem ser politicamente correto?

Pode ser que eu precise melhorar meu entendimento acerca. Mas, tenho certeza que iguais a mim muitos pensam identicamente. Porque é muito bom se arvorar de moderno, de libertador, de defensor da ecologia, sem sequer respeitar o próximo que com ele convive no dia a dia... Ou não? Na verdade, esse povo precisava ler a fábula de Malba Tahan. O Google pode refrescar a memoria de quem se interessar. Enquanto isso, tem gente com vida de cachorro e cachorro recebendo vida de gente... Gente com fome pelas ruas e cachorros com vida de gente nas residências chiques, pudoradas e nunca nuas.

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 26/10/2013

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Refletindo sobre o óbvio.




Por Carlos Sena. (*)


Vez por outra gosto de refletir sobre o óbvio. O óbvio que é morrer ou mesmo envelhecer – isso por conta das contradições que no nosso cotidiano se interpõem através das pessoa que conosco convivem mais de perto ou mais distante. Pensar sobre o óbvio é algo como não bastar dizer que “a cocada é de coco”, porque para muitos temos mesmo que dizer que “a cocada é de coco e o coco vem do coqueiro”... É o caso da morte. É o caso da velhice. Essas duas coisas mais cedo ou mais tarde nos pegam, “nos prendem nos aprisionam ou nos vitimiza com suas garras ferozes”... Como se não bastassem essas obviedades, muitos, do alto dos seus “sapatos altos”, das suas empáfias, esquecem que defecam (cagam), que fazem xixi (mijam) e outras coisas da escatalogia, e como se não bastasse, se julgam superiores aos demais e neles pisam, humilham praticam todo tipo de jogo sujo. Quando essas coisas acontecem no seio dos seres humanos mais simples tudo se torna trágico e sem sentido ético, imaginem quando esses seres são políticos – daquela cepa sem escrúpulos que até vendem suas próprias mães para se eleger e ter poderes públicos.

Pois é. Como dizia Millôr Fernandes: “É”! Millôr, como sempre, era genial no singular e plural na singularidade do humano puro, contente, feliz, apesar dos pesares da convivência de uma sociedade mais mesquinha do que madrinha. Por isso falar do óbvio me deleita. Porque nele a gente entra numa linha de desconforto que, sob certos ângulos de visão, nos servem para crescer por dentro. Explico: pra quer lutar por riqueza a custa, inclusive, de atividades de natureza duvidosa? Por que humilhar pessoas, puxar-lhes o tapete por conta de cargos? Por que ter conta bancária robusta se depois se gasta tudo que ganhou com médicos por que se perdeu a saúde? Certamente que dinheiro é bom e eu também gosto. Mas, gosto dele na linguagem de Victor Hugo: na medida certa dele! Segundo ele, um dia por ano a gente deveria por uma porção de dinheiro na mão e olhando pra ele dizer: “isso é meu”... Porque a gente passa muito tempo utilizando o dinheiro como se ele não fosse nosso, mas nós dele.

Travesseiro só é o melhor conselheiro se quem nele dorme o faz com a consciência tranquila de que não pisou em cima dos outros, nem, por conta de ficar rico, jogou toda ética na lata do lixo... A vida é mesmo uma roda gigante, mas que poucos poderosos têm essa noção: se um dia está sentado na cadeira de baixo, noutro estaremos na de cima, e vice-versa. O mundo gira, a roda gira. Caixão de defunto não tem gavetas e muitas vezes aquele que, a custa de sacrifícios honestos ou não, deixa fortunas que serão usufruídas por quem nunca fez forças pra isso. Só acredito num fato que bem poderia levar muita gente a ter um rei na barriga: 1. Se não morressem; 2. Se não cagassem.

Assim, diante deste pensar sem novidades, não me canso de não entender o porquê de tanto egoísmo no meio do mundo; o porquê de tanta gente falsa que finge de boazinha para defender seus interesses escusos. Afinal, o buraco que recebe o rico, recebe o pobre, recebe o homem e a mulher, os do movimento LGBT, enfim, todos... Bem que o mundo poderia mesmo ser mais solidário. Isso só se justifica na doutrina espírita: somos um planeta atrasado que só serve para expiação e provas. Ou não?

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(*) Publicado no Recanto de Letras em 24/10/2013